Ítala Nandi: uma atriz brasileira de Primeira Grandeza!

Ítala Nandi está sendo indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2025, por sua atuação no espetáculo ‘A Visita da Velha Senhora’, do autor e dramaturgo suíço Friedrich Durrenmatt

A atriz Ítala Nandi, indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2025
A atriz Ítala Nandi, indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2025

Acadêmica Imortal da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA, a atriz brasileira Ítala Nandi, vencedora de prestigiados prêmios cinematográficos nacionais e internacionais na categoria Melhor Atriz (Palma de Ouro, do Festival de Cannes, em 1972, o Prêmio Molière, em 1975, e a Coruja de Ouro, em 1976, bem como a indicação ao Urso de Prata no Festival de Berlim, em 1974), em 2024 brilhou como protagonista do espetáculo ‘A Visita da Velha Senhora‘, sendo, por esse trabalho, indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2025.

Prêmio Shell

Prêmio Shell de Teatro
Prêmio Shell de Teatro

Prêmio Shell é um evento cultural patrocinado pela multinacional Shell do Brasil, cujo objetivo é premiar os grandes destaques da música popular brasileira e teatro.

O Prêmio Shell de música, criado em 1981, foi o primeiro instituído por uma empresa brasileira para a música nacional. Tradicional patrocinadora do Festival de Música Popular Brasileira da década de 1960, a Shell inicialmente concebeu-o para incentivar tanto a música erudita nacional quanto a popular. Atualmente, a grande premiação é voltado apenas para a categoria popular. Um júri composto por cinco personalidades da MPB julga a produção anual, selecionando nomes e avaliando o conjunto da obra dos artistas escolhidos. O prêmio é entregue em mãos num evento musical comemorativo; o premiado recebe uma quantia de R$ 15 mil e um troféu desenhado pelo joalheiro Caio Mourão.

O Prêmio Shell de teatro foi criado em 1988, para contemplar, ano a ano, os artistas e espetáculos de melhor desempenho nas temporadas teatrais do Rio de Janeiro e de São Paulo

Prêmio Shell de Teatro indica espetáculo baiano na categoria Destaque Nacional

Uma premiadíssima Dama do Teatro Nacional

Ítala Maria Helena Pellizzari Nandi (Caxias do Sul, 4 de junho de 1942), é uma atriz, produtora e diretora teatral brasileira. É considerada uma das grandes damas do teatro brasileiro, com uma extensa carreira nos palcos iniciada em 1959. Também é diretora da Escola Superior Sul-Americana de Cinema e TV (CINE TV-PR). Ver Biografia completa.

Ítala Nandi fala sobre o espetáculo ‘A Visita da Velha Senhora’ – TVE Revista – 12/09/2024

Voltar

Facebook




Resistir

Clayton Alexandre Zocarato: Poema ‘Resistir’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato

Vou continuar mentindo

Para não sofrer

No leito do seu bem-querer

Procuro dizer

Você será sempre

O meu melhor (re)viver

Clayton Alexandre Zocarato

Voltar

Facebook




Bordando histórias

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Bordando histórias’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Imagem criada por IA do Bing – 31 de janeiro de 2025,
08:25 PM

Sinto-me uma bordadeira, desde menina cresci tecendo histórias. Enfeitando aqui e ali. Somos todos passíveis de erros, mas se os cometemos, com certeza vamos aprendendo a tecer os pontos, a colorir aqui e ali.

 Gostava de bonecas, havia muitas de tantos modelos e tamanhos. Não gostava de bebês, já havia em casa um cada dois ou três anos. Queria aquelas com roupas chiques, vestidas de mocinhas de época, caras, e só as vi nas prateleiras das lojas. Ganhei algumas mais baratas, então eu as vestia. Aconteceu de levar uma ou outra chinelada. Porque havia cortado aquele lençol, relíquia de tantos anos, ou ainda ter cortado uma blusa, ou saia, que não gostava de usar.

Engraçada é a vida, poderia ter sido costureira. Cresci querendo me vestir igual as minhas colegas de escola. Minha mãe até tentou comprar roupas de segunda mão e ajustar. Mas em nada se parecia com as das outras meninas. Resolvi eu mesma fazer alguma coisa.

Nessa época já trabalhava meio período em uma loja de uma mulher, amiga de minha mãe.

Essa senhora e a filha, uma moça que eu admirava por ser bonita e elegante, me deram algumas peças de roupa, pois as que eu usava não eram adequadas para atender os fregueses. Só aí é que pude notar a disparidade e a tristeza de ter menos que outras pessoas. A moça que eu admirava, por ser elegante e chique, se mostrou esnobe, em tudo me corrigia.

Apenas assentia. O pouco que ganhava, lavando o banheiro da loja, varrendo, passando pano e espanando, garantia, pelo menos, carne na panela. Meu pai operário, minha mãe diarista, pagavam as contas e nos davam o que precisávamos.

Eu nunca fui de desrespeitar meus pais, mas me sentia envergonhada após ter sido contratada como ajudante de vendas, e não passar dos azulejos encardidos e da privada fedida.

Estava insatisfeita, queria uma mudança. Minha mãe não estava em casa naquele dia, levaria meus irmãos para tomar vacina. Meu pai só chegaria à noite. Não fui à loja da grã-fina.

                Resolvi dar uma volta na rua das lojas, entrei na loja Americanas, onde tinha um cartaz: “Precisa-se de moças”. Eu tinha 14 anos na época, fui e me candidatei. Fiz um teste escrito, e, enquanto aguardava o resultado, fiquei em um balcão com uma garota sorridente, que me explicou:

— Você, vai trabalhar comigo. Estranhei, havia preenchido uma ficha e feito o teste, ninguém me disse nada. Passei a tarde atendendo o público, no final do dia fui chamada ao RH.  Estava contratada, traria no dia seguinte a carteira de menor de idade. O salário era bom; aos menos para mim parecia uma fortuna. 

              Só tinha um problema: eu trabalharia o dia todo das 8 às 17h, e, por ser estudante, sairia uma hora mais cedo, porque teria que estudar a noite. Fui correndo para o Colégio para fazer a transferência para o período noturno. 

              Não sei se era costume, mas ninguém se opôs, no dia seguinte entraria nas aulas às 19h30.

              Na Lojas Americanas me deram um contrato, o horário especificado de trabalho, de segunda a sexta, aos sábados revezaria com minha colega, feliz. Cheguei em casa, e levei o maior susto, porque minha mãe já havia chegado, e estava de cara amarrada e vermelha, como ela ficava quando estava nervosa.

             Não era coragem, era necessário, falei tudo de uma vez. Ela, com ar sério, não disse uma palavra. Virou-se para o fogão e foi preparar o jantar. No dia seguinte, acordei mais tarde, não era necessário entrar na escola às sete da manhã. Fui tomar banho, encontrei minha roupa, uma calça azul rancheira, sapatos de borracha, e uma blusinha de flores miúdas. Apesar da roupa, nunca fui menosprezada em meu trabalho. Esse, foi o jeito de minha mãe dizer que aprovava a mudança. Na loja usávamos uniforme, calça azul-marinho, camisa branca. Podíamos usar rabo de cavalo ou um coque. Aprendi com as meninas a usar batom.

             Daí para frente, encontrei outras oportunidades de trabalho, e não parei mais. Olhando para trás, me orgulho de minhas decisões. Fui babá, garçonete, limpei banheiros, fui balconista por muitos anos, em várias lojas grandes, chegando a chefiar alguns departamentos. Fiz o colegial, e parei. Só voltei a estudar quando entrei para o serviço público. Onde permaneci por mais de vinte e oito anos. 

Continuo até hoje bordando minhas histórias; às vezes a linha escapa, mas reato o fio até acabar o meu bordado.

Ivete Rosa de Souza

Voltar

Facebook




Páginas ao léu

Ella Dominici: Poema ‘Páginas ao léu’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 31 de janeiro de 2025
 às 08:51 PM
Imagem criada por IA do Bing – 31 de janeiro de 2025
às 08:51 PM

achei páginas de livros
senti suas veias
pulsando batimentos
paixões de vida timbradas

vi livro escrito na abóbada
da caixa de pedra
à guisa do céu
de certa masmorra

escritos a lápis, a giz, a carvão
entalhes profundos na rocha
figuras letras bizarras
marcadas com sangue
ou lágrimas feitas à mão

num desejo de enviar
palavras abafadas
afora lucarnas
num ensejo de alcançar
liberdade, liberdade, liberdade

talvez com estas páginas
depois de minha partida
vento brinque no pátio
papel manchado de lama

talvez apodreçam na chuva
ou se colem em alguma
louca estrela
vista pela janela

talvez quebrada por falta
de um leitor que entenda
meu livro de livres
palavras que alcançaram

liberdade, liberdade, liberdade!

Ella Dominici

Voltar

Facebook




Toca-me!

Sandra Albuquerque: Poema ‘Toca-me!’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
Imagem criada por IA do Bing - 30 de janeiro de 2024, 16:00 PM
Imagem criada por IA do Bing – 30 de janeiro de 2024, 16:00 PM

Toca-me!
Não com os dedos das mãos.
E sim, com os dedos da alma!
Tão certo como há sempre um novo amanhecer
É deste jeito que o meu ser
sentir-se-á acalentado.
Diversos sentimentos surgirão
Darão lugar aos sorrisos
Esquecerá as dúvidas
E os porquês serão embaçados
com a neblina no vazio da escuridão
Pois a luz ofuscará toda a estrada da solidão
Nascerá à esperança e, também,a alegria de um novo tempo.
De uma nova jornada.
E um inspirar fundo surgirá, ouvindo o compasso do meu coração.
E os meus olhos continuarão fechados
Pois…
Meu ser também precisa de um abraço
Me abraça, não com braços carnais, enganosos
Mas…
Com os braços da alma.
Ah, como é confortante!
Um acalento para a minha existência.
Arrepia a pele com a brisa que passa.
É como se do alto de uma pedra
contemplasse a imensidão azul com o verde das águas que se misturam e parecem um só.
É como eu visse as gaivotas pairando no ar para o seu leve descanso.
Um toque, um abraço…
E agora me resta ouvir.
Não uma sonata ou uma serenata
Mas…
A voz de meu silêncio
Pois só assim
Poderei me encontrar
Em meio a um déjà-vu.

Comendadora Poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2025

Voltar

Facebook




Academias relevantes?

Lina Veira: ‘Academias relevantes?’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canvas, com texto sobreposto pela autora,
Lina Veira
Imagem do Canvas, com texto sobreposto pela autora,
Lina Veira

Sem sombra de dúvida, é preciso repensar o papel das academias de letras em todo país, nos dias hodiernos.

Conta a história que, por volta de 387 a.C. num jardim da periferia de Atenas, foi construída a Academia de Platão. Ali, o saber era encontrado mediante um processo endógeno, através dos constantes questionamentos do pensar.  Sua escola deixou significados, pois o saber não é apenas para ser ensinado, mas produzido, elaborado.

 No Brasil, a ABL – Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897 por escritores brasileiros de destaque, como Machado de Assis, Olavo Bilac, Joaquim Nabuco, entre outros. A instituição é inspirada na Academia Francesa de Letras. Teoricamente acolhe todo candidato brasileiro nato que seja autor de obra literária de reconhecida importância, com qualidades literárias. Membros e cadeiras com seus respectivos patronos (= Membros Titulares). Comporta também membros correspondentes, membros beneméritos e membros honorários. Cada uma com seus respectivos Estatutos. Realizando eventos, publicações, premiações, atua na unificação da língua portuguesa.

Vou até contar um segredo: nunca entendi essa coisa de cadeira imortal, se ‘Os tais imortais’ quando morrem, sua cadeira é declarada vaga e perdem seu lugar.

Na prática, se dedicarem à literatura, às ciências e às artes, é a proposta. Buscar o aperfeiçoamento e incentivo à leitura, realizar publicações de obras literárias, rodas e debates sadios promovendo a história brasileira.

Um país não pode progredir sem uma vida intelectual na qual se enxergue e se reconheça entre os seus a literatura como unidade histórica, cultural e espiritual. Em prol da restauração intelectual nos estabelecimentos de ensino, sejamos! Em prol de nossas melhorias na escrita, sejamos!  

Hoje vemos nossas academias enfrentarem muitos problemas, entre eles a ausência de critérios para ocupar suas cadeiras e a decomposição da leitura entre os ditos acadêmicos, além da adesão total ao acordo ortográfico e submissão as pautas que desagradaram a muitos, como vimos acontecer com o argumento da linguagem neutra que em textos oficiais não estaria conforme o padrão da língua culta e afetaria o padrão da língua portuguesa.  

Precisamos como poetas, cronistas, contistas, autores, atuar com ‘consciência’ na unificação da língua portuguesa e realização de obras literárias de relevância, ser luz que se acende na alma do povo, ser inspiração, a mesma luz que nos obriga a escrever!

Deixe o mundo um pouco melhor com sua escrita, mas escreva com relevância

E conquiste o respeito de pessoas inteligentes, seja digno da admiração dos críticos honestos, dos falsos amigos, de sua posição de autor. Isso é sucesso.

Lina Veira

Voltar

Facebook




Os anjos que chamamos de avós

Paulo Siuves: ‘Os anjos que chamamos de avós’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA do Bing - 29 de janeiro de 2025, 
às 20:45 PM
Imagem criada por IA do Bing – 29 de janeiro de 2025,
às 20:45 PM

Nos corredores da memória,
onde o tempo repousa em silêncio,
eles brilham como faróis,
iluminando os passos que demos,
os dias que não voltam mais.

Vovó Argentina, coração imenso,
sorriso que abraça o mundo,
forte como a terra que sustenta,
generosa como quem entende
a beleza do simples.

E vovô João, inventor de sonhos,
criou música no ar
com pregos, arames e encantos,
ensinando que magia existe
nas coisas mais humildes.

Do lado paterno, vovô Chico,
fortaleza de ébano,
presença ancestral que ecoa histórias.
Seus olhos, poços de sabedoria,
carregam o peso de eras vividas.

E vovó Santinha, a ternura em forma de gente,
colo de aconchego, cafuné e afeto,
fazendo da doçura um refúgio,
transformando lágrimas em sorrisos.

Duas casas, dois mundos:
uma com árvores que dançam ao vento,
bichos que nos espiam em segredo,
telefone que nos conectava ao distante.
Outra, com parreiras que nos sombreiam,
fogão de lenha que aquece a alma,
histórias sussurradas entre risos e café.

Como medir o impacto desses anjos?
Como comparar o amor que não se pesa,
as lembranças que não se repetem?
Eles foram traços de arte em minha vida,
cada um deixando uma marca única,
um tom, uma textura,
que agora pinto em meus dias.

Sou avô, herdeiro dessas memórias,
espero ser o eco do que eles foram,
o guardião de histórias,
o colo que acalma,
o abraço que protege.

Vejo nos olhos dos meus netos
o mesmo brilho que senti um dia,
aquele amor que não conhece fim,
que atravessa o tempo e permanece,
como um tesouro passado de mãos em mãos.

Os avós não são apenas raízes,
são pontes entre o ontem e o amanhã,
fios de ouro que unem gerações
em laços que o tempo não desfaz.

E no final, o que fica é isso:
o amor eterno;
as lembranças preciosas;
os risos compartilhados.

Ser avô é ser eterno,
e conviver com eles
é um privilégio que transforma
o comum em extraordinário.

Paulo Siuves

Voltar

Facebook