Maria Teresa LiuzzoImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/53818f283c05a708?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Un altro anno è passato, nel mormorìo assordante dei media, che ci riempie la testa di vuoto e inutili parole, nell’ignoranza concettuale e formale, tra la galassia frustrante delle tante case editrici, che ostacolano la vera cultura, la vera letteratura, proponendo libri squallidi, da quattro soldi, prodotti solo per ottenere il lauto compenso.
Intanto l’ignoranza collettiva cresce: si legge sempre meno poesia. Non si capisce più il linguaggio aulico, e molto spesso si scambia la prosa per lirica. Sono cambiati i tempi, sono cambiati i valori e i giudizi: è cambiato il modo di rapportarsi a questi valori.
Eppure la cultura va avanti, tra stili prosastici e prosodici, sobri e antipoetici, tra poesia d’élite e popolare, tra stile di qualità e i retrobottega dei correlativi oggettivi, tra vera e falsa poesia. E dietro e dentro tutto questo, l’inefficienza dei critici, sempre di più votati all’oscuro, deboli nel valutare o di parte.
Eppure la mia scrittura va avanti, con la grinta e la qualità che possiede, credendo nei valori di quei molti autori che la sostengono e, soprattutto, ancora, nonostante i tempi, in quel ‘ concetto universale di letteratura romantica” improntata sull’amore, sulla ”rinascenza umana” e sulla qualità dello stile.
Forse è chiedere troppo a questo tempo votato al ”consumismo” e all’incivilimento: ma decisamente, siamo convinti che nonostante il perdurare dell’imbarbarimento, il nostro messaggio andrà avanti e non passerà con gli anni!
Ogni arte parla dell’umanità all’umanità e come la poesia, la Fede e l’Amore, non si possono spiegare. Si possono soltanto vivere. E’ il pellegrinaggio della parola che simboleggia la povertà di un mondo nella ricchezza del cuore, perché nell’umiltà della stessa c’è il punto di partenza che ci avvicina a Dio e l’equilibrio tra Natura e Arte. La presenza di un respiro che non si impone a cambiare le regole del sapere per prevaricare sugli altri. Sia un alfabeto di ”voci ” l’Eucarestia della Storia ”. Ai posteri l’ardua sentenza!
‘Homenagem ao escritor e poeta itapetiningano João Batista Alvarenga’
Sergio DinizJoão Batista Alvarenga – Imagem criada por IA do ChatGPT https://chatgpt.com/c/6a408046-ebcc-83e9-a946-2bf6775cf436
Excelentíssimo senhor vereador Hélio Godoy, presidente desta Sessão Magna.
Ilustríssimos membros da Mesa Principal!
Caríssimos amigos da Mesa Estendida!
Senhoras e Senhores!
É de conhecimento geral, a importância das frutas na alimentação e na saúde humana. As frutas são fontes de água, sais minerais, fibras, diversas vitaminas, carboidratos, gorduras e proteínas, mantendo, assim, o equilíbrio do corpo. A maioria apresenta baixa caloria e ajudam no controle do peso e no combate à obesidade.
E o Brasil é conhecido como a “terra das frutas” graças a tamanha variedade encontrada. Não há estrangeiro que, vindo de lugares frios, não se admire com a nossa abundância de formatos, perfumes e cores.
Isso é natural, como país predominantemente tropical que somos, embora inusitadamente a biodiversidade nativa brasileira não tenha quase nada a ver com o encontrado nos supermercados e feiras livres.
Das 20 frutas mais consumidas no nosso país, apenas 3 são nativas do Brasil: o abacaxi, o maracujá e a goiaba.
Por outro lado, o desenvolvimento da humanidade está intimamente relacionado ao uso das florestas.
Até pouco tempo, a necessidade de madeira era suprida quase que exclusivamente por meio das florestas nativas, cuja destruição tem provocado, muitas vezes, danos irreversíveis a alguns ecossistemas. A situação, nesse sentido, é alarmante.
É nesse contexto que entra o eucalipto, uma árvore originária da Austrália, e da maior importância para o mundo, em virtude de seu rápido crescimento, produtividade, grande capacidade de adaptação e por ter inúmeras aplicações em diferentes setores.
Um hectare de floresta plantada de eucalipto produz a mesma quantidade de madeira que 30 hectares de florestas tropicais nativas.
E já começa a haver algum consenso de que o eucalipto é uma das árvores mais bem posicionadas no combate ao aquecimento global, se este for causado pelas emissões de dióxido de carbono, pois tem maior capacidade de efetuar a fotossíntese.
Além do uso econômico, o eucalipto, por meio de suas folhas, é uma planta medicinal bastante utilizada no combate de diversas doenças respiratórias devido as suas propriedades expectorantes.
Pois há pessoas, senhor presidente e amigos presentes, que são como frutas e árvores de outras terras. São pessoas que aqui vieram ou foram trazidas e, com elas, trouxeram novos formatos, cores, aromas e sabores, bem como um bem-estar geral à saúde espiritual da nossa terra.
O homenageado desta noite é uma dessas pessoas frutas e árvores; semelhante a um refrescante melão europeu, trouxe-nos o frescor e a partilha de conhecimentos e ideias novas; análogo ao sedoso pêssego asiático, oferece-nos a doçura da poesia e da generosidade, e da mesma altura do imponente eucalipto, oferta-nos a transcendência de sua sabedoria.
João Batista Alvarenga, a quem carinhosamente o tratamos por ‘Alvarenguíssimo’, é um desses seres que fazem parte de um grupo seleto de almas que trazem consigo uma espécie de varinha de condão, transformando tudo e todos os que tocam.
O Mestre Alvarenga saiu, há muitos anos, de sua Itapetininga, de sua Atenas do Sul e se transferiu, definitivamente, para Sorocaba, para a Terra Rasgada e, aqui, nos rasgos desta terra, tem semeado as sementes da Educação, da Literatura, de uma Ética Universal, em forma de comprometimento e solidariedade.
Aqui, imbuiu-se de Arte Educador, nos anos de 2006, 2007 e 2008, coordenando oficinas pedagógicas na Casa da Cultura Grande Otelo.
Por 13 anos trabalhou como Jornalista no Jornal Cruzeiro do Sul, atuando como Repórter, Redator de Textos, Articulista e Fotógrafo.
Como empreendedor, idealizou e coordenou o projeto ‘Livro na Mesa’ (introdução de um livro de bolso nas cestas básicas dos colaboradores das empresas de Sorocaba e região).
Atualmente apresenta, pela Rádio Cruzeiro FM (92,3), o programa NOSSA LÍNGUA SEM SEGREDO, voltado para a divulgação da Língua Portuguesa.
Estas são apenas algumas das muitas atividades culturais desenvolvidas por aquele menino de 13 anos de idade que, um dia, uma iluminada professora de sua terra o chamou de lado e fê-lo ver que já o era um POETA.
O menino-poeta, o menino escritor, o menino-humanista que cresceu e se instruiu e, embora quisesse aplicar o saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana, marca do Humanismo; tem se percebido, muitas vezes, conforme suas próprias palavras, um Dom Quixote de La Mancha, um Dom Quixote que, agora, não mais luta contra moinhos de vento, mas contra os moinhos do abandono, do descomprometimento, da inércia e da falta de ética, por parte daqueles que, investidos do poder de mudar e melhorar a sociedade, fazem vistas curtas e ouvidos moucos.
Por tudo isto, Senhor Presidente, neste momento, dentre as máximas da sabedoria popular, uma se destaca em relação a este evento: ‘Antes tarde do que nunca’!
Mas, ainda que tardiamente, senhor presidente, esta Casa, por meio desta Sessão Magna, ao outorgar o título de Cidadão Sorocabano ao professor, ao amigo e irmão Alvarenga coloca-lhe, no peito, o Brasão de Sorocaba, brasão este que ele já colocara, há muitos anos, em sua alma!
Obrigado a todos!
(Sessão Solene de outorga do título de Cidadão Sorocabano ao escritor e poeta itapetiningano João Batista Alvarenga, realizado em 22/06/2016, pela Câmara Municipal de Sorocaba)
Kamuenho NgululiaImagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_6a3ef135e93481919c11efe051f002b5
Ser educado é uma condição que confere prestígio ou respeitabilidade a quem deste atributo se valha. Para tal, a família, o círculo de amigos, as experiências no trabalho, na comunidade religiosa, na escola e em outros ambientes concorrem para que tal se concretize. Daqui resulta a compreensão de que, a escola não é, e não pode ser, o espaço privilegiado ou exclusivo para a formação integral das pessoas.
Apesar do acima dito, o concurso da escola para tornar os seres humanos educados é de uma importância tal que, ser educado não pode ser confundido com apenas ser intelectualizado. A educação é uma prática e qualidade na qual se encerram, fundamentalmente, dois elementos: a inteligência cognitiva e a inteligência ética, conforme diria o Professor Doutor Will Tuttle (2005). Quem foi verdadeiramente educado, não se pode achar apenas com a mente capacitada, torna-se imperativo que se encontre também com o coração treinado (Osho, 1960).
Infelizmente em Angola, quero crer que esta situação reflete uma triste realidade que se pode encontrar um pouco por toda parte do mundo, o sucesso da nossa educação é medida, esmagadoramente, pela quantidade de estudantes que transitam de uma classe para outra, do que pela qualidade dos saberes, valores e práticas adquiridas por eles ao longo da classe frequentada.
Uma prova do fracasso moral da nossa educação acadêmica, em relação aos estudantes, está no fato de que em momentos de provas ou exames, os professores são transformados em infelizes vigias e os estudantes, em vigiados sôfregos. O que eu vejo neste triste episódio é uma fealdade, diria o pedagogo Allan Kardec (1944), que denuncia uma relação de cão e gato, onde o professor, incapaz de ensinar as necessárias qualidades morais, vê-se obrigado a recusar a liberdade aos estudantes que, sem dúvida, enveredarão a práticas de desonestidades acadêmicas porque pouco ou nada aprenderam ao longo do ano.
É preciso educar, mas educar com amor, paciência, inteligência e domínio dos saberes, valores e práticas que se quer inculcar nos estudantes. A educação é como uma faca de dois gumes, se ministrada com qualidade, torna os seres humanos valorosos. Porém, se ministrada sem consciência, servirá, certamente, como um tiro pela culatra.
Referência
Kardec, A. (1944). Obras Póstumas. Federação Espírita Brasileira.
Osho. (1960). Revolution in Education. Osho International Foundation.
Tuttle, W. (2005). The World Peace Diet. Lantern Books.
Lina VeiraImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/e0c906cbae5099a4?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
A natureza não existe para a conveniência do homem.
E os “desastres sempre voltam quando os esquecemos”, escreveu Torahiko Terada
No Brasil, os desastres naturais têm sido tratados de forma segmentada entre diversos setores e realidades da região e sociedade. Nas últimas décadas, o número de registros de desastres naturais em várias partes do mundo vem aumentando consideravelmente. E isso se deve principalmente, ao aumento da população e da ocupação desordenada com intenso processo de urbanização e industrialização sem cuidados com os conceitos e ações que envolvem gestão ambiental, saneamento básico e vida útil de obras. Claro que a dinâmica atmosférica e seus sistemas produtores do tempo interferem sempre, e neste ponto eu chamo atenção para a relação entre o homem e a natureza, porque desastres naturais também resultam das tentativas humanas de dominar a natureza sem aplicação de medidas para redução dos efeitos dos desastres, aumentando sua intensidade e prejuízos.
Os desastres são súbitos e inesperados, logo todo monitoramento na previsão em tempo real é importante para diminuir sua vulnerabilidade e ter uma ação mais segura que gere prevenção e mitigação, ou seja, uma redução máxima possível dos danos e prejuízos causados, principalmente de vítimas fatais.
Não temos como controlar e dominar fenômenos naturais pois estão relacionados com a dinâmica interna e externa da terra. Porém, algumas observações precisamos questionar: A área ocupada e seus detalhes sobre eventos extremos, como a população se comporta diante das medidas de alerta, e sua consciência de entender que aspectos socioeconômicos da região contribuem para uma geração de desastres, logo uma politica voltada para o saneamento e gestão ambiental é necessária e urgente hoje. E tudo isso tem a ver com as ações antrópicas do homem, o agente mais agravante dos destrates nas últimas décadas. Fenômenos El niño e La niña que geram mudanças climáticas globais que precisam serem observadas com pontualidade , pois aquecimentos das águas geram chuvas intensas causando inundações catastróficas; e águas frias intensificação de ventos, tempestades.
O futuro climático do Brasil, deixa em foco especial Santa Catarina, por considerar ser uma área em que o modelo prevê maior intensidade de tempestades. Lembrando o primeiro furacão que atingiu do Atlantico Sul , o furacão Catarina nos dias 27 e 28 de março de 2004. Estudos acreditam que o aquecimento global possa favorecer a formação de furacões e a implantação da infraestrutura necessária às atividades humanas devem ser orientadas com o mapa e zoneamento ambiental de risco.
Algumas medidas são importantes para conviver em ambiente com maiores riscos:
– Cobrar a fiscalização e denunciar a áreas de ocupação
– Manter limpo calhas e ralos, bueiros e rios
– Fechar entrada de água
– Verificar onde ficam os abrigos para melhor acesso
– Manter a calma para organizar a casa em caso de inundações e documentos
– Tenha sempre um rádio de pilha em funcionamento na sua rotina de casa e lanternas.
Acredite, o pior desastre natural começa sendo registrado nas escolhas políticas sem gestão ambiental, planejamento urbano, a negligência estrutural e o descaso governamental às adversidades climáticas, que transformam regiões em eventos naturais de tragédias humanitárias. Por melhores gestores e medidas preventivas de melhorias e mais conscientes com ações mitigadoras para reduções de todo agravante dos desastres.
Ella DominiciImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_6a3e7f945fdc819197e4df0f9555eae9
O sublime mora em minha mente, confidente desse instante presente. No tédio exalo o que se cala obra viva, luta e fala contra o caos persistente.
Mergulho no abismo, sem alarde, irmão da música em tom grave. Que beleza há no fim que invade, e à dor, rainha tão suave, minha alma inteira arde.
Nas letras, visões tão passageiras, notas lúgubres, flores estrangeiras. Como Flores do Mal, me tomam, nu, com vaidade anarquista à flor do azul, nesta conquista derradeira.
Vozes que não sei dizer, mas que me fazem compreender. Na partitura da lembrança, ecoam cólera e esperança dor vestida de prazer.
Despeço-me, em fim tardio, do que fui — por desafio. Aceito-me, enfim, na contradição do que pulsa em meu coração: silêncio e bravio estio.
No acorde final que me invade, sou dois: saudade e claridade. O outro de mim — tão real — é pétala branda e madrigal nas marés da eternidade.
Clayton A. ZocaratoImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/d6c4e561a80a9dca?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
“Há homens que procuram a salvação como quem procura uma saída. Outros descobrem, tarde demais, que a saída era apenas mais um corredor.” (C. A. Zocarato)
Quando o velho Aristeu completou sessenta e sete anos, decidiu desenhar um quadrado.
Não uma casa.
Não um mapa.
Não um projeto.
Um quadrado.
Passou horas diante da mesa, observando o papel vazio como um sacerdote contempla um altar abandonado. A mão tremia. Os olhos ardiam.
A vida inteira lhe pesava nos ombros como uma biblioteca construída com pedras.
Finalmente traçou quatro linhas.
Perfeitas.
Quatro limites.
Quatro fronteiras.
Quatro prisões.
Sorriu.
E chorou.
Naquele instante compreendeu algo que a maioria dos homens jamais percebe: toda existência humana é uma tentativa desesperada de desenhar formas geométricas sobre o caos.
O casamento.
A carreira.
A religião.
A moral.
A pátria.
A identidade.
Tudo não passava de linhas imaginárias riscadas sobre um universo que jamais pedira organização.
Você, leitor, talvez não goste dessa ideia.
Talvez prefira acreditar que sua vida possui um centro.
Uma finalidade.
Uma direção.
Mas responda sinceramente:
Quantas vezes você mudou de opinião?
Quantas vezes traiu os próprios princípios?
Quantas vezes chamou de verdade aquilo que depois chamou de erro?
O que mudou?
O mundo?
Ou apenas o desenho que você fazia dele?
Aristeu sabia.
Sabia porque carregava cadáveres dentro da memória.
Não cadáveres físicos.
Piores.
Cadáveres morais.
Os amigos abandonados.
Os amores destruídos.
As covardias justificadas.
As oportunidades assassinadas pela preguiça.
Cada erro era um ponto.
Cada culpa era uma linha.
Cada arrependimento acrescentava um novo ângulo à arquitetura secreta da alma.
Foi então que começou a construir sua geometria.
Durante meses, isolou-se.
Os vizinhos acreditavam que estivesse enlouquecendo.
Talvez estivesse.
Mas existe uma diferença entre o louco e o filósofo.
O louco acredita ter encontrado respostas.
O filósofo descobre perguntas.
E Aristeu estava afogado nelas.
Desenhava círculos.
Triângulos.
Espirais.
Poliedros impossíveis.
Cada figura representava um pecado.
Cada vértice representava uma escollha.
Cada linha simbolizava uma consequência.
Com o tempo percebeu algo perturbador.
Nenhuma figura era perfeita.
Todas possuíam falhas.
Pequenas deformações.
Assim como os seres humanos.
Assim como a própria moral.
Afinal, quem inventou o bem?
Quem definiu o mal?
Quem distribuiu certificados de virtude?
Os vencedores?
Os sacerdotes?
Os políticos?
Os mortos?
Você já pensou nisso?
Ou apenas repetiu as respostas que herdou?
A sociedade produz certezas da mesma forma que uma fábrica produz parafusos.
Em série.
Sem reflexão.
Sem profundidade.
Sem alma.
Aristeu percebeu que havia passado décadas vivendo segundo fórmulas que nunca examinara.
Era um homem educado.
Honesto.
Respeitável.
Mas também era um escravo.
Como quase todos.
Escravo de opiniões.
De expectativas.
De medos.
Principalmente de medos.
Numa madrugada de inverno encontrou um velho livro numa estante esquecida.
As páginas estavam amareladas.
Cheiravam a poeira e fracasso.
Leu uma frase que mudou tudo:
“A redenção não é apagar os erros. É compreendê-los.”
Fechou o livro.
Permaneceu imóvel.
Horas.
Dias.
Talvez anos espirituais tenham passado naquele silêncio.
Porque compreendeu uma verdade aterradora.
A humanidade construiu uma religião da absolvição.
Todos querem ser perdoados.
Ninguém quer ser compreendido.
Nem compreender.
Querem lavar as mãos.
Limpar o currículo moral.
Apagar manchas.
Como crianças que escondem sujeira debaixo do tapete.
Mas o universo não esquece.
A consciência não esquece.
A memória não esquece.
O passado é um arquiteto paciente.
Constrói silenciosamente os corredores pelos quais caminharemos amanhã.
Aristeu então abandonou a busca pelo perdão.
Passou a buscar entendimento.
E foi aí que começou sua redenção macabra.
Macabra porque exigia encarar os monstros.
Não os monstros externos.
Esses são simples.
Os monstros internos.
Os mais perigosos.
A inveja disfarçada de justiça.
A vaidade fantasiada de humildade.
O egoísmo vestido de amor.
A covardia escondida atrás da prudência.
Você conhece esses monstros?
Claro que conhece.
Talvez esteja alimentando um deles agora.
Talvez ele esteja lendo este texto através dos seus olhos.
Aristeu descobriu que o ser humano possui um talento extraordinário para mentir.
Principalmente para si mesmo.
Nenhum mentiroso é tão eficiente quanto a própria consciência tentando preservar sua autoimagem.
A alma fabrica desculpas como uma máquina produz fumaça.
Sem parar.
Sem descanso.
Sem vergonha.
Por isso a verdade é rara.
Ela exige sacrifício.
Exige mutilação.
Exige coragem.
A verdade não conforta.
A verdade opera.
Sem anestesia.
Os anos passaram.
As paredes da casa estavam cobertas por diagramas.
Milhares deles.
Quem entrasse ali acreditaria ter encontrado um laboratório secreto.
E de fato havia encontrado.
O laboratório da condição humana.
Cada figura representava uma conclusão.
Cada conclusão destruía uma ilusão.
Cada ilusão destruída aproximava Aristeu de algo que ele chamava de centro.
Não o centro geométrico.
O centro existencial.
O núcleo obscuro onde habitam nossas contradições.
Foi então que percebeu a maior descoberta de sua vida.
O ser humano não busca felicidade.
Busca distração.
Felicidade exige presença.
Distração exige apenas movimento.
Observe as multidões.
Correndo.
Comprando.
Consumindo.
Postando.
Acumulando.
Competindo.
Fugindo.
Sempre fugindo.
Mas de quê?
Da pobreza?
Da morte?
Do fracasso?
Não.
Fogem do encontro consigo mesmas.
O silêncio tornou-se o último terror moderno.
Porque no silêncio surgem perguntas.
E perguntas são mais perigosas que armas.
Na noite de seu aniversário de setenta anos, Aristeu terminou a obra.
Era uma figura gigantesca.
Formada por milhares de linhas.
Uma estrutura tão complexa que parecia impossível compreendê-la.
No centro havia apenas um ponto.
Um único ponto.
Nada mais.
Nenhuma explicação.
Nenhuma legenda.
Nenhuma resposta.
Apenas um ponto.
Sorriu novamente.
O mesmo sorriso do primeiro quadrado.
Sentou-se diante da figura.
Permaneceu observando-a até o amanhecer.
Então compreendeu.
Toda sua geometria apontava para aquele centro.
Todos os fracassos.
Todas as vitórias.
Todos os arrependimentos.
Tudo convergia para um único lugar.
A consciência.
O tribunal que jamais fecha.
O juiz que jamais dorme.
A testemunha que jamais desaparece.
A verdadeira redenção não estava fora.
Nunca esteve.
Nenhuma instituição poderia concedê-la.
Nenhuma ideologia.
Nenhuma autoridade.
Nenhum guru.
Nenhum profeta.
A redenção nascia quando o homem abandonava a mentira sobre si mesmo.
Somente isso.
Nada mais.
Nada menos.
Na manhã seguinte, os vizinhos encontraram a casa vazia.
Aristeu havia desaparecido.
Nenhuma carta.
Nenhuma despedida.
Nenhum corpo.
Nenhum vestígio.
Somente a imensa figura geométrica cobrindo as paredes.
Durante décadas, estudiosos tentaram interpretá-la.
Fracassaram.
Matemáticos.
Filósofos.
Psicólogos.
Teólogos.
Todos fracassaram.
Porque procuravam respostas.
E a obra não continha respostas.
Continha espelhos.
Quem a observava enxergava apenas a si mesmo.
Como acontece com toda grande filosofia.
Como acontece com toda grande literatura.
Como acontece com a própria vida.
Agora chegamos ao fim desta história.
Ou talvez ao início.
E resta uma pergunta.
A única que realmente importa.
Se sua vida fosse transformada numa figura geométrica, que forma ela teria?
Um círculo de repetições?
Um triângulo de conflitos?
Uma espiral de desejos?
Um labirinto de desculpas?
Ou uma prisão construída pelas próprias mãos?
Pense com cuidado.
Porque um dia todas as linhas que você traçou se encontrarão.
Todos os ângulos convergirão.
Todas as máscaras cairão.
E quando isso acontecer, não haverá público.
Não haverá aplausos.
Não haverá seguidores.
Não haverá títulos.
Não haverá currículos.
Não haverá narrativas.
Apenas você.
E o ponto central.
O núcleo silencioso daquilo que realmente foi.
A geometria da redenção macabra começa exatamente aí:
No instante em que o homem percebe que passou a vida inteira tentando escapar de si mesmo, e descobre, tarde demais, que era justamente para dentro de si que todos os caminhos apontavam.
Eliana Hoenhe PereiraImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/76840d1a7ff99e7b?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all