Quando o coração encontra o dedo

Karla Dornelas: ‘Quando coração encontra o dedo’

Seção O Leitor Participa
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Quando o coração se encontra na ponta do dedo,
ao cair de um alpendre
— que daria duplos saltos em gatos mais ariscos —
eu me joguei no universo.

E foi o dedo que encontrou o ferro
da porta do carro.

O quase desmaio
veio de dor.

E eu lá queria saber de curativo…

Eu sabia:
o coração batia ali,
no dedo,
na unha que mudava de cor.

Quem usa branco?

Eu queria era roxo neon.

O pisca-alerta do meu dedo
agora estava ligado.

Muito mais que meu coração em frangalhos,
numa tarde que se reconstruía
entre espasmos e silêncio.

E ali,
na dor mais simples,
me lembrei da minha humanidade.

O que escorria
não era só sangue.

Era mistura de lágrimas antigas,
de cicatrizes ocultas,
de tudo que ainda lateja
sem nome.

O dedo, cerrado.

O coração?

Esse…
hoje pulsa no corpo inteiro.

Mas uma tarde que chorou
como eu chorei,
não me para.

Nem o dedo na porta.

Porque eu vivo além das linhas.

Vivo por voar
entre os meus ‘eus’.

Karla Dornelas

Karla Dornelas
Karla Dornelas

Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura – ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.

Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.

Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.

Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.

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Dom Alexandre e a FEBACLA

Dom Alexandre e a FEBACLA: ‘Oásis num deserto cultural’

Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

Dom Alexandre, Sérgio Diniz e Carlos Carvalho Cavalheiro

Quem navega pelos mares da internet, especialmente em busca de notícias ligadas à cultura e a arte das Letras, já se deparou com o nome da FEBACLA (Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes) e, também, com o do seu presidente, Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho.

            Esses dois indissociáveis nomes – sendo um basicamente a extensão do outro – têm promovido a valorização da arte e da cultura não somente no Brasil como em outros países, especialmente os que têm a Língua Portuguesa como idioma oficial.

            Seria monótono e desgastante repetir aqui todo o currículo de Dom Alexandre e todo o histórico da FEBACLA. Basta, creio, dizer que o primeiro é jornalista, escritor e pesquisador e que por seu trabalho tem realizado inúmeras homenagens aos produtores de cultura, bem como promovido a memória de personalidades históricas como Dom Pedro II, Chiquinha Gonzaga, Rei Ramiro II de Leão, Machado de Assis, Maria Quitéria, Anita Garibaldi entre tantas outras.

            Por meio da FEBACLA, Dom Alexandre tem concedido honrarias, concernentes a medalhas e diplomas, que valorizam o trabalho do mundo das artes e, também, do ativismo. Num deserto cultural, no qual escritores e produtores de cultura caminham a duras penas sob o sol escaldante e o escárnio, muitas vezes escancarado, da sociedade, a concessão de tais honrarias é como um oásis em que se recupera a força e o estímulo para prosseguir nessa viagem em prol da cultura.

            Muito além de atiçar a vaidade, o recebimento de uma honraria representa o reconhecimento e a certeza de que alguém percebe a importância do trabalho cultural, seja por meio das Letras, da pesquisa histórica, ou de qualquer outra modalidade de arte ou produção cultural.

            A FEBACLA ainda tem arregimentado acadêmicos em diversos lugares, dando posse anualmente a muitos daqueles que se dedicam à produção literária. É uma das poucas entidades acadêmicas a valorizar um número tão vasto de pessoas. E por ser uma entidade de cunho nacional, reflete a diversidade do povo brasileiro abarcando todos os sotaques, todas as cores, todos os regionalismos.

            Ainda por meio do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Instituição Oficial de Pesquisas Históricas, Filosóficas e Culturais da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, da qual Dom Alexandre é soberano representante, tem-se concedido o título de Doutor Honoris Causa, reconhecendo o trabalho de muitos abnegados que lutam pela melhoria intelectual e social do país.

            É tranquilizador saber que no Brasil, e também nos países lusófonos, o trabalho com a cultura e a arte recebe os olhares sensíveis de reconhecimento social. E que as honrarias concedidas por Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho materializam as nobres palavras de incentivo: “Siga em frente!”.

Carlos Carvalho Cavalheiro

21.02.2023. Texto publicado originalmente em: Dom Alexandre e a FEBACLA: oásis num deserto cultural – Carlos Carvalho Cavalheiro | Marimba Selutu

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Machado de Assis

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

‘Machado de Assis: fundador da tradição literária brasileira e patrono das letras nacionais’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Retrato do escritor Machado de Assis, capturado em 1890 pelo fotógrafo Marc Ferrez, revela uma figura de postura serena e olhar introspectivo. A composição sóbria e a iluminação suave destacam a profundidade psicológica do maior nome da literatura brasileira. Created with GIMP

RESUMO

O presente artigo analisa a relevância de Machado de Assis como principal nome da literatura brasileira, destacando sua trajetória, suas principais obras, sua contribuição para a consolidação do Realismo no Brasil e seu papel na fundação da Academia Brasileira de Letras. A pesquisa, de caráter bibliográfico, evidencia a singularidade de sua produção literária, marcada por profunda análise psicológica, ironia e crítica social. Discute-se, ainda, o reconhecimento de Machado como Patrono da Literatura Brasileira, considerando seu impacto duradouro na formação da identidade cultural nacional. Conclui-se que sua obra transcende o tempo, permanecendo atual e essencial para a compreensão da literatura e da sociedade brasileira.

Palavras-chave: Machado de Assis; Literatura Brasileira; Realismo; Academia Brasileira de Letras; Patrimônio Cultural.

1 INTRODUÇÃO

A literatura brasileira encontra em Machado de Assis seu maior expoente. Sua obra representa um marco na consolidação de uma tradição literária autônoma, crítica e universal. Nascido em 1839, no Rio de Janeiro, Machado construiu uma trajetória intelectual singular, superando limitações sociais e econômicas por meio de uma intensa dedicação às letras.

Inserido em um contexto histórico de profundas transformações sociais, políticas e culturais no Brasil do século XIX, o autor acompanhou a transição do Império para a República, bem como as mudanças nas estruturas sociais decorrentes do fim da escravidão. Tais elementos influenciaram diretamente sua produção literária, conferindo-lhe densidade crítica e refinamento analítico.

A originalidade de sua escrita manifesta-se na capacidade de explorar a complexidade da psicologia humana, aliada a um estilo marcado pela ironia, pelo ceticismo e pela sutileza narrativa. Machado de Assis rompeu com modelos literários tradicionais, introduzindo inovações formais que anteciparam características da literatura moderna.

Além disso, sua obra revela um profundo diálogo com a tradição literária europeia, ao mesmo tempo em que constrói uma identidade genuinamente brasileira, evidenciando tensões sociais e morais presentes na sociedade de sua época. Essa dualidade contribui para a universalidade de sua produção, tornando-a objeto de estudo em diversas partes do mundo.

Este estudo tem como objetivo analisar a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira, destacando sua produção literária, sua atuação institucional e seu legado cultural. Busca-se, ainda, refletir sobre a atribuição do título de Patrono da Literatura Brasileira, compreendendo-o como resultado de sua influência estética e intelectual.

2 A TRAJETÓRIA DE MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis teve origem humilde, sendo filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira. Autodidata, desenvolveu-se intelectualmente por meio do contato com livros e do convívio com intelectuais da época.

Órfão de mãe ainda na infância e enfrentando dificuldades financeiras ao longo de sua juventude, Machado encontrou na leitura e na escrita caminhos de ascensão intelectual e social. Frequentou tipografias e livrarias, ambientes que contribuíram significativamente para sua formação cultural. Seu primeiro contato com o meio literário deu-se por meio do trabalho como aprendiz de tipógrafo, função que lhe permitiu acesso direto aos textos e ao universo editorial.

Ao longo de sua trajetória, exerceu diversas atividades, incluindo a de funcionário público, cargo que lhe garantiu estabilidade e possibilitou maior dedicação à produção literária. Paralelamente, colaborou com jornais e revistas, espaços nos quais publicou crônicas, poemas e contos, consolidando sua presença no cenário intelectual do Rio de Janeiro.

Sua carreira literária iniciou-se sob influência do Romantismo, com obras que valorizavam elementos sentimentais e narrativas mais tradicionais. Nesse período, destacam-se romances como Ressurreição (1872) e A Mão e a Luva (1874), que evidenciam ainda certa vinculação aos modelos estéticos vigentes.

Contudo, foi com sua transição para o Realismo que alcançou maturidade artística, revolucionando a literatura nacional. A publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) representa um divisor de águas em sua obra e na literatura brasileira, ao introduzir uma narrativa inovadora, marcada pela ironia, pela fragmentação e pela quebra da linearidade temporal.

Machado de Assis destacou-se também por sua capacidade de analisar criticamente as relações sociais, expondo contradições da elite brasileira do século XIX. Sua escrita revela um olhar atento às questões de poder, interesse e dissimulação, frequentemente exploradas por meio de narradores complexos e pouco confiáveis.

Outro aspecto relevante de sua trajetória é sua atuação como cronista, gênero no qual demonstrou grande sensibilidade para captar o cotidiano e as transformações da sociedade carioca. Suas crônicas, publicadas em periódicos da época, constituem importante registro histórico e cultural.

Além de sua produção literária, Machado desempenhou papel fundamental na institucionalização da cultura no Brasil. Sua participação ativa na vida intelectual do país consolidou sua posição como uma das figuras mais influentes de seu tempo.

Dessa forma, sua trajetória não se limita à ascensão pessoal, mas reflete também a construção de um projeto literário sólido, que contribuiu decisivamente para a formação da identidade cultural brasileira. Sua vida e obra permanecem como exemplo de talento, disciplina e profunda compreensão da natureza humana.

3 A OBRA MACHADIANA E A CONSOLIDAÇÃO DO REALISMO

A obra de Machado de Assis é marcada por inovação formal e profundidade psicológica. Entre suas produções mais relevantes destacam-se: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899).

Essas obras introduzem uma narrativa inovadora, com ruptura da linearidade, uso de narradores não confiáveis e diálogo direto com o leitor. Além disso, Machado desenvolve uma crítica social sofisticada, abordando temas como hipocrisia, poder, relações sociais e subjetividade.

A publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas inaugura uma nova fase da literatura brasileira, não apenas pelo conteúdo, mas pela forma. O narrador defunto rompe com convenções tradicionais, permitindo uma abordagem mais livre e irônica dos acontecimentos, além de estabelecer uma relação direta e provocativa com o leitor.

Em Quincas Borba, Machado aprofunda reflexões filosóficas por meio do Humanitismo, teoria fictícia que satiriza correntes positivistas e revela a crueldade subjacente às relações humanas. A trajetória do personagem Rubião exemplifica a fragilidade da razão diante das ambições e ilusões sociais.

Já em Dom Casmurro, o autor constrói uma das narrativas mais complexas da literatura mundial, explorando a memória, a dúvida e a subjetividade. A ambiguidade em torno da possível traição de Capitu permanece como um dos maiores enigmas literários, evidenciando a maestria de Machado na construção de narradores pouco confiáveis.

Além dos romances, os contos machadianos constituem parte essencial de sua obra. Textos como O Alienista e A Cartomante revelam sua habilidade em condensar, em narrativas breves, profundas reflexões sobre a natureza humana e as instituições sociais. Em O Alienista, por exemplo, observa-se uma crítica à pretensão científica e ao autoritarismo disfarçado de racionalidade.

A linguagem machadiana caracteriza-se pela economia verbal, pela precisão estilística e pelo uso recorrente da ironia. O autor utiliza recursos como metalinguagem e quebra da quarta parede, aproximando-se do leitor e questionando a própria construção do texto literário.

Segundo Candido (2004), Machado de Assis é responsável por conferir maturidade à literatura brasileira, ao introduzir uma perspectiva crítica e universalizante. Sua obra ultrapassa o contexto nacional, dialogando com questões humanas atemporais.

Bosi (2006) destaca que o realismo machadiano não se limita à representação objetiva da realidade, mas incorpora uma dimensão psicológica e filosófica que o distingue de outros autores do período. Tal característica contribui para a permanência e atualidade de sua obra.

Dessa forma, a produção literária de Machado de Assis não apenas consolida o Realismo no Brasil, mas também redefine os limites da narrativa, influenciando gerações posteriores e posicionando-se como referência fundamental na literatura mundial.

4 A FUNDAÇÃO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Em 1897, Machado de Assis participou da fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se seu primeiro presidente. Inspirada na Academia Francesa, a instituição teve como objetivo valorizar a língua portuguesa e promover a literatura nacional.

A criação da ABL ocorreu em um contexto de busca por afirmação cultural e identidade nacional, no período pós-Império e início da República. Intelectuais da época reconheciam a necessidade de uma entidade que consolidasse a produção literária brasileira e estabelecesse parâmetros de prestígio e legitimidade para as letras nacionais.

Machado de Assis desempenhou papel central nesse processo, não apenas como idealizador, mas como figura de consenso entre os escritores de sua geração. Sua reputação intelectual e sua postura conciliadora contribuíram para a união de diferentes correntes literárias em torno de um projeto comum.

A Academia foi estruturada com base em quarenta cadeiras, cada uma ocupada por um membro efetivo e associada a um patrono, em homenagem a nomes relevantes da literatura brasileira. Esse modelo reforça a ideia de continuidade e tradição literária, vinculando passado e presente em um mesmo espaço simbólico.

Durante sua presidência, Machado de Assis atuou de forma discreta, porém eficaz, priorizando a estabilidade institucional e o fortalecimento da ABL como referência cultural. Sua liderança foi marcada pela sobriedade e pelo compromisso com a valorização da literatura como instrumento de reflexão e identidade nacional.

A ABL passou a desempenhar importante papel na normatização da língua portuguesa no Brasil, bem como na promoção de debates literários e culturais. Ao longo do tempo, consolidou-se como uma das mais importantes instituições culturais do país.

Além disso, a Academia contribuiu para a profissionalização do escritor e para o reconhecimento social da atividade literária, conferindo maior visibilidade aos autores e às suas obras. Esse processo foi fundamental para a consolidação de um sistema literário brasileiro mais estruturado.

A participação de Machado de Assis na fundação da ABL reforça seu compromisso com a institucionalização da cultura e com o desenvolvimento das letras nacionais. Sua atuação ultrapassa a dimensão individual de escritor, inserindo-o como agente ativo na construção do campo literário brasileiro.

Dessa forma, a Academia Brasileira de Letras representa não apenas uma instituição cultural, mas também um legado do projeto intelectual machadiano. Sua existência está diretamente associada à visão de Machado de Assis sobre a importância da literatura na formação da sociedade.

5 MACHADO DE ASSIS COMO PATRONO DA LITERATURA BRASILEIRA

O reconhecimento de Machado de Assis como Patrono da Literatura Brasileira decorre não apenas da excelência estética de sua obra, mas também de sua centralidade na constituição de um sistema literário nacional. Sua produção representa um ponto de inflexão na história das letras brasileiras, ao articular forma, conteúdo e reflexão crítica de maneira inovadora e universalizante.

Do ponto de vista teórico, a consagração de Machado pode ser compreendida à luz do conceito de sistema literário proposto por Antonio Candido (2006), segundo o qual a literatura se consolida quando há a articulação entre autor, obra e público em um contexto cultural estruturado. Nesse sentido, Machado de Assis não apenas produziu obras de elevado valor estético, mas também contribuiu para a maturidade desse sistema no Brasil, atuando como elo entre tradição e inovação.

Além disso, a crítica literária destaca que o autor foi responsável por deslocar o eixo da narrativa brasileira de uma perspectiva meramente descritiva para uma abordagem analítica e introspectiva. Roberto Schwarz (2000) observa que a obra machadiana revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, especialmente no que se refere às relações entre liberalismo e escravidão, evidenciando tensões estruturais que permanecem relevantes.

A noção de patrono, nesse contexto, ultrapassa o caráter simbólico e assume uma dimensão fundacional. Machado de Assis torna-se referência paradigmática, não apenas por sua obra, mas por estabelecer padrões de qualidade estética e densidade crítica que orientam a produção literária posterior. Sua escrita inaugura uma tradição de reflexão sobre a subjetividade, a moral e as estruturas sociais, influenciando diretamente autores das gerações seguintes.

Sob a perspectiva da teoria da recepção, conforme Jauss (1994), a permanência de Machado de Assis no cânone literário se explica pela capacidade de sua obra de dialogar com diferentes horizontes históricos de leitura. Seus textos permitem múltiplas interpretações, renovando-se continuamente diante de novos contextos e abordagens críticas.

Ademais, a universalidade de sua produção pode ser compreendida à luz de uma estética da ambiguidade, na qual o autor evita conclusões definitivas e estimula a participação ativa do leitor na construção do sentido. Essa característica aproxima Machado de Assis de tradições literárias modernas e o insere no cenário da literatura mundial.

Bosi (2006) ressalta que o autor atinge um nível de refinamento estilístico e densidade reflexiva que o coloca em posição singular na literatura brasileira, sendo frequentemente comparado a grandes nomes da literatura universal. Tal reconhecimento reforça sua condição de patrono, entendido como figura fundadora e orientadora de uma tradição.

Além disso, sua atuação na fundação da Academia Brasileira de Letras contribui para consolidar sua posição institucional, ampliando sua influência para além do campo estritamente literário. Machado de Assis torna-se, assim, não apenas um autor canônico, mas também um agente estruturador da cultura letrada no Brasil.

Portanto, o título de Patrono da Literatura Brasileira atribuído a Machado de Assis sintetiza um conjunto de fatores que envolvem excelência estética, inovação formal, densidade crítica e atuação institucional. Sua obra permanece como referência incontornável, sendo fundamental para a compreensão da literatura brasileira e de suas relações com a sociedade.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Machado de Assis ocupa lugar singular na literatura brasileira. Sua obra, marcada pela originalidade, profundidade e crítica social, constitui um marco fundamental na formação da tradição literária nacional.

A fundação da Academia Brasileira de Letras e sua atuação como intelectual reforçam sua importância histórica. O título de Patrono da Literatura Brasileira sintetiza o reconhecimento de sua contribuição inestimável.

Conclui-se que Machado de Assis permanece atual e indispensável, sendo referência obrigatória para estudos literários e para a compreensão da cultura brasileira.

Ademais, sua produção literária continua a suscitar novas interpretações críticas, evidenciando a riqueza e a complexidade de seus textos. A pluralidade de leituras possíveis demonstra a vitalidade de sua obra e sua capacidade de dialogar com diferentes contextos históricos e sociais.

Nesse sentido, Machado de Assis consolida-se como autor cuja relevância ultrapassa os limites de sua época, projetando-se como referência permanente no cenário literário nacional e internacional. Sua escrita, ao problematizar as relações humanas e as estruturas sociais, contribui para o desenvolvimento de uma consciência crítica no leitor.

Por fim, reconhecer Machado de Assis como Patrono da Literatura Brasileira é reafirmar o valor da literatura como instrumento de reflexão, memória e identidade cultural. Sua obra permanece como legado duradouro, essencial para a compreensão da formação intelectual do Brasil e para o fortalecimento das letras nacionais.

REFERÊNCIAS

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1997.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997.

ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 1997.

ASSIS, Machado de. Papéis avulsos. São Paulo: Ática, 1994.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2006.

CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 2004.

COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil. São Paulo: Global, 2004.

JAUSS, Hans Robert. A história da literatura como provocação à teoria literária. São Paulo: Ática, 1994.

MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides: breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996.

MOISÉS, Massaud. História da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2001.

SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2000.

SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2000.

SANTIAGO, Silviano. Uma literatura nos trópicos. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

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As Magias da Sustentabilidade

Palavras que viram ação: literatura engajada marca lançamento de As Magias da Sustentabilidade

Capa do livro As Magias da Sustentabilidade
Capa do livro As Magias da Sustentabilidade

Evento na AFPESP reúne autores de todo o país em coletânea que une literatura, consciência ambiental e impacto social

São Paulo – Na manhã de quinta-feira, 19 de março de 2026, a sede da AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo) foi palco de um raro momento de pausa em meio à correria paulistana. O lançamento da coletânea As Magias da Sustentabilidade, realizado às 10h, transformou o espaço em um encontro de ideias, afetos e propósitos.

Mais do que uma sessão de autógrafos, o evento apresentou ao público uma proposta clara: usar a literatura como ferramenta de conscientização ambiental e transformação social.

Organizada pela escritora Maria Rosana Navarro e lançada pela Sensibiliza, a antologia reúne autores de diferentes regiões do Brasil, construindo um mosaico de vozes que dialogam com um dos temas mais urgentes da atualidade. A obra aposta em um diferencial importante: trata a sustentabilidade não apenas como discurso, mas como experiência sensível, aliando imaginação, afeto e responsabilidade.

📚 Diversidade de vozes e olhares

A coletânea se destaca pela pluralidade. Autores de cidades como Porto Alegre, Fortaleza, Bahia, Ubatuba, e tantas outras cidades contribuem com narrativas que ampliam o olhar sobre as questões ambientais no país.

Entre os participantes, a escritora Vanessa Leite reforça sua marca autoral ao transformar elementos da natureza em experiências poéticas acessíveis ao público. Já o escritor Josemir Lemos, reconhecido por sua atuação na literatura infantil, contribui com sua habilidade de abordar temas complexos de forma lúdica e envolvente.

Também integra a obra o médico e ambientalista Gilberto Natalini, cuja trajetória pública fortalece o diálogo entre literatura, política e sustentabilidade, ampliando o alcance da proposta da coletânea.

🌎 Literatura que gera impacto

Um dos pontos mais relevantes do projeto vai além das páginas do livro. Parte da renda arrecadada com a venda da coletânea será destinada à ONG Batalha Animal, que atua na proteção e cuidado de animais em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa conecta, de forma concreta, os pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. Mostrando que a literatura pode ultrapassar o campo simbólico e gerar impacto.

💡 Inovação e propósito

O evento contou ainda com a presença do ilustre Fábio Fox, presidente da Sensibiliza, do chamado setor 2.5, modelo que une a lógica da iniciativa privada com o compromisso social, reforçando a importância de parcerias entre cultura, empreendedorismo e responsabilidade coletiva.

A proposta dialoga diretamente com um novo perfil de leitor: mais atento, mais crítico e em busca de obras que não apenas contem histórias, e sim que provoquem reflexão e ação.

🌱 Entre a magia e a realidade

Ao longo do evento, ficou evidente que As Magias da Sustentabilidade encontra um equilíbrio raro. A obra não se apoia em discursos alarmistas nem em fantasias vazias. Em vez disso, constrói pontes entre sensibilidade e consciência, oferecendo ao leitor caminhos possíveis para compreender, e enfrentar os desafios ambientais do presente.

“Quando a literatura toca o coração, ela abre espaço para a mudança”, comentou um dos participantes durante o evento.

✨ Um movimento que já começou

Com lançamento presencial em São Paulo e previsão de encontro online para reunir autores de diferentes regiões, a coletânea se consolida como um projeto que ultrapassa barreiras geográficas e amplia o diálogo nacional.

Mais do que um livro, As Magias da Sustentabilidade se apresenta como um movimento.

E, ao que tudo indica, o feitiço já começou a fazer efeito: palavras que educam, histórias que sensibilizam e ações que transformam mostram que a literatura ainda é uma das ferramentas mais poderosas para mudar o mundo.

👉 Não é apenas um livro, e deveras um convite à mudança. Garanta já o seu exemplar de As Magias da Sustentabilidade e faça parte dessa transformação. Disponível agora na Hotmart. 🌱

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Entre a Cruz e a Estrada

Quando a memória, a fé e a infância se encontram

Entre a cruz e a estrada
Entre a cruz e a estrada

Há livro que contam histórias e tem o poder de nos colocar dentro delas…

É nesse lugar de encontro, entre memória, emoção e espiritualidade, que se constrói a obra de Paulo Cesar Ferreira, escritor, poeta e pesquisador apaixonado pelos mistérios do corpo, da mente e da alma humana.

Natural de Minas Gerais, Paulo carrega em sua trajetória uma formação sólida na área da saúde, é farmacêutico, mestre em Ciências da Saúde e especialista em Neurofarmacologia, Psicologia e Psicanálise Clínica.

P.C. Ferreira
P.C. Ferreira

Mas é na escrita que encontra um caminho de expressão, cura e conexão.

A inspiração para sua obra nasce de um desejo profundo: preservar histórias.

Crescido na pequena cidade de Carmo do Paranaíba, o autor percebeu que muitas lendas, relatos e memórias locais corriam o risco de se perder com o tempo.

Foi a partir desse olhar atento para a própria origem que surgiu a vontade de registrar, valorizar e dar voz a essa ancestralidade, reunindo história e sensibilidade em uma narrativa que ultrapassa gerações.

O livro “Entre a cruz e a estrada” conduz o leitor por dois tempos distintos: o início do século XIX, marcado pela fundação da comunidade e suas histórias, e a década de 1990, onde acompanhamos a vida de um menino de apenas 8 anos.

É através do olhar desse garoto que a narrativa ganha ainda mais força.

Entre medos, descobertas e sonhos, ele se envolve em uma busca que vai além de uma simples tarefa escolar.

Ao investigar os mistérios da cidade, acaba mergulhando em uma lenda sobre um possível “baú do tesouro”, que, em sua inocência, acredita ser a solução para seus próprios conflitos e dores familiares.

Ao longo da obra, o leitor é convidado a percorrer não apenas cenários, mas sentimentos.

As idas e vindas típicas das cidades do interior, os laços familiares, os desafios da vida e as escolhas que moldam destinos aparecem com delicadeza e verdade.

Tudo isso inserido em um contexto histórico que influencia diretamente as ações e os caminhos dos personagens.

Mas há algo que atravessa toda a narrativa de forma muito especial: a fé.

Presente de maneira sutil e profunda, ela se entrelaça aos acontecimentos e dá sentido às experiências vividas, trazendo à história um toque de espiritualidade que acolhe e emociona.

“Entre a cruz e a estrada” equilibra com sensibilidade a pesquisa histórica e a liberdade da ficção, criando uma narrativa rica em simbolismo, valores e reflexões.

É um livro onde a simplicidade caminha lado a lado com a profundidade, e onde a infância, com sua pureza e verdade, nos convida a olhar novamente para dentro de nós.

Ler essa história é mais do que acompanhar uma jornada.

É se emocionar, se reconhecer e, de alguma forma, voltar para casa.

REDES SOCIAIS DO AUTOR

ENTRE A CRUZ E A ESTRADA

SINOPSE

E se a história da sua cidade escondesse muito mais do que você imagina?

Em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, onde a fé marcou os primeiros passos da comunidade, passado e presente se encontram em uma narrativa sensível, profunda e carregada de significado.

Entre a Cruz e a Estrada é uma obra de ficção histórica que mistura fatos reais, memória coletiva e liberdade criativa para contar uma história sobre infância, amizade, escolhas e valores que atravessam gerações.

Pedro é apenas um menino comum do interior.

Frequenta a escola, brinca na rua, convive com amigos e desafios típicos da infância.

Mas, aos poucos, ele percebe que há muito mais por trás das histórias contadas pelos mais velhos, das tradições locais e dos silêncios que rondam o passado.

Ao investigar a história da própria cidade, Pedro se vê diante de relatos sobre os primeiros habitantes da região, antigas expedições, símbolos de fé e personagens reais que ajudaram a moldar o lugar onde hoje ele vive.

Cada descoberta levanta novas perguntas, sobre o passado, sobre o presente e sobre si mesmo.

Neste romance, o leitor é convidado a refletir sobre temas universais:

  • A importância da fé e da esperança nos momentos difíceis

  • O peso das escolhas e suas consequências

  • A construção do caráter ao longo das provações da vida

  • O valor da memória e da história local

  • A força dos laços de amizade e da família

Com uma ambientação histórica cuidadosamente pesquisada e uma narrativa acessível, Entre a Cruz e a Estrada conduz o leitor por diferentes épocas, revelando que, em qualquer tempo, o ser humano enfrenta dilemas morais semelhantes, e que nem toda lágrima é sinal de derrota, assim como nem toda cruz representa o fim.

Este é um livro para quem:
✔ Gosta de histórias que emocionam e fazem refletir
✔ Valoriza a cultura, a fé e a memória do interior brasileiro
✔ Busca uma leitura leve, mas profunda
✔ Acredita que boas histórias também educam e transformam

Se você aprecia narrativas que parecem reais porque nascem de fatos históricos, tradições e experiências humanas verdadeiras, este livro foi escrito para você.

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DO AUTOR

Entre a cruz e a estrada, P.C. Ferreira
Entre a cruz e a estrada

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Parvej Husen Talukder

Charla con el genio asiático tecnológico Parvej Husen Talukder desde Bangladesh

Logo da seção Entrevistas ROLianas
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Mis queridos amigos planetarios:

Hoy les traigo una charla inspiradora con un gran amigo que me ha dejado asombrado por sus logros a sus apenas 20 años. Les presento a Parvej Husen Talukder, poeta, escritor, emprendedor y aspirante a ingeniero en computación. Nació el 23 de agosto de 2005 en Derai Upazila, Bangladesh. Su padre es médico de aldea y su madre, ama de casa; él es el mayor de cinco hermanos.


Parvej Husen Talukder
, poeta, escritor, emprendedor y aspirante a ingeniero en computación. Nació el 23 de agosto de 2005 en Derai Upazila, Bangladesh. Su padre es médico de aldea y su madre, ama de casa; él es el mayor de cinco hermanos.

Parvej es un verdadero genio asiático de la informática. En la industria tecnológica, destacan sus proyectos: fundador y ex CEO de Kavya Kishor International (KKI), una plataforma nacida para promover la poesía y escritura juvenil en bengalí, que hoy cuenta con autores invitados de diversos países. Es cofundador de WikiGenius y fundador de Bhikitia. Desde inicios de 2026, es miembro del Movimiento Poetas del Mundo, el poeta chileno Luis Arias Manzo, es el fundador y secretario general de este movimiento. Nuestro querido invitado, me lo presentó hace varios meses mi amigo poeta y artista plástico australiano Michael Hislop

Talukder, detalla en esta charla los objetivos de estas increíbles iniciativas que ha impulsado en los últimos años, también nos habla de los reconocimientos que ha obtenido a nivel nacional tanto en su mundo poético como emprendedor en el universo digital. Es admirable cómo Parvej contribuye a su país, su idioma y a la comunidad internacional desde sus plataformas digitales, diseñadas con pasión y entrega total. Lamentablemente, muchos jóvenes desperdician su tiempo sin invertir en el conocimiento que está a un clic: ese saber global y universal presente en la pantalla. Él es un ejemplo a seguir en estos tiempos tecnológicos; extiendo mis más sinceras felicitaciones a este joven poeta y emprendedor.

Espero que disfruten este recorrido a través de esta entrevista, en la que exploramos su trayectoria literaria, sus proyectos digitales, su visión sobre el avance acelerado de la IA y otros temas que le apasionan. Los invito a conocer más a este joven que, con escasos recursos económicos, logra éxitos que muchos no consiguen ni con oportunidades privilegiadas. Que su historia inspire a muchos a sacar el máximo provecho de las herramientas tecnológicas a su alcance. ¡Felicidades, amigo poeta! Que tus fantásticas iniciativas alcancen cada día a más personas que comparten tu visión de esta era global.

Parvej Husen Talukder ofrece una presentación sobre “El futuro de la inteligencia artificial” a los estudiantes del curso de composición y comprensión del lenguaje en el Mini Auditorio de la Universidad Internacional de Sylhet , Sylhet, 27 de noviembre de 2025. Foto/Cortesía de Parvej Husen Talukder.

¿Cómo percibes el mundo actual sin Internet?

Es muy difícil imaginar el mundo actual sin internet. Internet juega un papel muy importante en la educación, la comunicación, los negocios, los servicios médicos y los servicios gubernamentales. Sin internet, las personas no podrían obtener información rápidamente y la comunicación sería mucho más lenta. Los estudiantes no podrían estudiar en línea y el trabajo de investigación sería más difícil.

Hoy en día, muchos trabajos como el comercio electrónico, el trabajo independiente (freelancing) y la banca digital dependen de internet. Sin internet, las actividades económicas serían limitadas y se perderían muchas oportunidades de empleo. La comunicación internacional y los negocios globales también se verían afectados.

Por otro lado, si no hubiera internet, las personas podrían pasar más tiempo en la comunicación social directa y depender menos de la tecnología. Sin embargo, en el mundo moderno actual, internet es una parte esencial de la vida que ayuda a acelerar el desarrollo y hace la vida diaria más fácil.

Parvej Husen Talukder (derecha) recibe su Certificado de Contribución a la Olimpiada de Física de Bangladesh, Capítulo Regional de Sylhet, de Md. GM Abdullah Al Kafi (Profesor, CSE) en nombre de la Olimpiada de Física de Bangladesh en el Departamento de Ciencias de la Computación e Ingeniería, Universidad Internacional de Sylhet , Sylhet, 6 de enero de 2026. Foto/Cortesía de Parvej Husen Talukder.

¿Quién te ha inspirado a emprender en el mundo digital?

Siempre soy una persona creativa e innovadora. Al inicio de mi carrera como escritor, enfrenté muchos problemas inesperados al publicar mi trabajo. De esa experiencia, aprendí y en 2020 inicié Kavya Kishor Online Magazine para ayudar a los nuevos escritores a publicar sus trabajos fácilmente. Es la primera publicación de Kavya Kishor International.

Tengo un gran interés por aprender. En ese tiempo, yo era estudiante de escuela. Ahorré mi dinero de bolsillo y compré un dominio y un hosting. Más tarde, usé el teléfono de mi madre para aprender WordPress y construí el sitio web yo mismo. El sitio web todavía está activo kavyakishor.com. El proyecto Kavya Kishor recibió una buena respuesta tanto dentro como fuera del país, lo que me motivó a trabajar más en el mundo digital y crear cosas nuevas.

Recientemente recibiste el título de “Rey Rimista de la Región Haor”. ¿En qué consiste este reconocimiento y cuál fue el motivo por el que te lo otorgaron?

Sí, este es un evento de 2021. Nací en una zona remota de los Haor de Bangladesh. Desde muy joven, alrededor de los 14 o 15 años, mis escritos comenzaron a publicarse en diferentes periódicos nacionales. Más tarde, los medios de comunicación locales también publicaron entrevistas y reportajes sobre mis trabajos literarios.

Poco a poco, desde la región de Haor hasta todo el país, obtuve un reconocimiento respetable por mi contribución a la poesía y las rimas, gracias a los reportajes de los medios y al cariño y apoyo de la gente.

¿Cuál es tu fuerte o estilo principal para escribir?

Mi principal fortaleza al escribir es la creatividad, el uso de un lenguaje sencillo pero rítmico, y la capacidad de conectar emociones con la realidad social y la vida cotidiana. Me especializo principalmente en la poesía, la rima y la literatura infantil, donde intento transmitir mensajes positivos, educativos y motivacionales.

Mi estilo se caracteriza por la fluidez del ritmo en las rimas, la narración de experiencias personales y la representación de la vida en zonas rurales y regiones como los haors de Bangladesh. También me enfoco en inspirar a los nuevos escritores y promover la creatividad en la literatura juvenil.

Además, mis escritos suelen combinar imaginación, valores sociales y aprendizaje, con el objetivo de hacer la literatura accesible y atractiva para los lectores jóvenes.

¿Cuántos libros has publicado y en qué idiomas están disponibles?

He publicado varios libros hasta ahora. Entre ellos están Chorar Jhalak (rimas), Mojar Porha Chondo Chora (rimas y poemas), Smrithir Alponay Kavya (poesía) y Chawa Na Chawa (una novela corta). Estos libros se han publicado principalmente en idioma bengalí. También tengo algunos libros individuales y conjuntos en inglés de diferentes géneros.

El objetivo principal de mi escritura era desarrollar la literatura bengalí y la literatura infantil. En el futuro, planeo publicar mis trabajos en inglés y otros idiomas para que más lectores internacionales puedan leer mis escritos.

¿Qué poetas de Bangladesh nos recomiendas leer?

Si quieres comenzar a leer poesía de Bangladesh, puedes explorar a algunos poetas muy influyentes como Kazi Nazrul Islam (Poeta nacional de Bangladesh), conocido por su poesía revolucionaria sobre la libertad y la justicia social; Jasim Uddin, famoso por retratar la vida rural, el folclore y las emociones simples del campo bengalí con un lenguaje muy accesible; y Shamsur Rahman, uno de los principales representantes de la poesía moderna con temas urbanos, políticos e identitarios. Estos poetas ofrecen una excelente introducción a la riqueza y diversidad de la poesía bengalí.

Eres el fundador y ex CEO de Kavya Kishor International (KKI). ¿Puedes hablarnos de esta iniciativa?

Soy el fundador y ex CEO de Kavya Kishor International (KKI). Es una plataforma literaria y creativa global que comencé el 1 de agosto de 2020. La iniciativa empezó como una pequeña revista literaria bengalí llamada Kavya Kishor, enfocada principalmente en la literatura juvenil, la poesía y la escritura creativa.

Al principio fue difícil cubrir los costos de publicación, y apoyé el proyecto con mis propios ahorros. Sin embargo, con la orientación de personas respetadas en Bangladesh, la revista creció lentamente y comenzó a publicarse regularmente desde octubre de 2020.

En 2021, la revista se expandió y pasó a llamarse Kavya Kishor Worldwide, lanzando dos publicaciones separadas: una revista bengalí llamada Monthly Kavya Kishor y una revista en inglés llamada Kavya Kishor English. La revista en inglés estuvo dirigida por la poeta y académica Profesora Nilufar Jahan del Kabi Nazrul Government College de Dhaka.

Para 2022, KKI comenzó a atraer escritores y lectores internacionales. Escritores de países como Kirguistán y Australia contribuyeron a la revista. En 2023, el poeta Michael Hislop se unió como editor ejecutivo de la publicación en inglés.

En septiembre de 2023, Kavya Kishor Worldwide se transformó oficialmente en Kavya Kishor International (KKI), una organización literaria internacional sin fines de lucro. En ese momento, la revista en inglés se suspendió, mientras que la publicación bengalí continuó junto con una nueva revista internacional llamada Luminance.

Hoy en día, KKI funciona como una plataforma creativa global que promueve la literatura, la paz y los valores humanitarios. Publica poesía, ficción, ensayos, traducciones y arte digital de creadores de todo el mundo. La organización también trabaja en proyectos culturales digitales y busca apoyar a jóvenes escritores, especialmente de Bangladesh y otras regiones en desarrollo.

En general, mi visión, junto con el Asesor Principal de KKI, Michael Hislop, es construir una comunidad literaria global que conecte cultura, tecnología y creatividad, al mismo tiempo que dé voz a escritores jóvenes y emergentes de todo el mundo.

Eres cofundador de la plataforma WikiGenius. ¿Cuáles son sus objetivos específicos?

Soy uno de los cofundadores de WikiGenius, un directorio en línea y plataforma tipo enciclopedia en formato wiki que se enfoca en perfiles de personas notables, empresas y diversos temas de todo el mundo. A diferencia de las enciclopedias tradicionales con reglas estrictas de notoriedad, es una plataforma más abierta y fácil de usar, que permite crear páginas verificadas sobre una variedad más amplia de temas.

Lancé el proyecto en 2023 junto con mi amigo Shovon Ahmed, quien es empresario. Como cofundador, me encargué del desarrollo web y de la configuración técnica del proyecto.

Mi visión original para el proyecto era un poco diferente de cómo finalmente evolucionó; algunas ideas no coincidieron con la dirección preferida por mi(s) cofundador(es), por lo que con el tiempo me alejé de las actividades diarias. Actualmente no participo activamente en las operaciones, pero sigo vinculado como cofundador. Ocasionalmente doy consejos para ayudar a que el proyecto crezca (ya se ha vuelto bastante popular en su nicho), y si surge algún problema técnico o se necesita ayuda en desarrollo, con gusto apoyo al equipo.

¿Cuál es la visión y misión de Bhikitia?

Como fundador de Bhikitia, mi visión es construir una plataforma de conocimiento abierta e inclusiva que se enfoque en todo tipo de conocimiento general sobre Bangladesh y el mundo. Quiero que Bhikitia sea un lugar donde las personas puedan encontrar fácilmente información sobre historia, cultura, ciencia, personas y temas actuales, especialmente en bengalí y otros idiomas en crecimiento.

Nuestra misión es hacer que el conocimiento sea libre, sencillo y accesible para todos. No seguimos estrictamente las reglas tradicionales de notoriedad al estilo de Wikipedia. En cambio, seguimos nuestras propias normas claras y justas. Si una persona es reconocida o celebrada por un trabajo significativo en su campo, para nosotros es notable. Creemos que el conocimiento no debe estar limitado por reglas demasiado rígidas. Nuestro objetivo es crear una enciclopedia equilibrada y colaborativa que apoye las voces locales mientras las conecta con una audiencia global.


¿Qué tal han sido los resultados de Bhikitia desde su lanzamiento?

Desde su lanzamiento, Bhikitia ha recibido un fuerte apoyo del público por parte de muchos usuarios. La plataforma creció rápidamente hasta alcanzar más de 1,000 artículos creados por voluntarios. Bhikitia sigue su propia filosofía de conocimiento abierto, en lugar de las estrictas reglas de notoriedad al estilo de Wikipedia. En Bhikitia, consideramos que las personas o los temas son notables si son reconocidos, celebrados o han realizado contribuciones significativas a través de su trabajo.

Hubo críticas por parte de algunas personas y comunidades relacionadas con Wikipedia. Un administrador de Wikipedia en bengalí, Aftabuzzaman Ullah, envió públicamente un correo electrónico expresando fuertes críticas sobre Bhikitia a Daily Jalalabad, un periódico que anteriormente había publicado noticias positivas sobre Bhikitia. Rechazó firmemente estas afirmaciones. Bhikitia es una plataforma de conocimiento abierta, independiente y sin fines de lucro, creada para apoyar el intercambio de conocimiento en bengalí y a nivel global.

En mi opinión, estas reacciones ocurrieron porque Bhikitia sigue una filosofía de conocimiento diferente a los modelos tradicionales de enciclopedias. Bhikitia no busca competir con ninguna plataforma, sino crear un espacio alternativo de conocimiento.

Como muchas plataformas abiertas, Bhikitia también ha enfrentado intentos de vandalismo, lo cual es normal en proyectos impulsados por la comunidad. Estamos mejorando continuamente nuestros sistemas de seguridad, moderación y tecnología para proteger la plataforma.

A pesar de las críticas, Bhikitia continúa creciendo y recibiendo apoyo de muchos usuarios. Nuestro objetivo es construir un ecosistema de conocimiento educativo, abierto y sólido que apoye el conocimiento en idiomas locales y el aprendizaje global.

¿Qué opinan tus padres de los proyectos que has emprendido?

Actualmente tengo varios proyectos, pero Bhikitia y Kavya Kishor International son mis principales y más importantes proyectos. Los miembros de mi familia siempre están a mi lado y apoyan mis iniciativas. Su apoyo y motivación me inspiran a hacer cosas nuevas y seguir avanzando.


Sin duda eres un amante de la tecnología y has emprendido muchos proyectos. ¿De qué manera has sabido equilibrar la poesía, la ingeniería, gestión cultural, periodismo y vida social?

No veo la tecnología y la literatura como campos separados; para mí, todo se mide por el estándar de la creatividad. Practicar la poesía y programar códigos me parecen dos formas de expresión rítmica. La lógica del código y la elección de las palabras en la poesía son, para mí, lenguajes de la creatividad. Por eso he obtenido premios en ambos campos. Recientemente, un equipo liderado por mí (equipo de 2 miembros) se coronó campeón en un concurso intrauniversitario de programación competitiva.

Actualmente, dedico tiempo a mis proyectos en curso de manera semanal. Para los proyectos que requieren atención continua, trabajamos con un equipo de voluntarios para apoyar las tareas. Cabe destacar que la mayoría de mis proyectos son sin fines de lucro. En el ámbito del periodismo, trabajo como periodista independiente. Por ahora, solo escribo noticias o columnas de opinión sobre temas específicos y no de manera regular, aunque continuaré escribiendo según sea necesario en el futuro.

Desde tu perspectiva como ingeniero informático, ¿qué le espera a la humanidad con el avance rápido que está escalando la IA?

El rápido avance de la IA puede traer tanto grandes oportunidades como desafíos para la humanidad. Mejorará la productividad, la medicina y la educación, además de ayudar a automatizar muchas tareas. Sin embargo, no creo que los riesgos de pérdida de empleo, privacidad y problemas éticos sean demasiado profundos. En el futuro, se espera que la IA se utilice principalmente como una tecnología de apoyo para los seres humanos. Muchas personas tienen diferentes opiniones, pero no debemos olvidar que la IA no puede crearse ni funcionar por sí sola; siempre necesita la intervención humana. Por lo tanto, la IA es principalmente una tecnología de apoyo y no un competidor.

¿Qué representa para ti haber nacido en el albor del siglo XXI?

No pensé demasiado sobre lo que significa haber nacido a principios del siglo XXI. Sin embargo, haber nacido en esta época me permitió familiarizarme con la tecnología, la información y la innovación desde mi niñez, y despertó mi interés en trabajar en el mundo digital. Creo que esta época me ha dado oportunidades en conocimiento digital, creatividad y comunicación global, lo que me inspira a aprender y crear cosas nuevas.

¿En qué proyectos literarios y tecnológicos estás trabajando actualmente?

Actualmente estoy escribiendo un libro sobre temas políticos y espero poder terminarlo muy pronto. Durante este tiempo, me he alejado un poco de la práctica de la poesía y la escritura de versos.

Aunque actualmente estoy enfocado en la programación competitiva, no estoy trabajando en ningún proyecto de uso público o de código abierto. Sin embargo, con fines de práctica, estoy desarrollando una aplicación web de gestión de concursos basada en pagos, lo que me ayudará a mejorar mis habilidades técnicas.

  • En el siguiente enlace podrán disfrutar de un vídeo que nos ha compartido en inglés desde Bangladés el poeta Parvej Hüsen Talukder: https://n9.cl/9gmma

Carlos Javier Jarquín

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Da Romênia para o ROL, Cristina Rhea!

Cristina Rhea traz ao ROL a alma literária da Romênia, terra da luz e solidão, mistérios e lendas, Cárpatos e Danúbio,
o ‘rio da melodia’!

Rhea Cristina
Rhea Cristina

Cristina Rhea, natural de Găești, Romênia, na área profissional é professora assistente e especialista em Relações Públicas. Licenciatura em Jornalismo pela Universidade de Bucareste, Faculdade de Jornalismo e Ciências da Comunicação. Admitida no Mestrado em Jornalismo da Universidade de Indiana, Escola de Jornalismo, Estados Unidos, Estudos de Pós-Graduação, 2005. Graduada no Curso Avançado em Comunicação Empresarial, Universidade Internacional Isabel I de Castilla e ISEB – Instituto Superior Europeu de Barcelona, Espanha. Mestrado em Marketing Digital e eCommerce, Universidade Internacional Isabel I de Castilla e Instituto Superior Europeu de Barcelona (ISEB), Espanha.

Na área literária e jornalística, conhecida pelo pseudônimo Rhea Cristina, é membro da União de Escritores Romenos, com 10 livros publicados nas áreas de literatura, jornalismo e ciências da comunicação.  

Recebeu o Prêmio da União de Escritores Romenos, 1996; Prêmio Especial Poesia dei Popoli – in memoria di ‘Alfredo Pirola’, por ocasião da 24ª edição do Prêmio Internacional, Centro Giovani e Poesia – Triuggio, concedido pelo Centro Giovani e Poesia em Triuggio, Itália, 2015.

Bolsista da Fundação Kulturkontakt Austria, Programa de Escritores em Residência, Viena, Áustria, 2007.

Publicou poesia e artigos literários em muitas revistas e antologias culturais romenas na Alemanha, Espanha, Líbano, Romênia e República da Moldávia.

Cristina ingressa na Família ROLiana, apresentando aos leitores do ROL o poema Caça, traduzido para o Português por Felix Nicolau (Romênia)

Caça

Apaixonados. Imagem gerada pelo ChatGPT –
https://chatgpt.com/c/69bb037c-1a0c-832e-bcc6-df69a46a7dea
Apaixonados. Imagem gerada pelo ChatGPT –
https://chatgpt.com/c/69bb037c-1a0c-832e-bcc6-df69a46a7dea

em dezembro morre-se mais

facilmente só poderia competir

com isso abril quando nos campos jazem os corpos

como caça úmida um jogo perigoso

no céu aparecem listras vermelhas e de repente

com o primeiro que cai surge a primeira listra

com o segundo a segunda e assim por diante

até que notas o céu todo do lado

esquerdo do teu coração vermelho como se fosse

um suspiro bebe devagar o café ainda

temos tempo só ainda temos Maria

Maria — o mar como se eu estivesse lá

tu me contas e eu reproduzo como

nós amantes amando-nos começas a amar

outro homem outra presa e esperas

uma resposta de mim mas eu o cúmulo

não sei falar entrei carne sobre carne

veia sobre veia — o pensamento novo é

em dezembro com o fogo ao lado e

o uivo dos animais preguiçosos mortos apertado

em meus punhos retos este mundo me

parece incômodo não me deixa mover

vejo no teu ombro amada o outono

mordendo — estamos em estações diferentes

por isso te proponho vamos pegar o arco

e a flecha e partir vem querida vem

querido — a caça continua.

“Uma poesia de Rhea Cristina. Qualquer utilização do conteúdo deste poema implica a citação da fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. Todos os direitos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com

Rhea Cristina

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