José Antonio Torres“… encontraremos, sim, espinhos de torpeza e aridez…” Imagem gerada com IA do Bing ∙ 26 de novembro de 2024 às 8:34 AM
Que jamais a desesperança nos assalte; Que tenhamos o peito ávido por realizações De bondade e fraternidade sinceras; Não nos deixemos abater por críticas vazias, Que nada nos acrescentam de positivo. Encontraremos, sim, espinhos de torpeza e aridez Em corações que julgávamos imaculados. Certamente não foram regados com amor E apenas traduzem a frieza que receberam. Ao nos encontrarmos diante de tal situação, Sejamos o jardineiro que regará com amor, Esse coração necessitado, desalentado e seco, Para que possa florir com exuberância. Certamente lhe faremos imenso bem, Mas sentiremos, também, intensa felicidade, Por nos reconhecermos como jardineiros da vida
Irene da RochaImagem gerado com IA do Bing∙ 25 de novembro de 2024 às 8:14 PM
No horizonte, céu azul e profundo, Um mar que se espraia, um canto fecundo, Girassóis dançam sob a luz do Sol, Em cada pétala, um amor envolto em farol.
Ó Sol radiante, vem me abraçar, Com tua luz, quero me iluminar, Viver emaranhado no doce querer, Sob o céu de estrelas, a nos proteger.
As ondas sussurram segredos de amor, Na brisa suave, sinto teu calor. Portas se abrem, janelas a sonhar, O amor me invade, vem me molhar.
Céu de estrelas, flechas do coração, Teus encantos embalam minha canção, Girassol bonito, meu eterno fulgor, Seja meu Sol, meu eterno amor.
Assim, no brilho de cada manhã, O mar e o céu em mim se irmanam, E, com girassóis a me encantar, Amo viver, a vida a celebrar.
Elaine dos SantosImagem gerada com IA do Bing ∙ 25 de novembro de 2024 às 12:42 PM
Em O Alienista, conto de Machado de Assis, tem-se a história do médico Simão Bacamarte, que abriu um consultório no interior, na cidade de Itaguaí.
Na cidade, conheceu e casou-se com dona Evarista, uma viúva. O principal interesse do médico era ter filhos e ela pareceu-lhe uma “boa parideira”.
Com o passar do tempo, Bacamarte abriu um manicômio na cidade, em que internaria pacientes com algum grau de desvio comportamental. O problema é que o médico passou a enxergar loucura em todos os habitantes da cidade.
Embora o barbeiro Porfírio tenha liderado um movimento contra o médico, porque os cidadãos de Itaguaí temiam que todos fossem considerados loucos, o próprio Barbeiro, que tinha interesses políticos, acabou aliando-se a Bacamarte e as internações continuaram.
Eis que João Pina, opositor do Barbeiro, conseguiu a sua deposição, mas, quando quase 75% da cidade estava internada, Simão Bacamarte voltou atrás e liberou todos os internos.
Na sequência, tendo revisto a sua teoria, mandou internar Galvão, um vereador da cidade. Passado um tempo, liberou novamente os internos e promoveu a sua internação.
O texto de Machado de Assis esbanja ironia (talvez para o leitor menos iniciado, tenha apenas a possibilidade do riso, mas há nuances críticas à nossa sociedade).
A ideia de escolher uma mulher apta a ter filhos saudáveis, é recorrente em nossa literatura, como em São Bernardo, de Graciliano Ramos, quando Paulo Honório reúne as mulheres jovens da cidade para escolher aquela poderia ofertar-lhe um herdeiro.
Os conchavos por interesses políticos ou econômicos remontam à literatura de todos os tempos, Hamlet, de William Shakespeare, é um exemplo paradigmático.
A loucura permeia todas as relações em nossa sociedade em todos os tempos: comportou-se fora dos ditames de determinada sociedade em determinada época, é louco.
Lembro-me de Bernadette Soubirous, a menina pobre e doente, que, em 1858, em Lourdes, no interior da França, viu e conversou com a Imaculada Conceição. Ela foi ameaçada, segregada, silenciada. Bernadette precisava ser desacreditada e, como tal, disseram que era louca.
A sociedade burguesa instituiu que a mulher deve ser tutelada pelo pai, pelo marido ou, quando este falece, pelo filho mais velho.
Como escreveu Camões: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Na contramão dessas ideias, em tempos idos, a vida já foi diferente (ou nem tanto!). Os meus alunos de Literatura Portuguesa divertiam-se quando lhes lembrava que o Latim falado em Portugal não era o Latim culto de Roma, os doutos não participavam das invasões.
Quando os romanos invadiram a antiga Hispânia (Portugal e Espanha), seguiram soldados, aventureiros e prostitutas para a ocupação daquela região.
Quando o Brasil passou a ser ocupado, vieram aventureiros, degredados (presos) e prostitutas, portanto, a língua portuguesa que adentrou o Brasil era o português falado pelo povo.
Os jesuítas que chegaram aqui vieram, de fato, para catequizar os índios, mas vieram também para moralizar os costumes, realizar casamentos, batizar crianças nascidas em pecado.
Erico Verissimo, em O tempo e o vento, apresenta Pedro Missioneiro como ancestral mítico do gaúcho, filho de uma indígena e um tropeiro paulista, provavelmente casado, que a abandonara no caminho.
Qual o meu intento aqui com essa sucessão de fatos históricos e literários?
A sociedade contemporânea brasileira ainda guarda resquícios de conservadorismo, sobretudo em regiões interioranas: mulher, preferentemente, assume o nome de família do marido; deixa a família dela para residir com ele; as crianças recebem, com muita frequência o nome da família do pai etc.
E quem não casa? Sim, este texto é um libelo em defesa das mulheres que não se casaram, não tiveram filhos e estudaram, construíram as suas vidas profissionais independentes.
Somos loucas, porque estudamos; viajamos; adquirimos conhecimento, certa liberdade; solitude (há quem diga que é solidão), definimos os rumos das nossas vidas. Dispensem-nos do vosso preconceito, não nos atraí a vossa vida, mas não menosprezem as nossas escolhas.
Todos nós somos seres únicos, com experiências únicas. Se algumas mulheres experimentaram a maternidade, isso não as faz nem melhores nem piores. Até porque muitas mulheres gostariam de serem mães e o próprio organismo as impede.
Por outro lado, muitas mulheres que não foram mães têm tantas experiências para partilhar. Talvez respeito fosse o meio termo para intermediar as relações sociais.
Nilton da Rocha“Imagino um mundo sem divisão, onde a paz reina com perfeição.” Imagem gerada com IA do Bing ∙ 25 de novembro de 2024 às 10:19 AM
Imagino um mundo sem divisão, Onde a paz reina com perfeição. Sem ódio, sem dor, sem guerra, Um mundo unido, o que de bom temos na Terra.
Imagino as pessoas vivendo em paz, Sem religião, raça ou preconceito que faz. Compartilhando sonhos, esperanças e luz, Em um mundo onde o amor é a verdadeira cruz.
Imagino não possuir, não querer extravagância. Onde o amor é a riqueza sempre dura e avança. Sem egoísmo, sem poder, sem posses vãs, Um mundo simples, como talismã.
Imagino um futuro brilhante. Onde a humanidade se une por amor cativante. Sem diferenças, sem dor, sem preconceito que ofende, Um mundo perfeito, onde o amor é a verdade que se defende.
Educação nas comunidades antigas sem classes sociais
José Ngola Carlos:
‘Educação nas comunidades antigas sem classes sociais’
Kamuenho Ngululia Imagem gerada por IA do Bing ∙ 25 de novembro de 2024 às 9:56 AM
Desde que as pessoas se conhecem como pessoas, sempre houve educação. Como seres filosóficos, não é possível desassociar os humanos da educação. Os seres humanos, enquanto seres vivos, são seres educados. Educados porque, seja boa ou má, classificações que se encontram na esfera da subjetividade ou convicções pessoais, eles não vivem sem ideais.
Nas comunidades tribais, o arranjo social mais antigo que se conhece, segundo Anibal Ponce em Educação e Luta de Classes, publicado em 1934, as pessoas se educavam e eram educados tendo como base os seguintes ideais didático-pedagógicos:
A espontaneidade
A não institucionalidade
A integralidade e
A homogeneidade
A educação espontânea, praticada nas comunidades antigas sem classes sociais, consistia em transmitir os saberes da vida prática, acumulados pelos mais velhos para os mais jovens, no contexto cotidiano de interação social. Neste sentido, não existiam instituições formais de ensino e aprendizagem uma vez que se concebia o ideal pedagógico de uma “educação para a vida e por meio da vida”.
Apesar da não institucionalidade, a educação era integral. A educação integral então praticada pressupunha não deixar de ensinar “tudo” que se sabia em matéria de conhecimentos práticos que permitiriam a comunidade, e não somente os indivíduos, sobreviver dentro do meio social marcado pela propriedade comum.
Em complemento à integralidade, aparece a homogeneidade. A educação nas comunidades tribais era homogênea no sentido de que “todos” tinham o direito comunal de aprender tudo que até então se tinha acumulado em matéria de saberes.
Assim, além de uma “educação para a vida e por meio da vida”, nas comunidades antigas sem classes sociais, a educação era também marcada pela filosofia do “tudo para todos”.
Kamuenho Ngululia
Malanje, 25 de novembro de 2024
Como citar este artigo:
Ngululia, K. (2024:3). Educação nas Comunidades Antigas sem Classes Sociais. Brasil: Jornal Cultural ROL.