Serenita

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

Serenita: ‘O nome da paz em uma mulher de guerra’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada pela IA do Bing - 11 de maio de 2026, às 08:20
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Existem nomes que são apenas nomes. Outros carregam destinos silenciosos. Alguns parecem nascer como poesia antes mesmo de se tornarem história. O nome da minha mãe sempre me provocou esse sentimento.

Um nome raro. Delicado ao ser pronunciado. Forte quando compreendido em profundidade.

A origem mais próxima desse nome remete ao latim serenitas, que significa serenidade, tranquilidade, calma interior, céu limpo após a tempestade. Em algumas raízes linguísticas, o termo também dialoga com culturas latinas presentes na Itália e nos países de língua espanhola. É um nome incomum no Brasil e até mesmo em muitas partes do mundo, carregando a singularidade de quem nasce para ser lembrada.

Mas a vida me ensinou algo curioso: nem sempre quem carrega um nome associado à calmaria vive dias tranquilos.

Minha mãe é argentina.

Terra marcada por cultura intensa, identidade forte, tradições profundas e um povo apaixonado por suas raízes. Poderia ter permanecido cercada por tudo aquilo que lhe era familiar: sua língua, seus costumes, sua família, suas memórias de infância.

Mas a vida escreveu outro roteiro.

Por amor, ela deixou sua terra natal para se casar com um carioca.

E talvez muitas pessoas jamais entendam o tamanho dessa decisão.

Não se tratava apenas de mudar de endereço. Era abandonar geografias emocionais. Era aprender a viver longe da própria família. Era adaptar-se a uma nova cultura. Era transformar saudade em resistência.

Ela deixou para trás ruas conhecidas, sotaques familiares, sabores da infância e o abraço constante de suas origens para construir uma nova história em outro país.

Existe uma coragem silenciosa nas mulheres que recomeçam longe de casa.

E minha mãe fez isso.

Sem discursos.

Sem aplausos.

Sem anunciar ao mundo o tamanho do seu sacrifício.

Apenas foi.

E permaneceu.

Ao longo da vida, percebi que minha mãe carregava exatamente o significado escondido em seu nome: ela sempre foi o céu sereno depois das minhas tempestades.

Nos momentos mais difíceis da minha vida, quando minhas forças diminuíram, ela esteve presente.

Quando enfrentei dores que muitos sequer perceberam, ela percebeu.

Quando o mundo parecia barulhento demais, ela se tornou abrigo.

Toda grande história possui personagens que sustentam silenciosamente os protagonistas.

Na minha história, esse nome é Serenita.

Se hoje me tornei homem, profissional, comunicador, escritor e alguém comprometido em cuidar de vidas através da saúde integral, existe uma mulher nos bastidores dessa construção.

Uma mulher que me ensinou sobre amor sem exigir reconhecimento.

Sobre força sem precisar gritar.

Sobre fé sem precisar provar nada a ninguém.

Minha mãe me mostrou que serenidade não significa ausência de batalhas.

Serenidade é manter a alma em paz enquanto a vida tenta provocar guerras internas.

Hoje, no mês das mães, eu não celebro apenas a mulher que me trouxe ao mundo.

Celebro a imigrante corajosa.

A esposa dedicada.

A mãe presente.

A mulher que atravessou fronteiras geográficas e emocionais para construir uma família.

Celebro a mulher que carrega no nome a suavidade da paz, mas na história a grandeza da coragem.

Serenita não é apenas o nome da minha mãe.

É uma lembrança viva de que algumas mulheres são verdadeiros continentes de amor.

E se hoje existe algo bom em mim, muito disso nasceu primeiro no coração dela.

Seu nome significa serenidade.

Sua vida significa coragem.

E sua existência será para sempre uma das maiores honras da minha história.

Joelson Mora

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O quinto sinal

Ramos António Amine: Conto ‘O quinto sinal’

Ramos António Amine
Ramos António Amine
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Acolhido pelo padre no santuário, o miúdo deparou-se com uma realidade inusitada, tal como o pai se deparara aquando da sua transferência da lavra para o garimpo: muitas crianças órfãs de futuro sob o amparo do santuário. Logo à entrada, pediram-lhe que se desfizesse da mochila, o autêntico abrigo da única herança que trouxera da quinta dos ímpios: o livro Cândido, de Voltaire. Aceitou desprender-se da mochila, mas levou consigo o livro, atitude que deixou boquiabertas as demais crianças do santuário.

Foi então apresentado às outras crianças, mas não conseguiu libertar-se do primeiro erro da sua existência: não conseguia dizer o seu nome, não por devaneio, mas porque, de facto, nunca o tivera desde a sua aparição ao mundo. Deram-lhe abrigo, mas também as treze regras do santuário. Ficou particularmente atento à quinta regra: “não se salva fora do santuário”. Questionou-se em silêncio, como guardião de avisos ignorados: que salvação é essa que só existe aqui? Novo naquele espaço, decidiu guardar as suas interrogações para o momento da refeição, acreditando que encontraria respostas junto das outras crianças famintas de futuro.

Deram-lhe roupa adequada, exigida pela dignidade do santuário. Mas permanecia ainda nu de identidade. Essa nudez entristecia-o, pois às outras crianças fora-lhes forjada alguma forma de pertença.

O padre, responsável pelo santuário, o mesmo que o acolhera, lisonjeado com o gesto de amparo, decidiu reunir-se de imediato com os dois diáconos para lhes comunicar a situação do novo miúdo. Revelou que o encontrara na rua, desalojado, e que o acolhera em nome da humanidade. Da reunião resultou a missão de lhe fabricar uma identidade nova, capaz de o afastar rapidamente do passado, tal como se afastara da mochila.

Enquanto discutiam a nova identidade do miúdo, a mãe nunca deixara de pensar no filho. Porém, a sua missão presente consistia em encontrar o monge que a enganara no primeiro encontro no prostíbulo, logo após a sua conversão  à prostituição. Missão quase impossível, pois o monge havia redimensionado os seus apetites carnais, evitando novos encontros no prostíbulo e preferindo sugar as tetas das prostitutas no mosteiro.

Ainda assim, a mãe não desistia de o procurar. Até ao dia em que recebeu um cliente cujo odor lhe pareceu semelhante ao da injustiça do garimpeiro que matara o pai do miúdo, no garimpo. Ninguém reconheceu ninguém. Mas uma sensação antiga de injustiça atravessou-a, levando-a a envolver-se com o garimpeiro disfarçado de cliente. O propósito tornara-se cristalino: extrair verdades sobre a morte do pai do miúdo e preparar, a partir delas, uma vingança contra a quinta dos ímpios.

O miúdo foi crescendo, longe da quinta dos ímpios, onde o pai fora morto pela ganância dos garimpeiros após encontrar ouro de valor ímpar, e longe da mãe, agora prostituta ressuscitada.

No santuário, ninguém estava autorizado a falar do passado, muito menos em voz alta, pois os responsáveis acreditavam que a repetição da memória despertaria consciências de resistência. Contudo, esqueciam-se de que o passado não tem lugar: está sempre no presente.

Nos primeiros dias, o miúdo foi-se ajustando ao novo ar do santuário. Teve contacto com grandes escritores que a basílica guardava, mas nunca se imaginou sem o Cândido nas mãos. Um dia, movido pela mesma curiosidade que o guiara quando catava lixo na rua, o seu abrigo anterior, deparou-se com um livro cuja capa ostentava o título A Rebelião das Massas, de José Ortega y Gasset. Leu as primeiras páginas com atenção, mas não conseguiu terminá-lo, pois o sino da capela soou anunciando a adoração do Santíssimo Corpo do Senhor. Afinal, era numa quinta-feira. Ainda assim, manteve a esperança de reencontrar o livro após a adoração.

Esta foi a sua primeira prestação serviçal a Deus após ter crescido sem Ele: primeiro na quinta dos ímpios e depois na rua. Assim, foi-lhe confiada a missão de segurar o incensário, tal como acontecera outrora na quinta, antes da fuga com a mãe.

E porque a adoração eucarística é o momento que exige maior entrega, o miúdo, tão incauto quanto era, não conseguiu permanecer muito tempo de joelhos. Levantou-se em plena adoração, facto que chamou a atenção de todos, incluindo dos dois diáconos, cujos rostos se transformaram de imediato, como se diante deles surgisse uma profanação.

Cessada a adoração, o miúdo, na sua inocência, correu apressadamente para a biblioteca do santuário, com a esperança de rever o livro que não terminara. Estava tomado pela urgência de o ler.

Para sua surpresa, o livro fora retirado da estante habitual. O que o miúdo não sabia era que, no primeiro contacto com a obra, o bibliotecário, um dos ex-lavradores da quinta dos ímpios, o vira e imediatamente informara o diácono que se encontrava próximo. Do diácono nascera a decisão de retirar o livro da biblioteca, como se temesse uma rebelião dentro do santuário.

Essa atitude, longe de passar despercebida, afiou ainda mais as inquietações do miúdo. Contudo, como sempre, decidiu mantê-las em silêncio, tal como a mãe mantivera em silêncio a ideia de fuga da quinta dos ímpios.

Entretanto, os diáconos, já incapazes de suportar a intrepidez do miúdo, decidiram falar com o padre. Para isso, esperaram que anoitecesse.

Após a última refeição do dia e a oração da noite, aquela que invocava o anjo da guarda, os miúdos foram deitar-se, na esperança de ver o amanhecer em paz, para iniciarem as atividades de lavoura dentro do santuário.

Um dos diáconos não esperou pela digestão do padre e começou a bombardeá-lo com uma sopa de questões:

– Padre, o senhor sabe que esse miúdo é tão intrépido que pode precipitar a queda do cálice do santo altar?

– Não vejo nada de estranho nele – respondeu o padre.

– Não diga isso, reverendo. O miúdo parece intransigente. Lembra-se de que não quis permanecer de joelhos na última adoração eucarística?

– Lembro-me. Mas não houve nada de grave. É novo e poderá habituar-se aos procedimentos do santuário. Acreditem.

– E se não o fizer? – rematou o outro diácono.

– Confio que o miúdo se ajustará ao ar do santuário.

– Caso contrário, terá de mandá-lo para o seminário. Lá aprenderá o que é a vida, de facto – disse o outro diácono.

– O seminário é vocação. Ele deve decidir ir para o seminário. Caso contrário, poderá desistir pelo caminho. O seminário recorda-se tristemente de gente assim – respondeu o padre.

– Reverendo, esse miúdo parece esconder algo inquietante. O senhor conhece o seu passado?

Do lado do padre veio um silêncio ensurdecedor.

Enquanto conversavam, o miúdo escutara tudo, pois não tinha o hábito de dormir cedo, até porque estivera a reler as últimas páginas de Cândido.

Percebeu imediatamente que falavam dele. Mas não se importou. Na manhã seguinte, decidiu ajudar os colegas na lavra da horta do santuário.

Foi então que soube que a maioria dos seus colegas eram filhos de garimpeiros e outros de lavradores da quinta dos ímpios. Porém, desconheciam o paradeiro dos seus progenitores. Ali, ninguém se lembrava das origens, apenas sabiam que as tinham.

Num desses dias, o miúdo foi escalado para servir o santo altar. Ensaiara quase toda a semana, pois a disciplina litúrgica era rígida e exigia precisão nos gestos para não tropeçar com o incensário.

A missa seria presidida pelo vigário-geral da diocese, conhecido pelo gesto de reclamar o ofertório da acção de graças. A informação espalhou-se rapidamente. A comunidade paroquial convidou as circunvizinhas. As leituras foram distribuídas entre as comunidades.

Chegou o domingo. Era de ramos. A paróquia estava apinhada de gente. Vieram os ímpios de todos os tipos, incluindo os filhos da quinta, os lavradores e os garimpeiros da quinta, a prostituta ressuscitada e a amiga que lhe emprestara a roupa de estreia do prostíbulo, os compradores de ouro do garimpo, os cães fardados, o monge e o dono do prostíbulo, e os fiéis em geral.

Ninguém reconheceu ninguém, pois todos estavam transfigurados e cada um atento aos seus próprios objectivos. 

O vigário estava concentrado no ofertório solene. Os ímpios procuravam o miúdo, a oferenda prometida pelos filhos da quinta. 

Os filhos da quinta procuravam a mãe do miúdo, a fugitiva. A mãe do miúdo procurava o monge, o desonesto. O monge procurava o incensário desaparecido na quinta dos ímpios, agora nas mãos do miúdo. Os cães fardados procuravam a prostituta ressuscitada. Os garimpeiros e os lavradores procuravam os seus filhos, acolhidos pelo santuário. Os fiéis não buscavam salvação: clamavam por humanidade. O miúdo queria entender a razão de tantos olhares desatentos.

Durante o ofertório solene, no momento em que o miúdo se aproxima do altar com o incensário, o monge reconhece imediatamente o objecto desaparecido da quinta dos ímpios. Não reconhece primeiro o miúdo, reconhece o incensário.

O monge perde momentaneamente a compostura.

A mãe, ao observar o monge perturbado, fixa finalmente o olhar nele.

Os filhos da quinta percebem a inquietação.

Os cães fardados observam os movimentos.

O vigário mantém-se concentrado no ofertório.

E o miúdo, sem compreender totalmente, sente pela primeira vez que todos os olhares convergem para si.

Nesse instante, o incensário toca o altar como quem toca o destino. O miúdo segura-o com a mesma leveza com que segurara Cândido, nas páginas da sua infância sem nome. O fumo sobe, mas não em paz: sobe como inquietação.

O silêncio que se segue não é litúrgico. É reconhecimento.

A mãe do miúdo, entre rostos transfigurados, sente algo que não sabe nomear. O monge também a vê. Não a reconhece de imediato. Mas o passado, esse que o santuário fingia não existir, começa a respirar dentro do espaço sagrado.

Os diáconos sentem a tensão antes de a compreenderem. O vigário mantém-se preso ao ofertório, como se os olhares desavindos pudessem impedir o cântico da acção de graças.

Até que o incensário vacila.

E cai.

O som do metal no chão não é apenas ruído. É ruptura.

O fumo espalha-se pelo altar, já não em direcção ao céu, mas em direcção aos homens. E por um breve momento, ninguém sabe se está diante de uma missa ou de um julgamento.

O miúdo olha à sua volta. Pela primeira vez, não são apenas olhares dispersos. São buscas. Todos procuram algo nele sem saber o quê.

E ele, que nunca tivera nome, percebe apenas isto: está no centro de algo que não escolheu.

Naquele domingo de ramos, o santo altar cheira mais a incêndio do que a incenso.

O cântico da acção de graças comove aos fiéis ao ponto de se juntarem à fileira das dançarinas que animavam a missa. Esse gesto desencadeia uma confusão generalizada, em que cada um tenta alcançar os seus próprios objectivos.

Foi nesse tumulto que o miúdo consegue escapar do santuário, sem o incensário, mas com a sua mochila, apesar de vazia, do livro que terá ficado no santuário.

Assim, se consumou o quinto sinal: quando no santo altar, o incenso deixou de ser oração e passou a ser memória.

Ramos António Amine

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Violência contra a mulher

Renata Barcellos

‘Violência contra a mulher retratada nas literaturas 2’

Renata Barcellos
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A violência contra a mulher é um tema recorrente nas literaturas. Infelizmente, retratando a naturalização da submissão feminina em obras clássicas e contemporâneas para denúncias explícitas e reflexões críticas. As literaturas são o reflexo do homem no seu tempo. Isto é, esta expressão artística é como um espelho de seu tempo. Dentro desta temática, revela estruturas patriarcais e combate-as através da denúncia.

Nas Literaturas brasileiras, há diversos registros de violência contra a mulher associados aos comportamentos próprios de uma sociedade patriarcal tradicional. De diferentes formas, a postura do agressor é representada como parte de uma cultura dominante, por isso incorporada aos padrões sociais disciplinadores. Desde o século XIX, as literaturas registram tanto as sutilezas como o horror da violência física e simbólica que sustentam a dominação masculina. Do término do casamento ao assassinato brutal da mulher, a honra do patriarca dá sustentação à barbárie.

No romance regional, o femicídio é parte das estratégias de manutenção da honra masculina, por isso não causa espanto quando acontece. Em Menino de engenho, de José Lins do Rego, traz a representação desse crime como parte da cultura e como uma opção aceitável para um marido traído. O pai do narrador, Carlos, mata a esposa após descobrir a traição. De forma repentina, esse crime nasce do descontrole masculino.

Aqui estão os principais aspectos de como este tema é retratado:

1. Literatura Canônica e a Naturalização (Clássicos)

Historicamente, a literatura masculina retratou a violência contra a mulher como algo natural, justificado pela “honra masculina” ou como ordem natural.

  • “Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis: apresenta a violência simbólica, onde a mulher é julgada e exilada socialmente sem provas, baseada apenas no ciúme.
  • “Menino de Engenho” (1932), de José Lins do Rego: mostra a violência física e moral aceita como parte da cultura.
  • “Gabriela, Cravo e Canela” (1958), de Jorge Amado: retrata o assassinato de mulheres para “lavar a honra” do marido.
  • “O Cobrador” (1979), de Rubem Fonseca: aborda a violência sexual como um direito exercido pelo protagonista.

2. A Virada Contemporânea e Autoria Feminina (Anos 70 em diante)

A partir da década de 1970, autoras brasileiras começaram a subverter essa narrativa, denunciando a brutalidade de forma pungente.

  • Clarice Lispector: em “A Via Crucis do Corpo” (1974), especificamente no conto “A língua do P”, ela narra o feminicídio, quebrando o silêncio sobre a morte de mulheres.
  • Lygia Fagundes Telles: em “Venha ver o pôr do sol” (1970), retrata psicologicamente a violência e o domínio masculino.
  • Marina Colasanti: em “A Moça Tecelã” (2004), aborda de forma alegórica a opressão.
  • Outras Autoras: Nélida Piñon e Lya Luft também questionam as diferentes formas de violência, desde o assédio moral ao feminicídio.

3. Temas Abordados

A literatura moderna foca em diversas facetas da violência:

  • Violência Física e Doméstica: espancamentos e o ambiente doméstico como local de risco.
  • Violência Simbólica e Moral: assédio, humilhação e controle psicológico.
  • Feminicídio: eliminação da mulher como desfecho trágico da posse.
  • Masculinidade Tóxica: construção do agressor e a necessidade de controle.

4. Literatura como Denúncia e Mudança

As literaturas de autoria feminina têm sido fundamental para o debate sobre os direitos humanos, com autores e pesquisadores indicando que essas obras ajudam a dar visibilidade à violência sofrida, impulsionando mudanças sociais e jurídicas, como a própria Lei Maria da Penha.

  • Recomendação de Leitura: conto “A língua do P”, de Clarice Lispector, é frequentemente citado como uma obra-chave para analisar a violência de gênero no Brasil.

As literaturas contemporâneas latino-americanas continuam a reverberar a violência de gênero como ponto central, com autores como Selva Almada explorando o tema do feminicídio.   As de autoria feminina, no século XX, passa a questionar os diferentes tipos de violência física e simbólica contra a mulher quando repudia a dominação masculina.

Em “O quinze” (1930), de Rachel de Queiroz; “Perto do coração selvagem” (1944), de Clarice Lispector; e “Ciranda de pedra” (1954), de Lygia Fagundes Telles, as protagonistas fogem de casamentos tradicionais e buscam a liberdade longe de homens dominadores e ciumentos. Marina Colasanti questiona a opressão feminina, em “Moça tecelã” (1978), por meio de uma paródia da relação controladora do patriarca.

No conto, o homem nasce do desejo de a mulher ter um marido. Todavia, após realizar seu sonho, a tecelã passa a ser explorada e escravizada por ele, que a priva do direito de expressão e de liberdade. Ela fica presa o dia todo produzindo o que mais interessa ao homem: bens e riquezas. Lya Luft lança seu primeiro romance, “As parceiras” (1980), sobre o questionamento da rotina de violência sexual a que muitas mulheres foram submetidas em famílias patriarcais. Nessa obra, a família da narradora é iniciada por um avô violento que estupra e agride constantemente a matriarca, Catarina.

Concluímos com uma frase pensada pela personagem Cidinha, uma professora de inglês, virgem, que se vê encurralada em um vagão de trem por homens que ameaçam estuprá-la quando o trem entrar em um túnel:

“Tinha que pensar depressa, depressa, depressa. Então pensou: se eu me fingir de prostituta, eles desistem, não gostam de vagabunda” (Clarice Lispector de “A Língua do P”, do livro de contos A Via Crucis do Corpo, publicado originalmente em 1974).

Para escapar da violência, Cidinha decide fingir ser uma prostituta (“vagabunda”). Ela acreditava que, ao se pôr na posição caricata e sensual, os agressores perderiam o interesse. Isso porque a motivação deles estava relacionada ao domínio sobre uma mulher “honesta” e não ao ato sexual com uma prostituta.

Cabe ressaltar que a obra aborda a violência sexual, o estupro, o medo, a sexualidade feminina e o julgamento social sobre a mulher. Infelizmente, temas atuais e urgentes de serem discutidos. Fica a dica de leitura!!!

Renata Barcellos

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Laços e Mistérios

Laços e Mistérios: pai e filha lançam livro infantojuvenil na capital paulista

Lançamento do livro Laços e Mistérios, de Josemir Lemos e Mari Lemos. Foto Arquivo pessoal
Lançamento do livro Contos e Mistérios, de Josemir Lemos e Mari Lemos. Foto Arquivo pessoal

A tarde deste sábado (09/05) foi marcada por criatividade, literatura e muita emoção na Avenida Paulista. O escritor e professor Josemir Lemos uniu forças com sua filha, Mari Lemos, para o lançamento oficial do livro Contos de Mistério.

O evento de autógrafos aconteceu na Livraria Martins Fontes – Paulista, das 15h às 18h, reunindo dezenas de leitores, educadores e entusiastas da literatura infantojuvenil.

A obra é fruto de uma colaboração muito especial: Josemir, que já possui uma carreira consolidada na literatura infantil e leciona em São Caetano do Sul, divide a autoria com Mari, que é aluna da EMEF Laura Lopes, escola da rede municipal sul-caetanense.

O livro promete prender a atenção dos jovens leitores com narrativas intrigantes e uma atmosfera de suspense sob medida para o público infantojuvenil.

Apoio da Comunidade Escolar

O lançamento contou com o prestígio de parte da equipe da EMEF Laura Lopes. A diretora da instituição, Priscila Matiello, fez questão de comparecer para apoiar a conquista da aluna e do professor, acompanhada por professores, funcionários e alunos.

Encontro de Gerações e Referências Literárias

O cenário literário paulista esteve bem representado no evento. Diversos escritores e parceiros de profissão foram prestigiar o novo título da dupla. Entre as presenças marcantes estavam os autores Arthur Souto, Reca Silva, Magnólia Sabino, R. Carlos Sancti e Clarissa Lemos, que destacaram a importância de incentivar a escrita criativa ainda na infância.

Reencontro Emocionante

Além do sucesso nas vendas e assinaturas dos livros, o evento reservou um momento de forte emoção para Josemir Lemos. O escritor foi surpreendido pela visita de Alice Maia, uma amiga de infância. O reencontro, repleto de abraços e memórias do passado, tornou a tarde de celebração literária ainda mais inesquecível para a família Lemos.

O livro Contos de Mistério já está disponível para o público e desponta como um excelente recurso pedagógico e de entretenimento para incentivar o hábito da leitura entre os jovens.

Tarde de autógrafos do livro Contos e Mistérios - Arquivo pessoal
Tarde de autógrafos do livro Contos e Mistérios – Arquivo pessoal

Tarde de autógrafos do livro Contos e Mistérios - Arquivo pessoal
Tarde de autógrafos do livro Contos e Mistérios – Arquivo pessoal

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Realization

Surendra Nagaraju: Poem ‘Realization’

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
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 Having become affluent,
I tasted all the luxuries,
but spending a day with a pauper,
who is a paragon of virtue,
I realized I am the poorest.

Surendra Nagaraju- Elanaaga

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O poema que não será escrito

Augusto Damas: ‘O poema que não será escrito’

Augusto Damas
Augusto Damas
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O amor é muitas vezes descrito
Por flores e lindas canções,
Por inesperados presentes,
Por gestos de carinho e devoção.
É visto nos cuidados singelos,
No apoio silencioso das horas difíceis,
Na companhia afável que consola a alma,
No abraço sincero que afasta os abismos.
Há amores que cabem em palavras,
Em versos, livros e declarações,
Mas existe um sentimento tão profundo
Que transcende todas as explicações.
Um beijo de amizade verdadeira,
Um olhar que acolhe sem julgar,
Um sentimento que não precisa de voz,
Pois apenas o coração consegue escutar.
É um poema apenas sentido,
Jamais plenamente escrito ou traduzido,
Porque certas formas de amor
Pertencem ao eterno e ao divino.
Um amor que vive acima das dores,
Das distâncias e das imperfeições humanas,
Um amor que somente abaixo de Deus
Habita a grandeza da alma humana.
O amor de mãe.

Augusto Damas

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Ser mãe

Dorilda Almeida: ‘Poema Ser mãe’

Dorilda Almeida
Dorilda Almeida
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Dorilda Almeida

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