No Jornal ROL, as letras contundentes de Osvaldo Manuel Alberto

Mestre em Terminologia e Gestão de Informação e professor, as letras de Osvaldo Manuel são vozes que não se calam!

Osvaldo Manuel Alberto

Osvaldo Manuel Alberto nasceu nos complexos becos do Cazenga, em Luanda, na então República Popular de Angola, no vigésimo quarto dia, do terceiro mês, do terceiro ano, da década de oitenta, do século XX, às 13 horas de uma sexta-feira mini.

É mestre em Terminologia e Gestão de Informação e licenciado em Relações Internacionais, e, atualmente, exerce a função de professor de Matemática e Gestor Escolar.

Começou a dar os primeiros passos na literatura em 2001, escrevendo crónicas, contos e poemas.

Escreveu no Jornal Nova em Folha, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal.

Tem vários textos na sua página do Facebook, e obras no prelo, entre científicas, ligadas à gestão escolar [Guia prático do (sub)director pedagógico], e literárias (Paixão perdida no Golungo e A Resistência ao fruto proibido).

Osvaldo Manuel inicia sua colaboração no Jornal ROL com o contundente artigo ‘Os aliados mortíferos do sistema de ensino’, não deixando ‘pedra sobre pedra’ em relação ao sistema de ensino angolano.

Os aliados mortíferos do sistema de ensino

Imagem gerada com IA do Bing - 28 de setembro às 5:22 AM
Imagem gerada com IA do Bing – 28 de setembro às 5:22 AM

Um sistema de ensino de qualidade não pode ser visto como um privilégio para uns, poucos quantos, ou outros, quantos tantos. Não pode ser percebido como um direito reservado aos filhos de Deus e aos do diabo raios que os partam.

Muitos pensam com alguma nostalgia o ensino no tempo de outra senhora, onde com a famosa quarta classe, caligrafia e aritmética não constituíam problemas, pese embora o nível gritante de violência física.

Actualmente, ‘acabou-se’ com a violência física nas escolas e parece que com ela foi o rigor e a vontade de aprender. Não que seja a favor da violência, nem que ache que violência e rigor/ vontade de aprender seja directamente proporcional, mas o que constatámos e com muita tristeza é verificar que o sistema de ensino foi tomado de assalto por uma quadrilha: os que se preocupam com números para dar show off; os que fazem balanços orientadores sobre graus de aproveitamento antes da correcção de provas; os vendedores de vagas que se aproveitam das suas posições privilegiadas; os que confundem rigor com brutalidade e arrogância; os que corrompem e são corrompidos para transitar de classe; os que oferecem e são oferecidos corpos em troca de notas; os que vendem e compram certificados; os que adulteram os resultados finais; alunos ‘descompromissados’ por ausência clara e inequívoca de modelos saindo do povoado; professores sem agregação pedagógica, sem vocação, empurrados ao ensino como única e exclusiva fonte de rendimento para o pobre que não quer ver chicoteado os seus filhos com os porretes coloniais; gestores desqualificados e desclassificados, ‘olhudos’ no dinheiro e gananciosos.

Estes altamente perigosos condenam gerações e gerações ao fracasso. Até parece um crime organizado com um único propósito de mutilar intelectualmente os filhos do plebeu.

Com um sistema de ensino doentio, o plebeu está forçado à inconsciência e até inconsequência. Quando ouve caros compatriotas, acredita que o dito cujo, aquele que nunca resolveu o seu problema, resolverá desta vez. Trata-se de uma questão de fé. Sim, acreditam que a fé (esperança nas coisas não vistas) é solução para os seus anseios. Mas que anseios? Se ele nem sequer sabe o que espera, mas espera o que não sabe, por esta razão tudo que recebe e se recebe, recebe só. Só e só e só como cantou Teta Lágrimas um dia.

Há muito pouca gente interessada em criar país. Uns tantos perdem-se em política partidária, outros poucos quantos perdem-se em ideologias insustentáveis. Há ainda os intransigentes e inconsequentes que nem sequer se perdem porque nunca se tinham achado.

Se quisermos fazer algo verdadeiramente útil para o país, temos de investir seriamente no sector da educação, privilegiando os COMs. Os com vontade de aprender, com vocação para ensinar e com mérito para dirigir. Pois os SEMs, sem vontade de aprender, sem vocação para ensinar e sem mérito para dirigir, quando actuam em tripla ou dupla já mostraram serem uns verdadeiros assassinos de gerações e até mesmo quando actuam unilateralmente os vestígios de podridão destes verdugos são incomensuráveis.

Deve-se sim, evitar que políticos doentios e comerciantes, insensatos, no ensino tomem decisões sobre política educativa, quer a nível macro como micro, se preferir a nível nacional como ao nível das escolas.

Ainda vamos a tempo de pensar país. Quando não aprovarmos medidas que condicionem as gerações futuras, nem quando nos preocuparmos única e exclusivamente com o fruto do nosso ventre. Pois todos os outros, também são frutos de ventre e resultados de ‘relações sexuais’.

País acima de tudo e amor ao próximo não pode ser sinónimo de transição automática cega, nem fluidez. De tanta fluidez, talvez tenhamos descoberto que água pode estar em quatro estados (líquido, sólido, gasoso e pó). Sim, pó, como é que não nos apercebemos antes se todos nós viemos do pó e lá voltaremos?
Apesar de lá voltarmos e pelo facto do nosso corpo ser constituído em 70 por cento de água, será que é facto bastante para cientificamente apurar-se que há água em pó? 
Que o leite não é água isso é irremediavelmente seguro, mas quanto ao resto deixemos para o resto pois sabemos o seu lugar.

Envergonhemo-nos quando as nossas instituições fiquem parasitariamente dependentes de nós e devemos nos orgulhar quando as coisas avançam com o pensar de cada um e de todos para que os aliados mortíferos do sistema de ensino tenham os dias contados!

Osvaldo Manuel Alberto

Contatos com o autor

Voltar

Facebook




Mariposas e borboletas

Sergio Diniz da Costa: Crônica ‘Mariposas e borboletas’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada com IA do Bing ∙ 23 de setembro de 2024 às 4:30 PM

O centro das cidades, nos dias úteis e no horário comercial, concentra uma quantidade significativa da população que, em sua roda-viva diária, dirige-se ao trabalho, às compras, para realizar algum negócio específico ou, ainda, simplesmente, como alguns aposentados, sentar nos bancos da praça para prosear ou apreciar a movimentação das pessoas.

 Eu sempre gostei de andar pelas ruas do centro da minha Sorocaba. Principalmente após a aposentadoria e, com ela, me dedicar exclusivamente à carreira literária.

 Uma das vantagens de não precisar mais ‘matar um leão por dia’ ─ prática essa metaforicamente incorreta, aliás! ─ é, justamente, ter a liberdade de se fazer o que mais gostamos. No meu caso, observar as pessoas, tentando captar o que pensam ou sentem. Um verdadeiro trabalho de ‘investigador da alma humana’!

Há algum tempo, comecei a observar uma, em particular. Uma mulher! Postada sempre na mesma esquina, da mesma rua. Todavia, sem qualquer produto visível, supostamente sendo colocado à venda.

Idade imprecisa, nem jovem ou velha, demais.

O corpo, muito longe do que, hoje, parece ser ─ ou fazem-nos acreditar que o seja ─ o ‘ideal’, ditado pela Moda.

As roupas, aparentemente de grife nenhuma e um tanto quanto exíguas, deixando à mostra um pouco mais aquilo que pessoas mais recatadas e conservadoras considerariam ‘aceitável’.

O rosto, carregado com uma maquiagem feita sem arte, talvez por ter sido produzida com produtos baratos ou por pura falta de conhecimentos desse ofício.

O rosto, refletindo um brilho no olhar que me pareceu enigmático, e um sorriso que, num primeiro momento, me pareceu malicioso.

E ali, na mesma esquina, da mesma rua do centro, ela parece mais um detalhe da paisagem urbana. Um detalhe que, provavelmente, poucos notam ou se detêm nele.

O olhar brilhante e o sorriso, misteriosos, maliciosos, porém, aos poucos foram me mostrando que se detinham em algumas pessoas em especial: os homens!

Ao ter essa percepção, finalmente percebi a realidade de sua presença: ela era o próprio produto colocado à venda! E, imediatamente, lembrei-me da primeira vez que ouvi um adjetivo aplicável a esse tipo de mulher: ‘mariposa’!

Mariposa! Mariposa!… Uma mariposa ali, no centro da cidade.

E em plena luz do dia!

Passei, então, a refletir sobre a palavra e do inseto que a representa. E me lembrei de uma aula de Biologia, quando estudávamos os insetos.

As mariposas ─ as de maior tamanho, também conhecidas como ‘bruxas’ ─, fazem parte da ordem científica Lepidoptera, que significa ‘asas escamosas’. O nome deriva das escamas que caem das asas em forma de pó quando tocadas. A maioria delas tem hábitos noturnos.

Lembrei-me, também, que as mariposas têm muito em comum com as borboletas. Ambas fazem parte da mesma ordem científica e começam suas vidas como lagartas famintas antes de se transformarem em suas versões adultas, voadoras. E ambas se alimentam do néctar das flores.

As mariposas e as borboletas, todavia, têm algumas diferenças. Uma delas é o comportamento das mariposas de voar em círculo em torno das luzes (fototaxia), particularmente as artificiais, comportamento esse ainda não totalmente explicado pela ciência.

Ademais, há diferenças, entretanto, de natureza simbólica. A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. E, para a psicanálise moderna, é o símbolo do renascimento. A mariposa, por sua vez, por ser um inseto geralmente de hábitos noturnos, simboliza a morte, bem como a força destruidora da paixão.

Voltando dessa ‘aula de reminiscências’, observei, mais uma vez, aquela mulher. Olhei mais atentamente para seu rosto. E, de repente, tive a impressão de que aquele olhar ainda detinha um brilho, mas era uma cintilação diferente, distante. E o sorriso já não mais me parecia malicioso, porém, ingênuo.

Nesse momento, parecia que não via mais uma mariposa, mas uma lagarta; uma lagarta que talvez um dia poderia ter escolhido se transformar numa borboleta. Uma borboleta leve, multicolorida, admirada!

E a única luz, em direção à qual voejaria, seria a do sol.

Aquela esquina, daquela rua, seria tão somente um lugar por onde ela passaria e, momentaneamente, pousaria, até que algum transeunte, um poeta a notasse.

E sobre ela escreveria ‘O Poema da Libertação’!

Sergio Diniz da Costa

Contatos com o autor

Voltar

Facebook




A canção que nunca chega ao fim

Paulo Siuves: ‘A canção que nunca chega ao fim’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem gerada com IA do Bing ∙ 28 de setembro de 2024 às 6:18 AM
Imagem gerada com IA do Bing ∙ 28 de setembro de 2024 às 6:18 AM

“Por que ela teve que ir? Eu não sei/
Ela não me diria
Eu disse algo de errado, agora anseio
Pelo dia de ontem”
(‘Yesterday’ – The Beatles)

Em meu coração, há uma canção que parece nunca terminar. É como se eu estivesse sempre no meio de uma composição musical interminável, tocada em acordes de esperança e tristeza. O meu mundo interior é o palco onde a luz nunca se apaga e as cortinas estão sempre abertas para uma peça que nunca chega ao fim.

Você, com sua beleza única e enigmática, é a nota que nunca se completa. Sempre que tento alcançá-la, você me desafina no ar, tornando-se um tom que escapa aos meus maiores esforços. Sua presença é um acorde suspenso, uma tonalidade que nunca se concretiza. Cada vez que penso que estou perto de tocar você, o destino nos separa e eu fico com o eco do seu não ser.

A música que toca em mim é uma sequência interminável de esperanças e sonhos. Cada verso parece repetir o mesmo desejo não realizado, cada refrão é um ritornelo do que poderia ter sido. Eu continuo a dançar, a cantar, a viver conforme a melodia que nunca se resolve, como se o tempo não fosse importante e a espera fosse uma parte natural do meu ser.

No meio dessa canção sem fim, encontro algo de beleza. Talvez a verdadeira essência esteja na jornada interminável, na aceitação de que a canção nunca terá um final. Nessa melodia que não se completa, descubro uma forma de paz. É uma aceitação do que é, uma promessa de algo que nunca será, mas que continua a tocar o meu coração, sempre me lembrando do que poderia ter sido.

Paulo Siuves

Contatos com o autor

Voltar

Facebook




Falsa esperança

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Falsa esperança’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
"Juntava folhas secas espalhadas pelo vento, aprisionando os pensamentos..." Imagem gerada com IA do Bing
∙ 27 de setembro de 2024 às 2:42 PM
“Juntava folhas secas espalhadas pelo vento, aprisionando os pensamentos…” Imagem gerada com IA do Bing
∙ 27 de setembro de 2024 às 2:42 PM

Juntava folhas secas espalhadas
pelo vento,
aprisionando os pensamentos.
Vestida de poesias e fantasias
Nutria uma paixão em vão.
Tal como nos contos de fadas,
onde a princesa esperava seu príncipe encantado.
Abriu-se para uma falsa esperança ,
repleta de distâncias.
Nem toda planta cresce
Nem toda flor floresce
A ausência da reciprocidade
despertou-a para a realidade,
em tempo de voltar a sua essência
e aprender com a experiência.

Eliana Hoenhe Pereira

Contatos com a autora

Voltar

Facebook




‘Doula’

Resenha do livro ‘Doula, mulheres que se ajudam no momento mais importante da gestação’, de Susana Moscardini, pela Editora Buzz

Capa do livro Doula, de Susana Moscardini
Capa do livro Doula, de Susana Moscardini

RESENHA

Você sabe o que é uma doula?

Quais são suas funções?

Neste livro Susana nos conta as maravilhas e os desafios de estar com as mães neste momento tão sublime e importante de suas vidas.

Num mergulho profundo em sua jornada como gestante, mãe e doula, a autora conta sua história fascinante.

Um livro inspirador, que me encantou.

Leiam!!!

Super recomendo!!

Assista à resenha do canal @oqueli no Youtube

SINOPSE

O parto é o evento mais esperado da gestação.

E o mais temido também.

É quando nascem uma vida e uma mãe, quando todos os medos da gestante vêm à tona.

A mãe não precisa atravessar esse momento sozinha.

Existem mulheres — as chamadas doulas — que acolhem, fortalecem e potencializam a força da gestante enquanto ela renasce e traz uma vida ao mundo.

Em ‘Doula: mulheres que se ajudam no momento mais importante da gestação’, Susana Moscardini compartilha sua experiência como gestante, educadora perinatal e doula, costurando, através de histórias, os encontros com mulheres que reconheceram sua força no acontecimento mais marcante e extraordinário de sua vida.

O parto é o grande milagre do corpo feminino em sua trajetória de trazer um ser humano ao mundo, e resgatar esse olhar é se reconectar com a naturalidade e a coragem que toda mulher tem dentro de si.

SOBRE A OBRA

Susana nos conta de seu amor por escrever e, com as redes sociais, compartilhava textos e informações sobre parto e empoderamento feminino através de um Blog, Facebook e Instagram.

Sua missão sempre foi fortalecer as mulheres nesse momento tão singular da vida, pois sentiu na pele como as mulheres são constantemente desencorajadas e amedrontadas sobre parto e sobre a sua força quando engravidam.

O livro foi um movimento praticamente natural de falar sobre parto e é um mergulho sobre empoderamento feminino na perspectiva da gestação e um resgate do universo do parto no Brasil.

Inspirado em sua jornada durante suas gestações e histórias compartilhadas com as mulheres que já atendeu como doula e educadora perinatal, esta obra irá, com certeza, emocioná-la.


Meu livro “Doula” retrata a jornada solitária de uma gestante em busca do parto humanizado no Brasil e a jornada de transição de carreira da professora universitária em doula e educadora perinatal.

No livro compartilho minha jornada, minhas histórias, conto meus partos, minha perda e as histórias que compartilhei atendendo como doula

Susana Moscardini Ribeiro


SOBRE A AUTORA

Susana Moscardini Ribeiro, natural de Salvador/BA, desembarcou no Rio de Janeiro em 1999 para fazer a faculdade de Biologia.

Foto de Susana Moscardine
Susana Moscardini

Assim que se formou em Biologia Marinha, fez especialização e mestrado na sequência e trabalhou durante muitos como professora universitária na área da Biologia e meio ambiente.

Porém, quando ficou grávida de seu primeiro filho, se apaixonou pelo universo do parto humanizado e empoderamento feminino e uma revolução profissional acabou acontecendo naturalmente.

Depois de vivenciar o árduo caminho em busca de um parto humanizado, Susana sentiu uma grande necessidade de compartilhar isso com outras mulheres, as fortalecendo nessa busca.

 Então decidiu passar por um processo de capacitação para atender gestantes como doula, educadora perinatal e instrutora de yoga gestante.

OBRA DA AUTORA

Capa do livro Doula de Susana Moscardini
Capa de Doula

ONDE ENCONTRAR


Página Inicial

Resenhas da colunista Lee Oliveira




O amor sem preconceito

Sandra Albuquerque: Poema ‘O amor sem preconceito’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
Imagem gerada com IA do Bing - 25 de setembro de 2024
 às 10:26 PM
Imagem gerada com IA do Bing – 25 de setembro de 2024
às 10:26 PM

O amor não tem cor
O amor não tem idade
O amor é sem razão
E traz felicidade .

O amor não é inerte
O amor é colorido
No amor não há transtornos
O amor não é doído.

O amor liberta a alma
O amor é até sem jeito
O amor só acontece
Quando não há preconceito.

O amor é como pluma
Leve brisa suave
Quando toca o coração.
A nossa alma invade.

Comendadora poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro, 25 de setembro de 2024.

Contatos com a autora

Voltar

Facebook




Abraçando cactos

Veronica Moreira: Poema ‘Abraçando cactos’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Criador de Imagens no Bing - Da plataforma DALL·E 3
Criador de Imagens no Bing – Da plataforma DALL·E 3

Tornou-se difícil escrever,
descrever o que se passa aqui dentro de mim.
Mas, se não escrevo,
não me sinto como realmente sou.

Tudo sinto em mim,
embora não consiga explicar.
Apenas sinto, sinto muito,
e não tem nada a ver com lembranças ou saudades.
Não tem a ver com vazios e crenças negativas.
Tem a ver com meus olhos internos,
que veem o que ninguém pode ver.

Ontem, chorei de dor
porque vi a mim mesma antes do naufrágio.
Vi a mim antes da refeição.
Vi a mim antes da ferida.
E vi a mim agora, depois de tudo.

E só agora, depois de tudo o que vi,
percebo quanto tempo perdi
com tudo o que abracei,
pensando que eram flores.

Dói… dói demais perceber
que, o tempo todo,
eu abraçava cactos. E sangrei…
Não até a morte,
mas até reviver outra vez.

Verônica Moreira

Contatos com a autora

Voltar

Facebook