Abraçando cactos

Veronica Moreira: Poema ‘Abraçando cactos’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Criador de Imagens no Bing - Da plataforma DALL·E 3
Criador de Imagens no Bing – Da plataforma DALL·E 3

Tornou-se difícil escrever,
descrever o que se passa aqui dentro de mim.
Mas, se não escrevo,
não me sinto como realmente sou.

Tudo sinto em mim,
embora não consiga explicar.
Apenas sinto, sinto muito,
e não tem nada a ver com lembranças ou saudades.
Não tem a ver com vazios e crenças negativas.
Tem a ver com meus olhos internos,
que veem o que ninguém pode ver.

Ontem, chorei de dor
porque vi a mim mesma antes do naufrágio.
Vi a mim antes da refeição.
Vi a mim antes da ferida.
E vi a mim agora, depois de tudo.

E só agora, depois de tudo o que vi,
percebo quanto tempo perdi
com tudo o que abracei,
pensando que eram flores.

Dói… dói demais perceber
que, o tempo todo,
eu abraçava cactos. E sangrei…
Não até a morte,
mas até reviver outra vez.

Verônica Moreira

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A vida dos sonhos

Ismaél Wandalika: Poema ‘A vida dos sonhos’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
A vida nos sonhos
Imagem gerado com IA do Bing ∙ 25 de setembro de 2024 
às 3:59 PM
A vida nos sonhos
Imagem gerado com IA do Bing ∙ 25 de setembro de 2024
às 4: PM

Soldiers

Há um sonho instalado nessa garganta que levanta todas as manhãs para labuta
O amor ecoa na alma do coração apaixonado pela brisa
Lá vai catalogando os ritmos no raiar da Lua
Dança veementemente com o impetuoso vento
Entre passo embalsamando as dores do peito
Há na vida, faz da vida sua musa, escreveu nela sua música favorita.

Abraços encontraram novos braços
Correu sem tédio
Olhou fundo para o espelho
Viu seu retrato espelhando a jornada desenhada em seu olhar.

Iluminou seu sorriso nostálgico
Cantou seu poema belíssimo
Trilhou sobre a música de sua vida
Deu-se pelos sonhos e deu sua vida por um propósito.
Há vida nos sonhos

A vida dos sonhos

Soldado Wandalika

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Leva-me!

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘Leva-me!’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
“Olhos saudosos desenhados de lágrimas, acenos, brancos lenços, a dor da partida e uma saudade atroz“. Imagem gerada com a IA do Bing – 25 de setembro de 2024 às 10:57 AM

No coração do tempo
um olhar vago,
meus olhos buscaram os teus,
mergulhando fundo neste olhar.

Apaixonei-me,
colori todo o firmamento
com este amor.

No silêncio da tarde
tu te foste,
um vento selvagem levou parte de mim,
deixou-me na solidão.

E na canção do adeus
o sussurro: eu sempre vou te amar!
Olhos saudosos desenhados de lágrimas,
acenos,
brancos lenços,
a dor da partida
e uma saudade atroz.

Na névoa dos olhos da tarde e dos meus,
debruçada na janela do pensamento,
à sombra da mortalha do silêncio
que a ti me leva,
choros.

Leva-me no teu pensar,
na fímbria da tua vida
do teu amor,
para ouvir o ressoo do teu coração
num turbilhão de batimentos e ecos…
amo-te!

Sou tua brisa forte,
tua ventania.
Leva-me nas asas do teu vento
que assovia voraz,
no teu sonho para sonhar acordada
pra te dizer: eu sempre vou te amar.
Leva-me contigo!
Leva-me!

Ceiça Rocha Cruz

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De Angola para o ROL, o professor Venâncio Chambumba!

Venâncio Chambumba traz para as páginas do ROL as letras educacionais e literárias de Angola!

Venâncio Chambumba
Venâncio Chambumba

Venâncio Domingos Sicana Chambumba, natural de Luanda (Angola) e residindo em Lisboa (Portugal), mais conhecido no meio educacional e literário como Venâncio Chambumba,  é Mestre em Terminologia e Gestão de Informação de Especialidade, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Licenciado em Ensino do Português, pelo ISCED/Luanda.

Professor de Língua Portuguesa e Metodologia do Ensino de Português, revisor linguístico e coorientador de trabalhos de pesquisa científica ligados à Língua Portuguesa.

Coautor do livro ‘O que o Professor de Português não Ensina’, sob a chancela da Imprensa Nacional e jornalista freelancer.

Áreas de Investigação:

a.         Terminologia da Lexicologia e áreas afins;

b.         Metodologia de Ensino do Português- Língua Materna e Língua não Materna;

c.         Terminologia de documentos administrativos e/ ou oficiais.

O professor Venâncio Latim inaugura sua participação no ROL com uma minuciosa exposição sobre o objetivo das aulas de Língua Portuguesa, abordando o conjunto de competências que os professores devem desenvolver no aluno de modo o processo de aprendizagem ser proveitoso, e, em especial, uma reflexão em torno da dimensão escrita do processo de ensino-aprendizagem e, particularmente, no quesito ‘cópia’.

A Cópia na Aula de Língua Portuguesa

A cópia na aula de Língua Portuguesa
Imagem gerada pela IA do Bing - 24 de setembro de 2024 às 6:03 PM
A cópia na aula de Língua Portuguesa
Imagem gerada pela IA do Bing – 24 de setembro de 2024 às 6:03 PM

  1. Introdução

As aulas de Língua Portuguesa têm como objectivo, de forma geral, abrir a mente do aluno, ou seja, levar a que o aluno, por meio das palavras, reflicta sobre determinado assunto.

E, para se dar conta dessa situação de reflexão, há um conjunto de competências que os professores devem desenvolver no aluno de modo o processo de aprendizagem ser profícuo. Tais competências são as seguintes:

  • Oralidade: compreensão do oral
  • expressão oral
  • Leitura
  • Escrita
  • Conhecimento da língua
  • Aspectos ligados à educação literária

Do conjunto de competências apontadas e que devem obviamente ser presentes em sala de aulas, poucas se verificam com a acutilância que deveriam merecer.

Todavia, para o contexto em causa, importa proceder a uma reflexão em torno da dimensão escrita do processo de ensino-aprendizagem e, particularmente, no quesito «cópia», uma actividade frequentemente feita, sobretudo, por alunos do Ensino Primário[1], a partir da 2.ª classe,  e do I Ciclo do  Ensino Secundário[2].

Para tal, abordamos a questão com professores de escolas de convénio, de escolas particulares, de instituições públicas, bem como professores e alunos de escolas do Ensino Secundário Pedagógico, todos de Luanda.

Em primeiro lugar, importa referir que a actividade em referência tem sido presente nas aulas de leitura e aplicada na última fase didáctica, que é a tarefa. Ou seja, grande parte dos professores, depois de uma aula sobre «leitura e interpretação escrita de um texto», deixa uma tarefa sobre a feitura de uma cópia da página x ou y do manual da classe.


[1] Da 1.ª à 6.ª classe.

[2] Da 7.ª à 9.ª classe

Em segundo lugar, têm reflectido tais professores sobre a necessidade ou importância de se mandar tal tipo de trabalho? Ou seja, para que é que depois de o aluno ter analisado ideologicamente um texto tem de se lhe mandar fazer cópia? Para mudar a letra? Para que ele aprenda a escrever correctamente do ponto de vista ortográfico? Ou haverá outro motivo que leva a que se mande isso ao aluno?

Em terceiro lugar, o que é a cópia? Sabemos que consiste numa reprodução (manuscrita ou por outro meio) do texto original.

Como podemos vislumbrar na definição acima, a cópia não leva o aluno à produção, mas sim à reprodução textual, por isso é que, ao copiarmos um texto, um número de telefone, ou outra coisa, não é permitido extrapolar o que nele encontramos, tais como: frases, letras, pontos, vírgulas etc.

  1. A cópia: um pouco de história

De acordo com Paulina (2010: 3), antes da invenção da tipografia, em 1449, pelo mestre gráfico alemão Johannes Gutenberg (1400-1468), a cópia era uma actividade imprescindível. Era graças aos manuscritos, feitos por monges e frades, chamados copistas ou escribas, que os livros se difundiam.

Segundo Terezinha Oliveira, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), citada por Paulina (ibidem), “se hoje conhecemos os escritos de grandes pensadores, como o filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), foi porque os copistas os conservaram”. No mesmo diapasão, Oliveira afirma que “eles não precisavam ser necessariamente grandes leitores, [apesar disso], eram considerados artistas, pois para os homens medievais a preservação do livro era vital para difundir o conhecimento e a sabedoria.”

Outrossim, Paulina (2010:4) diz que o ofício de copista, tal como relatam os historiadores Guglielmo Cavallo e Roger Chartier, no livro História da Leitura no Mundo Ocidental, era extenuante. O referido livro descreve que o escriba lia em voz alta o texto para activar a memória imediata, enquanto transcrevia.

Entretanto, segundo a autora, por volta do século XIII, começaram a surgir equipamentos e móveis feitos para ajudá-los a reproduzir as páginas dos livros de maneira mais mecânica, sem terem de recorrer à leitura em voz alta.

A autora faz ainda referência de que, no livro atrás referido, “iluminuras e gravuras de madeira, com scriptoria da fase medieval tardia, mostram copistas com a boca fechada, sentados em mesas equipadas com apoios para livros e utilizando uma variedade de novos marcadores de linha operados mecanicamente para guiar os olhos na acção de seguir o texto a ser copiado”.

  • Funções da cópia nas nossas escolas

Das conversas mantidas com professores dos ciclos referenciados, bem como com professores, alunos pré-finalistas e finalistas do Secundário Pedagógico em Luanda, tem sido reiterada a feitura da cópia por parte do aluno, cumprindo as seguintes funções:

  • Melhorar a letra/ grafia. Os professores admitem que, por meio dela, o aluno melhora a sua performance no que toca à disgrafia e/ou disortografia.
  • Memorização da grafia correcta de uma palavra. Por meio da cópia, os professores crêem que os alunos vão passar a escrever correctamente.
  • Recurso por meio do qual o professor transmite e faz circular diversos géneros textuais. Por isso, em certas escolas, de acordo com os nossos interlocutores, os professores mandam fazer cópia como prenúncio do texto a ser estudado na semana seguinte, no dizer desses professores “ é para que o aluno se familiarize com o texto”, embora o aluno tenha o manual no qual se encontra tal texto.
  • Preenchimento de tempo. Neste caso, a cópia ocorre na situação em que o professor vai, por exemplo, para uma reunião emergente ou mesmo não tenha preparado a aula e de modo os alunos não fazerem barulho o professor escreve algo no quadro ou pede para abrirem o manual de leitura numa determinada página para aqueles copiarem o conteúdo.
  •  Asseguramento da prática de escrita. Os professores foram unânimes em afirmar que, de modo o aluno não perder a prática da escrita durante as férias, é necessário mandar um número considerável de cópias. Mas, no dizer desses agentes de ensino, é preciso não exagerar.
  • Meio de punição. Neste contexto, a cópia serve para disciplinar e /ou castigar o aluno prevaricador de qualquer situação em sala de aulas. Como não se faz recurso ao “chicote”, então, os professores tendem a aplicar esse tipo de correctivo.

De acordo ainda com aqueles agentes do ensino, por meio da cópia, avalia-se a grafia, a incorrecção ortográfica, o respeito à margem e à abertura de parágrafo.

Convém fazer˗se algumas considerações em torno do argumento segundo o qual a cópia « ajuda a melhorar a competência  de leitura do aluno.»

 A leitura implica a decifração e a compreensão, ou seja, é necessário que o aluno saiba em primeira instância descortinar fonologicamente cada palavra de um texto para as poder compreender a seguir. Para tal, tem de existir estratégias próprias e na aula de leitura para que o aluno possa colmatar o problema da leitura nos níveis acima apresentados.

Portanto, uma avaliação rigorosa e habitual da leitura, através de uma grelha de observação, com critérios previamente delineados pode ser a solução do problema da leitura em si e não propriamente a cópia.

Esses agentes de ensino acham que uma simples cópia muda imediatamente a letra do aluno. Porém, na prática de ensino do português, tem˗se estado a verificar dificuldades específicas de aprendizagem[1], tais como a disgrafia[2] e disortografia[3].

Por isso, devia haver da parte dos professores de português a utilização do método preventivo[4], no sentido de, conhecendo os tipos, as causas, os sinais de alerta e o modo de intervenção das dificuldades suprarreferidas, se poder debelar os problemas dos alunos nessa questão. 

Como consequência da avaliação suprarreferidas, os alunos não conseguem aplicar noutras situações de escrita o que é corrigido numa cópia porque o fazem mecanicamente. Associado a isso, está o facto de o professor não explicitar a regra ortográfica de uma palavra ou levar o aluno a fazê-lo por meio de comparação ou outro método.

Por isso, há alunos que, mesmo copiando um texto três ou mais vezes, se repararmos com atenção, cometem diversos erros ortográficos. Ora, o aluno está num processo de reprodução fiel daquilo que se encontra no livro, ainda assim comete erros. Então, por que comete tais erros?

O aluno tem gravado no seu subconsciente a escrita de determinada palavra e ao realizá-lo, ou seja, ao copiar tal palavra, reproduz aquilo se encontra no seu subconsciente. Dando erros como: «atensão*, simeira* etc.». Ou seja, não é meter o aluno a copiar páginas e páginas que se vai elevar a sua competência ortográfica. É necessário intervir de outra maneira para acabar com o problema de escrita na dimensão ortográfica, dominando-se as diversas formas do alfabeto, a fim de se utilizar uma grafia legível, para além da disgrafia e disortografia, aspectos já referenciados acima.

Uma análise aos manuais do Ensino Primário e do I Ciclo do Secundário evidenciou que nenhum deles explicita a actividade em estudo. O que se verifica em sala de aula é que os professores orientam os alunos a procederem à cópia do texto lido ou do texto a ser lido.

Uma possibilidade de tirar partido desta actividade é inseri-la numa situação em que essa reprodução cumpra uma função clara para o aluno.

  • Elevar a competência ortográfica por meio da cópia funcional

Proposta 1- (Baptista, Viana & Barbeiro, 2011)

 A atribuição de uma função ao texto copiado responsabilizará o aluno pela correcção do produto final, levando-o a realizar mais frequentemente o confronto com o original.

[1] De acordo com Coelho, Diana Tereso.

[2] Perturbação de tipo funcional  que afeta  a qualidade  da escrita do sujeito, no que se refere ao seu traçado  ou à grafia(Torres e Fernández, 2001: 127); prende-se  com  a “ codificação  escrita(…), com problemas  de execução gráfica e de escrita das palavras.”(Cruz, 2009: 180).

[3] Dificuldade manifestada por um conjunto de erros da escrita que afetam  a palavra , mas não o seu  traçado ou grafia (Vidal, 1989, citado  por Torres e Fernández , 2001:76), pois uma criança  disortográfica  não é forçosamente  disgráfica.

[4] Também conhecido como Método Dom Bosco.

Se, por exemplo, os alunos tiverem um tema ligada à saúde ou ao meio ambiente, deverão efectuar cópias relativamente a esses temas, a fim de serem afixados em cartazes. Isto levará a que se preste atenção à maneira como se escrevem as palavras, pois, caso se verifiquem incorrecções, vai ser necessário copiar de novo o texto.

Proposta 2 (Teberosky citada por Paulina, 2010)

O professor pode integrar a cópia numa perspectiva em que o aluno dita parte do texto com o qual se está a trabalhar na semana. E a professora deixa claro que vai anotar tudo quanto se disser.

À medida que o aluno vai ditando, a professora escreve no quadro e ao fazê-lo introduz de forma propositada erros, como neste enunciado: “As sete cabrinhas era uma vez uma mãe ai que comprido a mãe foi embora”.

Após isso, procede à leitura e deixe que os alunos se manifeste a ver se terão percebido o que se leu.

Em função da contestação dos alunos, o professor pergunta o que deve ser retirado e porquê. Depois de justificarem, então pode pedir-lhes para copiar do quadro o que eles corrigiram.

Nessa situação, a cópia tem razão de ser porque conserva um fragmento de uma história que vai ser retomada noutra ocasião e as crianças produziram o texto copiado. Ademais, não o copiaram de forma mecânica, pois activaram o sentido reflexivo.

Proposta 3 – Cópia e reescrita (Baptista,  Viana & Barbeiro, 2011)

A actividade de cópia, em vez de se limitar à reprodução do texto, pode ser combinada com a intervenção sobre o texto, designadamente através da reescrita.

Deste modo, entrega-se aos alunos um texto para efectuarem a cópia, mas em vez de se limitarem a fazer a sua reprodução, deverão realizar algumas intervenções de reescrita, segundo as indicações previamente preparadas pelo professor e que se adeqúem ao texto em causa e às capacidades dos alunos. Essas intervenções poderão incluir, entre outras propostas:

1.       – substituir os nomes das personagens por nomes de pessoas conhecidas do

aluno: familiares, amigos, etc.;

        – substituir as palavras assinaladas, pelo professor, por sinónimos;

        – substituir as palavras assinaladas, pelo professor, por antónimos;

        – acrescentar um adjectivo para caracterizar os nomes assinalados;

        -substituir um conector por outro de sentido equivalente.

Após a realização da tarefa, as soluções encontradas por cada aluno poderão ser confrontadas e partilhadas na turma.

A verificação ortográfica poderá ser realizada pelo professor e pelos colegas, em hetero-correcção ou então o professor regista os erros ortográficos de cada aluno numa tabela ou grelha  para este os corrigir.

Outrossim, a realização da cópia poderá também ser feita em articulação com o estudo do funcionamento da língua, designadamente as classes de palavras. Ao efectuarem a cópia, escrevendo a base textual a azul, os alunos poderão escrever os nomes a verde e os adjectivos a vermelho; também, no mesmo texto ou noutras ocasiões, os verbos poderão ser destacados, sendo escritos a preto.

  • Conclusão

Os professores do Ensino Primário, a partir da 2.ª classe, bem como os do I Ciclo Ensino Secundário, podem apropriar-se das propostas acima apresentadas e, de acordo com a realidade de ensino de cada um, introduzirem emendas de modo que o processo de ensino e aprendizagem surta em evolução não só para os professores como também para os alunos.

Bibliografia

Azevedo, F. (2000). Ensinar e aprender a escrever – Através e para além do erro. Porto: Porto Editora.

Baptista, A; Viana, F & Barbeiro, L. (2011). O Ensino da Escrita: Dimensões Gráfica e Ortográfica. Lisboa: DGIDC.

Carbonari, R. & Silva A. (2001). Cópia e leitura oral: estratégias para ensinar? In: Chiappini, L. (coord.). Aprender e ensinar com textos didáticos e paradidáticos. São Paulo: Cortez.

Cavallo, G & Chartier, R.(s/a). História da Leitura no Mundo Ocidental– Volume 1,Ed. Ática.

Coelho, T. (2013). Dificuldades de aprendizagem específicas (dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia). Porto: areal editores.

Cruz, V. (2009). Dificuldades de Aprendizagem Específicas. Lisboa: LIDEL-Edições Técnicas, Lda.

Horta, I. & Martins, M. A. (2004). Desenvolvimento e aprendizagem da ortografia: Implicações educacionais. Análise Psicológica, I (XXII), 213-223.

Paulina, I. (2010).Cópia: tempo perdido. Disponível em https://novaescola.org.br/conteudo/1515/copiatempo-perdido. Acesso em 13 de Novembro de 2020.

Torres, R. & Fernández, P. (2001). Dislexia, Disortografia e Disgrafia. Amadora: McGraw-Hill.


Venâncio Chambumba

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O silêncio dos versos parnasianos

Um parnasiano de corpo e alma, Nicanor Pereira, agora, vai poetar ao lado dos imortais!

Nicanor Pereira declamando, na cerimônia promovida pela Câmara Municipal de Sorocaba, em homenagem aos 11 anos de fundação do grupo 'Coesão Poética de Sorocaba'
Nicanor Pereira declamando na cerimônia promovida pela Câmara Municipal de Sorocaba, em homenagem aos 11 anos de fundação do grupo ‘Coesão Poética de Sorocaba’

23 de setembro de 2024, às 21h36. Uma mensagem no WhatsApp me chama a atenção. Fábio, filho do amigo e confrade Nicanor Pereira, informa sobre um quadro doloroso de seu pai. Segundo o comunicado, “ele não está bem! Desde sexta-feira começou com quadro de desconforto abdominal. Hoje teve piora. Estejam em oração”.

24 de setembro, às 17h20, nova mensagem. A que eu não gostaria de receber! “Boa tarde, venho comunicar o falecimento do meu sogro Nicanor”

Termina, assim, aos 85 anos, a trajetória terrena de Nicanor Filadelfo Pereira, natural de São Paulo, capital, nascido aos 19 de agosto de 1939, no bairro Ipiranga e, depois, a família transferindo-se para o bairro Cambuci.

Aos sete anos de idade, a família mudou-se para Jandira (SP).

Na adolescência, seu pai adquiriu um sítio, onde Nicanor e suas irmãs, juntamente com os pais e agregados, dedicavam-se à atividade agropecuária familiar, com destaque à produção de laticínios e hortaliças, cujos produtos eram vendidos a famílias jandirenses e aos professores e alunos internos do curso José Manoel da Conceição. Nicanor era o encarregado de entregar e distribuir, com sua charrete, os bens produzidos no sítio.

Mais tarde, seu pai implantou nas terras do sítio um loteamento e Nicanor, deixando o colégio onde estudava, foi admitido como funcionário de um curtume, em Barueri.

Com a instalação do frigorífico Jandira, Nicanor transferiu-se para essa empresa, como encarregado do Departamento Pessoal. Nesse emprego, permaneceu até 1965, passando, depois, a trabalhar como vendedor na Remington Rand do Brasil, em São Paulo, capital.

Posteriormente, estabeleceu-se com comércio próprio, no ramo de máquinas e móveis para escritório, na cidade de Osasco (SP). Em seguida, firmou nova sociedade, dedicada à fabricação de tijolos, por meio industrializado.

Com dificuldade nessa área, passou a trabalhar no Frigorífico Seara, como vendedor. Recebendo um convite, voltou a trabalhar em Jandira, como gerente da empresa CONSPEL. Todavia, com o encerramento das atividades dessa empresa, Nicanor, agora como corretor de imóveis, abriu a empresa NIC IMÓVEIS, para intermediação de imóveis em geral, dando ênfase à venda e locação de imóveis industriais, o que lhe ensejou levar para Jandira diversas empresas que, juntando-se ao dinamismo dos jandirenses, proporcionou invejável progresso à comunidade.

A vocação política

Com 18 anos de idade, Nicanor passou a escrever para o jornal O Imparcial, de Itapevi, como representante da sucursal de Jandira. Tempo depois, escreveu para o jornal O Suburbano, encarregando-se do observatório junto à Câmara Municipal de Cotia, ambiente que despertou-lhe a vocação política. Em 1965 candidatou-se a uma vaga no Legislativo jandirense, tendo sido o mais votado da coligação, liderada pelo Partido Social Progressista. No dia 27 de março, aos 26 anos de idade, Nicanor foi escolhido pelos companheiros como candidato à presidência, a qual foi confirmada, no dia seguinte, durante a instalação da Câmara Municipal. Em 28 de março de 1965, foi eleito e empossado como o primeiro presidente da Câmara Municipal de Jandira, imprimindo relevante papel à frente do Legislativo jandirense.

Em 1981, por questões estritamente pessoais, transferiu-se para Sorocaba, onde teve dois casamentos, com uma prole de oito filhos.

O poeta Nicanor

Nicanor Pereira, participando de um sarau do grupo Coesão Poética de Sorocaba
Nicanor Pereira, participando de um sarau do grupo Coesão Poética de Sorocaba

O poeta nasceu na pré-adolescência, numa florida manhã de maio, Dia das Mães, de uma situação que, a princípio, o marcou pela tristeza, por não ter um presente para a sua mãe. Olhando as flores, percebeu vir do ‘alto’ a inspiração para alguns versos, que levou a mãe à lágrimas, de emoção. Houve, depois, um interstício de alguns anos, até surgirem os primeiros amores, suas alegrias e consequentes tristezas — nascia aí o vate, o poeta, o sonhador.

Ávido pela leitura, começou a receber as primeiras influências dos poetas tradicionais, tais como Olavo Bilac (Ouvir Estrelas), Cruz e Souza (Siderações), Casimiro de Abreu (Meus oito anos), Castro Alves (Navio Negreiro), sonetos de Luiz Vaz de Camões, e outros. Muita influência veio, também, da música popular, cuja maioria é composta por versos decassílabos, a exemplo de “Noite alta, céu risonho, a quietude é quase um sonho,,,”, “Minha vida era um palco iluminado, eu vivia vestido de doirado…” e outras do seu repertório da adolescência e da mocidade, anos 50, 60 e 70.

Nicanor afirmava ter nascido parnasiano, uma vez que tinha por princípio de vida a busca da perfeição, e o parnasianismo o satisfazia por sua técnica, por sua estrutura física, por sua simetria, pelo uso do termo apropriado para se definir um pensamento.

Um poeta atuante

Nicanor fez parte do Instituto Literário Paulo Tortello – Poesia em Debate, no qual exerceu a função de 1º Secretário.

Foi cofundador do grupo Coesão Poética de Sorocaba (2005), entidade da qual foi o 1º Secretário.

Em 2005 ingressou na CERES – Casa do Escritor da Região de Sorocaba, vindo a integrar-se à diretoria da associação.

Foi membro vitalício da ONE – Ordem Nacional dos Escritores.

Participou do saite Varanda das Estrelícias, de Portugal.

Foi colunista do Jornal ROL e do Internet Jornal.

Autor dos livros:
Jandira – Favo de Mel (Ottoni, 2007);
Noções de Poesia Tradicional (O Clássico, 2008);
Vidas entrelaçadas (O Clássico, 2008) e
Sonetando em Doces Sonhos (Clube dos Autores, 2008)

Em 2012, Nicanor Pereira recebeu, da Câmara Municipal de Sorocaba, o título ‘Cidadão Sorocabano’

Escrever poesias

Certa vez, Nicanor, ao ser questionado sobre o que é necessário para se escrever poesias, afirmou: “Escrever poesia não depende de técnica, depende de basicamente de inspiração e transpiração. A técnica vai fluindo à medida que vão acontecendo os poemas. Embora eu seja um poeta escansionista, recomendo algo que julgo importante: não há necessidade de a poesia ser metrificada, mas é imprescindível que tenha a cor da poesia, o cheiro da poesia, o ritmo da poesia. Lembrem-se, sem ritmo o texto será, talvez, uma excelente crônica, ou qualquer outro gênero literário. No livro que pretendo publicar em fevereiro ou março, haverá um poema denominado ‘Poetar’, onde mostrarei que: “poesia jamais se aprende, pois que vem da inata lei, que medra n’alma da gente”. Portanto, papel, caneta, inspiração e transpiração. Eis o poema!”

Na despedida, um soneto

A Trajetória da Loba

Em novo dia nasce uma menina.
Semelha a um botão, em jardim florido,
Em forma de coração já contido
No verde que o reveste e que lhe anima.

Chega depressa, então, a puberdade…
Na manhã da vida, esse botão se abre
Em nova forma e as cores da beldade,
E em róseos sonhos de amor, quem sabe!

E, no espocar das cores cintilantes,
Ao jasmim, o coração balzaquiano
Desnuda-se, como a um amor galante.

Na plenitude, a loba delirante,
Tal pétala de rosa, em tom profano,
Exala o seu perfume inebriante.

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Grandeza da alma

Irene da Rocha: ‘Poema Grandeza da Alma’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
"A grandeza de tua alma doce reflete o amor que em ti floresce..."
Imagem gerada pela IA do Bing - 24 de setembro de 2024 às 4:12 PM
“A grandeza de tua alma doce reflete o amor que em ti floresce…”
Imagem gerada pela IA do Bing – 24 de setembro de 2024 às 4:12 PM

A grandeza da tua alma doce,
Reflete o amor que em ti floresce.
Como vasto oceano a resplandecer,
Profundo e sereno, a acolher.

Tempestades chegam e passam,
Ainda assim, a calma é a palavra.
O mundo, espelho dessa essência,
Guarda em silêncio tua presença.

É no imenso coração,
Que repousa a vastidão.
Na paz que em ti reside,
O amor se expande e divide.

Assim segue a tua jornada,
Acolhendo a vida, de alma lavada.
Com serenidade a cada passo,
Um universo em teu abraço.

Irene da Rocha

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4ª FLISPA – Feira Literária de São Pedro da Aldeia

A 4ª FLISPA será realizada nos dias 7 e 8 de novembro de 2024, na histórica Casa dos Azulejos, localizada no centro da cidade

Card da 4ª FLISPA
Card da 4ª FLISPA

A Aldeia Editora acaba de anunciar as datas para a 4ª edição da FLISPA – Feira Literária de São Pedro da Aldeia. O evento será realizado nos dias 7 e 8 de novembro de 2024, na histórica Casa dos Azulejos, localizada no centro da cidade.

Reconhecida por ser um marco no cenário literário da Região dos Lagos, a FLISPA promete um formato renovado, com barracas para expositores e uma programação cultural rica e diversificada, oferecendo uma experiência imersiva tanto para os amantes da literatura quanto para os estudantes.

Organizada pela Aldeia Editora e Notícias de São Pedro da Aldeia, em parceria com a Academia de Letras de São Pedro da Aldeia (ALSPA) e com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, a feira contará com mais de 20 barracas de escritores locais. Serão mais de 500 obras literárias à venda, destacando autores da região que terão a oportunidade de compartilhar suas criações com o público. Além disso, os visitantes poderão participar de visitas guiadas à Casa dos Azulejos, apreciando tanto a arquitetura quanto o acervo cultural do local.

A programação cultural da 4ª FLISPA inclui atrações musicais, o lançamento da Antologia ‘A Aldeia de Pedro – Belezas Naturais e Seus Encantos’, apresentações teatrais, marionetes e um sarau, tudo pensado para envolver a comunidade e os visitantes, transformando o evento em um ponto de encontro de arte, literatura e cultura.

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