Arquitetura

Laskiaf Amortegui: Poema ‘Arquitetura’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
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​às vezes somos inexperientes na arquitetura e no amor.
​A arquitetura do teu corpo me deixa louca,
traçou desenhos que paralisam a minha pele.
Quem inspirou o designer que recriou o teu esboço?
Teus ângulos são perfeitos.
Teus olhos são ilegíveis,
anelo interpretar o teu código.
Quero me arrastar em cada passo do teu corpo,
e me perder na curva da tua cintura.
Encontrar o perímetro total,
contando os meus beijos na tua pele.
Minhas mãos querem modificar a tua tela apaixonada,
e não apagar nunca essa luz orgástica,
que ilumina toda a tua criação.
Sucumbo à sensação que soletra o sagrado,
entre nós dois,
quando me arranhas as costas.
Como vou parar,
se teus ecos retumbam
e em cada centímetro a tua figura me domina,
e teu cruzamento sagrado
me submerge em seu vórtice.

Laskiaf Amortegui

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Genuíno, o sincero

Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Genuíno, o sincero’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Genuíno Lhano é o que se pode chamar de homem peremptório. Sim, isso mesmo! Direto como uma flecha, não fazia rodeios para dizer o que tinha que dizer. Ou, como gostava de falar o seu amigo, o Juarez, Genuíno falava o que era para ser falido, dizia o que era para ser dizido. Seja com português rebuscado ou inventado pela sabedoria popular, esse homem diz o que pensa, mesmo que nem sempre pense o que fala. 

    Histórias não faltam sobre esse homem quase octogenário que não faz rodeio nem para montar cavalo xucro, caso seja necessário. Uma delas aconteceu justamente na primeira vez que viu o Augustinho, o primogênito da dona Augusta e do seu Augusto, os então novos moradores do bairro Menino Deus, na linda e acolhedora Porto Alegre. 

    O jovem casal, orgulhoso do seu herdeiro, passeava com aquele bebê de apenas seis meses. Os moradores paravam para elogiar aquela coisa mais fofa do mundo. Dona Lídia, uma das mais antigas, fez questão até de tascar um baita beijo naquelas bochechas rosadas. Nem a marca do batom vermelho pareceu incomodar os pais do menino. Na verdade, os dois pareciam acreditar que mereciam tudo aquilo, tão certos que estavam de que o pequeno Augustinho era mesmo um príncipe de tão lindo. 

        Nisso, eis que surgiu o Genuíno, que não entendeu o porquê daquela algazarra em volta daquele carrinho de bebê. Curioso, foi até lá, quando a Alzira lhe sorriu ao mesmo tempo em que apontou para o Augustinho. 

        — Vem ver, Genuíno! Vem ver esse menino mais lindo do mundo!

        O velho se aproximou do grupo e, finalmente, olhou olho a olho pro Augustinho. Para falar a verdade, bem que ele quis permanecer calado, dar as costas e ir embora. Mas foi impedido pela Alzira, que, eufórica, queria porque queria a opinião do Genuíno. O velho torceu a cara e acabou causando um mal-estar, que poderia ter virado até caso de polícia, caso o seu Valdo não interviesse.

    — Por que viraram o piá do avesso?

    Esse reboliço foi assunto no bairro durante os próximos anos, até que o Augustinho, já com seus quase 8, estava jogando bola na quadra em frente ao cachorródromo do Tesourinha. Chuta daqui, chuta dali, eis que um bicudo mais forte fez com que a bola ultrapassasse a grade e fosse parar justamente aos pés do Genuíno. 

    O idoso, que estava acompanhado do velho Ludo, um vira-lata de pelo rasteiro, fez questão de demonstrar suas habilidades futebolísticas, que não eram muitas. Agachou-se com certa dificuldade, pegou a bola e tentou devolvê-la com um chute. Sem sucesso, pois ela caiu no gramado do cachorródromo, bem ao lado da grade. Foi até lá e, com mais um esforço, conseguiu jogá-la do outro lado. Augustinho, já com a bola nas mãos, agradeceu o velho pela generosidade. O velho sorriu e disse uma coisa que o menino não entendeu.

    — Você ficou bem melhor depois que te reviraram.

    Parece que tal interlúdio foi parar nos ouvidos da dona Augusta, que, até aquele momento, guardava certa mágoa do Genuíno. Todavia, todo esse rancor de anos havia chegado ao fim. Na verdade, a mãe do Augustinho passou até a ser uma defensora do velho, que ainda guardava alguns desafetos no bairro. Tanto é que, certo dia, a dona Augusta resolveu fazer uma visita para o Genuíno. Sem saber o que levar, colheu algumas pimentas no jardim. Colocou-as cuidadosamente numa vasilha e, já na calçada, percebeu que o velho acabara de entrar em casa.

    Dona Augusta caminhou até a residência do Genuíno, tocou a campainha. Logo o velho surgiu. Ela, para desfazer qualquer mal-entendido, sorriu com todos os dentes, ao mesmo tempo em que cumprimentou o vizinho. Trocaram algumas palavras com promessas de uma visita para um café daqui a alguns dias. Nisso, a mãe do Augustinho se lembrou das pimentas e entregou o potinho para o mais sincero dos homens.

    — São para o senhor. 

    — O que é isso?

    — Ah, são pimentas do meu jardim. Eu que plantei.

  — Muito agradecido, minha filha. Mas as minhas hemorroidas não me permitem tal extravagância.

Eduardo Cesario-Martínez

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Swimming

Kali Baral: Poem ‘Swimming’

Kali Baral
Kali Baral
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With a chest full of water
the ocean is calling.
You are very scared.
The roar of the marching waves
crashed on the shore.

You are afraid
to handle the monster waves.
Swim in the sand.
Take a bath
in the sweat of body
It’s a pity that
you can not swim
in the salt of the earth.
What pure happiness lies there,
with a strong swing.

I got you in this game.
Like a sculpture made of sand,
You fall down
age to age.
To fly in the sky
cannabis is as
the wings of a bird.

Kali Baral

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A civilização ocidental

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘A civilização ocidental, precursora
dos direitos humanos’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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Indiscutivelmente que os Direitos Humanos pressupõem valores que a Sociedade Organizada e convencionada procura respeitar, destacando-se, qualquer que seja a sua perspectiva, a liberdade, isto é: consideremos a liberdade de expressão, a liberdade de religião, a liberdade de educar. 

A civilização ocidental, neste domínio, tem sido pioneira, aliás, poderá parecer um lugar-comum afirmar que: «o ocidente foi fundado por dois acidentes históricos, o milagre grego e o cristianismo. Podemos expressar isto com a palavra “sorte” porque estes fenómenos não foram planeadamente criados, simplesmente surgiram.» (PEREIRA, 1993:175).

A título informativo, permita-se-me, numa interpretação, certamente criticável, à Epistemologia de Popper que explicita, a partir da intuição sociológica, alguns valores, sendo a ideia de liberdade um conceito ético, ligado à tradição racionalista grega, e, assim, teríamos: uma relação entre realismo enquanto pressuposto importante; e racionalismo enquanto atitude de repercussões éticas e gnosiológicas. Os valores liberais estão assim relacionados com a Gnosiologia popperiana, que se insere na tradição ocidental, que articula o altruísmo e o individualismo, numa realidade que o ser humano não consegue disfarçar.

Na sua fundamentação implícita dos valores, Popper, a partir do dualismo crítico: Racionalismo-Irracionalismo, deixa-nos a ideia de que é impossível a redução de normas a factos, porque a opção por determinadas normas é sempre uma decisão humana.

Na verdade: «Popper não afirma que o irracionalismo esteja errado na sua ênfase, na passionalidade fundamental da natureza humana (…) já que essa irracionalidade deixaria em aberto um vasto campo para a utilização da violência como critério de resolução de conflitos. Mesmo que partíssemos do postulado de que o impulso básico da natureza humana é o amor, esta emoção não resolveria questões políticas, pois ninguém pode amar no abstracto. Tal emoção tenderia a dividir os homens entre aqueles que amamos e aqueles a quem não amamos, ou seja, teremos uma ameaça ao igualitarismo político. Esta afirmação não deve ser interpretada, como uma crítica à ética fundada no amor, mas apenas que tal emoção não conduz à imparcialidade e nem faculta a possibilidade de resolução racional de problemas.» (Ibid.:166-67).

BIBLIOGRAFIA

PEREIRA, Júlio César Rodrigues, (1993). Epistemologia e Liberalismo: (uma introdução à Filosofia de Karl R. Popper). PUC/RS, Porto Alegre/RS, Edipucrs

POPPER, Karl R, (1992). Em Busca de um Mundo Melhor, 3a Ed. Trad. Teresa Curvelo. Lisboa: Editorial Fragmentos.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Tempi inquietiil vero scopo del culturale

Maria Teresa Liuzzo

‘Tempi inquietiil vero scopo del culturale’

Maria Teresa Liuzzo
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”La violenza del tempo lacera l’anima; attraverso quella lacerazione entra l’eternità” (S. Weil, l’ombra e la grazia).

Un’Arte Culturale è un’arte culturalmente impegnata nella società; non è un’arte estraniata, ma viva nel messaggio ( significato ) che si vuole trasmettere.

Si impegna a informare le masse, imbonite dal volgare, dal cattivo gusto del post moderno, sull’alto valore Universale dell’Arte ( la bellezza ), sul recupero come trasmissione di valori intramontabili, a rieducare ai valori civili e religiosi.

Riabilita quindi, il pubblico alla bellezza di un quadro artistico che nasce dalla cultura e non dal kitsch, nonché il lettore a fruire del messaggio poetico, al di là del gioco tecnico della Decostruzione.

Il Culturale oppone alla Decostruzione moderna ”la giusta valorizzazione” consapevole che il meccanismo con cui è costruito l’oggetto, non va espresso ma celato e superato dall’idea dell’oggetto.

Non è un’Arte metafisica, ma Rivoluzionaria, nel senso che si impegna a cambiare il sociale, con la forza sovvertiva di un Sapere e una Bellezza Universale (che trascende le categorie del tempo e dello Spazio) culturalmente dati.

L’arte è superiore alla vita e si impegna a modificarla: soprattutto a creare un burrone infinito tra barbarismi e buon gusto in tempi di inquietudine.

Cultura che non tradisce la Storia e liberi dalla ”schiavitù”, che non chiude ogni riferimento con il credente; che non imputridisca la luce, che non esiga la Verità.

Arte che escluda il caos di questo mondo tragico, imbrigliato in un ”vivere moderno” attraversato da mercificazioni e squallidi interessi che annullano quel meraviglioso viaggio infinito chiamato memoria e mortificano e divorano il cuore di questa sconosciuta Umanità

”…Un corridore correva dietro la sua ombra… Cercava la Verità…” (Paul Nougé).

Maria Teresa Liuzzo

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Fora do alcance dos corvos

Rita Odeh: Poema ‘Fora do alcance dos corvos’

Rita Odeh
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Deixe ao grasnido o seu ruído, não olhes para trás,
Pois tu és o orgulho e a águia do mundo.
​A asa foi feita para voar com majestade,
Acima das nuvens, sem um batimento de remorso.
​Sempre que o corvo vier até ti com o seu rancor,
Monta o céu, pois tu és uma águia luminosa e sonhadora.
​Voa para um reino onde ele não tenha fôlego,
E ele cairá, despencando na tua ascensão chocante.
​E se ele procurar debater contigo, sobe mais alto, não dês
Às lutas mesquinhas nenhum tempo decisivo.
​Nos cumes sublimes, o ar é puro,
E a sobrevivência pertence ao transcendente, não ao errante.

Nota: O corvo tenta bicar a cabeça da águia enquanto ambos voam. No entanto, a águia não discute; ela simplesmente sobe… atinge um nível onde o corvo não consegue respirar… e então ele cai.

Rita Odeh

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Rio de minha vida

Evani rocha: Poema ‘Rio de minha vida

Evani Rocha
Evani Rocha
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Tenho medo do rio, porque o vejo violento,
Caudaloso, cheio de cachoeiras e correntezas velozes…
Mas eu o admiro… pois é lindo, atraente,
E transborda vida.
Vida, em suas águas profundas e em suas margens arenosas.
Eu sei que há uma ponte…sei que posso atravessá-la, ou talvez,
Tentar atravessar a nado.
Porém, eu não sei nadar! E talvez não teria fôlego para tanto…
Porquanto, sei que se tentar atravessá-lo a nado,
Posso me afogar e, morrer.
Mas, se eu passar pela ponte, terei que bastar-me apenas à contemplá-lo de longe!

Eu vejo o rio, com suas águas borbulhantes e cristalinas,
Suas quedas d’água, suas pedras…
O rio é vida, portanto pode ser morte, quando excedemos nossos limites…
Quando extravasamos nossos ímpetos inconsequentes,
Quando somos insanos e deixamos nos guiar pelo ego!
O rio nos envolve e nos enlaça com suas águas em profusão,
Suas garras de águia, suas asas de falcão…

Eu sinto o rio, não o temo mais, porque venci a correnteza, pisei sobre as pedras e transpassei as profundezas…
Profundezas de mim, enquanto rio, enquanto águas turbulentas, por vezes, mansas e serenas.
Rio de minha vida, meus caminhos secos e poeirentos,
Enxurradas na tempestade…
Rio de minha estrada larga e transponível, jardim de margaridas e girassóis!
Rio dos meus últimos dias, águas banhadas de sol…
Águas turquesas, abissais, altivezas…
Eu, meu rio, minha ponte…
Eu, feita de pedras, quedas d’água
Borbulhas…
Margens…
Eu, grão de areia
Na vastidão do meu próprio rio!

Evani Rocha

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