Augusto DamasImagem criada pélo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a00ee3d-c374-83e9-a94c-616018f30801
O amor é muitas vezes descrito Por flores e lindas canções, Por inesperados presentes, Por gestos de carinho e devoção. É visto nos cuidados singelos, No apoio silencioso das horas difíceis, Na companhia afável que consola a alma, No abraço sincero que afasta os abismos. Há amores que cabem em palavras, Em versos, livros e declarações, Mas existe um sentimento tão profundo Que transcende todas as explicações. Um beijo de amizade verdadeira, Um olhar que acolhe sem julgar, Um sentimento que não precisa de voz, Pois apenas o coração consegue escutar. É um poema apenas sentido, Jamais plenamente escrito ou traduzido, Porque certas formas de amor Pertencem ao eterno e ao divino. Um amor que vive acima das dores, Das distâncias e das imperfeições humanas, Um amor que somente abaixo de Deus Habita a grandeza da alma humana. O amor de mãe.
Há mães que florescem como a primavera, Cultivando sonhos em cada pequeno avançar. Celebram conquistas que muitos ignoram Mas que para elas são motivos para florescer e cantar.
Há mães que chegam como o inverno, Em dias de frio, incertezas e temor. Com o coração apertado, Buscando redução da dor.
Há mães que vivem o outono, Folhas caem pelo chão. Caem a esperança, vem o desespero, Mas a coragem é uma virtude que nasce no coração.
Há mães que brilham como o verão, Luz intensa, calor e proteção. Aquecem caminhos, iluminam jornadas, Transbordam amor, entrega na caminhada.
Mães APAEANAS Todas as estações em um só viver: Nos dias difíceis, noites traiçoeiras, Buscam em Deus para as batalhas vencer.
Diamantino BártoloImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69fe78f7-2174-83e9-a677-0bd4550b0f70
Quem não se sente honrado, protegido, feliz e abençoado por ter a Mãe presente, sempre do seu lado, nas alegrias e nas tristezas, nos sucessos e nos fracassos, na saúde e na doença?
Quantas pessoas, em geral, e quantos filhos, em particular, suspiram pela sua Mãe, ou porque ela faleceu, ou porque teve de abandonar o lar, por razões que nem sempre serão da sua exclusiva responsabilidade? A Mãe, em toda a sua plenitude, é indispensável.
Quantas vezes, ao longo da vida, recorremos à nossa Mãe: para nos ajudar, material e/ou espiritualmente? Quantas vezes ela nos negou a sua ajuda? Quantas vezes nós nos interrogamos, profundamente ansiosos: Mãe, onde estás? Ajuda-me! Não me abandones, Mãe!
É muito difícil refletir-se e escrever-se sobre a Mãe, em geral; e sobre a nossa Mãe, em particular, sem que os sentimentos de amor, de saudade ou até de arrependimento, pelo que de errado tenhamos feito, contra a nossa Mãe, nos chamem à razão, nos alertem para a riqueza que temos, ou perdemos, ou ainda que maltratamos.
De facto, ter Mãe é a maior riqueza que se pode obter neste mundo, e quando a nossa Mãe se nos revela com todo o seu amor, sem limites, nem julgamentos e condenações prévios, nem exigências de nenhuma natureza e que, simultaneamente, nos defende, nos elogia, nos projeta para a vida e para a sociedade, então consideremo-nos as pessoas mais felizes e mais ricas do mundo, porque é impossível uma felicidade maior do que termos a nossa Mãe.
Reconhecendo-se como insubstituível as funções de Mãe, numa sociedade civilizada, defensora e praticante dos mais elementares valores do amor, da dignidade e da felicidade, é tempo de se engrandecer a Mulher, nesta sua dimensão ímpar, concedendo-lhe as condições necessárias para que ela tenha um papel mais ativo, e decisivo na formação das mulheres e dos homens que, num futuro próximo, nos vão governar, porque cada vez mais se faz sentir a necessidade de uma sociedade mais humana, mas justa e fraterna.
As Mães de todo o mundo transportam nos seus ventres e lançam para a luz do dia crianças que carecem, não só enquanto tais, mas durante toda a vida, dos valores e sentimentos que suas mães lhes podem e, certamente, transmitem. Nota-se muito bem uma criança que está sob a proteção e amor de sua mãe, daquela que não tem ou nunca teve essa bênção divina.
Venade/Caminha – Portugal, MAIO DE 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Valfredo, o gigolô’
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Valfredo José Gouveia da Mata e Silva, apesar de toda pompa do seu nome, herdara apenas um pequeno apartamento no subúrbio, que ficava bem em cima da antiga padaria da família. Poderia ter seguido os passos do pai e, literalmente, metido a mão na massa. No entanto, desde muito cedo percebeu que, do ofício do seu velho, gostava apenas de comer aquele pão bem quentinho com algumas fatias finas da mortadela especial. À moda da casa, conforme o enorme cartaz atrás do balcão.
Sem muito tutano pros estudos, mal terminou o ensino fundamental. Valfredo não conseguia entender o motivo pelo qual alguém pudesse passar a vida inteira entretido com raízes quadradas, esses e mais aqueles afluentes da margem esquerda do rio Amazonas, tantas orações subordinadas. Insubordinado que era, ele é que não iria perder seu precioso tempo com tantas informações inúteis.
Aos dezoito, caiu nas graças de uma jovem senhora. Não tão jovem assim, diga-se de passagem, ainda mais para um rapaz que mal havia trocado as fraldas pelo jeans libertador. Seja como for, o sacrifício valia a pena. Nada de acordar bem cedinho, nada de suar o suor dos paupérrimos trabalhadores. Tudo bem que Valfredo teria que cumprir suas obrigações de alcova quase diariamente, mas a flor da idade e os hormônios nas alturas lhe garantiriam muito fôlego para satisfazer todas as luxúrias daquelas carnes quase sem viço. Aliás, a velha tinha nome e sobrenome: Dolores Gonçalves de Magalhães, uma herdeira de verdade.
O tempo, no entanto, provou que até os casais arranjados possuem lá as suas agruras. De noites quase contínuas de amores febris, Dolores cada vez menos buscava os braços do seu quase gigolô. Ela ainda sentia arrepios toda vez que Valfredo a pegava por detrás e lhe tacava um ardente beijo no pescoço. Todavia, por recomendação do geriatra, a osteoporose estava muito avançada. Então, nada de movimentos bruscos.
Como existe um ditado ou algo que o valha que diz que, quando algo não está sendo preenchido, alguém irá se apoderar dessa lacuna, não tardou e Dolores se apaixonou novamente. Sim, isso mesmo! A velha ficou encantada quando uma amiga de longa data, a Rosa, lhe presenteou não com uma, mas com duas buldogues. Valfredo, que nunca tivera alergia a cachorro, passou a se coçar como se tivesse dormido com urtiga. No entanto, para não perder suas regalias, sempre demonstrava ter o maior afeto por Gigi e Lalá. Tanto é que sempre fazia questão de levá-las para passear pelos imensos jardins da mansão.
É verdade que, por duas ou três vezes, Valfredo tenha tentado dar fim naquelas cachorras. Mas logo percebeu que não havia nascido para atos de violência. Mesmo assim, a cada dia aumentava seu ódio pela Gigi e, especialmente, pela Lalá, que cismava em lhe lamber a cara todas as manhãs. Pois é, as duas dormiam na mesma cama que o casal. Se isso não bastasse, a cachorra ainda tinha o péssimo hábito de roncar e soltar flatos sem qualquer cerimônia.
Ainda bem que não há mal que dure para sempre. E isso aconteceu logo numa manhã chuvosa de domingo. Depois de quase 15 anos dormindo na mesma cama, Valfredo se arrepiou todo ao sentir o gélido corpo ao seu lado. Era Dolores. A velha foi embora sem nem mesmo dizer um tchauzinho. Ele ficou até triste, pois percebeu que já havia se acostumado com o cheiro de naftalina da quase amada.
O enterro foi no dia seguinte, com direito até à marcha fúnebre, como Dolores havia pedido. Quanto ao testamento, este foi lido quase um mês depois, quando todos os parentes, finalmente, puderam se reunir. Obviamente que Valfredo estava presente. Aliás, na primeira fila de cadeiras diante do advogado da família da defunta. Todos os herdeiros estavam ansiosos, todos desejosos do devido quinhão. Algumas poucas joias ficaram para a pequena Laís, sobrinha-neta favorita de Dolores; o faqueiro de prata foi herdado pela única irmã. E a mansão? E a mansão? E a mansão? Dolores estava atolada em dívidas, a mansão foi direto para as garras do banco.
Valfredo parecia o mais devastado pela falência da velha. Enquanto todos se levantavam para ir embora, eis que o advogado se vira para o agora viúvo e diz que ainda faltava revelar o último desejo da defunta. Ela queria que as buldogues ficassem com Valfredo, já que ele era a única pessoa na qual ela depositava plena confiança, haja vista o amor que ele sempre demonstrou possuir pelas duas. Sem forças nem coragem para declinar de tal desejo da falecida, Valfredo sorriu aquele sorriso amarelo e pegou as cachorras no colo.
Uma semana mais, Valfredo e as cachorras foram despejados da mansão. Sem lugar para onde ir, ele voltou para o pequeno apartamento que herdara. É óbvio que levou as buldogues. Não por compaixão, muito menos por amor. O ódio àquelas cachorras o consumia dia a dia, até que, certa manhã, ele acordou bem cedo e, decidido, resolver dar cabo das duas.
Já na rua, o homem desceu a ladeira puxando as cachorras pela guia. Sua mente maquiavélica pensava em vários planos para, finalmente, se ver livre daquelas pulguentas. Ora pensava em jogá-las no lixão, ora no rio que passava logo ali desfilando todo o esgoto do bairro. Foi em direção ao rio. O sorriso cínico nos lábios, pura satisfação ante algo tão desejado. Eis que, de repente, ele ouve uma voz desconhecida. Era a de uma jovem senhora em um luxuoso conversível. Não tão jovem assim, diga-se de passagem. Mas nada que um Valfredo, desesperado que estava, pudesse deixar escapar.
— Que mocinhas lindas! São suas?
— Ah, sim! São os amores da minha vida. Esta aqui é a Gigi. Já esta fofura aqui é a Lalá.
‘A espiritualidade: a ciência esquecida e sua tecnologia intrínseca’
Laskiaf AmorteguiImagem criada pela IA do Gemini
A espiritualidade não é um conceito abstrato de fé; é uma tecnologia intrínseca. O que comumente se chama ‘milagre’ é, na verdade, ciência aplicada sob uma lógica perfeita onde nada é deixado ao acaso. O ser humano é uma unidade onde o mundo visível e invisível se entrelaçam através de leis precisas que regem a nossa harmonia.
Esta arquitetura sustenta-se em leis estabelecidas, princípios que operam com rigor científico para permitir a expansão dentro e fora de cada ser. É fundamental compreender que cada uma destas leis possui a sua própria classificação e derivações técnicas como energia pura:
A lei do amor (com as suas classificações energéticas específicas).
A lei interior.
A lei espiritual (energia catalisadora que se expande inclusive nas plantas; não confundir com crença ou fé).
A lei da ordem.
A lei universal.
Através do tempo, simplesmente esquecemos. Não foi que o conhecimento desapareceu, mas sim que nós nos desconectamos da nossa própria engenharia. Ao esquecer, passamos a ver a espiritualidade como algo alheio à razão, quando na verdade é tecnologia pura.É hora de despertar a memória e reintegrar o manual: reconhecer que o ‘milagre’ é uma engenharia lógica e que a nossa energia é o software original que sempre regeu a matéria. Integrar este conhecimento é recuperar a nossa soberania e alcançar o equilíbrio total do ser.
A Poética das Fronteiras Invisíveis em “Todo o Resto é Poesia”
Israel Pinheiro
Existem livros que não apenas se leem, mas que se sentem com aquele “quentinho no coração”.
É assim que descrevo minha experiência com “Todo o Resto é Poesia” (Editora LiteraluX), o novo livro do pernambucano Israel Pinheiro da Silva.
Todo Resto é poesia
Aos 41 anos e em seu quarto livro, Israel nos presenteia com uma obra que é, ao mesmo tempo, um diário de viagem e um manifesto de descoberta mútua.
Inspirado por suas andanças pela Argentina, Israel divide a obra em duas partes fundamentais: Ida e Volta.
É um movimento pendular que celebra a fortuna de descobrir um novo país e, no processo, permitir-se ser descoberto por ele.
O autor utiliza o cotidiano de Buenos Aires como tela para versos que buscam o essencial.
O que mais impressiona em Israel é sua escolha pelo minimalismo.
Em tempos de excessos, ele opta pela economia: versos curtos, precisos, onde o silêncio entre as palavras carrega tanto significado quanto o que está escrito.
Outro recurso estilístico brilhante é o uso do portunhol. Longe de ser um erro, aqui ele surge como uma “língua de ponte”, um território comum construído para que leitores brasileiros e argentinos se encontrem em um abraço literário que ignora as fronteiras geográficas.
Como destaquei em minha resenha em vídeo para o canal @o.que.li, “Todo o Resto é Poesia” é um livro que te faz sorrir do início ao fim.
Ele escancara um amor sublime pela vida, pelas descobertas e pelo “outro”.
É uma leitura obrigatória para quem busca reconexão, consigo mesmo e com a beleza das pequenas coisas.