José Bembo Manuel“… aninho-me d’outros versos por não saber ser sem ti…” Imagem criada pela IA do Bing
cativo tô em flor cadente rosa de brilhantes triplos doma dor a ventos múltiplos e abismo proeminente sou teu, minha dona d’ente elixir d’eleito caixão meus olhares vão pr’o chão revendo parte vencida.
aninho-me d’outros versos por não saber ser sem ti 10arrumas-me e senti 10armaste-me meus berços tornaste-me disperso envolvido num lixão e meu corpo em comichão meu encanto suicida
Todo e qualquer executivo, já no exercício das suas funções, uma vez mais, com responsabilidades acrescidas para quem preside, na circunstância, o Presidente da Câmara Municipal deve, logo nas primeiras decisões, começar a honrar os compromissos que assumiu, quando tentava, durante a campanha eleitoral, influenciar as pessoas a votarem no seu programa, e na sua equipa.
Trata-se da mais elementar atitude de gratidão, que passará a determinar a maior ou menor credibilidade desse mesmo executivo. Se para os crentes, as promessas são para se cumprir, mesmo estando enfermos, para os políticos devem ter idêntico significado e postular atitude equivalente. Portanto, como outro ponto importante para se poder exercer um mandato justo, necessário se torna honrar os compromissos antes assumidos.
Ninguém duvida que, atualmente, um Presidente de Câmara Municipal tem imensos poderes, alguns recursos financeiros, técnicos e humanos, ao seu inteiro dispor, bem como um apoio institucional, previsivelmente, garantido. Ninguém desconhece que um Presidente de Câmara, com os poderes que detém pode ajudar, querendo: muitas pessoas carenciadas; pode orientar para os Serviços competentes muitas situações difíceis. Todas as pessoas esperarão que um Presidente de Câmara, exerça como que uma “magistratura de influência solidária,” junto das autoridades públicas e privadas, em favor dos mais necessitados.
Uma outra competência que se deseja no executivo municipal, cujos exemplos maiores e mais frequentes devem partir do Presidente da Câmara, prende-se com a gestão das pessoas que dele dependem ou que, por qualquer motivo, público, e/ou particular, com quem ele tem de se relacionar.
Outro tanto no que se refere aos próprios funcionários municipais, em relação aos quais: o Presidente deve mostrar-se totalmente isento, no que se refere à vida privada, das suas opões políticas, filosóficas e religiosas, exercendo uma administração correta e justa das capacidades de cada um; premiando aqueles que mais se destacam na credibilização das instituições ou órgãos municipais, pela competência, pelo estudo, pela lealdade, pela assiduidade e pontualidade. Neste contexto, regista-se com agrado, que de facto as boas-práticas se vêm impondo, com benefícios para todos os visados.
De entre a imensidão de competências legais, de iniciativas, de intervenções e de relacionamentos, que o executivo municipal dispõe, e utiliza no exercício das suas funções, naturalmente que o Presidente é sempre o responsável, por tudo quanto de bom, ou de menos bom, acontece no seu município. Na verdade, quando alguma infração é cometida por um funcionário, deverá instaurar-se o respetivo inquérito, do qual se retirarão as consequências polícias para o Presidente e as sanções disciplinares para o funcionário infrator, se a elas houver lugar.
Parte do êxito do executivo municipal, e do seu líder, decorre, também, da importância, respeito e dignidade que o Presidente da Câmara, e seus vereadores, manifestam aos membros das Juntas e Assembleias de Freguesia, bem como aos restantes órgãos da administração dos usos, costumes e tradições da freguesia.
A cooperação com as Juntas de Freguesia, considerar-se-á a “pedra filosofal”, que funcionará em benefício da comunidade e, nesse sentido, o Presidente da Câmara deve assumir os compromissos necessários, para a realização dos melhoramentos possíveis em cada freguesia, seja através de protocolos de delegação de competências, seja assumindo diretamente a efetivação de determinadas intervenções, todavia, sempre com a garantia absoluta de que tais compromissos e protocolos devem ser rigorosa e totalmente, cumpridos.
Sendo assim, a fórmula eficaz para o completo sucesso do Poder Local Democrático, assenta na parceria que, sem complexos, nem hierarquias, deve ser estabelecida entre a Câmara Municipal e as respetivas Juntas de Freguesia do Concelho.
Uma pareceria que pode produzir: bons resultados para as populações, na resolução de parte dos seus problemas, na satisfação das suas legítimas aspirações e desejos, na harmonia que sempre resulta de uma pareceria de lealdade, de amizade, que luta por objetivos comuns e, também pelo prestígio dos próprios dirigentes, na circunstância, parceiros do Poder Local.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Sergio DinizMirante Rio Tietê, no Parque das Monções– Porto Feliz/SP – Ao fundo, à direita, a antiga usina açucareira Crédito Fran Du – Flickr
Numa ensolarada manhã de domingo, o menino deitava seus olhos na curva que o rio Tietê faz, na proximidade da antiga Usina de Açúcar. Do alto, naquele espécie de mezanino onde, ao fundo, se encontra a imagem de Nossa Senhora de Lourdes e totalmente alheio ao barulho dos muitos visitantes da gruta, imaginava ver inúmeros batelões chegando ao porto, trazendo de volta os bravos bandeirantes, narrando fantásticas histórias de um Brasil ainda desconhecido.
Os batelões, no entanto, tardavam em despontar da curva, e o menino, acordado que foi do sonho por seus pais, teve de regressar para sua terra, uma Sorocaba de traços ainda tropeiros.
Os ponteiros do Tempo percorreram uma infinidade de cursos e numa outra manhã de domingo o menino, agora adolescente, voltou ao mesmo ponto, esperando descortinar daquela curva, finalmente, os batelões da infância. Os batelões que, infelizmente, o mesmo Tempo havia levado para as Águas da Eternidade.
E o Tempo continuou sua eterna marcha, e esculpindo a forma daquele adolescente, o fez um homem que, imerso na realidade sabia, com o coração sangrando, que seus batelões foram abandonados à margem da Curva da Vida. E, por muito tempo, aquela curva de rio, os batelões e a própria gruta permaneceram apenas na memória daquele homem.
Mas, aqueles troncos esculpidos, feitos embarcações, não o foram para águas rasas ou portos abandonados. Aquelas árvores não foram tombadas para fazer do chão o seu túmulo. Sua seiva, feito o sangue dos bravos bandeirantes, continuava fluindo pelas veias e artérias da História. Assim sentia em sua alma o homem que ainda trazia dentro de si o menino sonhador.
Desta Terra das Monções, da qual a Vida já levara seu pai, seus parentes e amigos de outrora, em diáfanos batelões para os Rios da Eternidade, ainda restara, porém, o misterioso Código Genético da Terra que, feito sutil e inflexível cordel, entrelaçou um novo e dourado tecido, com as vibrantes cores da amizade e da cooperação.
Naquelas manhãs de domingo, nem o menino e nem o adolescente descortinaram os batelões, mas o chamado do sangue, o apelo da História retumbou entre as duas terras e estas se fizeram uma. E um Filho de Bandeirante, nascido em outras terras, ancorou, feliz, no Porto das Monções. E, a partir de hoje, deste Porto é mais um bandeirante. E, desta terra, um filho, também!
Por meio do Decreto Legislativo n.º 391, de 25/08/2015, de autoria do ilustríssimo Vereador José Luis Ribeiro de Almeida, no dia 07/10/2015, na Abertura Oficial da 60.ª Semana das Monções, o cronista recebeu o título de Cidadão Porto-Felicence.
* Crônica publicada originariamente na Revista Bemporto, edição de outubro de 2015.
Mude o seu referencial – A lição que Sheldon Cooper e meu avô me deram sobre a dor
Guilherme Machado The Big Band Theory – https://www.flickr.com/photos/mysticsoul/6958430091
“Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.” Eclesiastes 11:4
Há três anos, a data que marcava duas décadas sem meu avô mergulhou-me num oceano de memórias. A pandemia, com seu silêncio forçado, amplificou a dor. Foi preciso a insistência de amigos para eu buscar ajuda terapêutica.
Nesse processo, entendi algo crucial: eu carregava uma mentalidade de escassez como fortaleza. Vinda de uma família onde o trabalho duro foi a moeda de todas as conquistas, eu inconscientemente acreditava que minha vida não poderia ser “fácil” ou confortável. Para equilibrar a balança da perda, eu me agarrava à ideia de que o conforto material tinha um preço alto demais: a ausência de quem eu mais amava. A terapia me mostrou que aquela fortaleza era, na verdade, uma cela.
Uma conversa com uma amiga que perdeu a mãe na pandemia iluminou um vértice dessa dor. Ela não teve velório, nem enterro. E, em sua percepção, a falta do ritual a poupou de “cutucar a ferida”. Fiquei pensando no poder dos rituais para fechar ciclos. E essa reflexão me levou direto a uma das lições mais profundas que a televisão já me deu, escondida num episódio de The Big Bang Theory.
No ápice da série, os gênios Sheldon e Amy têm a obra de suas vidas — a “Teoria da Super Assimetria” e sua chance ao Nobel — completamente desmontada por um artigo acadêmico russo. A reação de Sheldon não é simples decepção; é luto em seu estado mais puro.
Ele passa pela negação e raiva (quebra um quadro, grita), pela depressão e paralisia (veste um pijama e afunda no sofá) e por uma crise de identidade radical (“Sobre o que mais estou enganado na vida?”, pergunta, enquanto prova um alimento que sempre odiou). Seus amigos tentam ajudar com conselhos de autoajuda (“é só uma derrota temporária”), mas a dor é profunda demais para esses placebos. O casal precisa de algo mais.
A sabedoria vem da mãe do amigo Leonard, uma psiquiatra, que diagnostica: “Pelo jeito ele pode estar de luto. Esse estado pode ser obtido por qualquer perda emocional”. Ela prescreve um ritual. Assim, os amigos organizam um “funeral” para a teoria falecida. Num momento de catarse, diante das folhas queimando numa banheira, Sheldon finalmente verbaliza a dor: “Ela descrevia um universo de uma forma nova e bela… Queria que fosse o universo em que vivemos”. Aquele ato simbólico de despedida foi a chave.
Mas a verdadeira reviravolta vem depois. Amy encontra uma fita antiga com um discurso do pai de Sheldon, um treinador de futebol americano, dirigindo-se ao seu time no intervalo, sendo humilhado no placar. Ele diz: “Se perdermos, precisam saber que isso não nos torna perdedores. Descobrimos quem somos e do que somos feitos, tanto com as derrotas quanto com o sucesso. Talvez até mais.”
Ao assistir, Sheldon tem um insight que redefine tudo. Ele sempre viu sua vida como o oposto da do pai (a genialidade da física versus o mundo esportivo comum). Agora, ele enxerga o paralelo: ambos enfrentaram reveses monumentais. A mesma metáfora do “jogo” que ele havia desdenhado antes, agora faz sentido total. Mais que isso, essa nova perspectiva — esse novo referencial — revela a solução científica: seu artigo russo rival não estava errado; eles apenas viam o problema de um ângulo diferente. A teoria não estava morta; estava incompleta.
Eis a lição universal que levo dali:
O luto vai além da morte. É a perda de um sonho, de um projeto, de uma versão de nós mesmos ou do futuro que imaginávamos. É legítimo.
Os rituais curam. Seja um funeral, uma carta queimada ou um café de despedida, dar concretude ao fim é um passo necessário para recomeçar.
As respostas geralmente já estão conosco. A sabedoria que Sheldon precisava não veio de um novo conceito, mas de uma memória esquecida da própria história. Precisamos, muitas vezes, de ajuda (de amigos, de terapia) para encontrar e reinterpretar essas ‘fitas antigas’.
Mudar o referencial transforma a realidade. Nós não podemos mudar o fato (a perda, o fracasso). Mas podemos mudar radicalmente o ponto de vista sobre ele. De ‘este é o fim’ para ‘este é um revés como outros que superei’. Essa mudança de perspectiva não é um pensamento mágico; é uma ferramenta cognitiva poderosa.
Machado de Assis já dizia que há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos, e outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas. O luto é a jornada dolorosa e íntima de aprender a ver as rosas novamente. É um processo, não um estado permanente.
Permita-se os rituais de despedida. Aceite a ajuda para encontrar suas próprias “fitas esquecidas”. E, principalmente, dê a si mesmo a permissão para mudar o referencial. Às vezes, a única coisa entre a paralisia e a solução é um novo ponto de vista — um novo ângulo a partir do qual a mesma história triste pode revelar um caminho adiante.
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” — Mateus 7:7