À vossa atenção!

Mateus Pinto: Crônica ‘À vossa atenção!’

Mateus Pinto - Hánji Kiami
Hánji Kiami
OndJaki
Ondjaki
Capa do livro 'Os da minha rua'

– O que estás para aí a dizer? – vociferou o Editor-Chefe, interrompendo-me a palavra. Foram duas as vezes que perguntou ao telefone com quem lidavam. Andava às voltas com uma das mãos ao rosto, enquanto adiava o meu discurso com questões.

Dava para perceber que, de paciência, o homem não chegava nem aos pés do próprio escritor.

Os retratos afixados na vitrine do gabinete, entre elas fotos de José Paciência, Victor Evaristo, Haires Fernando e outros nomes da nova geração, possíveis pistas espalhadas sobre a  mesa e um ar irritado era um pouco de tudo que se exibia, enquanto aguardava até mesmo o silêncio calar ao sinal do cigarro murcho entre os dedos.

O certeiro seria o caso estar nas mãos do Círculo de Estudos Literários encabeçado pelo atual Presidente Hélder Simbad ou órgão similar, cogitava, mas por ser uma situação sensível, decidiu-se tratar à portas fechadas. Ninguém, além do Editor-Chefe sabia sobre o ocorrido até por um pequeno deslize meu, ter sido achado no dia da venda do livro de José Paciência, porém sem o que lhes mordia o ser: possíveis provas de que em (Des)contos Em Poesias há uma provocação a uma possível parte dois de Os da minha Rua de Ondjaki.

Como aos leitores esse era um assunto que não monologava, e-mails  após e-mails eram enfilados no correio do escritor que há muito não se apresentava aos sedentos, nem mesmo para saudar.

Por consequência do ocorrido, decidiu revisar tal obra ao som dos que tinham voz também, para ver de perto o que lhe tinha escapado na memória quando as sentenciou, mas nada achava, pelo contrário um punhado de riso ao reler O voo do Jika e outros mais. Sendo assim, remeteu uma mensagem ao Editor-Chefe sem omitir um detalhe sequer, e esse, por sua vez, com medo de que tivesse sido o sujeito dessa acção, começou a caçada sem mesmo perceber o que realmente lhe escreveu Ondjaki.

E como resultado da falta de paciência do homem, aí estava eu, Hánji Kiami, nas tentativas falhadas, a justificar a razão de levar os leitores a pedirem uma segunda edição de Os da minha Rua ou qualquer coisa de Ondjaki para, ao menos, no seio dos leitores ter paz de espírito literário.

À propósito, já leu OS DA MINHA RUA?

Hánji Kiami

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Zé Franco lança o livro Tradutor de Silêncios

O lançamento ocorrerá no dia 6 de setembro, às 10h do Brasil, 14h de Angola e 15h de Moçambique, em mais de oito das maiores livrarias do Brasil e no saite da Editora Filos

Capa do livro 'Tradutor de Silêncios', de Zé Franco - Editora Filos
Capa do livro ‘Tradutor de Silêncios’, de Zé Franco – Editora Filos
Card do lançamento do livro 'Tradutor de Silêncios, de Zé Franco, pela Editora Filos
Card do lançamento do livro ‘Tradutor de Silêncios, de Zé Franco, pela Editora Filos

No dia 6 de setembro (sexta-feira), às 10h do Brasil, 14h de Angola e 15h de Moçambique, o escritor e poeta Zé Franco (José Manuel Francisco Franco) lançará o livro de poemas Tradutor de Silêncios, pela Editora Filos e com prefácio do professor José Manuel Oliveira Ribeiro, poeta e professor pela Escola Superior Artística do Porto – Portugal.

O lançamento se dará em mais de oito das maiores livrarias do Brasil para o mundo e pelo saite da Editora Filos, na ‘Área do Autor’. O livro contará com pré-venda até o dia 5 de setembro, pelos indicativos do card ao lado.

Sobre o processo de produção da obra, Zé Franco anota que “foram-se uns anos desde a sua edição com o selo Editorial da Filos, no Brasil, e conta com o prefácio escrito pelo professor Oliveira Ribeiro, do Porto, Portugal, a quem não morre em mim a gratidão. Sou rico de pobreza sobre falar sobre a obra, e sintam-se livres ao meu juízo por isso, é que me posso sentir ante ela também. Arriscara-me um pouco que há nela, e tal qual o prefácio, espero que não roubem de vós a liberdade de viver, sentir, ler, ouvir… entrelinhas das estâncias que trazem as traduções dos silêncios que numa liberdade pude viver, sentir, ler, tecer, ouvir…, ora na solidão só, ora na solidão entre um mundo no qual me envolvera com a minha alma. O mundo pode resumi-la em 5, 4, 3, 2 ou em 1 poema apenas, todavia, se apenas um único verso encontrar com madrugada às noites noites (sim, duas vezes) de um (a) amigo (a) leitor (a) e viver o que o (a) edifique, eu estou vivo, e é madrugada e se não, de igual modo, há vidas depois do entardecer”.

Em relação ao prefácio do poeta e professor Oliveira Ribeiro, Zé Franco destaca: “O poeta, na sua candidez sensível, evoca todos os sóis e almas suspirantes, até a frieza sombria, tumular, da tristeza, num convite solene a usufruir da prata lunar e da luz que emerge da sua alma em suspiros de cânticos africanos, saídos do peito que versa, sublime, em ideais alimentados por savanas livres e seus orquestrados sons paradisíacos…; tem poesia, o corpo texturado de rendilhadas palavras tecidas pelo autor, em sintonia consigo próprio, sendo ainda consideradas, nesta apresentação, envoltos silêncios sagrados que só uma pura declamação intensa, oculta, manuseia os sinais misteriosos da vida que a morte espreita como numa trama carmática em busca de devaneios.”

Sinopse

Tradutor de Silêncios é uma obra inspirada na vida e nos tempos que ela oferece e pôde oferecer às lentes e ou aos ouvidos do eu lírico à vida. Às vezes recriada, os poemas são escritos numa linguagem actual e apresentando abordagens que rementem à reflexão sobre a vida e todas as suas circunstâncias, independentemente do tempo de sua vida (passado, presente, o que se busca ao futuro e não só); e embora nem todas tenham tido vozes, foram traduzidas pelo poeta a partir do seu interior. Parte dos poemas nascem ou são inspirados no encontro do poeta com a natureza que lhe envolvera e, nela, todas as suas vidas às quais encontrou-se um tradutor.

Numa simbologia e seus sentidos, ‘Tradutor de Silêncios’ é como um barco sobre o mar (vidas) em tempos de luar e em tempos de sol; em tempos tempestuosos e em tempos de calmarias; em tempos de nuvens neves, em tempos de nuvens noites e em tempos dum céu que se encontra nu delas, que carrega no seu interior vidas (poemas), e as vidas jamais embarcam para seguir só numa viagem; ainda que vedadas das malas aos olhos de ver, têm o seu interior, têm a sua memória para o abrigo e porte de vidas (um ontem, um hoje, um amanhã e um tempo que somente vivem sem saber qual é, uma esperança ou devaneios) com que anseiam partir e assim partem.

Cada vida carrega uma ou várias vidas (nostalgias, devaneios, esperanças, sonhos, sorrisos – costurados e rasgados –, mensagens para um mundo, avante(s) e basta(s) numa terra, uma exaltação, amoráveis e seus desejos, gritos de paz, justiça, igualdade e liberdades, um sorriso por paz e alegres; lágrimas por guerras e vinganças; encontros e desencontros, aventuras e quimeras) ao porto (alma, vida) que no seu colo abraçar a sua âncora, cedendo-lhe um atracar à camaradagem e testemunhos de vidas em cada uma de suas vidas (poemas) que abarca.

Serviço

Autor: Zé Franco

Editora: ‎ Filos Livraria

Número de páginas: ‎ 118

Dimensões: ‎ 15 x 15 x 21 cm

ISBN-10: ‎ 6553910421

ISBN-13: ‎ 978-6553910423

Idade de leitura: ‎ 14 anos e acima

Preço e onde encontrar: Vide card acima

Sobre o autor

Zé Franco

Zé Franco, W’Áfrika, José Manuel Francisco Franco, é professor pelo Instituto de Ciências Religiosas de Angola, ICRA – Malanje, na altura, actual Magistério João Paulo II; escritor, poeta, trovador, haikaísta angolano, natural de Malanje. É reconhecido no Brasil e internacionalmente com prêmios, títulos honoríficos e menção honrosa no Prêmio Internacional Pena de Ouro pelo seu poema ‘Uma terra que meu avô sonhou’.

Entre outras, representante e membro das entidades: Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA, Brasil; Academia Brasileira Camaquiana – ABC, Brasil; Academia de Letras, Ciências e Artes de Ponte Nova – ALEPON, Brasil e Portugal. Tem várias participações em coletâneas internacionais. Tem textos publicados em revistas e jornais, sublinhando o Jornal Cultural ROL e na Revista casa de Escritores, nos quais é colunistas. Teve e tem ainda poemas recitados nas emissoras internacionais, em Portugal e no Brasil.

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Sobre o nó do laço

Evani Rocha: Poema ‘Sobre o nó do laço’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pela IA do Bing
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Sobre o nó do laço
Um último abraço
De uma vida inteira,
Jazem as sépalas murchas
De uma rosa branca
Colhida em janeiro

Repousam as pontas
Quase desatadas
Amarrotadas e frias,
Sob o abandono
Do vago jazigo

Sobre o nó do laço
um gemido abafado
Jazem as brancas pétalas
Na frieza da pedra
Quase decompostas

E no vento revolto
Uma palavra solta
Busca por respostas
Nunca indagadas
Sobre o desenlace

Sobre o nó do laço
O gelado pranto
Jazem as palavras
E dos laços, as pontas,
Cairão as gotas
E as pétalas brancas.

Evani Rocha

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Garças brancas

Ceiça Rocha Cruz: ‘Garças brancas’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
Imagem criada pela IA do Bing
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Cai a tarde,
abrem-se as veredas do entardecer,
névoa nos ombros da montanha,
a solidão perpetua,
brancas nuvens contemplam
as encostas.

Sob o vento,
garças encantam no seus revoos,
aplainam no tempo,
e ao murmúrio das ondas do mar,
alçam o voo inefável da poesia,
da canção,
e do amor.

No fim do dia,
pelos corredores cor de laranja
do crepúsculo,
no deserto da solidão,
adejam estrada afora
em nevoeiro.

E numa tarde solitária
sob a luz da janela aberta
do suave arrebol,
a noite sobre a terra,
desenrola seu negro véu.

Misteriosas, em sinal de paz,
voejam sorridentes,
entremeiam caminhos,
buscam um luar na noite escura.
As garças brancas

Ceiça Rocha Cruz

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Projeto ‘Amigo Leitor’ promove Exposição na EMEF Coronel Esmédio

A EMEF Coronel Esmédio realizou uma inspiradora exposição intitulada ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

A EMEF Coronel Esmedio realizou uma inspiradora exposição intitulada ‘Canto e Verso ao Entardecer‘, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor‘. Durante o evento, os trabalhos desenvolvidos pelos alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental foram expostos, revelando o resultado de semanas de dedicação e criatividade.

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

O projeto envolveu a leitura de livros literários, seguida pela produção de desenhos, resumos, maquetes e pelo preenchimento de suplementos de leitura com informações sobre as obras lidas. Cada trabalho refletiu a interpretação única e o envolvimento dos alunos com as histórias, demonstrando o quanto a leitura pode ser um portal para o conhecimento e a imaginação.

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

A comunidade escolar foi calorosamente convidada a prestigiar essa amostra, que é o fruto do esforço conjunto de professoras e alunos. A exposição, realizada com muito carinho, ofereceu aos visitantes uma tarde de reflexão e celebração da leitura e do aprendizado.

Outras fotos

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

Exposição  'Canto e Verso ao Entardecer', como parte do Projeto 'Amigo Leitor', da EMEF Coronel Esmédio
Exposição ‘Canto e Verso ao Entardecer’, como parte do Projeto ‘Amigo Leitor’, da EMEF Coronel Esmédio

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Que dia começamos a nos tornar neuróticos?

Lina Veira: ‘Que dia começamos a nos tornar neuróticos?’

Lina Veira
Lina Veira
"Que dia começamos a nos tornar neuróticos?"
“Que dia começamos a nos tornar neuróticos?”
Imagem criada pela IA do Bing

“Que dia começamos a nos tornar neuróticos?”, eu pensei. Olha ao seu redor, como as pessoas estão? O seu olhar…. comportamentos, atitudes com o outro… Estão doentes. Não precisa ser médico para perceber isso, basta ter sensibilidade. Observar detalhes. Sim, pois o ser neurótico não vem de repente como uma barata voadora e pousa na gente. Começamos a nos tornar neuróticos aos poucos. E não combina com a desculpa de trabalho, da família, da escola, do casamento, da cultura, do país, do governo, disso e daquilo. Nós somos frutos das escolhas que fazemos!

Podemos escolher ser graça ou desgraça na vida de alguém, na nossa vida… Somos nós a cultura de nossa vida! E é preciso ter uma autorresponsabilidade de tudo a nossa volta. Em algum momento fomos crianças tranquilas e inocentes? Fomos. Tínhamos paz e felicidade absoluta, que bom. Sem estarmos envolvidos com tanta tecnologia suicida que nos consome e adoece. Mas ao longo dos anos estamos optando por perder isso. É mais fácil clicar, não levantar, não fazer… excluir sem conversar… viver sozinho.

Será? Bem-vindo ao laboratório humanoide! Pois é, não tenho dúvida de que a ciência, já de quinhentos anos em nossas vidas, tenha acelerado esse processo maquinário e neurótico. E olha que não estamos no topo do mundo em tecnologias, mas hoje o Brasil é o país número um de pessoas com transtornos mentais. Isso é preocupante para nossos filhos e o futuro. Com o avanço da ciência, passamos a organizar um novo comportamento e olhar – mas perdemos a sensibilidade, embora percebendo que somos mais frágeis e instáveis do que as máquinas. E sem sensibilidade geramos um desconforto desconhecido de querer entender tudo e de nos aproximar da perfeição a qualquer custo. Paraaaa!

Nenhuma máquina vai substituir uma acolhida, uma palavra de conforto, um encontro e sorriso nas horas angustiantes de sua vida. Nenhuma máquina vai lhe dar o abraço que suaviza toda dor. Preencher o vazio do seu coração, ou fazê-lo sorrir quando tudo parecer desabar a sua frente. E sabem por quê? Porque nenhuma máquina ou tecnologia até agora foi programada para o AMOR, ou descobriu a melhor aplicação do verbo amar. Somos nós, os únicos e exclusivos prontos para isso – para o outro, para o amor!

Lina Veira

19 de agosto de 2024

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Cibernético

Pietro Costa: Poema ‘Cibernético’

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem gerada com a IA do Bing ∙ 19 de agosto de 2024 às 8:45 PM
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19 de agosto de 2024 às 8:45 PM

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