Ella DominiciImagem criada pela IA do Bing – 08 de maio de 2026, às 9h15
A carne não é triste; é translúcida demais. Leu-se o mundo até que as páginas perderam peso e restou apenas o brilho nu entre uma palavra e outra, como se o sentido tivesse migrado para o intervalo. Algo chama — não o mar visível, mas o rumor que antecede a onda, a vibração que percorre o vidro antes da fratura.
Há um cristal no centro do peito: não é pedra, é memória suspensa, luz coagida em forma. Quando a brisa o atravessa, não sopra — fende. E os fragmentos não caem; flutuam, cada estilhaço guardando um rosto incompleto, um gesto repetido, uma infância que ainda não terminou de acordar.
Não se foge da transparência; ela persegue. O navio é interno, feito de nervuras frágeis, e suas velas são silêncios estendidos sobre o abismo. Parte-se sem mover-se. O cristal, perplexo, não sabe se é ferida ou revelação. Mas quando a luz insiste — branca, impiedosa — compreende que não é o golpe que o quebra, e sim o excesso de claridade.
Então canta. Não som: refração. E no canto invisível do vidro algo se recompõe sem retornar ao que era. O mar não aparece; apenas pulsa dentro da transparência. E o coração, entre um estilhaço e outro, aprende a permanecer.
És minha Mãe Terra, doce e fértil Dos teus rios eu bebo, fonte linda e pura És a cura, o meu alento no momento de amargura, tens alma, oh minha Mãe! O teu sol é o meu guia, que minhas noites ilumina, me beijas quando mais preciso do teu calor, meu coração ardente sente o teu amor, és meu lar, oh minha Mãe!, onde cresci e volto quando tenho frio, Tua terra vermelha não marca, tritura os joelhos Com o som do kissanje eu danço, abano o esqueleto, com os panos feitos à mão, descalça Corro pra teus braços. Te amo, oh minha Mãe!
A Magnitude de um Imortal que traduz o Mundo em Palavras
J.H.Martins
No universo das letras, existem trajetórias que se constroem por décadas no silêncio da alma até explodirem em uma produtividade fenomenal.
J.H. Martins (José Henriques Martins) é a personificação dessa força.
Carioca, com cidadania Portuguesa, casado com a colunista que voz escreve.
Tem 3 filhos: Myriam, Raphael e Hannah, e dois netos incríveis Mariah e Miguel.
Presidente e membro fundador da Academia de Letras de Indaiatuba (ALI), ocupante da Cadeira nº 1, tendo como Patrono Machado de Assis.
Membro vital do Conselho Editorial do Jornal ROL, Martins não apenas ocupa espaços; ele os transforma.
Em apenas quatro anos de carreira editorial, consolidou um legado que o coloca como uma das figuras mais premiadas e essenciais da literatura contemporânea.
O Pilar do Jornal ROL e a Visão Tecnológica
Antes de mergulharmos em sua vasta bibliografia, é preciso destacar o papel de J.H. Martins nos bastidores da cultura.
Além de sua sensibilidade literária, ele exerce uma função estratégica como Editor Setorial de TI, unindo sua expertise de Engenheiro de Software à comunicação jornalística.
No Conselho Editorial do ROL, sua voz ajuda a nortear os rumos deste veículo que há 31 anos é baluarte das artes no Brasil.
Sua atuação é a síntese perfeita do homem renascentista: aquele que domina a ciência exata e a arte profunda.
Uma Bibliografia de Impacto: A Jornada de um Autor Prolífico
A produção de J.H. Martins é um mosaico de experiências vividas em três continentes.
Abaixo, percorremos sua bibliografia solo, onde cada obra é um capítulo de sua própria metamorfose:
Nath: A Jornada do Despertar (Vol. 1): O marco inicial de sua carreira pública em 2022. *
Fragmentos, Pedaços de mim: Poesia, pensamento, desabafo, amor, esperança e tudo o que há em um coração cheio de sentimentos.
Poemas de Mim Mesmo: Um mergulho introspectivo e revelador.
P.E.R.D.O.A.R. O Caminho para a Evolução Espiritual: Um guia leve e inspirador sobre evolução espiritual, autoconhecimento e transformação pessoal.
CNV. Comunicação não violenta: Um guia prático de Comunicação Não Violenta que ensina a expressar-se com empatia, escutar com clareza e transformar conflitos em diálogos construtivos.
Emergência. Onde o tempo não passa (Baseado em Fatos Reais): Onde o realismo e a urgência da vida se encontram.
Aspergir Versos: Sua voz lírica em forma de poesia
O que li este ano: Planner literário para auxiliar a organizar leituras e opiniões sobre leituras.
Leve, Livre e Solta. A sensualidade em poesia e prosa: Uma celebração da sensualidade madura, unindo poesia e prosa para exaltar o desejo, o respeito e a liberdade após os cinquenta.
Libélula da Esperança: A sensibilidade que acolhe o leitor em momentos de reflexão.
Névoa Fatal: O thriller psicológico que o consagrou como Best Seller e mestre do suspense.
Prompt – A Arte de Pensar para a IA: Sua obra mais vanguardista, onde apresenta o inovador método PODCE, unindo tecnologia e escrita.
Também tendo participações em importantes antologias e coletâneas, sendo 20 obras até o momento.
A Consagração Internacional e o Legado de um Imortal
O reconhecimento de J.H. Martins é um fenômeno sem fronteiras.
Sua atuação em instituições como a NALAP (Portugal), a AILB (EUA) e como Chanceler Honorário no Reino Unido reflete seu papel como embaixador da cultura.
As honrarias, como o Prix Parisien de Littérature e a Comenda Nelson Rodrigues, são apenas reflexos de uma vida dedicada à excelência.
Escrever sobre ele é falar de um homem que, ao lado desta colunista que vos escreve, constrói uma parceria de vida e arte há dez anos.
Ver sua obra ser estudada e premiada é a confirmação de que a literatura brasileira encontrou em J.H.Martins um de seus mais competentes operários.
O contexto geral deste livro se passa na Zona Norte de São Paulo, onde a protagonista Nath mora e estuda.
Ela é uma adolescente que está prestes a ingressar no primeiro ano do ensino médio.
E tem somente uma coisa em mente: encontrar o primeiro amor e dar o primeiro beijo.
Já no primeiro dia de aula, entre abraços e boas vindas dos colegas e amigas, ela conhece dois novos alunos, Greg e Lucas, que mudarão seu destino e a fará entender muito sobre si mesma.
No primeiro momento Nath se encanta por Lucas, o moreno skatista e pelo encanto de Greg, o loiro mais cobiçado da escola.
Acontece o primeiro beijo e ela tem um namorado. Está em êxtase! Chama suas amigas nas redes sociais como de costume para desabafar e pedir conselhos.
Por que apesar de estar feliz com seu namorado, não consegue parar de pensar nos sentimentos que o outro faz ela ter.
Nath é uma adolescente espiritualizada e acaba tendo sonhos estranhos e encontros astrais com seres de outra dimensão que será de suma importância no decorrer da estória.
Larissa, uma colega de Nath na escola, passa ser a sua arquirrival, após ela descobrir que sua colega mexe com o coração de seu namorado.
Muitas coisas estranhas acontecem com Nath, Lucas e Greg. Acontecimentos graves se dão, envolvendo esses personagens. Muitas emoções envolvem esse livro.
O livro é o primeiro da trilogia Nath, que traz uma mensagem de amor, espiritualidade, resiliência e empatia.
Um romance adolescente, com uma pegada, cômica, policial, dramática e esotérica.
Um livro que vai te prender, tenha você 13 ou 130 anos.
Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube
Fragmentos – Pedaços de Mim
Sinopse
Fragmentos
Poesia, pensamento, desabafo, amor, esperança e tudo o que há em um coração cheio de sentimentos.
Fragmentos é assim.
A essência de uma alma cheia de virtudes e defeitos como todas, mas com a pura vontade de ser feliz.
Fragmentos é ele, nu de preconceitos e medos.
É ele, atento ao mundo, e mostrando a que veio.
Fragmentos são pedaços dele, que se somam ao mundo para fazer a humanidade mais feliz.
É uma obra escrita através de Poema, Poetrix e Aldravia.
Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube
Poemas de mim mesmo
Sinopse
Em um mundo conturbado, cheio de muitas inconsistências , um sopro de alívio em forma de poemas, pode nos encher de animo e esperança.
Aplaque as dores, reforce sua esperança e entenda que, à vezes, a única forma de descansar é se refugiar em um cantinho, ler uma bela poesia e se deixar levar nas asas da imaginação.
Viaje nestes versos e descanse sua alma.
P.E.R.D.O.A.R – O Caminho para a Evolução Espiritual
Sinopse
P.E.R.D.O.A.R. em síntese, é um caminho na busca da evolução espiritual e a elevação da consciência humana.
A transformação para se tornar um ser humano melhor através de um processo contínuo de crescimento pessoal e desenvolvimento visando melhorar aspectos da sua personalidade, comportamento e valores para se transformar em uma pessoa mais compassiva, ética, responsável e realizada.
P.E.R.D.O.A.R. apresenta as oito áreas a serem consideradas durante esse processo de evolução espiritual.
Lembre-se de que essa transformação é um processo único e pessoal, e não há um caminho único que funcione para todos.
É importante acomodar essas áreas às suas próprias circunstâncias e objetivos pessoais.
A jornada de autoconhecimento pode ser desafiadora, mas também pode ser incrivelmente gratificante à medida que você se torna uma versão mais autêntica e melhorada de si mesmo.
Diferente de tudo que você já leu, J.H.Martins nos proporciona uma busca maravilhosa e delicada no caminho da espiritualidade.
Um livro leve, simples e muito inspirador.
CNV- Guia Rápido sobre Comunicção não Violenta
Sinopse
Em um mundo cada vez mais marcado por julgamentos e reações impulsivas, J.H. Martins apresenta o Guia Rápido para a Comunicação Não Violenta, uma introdução prática e objetiva à arte de comunicar-se com empatia e clareza.
Inspirado nos princípios da CNV, desenvolvida por Marshall Rosenberg, este guia mostra que é possível transformar a maneira como nos expressamos e ouvimos, abrindo espaço para diálogos mais significativos e conexões verdadeiras.
Com uma abordagem direta, o livro oferece ferramentas simples para lidar com conflitos do dia a dia, abordando tópicos como a distinção entre observação e julgamento, a prática da escuta empática e a importância de expressar sentimentos e necessidades de forma clara e sem acusações.
Ideal para quem busca melhorar a comunicação em ambientes pessoais, familiares ou profissionais, este guia apresenta exemplos práticos e dicas para aplicar a CNV com facilidade.
Este é um convite para pausar, refletir e escolher conscientemente palavras e ações que fortalecem vínculos e evitam desgastes emocionais.
Seja para mediar conflitos ou melhorar relacionamentos, o Guia Rápido para a Comunicação Não Violenta é uma leitura essencial para quem deseja promover a empatia e construir um mundo mais colaborativo.
Emergencia- Onde o tempo não passa
Sinopse
Esta é uma história baseada em fatos reais. “EMERGÊNCIA: Onde o Tempo Não Passa” acompanha a jornada de Mauro, que, após uma cirurgia de tireoidectomia total, é internado na emergência com complicações severas de hipocalcemia.
Preso a drenos, monitores e exames invasivos, ele encara o caos e a solidão desse ambiente, onde o tempo parece não passar e cada minuto se arrasta como uma eternidade.
Entre pacientes que chegam e partem, gritos de dor, e momentos de silêncio sufocante, Mauro não luta apenas para recuperar seu corpo, mas também para preservar sua sanidade emocional.
O amor e a presença constante de sua esposa, Isabel, tornam-se a âncora emocional que o mantém firme diante da incerteza e do desespero.
Durante essas longas horas, ele reflete sobre a fragilidade da vida e o quanto a fé e a esperança podem ser essenciais em momentos de crise.
Esta é uma história comovente e intensa, que nos faz questionar como pequenos gestos de amor e resistência silenciosa podem nos levar além do sofrimento.
No limite entre a espera e a recuperação, Mauro descobre que, mesmo quando o tempo não passa, o amor nos conduz para frente.
Aspergir Versos
Sinopse
Aspergir Versos é um convite a quem busca nas palavras o bálsamo das emoções sublimes.
Neste livro, cada poema emerge como uma gota de luz, borrifada sobre a alma com a suavidade do amor, a fortaleza da esperança e a ternura da empatia.
J.H.Martins tece, com sensibilidade, um manto de resiliência e aceitação, costurando com delicadeza a felicidade que permeia os desafios da vida.
Através de versos delicados, que ecoam como uma chuva serena, o autor transforma sentimentos universais em poesia atemporal, inspirando leitores a encontrar beleza no cotidiano e na jornada interior.
O que li este ano
Sinopse
“O que li este ano” é o companheiro ideal para todo amante da leitura.
Com espaço para registrar até 50 livros lidos, este livro é um diário literário personalizado, onde você pode anotar suas leituras, atribuir uma nota e escrever suas impressões sobre cada obra.
Se você já teve aquele momento em que não se lembrava exatamente do que achou de um livro lido há meses, este é o lugar perfeito para organizar suas reflexões e ter fácil acesso às suas opiniões.
Mais do que um simples registro, “O que li este ano” é uma ferramenta prática para acompanhar sua evolução literária, revisitar suas análises e até mesmo recomendar livros com base nas suas próprias notas.
Ideal para quem gosta de ter suas leituras sempre à mão, este diário será o seu guia pessoal para lembrar e reviver cada página que te marcou ao longo do ano.
Leve, Livre e Solta- A Sensualidade em Verso e Prosa
Sinopse
Em Leve, Livre e Solta, J.H. Martins explora a sensualidade com delicadeza e profundidade, celebrando a maturidade como um campo fértil para o desejo, o respeito e o amor.
Este livro é um convite a despir-se, não apenas das roupas, mas das convenções, inseguranças e velhas expectativas, revelando a essência de uma sensualidade refinada pelo tempo.
Nas páginas desta obra, poesia e prosa se entrelaçam para homenagear homens e mulheres que descobriram, após os cinquenta anos, que o prazer não está na pressa, mas na entrega sincera e cuidadosa.
Os versos exaltam o toque como um diálogo que acolhe e cura, onde o corpo é visto como um templo a ser admirado, não como um território a ser conquistado.
Aqui, a mulher madura assume o protagonismo de seus próprios desejos, conduzindo com segurança e convidando o parceiro ou parceira a compartilhar uma jornada de cumplicidade e respeito mútuo.
Leve, Livre e Solta transcende a juventude física, celebrando o erotismo que nasce do olhar vivido, do toque paciente e do amor que floresce com a experiência.
É uma obra para ser sentida, vivida e compartilhada, uma dança de palavras e emoções que abraça o leitor em sua humanidade mais pura.
Um tributo à beleza da maturidade e à liberdade de se ser, simplesmente, humano.
Libélula da Esperança
Sinopse
“Até um haiku de três linhas pode carregar o voo de um pássaro milenar.” – J.H.Martins
Neste livro, cada poema é um instante suspenso: a tristeza que se dissolve como neve ao sol, o amor que persiste mesmo quando mudo, a esperança que pousa frágil como asas de libélula.
São versos que falam de mudança, estações da alma, cicatrizes que viram flores e de redenção, não como um fim, mas como o rio que, depois da queda, aprende a ser mar.
“Entre a sombra e o voo, um haiku pode ser asas ou lágrima — ou ambos.” – J.H.Martins
Névoa Fatal
Sinopse
Em uma cidade onde a névoa parece respirar e guardar segredos, o silêncio é mais perigoso que a verdade.
Monte Escuro sempre foi um lugar onde nada acontece, até que um corpo é encontrado na porta da igreja, com um bilhete enigmático nas mãos: “Ele sabe.”
A morte de Rafael, aparentemente sem explicação, desperta a atenção da jornalista Isabel Martins, uma mulher movida por instinto, memória e uma inquietação que vai além do dever profissional.
Ao investigar o caso, Isabel descobre que aquela não é a primeira história mal resolvida da cidade. Sete anos antes, um jovem chamado Fabrício desapareceu sem deixar rastros.
Conforme pistas fragmentadas surgem, um caderno cheio de anotações, uma medalha marcada com iniciais misteriosas, um diário escondido e lembranças que ninguém quer revisitar, Isabel percebe que as duas histórias estão perigosamente conectadas.
Quanto mais ela avança, mais a cidade se fecha.
A fé, o poder, os silêncios coletivos e a própria névoa parecem proteger algo que não deve ser revelado.
Em Monte Escuro, perguntar demais pode ser fatal.
Entre segredos enterrados, memórias distorcidas e uma atmosfera psicológica sufocante, Isabel se vê presa em uma investigação que deixa de ser apenas jornalística e se torna pessoal.
Porque o desaparecido não é apenas parte da história.
Névoa Fatal é um thriller psicológico denso e hipnotizante, onde realidade e paranoia caminham lado a lado, e cada página conduz o leitor por uma trama de suspense, mistério e tensão crescente.
Um romance que questiona: até onde vai a verdade quando uma cidade inteira decide protegê-la… ou escondê-la?
Prompt- A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial.Como transformar ideias em resultados com clareza, estrutura e direção
Sinopse
Vivemos uma nova era.
A inteligência artificial está acessível a todos, mas poucos realmente sabem usá-la com eficiência.
A maioria pede… poucos direcionam.
E essa diferença muda tudo.
Neste livro, você vai descobrir que o verdadeiro problema não está na IA, mas na forma como pensamos e nos comunicamos.
Por meio do método PODCE (Papel, Objetivo, Detalhe, Contexto e Estrutura), você aprenderá a transformar qualquer pedido em uma instrução clara, precisa e executável.
Mais do que ensinar prompts, este livro ensina algo muito mais profundo: — Como organizar o pensamento; — Como eliminar ambiguidade; — Como comunicar com precisão; — Como transformar intenção em resultado.
Você não vai apenas aprender a usar inteligência artificial.
Você vai aprender a pensar de uma forma que ela possa executar.
Porque, no fim, quem domina a clareza… domina os resultados.
OBRAS DO AUTOR
Nath- A Jornada do Despertar
Fragmentos- Pedaços de Mim
Poemas de Mim Mesmo
P.E.R.D.O.A.R
C.N.V
Emergência
Aspergir Versos
O Que Li Este Ano
Leve, Livre e Solta
Libélula da Esperança
Névoa Fatal
Prompt- A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial
📚 LABVERSO — Núcleo de Poéticas Experimentais ✍ Formação de Voz Autoral | 🧠 Consciência Poética | 🔬 Escrita como Experiência
LABVERSO — Núcleo de Poéticas Experimentais Imagem criada pelo ChatGPT
Verbonautas,
O LabVerso é um ecossistema de formação literária autoral concebido por Pietro Costa para aqueles que desejam acessar a linguagem como experiência de consciência, criação e presença.
Aqui, escrever não denota apenas técnica. Muito mais que isso, é investigação, escuta e construção de sentido.
🔬O LABVERSO COMO SISTEMA DE FORMAÇÃO
O LabVerso organiza-se como uma arquitetura em camadas, integrando:
✍ Prática de escrita orientada
📚Fundamentação teórica e filosófica
🧠Desenvolvimento da consciência poética
🔬Laboratórios criativos e experimentação
🧾Estruturação de projeto autoral
Essa abordagem promove não apenas evolução técnica, mas formação de identidade literária consistente.
📖PLANOS DE ADESÃO — PERCURSOS FORMATIVOS
O LabVerso oferece diferentes formas de ingresso, respeitando o momento de cada participante:
✍Formação Essencial
Apostila completa
Exercícios estruturados
Materiais didáticos
Certificação
👥 Formação em Grupo
Aulas ao vivo
Práticas orientadas
Grupo fechado de acompanhamento
Interação entre participantes
🧠 Formação Autoral (com mentoria)
Leitura crítica personalizada
Direcionamento estético
Ajuste de voz autoral
Projeto final estruturado
🔬 Formação Premium
Mentoria intensiva
Revisão profunda de original
Estratégia de livro
Preparação para circulação autoral
👉 Aqui, a escrita se consolida como obra e posicionamento.
🎯DIAGNÓSTICO PERSONALIZADO
Antes de ingressar, você pode realizar um mapeamento do seu momento autoral:
Hermógenes Mora traz ao ROL a literatura candente da exuberante Nicarágua, Terra de Poetas, Lagos e Vulcões!
Hermógenes L. Mora
Hermógenes L. Mora, 47, natural de Chinandega, Nicarágua, é poeta, escritor e professor de Língua e Literatura. Sua obra abrange poesia, ensaios e narrativas.
Entre seus títulos publicados estão: Tabus and Realities: Utopias in Verse, publicado no Panamá, e Between Two Worlds, publicado na Nicarágua. Seu trabalho é permeado por realismo e profundo significado filosófico.
Obras:
1. A Plan to Escape
2. Tabus and Realities: Utopias in Verse
3. Six Stories for an Afternoon and a Cup of Coffee
4. Between Two Worlds
5. Psychological Torture: Chronicle of an Immigrant
6. Poems to the Heroes of the Revolution
7. The Divine Goldsmith, God of Preciosity
8. The Panamanian Roots of Rubén Darío
Hermógenes Mora estreia no ROL com a resenha El Guerrillero, da romancista nicaraguense Rosario Aguilar.
El Guerrillero
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Biografía corta:
Rosario Aguilar nació en León, Nicaragua el 29 de Enero de 1938. La crítica la considera la primera mujer narradora nicaragüense y es la primera mujer que ingresó en 1999 en calidad de “miembro de Número” a la Academia Nicaragüense de la Lengua.
Cuando leemos El Guerrillero de Rosario Aguilar, suponemos encontrar una historia paralela a obras con el mismo título como El Guerrillero de Manuel Polo y Peyrolon que narra la historia militar Carlista.
Pero Rosario hace algo diferente, crea una historia donde te imaginas a un guerrillero como protagonista principal, pero adentrado en la lectura descubres que ella, la maestra, es el protagonista primario.
La brutalidad y violencia de una sociedad enferma, cuestiona Aguilar en una de sus frases. Esta sociedad y las anteriores, ¿acaso no han estado enfermas siempre? Sí, pero Rosario quiere dejar huella de esa sociedad por donde transcurre su vida.
La esperanza y la desesperanza afloran en panoramas cargados de pobreza, donde solamente se puede elevar plegarias esperando suceda un milagro. «Porque el que espera desespera y no puede hacer nada más que esperar» reflexiona la autora.
No se limita a un solo panorama, sino que profundiza en los diferentes esquemas de la vida. Nos hace visualizar la condición humana, de las gentes que bajo el yugo opresor se ven sumergidas.
Aguilar presta atención a todo y presenta como en un film realista la complejidad de ser un maestro rural. Cómo un docente atraviesa duras jornadas con salarios que no pueden sostener un hogar. La cruda realidad de esos paisajes casi intransitables, pero que un maestro con vocación, vence para poder desempeñar su trabajo. ¿Hasta cuándo un maestro y su labor serán reconocidos como la pieza fundamental dentro del eslabón social?
Muestra otro panorama de la mujer sufrida al hacer un enfrentamiento entre el amor y la necesidad.
Amar a un hombre que huye siempre, un hombre comprometido con un ideal, un hombre que defiende a la patria de las garras del opresor, donde se sitúa el amante de la maestra que, debido a los tantos menesteres no hace más que entregar su cuerpo al sargento a cambio de un poco de estabilidad y seguridad.
Amor es lealtad, escribe la autora. Pero, ¿qué es la lealtad?, una pregunta demasiado complicada cuando el hambre o la enfermedad aguijonan horriblemente.
La tristeza de añorar a un gran amor que no sabes si ha de regresar, ese que deja huellas de la pasión vivida en noches de verano.
Cita el poema 20 de Neruda: «cómo no haber amado sus grandes ojos fijos».
Pero Aguilar también confronta el amor con la rutina, ¿acaso la rutina mata el amor? Rosario dice: «Ella ya no lo amaría tanto si él se hubiera quedado con ella…haciendo las cosas cotidianas de, rutina, luchando… junto a ella…
El amor verdadero sobrevive realmente a todas las vicisitudes. El escritor bíblico Pablo de Tarso escribió: «El amor nunca deja de ser». (Corintios 13:8)
Sorprende esta novela, sorprende Aguilar con tan brillantes deducciones cargadas de realismo crudo.
El Guerrillero es un viaje por tantos tópicos de la vida como, el dolor. Hace una brillante deducción con una frase muy profunda por medio del recurso de comparación: «Dolor, como líneas paralelas que más que se prolongan, nunca se encuentran». Callar para estar seguro también es doloroso.
Trazar una línea delicada entre las contradicciones de la política fue un argumento valiente en el desarrollo de la novela: «Y él quería paz a través de la revolución, pero revolución es sangre, revuelta y hombres que mueren y niños que pasan hambre».
El Guerrillero pareciera una novela sencilla, carente de recursos, pero de vez en cuando nos da una muestra del talento de la autora. La descripción topográfica y de las actividades económicas del país se mencionan de forma sutil.
Intensa, grandiosa, triste. Una novela que nos conduce por todos los caminos que recorre la mujer, una biografía de lo que significa ser mujer.
Temas existenciales como la vida y la muerte, el amor y el aprender a amar como tema tabú. La crueldad humana materializada en la tortura.
Y temas tan propios de nuestros tiempos, tan vigentes como el errar y ser el blanco de críticas destructivas por dar rienda suelta a los placeres de la carne, arriesgando la propia dignidad. Temas tan delicados como el aborto. Aguilar no juzga ni ensalza esta acción pero demuestra que un error siempre dejará huellas imborrables, y para una mujer, en una sociedad machista, significa ser blanco eterno.
El sabor dejado por El Guerrillero es agridulce, triste, y doloroso, pero a la vez lleno de muchas emociones que se viven durante el desarrollo de la narrativa. La esperanza de volver a ver al gran amor de su vida, de amar a un hombre que declaró su amor a la patria y a la lucha revolucionaria:
«Seguí el curso de las aguas que desgraciadamente corren en sentido opuesto a mi vida. Pero no te dejés atrapar amor».
Así culmina Aguilar su novela El Guerrillero. Una novela que muestra las muchas vidas de las mujeres, creando una vigencia que sobrevivirá en cualquier tiempo que sea leída.
Crônica reflexiva existencialista: ‘A metragem do vazio’
Clayton A. ZocaratoImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/5893ed9aee5bb4fb?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Começa sempre com uma medida. Não de tempo, nem de distância, mas de ausência. Como se o vazio pudesse ser calculado em metros, pesado em silêncio, delimitado por coordenadas invisíveis.
Ele acorda com essa sensação — a de que algo falta com precisão matemática — e passa a vida tentando descobrir quanto. Não é uma falta difusa, dessas que se resolvem com distrações ou afeto momentâneo; é uma lacuna exata, quase geométrica, como se houvesse um espaço escavado dentro dele, um negativo perfeitamente moldado àquilo que nunca existiu.
Na parede do quarto, ele traça linhas imaginárias. Mede o ar entre seus dedos e o teto, entre o chão e o pensamento. Há uma obsessão discreta, quase científica, em quantificar o nada. Ele lê sobre o vácuo físico, sobre como o espaço interestelar não é realmente vazio, mas saturado de partículas, radiações, possibilidades latentes. Isso o irrita.
Porque o vazio que sente não vibra, não pulsa, não promete nada. É um silêncio absoluto, uma ausência que não contém sequer a esperança de ser preenchida.
Ele tenta nomear essa experiência, mas as palavras falham. ‘Solidão’ é leve demais. ‘Angústia’ é imprecisa. ‘Nada’ é uma palavra cheia de história, de filosofia, de tentativas fracassadas de captura.
O que ele sente é anterior à linguagem, ou talvez posterior — como se estivesse além daquilo que pode ser dito, numa zona onde o pensamento se dissolve antes de se formar completamente.
Há dias em que ele caminha pela cidade como quem percorre um mapa de inconsistências. As pessoas falam, riem, compram, tocam-se, mas tudo parece deslocado por alguns milímetros.
Como se o mundo estivesse levemente fora de alinhamento, como um quadro torto que ninguém percebe.
Ele observa os gestos automáticos, as conversas repetidas, os rituais sociais, e tenta medir o vazio entre o que é dito e o que é realmente vivido. Descobre que esse intervalo é vasto, quase infinito. Uma metragem invisível que sustenta a aparência de normalidade.
Em certo momento, ele decide que o erro pode estar nele. Talvez o vazio não seja uma falha do mundo, mas uma característica da percepção. Talvez todos sintam isso, mas aprenderam a ignorar, a cobrir com camadas de sentido provisório. Ele tenta fazer o mesmo. Preenche os dias com tarefas, os pensamentos com ruído, o tempo com distrações cuidadosamente escolhidas.
Funciona por algumas horas, às vezes dias.
Mas o vazio retorna, sempre com a mesma precisão, como se tivesse um ponto fixo dentro dele, um centro gravitacional que atrai tudo de volta ao silêncio.
Ele começa então a suspeitar que o vazio não é ausência, mas estrutura. Não aquilo que falta, mas aquilo que sustenta. Como o espaço entre as notas que permite a música, ou o branco da página que torna possível a escrita.
Essa ideia o perturba mais do que conforta. Porque se o vazio é estrutural, então não há preenchimento possível. Não se trata de completar, mas de coexistir. De aprender a viver com uma falta que não será resolvida, apenas compreendida — ou, talvez, nunca.
Numa noite particularmente silenciosa, ele se deita no chão e observa o teto como se fosse o céu. Imagina-se flutuando no espaço, cercado por um vácuo que não o oprime, mas o contém. Pela primeira vez, o vazio não parece inimigo.
Há uma estranha neutralidade nele, uma ausência de julgamento. O vazio não exige nada, não cobra sentido, não impõe direção. Ele apenas é. E, por um instante breve, quase imperceptível, isso basta.
Mas a consciência retorna, como sempre. E com ela, a necessidade de significar, de entender, de medir. Ele se levanta e volta às suas linhas imaginárias, às suas tentativas de quantificação.
Mede o silêncio entre duas palavras não ditas, o intervalo entre um pensamento e outro, o espaço entre o que ele é e o que acredita ser. Cada medida falha, mas nenhuma é inútil. Porque no ato de medir, há um reconhecimento: o vazio existe, e ele está ali, presente, constante.
Com o tempo, ele abandona a ideia de preencher. Começa a explorar. O vazio deixa de ser obstáculo e se torna território. Ele aprende a caminhar por dentro de si como quem atravessa um deserto — não esperando encontrar algo no fim, mas atento às nuances do caminho.
Descobre que há variações no nada, densidades diferentes de silêncio, formas sutis de ausência. O vazio, afinal, tem textura.
E talvez seja isso que o salva — não a superação, mas a convivência. Não a resposta, mas a permanência da pergunta. Ele continua medindo, mas agora sabe que a metragem nunca será concluída. O vazio não tem fim, nem início. É um campo aberto, uma extensão sem bordas, onde o ser humano se move tentando deixar marcas que desaparecem quase imediatamente.
No fim, ele entende — ou acredita entender — que a metragem do vazio não é uma tarefa a ser completada, mas uma condição a ser habitada.
E que talvez, apenas talvez, o sentido não esteja em preencher o vazio, mas em reconhecê-lo como parte inseparável daquilo que somos. Porque é no espaço que falta que o ser se insinua, hesitante, incompleto, mas ainda assim presente.
E ele continua.
Medindo o invisível, habitando o indizível, vivendo na exata distância entre o que existe e aquilo que nunca existirá.
E ele continua, não mais como quem busca, mas como quem consente — e há nisso uma inversão quase imperceptível, como se o gesto de medir tivesse sido substituído por um gesto mais raro: o de permanecer.
Porque medir ainda pressupõe um fora, um ponto de referência, uma exterioridade possível; permanecer, não — permanecer é aceitar que não há margem, que o vazio não se circunscreve, não se opõe, não se resolve em contraste. Ele não está diante do vazio; ele é a dobra pela qual o vazio se reconhece.
Nesse estágio, as categorias falham com maior violência. Ser e não-ser já não operam como distinções úteis, pois ambas supõem uma estabilidade que o vazio dissolve sem esforço.
O que resta é uma espécie de flutuação ontológica, um estado em que o pensamento não se fixa, mas também não se perde completamente. Há um limiar contínuo, uma zona de quase-consciência onde as ideias surgem apenas para se desfazer, como partículas virtuais no vácuo quântico — emergências efêmeras que não chegam a constituir realidade, mas tampouco podem ser negadas.
Ele começa a perceber que a linguagem, outrora ferramenta, tornou-se ruína. Cada palavra que tenta usar para capturar o que vive carrega um atraso, uma defasagem inevitável. Dizer “vazio” já é preenchê-lo com um conceito; nomear é trair.
E, no entanto, o silêncio absoluto não é uma alternativa, pois mesmo o silêncio implica uma escuta, e toda escuta pressupõe um sujeito. Assim, ele se move num campo paradoxal onde falar é falsificar e calar é pressupor — e ambos os gestos falham com igual precisão.
É nesse ponto que o pensamento se curva sobre si mesmo.
Não mais como reflexão, mas como colapso. Ele já não pensa sobre o vazio; o vazio pensa através dele, ou talvez nem isso — talvez não haja mais mediação suficiente para sustentar a ideia de um “através”.
O que há é uma espécie de impessoalidade radical, uma experiência sem centro, onde a interioridade se dissolve e o exterior perde sua função. Tudo se torna superfície, mas uma superfície sem extensão, sem profundidade, sem orientação.
E ainda assim, há uma estranha lucidez nisso. Não a lucidez da clareza, mas a da exaustão. Como se, ao esgotar todas as tentativas de sentido, restasse apenas aquilo que nunca precisou de sentido para existir.
O vazio, então, deixa de ser problema e se torna condição anterior a qualquer problema. Ele não pergunta mais “por quê?”, porque o próprio gesto de perguntar se revela deslocado, quase ingênuo.
A questão não é mais o sentido, mas a impossibilidade de sua ausência total — pois mesmo o vazio, em sua radicalidade, insiste em se apresentar.
Há momentos em que ele suspeita que tudo isso é apenas uma forma extrema de consciência, um excesso que se volta contra si mesmo até se desfazer. Mas essa suspeita também se dissolve, pois não há critério externo que a valide ou invalide.
Tudo acontece no mesmo plano, sem hierarquia, sem garantia.
A verdade perde sua autoridade, não por ter sido negada, mas por ter sido esvaziada de função. Não há mais o que provar, nem a quem.
E então surge uma nova forma de atenção. Não dirigida, não intencional, mas difusa, quase mineral. Ele observa sem objeto, percebe sem foco, como se a própria estrutura da percepção tivesse sido desarticulada.
Não há mais figura e fundo, nem sujeito e mundo. Apenas uma continuidade indistinta, onde tudo ocorre sem realmente ocorrer.
O tempo, nesse contexto, também se desfaz. Não há passado a ser lembrado nem futuro a ser antecipado — apenas uma duração sem direção, um presente que não se acumula.
É nesse estado que ele compreende — ou melhor, deixa de resistir à compreensão de que a metragem do vazio nunca foi uma tentativa de quantificar o nada, mas de escapar daquilo que sempre esteve dado.
Medir era uma forma de manter distância, de preservar a ilusão de separação. Agora, sem essa mediação, resta apenas a coincidência: ele não está no vazio, nem o vazio está nele — ambos são expressões de uma mesma indistinção.
E, paradoxalmente, é nessa indistinção que algo como uma ética começa a emergir — não uma ética normativa, baseada em deveres ou valores, mas uma ética da não-interferência, da suspensão do domínio.
Se não há centro, não há também justificativa para impor sentido ao que quer que seja. A ação, quando ocorre, não parte de um querer, mas de uma espécie de ressonância com o que se apresenta. Não há escolha no sentido tradicional — apenas resposta.
Essa resposta, porém, não se traduz em gestos visíveis. Ele continua vivendo, aparentemente como antes, mas há uma diferença que não pode ser percebida de fora. Internamente, tudo foi deslocado.
O mundo já não exige interpretação, nem oferece resistência. Ele atravessa os dias como quem atravessa um campo sem marcas, onde cada passo não deixa rastro e cada instante não se acumula.
Não há progresso, nem regressão. Apenas continuidade.
E talvez seja isso o mais difícil de aceitar: que não há clímax, nem revelação final, nem resolução.
A metragem do vazio não conduz a um fim, porque o fim pressupõe uma narrativa, e toda narrativa exige sentido. Aqui, não. Aqui, o que há é uma persistência sem finalidade, uma existência que não se justifica, mas também não precisa fazê-lo.
No limite, o que resta é uma espécie de transparência. Não no sentido de clareza, mas de ausência de opacidade.
Nada mais se interpõe entre o que é e o que aparece, porque já não há distinção suficiente para sustentar essa diferença. O mundo não se revela — ele simplesmente não se esconde.
E ele continua, não como sujeito de uma história, mas como ponto indistinto numa extensão sem bordas.
A metragem foi abandonada, não por ter sido concluída, mas por ter se tornado irrelevante. O vazio permanece, mas já não é problema, nem mistério, nem ameaça. É apenas aquilo que sempre foi: o fundo sem fundo sobre o qual tudo, inclusive ele, insiste em acontecer — ou talvez nunca tenha começado.
E ainda assim, mesmo nesse estado de dissolução silenciosa, algo insiste — não como vontade, nem como pensamento articulado, mas como uma espécie de contração mínima da consciência, quase imperceptível, como se o vazio, ao se tornar total, começasse a produzir suas próprias microfissuras internas.
Não há evento, não há ruptura, apenas uma leve oscilação na continuidade, um tremor sem causa que não altera a estrutura, mas a revela como instável em sua própria estabilidade. Ele percebe — ou é percebido por isso — que o nada absoluto não é estático, mas respirante em sua impossibilidade.
Essa respiração não pertence a nada vivo no sentido comum. Não há pulmões, não há organismo, não há interioridade que a sustente. É uma respiração lógica, se isso ainda puder fazer sentido: uma alternância sem sujeito, uma pulsação sem centro, um ritmo que não organiza nada, mas também não se desfaz.
E é nesse intervalo mínimo que algo como uma memória sem conteúdo tenta emergir, não na lembrança de fatos, mas a lembrança de uma forma de existência em que ainda havia diferença entre o dentro e o fora.
Essa lembrança, porém, não se fixa; ela escapa no mesmo instante em que é pressentida, como se o próprio ato de recordar fosse incompatível com a condição atual do ser.
Ele já não sabe se ainda pode ser chamado de “ele”. O pronome parece excessivo, uma concessão linguística que pressupõe unidade onde já não há.
Mas a linguagem insiste por hábito, como um reflexo antigo de uma estrutura que se desfez.
E mesmo essa insistência não é vivida como erro, apenas como ruído de fundo, uma camada residual de significado que não consegue se atualizar, mas também não desaparece completamente. Tudo o que resta da identidade é esse atrito entre o que foi e o que não consegue cessar de ser nomeado.
O espaço ao redor — se ainda faz sentido falar em espaço — não se expande nem se contrai. Ele simplesmente não responde mais às categorias de medida. A metragem do vazio, que antes parecia uma tentativa de compreensão, agora se revela como ficção de orientação.
Não havia extensão a ser medida, apenas a ilusão de que havia um exterior observável. Essa constatação não produz choque, nem revelação. Apenas se acomoda como uma evidência tardia, sem importância emocional, sem consequência dramática.
E, no entanto, há algo que persiste como forma de presença sem conteúdo: uma espécie de atenção sem objeto, uma vigilância que não vigia nada.
Não é consciência no sentido clássico, mas também não é sua ausência. É uma zona intermediária onde os polos perderam sua função. Ali, pensamento e não-pensamento deixam de ser opostos e passam a coexistir como variações de um mesmo fundo indiferenciado. O que antes era abismo agora se mostra como continuidade sem fratura.
Nesse ponto, qualquer tentativa de narrativa se torna impossível não por falta de acontecimentos, mas por excesso de equivalência entre eles. Tudo é igualmente intenso e igualmente indiferente.
Uma pedra, um pensamento, uma ausência, uma lembrança inexistente — tudo participa da mesma textura ontológica, sem hierarquia possível. O mundo deixa de ser mundo porque já não há recorte suficiente para distingui-lo de si mesmo.
E ainda assim, há uma espécie de movimento que não se pode nomear como avanço ou retorno. Ele não vai a lugar algum, porque lugar implica diferença espacial; não retorna a nada, porque retorno implica continuidade temporal.
O que há é uma permanência sem eixo, uma presença que não se sustenta em nada, mas também não cai. Uma estabilidade paradoxal que não repousa sobre fundamento algum.
Nesse estado, até a ideia de fim perde consistência. Finalizar seria pressupor uma linha narrativa, uma progressão, um ponto de encerramento. Mas aqui não há linha, apenas campo.
Não há início que possa ser lembrado nem conclusão que possa ser antecipada. O que existe é uma espécie de suspensão contínua, onde até a noção de continuidade se torna irrelevante, porque não há descontinuidade contra a qual ela possa se afirmar.
E então, sem transição, sem resolução, sem qualquer gesto que possa ser identificado como encerramento, o que resta não é silêncio — pois silêncio ainda é uma categoria — mas a impossibilidade de distinguir som de ausência de som, palavra de ausência de palavra, existência de ausência de existência.
Tudo se torna indiferenciado não por fusão, mas por esgotamento da própria diferença como princípio organizador.
Ele — ou aquilo que já não pode ser nomeado — permanece nesse estado sem qualidades, não como sobrevivente de uma experiência, mas como expressão contínua de algo que nunca precisou começar para continuar.
E se há algo que poderia ser chamado de conclusão, seria apenas isto: não há fora do vazio, nem dentro dele, porque essas distinções pertencem a uma gramática que já não opera.
O que há, sempre houve e talvez sempre haverá, é apenas esta impossibilidade de sair do que nunca foi entrada — e mesmo essa formulação já é excesso, já é ruído, já é tentativa de borda onde nunca houve forma.