O outono Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Trilha de folhas caídas, Pelo outono vencidas, Acolhem os meus pensamentos… São os caminhos de agora, Sem as delícias de outrora, Onde eu sigo os passos lentos.
Na trilha de folhas mortas, Minha alma bate às portas, Da crença da esperança… Agarra-se agonizante, Ao desejo de um instante, De ter o fim que avança.
Na trilha das ilusões, Despedacei corações, Mas perdi muitos também… Ficou a melancolia, Que invade a inebria, Esse fatal vai e vem.
Ilusões de folhas caídas, Chances válidas que formam perdidas, Portas que foram fechadas por preconceitos… Apelos da mocidade, As lembranças de andarilhos, Vão pisando pelas trilhas de folhas secas.
Da inevitável saudade! Feliz DIA DO OUTONO… Estação fresca e boa…
Nádia Bagatoli
Nádia Bagatoli
Nádia Celestina Bagatoli, natural de Rio do Sul (SC), e residente em Presidente Getúlio (SC), é educadora de Educação Básica.
Na área literária, é Acadêmica Imortalizada da ALB – Academia de Letras do Brasil – Seccional de Presidente Getúlio.
É autora dos livros: ‘Poetizando a Força da Poesia’ (2013); ‘Os Movimentos do Coração’ (2014); ‘O Diário de Naddy: As Rosas e as Lágrimas’ (2015; ‘A Paixão da Poesia e Contos’; ‘Escrevendo Entre Linhas’, e, em breve, o próximo lançamento.
Joelson MoraMicrosoft Bing. Imagem criada pelo Designer
A saúde integral é uma abordagem holística que considera o bem-estar físico, emocional, mental e espiritual do indivíduo. Trata-se de entender que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas um estado de completo bem-estar que envolve diversos aspectos da vida. Quando não estamos bem, é fundamental reconhecer e lidar com nossos sentimentos, emoções, pensamentos e sentidos, que são as janelas para estímulos e sensações.
Os sentimentos e as emoções são respostas internas a experiências externas e internas. Sentimentos como tristeza, alegria, raiva e medo são naturais e desempenham um papel importantissimo na nossa saúde integral. Quando estamos em desequilíbrio emocional, nosso corpo e mente sofrem.
O primeiro passo para lidar com sentimentos e emoções é reconhecê-los e aceitá-los. Ignorar ou suprimir emoções pode levar a problemas mais graves, como ansiedade e depressão. Práticas como mindfulness e meditação ajudam na conscientização emocional, permitindo que aceitemos nossas emoções sem julgamento.
É essencial expressar nossos sentimentos de maneira saudável. Conversar com amigos, familiares ou terapeutas pode proporcionar alívio e um resgate de identidade. A arte, a escrita e outras formas de expressão criativa também são poderosas ferramentas para processar emoções.
Os pensamentos têm um impacto profundo no nosso bem-estar. Padrões de pensamentos negativos, como ruminação e catastrofização, podem agravar o estresse e a ansiedade. A saúde integral envolve cultivar uma mentalidade positiva e resiliente.
A reestruturação cognitiva como técnica da terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar e alterar pensamentos distorcidos. Ao desafiar crenças negativas e substituí-las por pensamentos mais equilibrados, podemos melhorar nossa saúde mental.
A prática da atenção plena ou mindfulness nos ensina a observar nossos pensamentos sem nos apegarmos a eles. Isso pode reduzir o impacto de pensamentos negativos e aumentar a capacidade de foco e clareza mental.
Nossos sentidos – visão, audição, olfato, paladar e tato – são portas de entrada para estímulos e sensações que podem afetar nosso bem-estar. Estimular positivamente nossos sentidos pode promover relaxamento e felicidade.
Criar ambientes que estimulem positivamente nossos sentidos é fundamental. Isso inclui espaços limpos, organizados, com iluminação adequada e sons agradáveis. Aromaterapia, música relaxante e contato com a natureza são exemplos de como podemos utilizar nossos sentidos para promover bem-estar. Praticar a atenção plena aos estímulos sensoriais pode aumentar a nossa percepção e prazer nas experiências diárias. Saborear uma refeição, sentir a textura de um tecido ou ouvir atentamente uma melodia são formas de nos conectar com o presente e reduzir o estresse.
O estado de bem-estar integral é alcançado quando há uma harmonia entre corpo, mente e espírito. Isso requer uma abordagem proativa e consciente em diversas áreas da vida.
Autocuidado:Práticas regulares de autocuidado, como alimentação equilibrada, exercícios físicos, sono adequado e hobbies, são fundamentais. Autocuidado não é egoísmo, mas uma necessidade para manter a saúde integral.
Conexões Sociais: Relacionamentos saudáveis e suporte social são essenciais. Sentir-se conectado aos outros promove sentimentos de pertencimento e segurança emocional.
Propósito e Espiritualidade:Ter um senso de propósito e praticar a espiritualidade, seja por meio da fé, meditação ou outros meios, pode trazer um profundo senso de paz e realização.
A saúde integral é uma jornada contínua de autoconhecimento e cuidado. Entender e gerenciar nossos sentimentos, emoções, pensamentos e sentidos são passos essenciais para viver uma vida equilibrada e satisfatória. Ao cultivar uma abordagem holística e proativa, podemos alcançar um estado de bem-estar completo, integrando corpo, mente e espírito de forma harmoniosa.
José Antonio TorresO velhinho do terno Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Em uma certa casa de cômodos, que também funcionou como pensão por alguns anos, e que se situava na cidade do Rio de Janeiro, havia um inquilino bem idoso. Ele se vestia diariamente com um terno, gravata, chapéu e usava uma bengala. Parecia um Lorde inglês. Possuía dois ternos que revezava semanalmente. A dona da casa de cômodos lavava a roupa dele e servia-lhe o almoço.
Era um senhor muito quieto. Quase não falava. Não conversava com os demais inquilinos. Não se sabia se possuía algum familiar. Ele não comentava absolutamente nada sobre a vida dele.
Saía pela manhã, retornava para almoçar e ia dormir durante a tarde. Levantava-se ao final da tarde, arrumava-se e saía outra vez – acreditava-se que ia jantar, tendo em vista que a pensão não servia jantar – e retornava no início da noite para dormir. Essa era a sua rotina diária. Parecia um personagem saído dos filmes de mistério.
Passado um tempo, a dona da casa de cômodos precisou reajustar o valor dos aluguéis dos quartos e o velhinho ficou na dele. Não fez qualquer comentário. Chegou o dia do pagamento e o velhinho não pagou o reajuste. A senhora então, deu-lhe o prazo de uma semana para que arrumasse um outro lugar para morar e que a partir daquele momento não lhe serviria mais o almoço.
Em um determinado dia dessa mesma semana, o velhinho apareceu todo machucado no rosto e nas mãos, que estavam bem esfoladas. Mancava bastante também, caminhando com certa dificuldade. Ele não fez qualquer comentário.
No dia seguinte saiu uma notícia no jornal, onde informava que um senhor de idade havia sido atropelado e citava o nome do velhinho do terno. O filho da dona da casa de cômodos, que deveria ter uns 11 ou 12 anos na época, leu a notícia que lhe foi mostrada por um outro inquilino da casa e perguntou-lhe se poderia recortar aquela notícia para guardá-la? O inquilino permitiu e ele assim o fez. Recortou a notícia – que não era muito grande – e guardou-a.
Cerca de dois dias depois, aparece na casa um policial com uma intimação para que a senhora comparecesse à Delegacia, pois estava sendo acusada de ter agredido o velhinho e lhe causado aqueles machucados. Ela, muito surpresa e assustada, negou veementemente ter praticado tal ato e explicou ao policial que, dias antes, ele apareceu todo machucado e não falou o que havia acontecido. O filho da senhora então, ouvindo aquela acusação que pesava sobre sua mãe, foi buscar o recorte de jornal que havia guardado – onde constava a notícia sobre o atropelamento do velhinho – e mostrou-o ao policial. Este leu a notícia e chamou o velhinho, que estava em seu quarto, e pediu-lhe explicações. O velhinho se manteve em silêncio e de cabeça baixa. O policial passou-lhe uma descompostura bem ríspida.
A senhora, muito revoltada com a tentativa de armação do velhinho para prejudicá-la, contou ao policial que havia reajustado o aluguel e que o velhinho não pagou o acréscimo. Em vista disso, ela deu-lhe uma semana para procurar outro lugar para morar. Disse então ao policial que, diante do acontecido, não queria aquele homem morando ali nem mais um segundo, pois não se sabia o que mais ele poderia aprontar. O policial entendeu e foi solidário a ela, determinando ao velhinho que pegasse a sua mala e fosse embora naquele momento. Assim ocorreu. Nunca mais se teve notícias dele.
Não fosse o menino, filho da dona da casa de cômodos, ter guardado o recorte de jornal com a reportagem do acidente, a senhora teria a sua vida complicada pelo velhinho do terno.
A educadora que transformou sua contação de histórias em livros cheios de inspiração
Jandiara Rebouças Caldas Barreto
Jandiara Rebouças Caldas Barreto é professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I.
Atua na área educacional há mais de 30 anos, sendo graduada em Pedagogia e Letras.
Especializada em Gestão Escolar e Metodologias e Práticas do Ensino Fundamental.
Professora aposentada no Município de Francisco Morato-SP.
Desde 2016 atua pela prefeitura de São Paulo no ciclo de Alfabetização e na EJA.
Na primeira infância trabalha com Projetos de contação de Histórias, Jogos e Brincadeiras.
Eu sou professora e educadora para as infâncias.
E acredito na literatura infantojuvenil como parte essencial neste processo.
A literatura é capaz de gerar mudanças e transformações imensuráveis nas pessoas.
Por isto tenho um prazer enorme em escrever e ler para as infâncias.
Jandiara Rebouças Caldas Barreto
Artigos publicados
–A Prática Didático Pedagógica do Professor com Relação ao Ensino da Leitura ( in: Silva, Vilma Maria(org.)Vivências e Praticas Educacionais. São Paulo, Livro Alternativo,2018
– A Gestão Democrática nas Instituições Escolares ( in: Silva, Vilma Maria(org.) Fazeres Pedagógicos e Processos Educativos. São Paulo, Livro Alternativo,2018
Livros Publicados
As Pipoqueiras e o Tapete Mágico ( Editorarte, 2020 )
Beatriz Infância Raiz ( Editorarte, 2022)
Gabriel, o menino que um dia se viu! E curtiu! ( PoloBooks, 2023)
SOBRE SUAS OBRAS
As Pipoqueiras e o Tapete Mágico surgiu a partir de um curso de contação de histórias que a autora fez em 2012.
Porém, como o texto apresentado na época era muito extenso, foi sugerido pela editora que Jandiara criasse uma série sobre a cidade fictícia Inventa&Cria.
Este livro conta a história de três amigas que viviam sempre juntas e que um dia foram passear fora dos limites de onde seus pais autorizavam.
Chegaram a um riacho onde decidiram nadar para se refrescar, quando encontraram um tapete.
E daí em diante a história toma rumos muito interessantes.
Este livro valoriza a criança e o brincar.
(nota da autora)
Beatriz, Infância Raiz já fazia parte do processo de criação da primeira obra e foi publicada em 2022.
Este livro conta as dificuldades de Beatriz para se adaptar ao ensino fundamental, das ideias revolucionárias que os habitantes de Inventa&cria decidiram para manter a ordem e o desenvolvimento da cidade.
E principalmente de todo projeto de Beatriz.
Um história cheia de ideias incríveis.
Este livro trata das aspirações de se ater a um projeto de vida, pautado no respeito às diversidades e diferenças, na construção de parcerias sustentáveis e na formação para as infâncias saudáveis.
(nota da autora)
Gabriel, o menino que se viu. E curtiu! foi lançado em 2023, dando continuidade à série.
Um garoto ansioso e muito inteligente, que percebeu que a cor de sua pele era diferente da de seus pais.
Então ele resolveu usar o seu dom de “voar” para buscar respostas pelo mundo.
Um livro que traz mensagens e lições muito importantes.
Este livro fala da importância da leitura e o quanto os livros nos levam a lugares incríveis e aprendizados importantíssimos para nossa vida.
Sua essência
Todas as inspirações da autora vem das crianças e jovens deste país que merecem todo nosso respeito e uma educação de qualidade.
A começar pelas crianças e jovens próximas a ela, primeiro suas filhas, primeiras inspirações, depois seus netos, sobrinhos e sobrinhas e seus alunos.
Como professora e educadora para as infâncias, acredita na literatura infantojuvenil como parte essencial neste processo de gerar mudanças e transformações imensuráveis nas pessoas.
Por isto sente um prazer enorme em escrever e ler para as infâncias.
Boas práticas democrático-educativas na cidadania lusófona
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:
‘Boas práticas democrático-educativas na cidadania lusófona’
Diamantino Bártolo
O mundo moderno, que se pretende civilizado e democrático, quaisquer que sejam os instrumentos constitucionais em que uma determinada sociedade se constitua, tolera cada vez menos as práticas ditatoriais e, nesse sentido, implementará medidas educativas, formativas e cívicas que, gradualmente, incutam um novo conceito de cidadania.
Será pela educação, em contexto escolar, que se desenvolvem as metodologias que visam direcionar o cidadão para determinados princípios, valores e comportamentos. Formar para a cidadania é, certamente, uma preocupação da sociedade atual que, independentemente dos contributos individuais, espera da escola, na qual confia, as respostas adequadas.
Construir um projeto educativo, à medida de determinadas vocações, é um objetivo nobre que não só dignifica a instituição escolar, como enriquece todos os intervenientes na iniciativa, sejam educadores-formadores, sejam educandos-formandos, bem como qualquer outro pessoal fora do contexto escolar, mas que sinta o chamamento vocacional para uma área da intervenção educativa.
Nesta linha de orientação, o perfil do cidadão que se pretende para os novos tempos que se avizinham, será o de um interventor decisivo na elaboração, desenvolvimento prático e validação do projeto vocacional, para o que, indiscutivelmente, carece de uma orientação credível e ao longo da vida, a qual será prestada por instituições escolares, dos vários níveis do ensino/aprendizagem e formação.
Todo e qualquer projeto que ignora determinadas situações, culturas, meios disponíveis e a adesão responsável por parte dos futuros intervenientes, poderá estar condenado ao fracasso e, uma eventual reformulação pode criar resistências e suspeições. O património civilizacional dos povos gera nestes um sentimento nacionalista, de orgulho histórico-cultural e até etnocêntrico que é necessário saber compreender e valorizar no enquadramento multicultural. Por isso a envolvência da família é fundamental.
Ao novo cidadão que se deseja para este século XXI, deve ser-lhe concedida a oportunidade de exercer a liberdade e autonomia nas diversas atividades que, responsavelmente, vai exercendo ao longo da sua vida, sem qualquer prejuízo ou benefício por razões de estatuto social, político, económico ou académico. Capacidades latentes encontram-se nos vários escalões etários e socioprofissionais e, quando os seus titulares pretendem colocá-las em prática, de uma forma legal e legítima, devem ser apoiados, por quem tem o poder institucional para os apreciar e avaliar.
O autor nuclear que está na origem do presente trabalho, Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), cujas vida e obra para a problemática dos Direitos Humanos, contínua, através do pensamento que nos legou, bem vivo e citado ao nível do estudo das relações luso-brasileiras e, também, no que concerne à elaboração das normas constitucionais dos dois países irmãos.
A caminhada de aproximadamente quinhentos anos de História comum, Brasil-Portugal, comungando a mesma língua, permitiu aos dois povos envolverem-se numa cumplicidade de ideais, essencialmente ao nível do povo anónimo. Um certo companheirismo também esteve presente ao longo do percurso histórico.
Na etapa final desta longa e, por vezes, atribulada corrida, surgiria, justamente, o filósofo, o publicista, o diplomata, o professor e o político que foi Silvestre Pinheiro Ferreira, cujos direitos naturais ou absolutos por ele defendidos, o povo brasileiro verteu para a sua constituição política de 25 de março de 1824, conforme preceitua o seu artigo 179º: «A inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros, que têm por base a liberdade, a segurança e a propriedade é garantida pela Constituição do Império…» e, na atual Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de Outubro de 1988, o artigo 5º estipula: «Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.»
Bibliografia
CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO BRASIL DE 25 DE MARÇO DE 1824
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (CF/88), in: LOPES, Maurício António Ribeiro (Coord.), (1999), 4ª. Ed., revista e atualizada, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.
CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DA MONARQUIA PORTUGUESA (1838), in: Diário do Governo Nº 98 de 24 de abril de 1838
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Francisco Evandro de Oliveira: ‘A palavra na era da imagem’
Francisco Evandro FarickA palavra na era da imagem Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Desde os tempos mais remotos, a palavra é, sem sombra de dúvida, a maior e melhor forma de os povos se comunicarem; entretanto, nos dias atuais, em face da imensa facilidade de riqueza tecnológica existente, a palavra, bem como as diferentes formas de imagens, caminham lado a lado como forma de expressar pensamentos fatos e ações.
As imagens dizem tudo e substituem qualquer palavra e elas servem de comprovação para elucidar qualquer espécie de crime e podem ser utilizadas nos tribunais como defesa ou como acusação em qualquer processo.
No entanto, quem tem o dom da retórica ou simplesmente oratória, pode reunir milhões a sua volta e fazê-los caminhar pelas ações dos seus pensamentos, como por exemplo, o nazismo e o fascismo, que só obtiveram sucesso devido ao grande poder de persuasão que os seus líderes tinham. Eles faziam de suas falas a principal arma que cativaram e arrastaram milhões de pessoas para a derrocada e destruição.
Embora as imagens sejam quase sempre fortes, fracas, belas, enigmáticas, encantadoras e, às vezes, cruciais, no entanto, a palavra sempre cativa, faz a pessoa pensar ou refletir sobre o que se ver ou o que podemos ouvir sem nos prejudicar.
Imagens e palavras são formas poderosas de o ser humano expressar o pensamento e, no momento atual, a globalização faz cada dia as pessoas criarem novas invenções que levam as civilizações a se aprofundarem em busca de novas tecnologias, ela faz aproximar os comércios e indústrias internacionais, e logicamente reduziu as distâncias entre as nações, através de possantes aeronaves ou a utilização de meios de comunicações, que cujas mensagens atravessam o mundo em frações de segundos e com utilização da tecnologia que proporcionou o surgimento da internet fez o mundo estar on-line.
E o homem, ser mais inteligente do planeta Terra, busca sempre uma forma de caminhar em largos passos e escala ao encontro de novos ideais que tornará sua fonte de felicidade. Isso faz abrilhantar um caminho que a tríade anda e cresce paralelamente.
O homem, as imagens e as palavras. O homem racional cresce no sentido de se aperfeiçoar, estando evoluindo a cada dia buscando inúmeras formas de ser feliz e, por causa disso, novas palavras surgem face às guerras que eclodem no cotidiano das civilizações e as sinergias existentes entre vencedores e vencidos fazem surgir novas palavras as quais são incorporadas aos respectivos dicionários dos países em estado beligerante, como por exemplo, as palavras de uso corriqueiro da internet, (deletar, print e outras centenas delas) são palavras que já se encorparam ao linguajar de nosso povo.
Ao mesmo tempo, as imagens também têm seu espaço em constante mutação e, no momento atual, é uma riqueza inigualável! Porque elas estão em todas as partes e em todos os lugares: nos livros, nos cinemas, nos teatros e, principalmente, nas televisões diariamente e são as imagens expostas que nos alegram ou nos agridem de acordo com as ações que elas exprimem. Elas têm praticamente o mesmo peso e fazem o mesmo efeito. Como por exemplo, uma simples foto colocada em primeira página de um jornal de grande circulação pode causar um efeito muito forte na população.
As imagens que são expostas como propaganda à beira das principais estradas ou nas paredes dos bares e restaurantes, ou simplesmente em qualquer lugar. Sabemos que algumas delas são estilos de propagandas subliminares e que fazem as pessoas ficarem com elas em seus pensamentos e, como consequência, compram o produto, mesmo sem estarem deles necessitado.
As imagens, assim como as palavras nos fazem chorar, sorrir, nos entristecer e nos alegrar; como por exemplo, um filme de tragédia pode deixar uma plateia a ter depressão, haja vista ‘Titanic’ e outros do mesmo estilo que fizeram milhões de telespectadores ficarem com lágrimas nos olhos devido as fortes imagens retratadas do sinistro.
A era da imagem é forte e tende a sobrepujar as palavras. contudo, devemos refletir que as palavras são pontos principais de comunicação do ser humano e ele aprende desde a tenra infância e sendo ela seu instrumento principal de comunicação é um fato notório que por mais que as imagens tenham poder, jamais irão torna-se ou suplantar as palavras, porque, estando o ser humano em constante estado de evolução, haverá o momento que outras formas de comunicação superarão as imagens.
No entanto, nós humanos, que somos os seres mais inteligentes, estaremos sempre a utilizar as palavras como nossa principal fonte de comunicação em qualquer época de nossa existência.
As palavras, a bem da verdade, são códigos que previamente explicitados aos seus significados e quando reunidos formam palavras, frases e orações e no momento atual podemos perceber a avalanche de livros que formam escritos nos nossos presídios, os quais muitos críticos consideram como sendo os maiores autores de nossa literatura atual e os conteúdos neles escritos que são verdadeiras denúncias, porém em termos de códigos, não são mais que palavras e aí temos novamente o poder da palavra escrita como forma de denunciar uma situação existencial e a lógica narrativa dos manuscritos são as vivências próximas à escrita, algo que quase não se verifica no mundo fora das grades.
No atual momento que a violência é uma das maiores preocupações de nossa sociedade, as denúncias através das palavras, sejam elas escritas, faladas ou televisada tornam cada vez maior o poder de seu uso, seja para fins benéficos ou maléficos para sociedade.
As imagens arrastam multidões, porque seu efeito é imediato motivado pelo bombardeio das retinas que influenciam o cérebro.
Se considerarmos que bom senso é um fator de bonança e que deve ser partilhado para o bem comum, então devemos usar tanto as palavras quanto as imagens equitativamente, a fim de que não haja o predomínio de um, em prol da outra.
Palavras e imagens têm o seu devido e forte valor e somente nós saberemos o momento certo de utilizá-las na melhor forma possível e devemos também tirar.
Flyer da coluna Cinema em Tela. O renascer da estrela, uma nova vida à obra de Clarice Lispector’
“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.” Clarice Lispector
Lançado originalmente em 1985, momento em que a estreante Marcélia Cartaxo no papel da protagonista chamava atenção por sua intensa interpretação, volta aos cinemas a adaptação da última obra escrita por Clarice Lispector, ‘A hora da Estrela’. Dirigindo com maestria pela saudosa Suzana Amaral (1932 -2020), conhecemos Macabéa, migrante nordestina que, a partir de sua simplicidade e ingenuidade – alguns diriam pureza -, é tocada pela indiferença e aspereza da cidade grande.
Originalmente ambientada no Rio de Janeiro, a adaptação cinematográfica da novela de Lispector é transposta para a cidade de São Paulo, onde Macabéa, subempregada e morando em uma pensão com outras trabalhadoras, conhece o também retirante Olímpico, (José Dumont). Tratada com rudeza pelo pretenso namorado e relativa condescendência e menosprezo pelos chefes e colegas de trabalho, se encanta com o metrô e toma aspirinas para aliviar a dor constante que sente. Uma dor que nem ela mesmo explica, aquela que paira sobre o corporal e o existencial; aliás, a personagem em certo momento se pergunta “Será que eu, sou eu?”. Como se não pudesse ela mesma identificar sua função ou lugar no mundo.
Nesse tom melancólico e, não raro, onírico, a personagem gravita em torno de sua vida – ou existência, a pergunta ecoa –, ouvindo as músicas e curiosidades no rádio, enquanto sonha em ser artista/estrela de cinema. Ao passo que o expectador se compadece pelas mazelas da protagonista, cotejando até mesmo um paralelo quase angelical de alguém por demais ingênuo em contraposição a seu derredor, reflete-se ainda sobre os reflexos da migração desordenada. A promessa ilusória de uma cidade aparentemente de mãos abertas como amoroso receptáculo, mas que cerra os olhos à sorte de seus novos habitantes, ao revés do que se exalta no famoso ‘São Paulo, Sociedade Anônima’, (1965), de Luiz Sérgio Person, que retrata o período de florescência industrial brasileira.
Filmado numa época peculiar do cinema nacional, anos antes da extinção da Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A, e das leis de reserva de mercado, observava-se a continuidade de realizações cariocas e daquelas sedimentadas pela aludida Estatal, visto que no final dos anos oitenta amoldava-se a derrocada do ciclo de produções paulistas. Tão somente a partir dos anos 2000, com o fenômeno rotulado de ‘retomada’ do cinema brasileiro, seja a partir produções milionárias ou por realizações independentes, novamente se testemunharia um impulsionamento mais denso de nosso cinema.
Além de estreantes como a própria Cartaxo, capaz de transmitir a história sofrida de Macabéa a partir de um ‘mero’ olhar, interpretação que lhe rendeu a o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, o longa conta com veteranos em papéis secundários, como Fernanda Montenegro e Humberto Magnani. Após quatro décadas de seu lançamento, o filme incluído na lista dos 100 melhores pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), retorna às salas de cinema em circuito reduzido, após restauração digital em 4K. Para os que ainda não são familiarizados com o destino da protagonista, seja pela obra literária ou sua representação fílmica, a experiência coroa a ideia de que, mais do que a hora, celebra-se a Ressurreição da Estrela, e de sua criadora.