Planta baixa do infinito

Clayton Alexandre Zocarato ‘Planta baixa do infinito’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69f2d26d-0288-83e9-9bf2-c7a405c80271
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O infinito não começa.

            Ele infiltra.

             Escorre pelas frestas daquilo que se tenta chamar de limite e, quando percebido, já contaminou a ideia inteira de contorno.

            Não há borda que o contenha, apenas a ilusão de uma parede recém-pintada, ainda úmida, onde alguém escreveu com o dedo: “Aqui termina”.

             Mas o dedo atravessa a tinta, atravessa o reboco, atravessa o tijolo e não encontra o fim — apenas mais matéria, mais silêncio, mais uma repetição do mesmo gesto em escalas que se recusam a caber na palavra ‘escala’.

            O vazio não é o oposto disso. O vazio é o método.

            Há quem construa edifícios para se proteger do infinito. Linhas retas, ângulos previsíveis, metragem quadrada registrada em cartório. Cada centímetro delimitado por contrato, cada janela com sua função: olhar para fora sem se misturar.

            A filosofia do imobiliário nasce dessa tentativa desesperada de domesticar o indomesticável: transformar o abismo em planta baixa, o tempo em prestação mensal, a angústia em cláusula.

            Um apartamento de 47 metros quadrados não é um espaço. É uma narrativa comprimida.

            Uma promessa de controle. Um pacto silencioso de que ali dentro o infinito não entra — ou, se entrar, entra educado, em forma de espelho, duplicando o que já existe, jamais criando algo novo.

             A repetição é a grande aliada da propriedade privada: corredores que levam a portas que levam a quartos que levam a janelas que mostram outras janelas. Um eco visual que se vende como segurança.

            Mas o infinito infiltra.

            Ele se manifesta no intervalo entre o elevador e o andar desejado, quando o número digital pisca e por um segundo não é número, é vertigem.

            Ele aparece no corredor vazio às três da manhã, quando o sensor de presença falha e a luz não acende — não por defeito técnico, mas por recusa ontológica.

            Ele sussurra na rachadura da parede recém-reformada, insistindo que nenhuma reforma é suficiente, que todo acabamento é apenas uma pausa superficial.

            E então surge a ideia de redenção.

            Não uma redenção grandiosa, transcendental, mas uma redenção macabra, pequena, quase burocrática.

            Redimir-se de quê? De ter acreditado que o espaço podia ser possuído.

            De ter aceitado que o vazio podia ser ignorado. De ter assinado, com caneta azul, um contrato com o nada.

            Essa redenção não salva. Ela expõe.

            Há um momento — sempre há — em que a planta do imóvel deixa de ser representação e se torna labirinto.

            As linhas, antes claras, começam a se curvar discretamente, como se obedecessem a uma lógica paralela. O quarto invade a sala sem aviso. A cozinha repete a si mesma em ângulos impossíveis.

             O banheiro se prolonga em um corredor que não existia na versão anterior do mapa. Não é um erro de leitura. É uma correção do próprio espaço.

            E nesse instante, o proprietário — palavra curiosa — percebe que não possui nada.

            Que nunca possuiu.

            Que foi, no máximo, tolerado.

            A filosofia do imobiliário ensina que valor é localização. Mas localização de quê? Onde exatamente está um lugar que se altera quando não é observado?

             Que se reorganiza na ausência de testemunha? Que multiplica suas dimensões no escuro?

            O valor, então, torna-se uma ficção compartilhada, uma convenção útil para manter o terror sob controle.

             Paga-se caro por isso. Muito caro.

            A narrativa insiste em ser linear, mas o espaço não colabora.

            Há uma porta que sempre esteve ali, mas que agora parece deslocada alguns centímetros para a esquerda.             Uma diferença mínima, quase imperceptível, mas suficiente para gerar dúvida.

            E a dúvida, uma vez instalada, cresce com uma velocidade incompatível com a metragem do ambiente.

                        Talvez o infinito não seja expansão, mas repetição.

            Talvez ele não precise de espaço adicional, apenas de variação microscópica.

            Um desvio de milímetros que, acumulado, produz um abismo.

             Não se cai de uma vez. Cai-se em parcelas. Um centímetro por dia, financiado em décadas de distração.

            A redenção macabra se oferece como solução: reconhecer o erro, abandonar a pretensão de controle, aceitar o vazio como estrutura fundamental. Mas há um preço. Sempre há.

            Aceitar o vazio implica abrir mão da distinção entre dentro e fora. Significa admitir que as paredes são simbólicas, que o teto é uma sugestão, que o chão pode, a qualquer momento, inverter sua função.

             Não há mais abrigo. Apenas continuidade.

            E, paradoxalmente, é nesse abandono que surge uma forma distorcida de liberdade.

            Sem a necessidade de manter a coerência do espaço, a mente começa a explorar possibilidades antes impensáveis.

            Um corredor pode ser atravessado sem ser percorrido

            . Uma porta pode ser aberta sem ser tocada. Um quarto pode conter todos os outros quartos simultaneamente, dependendo do ângulo de observação — ou da ausência dele.

            A narrativa se fragmenta.

            Não há mais começo, meio e fim. Apenas pontos de intensidade conectados por lacunas.

            O texto se escreve nos intervalos, nos espaços em branco, nas pausas que antes eram ignoradas.

            A linguagem tenta acompanhar, mas tropeça. Palavras se repetem com pequenas variações, como se buscassem uma precisão impossível. Frases começam e não terminam. Ou terminam antes de começar.

            Há um ruído constante, quase imperceptível, como o som de um prédio respirando.

            E talvez respire.

            Talvez cada estrutura construída seja um organismo lento, absorvendo as intenções de seus ocupantes, digerindo suas rotinas, excretando pequenas distorções que, acumuladas, alteram a própria realidade.

            Não por maldade. Por necessidade.

            O infinito precisa de veículos, e o concreto é um excelente condutor.

            A redenção, então, deixa de ser um objetivo e se torna um processo contínuo de desintegração da certeza.

            Cada vez que se reconhece a falha na percepção, algo se dissolve. Não apenas uma crença, mas uma camada inteira de interpretação.

             O mundo se torna mais instável, mais fluido, mais próximo do que talvez sempre tenha sido.

            E o vazio?

            O vazio não ameaça. Ele aguarda.

            Não há urgência no nada. Não há pressão. Apenas uma disponibilidade infinita para acolher aquilo que deixa de se sustentar.

            Cada ideia que colapsa, cada estrutura que se revela ilusória, cada parede que se desloca alguns centímetros — tudo encontra no vazio um destino inevitável e, estranhamente, adequado.

            A perturbação não está no vazio em si, mas na resistência a ele.

            Na insistência em manter formas fixas em um contexto que favorece o fluxo. Na tentativa de congelar o instante em um contrato de longo prazo.

            Na crença de que é possível habitar um ponto sem ser afetado pela totalidade.

            Mas o infinito infiltra.

            Sempre.

            E talvez — apenas talvez — a única redenção possível seja parar de construir paredes e começar a observar as rachaduras.

             Não como defeitos, mas como aberturas. Não como sinais de falha, mas como convites.

            O texto não termina aqui.

            Ele apenas interrompe sua própria continuidade para sugerir que há algo além desta linha, algo que não pode ser contido na sequência de palavras, algo que escapa à sintaxe e se instala diretamente na percepção.

             Um desvio sutil, uma alteração mínima, um deslocamento de sentido que, se seguido, leva a um lugar onde o conceito de lugar já não se aplica.

            E nesse ponto — que não é um ponto — a filosofia do imobiliário se dissolve completamente, revelando-se como o que sempre foi: uma tentativa elegante de negociar com o indizível.

            Sem sucesso.

            Mas com estilo.

Clayton Alexandre Zocarato

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O equilíbrio invisível

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: Artigo ‘O equilíbrio invisível’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada pela IA do Bing – 29 de abril de 2026,
às 23:00 PM

Entre o orgulho que constrói e o orgulho que destrói.

Existe uma linha silenciosa, quase imperceptível, entre aquilo que nos fortalece e aquilo que nos derruba.

Chamamos essa linha de orgulho.

O orgulho, em sua essência, não é um vilão. Ele nasce quando reconhecemos uma conquista, quando honramos nossa jornada, quando percebemos que estamos evoluindo. A ciência, inclusive, confirma isso: estudos em psicologia mostram que existe o chamado orgulho autêntico, associado à autoestima saudável, sensação de competência e bem-estar.  

Mas há um outro lado mais sutil, mais perigoso, o orgulho arrogante. Esse, por sua vez, se manifesta na incapacidade de reconhecer erros, na sensação de superioridade e na desconexão com a realidade. E aqui começa a ruína.  

Porque o problema nunca foi sentir orgulho.

O problema é quando ele deixa de ser consciência… e passa a ser ilusão.

Existe um princípio antigo, profundamente observado ao longo da história humana: antes da queda, há sempre uma elevação desordenada do ego.

A arrogância não surge do nada. Ela nasce de um excesso de autoimagem inflada, de reconhecimento distorcido, de uma identidade que já não precisa mais aprender.

A psicologia descreve esse fenômeno com precisão: pessoas arrogantes tendem a ter maior dificuldade de autocrítica, menor capacidade de crescimento e mais conflitos interpessoais.  Ou seja: quanto maior a sensação de “já cheguei”, menor a possibilidade de evolução.

E isso explica por que tantas trajetórias brilhantes desmoronam.

Não é falta de talento.

É excesso de si mesmo.

Existe um tipo ainda mais sofisticado e mais perigoso de orgulho: aquele que se esconde atrás da humildade.

A falsa humildade não se apresenta como grandeza… mas como pequenez estratégica.

É quando a pessoa se diminui para ser validada.

Quando diz “não sou nada”, mas espera ser exaltada.

Quando se coloca abaixo, mas internamente deseja estar acima.

Isso não é humildade.

Isso ainda é orgulho só que invertido.

É o ego que não conseguiu crescer… e decidiu se esconder.

Humildade não é ser pequeno

Um dos maiores equívocos humanos é confundir humildade com miséria emocional.

Ser humilde não é se anular.

Não é aceitar menos do que se é.

Não é viver em escassez interna.

Humildade é consciência.

É saber quem você é sem precisar provar.

É reconhecer suas forças sem precisar exibir.

É admitir suas falhas sem se destruir por elas.

A verdadeira humildade não diminui o indivíduo.

Ela o posiciona.

Enquanto o orgulho exagerado distorce a identidade para cima, e o vitimismo distorce para baixo, a humildade alinha.

Pouco se fala, mas o vitimismo também é uma forma de orgulho.

Sim, um orgulho ferido.

É quando a pessoa se apega à dor como identidade.

Quando transforma a própria limitação em narrativa permanente.

Quando se recusa a crescer, porque crescer exige responsabilidade.

No fundo, o vitimismo diz:

“Eu não mudo, o mundo que deveria mudar para mim.”

E isso paralisa.

Porque enquanto a arrogância impede o aprendizado por excesso de ego, o vitimismo impede por ausência de ação.

Ambos levam ao mesmo lugar: estagnação.

Quando o orgulho se combina com o desejo descontrolado por mais, mais status, mais poder, mais reconhecimento, nasce a ganância.

E aqui o problema se aprofunda.

Estudos em comportamento social mostram que traços como arrogância e ganância tendem a prejudicar a cooperação, enfraquecer relações e comprometer decisões coletivas. Ou seja, o indivíduo até pode subir…

Mas sobe sozinho.

E, muitas vezes, cai sem sustentação.

Porque aquilo que não é construído com consciência, não se sustenta com o tempo.

A saúde integral, física, emocional e espiritual, exige um equilíbrio fino:

Orgulho suficiente para reconhecer seu valor

Humildade suficiente para continuar aprendendo

Confiança para avançar

Consciência para não se perder

Força para conquistar

Sabedoria para permanecer

A arte da vida não está em eliminar o orgulho.

Está em refiná-lo.

Transformar o orgulho em gratidão.

A conquista em serviço.

O crescimento em consciência.

Porque no fim…

não é sobre o quanto você sobe.

É sobre quem você se torna enquanto sobe.

Do que você se orgulha em sua vida?

Joelson Mora

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Thomas Hardy y su tess

María Beatriz Muñoz Ruiz

Reseña literaria ‘Thomas Hardy y su tess’

Maria Beatriz Munõz Ruiz
Maria Beatriz Muñoz Ruiz

Lento, muy lento. Lo que en sus poemas era una hermosa bendición, en sus novelas fue una lenta, aunque dulce, tortura. Estoy hablando de Thomas Hardy y de su novela Tess d’Urberville.

Primero me enamoré de su vida y sentí curiosidad por el hombre cuyo corazón reposa con su amada Emma y su cuerpo con los grandes poetas en la Abadía de Westminster. Entonces descubrí sus perfectos, románticos y dramáticos versos; de esos que te envuelven como una cálida manta en una noche de frío, de esos que hielan tus huesos con el dolor de alguien que ha perdido al amor de su vida sabiendo que ya lo había perdido antes de que durmiera eternamente en el blanco mármol pulido.

Como un suave fuego que calienta mi cuerpo, entró en mi corazón y grabó su nombre en un tatuaje invisible y eterno. Así que decidí avanzar en nuestra relación y aventurarme con una de sus novelas porque, como ya sabéis, me atrae todo lo que la sociedad censura, aquello que se critica, porque supongo que es interesante.

La novela elegida fue Tess d’Urberville y, en su defensa, he de decir que no sé si la recomendaría o no; y digo “en su defensa” porque me ha dejado perpleja en muchos sentidos. En primer lugar, esta novela debería llevar detalladas instrucciones para aquellos valientes en los que surja la inquietud de leerla.

Es una novela densa, muy densa, y os lo dice alguien que está acostumbrada a leer novela clásica inglesa. He leído a las hermanas Brontë, a Virginia Woolf, Jane Austen, George Orwell, Oscar Wilde e innumerables poetas que se han convertido en mis amigos, amantes y arquitectos de sueños con puentes que me hacen viajar a tiempos llenos de romanticismo.

Pero sí, con esta novela he estado a nada de castigarla de cara a la pared; casi seiscientas páginas en las que las descripciones son tan densas que, cuando llegas a los sucesos interesantes, apenas recuerdas en qué punto estabas. Y ahora diréis los eruditos insufribles que las novelas clásicas son así, y tenéis razón; he leído demasiado a los clásicos como para saber que lo son, pero lo que empieza como pura poesía descriptiva termina desquiciándome con cada detalle desmenuzado del paisaje. Sin embargo, creo que no ha sido eso lo que se me ha atragantado de esta novela; lo que realmente me ha desquiciado ha sido la historia en sí misma.

Entonces entendí la magia de Thomas Hardy y que no todos estamos preparados para leerlo; es como la comida mexicana: me encanta el picante, pero cuando te comes un taco mexicano real es cuando entiendes que no estás preparada para el verdadero picante, ya que su nivel de tolerancia es mucho mayor al nuestro. Vamos, un arte.

Pues eso pasa con esta novela; no estaba preparada, pero me alegro de haberla leído. Thomas Hardy muestra la hipocresía de la sociedad en estado puro: el doble rasero con el que se medía a las mujeres y a los hombres, lo efímero que puede ser el amor que pasa al odio en dos segundos y la triste realidad de que, al final, todo se compra con dinero.

A Tess le arrebataron su inocencia, la amaron, la juzgaron y, tras empujarla al abismo, decidieron que ella era el error. Creo que por eso se me ha hecho demasiado larga: porque sufría con su dolor y, si hubiera podido adentrarme en esas páginas y rescatarla, lo habría hecho.

Así que, si me preguntáis si la recomendaría… os diría que solo para los que estén preparados para pausar su vida y avanzar lentamente con cada descripción hasta llegar a imaginar los campos, el olor a césped, el sol de la tarde con sus últimos rayos acariciando la piel de Tess, un amor que se cuece a fuego lento y una traición que asesina el corazón del lector.

Quizás por eso la novela clásica es tan difícil de leer en la actualidad, pero tal vez… deberíamos hacer caso y detenernos, dejar de correr en este mundo de locos y obligarnos a vivir la vida como la cadencia de los versos y las descripciones de Thomas Hardy: sin prisa.

Maria Beatriz Muñoz Ruiz

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Os desafios dos professores de línguas!

José Ngola Carlos

‘Os desafios dos professores de línguas!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por Ia do Bing – 29 de abril de 2026, às 14:07 PM

Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.

Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.

O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!

Comecemos com a primeira justificativa:

“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”

O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!

O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”

Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!

Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.

O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.

Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.

Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 29 de abril de 2026

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A força da mulher na poesia

Laskiaf Amortegui

‘A força da mulher na poesia: para além dos títulos, a alma’

Laskiaf Amortegui
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Neste mundo globalizado, onde a tecnologia nos permitiu derrubar fronteiras, surgiu algo imparável: o grito de talentos que antes eram silenciados pela sombra. Hoje, não quero simplesmente escrever; quero erguer a voz pela importância da mulher neste despertar literário.

​A poesia real não vive apenas nos livros; ela pulsa nas ruas. Habita nas mãos das mulheres que servem café, que amassam o pão, que limpam hotéis ou que sustentam o silêncio de seus lares. São profissionais de todas as áreas, mas, acima de tudo, são poetisas do destino. Algumas possuem diplomas, outras trazem apenas as cicatrizes que a vida ensina, mas todas compartilham o sagrado: uma alma que sabe transmutar a dor em verso.

​Ao tocar esta poesia, sentimos cores e sabores que rasgam as estruturas. É um verso que fere e cura, que deixa uma marca a fogo na memória. Esta é a verdadeira inovação: uma voz com consciência, que canaliza o amor e o desamor com a força de quem sobreviveu.

​A poesia veste-se hoje com uma força renovada: a da mulher que é o pilar de sua família, a que busca o pão sob o sol, a que se levantou com dignidade após um divórcio, um fracasso ou o desprezo de uma sociedade dura.

​Apesar das barreiras e dos favoritismos, nossa luz está brilhando. O mundo está finalmente abrindo os olhos para a arte sem preconceitos. Hoje, a poesia não é um privilégio de elites; é o refúgio e o rugido de cada mulher que se atreve a ser luz em meio à tempestade.

Laskiaf Amortegui

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Tudo por conta de uma anágua

Eduardo Cesario-Martínez

Conto ‘Tudo por conta de uma anágua’

Eduardo Cesario-Martínez. Foto por Irene Oliveira
Eduardo Cesario-Martínez
Foto por Irene Oliveira
Imagem criada pela IA do Gemini
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Não foi muito antes de contemplar meus primeiros pelos debaixo do nariz. Talvez, pelo longo espaço temporal, eu esteja cometendo uma pequena falha de meses ou, pode até ser, alguns anos. Na verdade, tais detalhes são irrelevantes. Certamente, não havia chegado aos 20. Ou não.

          Lá estava diante da porta da casa da Matilda, já uma velha naquela época. Hoje, bem sei, ela está há pelo menos 30 anos deitada no São João Batista, endereço eterno de tantos famosos, além de um número infinito de meros mortais. Seja como for, a soberba de alguns parece ter sido em vão, já que todos, no final, se igualaram. 

          Provavelmente, você, que aqui me lê, deve estar agoniado diante de tanta enrolação. Que seja! Vou desembuchar, antes que perca mais um leitor, que, até onde consta, não são muitos. Estava ali por conta de uma encomenda. Digo, uma anágua. 

          Dei dois toques sutis na carcomida porta de madeira, o suficiente para me fazer anunciado. Não demorou, Matilda veio me atender. Fui recebido com um largo sorriso. A idosa, que há pouco havia trocado a dentadura, andava sorridente. Motivo outro, diziam à boca pequena, era por causa de um primo do falecido marido. Como não entendia dessas coisas naqueles idos ou, então, meu olhar estava mais preocupado com as pernas torneadas da Sandrinha, não posso dizer que sim ou que não. 

          A velha me convidou para entrar. Havia duas outras senhoras na ampla sala. A gordinha, eu conhecia. Não me recordo do seu nome. Elaine ou Eliane ou algo assim. Elisa? Pode ser. Não importa. A outra, uma mulher de aparência elegante, nunca havia visto. Bem que poderia ser capa de alguma revista de artistas. Exagero ou realidade, não posso afirmar, mas é como me recordo dos seus traços. 

          — Um instante, Betinho. 

          Matilda foi até um cômodo da casa, enquanto a fiquei aguardando em pé. A gorda e a artista me fitavam de cima a baixo, como se estivessem escolhendo o próximo modelito. Meu rosto começou a pegar fogo, com certeza completamente vermelho, como ainda acontece sempre que fico envergonhado por algo. 

          Não sei quanto tempo depois a velha voltou com um pacote. No entanto, pareceu-me uma eternidade. A minha vontade era sair correndo dali. Mas a bonitona, que continuava me encarando com aqueles olhos enormes, quis saber quem eu era.

          — É o Betinho, filho da Mariana, que mora no final da rua. 

          Se eu disse alguma coisa, não me lembro, mas bem sei que ela não tirava aqueles olhos de mim. O rosto, frio como o de uma loira platinada de Hitchcock, começou a me provocar calafrios. E, antes que eu pudesse fazer algo, eis que alguém deu dois toques na porta, o suficiente para que Matilda fosse ver quem era. 

          Solange, antiga moradora do bairro, entrou toda sorridente. Matilda me entregou o pacote com a anágua da minha mãe, enquanto aproveitei a porta aberta e saí, mas não antes de escutar o seguinte interlúdio, que ainda hoje me corrói de curiosidade.

          — Solange, vou passar um cafezinho. 

          — Não precisa, Matilda. Vim aqui apenas para lhe deixar esse vestido para ajustar.

          — Mas você aceita uma fofoca?

Eduardo Cesario-Martínez

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Idioma e poesia

José Antonio Torres: Poema ‘Idioma e poesia’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA da Meta.
Gerada em 29 de abril, às 08:16h

Ah, linguagem melodiosa do acalanto! 
Idioma de Camões e Fernando Pessoa. 
Quem ouve te adora, entoando o canto.
Sua beleza na força da alma ressoa.

Idioma de Castro Alves, quem nunca leu e amou?
Espalhou-se por continentes, levado por Caravela.
Faz-me flutuar, pois que a tristeza da alma arrancou,
Desbravadores valentes falando uma linguagem tão bela.

Derivou-se do latim e aprimorou-se em nobreza.
Sílabas de um jardim que encantam a Natureza.
Portugal, pátria de origem da língua portuguesa,
Onde os poetas criam poemas de grande beleza.

Ao raiar no horizonte um dia de esplendor, 
O idioma inspira o olor da maresia.
A língua portuguesa de som encantador, 
Mostra a beleza da terra e inspira poesia.

José Antonio Torres

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