Cartaz do filme ‘Incompatível com a Vida’ – Cineclube de Itu
‘Incompatível com a Vida’. Próximo filme que será exibido pelo Cineclube de Itu. Um filme sensível e polêmico da consagrada cineasta Eliza Capai
O Cineclube de Itu selecionou para sua próxima exibição um filme, extremamente sensível e polêmico, dirigido por Eliza Capai.
A exibição gratuita acontecerá no dia 21 deste mês, uma sexta-feira, às 20h00 no Confrades Bar que fica na Rua Padre Bartolomeu Tadei, 47 – Itu/centro.
Sobre o filme: O filme de teor autobiográfico, relata a experiência de Eliza quando começou a filmar sua própria gravidez, na época a ideia era filmar cenas do cotidiano de sua experiência da maternidade junto com seu companheiro.
Foto de João Pina
A direção inicial do filme toma outro rumo, quando na 14. semana, recebe o diagnóstico de uma má formação fetal, tornando o bebê incompatível com a vida, sendo aconselhada pelos médicos a interromper a gravidez. Isto foi legalmente possível porque Eliza morava em Portugal, onde a lei sobre o aborto foi descriminalizada em 2007.
Para enfrentar sua dor, Eliza passa a conversar e filmar outras mulheres que passaram por situações semelhantes.
O filme questiona a problemática das políticas públicas relacionada a interrupção legalizada da gravidez e as lacunas no preparo dos profissionais de saúde para lidar com casos assim.
Passando pelos diversos conflitos das mulheres que enfrentam esta situação e, as implicações dos variados pontos de vista, nos levando a refletir profundamente sobre percepções da vida, morte e direitos.
Frame de ‘Incompatível com a Vida 2023. Imagem divulgação saite
Premiação:
O filme lançado em 2023 foi escolhido como vencedor da Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens no festival de cinema “É tudo verdade”.
Segundo a opinião do júri – “Pela coragem de mergulhar de maneira pessoal e poética num tema delicado e urgente, trazendo à luz a realidade de muitas mulheres e a urgência da discussão sobre os direitos reprodutivos no Brasil.”
A diretora Eliza Capai. Foto divulgação
Sobre a diretora Eliza Capai
Eliza, documentarista de carreira consolidada e respeitada, fez filmes de diferentes abordagens, sempre voltados para questões sociais e de gêneros.
O seu filme “Tão Longe é Aqui”percorre diversos países do continente Africano contando a história das mulheres que habitam este lugares tão diferentes de nossa realidade.
Entre outros vale destacar também o documentário “Espero tua (re)volta” marcado pela mobilização política dos estudantes do ensino médio.
Estes dois documentários, “Tão Longe é Aqui” e “Espero tua (re)volta”, já passaram pelas telas do Cineclube de Itu.
Sobre o evento:
O evento é uma contrapartida do projeto contemplado pela Lei de fomento ao setor audiovisual de apoio a cineclubes, através do edital 08/2023 – chamamento público 182/2023 promovido pela Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico de Itu subsidiado pela Secretaria de Cultura do Estado de SP.
Nota da prefeitura:
A Prefeitura da Estância Turística de Itu esclarece que, esta é uma obra independente, resultante do processo de seleção do Edital n. 182/2023, nos termos da Lei Complementar n. 195/2022 (Paulo Gustavo), do Decreto Federal n. 11.525/2023 (Paulo Gustavo) e do Decreto Federal (Fomento Cultural) n. 11.453/2023. Portanto, o conteúdo, opiniões emitidas e expressas nesta obra audiovisual são de exclusiva responsabilidade dos autores e não representam o poder público municipal.
Sergio DinizVândalo é o Sistema Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Mais um dia amanhece, ensolarado, e cá estou eu, acompanhado por meu cãozinho (Tobby), no nosso passeio diário.
E hoje, em vez dos parques da cidade, as ruas do meu bairro.
Passando por um muro, uma pichação me chama a atenção. No lugar de apenas os costumeiros símbolos ininteligíveis para as pessoas em geral, ao lado destes, a frase: “Vândalo é o Sistema”.
Continuo a minha caminhada, arrancado bruscamente que fui pelo impaciente peludinho, premido por suas necessidades fisiológicas. Mas a frase segue comigo, produzindo comichões filosóficas.
“Vândalo é o Sistema”. A frase ficou martelando na minha cabeça, certamente à espera de uma conclusão, concordando com ela ou a rejeitando.
Num primeiro momento a rejeitei, porque, afinal de contas, a pichação, sim, é um ato de vandalismo, uma vez que o seu autor ─ geralmente, mais de um ─ não pede permissão ao proprietário dos imóveis ou dos bens públicos para tal manifestação; manifestação essa, aliás, muitas vezes insultuosa ou tão somente utilizada como forma de demarcação de territórios entre grupos ─ às vezes gangues rivais.
Realizada à noite e em locais proibidos e, basicamente, com uma única cor, apresenta um visual desagradável, não apresentando algum valor artístico ou mesmo mensagens que gerem qualquer reflexão útil.
Trata-se, portanto, de uma prática ilegal, considerada vandalismo, nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98, que trata dos Crimes Ambientais.
Curiosamente, porém, a prática da pichação é encontrada desde a Antiguidade. A erupção do vulcão Vesúvio preservou inscritos nos muros da cidade de Pompeia, que continham desde xingamentos até propaganda política e poesias. Na Idade Média, padres pichavam os muros de conventos rivais no intuito de expor sua ideologia, criticar doutrinas contrárias às suas ou mesmo difamar governantes.*
Visto sob este ângulo, definitivamente rejeitei a frase do muro.
Todavia, semelhante à Serpente do Paraíso, ela continuou me instigando a comer e digerir o fruto dos meus conhecimentos, conceitos e até mesmo dos meus preconceitos.
O ‘Sistema’ que, dentre inúmeras acepções, é definido como a qualidade econômica, moral, política de uma sociedade que condiciona, integra e/ou aliena um indivíduo.
Neste momento, senti uma vontade irresistível de conhecer o autor da pichação, agora não mais vista como rabiscos grotescos, porém, como um grito silencioso de um grupo ou de uma voz solitária clamando, talvez, por ética, solidariedade, paz e justiça social. E aquele muro era tão somente uma grande folha de papel em branco, onde esse apelo haveria de alcançar olhos míopes e mentes entorpecidas pelo Poder.
Este lampejo reflexivo ensombreceu meu passeio, mas, certamente, não o do meu cãozinho que, naquele instante, se detinha, curioso, fascinado diante de uma belíssima borboleta.
Também me detive para apreciar aquele inseto, delicadamente colorido. E não pude deixar de comparar esta visão à do muro. Esta, para a admiração de um ser irracional. Aquela, provavelmente, para a inércia de um ser humano.
De Tiros (MG) para o ROL, a pena poética de Clébio Pessoa
A alma mineira de Clébio Pessoa decanta o amor em toda a sua plenitude
Clébio Pessoa
Clébio Pessoa, natural de Tiros (MG), é escritor, poeta, membro da AIAP – Academia Intercontinental de Artistas e Poetas e autor do livro ‘Devaneios’.
Sua seara literária tem sido reconhecida nacional e internacionalmente por muitos prêmios, dentre os quais Prêmio Nacional de Literatura, outorgado pelo Instituto Cultural Colombiano Casa Poética Magia y Plumas; Reconocimiento de Excelencia, pelo Grupo de Poesia Virtual Internacional e Destaque de Honra, pelo Grupo Nossa Essência; Placa de Oro, pelo Dia Internacional de La Poesia 2020; Diploma de Honra 2020 e Placa Literária – Medalhão VIP.
No biênio 2005-2006, quando obteve o título de PhD em Português na Universidade de Coimbra (Portugal), foi galardoado pela Reitora da Universidade, Rose Nunes, com esta distinção: “Trago cultura hispano-romana/ Desde Portu Cale da Galécia/ Reverberada nos Sermões de Vieira/ Na poética de Camões e Versos de Clébio Pessoa”.
Clébio Pessoa inicia sua jornada literária ROLiana com o poema ‘Devaneios’
Devaneios
Devaneios poéticos Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Ao nos amarmos, mantemos a galhardia de deixar acontecer renovando acepções, devaneios e vidas ficando constantemente em êxtase.
Corações enfatizam inefáveis fórmulas das querenças, onde entusiasticamente nós revelamos eternos parceiros.
Prazeres colossais refazemos em imagináveis ilusões, onde são paradisíacos os encantos de tocar, predominando sempre o amor.
Espetáculos são refeitos, onde desfilam almas gêmeas que nos fazem ficar perplexos como amantes em foco: estás!
Marcelo Paiva PereiraDireitos humanos Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Os direitos humanosi têm sido uma árdua conquista desde imemoriais tempos, quando Ciro, rei persa, conquistou a Babilônia (538 a.C.) e libertou os escravos. De lá para cá, em diversos lugares tem sido alvo de disputas políticas e militares, polêmicos debates entre parlamentares, exames jurídicos e judiciais na razão de sua naturezaii e finalidade. Seguem abaixo alguns comentários a respeito.
Em 1215 o rei João Sem Terra (da Inglaterra) assinou a “Magna Charta”, acordo político transformado em normas legais, que limitou seu poder e assegurou aos nobres o cumprimento de antigos costumes e direitos descumpridos pelo rei. Com esse acordo o rei dividiu o poder com a aristocracia, que passou a ter mais espaço políticoiii naquele país.
Posteriormente, os reis da Europa realizaram manobras para afastar a aristocracia do exercício do poder e a substituiu seus assessores por profissionais especializadosiv (os primeiros funcionários públicos), muitos deles da embrionária burguesia a qual, após a Peste Negra (1347-52), prosperou desde o período do Absolutismo Monárquicov até a Revolução Francesa (1789)vi.
O Iluminismo (corrente filosófica da qual John Locke foi seu precursor) fomentou a Revolução Gloriosa (1688), que depôs o rei Jaime II, assumiu a Coroa o rei Guilherme III, criou a Monarquia Parlamentar e promulgou a Carta de Direitos (“Bill of Rights”), pela qual o rei reina, mas não governavii. Inspirou, também, os protagonistas da Independência dos Estados Unidos da América e da Revolução Francesaviii.
Aos 04.07.1776, as treze colônias da América do Norte conquistaram a independência, proclamaram-se Estados Unidos da Américaix e em 1787 elaboraram a Constituição, contendo as normas que asseguravam garantias às liberdades individuais, ao exercício da democracia e ao presidencialismo, vigentes até os dias atuais. Aos 14.07.1789 os jacobinos deflagraram a Revolução Francesa, puseram fim ao Antigo Regime e promulgaram (26.08.1789) a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, com 17 artigosx.
No século XX a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Revolução Russa (1917) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) marcaram a história da humanidade e os direitos humanos.
O estopim da Primeira Guerra Mundial (1914-18) foi o assassinato (28.06.1914), por um estudante sérvio, do arquiduque Francisco Ferdinando (herdeiro do trono da Áustria-Hungria) na cidade de Sarajevo. Formaram-se a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria e Itália) e a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia) às quais aderiram outros países (Bulgária e Turquia à Aliança; e Bélgica, Sérvia, Itália e Estados Unidos da América à Entente)xi. Aos 11.11.1918 foi decretado o armistício e em janeiro de 1919 a Alemanha assinou o Tratado de Versalhes, o qual a considerou culpada e obrigada a indenizar os vencedores.
A Revolução Russa, de outubro de 1917, extinguiu as instituições burguesas e ocupou com bolcheviques os soviets espalhados pelo país. Eram contrários à existência de qualquer instituição burguesa porque privava o proletariado de direitos essenciais à sobrevivência. Inicialmente foi a genuína revolução comunista pretendida por Karl Marx e Friedrich Engels, os quais previam o surgimento de uma sociedade livre da opressão dos capitalistas sobre os trabalhadoresxii. Lênin, todavia, introduziu o controle do Estado pela sociedade através do partido único: burocratizou-se o Estado Soviético, submeteu a sociedade aos caprichos do governante e subverteu a idéia marxista de subordinar o Estado ao controle da sociedade. O Estado opressor deixou de ser burguês para ser comunista e assim foi até a extinção definitiva da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em dezembro de 1991.
O nazismo deu causa à Segunda Guerra Mundial (1939-45)xiii, durante a qual a sobrevivência das etnias e das liberdades estiveram ameaçada por Adolf Hitler e seus seguidores. Aos 30.01.1933 assumiu o cargo de chanceler da Alemanha e incorporou ao Estado a ideologia do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Com a morte do presidente Hindenburgxiv, o cargo foi ocupado por Hitlerxv apoiado pelas Forças Armadas e pela população e se tornou ditador da Alemanha. Ele queria dominar o mundo e submeteu as raças “impuras” ou “nocivas” à suposta superioridade alemã. Dentre tantas atrocidades, promoveu a “solução final” (ou hocausto), com o fim de exterminar os judeus.
Aos 10.12.1948 a Assembléia Geral da ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem com 30 artigos adaptados ao mundo contemporâneo, após os gravosos efeitos das duas guerras mundiais, assegurando vários direitos até então oprimidos ou suprimidos pelas referidas guerras.
No século XX também ocorreram outros conflitos, como foram a Revolução Mexicana, a Guerra da Coréia, a do Vietnã, as no Oriente Médio e o período da Guerra Fria (1945-1991). Os movimentos pacifistas, como o hippie e os que se seguiram pelas décadas de 80 e 90, também modificaram os comportamentos das gerações, que reclamaram novas liberdades.
No Quênia e na China as violações aos direitos humanos são mais evidentes, conforme o jornal “O Estado de S. Paulo” de 31.01.2008 (págs. A14 e A15). A violência no Quênia começou aos 27.12.2007 quando o presidente Mwai Kibaki foi reeleito mediante eleições supostamente fraudadas. Distúrbios iniciais causaram 15 mortes em Nairóbi; mas a violência adquiriu caráter étnico e os kikuyus (etnia dominante) atacaram kalenjins e luos, com o aumento do número de vítimas fatais.
Na China às portas dos Jogos Olímpicos de Pequim (agosto de 2008), autoridades chinesas divulgaram que somente companhias oficialmente autorizadas podiam transmitir arquivos de áudio e vídeo pela internet e ampliaram a campanha contra “conteúdos imorais” na web, como instrumento para perseguir e prender dissidentes.
Por sete séculos a humanidade lutou pelas garantias ao exercício das liberdades individuais com o propósito de proteger cada pessoa em face do Estado, limitando-o: a República foi a forma de governo, a democracia foi o regime (político) de governo e as atividades privadas se separaram das funções de Estado, distinguindo o privado do público e conferindo atribuições (deveres e obrigações) próprias.
Resumidamente, no percurso histórico dos direitos humanos, o caráter políticoxvi foi sua marca registrada, fazendo deles o estandarte dos direitos individuais até então negados ou oprimidos. Tanto no tempoxvii quanto no espaço, os direitos humanos sempre tiveram a finalidade de proteger o indivíduo da opressão do Estado. A democraciaxviii exige dele a obrigação de tutelar o interesse público e submeter a si mesmo (através de seus representantes) às normas constitucionais e infraconstitucionais. O Estado se obriga a tutelar o exercício das liberdades individuais sem invadi-las, evitando às pessoas qualquer embaraço ou constrangimento não autorizado expressamente em lei.
Conclusivamente, se os direitos humanos foram uma histórica e custosa conquista da humanidade, devem ser utilizados para as finalidades a que sempre se destinaram (combater a opressão do Estado)xix, sem perder de vista a natureza política que os nutrem. Nada a mais.
i Diz De Plácido e Silva: “Designação dada a todo Direito instituído pelo homem, em oposição ao Direito que se gerou das revelações divinas feitas ao homem.” SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico: vol. II_D-I, 11ª edição, Rio de janeiro: Forense, 1989, pág. 88;
ii Diz Miguel Reale: “Ora, por mais que varie o mundo das regras de conduta, devemos reconhecer que há normas que adquirem certa estabilidade, que as defendemos como se fossem inatas, como é o caso das que protegem a pessoa humana, a democracia ou o meio ambiente necessário a uma existência sadia.”. REALE, Miguel. Variações sobre a normatividade. Jornal O Estado de S. Paulo, de 04.06.2005, pág. A2;
iii Diz Antônio Augusto Cançado Trindade: “Os tratados de direitos humanos beneficiam diretamente os indivíduos e grupos protegidos. Cobrem relações (dos indivíduos frente ao poder público) cuja regulamentação era outrora o apanágio do direito constitucional. (…)”. PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Instrumentos Internacionais de Proteção dos Direitos Humanos. Centro de Estudos, série documentos n° 14, dezembro de 1996, pág. 42;
iv Diz Max Weber: “Na Europa, a função pública, organizada de acordo com o princípio da divisão do trabalho, desenvolveu-se progressivamente, ao longo do processo que se estende por meio milhar de anos. As cidades e os condados italianos foram os primeiros a seguir por essa via. No caso das monarquias, esse primeiro lugar foi conquistado pelos Estados conquistadores normandos. O passo decisivo foi dado relativamente à gestão das finanças do príncipe. (…)”. Ob. cit., pág. 73;
v em alusão a Teoria do Direito Divino Sobrenatural, defendido por Bossuet, assim diz Sahid Maluf: “(…). Preceptor do Delfim, de 1670 a 1679, escreveu A Política, obra em dez volumes, dos quais os seis primeiros, inspirados em Aristóteles e Hobbes, são dedicados à instrução do herdeiro real, e os demais, ao estudo da origem e do fundamento divino do poder. A autoridade real, disse Bossuet, é invencível, sendo-lhe único contraponto o temor de Deus. É devida obediência ao rei ainda quando seja este injusto e infiel. (…)”. MALUF, Sahid. Curso de Direito Constitucional: teoria geral do Estado, vol. 1°, 6ª edição. São Paulo: Sugestões Literárias S.A., 1970, pág. 63;
vi Referindo-se a Jean Jacques Rousseau, diz Sahid Maluf: “(…) Seus livros a respeito da formação dos Estados – Discurso sobre as causas da desigualdade entre os homens e contrato social – tiveram a mais ampla divulgação em todos os tempos, sendo recebidos como evangelhos revolucionários da Europa e da América, no século XVIII.”. Ob. cit., pás. 71/72;
vii Prof. GILDO. Aula de História Geral, no curso pré-vestibular ETAPA, aos 06.11.2006. Não publicado;
viii . Aula de História Geral, no curso pré-vestibular ETAPA, aos 06.11.2006. Não publicado;
ix no período entre 1775 a 1782 as treze colônias da América do Norte, apoiadas pela França, se opuseram à Inglaterra e conquistaram a independência. Em 1783 o Tratado de Versalhes pôs fim à guerra e ratificou a independência dos E.U.A. HOUAISS, A. (Ed.). Grande Enciclopédia Delta Larousse, volume 8. Rio de Janeiro: Editora Delta S.A., 1971, pág. 3509;
x aos 26.08.1789 a assembleia constituinte francesa aprovou o texto definitivo, de 17 artigos, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que protegia os cidadãos contra os abusos do arbítrio judiciário, da censura ou da intolerância. Ob. cit., vol. 5, pág. 2215;
xi Prof. ANTÔNIO. Aula de História Contemporânea, no curso pré-vestibular ETAPA, aos 08.11.2006. Não Publicado;
xii Afirmam Marx e Engels: “Mas não nos recrimineis medindo a supressão da propriedade privada por vossas ideias burguesas de liberdade, de cultura, de direito etc. Vossas ideias são o produto de relações burguesas de produção e de propriedade, da mesma forma que vosso direito é apenas a vontade de vossa classe erigida em lei, vontade cujo conteúdo é determinado pelas condições materiais de vida de vossa classe.”. MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista: 1848, 1ª ed. (1ª reimpressão). Porto Alegre: L&PM Editores, 2002, pág. 53;
xiii conforme consta do verbete Guerra: “Segunda Guerra Mundial; 1939: De 1935 a 1939, as fases sucessivas da política do III Reich transtornaram o mapa da Europa de Versalhes. Elas deixam poucas dúvidas sobre a vontade de Hitler de chegar até a guerra para realizar seus planos de dominação europeia, encorajado pelas concessões arrancadas de München (1938), sob ameaça, à França e à Grã-Bretanha. (…)”. Ob. cit., vol. 7, pág. 3235;
xiv conforme consta do verbete Hindenburg (Paul von Beckendorff und von): “(…). Em virtude do seu elevado prestígio moral é eleito, em 1925, presidente do Reich. Nos fins de 1932 deixa-se convencer por von Papen e convida Hitler para o cargo de chanceler.”. Ob. cit., vol. 8, págs. 3366/3367;
xv conforme consta do verbete Hitler: “(…). Após recusar, sucessivamente, uma pasta no ministério de Brüning (outubro de 1931) e o cargo de chanceler (janeiro de 1932), Hitler concorreu às eleições presidenciais; sem vencer, recebeu, no entanto.
13.400.000 votos. As intrigas de von Papen, que pretendia explorar o progresso dos nazistas em proveito das direitas, acabaram por levar Hitler, apoiado pelos grandes industriais do Ruhr, ao posto de chanceler (30 de janeiro de 1933). Após a dissolução do parlamento, as violências das S.A. e o incêndio do Reichstag, falsamente atribuído aos comunistas, o partido nazista reuniu 44% dos votos, e Hitler recebeu do parlamento delegação de plenos poderes por quatro anos (23 de março). (…). Após a morte de Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler passou a acumular a presidência do Reich, o cargo de chanceler e o título de Reichsfüher (plebiscito de agosto de 1934). (…)”. Ob. cit., vol. 8, pág. 3388;
xvi assim afirmam Ricardo Cunha Chimenti, Fernando Capez, Márcio F. Elias Rosa e Marisa F. Santos: “Carl Schmitt analisa a Constituição em seu sentido político, definindo-a como a decisão política fundamental (linha decisionista) que trata da participação do povo no governo, da estrutura e órgãos do Estado, dos seus Poderes e dos direitos e garantias individuais, dentre outras questões de alta relevância. (…)”. ob. cit., pág. 3;
xvii aos 10.12.1948, a sessão ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida em Paris, aprovou o texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem, composto de 30 artigos inspirados em antigas declarações individualistas, porém os universalizando e os adaptando ao mundo contemporâneo. Ob. cit., vol. 5, pág. 2214;
xviii assim diz Sahid Maluf: “República democrática é aquela em que todo poder emana do povo. Pode ser direta, indireta ou semidireta.”. Ob. cit., pág. 173.
xix Diz Antônio Augusto Cançado Trindade: “(…); ao criarem obrigações para os Estados vis-à-vis os seres humanos sob sua jurisdição, as normas dos tratados de direitos humanos aplicam-se não só na ação conjunta (exercício de garantia coletiva) dos Estados-partes na realização do propósito comum de proteção, mas também e sobretudo no âmbito do ordenamento interno de cada um deles, nas relações entre o poder público e os indivíduos. (…)”. Ob. cit., pág. 45.
Ella Dominici“Em mares nórdicos navega homem e busca encontrar próprio destino” Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
em mares nórdicos navega homem e busca encontrar próprio destino fada-lhe o espírito dói-lhe vida tão tosca tenta achar seu solstício nas peladas águas frias barco branco em liso ventre desliza fecha os olhos, mentaliza curvas de um corpo entre glória e euforia
escorrega o mastro em fogo na virilha deixa n’água rastro no oceano avista o pórtico entre fiordes cristalinos geleiras diamantes poéticos coroa transparente do destino enxerga altos bicos nus que brilham a vela move, a veia sorve, suor escorre na testa gelam pingos de lua
os bicos seios são só miragem o alcance do eros-desejo bobagem da lua de verão cheia e nua se frustra a alma apaixonada o tudo ou nada segue viagem atravessa polos de madrugada pórtico penetra como em virgem sumo milagre da alta atmosfera se funde às partículas solares no vento qu’as trouxe em plenos mares
voltarei com a êxtase que me dera o brilho que observo em céu noturno no âmbito do norte magnético desfaz quem desmedrava taciturno no pórtico nasce ser sinérgico espírito uno completo homem mulher unidos são fenômeno perfeito da existência partículas imantadas fluorescência reflexivas no real milagre da óptica glacial magnífica aurora aurora boreal… finalmente nós dois norte e final
Valdina Augusto de Souza“Caminhando Por entre A névoa fria, Gelada, Parece congelar o Corpo”. Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer Da plataforma DALL·E 3
Caminhando Por entre A névoa Fria Gelada Parece congelar O corpo Mas ascender A alma Traz lembranças Olhos atentos Vivos Parecem Cegar Turvar Na imensidão Fria Cinza Da névoa Olhar À frente Memórias Ah! Memórias… De momentos Vividos Alegres Tristes Mas vividos A névoa Acinzentada Turvando o infinito Quase finito Nos pensamentos.
Virgínia AssunçãoMicrosoft Bing. Imagem criada pelo Designer
A fila da padaria estava devagar, e minha paciência por um fio. Diante de mim, uma mulher falava ao celular, e era impossível não ouvir a conversa. Em um misto de curiosidade e cansaço, comecei a ouvi-la atentamente.
– “Não, eu não sou como a Sônia, ” dizia ela, com uma voz carregada de indignação. – “Você sabe, ela é uma dessas que adora se mostrar. Vive postando foto em rede social, sempre querendo chamar atenção. Uma egocêntrica de primeira, nunca vi igual! ”
Olhei de relance para a cesta de compras dela: uma variedade de produtos cuidadosamente escolhidos, queijo, presunto, brioches, ovos, vinho e pão. A mulher, muito bem vestida e ostentando um relógio brilhante, continuava sua crítica severa e mordaz sobre a tal Sônia.
– “E a pior parte é que ela nunca admite que erra, ” – continuou a mulher, alheia à fila que começava a se impacientar atrás de nós. -“Eu, tenho certeza, sou humilde o suficiente para reconhecer meus defeitos. Mas ela, não! Nunca assume responsabilidade por nada. ”
À medida que ela falava, mais claro se tornava que a tal Sônia talvez fosse um reflexo distorcido da própria mulher no celular. Seus gestos altissonantes e a forma como olhava ao redor, certificando-se de que todos prestavam atenção, revelavam mais do que ela pretendia.
-“O que mais me irrita é essa necessidade de aprovação que ela tem, ” prosseguiu, enquanto ajeitava o cabelo olhando o reflexo na porta do refrigerador próximo. – “Eu nunca precisei disso. Sou autossuficiente. ”
Naquele momento, não pude deixar de esboçar um sorriso. A narcisista que não se reconhece como tal é uma figura quase trágica, se não fosse cômica, perdida em sua própria contradição. Ela acusava a amiga Sônia de comportamentos que, visivelmente, eram seus. E, ao acusá-la, revelava mais sobre si do que qualquer confissão direta.
Enfim, chegou sua vez no caixa. Ela finalizou a ligação com um ar de superioridade e um – “eu ligo depois, isso aqui está uma bagunça. ” Enquanto a moça do caixa registrava suas compras, a mulher ainda fez questão de comentar: – “Essas filas são um absurdo, não é? Parece que ninguém aqui sabe organizar as coisas. ”
Eu, logo atrás dela, não pude deixar de refletir sobre a ironia daquela cena. Muitas vezes, as palavras que usamos para descrever os outros são espelhos que revelam, de fato, nossa verdadeira imagem. Naquela padaria, a narcisista estava, sem perceber, despida de suas máscaras, subestimando a todos, enquanto deixava transparecer suas próprias fraquezas falando dos defeitos alheios.
Fui para casa pensando na complexidade humana, e em como somos cegos para nossas próprias falhas, enquanto as vemos com a maior clareza nos outros. E, em meio a essa reflexão, pensei comigo mesma em tentar, ao menos, de alguma maneira, ser diferente. Afinal, reconhecer-se é um passo para entender o mundo ao nosso redor, e, provavelmente, julgarmos menos as pessoas.