Ivete Rosa de SouzaMicrosoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Por que choras minha alma?
Acaso não te acompanho em tuas andanças, em teus anseios e arroubos?
Não estou presente quando choras ou quando ris?
Não sou eu que te sinto com o peito apertado?
Que dou vazão ao rio de lágrimas que me rasgam os olhos?
Por que então esse pranto esparramado, doído, doido, que me alimenta de tristeza?
Sei que te enganas às vezes, mas não estas só, tens um coração traiçoeiro, que bate neste corpo que habitas, e um cérebro que se espanta, se quebranta e se rebela, com todas as emoções humanas contraditórias .
Às vezes a fúria se apresenta, outras vezes o medo se esconde, ou responde com lamentos, e há tantos planos que são roubados pelos ventos.
Tantos sonhos costurados, desfeitos ponto a ponto, depois remendados.
Não chores mais minha alma, o pranto espanta a felicidade. Esqueces que a saudade também pode trazer promessas? E há tantas delas escondidas em ti, não deixes tua aura de verdade, tua vontade, teus desejos adormecerem.
Dai-me asas para a liberdade, deixa-me alcançar a plenitude, com atitude e coragem que só os fortes conhecem.
Meus olhos verão a luz dos teus, na espetacular existência terrena. Depois seremos eternas enquanto a luz atravessa o tempo, esse tempo de existir e transcender do físico ao etéreo. Então estarás liberta minha alma, não mais encontrarás motivos para chorar, pois, enfim, encontrarás a perfeição!
Ella DominiciMicrosoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Dentro do alto corpo destelhado como num estábulo, iam eretos como fósforos numa caixa; no transporte enxergavam a inundação que ia pela estrada do Sul. Os terrenos eram baldios, compondo uma área onde retinha as chuvas de outono, as águas de um maio colossal.
Tudo desaparecera retumbantemente, dando lugar a um lençol horizontal e imóvel de águas marrons, que se estendiam aos campos de um além vivos. Emaranhado em compridos farrapos inertes no fundo do sulco dos arados e brilhando tenuamente sob a luz cinzenta.
Via-se a água da inundação perfeitamente imóvel e plana. Não se iluda com inocência e suavidade, não, creia nas forças de um rio em perversão!
Tão quieto agora, que se podia caminhar sobre ele, via-se uma colcha como de cetim perfeitamente lisa e imóvel, cobrindo as feridas humanas; um aceirado onde se fixavam os postes em retas fileiras como cercas que demarcavam os terrenos. Agora frouxos. Tudo bambeando molemente.
Havia uma vala sob a ponte e um pequeno riacho que escondia a “Lagoa dos Patos”, invisíveis, de patos submersos e penas flutuantes.
Ouviu- se um vago estrondo subaquático que soava como um trem destroçado que, num descarrilamento ao longe, sugeria uma velocidade espantosa e secreta.
Na superfície corriam dejetos espumosos, animais, idosos, roupas, objetos, telhas de vinil e plásticos enquanto afundaram-se latas, ferros, pedras e concretos. A extrapolação das águas em excesso cobiça calçadas, ruas, praças, passarelas e para passá-las em avalanches pelas vulneráveis cidades, dificuldades e impossibilidades.
Por que, água, não escoa e liberta a terra e as gentes, por que acumulada resta como mortalha? Enchentes e mais enchentes, mortes, epidemias, males por crises hídricas se avolumam nos anos e meses de impactos ambientais. E a correria, a fuga destes mortais, banais?
O prejuízo econômico pesa nas vidas e nas realidades convulsionadas por perdas residenciais, comerciais, industriais; morre a semente, o campo, o sementeiro, o gado, suínos, equinos, ovíparos, os lúcidos, infantes, gestantes, cadeirantes e caducos. Importam-nos plátanos, as parreiras e roseiras.
Sucesso absoluto aos peçonhentos e aos ladrões, usurpadores em vulneráveis momentos.
Correntezas frias e insensíveis, fortes avalanches despidas de compaixão levam móveis, comidas e vidas, mergulham alguns e “nenhuns” para não voltar, e os que restam a que prestam, nestes rostos empalidecidos pelas lágrimas do luar.
Sinistra e lamentosa chuva, espessou os rios e, agora, contundente, comove e consterna os povos a socorrer e amar estas gentes, sobreviventes, heroínas das enchentes.
Há um rio que atravessou a nossa casa, esse rio rebelou-se pelo tempo; as lembranças são peixes que restaram das correntes nadando nos contratempos. E ao olhar nos céus de hoje vejo inundações de aves, refração de estrelas que, nadando, se movimentam no lumiar de minha esperança.
Vem me guiando desde menino o rastro celeste de invisíveis enxurradas, em uma constelação que guardou meu diário em segredo, Cruzeiro do Sul.
Isabel FuriniMicrosoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Eu vou contar a história desse estranho sapato. Um idoso comprou sapatos e ele vivia feliz, até que no muro começou a chorar um gato.
O velhaco ficou raivoso e arremessou um sapato. Rapidamente pulou o gato e caiu em um buraco.
O sapato foi levado pela ventania, elevou-se sobre as nuvens e ficou voando perto dos guarda-chuvas, da chaleira, dos relógios, dos peixes e de pessoas estranhas, clonadas por um cientista maluco.
Por fim, o sapato caiu na terra e um relojeiro o encontrou e fez um relógio cuco.
Confraria Amici D’Itália e Secretaria de Cultura e Turismo comemoram o Dia do Imigrante Italiano em Itapetininga, com Comenda, Certificado e o Troféu HR
Logo da Confraria D’ Itália
No dia 29 de maio, às 19h30, na Câmara Municipal de Itapetininga (SP) a Confraria Amici D’Itália e a Secretaria de Cultura e Turismo, promoveram evento comemorativo do Dia da Imigração Italianaem Itapetininga, ocasião em que foram concedidos Certificados de Reconhecimento, Comendas e o Troféu HR aos homenageados.
O evento foi coroado com a apresentação da Banda Municipal de Itapetininga e o Coral da Igreja Evangélica do Jardim Itália e, ao final do evento, com um coquetel.
A CONFRARIA AMICI D’ITÁLIA
A Confraria Amici D’Itália é uma organização comunitária de descendentes e amigos da cultura italiana criada em junho de 2022, com o intuito de reunir pessoas de várias etnias para exaltar a Itália, por ser uma grande motivadora da formação do Brasil, bem como ajudar entidades e projetos sociais
Por ser uma organização comunitária, não tem uma diretoria, mas apenas um coordenador, Sergio Suardi Ribeiro, e não cobra mensalidades. Qualquer verba recebida tem o caráter de doação e é destinada a entidades assistenciais
TROFÉU HR
O Troféu HR, elaborado pelo designer gráfico paulistano Alexandre Esteves, foi uma iniciativa conjunta da Confraria Amici D’Itália e a Secretaria de Cultura e Turismo de Itapetininga, em homenagem póstuma ao jornalista Helio Rubens de Arruda e Miranda (‘Pai’ do Jornal Cultural ROL e do Internet Jornal, um dos fundadores da Confraria e grande expoente da cultura brasileira.
Helio Rubens faleceu no dia 07 de fevereiro de 2024, aos 81 anos de idade.
Em entrevista concedida ao Editor Setorial de Cultura do Jornal ROL, Celso Ricardo de almeida, no dia 21 de abril de 2021, Helio Rubens se autodefiniu como um idealista, que acreditava na Lei da Evolução e, consequentemente, entendendo que tudo o que acontece – inclusive o que se considera ‘ruim’ – é uma peça de evolução. Apesar de não ser religioso, tinha fé de que a humanidade estava às vésperas de viver em um ‘novo mundo’, onde o valor maior não seria o dinheiro, a fama ou o poder, e sim, onde vigoraria em sua plenitude a fraternidade, o amor e a cultura; que nessa Nova Era, o planeta Terra seria um país só, sem fronteiras físicas ou monetárias e gerido por um poder central que, em nome de todos os terráqueos, poderia dialogar com seres extraterrestres. E finalizando, que era um ser humano feliz com a riqueza que tinha: esposa, filhos, netos, bisneto, amigos e parentes maravilhosos.
Sua carreira jornalística iniciou desde os primeiros anos de estudo no Colégio Estadual e Escola Normal Fernão Dias, em São Paulo, quando já se preocupava em colher e transmitir informações, o que o fez se dedicar mais ao estudo da língua portuguesa e dos meios de comunicação existentes. Nessa escola, aos 15 anos, foi o primeiro presidente do Grêmio Estudantil local e, juntamente com seu primo-irmão Claudio Bloch, já escrevia para o jornal do bairro, ‘Gazeta de Pinheiros’, na capital de São Paulo. Devido a esse jornal da escola, aprendeu a ser ‘tudo’ em um jornal: pauteiro, repórter, redator, paginador, diagramador, revisor, diretor de arte, revisor etc. e até mesmo a arte da impressão em mimeógrafo. Aprendi também a conhecer técnicas de distribuição (como fazer o jornal chegar às mãos dos colegas); políticas de comercialização (como angariar anunciantes para pagar os custos) e a enfrentar a censura do poder estabelecido pelo diretor da escola, pois não nunca aceitou submeter o jornal a ele e, como consequência, teve que passar a entregar os exemplares na rua, na saída dos estudantes.
Saiba mais sobre o jornalista que honrou a profissão e deixou um legado jornalístico e cultural que ecoará nos anos vindouros: https://jornalrol.com.br/?p=64570
Agraciados com o Troféu HR
Ana Elisa B.M.A. Miranda, Sergio Suardi – os agraciados Lucas Ravacci, Jacqueline Venâncio, Silas Gehring Cardoso e Alba Regina Carron Luisi – Secretário de Cultura e Turismo Rafael Correa Batista e o vereador Marco Nanine
Entidades agraciadas
Entidades agraciadas com Certificado de Reconhecimento e Comenda
Comenda
Comenda em homenagem aos serviços prestados à comunidade
Exposição ‘O Eco de Antigas Palavras, do artista plástico André Bonani, evoca o elementar no Atelier Piratininga, em São Paulo
Divulgação Obra de Andre Bonani
O espaço expositivo se converterá numa espécie de caverna ancestral, gráfica primeira onde o acúmulo de escritas enuncia o perene enigma das camadas do tempo
O artista plástico André Bonani apresenta a exposição ‘O Eco de Antigas Palavras’ a partir do dia 25 de maio de 2024 (sábado), das 14h às 19h, no Atelier Piratininga, na Vila Madalena, em São Paulo.
Os textos críticos são do curador Agnaldo Farias e do artista visual Ulysses Bôscolo, a trilha sonora é do músico Kaneo Ramos e a expografia/iluminação do Coletivo Avuá.
Extraído de um verso de Chico Buarque – parte da canção “Futuros Amantes” -, o título da exposição procura evocar a linguagem: seus grafismos e sons, incontornável exercício matérico capaz de insinuar topografias e prenunciar cronologias.
Serão apresentadas 18 obras de três séries distintas: “carapaças” (alumínio gravado, corroído, martelado e pintado), “cosmografias” (gravura em metal sobre papel algodão) e “a caverna” (gravura em metal e monotipia sobre papel algodão), realizadas em 2023 e 2024.
“As peças reunidas em três séries partem todas da placa de alumínio como matriz – um meio para incisão, corrosão e pintura – até sua dobra e modelagem com o martelo após os processos de impressão. É a partir dessa conexão no espaço entre as estampas e as chapas modificadas em volume que as geraram que “o eco de antigas palavras” pode flutuar, envolto em escuridão, iluminado apenas por lâmpadas quentes como a vibração do fogo.”, afirma o artista que faz acompanhamento no atelier desde 2022.
Sobre o artista
André Bonani vive e trabalha em São Paulo.
É doutorando em Processos e Procedimentos Artísticos no Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (IA-UNESP), onde também é professor de gravura e procedimentos gráficos.
É mestre em Linguagens, Mídia e Arte pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
É artista residente do Atelier Piratininga, estúdio especializado em gravura e estampa contemporânea.
É pesquisador e membro do grupo Artecolapso: crítica prática e teórica da visualidade, vinculado ao Instituto de Artes da UNESP.
É idealizador do projeto de arte-educação Gráfica Experimental, oficina coletiva de experimentação em artes gráficas que itinera por diversas unidades do SESC-SP.
Estudou desenho e colagem no Instituto Tomie Ohtake.
Já participou de exposições coletivas – Espaço Vitrine; Galpão Comum; Atelier 3; Massapê Projetos; IA-UNESP; Lux Espaço de Arte (2023); Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (2023) e Museu de Arte de Ribeirão Preto (2024) – e de residências artísticas internacionais – Complexo Industrial do Olho de Boi, Almada, Portugal, a convite do artista Rui Soares Costa.
Seu trabalho foi publicado em revistas – Gama; Uso; Têmpera – e está presente em coleções privadas e públicas – Gravura Brasileira; Acervo Rotativo.
Possui um certificado de mérito artístico da Pinacoteca do Grão-Ducado de Luxemburgo.
O Piratininga é um Atelier Coletivo de Gravura gerido por artistas com o propósito de compartilhar espaço de trabalho, informação, ideias, projetos artísticos e educativos.
Valoriza a produção artística individual e acredita no desenvolvimento humano através da Arte.
Desde sua fundação em 1993, organiza e participa de várias exposições no Brasil e no exterior, encontros com artistas, cursos, workshops, projetos de intercâmbio, simpósios, palestras e publicações, envolvendo inúmeros parceiros e colaboradores.
Além disso, abriga dezenas de artistas que desenvolvem projetos de curta ou longa duração em seu espaço, através do programa de Residência Artística.
Em 2016, o Atelier convida novos artistas e parceiros que estiveram próximos nestes últimos anos para se integrarem ao grupo, que ficou responsável por manter a tradição de mais de 20 anos de gravura no PIRA.
O Atelier Piratininga está localizado no bairro da Vila Madalena em São Paulo, conhecido por abrigar diversos locais e propostas ligadas às artes, cultura e entretenimento.
SERVIÇO RÁPIDO
Exposição ‘O Eco de Antigas Palavras’ de André Bonani Textos críticos: Agnaldo Farias e Ulysses Bôscolo Trilha sonora: Kaneo Ramos Expografia/iluminação: Coletivo Avuá O quê: gravuras e esculturas Abertura: 25 de maio de 2024 (sábado), das 14h às 19h Visitação: até 15 de junho de 2024 Sexta a domingo, das 13h às 19h Entrada gratuita