FestClubeSP

3ª edição do FestClubeSP encerra revelando
talentos nacionais da MPB

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Vencedores da 3ª edição do FestClubeSP

Festival aconteceu no Clube A Hebraica de São Paulo, reunindo cantores de cinco estados brasileiros

A 3ª edição do FestClubeSP, o Festival de Música Popular Brasileira para representantes de clubes em todo o Brasil, se encerrou neste fim de semana no palco do Teatro Arthur Rubinstein no Clube Hebraica SP. O evento foi gratuito e aberto ao público, e contou com um público presente de aproximadamente 900 pessoas e transmissão ao vivo de todos os dias pelo YouTube do Sindi Clubes Cultural. 

O festival contou com mais de 160 inscritos e a final contemplou competidores dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Ceará, consolidando o festival em âmbito nacional. Os estilos variaram desde o samba, rock, clássico, pop, bossa nova até o tradicional ritmo da MPB, com letras levando críticas sociais e elementos regionais da cultura brasileira, característicos de cada gênero musical. Os três primeiros colocados também ganharam uma bolsa de estudos de dois meses no Conservatório e Faculdade de Música Souza Lima. 

“É com imenso prazer que encerramos a terceira edição do FestClubeSP, um evento que celebrou a música popular brasileira e a participação ativa dos clubes de todo o país. Primeiramente, um agradecimento especial à nossa anfitriã, A Hebraica, por nos receber com tanto carinho e ceder este espaço incrível. Aos nossos jurados, por seu difícil trabalho em eleger as melhores músicas. Não poderia deixar de reconhecer e agradecer a toda a equipe do Sindi Clubes pela organização impecável. E obrigado a todos os clubes que fizeram possível alcançarmos um novo patamar de nacionalização do FestClubeSP. Este é um marco importante que reflete nosso compromisso em promover a cultura e a música em âmbito nacional”, declara Paulo Movizzo, presidente do Sindi Clubes.

Os vencedores da 3ª edição do FestClubeSP foram:

Em 1º Lugar, a música “Bit Rebit Bit” de Bia Mattos e Cláudia Romano com interpretação de Cláudia Romano, representando Sociedade Harmonia de Tênis de São Paulo-SP, levando como premiação o Troféu FestClubeSP + R$17.000 + R$4.000 ao clube representante.

Em 2º Lugar, a música “Fila do Osso” de Sheila Raquel, Paulo Roberto e Mauro Aguiar com interpretação de Selma Fernandes, representando o BNB Clube de Fortaleza-CE, levando como  premiação o Troféu FestClubeSP + R$12.000.

Em 3º Lugar, a música “O Que Tiver Que Ser” de Arnaldo Pinheiro, Marco Vilane e Alexandre Lemos com interpretação de Marco Vilane, representando o Clube Atlético Ypiranga de São Paulo-SP, levando como premiação o Troféu FestClubeSP + R$8.000. 

O prêmio de Melhor Intérprete, ficou com a música “O Que Nos Cabe” de Marcia Cherubin, interpretada por Marcia Cherubin, representando a Associação Desportiva Classista General Motors São Caetano do Sul de São Caetano do Sul-SP, levando como premiação o Troféu FestClubeSP + R$8.000. 

Por fim, o festival ainda realizou uma Menção Honrosa para a música “Teimoso” composta por Xavier e interpretada por Xavier, representando o clube Movimento de Expansão Social Católica de São Bernardo do Campo-SP, premiado com o Troféu FestClubeSP.

Vice-presidente do Sindi Clubes, Sérgio Nabhan, curador do FestClubeSP, Otávio Toledo 
e presidente do Sindi Clubes, Paulo Movizzo.
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Vice-presidente do Sindi Clubes, Sérgio Nabhan, curador do FestClubeSP, Otávio Toledo
e presidente do Sindi Clubes, Paulo Movizzo.

“A terceira edição do FestClubeSP, na minha opinião, foi a melhor das edições. Nós tivemos um número recorde de inscrições e também o número variado de clubes de outros estados inscritos que também nos surpreendeu. As músicas foram de muita qualidade e com estilos diversos, o que dá uma textura incrível para o festival, além dos músicos serem excelentes e a banda cada vez melhor. E o FestClubeSP vem num crescente desde a primeira edição, já entrou no calendário de eventos de São Paulo e chamou atenção da Secretaria de Cultura do Município e do Estado, e acredito que ele tem espaço para crescer ainda mais”, comenta Otávio Toledo, compositor e curador do Festival.

Jurados da 3ª edição do FestClubeSP Danilo Caymmi, J. C. Costa Netto, Anna Tréa, Graziela Medori, Regis Salvarani e Juca Novaes. Foto: Master Imagem
Jurados da 3ª edição do FestClubeSP Danilo Caymmi, J. C. Costa Netto, Anna Tréa, Graziela Medori,
Regis Salvarani e Juca Novaes. Foto: Master Imagem

Os jurados do FestClubeSP também enfatizaram a qualidade das composições selecionadas este ano, a diversidade de gêneros musicais e estados participantes, além da importância do festival. “Tenho percebido que outros estados estão inscrevendo suas músicas e de alta qualidade, isso tem evoluído muito o Festival”, comenta Danilo Caymmi“O nível das músicas foram excelentes, e o grande retrato do festival são as 12 finalistas e elas são composições de diferentes gêneros, todos com intérpretes ótimos e todas elas com uma razão para estar na final do festival”, acrescenta Juca Novaes.

“Eu acho de suma importância esses festivais, porque eles revelam novos talentos. Hoje a gente sente uma carência muito grande de como encontrar esses artistas e acho que o festival tem esse intuito de fazer essa conexão do público com o artista”, revela Graziela Medori, jurada e vencedora do prêmio de Melhor Intérprete da 2ª edição do FestClubeSP.

A jurada e cantora Anna Tréa também destacou os quesitos técnicos que viram em cada composição. “É muito bonito ver a criação da música, ver como as pessoas se apresentam, poder analisar a letra, harmonia, melodia, a interpretação e como a pessoa se coloca no palco, como ela defende aquela música, como ela acredita naquilo que ela está dizendo. Alguns competidores vieram pra defender a música de outras pessoas e acho todo esse processo muito mágico”.

Por fim, os jurados Regis Salvarani e J. C. Costa Netto ressaltaram a dificuldade de selecionar as músicas nesta edição. “Senti que esse ano o nível das composições numa crescente muito significativa. Todos os dias, quando nos reunimos pra escolher as classificadas, sempre é difícil. O festival vem compondo um mosaico muito bonito e muito interessante para que novas composições e artistas ganhem relevância no mercado da música”, comenta Regis Salvarani“Da primeira para essa terceira edição senti uma evolução no interesse dos autores e das canções, então, não só a organização se aprimorou, mas também começou a interessar autores que tenho certeza que podem ser grandes nomes surgindo deste festival”, finaliza J. C. Costa Netto.

O evento também contou com shows dos convidados especiais Webster Santos convida Sandra Fidalgo no dia 16 de maio, Graziela Medori no dia 17 de maio, Anna Tréa no dia 18 de maio e fechou com Danilo Caymmi no dia 19 de maio. O FestClubeSP é uma realização do Sindi Clubes, com o apoio da Fenaclubes, Hebraica, Abramus Artes, Nova Brasil FM e Conservatório e Faculdade Souza Lima.

“A participação no FestClubeSP, na verdade, é um presente para músicos de São Paulo e do Brasil inteiro. É um grande incentivo para os músicos que tem poucas oportunidades de apresentar suas músicas autorais e independentes em espaços tão nobres como é o clube Hebraica. E toda e qualquer iniciativa para se promover a divulgação, o carinho, a paixão pela Música Popular Brasileira independente, é válida. Espero que essa iniciativa evolua e continue num movimento crescente de respeito a nossa música popular brasileira autoral”, ressalta Marcia Cherubin, vencedora como Melhor Intérprete.

Link da transmissão da final da 3ª edição do FestClubeSP: https://www.youtube.com/live/bYEO0R6-spo?si=bcG4aU66fQtWvTR4 

Da esquerda para a direita: Vencedores em 1º, 2º, 3º lugar, Melhor Intérprete, Menção Honrosa e foto em conjunto da 3ª edição do FestClubeSP. Foto: Master Imagem
Da esquerda para a direita: Vencedores em 1º, 2º, 3º lugar, Melhor Intérprete, Menção Honrosa e foto em conjunto da 3ª edição do FestClubeSP.
Foto: Master Imagem

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Desafiando o vital desafio: Invicto

Ella Dominici: ‘Desafiando o vital desafio: Invicto’

Ella Dominici
Ella Dominici
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Desejou Deus e o fez.

Gemeu o mundo na criação, gemido de êxtase no nascimento do universo, em explosiva emoção do esplêndido.
Formou luz, astros, cor e detalhes, no gesto Criador.
Seres e oceanos, seres e atmosfera, seres e floras,
céu e terras.

E a oposição se fez negrume, enquanto vida era lume.
Jamais desocupou trevas, antes e antes do antes.

Para vencer o desafio de desafiar escuridão e sombras,
aglomeração de nuvens, névoas que cobrem os olhos
das agonias de solidão e melancolias…

Criou o Artífice bem assim.

Estrelas infinitas estrelas
Areias incontáveis areias
Águas tantas águas
Macho e fêmea
Homem e mulher
Espírito e alma
Amor que quer gestos contínuos
de vidas e mais vidas

Homem, Adão dos homens
Mulher, Eva das mulheres.
Desafiando a própria Criação que é indiscutível.

E a continuidade foi vencer a incredulidade pela manutenção da vida.
Crer na invencibilidade às afrontas quaisquer.

Durante a caminhada da vida, passa-se por
percalços em aflições ,
lágrimas caídas, sorrisos deixados,
dores esquecidas,amores negados.
Tudo anotado.

O desafio maior do existir é o nascer,
a afronta maior do existir é se despedir desta existência.
É pacificar a própria consciência.
Verdades absolutas e resolutas de si.

O desafio superior é o renascimento.
Trata-se de luta contra hostes espirituais da maldade,
no vencer a iniquidade, crises de realidades,
desejos intensos, ambiguidades;
tudo pela verdade da Alma.

É quando se encontra a liberdade do que se conseguiu,
não se agiu, existiu, partiu
É quando se alcança a liberdade do rigor,
das lâminas de adagas afiadas à vida.

E o amor buscou do corpo o adeus sincero e além dele sorriu ao Eterno
O amor além-corpo se alça ao voo, no desafio supremo do renascimento.

O sentido da morte é já ter sido vencida, é o sentido divino à vida.

Transcende o homem como coautor da própria história,
pelo Consumador de sua fé, de sua Eternidade.
No final do vital desafio a Vitória da vida pela Vida.

Ella Dominici

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O Operário: Uma narrativa da carne

COLUNA CINEMA E PSICANÁLISE

Bruna Rosalem e Marcus Hemerly:

‘O Operário: Uma narrativa da Carne’

Coluna Cinema e Psicanálise – ‘O Operário: Uma narrativa da carne’

É tudo o que vemos ou parecemos. Mas um sonho dentro de um
sonho? (Edgar Allan Poe
)

Uma figura esquelética sentada em um ambiente parcamente mobiliado, sonolento, quase cerrando os olhos diante da exaustão. Tem em suas mãos um exemplar de O Idiota, de Dostoievski. Antes de dormir, o homem subitamente levanta os olhos sobressaltado com a queda do volume a seus pés. Em verdade, Trevor Reznik (Christian Bale) não dorme há um ano, talvez, um dos fatores a explicar seu corpo magérrimo de onde irrompe ossos protuberantes e um rosto profundo, intensificado por olheiras. 

O título ‘O operário’, (do diretor Brad Anderson, 2004), traduz a ocupação do personagem central da obra, que diante de sua peculiar imagem desperta desconfiança, e até mesmo desprezo de seus superiores e colegas de trabalho, a despeito da tentativa de permanecer inserido no grupo que passa boa parte do dia consertando máquinas em um galpão escurecido e cinzento.

Gradualmente, a partir de falas espaçadas e vazias de Trevor, percebemos que algo aconteceu, mesmo sem precisar quando ou o porquê, resultando na mudança de comportamento, e, principalmente, de aparência do personagem. Em determinado momento, um de seus antigos colegas chega a dizer: “O que aconteceu com você? Costumava ser legal”, sinalizando sua anterior ‘feição de sociabilidade’. Em sua atual realidade, as únicas ações não robóticas são a interação com a garota de programa Steve, que parece lhe nutrir peculiar devoção com tímida reciprocidade, e constantes visitas ao aeroporto para um café, um pedaço de torta que nunca come e uma conversa com a garçonete. 

A tensão aumenta quando o estado letárgico de Trevor culmina num acidente no qual um dos operadores de máquina perde o braço. Sua exclusão, agora formal do grupo, parece incontestável e o perturba coadjuvantemente à chegada de um novo empregado que, de maneira estranha, parece perceber não só sua inquietude, mas até mesmo a motivação, ainda que não consciente, do personagem. 

No decorrer do filme, pequenas dicas são semeadas, que, em sua maioria, tornam-se percebidas pelo espectador na segunda sessão, quando o quebra-cabeça e o final catártico são revelados.  Além do ambiente onírico, gravado em um verão escaldante de Barcelona, simulando Los Angeles, Bale teve de emagrecer 28 kg, em um verdadeiro esforço de camaleão, considerando que um dos seus trabalhos seguintes seria ‘Batman Begins’ de Christoffer Nolan, no qual teve que ganhar considerável massa muscular. Sua dieta no período de ‘O operário’ consistiu de uma maçã e uma lata de atum por dia, durante quase três meses, criando um aspecto que produz mal-estar e ao mesmo tempo realça sua interpretação hipnótica sinalizando a deterioração do personagem. 

É sabido que alterações corporais drásticas ou de maquiagem recorrentemente são recebidas com um favoritismo no âmbito da crítica e, principalmente, nas premiações. Lembremos de Nicole Kidman em ‘As Horas’, (2002), interpretando Virgínia Woolf e Charlize Theron em ‘Monster’ (2003), ambas usando próteses faciais que lhes renderam o Oscar de melhor atriz, além do recente A Baleia (2022), cujo personagem interpretado por Brendan Fraser usava uma espécie de prótese que pesava cerca de 130kg para se parecer como um obeso mórbido. No entanto, a transformação de Bale foi totalmente corporal, aliás, sua versatilidade já remonta a seus primeiros trabalhos, como no sempre lembrado ‘Império do Sol’, de Steven Spielberg, com apenas 13 anos. 

Na trama que acompanhamos, Trevor parece transitar entre realidade e fantasia. Condensando elementos vividos no passado, fragmentos desconexos de memórias recentes, criadas ou ainda vivenciadas em algum lugar no tempo e espaço, o operador de máquinas perde-se a todo instante. Ora interage com seus próprios delírios, ora tenta desvendar pequenas pistas de um jogo de forca que de tempos em tempos aparece em sua geladeira. Ao longo do filme não sabemos se ele está enlouquecendo ou simplesmente sonhando. Quando conversa com alguém, ficamos em dúvida se tal pessoa existe ou se é uma alucinação resultante de uma vida nada saudável, na qual dormir é quase impossível.

Assim como Trevor busca incessantemente entender o mistério de sua própria vida, o espectador se depara, retire-se, com quase imperceptíveis sinais ao longo da narrativa. A mencionada figura misteriosa que surge na pele de um novo funcionário desperta imediato interesse de Trevor. Ele é forte, tem um carro vermelho, usa boas roupas e, detalhe, os dedos de uma das mãos estão dilacerados, assim como no acidente provocado por Trevor em seu amigo. Na realidade, somente o operário consegue ver este homem, inclusive ele insiste em afirmar que ele aparece numa foto na casa de Steve. Ao se deparar com a imagem, Trevor entra num grande conflito com a moça, achando que fosse seu ex-companheiro e estava sendo traído. Mais adiante na película, vimos que era o próprio Trevor na fotografia.

Este fato, dentre outros que vão surgindo sutilmente em recortes, vão compondo um verdadeiro quebra-cabeças. Afinal, o personagem alucina ou estaríamos presos num longo sonho fragmentado que nunca acaba? O que sabemos é que Trevor apresenta insônia e pouco se alimenta. Mas o que de fato provocou esta situação? 

Sua carne sofre. Seu corpo esvaece lentamente. Algo o consome de dentro para fora. É comido vivo. Suas entranhas são tomadas como último recurso antes que Trevor possa não existir mais. Ainda há luta para manter-se vivo, seus delírios agem como defesas do Eu para evitar desintegrar-se de vez. A frase escrita em um pequeno papel na parede diz: “Quem é você?”, Trevor responde: “Eu sei quem é você!”. Neste momento colocamo-nos diante de uma regressão que transforma o rumo da história.

O operador de máquina paga com seu corpo e alma por ter assassinado uma criança. Um atropelamento sem prestar socorro culminou numa fuga de si mesmo, algo que se tornou insuportável. Trevor é um morto-vivo, um ser que circula entre remorso, dor, culpa. Ressente-se pela falta de atitude diante daquele menino estendido no chão e é consumido por isso.

O cara forte com botas de cowboy dirigindo o carro vermelho sempre foi ele. O filme deixa claro o quanto sua aparência era bem diferente do que vemos na atualidade. Trevor era vigoroso e saudável. Parecia estar de bem com a vida. Até que tudo mudou. 

Mais do que retratar um homem arrependido, a obra nos aponta que sentimentos e emoções estão encarnados, ou seja, é impossível separar psiquismo de corpo. Soma (carne) e psique são um só. Na história remota, houve tentativas de separar corpo e espírito, corpo e alma (no sentido de metafísico). Doenças psicossomáticas, por exemplo, são evidências emblemáticas desta unicidade. As afecções não obedecem a anatomia. Em Trevor vimos que a privação do sono e a magreza extrema tornaram-se consequências de seus atos. Mas qual relação? Nem sempre há. Mais uma vez evocando a história passada, as histéricas apresentavam inúmeros sintomas conversivos como paralisias dos membros e facial, gagueiras, tosse contínua, dificuldades na fala, entre outros. Grosso modo, travavam uma luta entre desejo e censura, culminando nestas manifestações somáticas numa espécie de sinfonia sem maestro.

O sofrimento de Trevor nos dá indícios de chegar ao fim quando ele se entrega à polícia. Paradoxalmente, agora encarcerado, conquista sua liberdade. Dormir é acalento a sua alma e, quem sabe, gradativamente, seu corpo livre da tortura e aflição, recupere o vigor de outrora. O operário nos provoca muitas reflexões, e uma delas é a seguinte: por mais que lutemos para esconder do outro ou de si mesmo aquilo que nos aflige, este gasto enérgico é em vão. O corpo falará, insistirá e jamais cessará. 

Considerando a obra lida pelo personagem no início do filme, de maneira diversa do príncipe Míchkin, que retorna a uma Rússia corrompida, protagonista de O Idiota, que representa pureza e ingenuidade, Reznik é um simulacro oposto da inocência, absorvendo a culpa em obliteração à realidade, a ela cerrando os olhos. A culpa, no entanto, não o abandona, mas o consome dia após dia.  

A narrativa deste momento histórico que Trevor vivencia é contado através dos sulcos de sua carne. Parafraseando S. Freud, se a boca se cala, falam-se os dedos, no caso aqui, seu corpo denuncia.

Bruna Rosalem e Marcus Hemerly

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Bruna Rosalem

Marcus Hemerly

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Fui um rio de solidão

Evani Rocha: Poema ‘Fui um rio de solidão’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA - Gencraft
Imagem criada por IA – GENCRAFT

Fui o rio onde desaguou todos os mananciais
Fui a nascente em ti e a foz além de mim.
Fui a tempestade que inundou os teus olhos
E transbordou teu coração.
A enchente que transpassou tua alma
E afogou o teu jardim…
sim!
Fui como um furacão!
Como um rio de correntezas velozes,
Não vi as flores às margens
E nem as folhas mortas
que flutuavam sobre mim.
De um fino fio, me expandi
Além dos meus limites,
Até tornar-me cachoeiras
E lavar barrancos e várzeas.
Fui o céu derretido em águas
Desnorteadas, sem barreiras.

Eu fui um rio de solidão…
Sim!
Eu fui rio,
Fui pedras, entulhos e chão,
Fui a mão da mãe sobre o Rincão
Fui a imensidão de areia
que permeiam os oceanos.
Fui marginal alado, calado,
Fui profundezas abissais!
Passei por aqui desavisado,
Porém, ainda sou água livre nos verões.
Intempestiva, inconsequente,
Ás vezes posso chegar bruscamente,
Sombria e fria.
Ultrapassar teus extremos
e surpreender tua profecia…
Ainda SORRIO, porque guardo em mim
A fórmula mágica da vida.
O potencial de renascimento.
Mesmo que carregado
de enxurradas e lágrimas,
Ainda assim, permaneço rio.

Evani Rocha

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Changemakers

Autora fala sobre ativismo ambiental e feminino, superação de burnout e ecologia profunda em livro de estreia

Imagem da capa do livro Changemakers, de Karina Miotto
Capa do livro ‘Changemakers – A Coragem de Transformar o Mundo, de Karina Miotto

Jornalista ambiental relata como o ativismo a levou ao burnout e, por fim, o entendimento de que o caminho para quem busca a transformação global passa invariavelmente pelo autocuidado.

O que saúde mental, trabalho com propósito, crise climática, espiritualidade, sincronicidades e culturas ancestrais podem ter a ver entre si?

No livro “CHANGEMAKERS”- o primeiro da jornalista ambiental e especialista em Ecologia Profunda Karina Miotto – todas essas temáticas, aparentemente diversas, se interconectam de tal modo que, mesmo sem se dar conta, o leitor se sente impelido a refletir sobre seu papel no mundo e a possibilidade de se tornar um agente de transformação.

Sim, o livro nos chama e nos mostra que todos podemos contribuir para soluções das crises socioambientais, cada um à sua própria maneira.


“Traz sentido à vida saber que podemos fazer a diferença, mas sem ilusões: perrengue é inevitável, burnout é opcional”

Karina Miotto


Um relato que nos convida à transformação

“Changemakers” é um poderoso relato pessoal que se inicia a partir de um chamado recebido por Karina para trabalhar na floresta amazônica, passa por um tortuoso caminho de esgotamento e deságua lindamente num mar de possibilidades que o autocuidado físico, mental e emocional podem proporcionar.

Como jornalista ambiental, Karina tem mais de 17 anos de experiência e, por cinco deles viveu na Amazônia, conviveu com o povo local, denunciou e produziu conteúdos sobre as agressões diárias cometidas contra as vidas da floresta, sem, no entanto, sentir que conseguia proteger a Amazônia efetivamente.

A impotência sentida diante do desmatamento e injustiças sociais, a paixão pela causa combinada com dedicação excessiva e os constantes abusos que denunciava, e que via acontecer de perto contra quem defende a floresta, a levaram a um burnout severo que a impediu completamente de continuar trabalhando no que acreditava e pela Amazônia naquele momento.

“Percebi que todas as reportagens que eu fazia e todo aquele ativismo que promovia informação simplesmente não eram suficientes para gerar como resultado o que eu mais queria, que era proteger a Amazônia.

E para mim, jornalista há tanto tempo, foi revelador descobrir que apenas informar não é suficiente para mudar a realidade.

A sensação de fracasso e o desgaste foram tamanhos que travei, não conseguia mais trabalhar e produzir”, conta Karina.

Cuidando de si para cuidar do planeta

É justamente neste ponto do relato que o livro ganha uma nova dimensão quando, para superar o burnout e dar continuidade à sua causa de vida e missão de alma, Karina entende que precisa, antes de qualquer coisa, cuidar de si mesma, reconhecer suas dores e buscar novas formas de atuação pautadas na empatia, na compaixão e na delicadeza – o oposto do embate.

Como parte de sua jornada de transformação, Karina conta aprendizados e interações reveladoras com ativistas, influenciadores, intelectuais e celebridades que foram fundamentais para que atravessasse o burnout e compreendesse formas mais amplas de provocar impacto positivo no mundo.

Para citar alguns nomes, fazem parte deste grupo de pessoas Antonio Donato Nobre, Gisele Bundchen, Satish Kumar, André Trigueiro, Amit Goswami, Luiz Calainho, Maitê Proença, Joanna Macy, Kaká Werá, Edmara Barbosa, Mateus Solano, Fernanda Cortez, André Carvalhal e Leandro Ramos.

Como parte de seus aprendizados para formas mais amorosas e inspiradoras de ação, Karina investigou diversos temas, do chamado Ativismo Delicado à Comunicação Não Violenta e, principalmente, Ecologia Profunda, uma filosofia ambiental que traz questionamentos e formas éticas de estar no mundo.

“Ao adotar a Ecologia Profunda como visão de mundo, mergulhamos em uma compreensão mais sistêmica, complexa e ampliada de nossa relação com nós mesmos, com os outros e com o planeta.

Essa abordagem não se limita a questões ambientais – ela nos desafia a reconhecer a interconexão de todas as formas de vida e a repensar nosso papel no grande esquema da existência”, explica.

Cidadã do mundo (de São Paulo para a Amazônia, Rio de Janeiro, Inglaterra, Austrália), em “Changemakers” Karina nos conta seus aprendizados e histórias pessoais, mas sobretudo nos convida a mergulhar num universo de subjetividades, sincronicidades, experiências com culturas ancestrais de vários lugares do planeta, intuições e conexões múltiplas.

“Precisei confiar no fluxo e na intuição que me levou à Amazônia, me fez sair da floresta e me guiou por novos caminhos de evolução e aprendizado.

Espero, a partir do relato de minha experiência pessoal e profissional, poder inspirar as pessoas a cuidarem de si tanto quanto querem cuidar do mundo”, afirma Karina.

Eventos de Lançamento

Karina vem ao Brasil passar uma temporada e lançar seu livro antes de seguir rumo a novos projetos, que agora apontam para Europa.

“Changemakers” será oficialmente lançado em eventos nas cidades de São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro, entre os meses de junho e julho.

Link para compra do livrohttps://bambualeditora.com.br/p/changemakers-a-coragem-de-transformar-o-mundo/

Vídeo para arrecadação de fundos para estudar mestrado na Inglaterra – história da autora até 2016, foco na carreira na Amazônia:

SOBRE A BAMBUAL EDITORA

A Bambual Editora publica livros que apoiam a transição pela qual o mundo está passando, com soluções, reflexões e ferramentas disruptivas e inovadoras.

Com inspiração nas principais características do bambu – profundo, forte, flexível – sua essência é sensibilizar o ser humano para fazer escolhas diferentes.

Fundada há sete anos pela publisher Isabel Valle, possui livros sobre novas economias, segurança alimentar, espiritualidade engajada, empoderamento feminino, culturas regenerativas, negócios ecológicos, ecologia profunda, povos originários, desenvolvimento de comunidades intencionais, entre outros temas.

Como ações afirmativas, já realizou mais de doze campanhas de financiamento coletivo e oferece 30% de seu catálogo para download grátis.

Realiza projetos em parceria com instituições e empresas.

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Trilha sonora da reconstrução do Rio Grande do Sul

HEROYZ lança a música ‘O Novo Sul Vai Nascer’ com o objetivo de arrecadar fundos para as vítimas das enchentes no
Rio Grande do Sul

Dr. HEROYZ, personagem criado para ser o influencer da marca que ilustra o conceito da música-hino 'O Novo Sul vai nascer'
Dr. HEROYZ, personagem criado para ser o influencer da marca que ilustra o conceito da música-hino ‘O Novo Sul vai nascer’

HEROYZ lança a música ‘O Novo Sul Vai Nascer’ com o objetivo de arrecadar fundos para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Composta por Eduardo Borba, fundador da HEROYZ, a música será disponibilizada em mais de 150 plataformas de streaming, e 100% da arrecadação será destinada permanentemente à reconstrução do estado. A iniciativa conta com a colaboração de Anderson Jociel, Presidente da Confederação Nacional dos Bombeiros Voluntários, que forneceu imagens reais para o clipe da música.

Desde sua fundação em 2018, a HEROYZ se destaca por integrar moda, cultura e ação social, especialmente em apoio aos bombeiros voluntários. Com o lançamento de “O Novo Sul Vai Nascer”, a marca reafirma seu compromisso com o impacto social, convidando todos a participarem dessa causa ouvindo a música e ajudando a transformar cada play em um passo para a recuperação do Rio Grande do Sul. O clipe da música está disponível no Instagram da HEROYZ (https://www.instagram.com/p/C7K9vJdrxOX/ )

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O canto do sabiá na terra das rochas

Ceiça Rocha Cruz:

‘O canto do sabiá na terra das rochas’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
Sabiá
O canto do sabiá
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O sol desponta…

cobre o dia de brilho, 

encanto e magia,

desperta no silêncio,

o canto matinal do sabiá.

Nas serenas tardes de estio

aves plainam ao sabor do vento

sobre pedras e rochas,

e gorjeiam sorridentes,

sob um céu azul de setembro.

Nas majestosas palmeiras,

a voz desatada do sabiá, cristalina flauta,    

debruçada na janela, modula o doce canto 

e num descortinar reverbera.

Nos viçosos campos, serras e bosques,

se despoja na paisagem dourada,

das paredes alaranjadas de ocaso,

de um pôr de sol deslumbrante,

que sorri.

Porém, quando a tarde cai,

o azul do céu colore o rio Velho Chico,

e o sabiá revoa com seu lindo canto

sobre espumas desertas, solitárias,

que resvalam na areia nua.

Na tarde que fenece,

na quietude sorrateira do suave arrebol,

pelos olhos derramados de poente,

na alta palmeira canta o sabiá

a fustigar o silêncio

sobre a terra das rochas.

Ceiça Rocha Cruz

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