Línguas africanas que fazem o Brasil

‘Línguas africanas que fazem o Brasil’ é a nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa

Museu da Língua Portuguesa
Museu da Língua Portuguesa. Imagem gratuita Flickr
https://www.flickr.com/photos/governosp/52692624765

Com curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana, projeto destaca a influência das línguas iorubá, eve-fom e do grupo bantu no português falado no Brasil e na cultura nacional. Mostra será aberta no dia 24 de maio

O dia a dia do povo brasileiro é atravessado pelas presenças africanas na forma como nos expressamos – seja na entonação, no vocabulário, na pronúncia ou na forma de construir o pensamento. É sobre essas presenças que trata a exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasilcom curadoria do músico e filósofo Tiganá Santana e realização do Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. A mostra abre ao público no dia 24 de maio e fica em cartaz até janeiro de 2025.  

A exposição conta com patrocínio máster da Petrobras, patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, e da John Deere Brasil; e apoio do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra e da CAIXA. 

Línguas dos habitantes de terras da África Subsaariana, como o iorubá, eve-fom e as do grupo bantu, têm participação decisiva na configuração do português falado no Brasil, seja em seu vocabulário ou na maneira de pronunciar as palavras e de entoar as frases, mesmo que esta estruturação não seja do conhecimento dos falantes. Trata-se de uma história e de uma realidade legadas por cerca de 4,8 milhões de pessoas africanas trazidas de forma violenta ao país entre os séculos 16 e 19, durante o período do regime escravocrata. Além da língua, essa presença pode ser sentida em outras manifestações culturais, como a música, a arquitetura, as festas populares e rituais religiosos.  

Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil
Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil

“Ao mesmo tempo que a gente quer mostrar ao público que falamos uma série de expressões e estruturas que remontam a línguas negro-africanas, também desejamos revelar de que maneira isso acontece. Por que falamos caçula e não benjamim? Por que dizemos cochilar e não dormitar? Essas palavras fazem parte de nosso vocabulário, da nossa vida, do nosso modo de pensar”, afirma Santana. 

A exposição Línguas africanas que fazem o Brasil recebe o público com 15 palavras oriundas de línguas africanas impressas em estruturas ovais de madeira penduradas pela sala. Serão destacadas palavras como bundaxingarmarimbondodendêcanjicaminhoca e caçula. O público também poderá ouvi-las nas vozes de pessoas que residem no território da Estação da Luz, onde o Museu está localizado.  

Outro destaque no espaço é a obra do artista plástico baiano J. Cunha – um tecido estampado com os dizeres “Civilizações Bantu” que vestiu o tradicional Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, no Carnaval de 1996. Além disso, cerca de 20 mil búzios também estarão suspensos e distribuídos pelo ambiente. Na tradição afro-brasileira, as conchas são usadas em práticas divinatórias e funcionam como linguagem que conecta o mundo físico e espiritual.  

Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil
Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil

“Os búzios estão presentes nos espaços afro-religiosos no Brasil que foram, não os exclusivos, mas os principais núcleos de preservação e reinvenção das línguas africanas do Brasil. A partir deles, as presenças negras se irradiaram para outras dimensões da cultura popular brasileira”, diz Santana. 

Ainda na entrada da exposição, o público avistará vários adinkras espalhados pelas paredes. Trata-se de símbolos utilizados como sistema de escrita pelo povo Ashanti, que habita países como Costa do Marfim, Gana e Togo, na África. Eles podem representar desde diferentes elementos da cultura até sentenças proverbiais inteiras em um único ideograma. Evidenciando a presença desse povo como parte da diáspora africana, é possível encontrar, em diversas regiões do Brasil, gradis de residências e outras construções arquitetônicas adornados com alguns dos mais de 80 símbolos dos adinkras. 

Fazem parte da exposição duas videoinstalações da relevante artista visual fluminense Aline Motta. Na obra Corpo Celeste III, emprestada pela Pinacoteca de São Paulo e projetada no chão em larga escala, a artista destaca formas milenares de grafias centro-africanas, especificamente as do povo bakongo, presente em territórios como o angolano. Este trabalho foi desenvolvido com o historiador Rafael Galante. Já em Corpo Celeste V, criada exclusivamente para o Museu da Língua Portuguesa, quatro provérbios em quicongo, umbundo, iorubá e quimbundo, traduzidos para o português, serão exibidos em movimento nas paredes e em diálogo com Corpo Celeste III.  

Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil
Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil

Um dos principais nomes da nova geração da escultura no país, a baiana Rebeca Carapiá  assina obras de arte criadas em diálogo com frequências e grafias afrocentradas, a partir de seu trabalho com metais. 

A exposição também mostra como canções populares no Brasil foram criadas a partir da integração entre línguas africanas e o português, como Escravos de Jó e Abre a roda, tindolelê. O “jó”, da faixa Escravos de Jó, advém das línguas quimbundo e umbundo e quer dizer “casa”, “escravos de casa”. “Escravizados ladinos, crioulos e mulheres negras, que realizavam trabalho doméstico e falavam tanto o português de seus senhores quanto a língua dos que realizavam trabalhos externos, foram a ponte para a africanização do português e para o aportuguesamento dos africanos no sentido linguístico e cultural”, diz Tiganá Santana com base nas pesquisas da professora Yeda Pessoa de Castro. 

Além dos búzios, a mostra explora outras linguagens não-verbais advindas das culturas africanas ou afro-diaspóricas. Entre elas, os cabelos trançados, que, durante o período de escravidão no Brasil, serviam como mapas de rotas de fugas. E de turbantes, cujas diferentes amarrações indicam posição hierárquica dentro do candomblé. Há ainda dois trabalhos da designer Goya Lopes, cujas principais referências são as capulanas, os panos coloridos usados por mulheres em Moçambique. Tais trabalhos enfatizam uma articulação significativa com a língua iorubá. 

Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil
Guilherme Sai
Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil

Outro exemplo da linguagem não-verbal são os tambores, que compõem uma cenografia constituída por uma projeção criada por Aline Motta, com imagens do mar e trechos do texto Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira, de Lélia Gonzalez, uma das principais intelectuais do Brasil, referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe. Nestes trechos, verifica-se o uso da expressão pretuguês cunhada pela intelectual. Por fim, ainda nessa cena, é importante ressaltar a presença de esculturas da Rebeca Carapiá, conversando com as frequências dos tambores. 

Numa sala de cinema interativa, o visitante será surpreendido com uma projeção de imagens ao enunciar palavras de origem africana como axéafoxézumbi acarajé.  

O público terá acesso a uma série de registros de manifestações culturais afro-brasileiras e de conteúdos sobre as línguas africanas e sua presença no português do Brasil. Há performance da cantora Clementina de Jesus, imagens da Missão de Pesquisas Folclóricas idealizada por Mário de Andrade, entrevistas com pesquisadores como Félix Ayoh’Omidire, Margarida Petter e Laura Álvarez López, além de gravações de apresentações do bloco Ilú Obá De Min e da Orkestra Rumpilezz, e o vídeo Encomendador de Almas, de Eustáquio Neves, que retrata o senhor Crispim, da comunidade quilombola do Ausente ou do Córrego do Ausente, na região do Vale do Jequitinhonha.  

Tudo isso em meio a sons de canções rituais e narrativas em iorubá, fom, quimbundo e quicongo, captados pelo linguista norte-americano Lorenzo Dow Turner nos anos de 1940 na Bahia e cedidos pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Será possível, ainda, assistir aos filmes sobre o Quilombo Cafundó: um que já existia há mais de 40 anos e outro que foi concebido para a exposição, versando sobre a língua cupópia de modo mais enfático.  

SERVIÇO 

Exposição temporária Línguas africanas que fazem o Brasil 

De 24 de maio a janeiro de 2025 

De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)  

R$ 24 (inteira); R$ 12 (meia)  

Grátis para crianças até 7 anos  

Grátis aos sábados  

Acesso pelo Portão A  

Venda de ingressos na bilheteria e pela internet:  
https://bileto.sympla.com.br/event/90834/   

Museu da Língua Portuguesa   
Praça da Língua, s/nº – Luz – São Paulo   

SOBRE O MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA   
Localizado na Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa tem como tema a língua como patrimônio cultural e imaterial, fazendo uso da tecnologia e de suportes interativos para construir e apresentar seu acervo. O público é convidado para uma viagem sensorial e subjetiva, apresentando a língua como uma manifestação viva, rica, diversa e em constante construção.   

O Museu da Língua Portuguesa é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de Estado de São Paulo, concebido e implantado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O IDBrasil Cultura, Esporte e Educação é a Organização Social de Cultura responsável pela sua gestão.   

PATROCÍNIOS E PARCERIAS   
A temporada 2024 conta com o patrocínio máster da Petrobras, patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, e da John Deere Brasil; com apoio do Itaú Unibanco, do Grupo Ultra e da CAIXA. Conta ainda com as empresas parceiras Instituto Votorantim, Epson, Machado Meyer, Verde Asset Management. Revista Piauí, Guia da Semana, Dinamize e JCDecaux são parceiros de mídia. A EDP é patrocinadora máster da reconstrução do Museu. A reconstrução e a temporada 2024 são uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.   

Museu da Língua Portuguesa – Comunicação  
Alan de Faria | alan.faria@idbr.org.br – 11 99894 0702  
Renata Beltrão | renata.beltrao@idbr.org.br – 11 99267 5447  
 

Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo – Assessoria de Imprensa   
(11) 3339-8062 / (11) 3339-8585   
imprensaculturasp@sp.gov.br   
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Diálogos MAP

Universo de criação de Jorge dos Anjos é tema do

‘Diálogos MAP’

 Jorge dos Anjos
Irena dos Anjos
Jorge dos Anjos

A prática de ateliê e a experimentação de materiais serão assuntos abordados no ‘Diálogos MAP’ com Jorge dos Anjos, que acontece no dia 28 de maio, às 19h, na Escola Guignard. A atividade é gratuita e integra a 9ª edição do Bolsa Pampulha

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Viaduto das Artes, realiza o ‘Diálogos MAP’ com o artista plástico ouropretano Jorge dos Anjos. A proposta é que tanto os bolsistas residentes, quanto o público interessado acessem o processo de criação do artista que envolve pesquisa em vários materiais, em especial, o ferro, como também compreender seu diálogo com códigos e vocabulários da cultura afro-brasileira.

Jorge dos Anjos irá apresentar sua trajetória construída ao longo dos quase 40 anos como artista e, além disso, estimular que as pessoas presentes participem através de perguntas. A atividade, que acontece no dia 28 de maio, às 19h, na Escola Guignard, é o segundo encontro aberto ao público da 9ª edição do Bolsa Pampulha – não há necessidade de inscrições (sujeito à lotação). Para mais informações site pbh.gov.br/bolsapampulha.

Com iniciativa do Museu de Arte da Pampulha (MAP), o “Diálogos MAP” faz parte da programação de atividades presenciais e abertas ao público do Bolsa Pampulha. Neste encontro, será possível entender mais dos processos que levaram à consistência da carreira do artista. Ele irá falar sobre o aprofundamento e ampliação de suas pesquisas sobre linguagem, material e processos. Jorge dos Anjos esculpiu várias obras, a maioria delas com expressões e manifestações culturais afro-brasileiras, e, que estão instaladas em Belo Horizonte, como o Portal da Memória, monumento feito em homenagem às matrizes culturais africanas na Lagoa da Pampulha.

A obra completa a configuração atual da Praça de Iemanjá, importante ponto turístico, de celebração e referência simbólica e afetiva para os candomblecistas, que recebe, desde 1953, a Festa de Iemanjá, considerada patrimônio cultural municipal. Jorge tornou-se ao longo da carreira um dos nomes mais expressivos da arte mineira contemporânea da colaboração em festivais de arte negra.

Para Pollyana Quintella, uma das curadoras da 9ª edição do Bolsa Pampulha, espera-se o diálogo entre “o processo de criação do artista, que muitas vezes não aparece quando se vai numa exposição ou quando você está olhando uma obra, mas que está na fala e no compartilhamento de certos detalhes de bastidores”. Pollyana reforça que “Jorge é um nome de referência, fundamental para a cena artística mineira. Ele é responsável por aliar as tradições escultóricas modernas ao repertório afro diaspórico, o que faz de sua obra um lugar de negociação entre diferentes esferas sócio-culturais”.  

Jorge conta que para o “Diálogos MAP” irá apresentar dois vídeos curtos de 1989 para que o público interessado consiga visualizar através das imagens como foi a construção de sua carreira como artista independente. “Eu quero conversar sobre processos de trabalho, campo de referência. Para falar da minha trajetória,eu gostaria de retomar o fim dos anos 80 e início dos anos 90, época em que  eu estava indo para uma direção, rumo a uma experimentação. Eu realizei muita coisa, fui consolidando o trabalho de escultura. Então, o que muita gente procura hoje, eu buscava há 40 anos atrás”, explica. 

Jorge dos Anjos também assina o monumento Zumbi Liberdade e Resistência – 300 anos, instalado no início da Avenida Brasil, em Belo Horizonte – a obra rememora a imortalidade de Zumbi e Dandara dos Palmares. Também criou a obra Aya, Árvore da Vida pela Vida: Memorial pela Vida da Juventude Negra, instalada no Centro de Referência da Juventude, obra que marca a memória dos jovens negros cujas vidas foram ceifadas pelas forças da opressão.

O artista plástico coleciona prêmios em salões nacionais de arte. Desde os anos de 1970, Jorge dos Anjos pesquisa e desenvolve várias possibilidades expressivas das artes visuais. Muito além da capital mineira, ele possui, muitas obras reconhecidas internacionalmente, espalhadas em todo o país em prédios públicos, museus, galerias e coleções.

Dobradinha – Além do “Diálogos MAP”, que é aberto ao público em geral, está previsto nas atividades planejadas para desenvolvimento das pesquisas dos bolsistas uma visita exclusiva ao ateliê do artista. Pollyana explica que vai ser “um encontro muito importante para os bolsistas porque Jorge tem essa intimidade com o material e é uma pessoa que está lidando com esse fazer no ateliê o tempo inteiro. Tem algo que é da solução técnica, deste tipo de construção que pode agregar muito para eles [os bolsistas] como exemplo de solução e experimentação do fazer”. O Bolsa Pampulha reforça com a atividade a sua natureza intercambiável entre artistas de várias gerações. 

Sobre o Bolsa Pampulha

O Bolsa Pampulha é um programa consolidado de arte contemporânea e se apresenta como uma das primeiras residências artísticas do Brasil. Sua origem remonta ao Salão Nacional de Arte da Prefeitura de Belo Horizonte, realizado desde 1937. A partir de 2003, passa por uma reformulação e ganha o formato atual, de forma a evidenciar e dialogar com as oportunidades da arte e da cultura contemporâneas.

Uma das principais iniciativas do MAP, instituição vinculada à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, o Bolsa Pampulha reforça o museu como espaço de formação, pesquisa e experimentação junto à comunidade artística local e nacional, algo testemunhado ao longo de suas edições anteriores. Enquanto política pública de cultura, o Bolsa Pampulha confere visibilidade à trajetória de relevantes nomes das artes visuais brasileiras que passaram pelas residências do programa, como Cinthia Marcelle, Paulo Nazareth, Marilá Dardot, Desali, Janaína Wagner, Rafael RG, Marcellvs L, Luana Vitra, Froiid, entre outros.

Como parte integrante do programa, estão previstos encontros mensais, leituras de portfólio, debates, oficinas, palestras abertas ao público, presencial ou virtual, além de uma Mostra de encerramento e a publicação de um catálogo, ambos com as obras dos bolsistas contemplados. Fazem parte da equipe curatorial as pesquisadoras Juliana Gontijo e Pollyana Quintella e, da tutorial, o artista multidisciplinar Froiid e o pesquisador Lucas Menezes. Em parceria, eles irão contribuir ao longo dos processos de pesquisa, formação, experimentação e criação dos bolsistas.

Descentralização e Território – Descentralizar o fomento à arte contemporânea é uma das propostas desta edição do Bolsa Pampulha. A parceria com o Viaduto das Artes tem como objetivo ampliar esse caráter de democratização artística. O MAP, que encontra-se em obras de restauro, segue atuante também por meio do Bolsa Pampulha – que está em sua 9ª edição. Dessa forma, o programa confirma sua expansão pela cidade e mantém o MAP como importante ponto de diálogo e convergência.

Para fortalecer a compreensão da cidade expandida, as residências artísticas desta edição do Bolsa Pampulha se configuram como um intercâmbio cultural em contato constante com o território ampliado de Belo Horizonte, envolvendo especialmente a Região Metropolitana. 

Museu de Arte da Pampulha

Inaugurado em 1957, o MAP exerce um relevante papel na formação, desenvolvimento e consolidação do ambiente artístico e cultural de Belo Horizonte. Seu acervo conta com importantes obras e documentos que permitem revisitar a história da arte moderna e contemporânea brasileira, com especial destaque para o seu edifício-sede.

O prédio, projetado por Oscar Niemeyer na década de 1940, é uma referência icônica para a arquitetura moderna brasileira e dos mais representativos cartões-postais de Belo Horizonte. Desde 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Viaduto das Artes

O Viaduto das Artes é um equipamento cultural e multidisciplinar instalado no Barreiro, região periférica de Belo Horizonte. Conta com galeria de arte, biblioteca, ateliês, jardim de esculturas, espaços formativos e expositivos instalados no baixo do viaduto Engenheiro Andrade Pinto, na avenida Olinto Meireles, 45. Com área aproximada de 1.000 m², o local recebe eventos em vários formatos, como exposições, shows, oficinas, espetáculos teatrais, entre outros.

O Viaduto das Artes mantém diálogo cotidiano com a comunidade ao redor, e trabalha em prol do impacto cultural, educacional e social naquele território. A região, que engloba mais de 300 mil habitantes, exibe um cenário de tensões sociais e econômicas comuns à periferia de qualquer grande cidade brasileira. O equipamento cultural cumpre um raro papel de aproximação e transformação junto a essa vizinhança.

 SERVIÇO

Diálogos MAP – 9ª edição do Bolsa Pampulha 

Palestra com Jorge dos Anjos

28 de maio, às 19h

Escola Guignard: Rua Ascânio Burlamarque, 540, Mangabeiras, Belo Horizonte

Entrada gratuita

Mais informações em: pbh.gov.br/bolsapampulha

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Em busca de circular no nosso quintal

Artista circense de Sorocaba circula com projeto cultural pelo interior paulista

Em busca de. Foto Jederson
Em busca de. Foto Jederson

Com oficinas de circo e espetáculo aberto ao público, o projeto passa pelas 10 cidades interioranas com os menores Índices de Desenvolvimento Humano do estado

Com o objetivo de levar a arte circense de rua para cidades do interior de São Paulo, o Duo Caponata está em circulação, com o projeto “Em busca de circular no nosso quintal”, oferecendo uma oficina de palhaçada e uma apresentação do espetáculo de circo-teatro de rua “Em busca de?“, totalmente aberto ao público. 

Faz parte deste novo projeto, o artista sorocabano Samir Jaime (palhaço Berinjela Trakinas). Após mais de 10 anos atuando com o grupo Nativos Terra Rasgada e em projetos de relevância para a cidade, como Aclowndemia Sorocaba, o ator e produtor embarca em uma nova fase, ao lado da artista Bianca Fina (palhaça Pomodora Bamboleta), residente de São Paulo (capital).

Ao viajar por 12 estados brasileiros, partindo de Sorocaba, em um Ford Ka, dormir em barraca, carro, alojamentos ou casas de conhecidos locais, e fazer mais de 50 apresentações de maneira totalmente independente, em 2023, com o projeto “Em busca de?”, a dupla teve a oportunidade de vivenciar experiências com diferentes culturas, principalmente em cidades menores. 

Foi então que o Duo Caponata entendeu a necessidade de levar o projeto para municípios com pouco acesso à arte e diversidade, e decidiu se inscrever para o edital de circulação do Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAC) 2023. Para escolher as 10 cidades do interior paulista, Samir e Bianca analisaram o Índice de Desenvolvimento Humano do estado de São Paulo e selecionaram as cidades que apresentaram o menor índice: Natividade da Serra, Balbinos, Canitar, Barra do Turvo, Ribeirão Branco, Serra Azul, Altair, São José de Bela Vista, Guzolandia e Marabá Paulista.

“Queremos levar nosso trabalho para somar com a cultura local dessas regiões afastadas de capitais e metrópoles, pois sabemos que todos os lugares possuem suas culturas e tradições, e poder conhecê-las ao mesmo tempo que compartilhamos nossa arte, é o que nos motiva e nos faz continuar aprendendo dia após dia”, relata o produtor Samir Jaime.

O espetáculo “Em busca de?” que faz parte da circulação do projeto, utiliza técnicas de malabares, bambolê e magia cômica, apresentando uma pesquisa baseada no palhaço em sua essência, ou seja, faz um jogo de cena direto com o espectador, onde o público participa ativamente do trabalho, conduzido pela inocência e lógica inversa do personagem.

De acordo com a atriz do projeto, Bianca Fina, dentro da arte circense, o palhaço é o mais próximo do espectador, isso porque acontece uma identificação com as vivências do dia a dia e a partir disso, é possível criar uma liberdade maior entre artista e público, fatores que impactam na receptividade do espetáculo. 

“Sempre buscamos o fazer artístico democraticamente, por isso escolhemos a rua como palco, pois entendemos que é um lugar de maior democratização artística, ou seja, não restringe público, idade ou classe social”, completa Bianca. 

E com o intuito de fomentar ainda mais a linguagem do circo, além do espetáculo, o duo também ministra uma oficina de circo e palhaçada gratuita para artistas e não artistas, aberta a todas as idades. Vale destacar que todas as atividades contam com intérprete de Libras. 

O projeto “Em busca de circular no nosso quintal” foi contemplado pelo edital de circulação do Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAC) 2023.

Cronograma de apresentações:

  • selecionada05/05 – Natividade da Serra
  • selecionada10/05 – Canitar
  • selecionada11/05 – Balbinos
  • selecionada18/05 – Barra do Turvo
  • selecionada19/05 – Ribeirão Branco
  • não selecionada31/05 – Serra Azul
  • não selecionada01/06 – Altair
  • não selecionada02/06 – São José da Bela Vista
  • não selecionada29/06 – Guzolandia
  • não selecionada30/06 – Marabá Paulista
  • Instagram do projeto: https://www.instagram.com/duocaponata

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Espinhos da Rosa

Carla Pimenta: ‘Espinhos da Rosa’

Carla Pimenta
Carla Pimenta
Lançamento do livro 'Espinhos da Rosa'
Lançamento do livro ‘Espinhos da Rosa’,
de Paula Gonçalves Batista

ESPINHOS DA ROSA, livro solidário com o apoio da Junta de Freguesia de Benfica e do Município do Cadaval, visa ajudar os refugiados ucranianos resgatados por Maria João Ramos e outras 16 pessoas quando do início da guerra na Ucrânia e, actualmente,  a viver na freguesia de Benfica.  Escrito pela hábil mão da autora/poetisa Paula Gonçalves Batista, publicado sob a chancela das Edições O Declamador, é a biografia de Maria João.

Teve o seu lançamento a 25 de fevereiro de 2024 no Palácio Baldaya em Benfica, apresentações na Biblioteca Municipal do Cadaval e na Associação Paço D’Artes – Paço De Arcos. Após o grande sucesso da apresentação na Biblioteca Municipal do Cadaval, Edições e autora agarram a oportunidade de divulgar a obra através de um canal de tv – Kuriakos Tv, convidando a estar presente com ambas,  a visada no livro e Paulo Mascarenhas a quem coube escrever o prefácio.

Lançamento do livro 'Espinhos da Rosa'
Lançamento do livro ‘Espinhos da Rosa’,
de Paula Gonçalves Batista

Numa conversa animada, amistosa, emocionada, onde de uma forma simples, despretensiosa, falam abertamente com o Zé e a Sara, dos receios, das dificuldades encontradas pela autora Paula Gonçalves Batista para conseguir captar todas as informações que Maria João lhe ia transmitindo via mensagens aquando da sua ida à Ucrânia e, posteriormente, com relatos de acontecimentos significativos sobre a sua vida, de todo o trabalho de pesquisa efectuado sobre Maria João, tendo em conta que a autora e a visada eram duas ilustres desconhecidas, dos testemunhos ouvidos vindos de familiares e amigos; de como Carla Pimenta entra neste grupo e com ela  surge a escolha das Edições O Declamador para a publicação da obra pois estando o ‘livro’ escrito surge a necessidade de uma editora.

Tendo uma relação literária com a autora e com as Edições O Declamador, Carla Pimenta torna-se parte desta equipe ao ser o elo entre a autora, a protagonista do livro e Jorge Manuel Ramos, o editor das Edições O Declamador; do apoio dado por Paulo Mascarenhas em todo o processo de escrita ficando o prefácio da biografia a seu cargo; da confiança depositada por Maria João na autora e do seu trabalho árduo com os refugiados Ucranianos que veem Maria João Ramos como uma bênção nas suas vidas, ocupando muito do seu tempo livre.

Lançamento do livro 'Espinhos da Rosa', de Paula Gonçalves Batista
Lançamento do livro ‘Espinhos da Rosa’,
de Paula Gonçalves Batista

A conversa fluiu de forma natural sempre em torno da solidariedade deixando a autora bem explicito que sendo um livro de cariz solidário, toda a equipe trabalhou de forma gratuita, não estando o livro registado na Sociedade Portuguesa de Autores pois a autora não pretende receber qualquer valor monetário sobre as vendas do livro.

O objectivo de levar ESPINHOS DA ROSA e quatro dos elementos que compõem a equipe que deu vida à obra, ao programa Manhãs na Tv da Kuriakos Tv foi tão somente a divulgação  da obra solidária de uma forma que chegue o mais longe possível para que outros leitores fiquem a saber da sua existência e a desejem adquirir; ao dar a sua opinião sobre a leitura do livro Carla Pimenta pretendeu despertar o interesse nos potenciais leitores sobre o conteúdo do mesmo.

ESPINHOS DA ROSA, escrito num português simples e acessível a todos é uma obra de valor simbólico onde o amor ao próximo está patente.

Carla Pimenta – 20/05/2024

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Sol e Lua

José Antonio Torres: Poema ‘Sol e Lua’

Jose Antonio Torres
José Antonio Torres
'Sol e Lua'
‘Sol e Lua’
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

O Sol e a Lua.
O dia e a noite.
Dois amantes apaixonados que se procuram na agonia do desencontro.
Jamais poderão realizar esse amor.
Em certa época, durante um momento fugaz,
Conseguem vislumbrar um ao outro.
O Sol a se deitar
E a Lua surgindo para a noite iluminar.
Por esse breve espaço de tempo se admiram,
Mas logo se perdem outra vez.
Em momentos de profunda tristeza,
A Lua esconde o seu brilho
E deixa uma tênue tira de claridade aparente,
Apenas para que o seu apaixonado saiba que ela está lá,
Na esperança de vê-lo.
Na medida em que essa esperança aumenta,
Ela vai aos poucos se iluminando
Até se tornar esplendorosa em sua forma plena.
O Sol, em sua louca paixão,
Ao menos de longe quer admirar a sua amada.
Envia seus raios de amor
Para que ela brilhe no palco celeste,
Extasiando a humanidade com sua beleza prateada.
Passam os dias e as noites assim, afastados,
Mas ligados pelo magnetismo do amor cósmico.
E o ciclo se reinicia.
A Lua vai se deitar
E o Sol vem surgindo para o dia clarear.
Dois amantes, cada um com seu mister,
Vivenciam um amor platônico,
Fadados à dor da eterna separação.

José Antonio Torres

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Esfinge

Pietro Costa: Poema ‘Esfinge’

Pietro Costa
Pietro Costa
"Se a poesia não nos decifra... somos ideias repetidas"
“Se a poesia não nos decifra… somos ideias repetidas”

Inebriado eu me sinto
Não pelo teor alcoólico
Propriamente dito

É pelo poema sorvido
Pela música tocada
Pelo arranjo inventado
Pela amizade celebrada
Pelo banquete servido
Pela noite enluarada
Pelo eclipse avistado 
Pela estrela iluminada
Pelo sorriso revidado
Pela lágrima derramada
Por seus olhos famintos
Esfíngicos
A decifrar minha tara  

Musa que nos enleva
Encanta
Engana
Atiça
Enfeitiça

A todos, brinde
Em doses abrasantes 
E ‘shots’ extenuantes
De dores e amores
A todos, acinte

Somente a poesia nos salva
Sem ela, somos almas penadas
Nadas semânticos, cacofonias
Devorados pela fobia de vida
Dilacerados pela apatia

Se a poesia não nos decifra
Somos afetos sabotados
Vírgulas sem pausa e causa
Parágrafos sem nexo 
Desafetos do sexo
Ideias repetidas

Pietro Costa

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Inteligência Artificial: Como será o futuro?

A Inteligência Artificial (IA) é um dos tópicos mais discutidos na atualidade, permeando diversas áreas e gerando debates sobre o seu impacto no futuro da sociedade.

Logo da seção 'Entrevistas ROLianas'
Logo da seção ‘Entrevistas ROLianas’

Mas afinal, o que é Inteligência Artificial e como ela está transformando o mundo?

Quem nos responde as perguntas é o engenheiro de software José Henriques Martins, que trabalha na área de TI desde 1983 e é o Editor Setorial do Jornal Rol.

ROL: O que é inteligência artificial?

JH: Inteligência Artificial é um campo da ciência da computação que se dedica ao desenvolvimento de sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente requerem inteligência humana. Isso inclui aprendizado, reconhecimento de padrões, tomada de decisões, e interpretação de dados sensoriais. A IA utiliza algoritmos complexos e grandes quantidades de dados para ‘aprender’ e melhorar seu desempenho com o tempo.

ROL: A IA irá substituir o trabalho humano?

Robô com Inteligência Artificial olhando o mundo (imagem criado por IA no Bing)
Robô com Inteligência Artificial olhando o mundo (imagem criada por IA no Bing)

JH: Uma das maiores preocupações em torno da IA é a possibilidade de substituição de empregos humanos. De fato, a automação já está substituindo certas funções, especialmente aquelas repetitivas e baseadas em dados. No entanto, especialistas argumentam que a IA pode também criar novas oportunidades de trabalho e transformar as funções existentes, exigindo uma adaptação no mercado de trabalho.

A IA não deve ser vista como uma ameaça, mas como uma ferramenta poderosa que pode complementar o trabalho humano. É crucial que a sociedade se prepare para a transformação digital, investindo em educação e treinamento para novas habilidades.

ROL: O futuro será tudo feito através da IA?

JH: Embora a IA esteja avançando rapidamente, é improvável que ela substitua totalmente a intervenção humana. Em muitas áreas, como saúde e educação, o toque humano e a tomada de decisão ética são insubstituíveis. A tendência é que a IA e os humanos trabalhem juntos, com a tecnologia auxiliando na execução de tarefas complexas e melhorando a eficiência.

ROL: Aonde é utilizada a IA neste momento?

JH: A IA já está presente em diversos setores. Na saúde, por exemplo, é utilizada para diagnósticos de doenças através de imagens médicas e análise de dados de pacientes. No setor financeiro, auxilia na detecção de fraudes e na previsão de mercados. Na indústria, otimiza processos de produção e manutenção preditiva. Além disso, tecnologias de IA estão cada vez mais integradas em produtos de consumo, como assistentes virtuais (Alexa, Siri e outros) e sistemas de recomendação em plataformas de streaming e e-commerce.

ROL: Quais países que estão à frente na IA?

JH: Os países que mais se destacam em pesquisas e desenvolvimento de IA incluem os Estados Unidos, a China, e vários países da União Europeia, como Alemanha e Reino Unido. Os EUA e a China, em particular, estão investindo massivamente em IA, com grandes empresas de tecnologia liderando inovações e o desenvolvimento de aplicações avançadas.

A Inteligência Artificial está moldando o futuro de maneira significativa. Enquanto a tecnologia avança, é fundamental que a sociedade se adapte e aprenda a coexistir com essas novas ferramentas.

Conforme afirma José Henriques Martins: “a chave está em ver a IA como uma aliada, não uma inimiga, e garantir que estamos preparados para um mundo cada vez mais digital.

A jornada da IA está apenas começando, e seu impacto total ainda está por vir. A única certeza é que ela será uma parte integral do nosso futuro, transformando a forma como vivemos e trabalhamos.


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