O equilíbrio invisível

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: Artigo ‘O equilíbrio invisível’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada pela IA do Bing – 29 de abril de 2026,
às 23:00 PM

Entre o orgulho que constrói e o orgulho que destrói.

Existe uma linha silenciosa, quase imperceptível, entre aquilo que nos fortalece e aquilo que nos derruba.

Chamamos essa linha de orgulho.

O orgulho, em sua essência, não é um vilão. Ele nasce quando reconhecemos uma conquista, quando honramos nossa jornada, quando percebemos que estamos evoluindo. A ciência, inclusive, confirma isso: estudos em psicologia mostram que existe o chamado orgulho autêntico, associado à autoestima saudável, sensação de competência e bem-estar.  

Mas há um outro lado mais sutil, mais perigoso, o orgulho arrogante. Esse, por sua vez, se manifesta na incapacidade de reconhecer erros, na sensação de superioridade e na desconexão com a realidade. E aqui começa a ruína.  

Porque o problema nunca foi sentir orgulho.

O problema é quando ele deixa de ser consciência… e passa a ser ilusão.

Existe um princípio antigo, profundamente observado ao longo da história humana: antes da queda, há sempre uma elevação desordenada do ego.

A arrogância não surge do nada. Ela nasce de um excesso de autoimagem inflada, de reconhecimento distorcido, de uma identidade que já não precisa mais aprender.

A psicologia descreve esse fenômeno com precisão: pessoas arrogantes tendem a ter maior dificuldade de autocrítica, menor capacidade de crescimento e mais conflitos interpessoais.  Ou seja: quanto maior a sensação de “já cheguei”, menor a possibilidade de evolução.

E isso explica por que tantas trajetórias brilhantes desmoronam.

Não é falta de talento.

É excesso de si mesmo.

Existe um tipo ainda mais sofisticado e mais perigoso de orgulho: aquele que se esconde atrás da humildade.

A falsa humildade não se apresenta como grandeza… mas como pequenez estratégica.

É quando a pessoa se diminui para ser validada.

Quando diz “não sou nada”, mas espera ser exaltada.

Quando se coloca abaixo, mas internamente deseja estar acima.

Isso não é humildade.

Isso ainda é orgulho só que invertido.

É o ego que não conseguiu crescer… e decidiu se esconder.

Humildade não é ser pequeno

Um dos maiores equívocos humanos é confundir humildade com miséria emocional.

Ser humilde não é se anular.

Não é aceitar menos do que se é.

Não é viver em escassez interna.

Humildade é consciência.

É saber quem você é sem precisar provar.

É reconhecer suas forças sem precisar exibir.

É admitir suas falhas sem se destruir por elas.

A verdadeira humildade não diminui o indivíduo.

Ela o posiciona.

Enquanto o orgulho exagerado distorce a identidade para cima, e o vitimismo distorce para baixo, a humildade alinha.

Pouco se fala, mas o vitimismo também é uma forma de orgulho.

Sim, um orgulho ferido.

É quando a pessoa se apega à dor como identidade.

Quando transforma a própria limitação em narrativa permanente.

Quando se recusa a crescer, porque crescer exige responsabilidade.

No fundo, o vitimismo diz:

“Eu não mudo, o mundo que deveria mudar para mim.”

E isso paralisa.

Porque enquanto a arrogância impede o aprendizado por excesso de ego, o vitimismo impede por ausência de ação.

Ambos levam ao mesmo lugar: estagnação.

Quando o orgulho se combina com o desejo descontrolado por mais, mais status, mais poder, mais reconhecimento, nasce a ganância.

E aqui o problema se aprofunda.

Estudos em comportamento social mostram que traços como arrogância e ganância tendem a prejudicar a cooperação, enfraquecer relações e comprometer decisões coletivas. Ou seja, o indivíduo até pode subir…

Mas sobe sozinho.

E, muitas vezes, cai sem sustentação.

Porque aquilo que não é construído com consciência, não se sustenta com o tempo.

A saúde integral, física, emocional e espiritual, exige um equilíbrio fino:

Orgulho suficiente para reconhecer seu valor

Humildade suficiente para continuar aprendendo

Confiança para avançar

Consciência para não se perder

Força para conquistar

Sabedoria para permanecer

A arte da vida não está em eliminar o orgulho.

Está em refiná-lo.

Transformar o orgulho em gratidão.

A conquista em serviço.

O crescimento em consciência.

Porque no fim…

não é sobre o quanto você sobe.

É sobre quem você se torna enquanto sobe.

Do que você se orgulha em sua vida?

Joelson Mora

Voltar

Facebook




Thomas Hardy y su tess

María Beatriz Muñoz Ruiz

Reseña literaria ‘Thomas Hardy y su tess’

Maria Beatriz Munõz Ruiz
Maria Beatriz Muñoz Ruiz

Lento, muy lento. Lo que en sus poemas era una hermosa bendición, en sus novelas fue una lenta, aunque dulce, tortura. Estoy hablando de Thomas Hardy y de su novela Tess d’Urberville.

Primero me enamoré de su vida y sentí curiosidad por el hombre cuyo corazón reposa con su amada Emma y su cuerpo con los grandes poetas en la Abadía de Westminster. Entonces descubrí sus perfectos, románticos y dramáticos versos; de esos que te envuelven como una cálida manta en una noche de frío, de esos que hielan tus huesos con el dolor de alguien que ha perdido al amor de su vida sabiendo que ya lo había perdido antes de que durmiera eternamente en el blanco mármol pulido.

Como un suave fuego que calienta mi cuerpo, entró en mi corazón y grabó su nombre en un tatuaje invisible y eterno. Así que decidí avanzar en nuestra relación y aventurarme con una de sus novelas porque, como ya sabéis, me atrae todo lo que la sociedad censura, aquello que se critica, porque supongo que es interesante.

La novela elegida fue Tess d’Urberville y, en su defensa, he de decir que no sé si la recomendaría o no; y digo “en su defensa” porque me ha dejado perpleja en muchos sentidos. En primer lugar, esta novela debería llevar detalladas instrucciones para aquellos valientes en los que surja la inquietud de leerla.

Es una novela densa, muy densa, y os lo dice alguien que está acostumbrada a leer novela clásica inglesa. He leído a las hermanas Brontë, a Virginia Woolf, Jane Austen, George Orwell, Oscar Wilde e innumerables poetas que se han convertido en mis amigos, amantes y arquitectos de sueños con puentes que me hacen viajar a tiempos llenos de romanticismo.

Pero sí, con esta novela he estado a nada de castigarla de cara a la pared; casi seiscientas páginas en las que las descripciones son tan densas que, cuando llegas a los sucesos interesantes, apenas recuerdas en qué punto estabas. Y ahora diréis los eruditos insufribles que las novelas clásicas son así, y tenéis razón; he leído demasiado a los clásicos como para saber que lo son, pero lo que empieza como pura poesía descriptiva termina desquiciándome con cada detalle desmenuzado del paisaje. Sin embargo, creo que no ha sido eso lo que se me ha atragantado de esta novela; lo que realmente me ha desquiciado ha sido la historia en sí misma.

Entonces entendí la magia de Thomas Hardy y que no todos estamos preparados para leerlo; es como la comida mexicana: me encanta el picante, pero cuando te comes un taco mexicano real es cuando entiendes que no estás preparada para el verdadero picante, ya que su nivel de tolerancia es mucho mayor al nuestro. Vamos, un arte.

Pues eso pasa con esta novela; no estaba preparada, pero me alegro de haberla leído. Thomas Hardy muestra la hipocresía de la sociedad en estado puro: el doble rasero con el que se medía a las mujeres y a los hombres, lo efímero que puede ser el amor que pasa al odio en dos segundos y la triste realidad de que, al final, todo se compra con dinero.

A Tess le arrebataron su inocencia, la amaron, la juzgaron y, tras empujarla al abismo, decidieron que ella era el error. Creo que por eso se me ha hecho demasiado larga: porque sufría con su dolor y, si hubiera podido adentrarme en esas páginas y rescatarla, lo habría hecho.

Así que, si me preguntáis si la recomendaría… os diría que solo para los que estén preparados para pausar su vida y avanzar lentamente con cada descripción hasta llegar a imaginar los campos, el olor a césped, el sol de la tarde con sus últimos rayos acariciando la piel de Tess, un amor que se cuece a fuego lento y una traición que asesina el corazón del lector.

Quizás por eso la novela clásica es tan difícil de leer en la actualidad, pero tal vez… deberíamos hacer caso y detenernos, dejar de correr en este mundo de locos y obligarnos a vivir la vida como la cadencia de los versos y las descripciones de Thomas Hardy: sin prisa.

Maria Beatriz Muñoz Ruiz

Voltar

Facebook




Os desafios dos professores de línguas!

José Ngola Carlos

‘Os desafios dos professores de línguas!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por Ia do Bing – 29 de abril de 2026, às 14:07 PM

Criticar todos sabemos fazer, porém, sugerir melhorias é o empreendimento que muitos ignoram, quer por incompetência, quer por negligência.

Neste texto será construída, não uma crítica indiscriminada aos professores de Inglês das escolas públicas, público-privadas e privadas de Angola, mas pretenderemos convidar à reflexão em torno da nossa prática como professores de língua, visando a nossa melhoria contínua. Não obstante a referência aos professores de Língua Inglesa, percebemos que, o conteúdo deste texto poderá ser útil a todos os professores de línguas.

O que se observa nas escolas de Angola é que, a exemplo do II Ciclo do Ensino Secundário, o que não é exceção, os alunos frequentam as aulas de Inglês, num período de três (3) anos e, para a surpresa de todos os agentes educativos, quase que saem crus e nus, conforme antes de as frequentarem, porque, nem o básico do primeiro nível (A1) se consegue alcançar. Não raro, comparado aos Centros de Formação Profissional, em que trabalho extraordinário tem sido feito, a justificativa sempre foi: “nos centros têm mais tempo de estudo das línguas”. Por outro lado, “os alunos veem à escola sem motivação para as aulas de línguas, o que não acontece em relação aos centros de formação, onde vão já motivados”. O nosso questionamento, portanto, é: será?! Poderia haver alguma pitada de verdade nesta maneira de pensar?! Vamos aos fatos, por favor!

Comecemos com a primeira justificativa:

“Meus alunos e alunas só não aprendem Inglês porque tenho poucos tempos letivos por semana”

O professor e a professora do II Ciclo do Ensino Secundário têm três (3) tempos letivos por semana, correspondentes à duas (2) horas e quinze (15) minutos. Este número de horas multiplicado por quatro (4), correspondente a um (1) mês, dá-nos nove (9) horas/mês. Estas horas multiplicadas pelo trimestre, corresponde a vinte e sete (27) horas que, multiplicada pelo ano, tem-se aproximadamente sessenta e três (63) horas/ano (considerando o ano acadêmico como se tivesse sete (7) meses). E, se considerarmos o ciclo de formação de três (3) anos, teremos à disposição dos professores/as de línguas, cento e oitenta e nove (189) horas. Disto, o nosso questionamento é: Com 189 horas à disposição, ainda assim, tem-se pouco tempo para fazer os alunos aprender?! Não é possível o alcance do nível mínimo de formação neste período, se trabalhado eficiente e eficazmente?!

O cético dirá: “nos centros de formação tem-se mais tempo, o que não permite a comparação da produtividade”

Então vejamos! Os Centros de Formação Profissional, não raro, e aqui falo tendo em conta a nossa experiência pessoal, os formandos têm uma (1) hora diariamente, o que perfaz cinco (5) horas semanais e 20 horas mensais, dando um total de sessenta (60) a oitenta (80) horas para a transição de níveis. O nosso questionamento segue sendo: quantas vezes é possível retirar sessenta (60) de cento e oitenta e nove (189) horas?! Resposta: três (3) vezes. O que é que isto quer dizer?!

Os dados provam que, se trabalhados com seriedade metodológica e genuíno amor pelo trabalho e pelos estudantes, o Currículo Nacional permite o alcance do nível três (A3) em Inglês, e nas outras línguas.

O cético, não convencido, muito provavelmente porque não entendeu ou não quer entender, dirá: “mas, os alunos das escolas públicas nunca estão motivados e demonstram pouco interesse na aprendizagem”.

Façamos o seguinte, professor/a: vá, leia e estude as diversas teorias da motivação humana aplicadas na educação e depois falamos.

Muito obrigado pelo seu tempo de leitura, meu caro leitor e minha cara leitora! Até mais!

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:4). Os Desafios dos Professores de Línguas! Brasil: Jornal Cultural ROL.

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 29 de abril de 2026

Voltar

Facebook




A força da mulher na poesia

Laskiaf Amortegui

‘A força da mulher na poesia: para além dos títulos, a alma’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
Imagem criada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/c/69f2353d-ab94-83e9-ab66-1a1a98f2e5c2
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69f2353d-ab94-83e9-ab66-1a1a98f2e5c2

Neste mundo globalizado, onde a tecnologia nos permitiu derrubar fronteiras, surgiu algo imparável: o grito de talentos que antes eram silenciados pela sombra. Hoje, não quero simplesmente escrever; quero erguer a voz pela importância da mulher neste despertar literário.

​A poesia real não vive apenas nos livros; ela pulsa nas ruas. Habita nas mãos das mulheres que servem café, que amassam o pão, que limpam hotéis ou que sustentam o silêncio de seus lares. São profissionais de todas as áreas, mas, acima de tudo, são poetisas do destino. Algumas possuem diplomas, outras trazem apenas as cicatrizes que a vida ensina, mas todas compartilham o sagrado: uma alma que sabe transmutar a dor em verso.

​Ao tocar esta poesia, sentimos cores e sabores que rasgam as estruturas. É um verso que fere e cura, que deixa uma marca a fogo na memória. Esta é a verdadeira inovação: uma voz com consciência, que canaliza o amor e o desamor com a força de quem sobreviveu.

​A poesia veste-se hoje com uma força renovada: a da mulher que é o pilar de sua família, a que busca o pão sob o sol, a que se levantou com dignidade após um divórcio, um fracasso ou o desprezo de uma sociedade dura.

​Apesar das barreiras e dos favoritismos, nossa luz está brilhando. O mundo está finalmente abrindo os olhos para a arte sem preconceitos. Hoje, a poesia não é um privilégio de elites; é o refúgio e o rugido de cada mulher que se atreve a ser luz em meio à tempestade.

Laskiaf Amortegui

Voltar

Facebook




Tudo por conta de uma anágua

Eduardo Cesario-Martínez

Conto ‘Tudo por conta de uma anágua’

Eduardo Cesario-Martínez. Foto por Irene Oliveira
Eduardo Cesario-Martínez
Foto por Irene Oliveira
Imagem criada pela IA do Gemini
Imagem criada pela IA do Gemini

Não foi muito antes de contemplar meus primeiros pelos debaixo do nariz. Talvez, pelo longo espaço temporal, eu esteja cometendo uma pequena falha de meses ou, pode até ser, alguns anos. Na verdade, tais detalhes são irrelevantes. Certamente, não havia chegado aos 20. Ou não.

          Lá estava diante da porta da casa da Matilda, já uma velha naquela época. Hoje, bem sei, ela está há pelo menos 30 anos deitada no São João Batista, endereço eterno de tantos famosos, além de um número infinito de meros mortais. Seja como for, a soberba de alguns parece ter sido em vão, já que todos, no final, se igualaram. 

          Provavelmente, você, que aqui me lê, deve estar agoniado diante de tanta enrolação. Que seja! Vou desembuchar, antes que perca mais um leitor, que, até onde consta, não são muitos. Estava ali por conta de uma encomenda. Digo, uma anágua. 

          Dei dois toques sutis na carcomida porta de madeira, o suficiente para me fazer anunciado. Não demorou, Matilda veio me atender. Fui recebido com um largo sorriso. A idosa, que há pouco havia trocado a dentadura, andava sorridente. Motivo outro, diziam à boca pequena, era por causa de um primo do falecido marido. Como não entendia dessas coisas naqueles idos ou, então, meu olhar estava mais preocupado com as pernas torneadas da Sandrinha, não posso dizer que sim ou que não. 

          A velha me convidou para entrar. Havia duas outras senhoras na ampla sala. A gordinha, eu conhecia. Não me recordo do seu nome. Elaine ou Eliane ou algo assim. Elisa? Pode ser. Não importa. A outra, uma mulher de aparência elegante, nunca havia visto. Bem que poderia ser capa de alguma revista de artistas. Exagero ou realidade, não posso afirmar, mas é como me recordo dos seus traços. 

          — Um instante, Betinho. 

          Matilda foi até um cômodo da casa, enquanto a fiquei aguardando em pé. A gorda e a artista me fitavam de cima a baixo, como se estivessem escolhendo o próximo modelito. Meu rosto começou a pegar fogo, com certeza completamente vermelho, como ainda acontece sempre que fico envergonhado por algo. 

          Não sei quanto tempo depois a velha voltou com um pacote. No entanto, pareceu-me uma eternidade. A minha vontade era sair correndo dali. Mas a bonitona, que continuava me encarando com aqueles olhos enormes, quis saber quem eu era.

          — É o Betinho, filho da Mariana, que mora no final da rua. 

          Se eu disse alguma coisa, não me lembro, mas bem sei que ela não tirava aqueles olhos de mim. O rosto, frio como o de uma loira platinada de Hitchcock, começou a me provocar calafrios. E, antes que eu pudesse fazer algo, eis que alguém deu dois toques na porta, o suficiente para que Matilda fosse ver quem era. 

          Solange, antiga moradora do bairro, entrou toda sorridente. Matilda me entregou o pacote com a anágua da minha mãe, enquanto aproveitei a porta aberta e saí, mas não antes de escutar o seguinte interlúdio, que ainda hoje me corrói de curiosidade.

          — Solange, vou passar um cafezinho. 

          — Não precisa, Matilda. Vim aqui apenas para lhe deixar esse vestido para ajustar.

          — Mas você aceita uma fofoca?

Eduardo Cesario-Martínez

Voltar

Facebook




Idioma e poesia

José Antonio Torres: Poema ‘Idioma e poesia’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA da Meta.
Gerada em 29 de abril, às 08:16h

Ah, linguagem melodiosa do acalanto! 
Idioma de Camões e Fernando Pessoa. 
Quem ouve te adora, entoando o canto.
Sua beleza na força da alma ressoa.

Idioma de Castro Alves, quem nunca leu e amou?
Espalhou-se por continentes, levado por Caravela.
Faz-me flutuar, pois que a tristeza da alma arrancou,
Desbravadores valentes falando uma linguagem tão bela.

Derivou-se do latim e aprimorou-se em nobreza.
Sílabas de um jardim que encantam a Natureza.
Portugal, pátria de origem da língua portuguesa,
Onde os poetas criam poemas de grande beleza.

Ao raiar no horizonte um dia de esplendor, 
O idioma inspira o olor da maresia.
A língua portuguesa de som encantador, 
Mostra a beleza da terra e inspira poesia.

José Antonio Torres

Voltar

Facebook




Luis Arias Manzo

‘Luis Arias Manzo: uniendo al mundo a través de
Poetas del Mundo’ 

Logo da seção Entrevistas ROLianas
Logo da seção Entrevistas ROlianas
Luis Arias Manzo fue el prologuista de la antología multilingüe CANTO PLANETARIO (H.C. EDITORES, 2023).
Luis Arias Manzo

Queridos amigos planetários!

En esta charla, Luis comparte el origen de su proyecto, nacido en octubre de 2005, y qué lo motivó a emprender este viaje literario tan ambicioso. Nos habla de los objetivos del movimiento, así como de los retos que ha enfrentado en 2024: hackearon su página de Facebook con más de 40.000 seguidores y, hace algunos años, personas sin escrúpulos intentaron hackear el sitio web de Poetas del Mundo.

Gracias a la incansable labor de Arias Manzo, en los últimos meses el movimiento ha renacido con una plataforma a la vanguardia. El pasado 21 de marzo, Día Mundial de la Poesía, se relanzó esta increíble vitrina digital que reúne a poetas contemporáneos de todos los rincones del mundo.

Luis ha sido un viajero incansable gracias a la poesía; por ende, tiene amistades en todas partes. En esta entrevista nos narra una anécdota curiosa que vivió en uno de sus viajes en Medio Oriente. Además, habla de su libro Agualuna, relanzado en 2025 en formato digital tras 25 años de haber sido publicado. 

Poetas del Mundo es una plataforma donde se reúnen poetas contemporáneos de muchos países, que no conoce fronteras. Su compromiso y objetivo principal es promover la paz y la hermandad a nivel global, es un medio que permite compartir desde un clic sin importar la distancia; es esa mesa virtual en la cual, sin importar la hora, puedes deleitarte leyendo buena poesía; es ese medio donde el diálogo está abierto; es ese lugar donde nos olvidamos de que existen fronteras y vivimos en un mundo sin divisiones.

Insto a todos los poetas a sumarse a esta iniciativa, pero también, amigo lector, hay espacio para ti: súmate a esta red planetaria a la cual eres bienvenido. En sí, todos están cordialmente invitados a formar parte de esta familia planetaria, a compartir este proyecto que crece cada día y a los miembros que han confiado en Luis para decorar este legado literario internacional.

Felicito a Luis y a su equipo por mantener viva esta iniciativa por más de 20 años, promoviendo la poesía contemporánea de manera excepcional, formal, profesional y confiable, sin fines lucrativos, a diferencia de otras organizaciones de esta índole.

Luis Arias Manzo fue el prologuista de la antología multilingüe CANTO PLANETARIO (H.C. Editores, 2023). En el cierre de esta charla, él nos comentó lo que significó haber sido el prologuista de estos volúmenes de poesía planetaria. Gracias, querido Luis, por tu complicidad en esta aventura literaria.

Queridos amigos, que disfruten mucho de esta charla con Luis Arias Manzo.

¿Qué te inspiró a crear el Movimiento Poetas del Mundo?

A comienzos del siglo XXI, en un contexto de profundas transformaciones políticas, sociales y tecnológicas, nació una idea que podría parecer simple, pero que era profundamente audaz: reunir a los poetas del mundo en un solo movimiento o gremio, como queramos llamarle.

Esta iniciativa surgió de una reflexión sobre el papel de la poesía en el mundo contemporáneo. La humanidad atravesaba tiempos complejos, marcados por guerras persistentes, crecientes desigualdades sociales y un evidente deterioro del medio ambiente. Frente a ese escenario, surgía una pregunta fundamental: ¿tiene aún la poesía un papel en el destino de la humanidad?

Para algunos, la poesía parecía haber quedado relegada, como una voz débil en medio del ruido del mundo moderno. Sin embargo, para otros —y me incluyo— sigue siendo una de las expresiones más profundas de la conciencia humana. A lo largo de la historia, los poetas no solo han creado belleza, sino que también han sido cronistas de su tiempo, guardianes de la memoria y voces críticas frente a la injusticia.

Esa tradición sigue viva. En todos los rincones del mundo existen poetas que escriben, muchas veces en silencio, desde contextos muy diversos: ciudades, pueblos, comunidades indígenas, espacios académicos o círculos independientes. Son voces dispersas, pero profundamente conectadas por una misma sensibilidad.

Entonces surgió una idea clave: ¿qué pasaría si todas esas voces pudieran encontrarse?

Así comenzó a tomar forma Poetas del Mundo, como una red internacional de poetas unidos por una visión humanista, convencidos de que la palabra puede ser una herramienta real de conciencia, encuentro y transformación.

El Movimiento Poetas del Mundo ya cumplió 20 años. ¿Cómo han sido los resultados en este tiempo?

Cuando Poetas del Mundo nació en Valparaíso en 2005, era más bien una intuición: el deseo de reunir a los poetas del planeta en una comunidad basada en el diálogo, la conciencia y la fraternidad humana.

Permítame un breve contexto. El 14 de octubre de 2005 marcaba para mí el cierre de una etapa significativa. Venía de participar como invitado en el X° Festival de Poesía de Cuenca, Ecuador, organizado por la Asociación Latinoamericana de Poesía (ASOLAPO), donde se me encomendó organizar en Chile la siguiente versión. Durante ese proceso advertí una carencia profunda: muchas organizaciones literarias habían perdido el sentido de un ideal común; cada cual avanzaba de forma individual, priorizando el posicionamiento personal por sobre lo esencial.

Con el paso del tiempo, esa intuición se transformó en una red cultural internacional que ha logrado convocar a miles de poetas en distintos países y continentes. Voces provenientes de diversas lenguas, religiones y tradiciones encontraron en este movimiento un espacio común donde la palabra puede trascender fronteras y tender puentes entre los pueblos.

Durante estos veinte años, Poetas del Mundo ha impulsado encuentros internacionales, recorridos culturales, lecturas públicas y múltiples iniciativas colectivas, llevando la poesía a escuelas, comunidades, universidades y espacios sociales donde muchas veces la palabra poética no estaba presente.

Uno de los aspectos más singulares del movimiento ha sido la creación del Cuerpo Diplomático Poético, integrado por embajadores y cónsules de la poesía, quienes han contribuido activamente a expandir este espíritu en distintos países.

Como todo proceso vivo, también hemos enfrentado desafíos importantes, como la pérdida de nuestra plataforma digital y ataques cibernéticos que pusieron a prueba la continuidad del proyecto. Sin embargo, estas dificultades demostraron que lo esencial no era la tecnología, sino la red humana construida a lo largo de los años.

Hoy, tras dos décadas de existencia, Poetas del Mundo es reconocido como un referente cultural a nivel internacional. Su permanencia en el tiempo —sin depender de subvenciones— y su capacidad de seguir convocando voluntades en torno a la poesía y la conciencia humana, son quizás la mejor evidencia de la solidez y el sentido de este proyecto.

Este movimiento tiene un manifiesto universal. ¿Puedes resumirnos en qué consiste?

El Manifiesto Universal de Poetas del Mundo es, en esencia, la expresión de la visión humanista que da sentido al movimiento. No es un texto académico, sino una declaración de principios que entiende la poesía no solo como un ejercicio literario, sino como una forma de conciencia.

El manifiesto plantea que los poetas no pueden ser indiferentes frente a los grandes desafíos de la humanidad —como la guerra, la desigualdad o la destrucción de la naturaleza—, sino que, desde su libertad creadora, pueden contribuir a generar reflexión y despertar conciencia.

También propone que la poesía debe salir de los espacios cerrados y volver a encontrarse con la sociedad, llegando a comunidades, escuelas y pueblos, recuperando su dimensión viva y colectiva.

En ese sentido, Poetas del Mundo busca unir voces diversas —de distintas culturas, lenguas y tradiciones— en torno a valores universales como la paz, la dignidad humana y la hermandad entre los pueblos.

¿Qué pasó con la página web de Poetas del Mundo, que estuvo varios años inactiva, y con la página de Facebook, que publica contenido que no está relacionado con Poetas del Mundo?

A lo largo de su historia, Poetas del Mundo no solo ha sido un espacio cultural, sino también un movimiento que ha tocado temas sensibles a nivel global. Y eso, inevitablemente, ha tenido consecuencias.

Desde sus primeros años, nuestra plataforma digital comenzó a ser objeto de ataques cibernéticos e intentos de intervención. No fueron hechos aislados, sino episodios reiterados que afectaron el funcionamiento de nuestra página web y, posteriormente, nuestras redes sociales.

Pero más allá de lo tecnológico, hubo situaciones aún más preocupantes. En los primeros años del movimiento, varios poetas miembros —de origen judío— se vieron obligados a renunciar tras haber recibido amenazas. Nunca se logró identificar con certeza a los responsables, pero no tengo dudas de que estas acciones provinieron de sectores interesados en generar división y debilitar un espacio que promovía el diálogo entre culturas.

El episodio más grave ocurrió en 2024, cuando nuestra página oficial de Facebook fue hackeada. Ese espacio, que reunía a más de cuarenta mil seguidores, fue tomado por terceros que comenzaron a publicar contenidos completamente ajenos y contrarios al espíritu de Poetas del Mundo. A pesar de múltiples gestiones, no ha sido posible recuperarla hasta hoy.

Estos hechos no pueden entenderse como simples incidentes técnicos. Reflejan que, incluso un movimiento cultural y poético, cuando promueve la conciencia, la paz y la fraternidad entre los pueblos, puede incomodar intereses y provocar reacciones.

Sin embargo, hay algo que no pudieron ni podrán intervenir: la red humana construida durante años. Poetas de todo el mundo han seguido activos, organizando encuentros, escribiendo y manteniendo vivo el espíritu del movimiento.

Porque la poesía, cuando nace de la conciencia, no puede ser silenciada.

Este pasado 21 de marzo se hizo oficial el relanzamiento de la plataforma de Poetas del Mundo. ¿Qué novedades trae este movimiento en esta nueva etapa?

El relanzamiento de Poetas del Mundo marca, más que una continuidad, un verdadero renacimiento del movimiento.

Después de años difíciles —marcados por ataques cibernéticos, la pérdida de nuestra plataforma digital y la desconexión parcial de nuestra red— asumimos el desafío de reconstruir no solo una página web, sino también la memoria y la proyección del movimiento.

Uno de los hitos más significativos fue la recuperación inesperada de los archivos históricos de la antigua plataforma, que durante mucho tiempo se creían perdidos. Esto nos permitió no solo rescatar parte de nuestra historia, sino también proyectarla hacia el futuro.

La nueva plataforma, lanzada el 21 de marzo de 2026 en el Día Mundial de la Poesía, incorpora herramientas actualizadas que facilitan la publicación de contenidos, la visibilidad de los poetas y la conexión entre miembros a nivel global. Además, introduce nuevas dinámicas que incentivan la participación dentro de la comunidad.

Pero esta nueva etapa no es solo tecnológica. También hemos impulsado una reestructuración organizativa, fortaleciendo la coordinación internacional y abriendo espacio a nuevas generaciones de poetas, sin perder la experiencia acumulada en estos veinte años.

Hoy, Poetas del Mundo vuelve a abrir sus puertas al planeta con más fuerza, más claridad y una convicción renovada: que la poesía sigue siendo una herramienta viva para la conciencia, el encuentro y la transformación humana.

Poetas del Mundo cumplió 20 años, tú estás cumpliendo 70 ¿Cómo percibes el futuro de este movimiento?

Buena pregunta, y te la agradezco profundamente. Yo no he construido este movimiento para mí, ni por ego, ni por ambición personal; lo he impulsado con la convicción de que la poesía debe recuperar el lugar que merece en estos tiempos de caos, fragmentación y profunda crisis de sentido que vive la humanidad.

Creo firmemente que el proyecto humano solo podrá sobrevivir si la inteligencia logra imponerse sobre la bestialidad, si la conciencia colectiva supera la avaricia de quienes hoy concentran poder sin visión humanista. En ese escenario, tanto la filosofía como la poesía están llamadas a desempeñar un papel esencial en las próximas décadas, porque no basta con el desarrollo tecnológico si no existe una evolución ética y espiritual que lo acompañe.

Por eso considero que los poetas no pueden seguir dispersos, como tampoco los pensadores comprometidos con el destino humano. Es tiempo de unificar energías, de construir una conciencia común capaz de aportar reflexión, sensibilidad y sentido frente a los grandes desafíos de nuestra era.

Ahora bien, cuando uno llega a cierta etapa de la vida, comprende con mayor claridad que toda obra verdadera debe trascender a su fundador. Mi mayor preocupación no es mi permanencia personal, sino cómo se articulará y proyectará este proceso que hemos construido con tanto esfuerzo colectivo. Miro hacia las nuevas generaciones con esperanza, pero también con atención, buscando señales de quienes puedan asumir esta responsabilidad no como una plataforma de beneficio individual, sino como una misión profundamente ética.

Porque llegará el momento en que habrá que ceder el lugar. Y cuando eso ocurra, Poetas del Mundo deberá quedar en manos de alguien —o de una generación— que haya comprendido que este movimiento no pertenece a una persona, sino a una visión: la de poner la poesía al servicio de la vida, del planeta y de la humanidad.

Si algo deseo para el futuro, es que Poetas del Mundo siga creciendo más allá de nombres y tiempos, como una fuerza de conciencia planetaria, capaz de reunir voces diversas en defensa de lo esencial.

Porque mientras exista un ser humano dispuesto a transformar el mundo desde la palabra, este movimiento tendrá futuro. Y quizás entonces, más que un movimiento, Poetas del Mundo llegará a ser parte de una nueva conciencia para la humanidad.

¿En cuántos países tiene presencia el Movimiento Poetas del Mundo?

Hoy, Poetas del Mundo tiene presencia en 143 países, extendiendo su voz a través de continentes, culturas y lenguas diversas. Es una red viva que late en distintos rincones del planeta, uniendo sensibilidades que, aunque distantes geográficamente, comparten una misma conciencia humana.

Pero más que una cifra, esto representa un proceso en movimiento. Nuestro horizonte no tiene fronteras: aspiramos a llegar a todos los territorios donde exista un ser humano dispuesto a transformar la realidad a través de la palabra.

El verdadero destino de Poetas del Mundo no está solo en su expansión geográfica, sino en la fuerza de las nuevas generaciones, que emergen en un tiempo de crisis global, pero también de despertar.

Son ellas las que darán continuidad a este movimiento, haciendo de la poesía no solo un arte, sino una herramienta de conciencia, de encuentro y de transformación para la humanidad.

Porque mientras exista un poeta en cualquier lugar del mundo, Poetas del Mundo seguirá creciendo.

¿Puedes compartir los principales detalles de la convocatoria global para poemas en videos?

Vivimos en una paradoja: las principales plataformas de difusión —como Facebook o YouTube— están en manos de grandes corporaciones que muchas veces influyen en la forma en que circula la información a nivel global. Sin embargo, hoy por hoy, también son las herramientas más eficaces para difundir el arte y llegar a públicos amplios.

Desde Poetas del Mundo creemos que, más que rechazarlas, debemos utilizarlas de manera consciente y estratégica, poniendo estos espacios al servicio de la poesía y de los valores humanos que promovemos.

En ese contexto, hemos lanzado una convocatoria global para la creación de poemas en formato video, buscando adaptarnos a los nuevos lenguajes digitales y ampliar el alcance de la palabra poética.

Invitamos a poetas de todo el mundo a enviar videos breves, en formato vertical, de entre 10 y 30 segundos, grabados preferentemente con dispositivos móviles en plano fijo, para facilitar su visualización.

Los contenidos deben abordar temáticas como la paz, la humanidad, la conciencia global, el sufrimiento de los pueblos, la infancia en contextos de guerra y el despertar de la conciencia colectiva.

Todos los videos serán editados y difundidos a través de nuestros canales oficiales, siempre con el debido crédito a sus autores.

Las postulaciones pueden enviarse vía WhatsApp o correo electrónico, como una forma directa y accesible de participación global.

Esta iniciativa busca no solo difundir la poesía, sino también construir un lenguaje contemporáneo capaz de dialogar con las nuevas generaciones, sin perder la profundidad ni el compromiso que caracteriza a nuestro movimiento.

Has recorrido incontables países. ¿Qué anécdota curiosa que hayas vivido nos puedes compartir?

Imaginarás que, después de tantos años recorriendo el mundo, participando en encuentros con poetas, reuniéndome con dirigentes sociales, parlamentarios e incluso presidentes, las anécdotas son innumerables. Muchas de ellas, por respeto, deben quedar en la intimidad: experiencias vividas en contextos complejos, como en Colombia antes del proceso de paz, en territorios de Chiapas o en encuentros con poetas palestinos en Jordania, donde la poesía se entrelaza inevitablemente con la realidad política.

Porque cuando la paz es uno de los pilares de nuestro movimiento, uno no puede evitar situarse en medio de esas tensiones.

Pero si debo compartir una anécdota curiosa, hay una que siempre regresa a mi memoria.

Me encontraba en Rabat, reunido con poetas árabes y amaziges, cuando llegó la poeta marroquí Fatima Bouhraka, quien había viajado desde Fez para invitarme a conocer su ciudad. Acepté, y viví allí tres días inolvidables. Luego debía continuar mi viaje hacia una ciudad cercana a Melilla, en un trayecto de catorce horas en bus, en condiciones bastante precarias.

Fatima me acompañó hasta el terminal y se aseguró de dejarme instalado en el bus. Aunque insistí en que se marchara tranquila, esperó hasta el último momento. Finalmente se fue, y yo pensé que todo estaba en orden.

Pero poco después, subió un hombre al bus y comenzó a hablar en árabe. No entendía absolutamente nada. De pronto, aproximadamente la mitad de los pasajeros se levantó y bajó apresuradamente para abordar otro bus. La otra mitad permaneció inmóvil. Yo, sin comprender la situación, solo repetía el nombre de mi destino esperando alguna señal.

Pasaron unos minutos hasta que alguien, con un gesto amable, me indicó que debía cambiar de bus. Me dirigí hacia el otro vehículo: estaba completamente lleno, con personas de pie, cargadas de bultos y paquetes.

Subí como pude. Y entonces ocurrió algo que hasta hoy no logro explicar: en la primera fila había un asiento vacío. Entre señas y sonrisas, me hicieron entender que ese lugar estaba reservado para mí.

Nunca supe por qué.

Pero en medio del caos, del idioma desconocido y de la incertidumbre, alguien —sin palabras— había decidido hacerme un espacio.

Y quizás esa es también una forma de la poesía.

Háblanos de tu libro que has publicado recientemente.

Hablar de Agualuna es, en cierto modo, hablar de un momento de ruptura en mi propia vida. Aunque fue publicado hace veinticinco años, hoy renace en su primera edición digital, como si el tiempo —lejos de cerrarlo— lo hubiese estado preparando para este nuevo encuentro con los lectores.

Agualuna no es simplemente un libro; es una experiencia. Es el testimonio de un instante en que la vida irrumpe con fuerza y desordena todas nuestras certezas. Yo venía de una formación profundamente racional, estructurada, incluso materialista, y de pronto me veo enfrentado a un acontecimiento que no podía explicar desde esa lógica. 

Lo que allí ocurre es, en esencia, un tránsito: el paso desde una comprensión del mundo basada en la razón hacia otra donde el misterio, la intuición y lo invisible comienzan a tener un lugar. Y ese tránsito no es cómodo. Es doloroso, contradictorio, profundamente humano.

Agualuna —más que un personaje— es un símbolo. Es la irrupción de lo inexplicable en la vida cotidiana. Es esa fuerza que llega sin pedir permiso, que transforma, que desarma, y que muchas veces se va sin ofrecer respuestas. Y, sin embargo, deja una huella irreversible.

El libro está construido como un diálogo entre la prosa y la poesía, porque hay experiencias que no pueden ser contenidas solo en el lenguaje racional. La poesía aparece allí como una necesidad, como una forma de decir lo que no se puede explicar, de tocar aquello que escapa a la lógica.

En el fondo, Agualuna plantea una pregunta que sigue vigente: ¿qué es lo que verdaderamente nos transforma? ¿Es la razón, o es el amor? ¿Es la certeza, o es el misterio?

Hoy, al verlo circular en formato digital, siento que el libro encuentra un nuevo tiempo. Porque quizás la humanidad está comenzando a hacerse esas mismas preguntas con mayor urgencia.

Y tal vez, solo tal vez, la verdadera revolución —como lo intuía entonces y lo sigo creyendo ahora— no está en las estructuras externas, sino en el despertar del corazón.

¿Que representó para ti haber sido el prologuista de CANTO PLANETARIO?

Representó, ante todo, un honor profundo, pero también una responsabilidad que, en un primer momento, sentí casi imposible de asumir. Prologar una obra como Canto Planetario, en la que convergen poetas de prácticamente todo el mundo —en decenas de lenguas, si no recuerdo mal, alrededor de 77 idiomas—, es enfrentarse a una expresión colectiva de la humanidad que trasciende lo literario para convertirse en un verdadero testimonio de nuestro tiempo.

Al inicio, debo confesar que no comprendía por qué me otorgabas ese lugar. No soy un académico ni un especialista formado en las aulas de la literatura; soy, más bien, un autodidacta que ha aprendido desde la experiencia, desde la vida y desde la poesía misma. Así te lo manifesté en su momento.

Sin embargo, tu insistencia no apuntaba a los títulos ni a las credenciales, sino a algo más esencial: a la vivencia, al compromiso y a la visión de la poesía como un lenguaje universal capaz de reunir a los pueblos.

Con el paso del proceso, comprendí que ese prólogo no debía ser un análisis técnico ni una lectura crítica convencional, sino una apertura de conciencia. Una invitación a entender que estábamos frente a una obra única: un canto múltiple, diverso, profundamente humano, donde cada voz, desde su geografía y su cultura, aporta a una sola respiración planetaria.

Ser prologuista de Canto Planetario fue, en definitiva, asumir el desafío de poner palabras al espíritu de una obra que, en sí misma, ya las trasciende.

En el siguiente enlace, Luis Arias, habla del Movimiento Poetas del Mundo: https://youtu.be/a-zrDL_-zc8?si=mNO920DQRknKxuBZ

Carlos Javier Jarquín

Voltar

Facebook