Mãe

Fátima Sá Sarmento: Poema ‘Mãe’

Fátima Sá Sarmento
Fátima Sá Sarmento
"Mãe, sábia como a brisa da manhã"
“Mãe, sábia como a brisa da manhã”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Mãe,
sábia como a brisa da manhã,
Traz consigo a luz que desfaz toda sombra,
E no olhar, a ternura que acalma e embala,
É amor que em cada gesto se assombra.

Mãe,
força que se ergue em meio ao sertão,
Como o rio que persiste e nunca se cansa,
Em seu peito bate um coração valente,
por seus filhos atravessa qualquer distância.

Mãe,
flor do mais puro e raro jardim,
Em suas mãos, pétalas que curam e afagam,
No silêncio de seu abraço, o mundo se aquieta,
E na voz que acalenta, a esperança se alaga.

Mãe,
estrela-guia no céu do meu viver,
Seu sorriso é farol que me guia pela vida,
E mesmo quando a noite em mim descer,
Será sua luz que a escuridão intimida.

MÃE,
AMOR QUE NÃO SE MEDE, INFINITO.
Que nos ensina a ser forte e a perdoar,
No livro da vida, é você o mais bonito verso,
E em cada palavra, um motivo para celebrar.
Fátima Sá Paraíba- flor de mandacaru

COM AMOR PARA VOCÊS, MAMÃES!

Fátima Sá Sarmento

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Hoje de manhã

Evani Rocha: Crônica ‘Hoje de manhã’

Evani Rocha
Evani Rocha
Matriz Nosso Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Imagem criada pela IA do Canvas

Hoje parece que voltei ao tempo. Sentei-me bem cedinho numa praça onde costumava sentar, há mais de trinta anos. Vejo pessoas ensimesmadas, olhando ao longe, olhar perdido … o movimento de veículos ainda é calmo. Talvez, esse escasso silêncio da manhã permita que as pessoas se olhem, que olhem para dentro de si, nem que seja por alguns instantes.

Os pombos caminham entretidos bicando o chão à cata de algumas migalhas. As lojas vão se abrindo aos poucos, revelando as vitrines decoradas com cartazes promocionais.

Não tem nenhum sentido para mim.

Tudo parece correr em câmara lenta: A fachada cinza desbotada do antigo correio, os casarões ocre com enormes janelas de madeira, relembrando a época colonial. O coreto no centro da praça, manchado de branco. Suspeito que sejam fezes dos pombos, moradores que nunca abandonam esse lugar. Olho em volta, algumas pessoas aqui outras acolá, conversando. Vejo o movimento dos seus lábios, mas nada ouço. Imagino que esse dia, meio que mórbido, inspire a gente a falar da solidão, do cansaço, das horas que se arrastam para aqueles funcionários de lojas, de farmácias, para as pessoas em situação de rua…

Uma mulher enxuga os olhos, ela não conversava com ninguém, mas provavelmente hoje, ela tenha falado consigo mesma, mexido nas feridas que estavam camufladas pela ausência de atenção. Num canto da praça, de cabeça baixa, está um homem. Percebo que assobia baixinho e organiza uma série de bugigangas numa espécie de tela. É um vendedor na rua. A pele bem queimada de Sol, as vestes desgastadas e os cabelos arrumados em várias trancinhas que lhe caem sobre a testa. Quem saberia dizer o que pensa essa gente em situação de rua? Será que ele aguarda a lanchonete da esquina abrir para pedir um singelo cafezinho puro?

O silêncio vai embora preguiçoso. Bem que ele gostaria de ficar mais por aqui, porém, o movimento de transeuntes e automóveis já lhe obriga a deixar o posto. Eu continuo sentada com minha elucubração. Essa de ‘o silêncio querer ficar’ é por minha conta, pois tenho certeza que sou eu quem quer que ele fique pra sempre. Como para sempre parece ter ficado a cripta silenciosa da matriz. Imponente arquitetura, que teve início como uma simples capela no início do século dezoito, sendo reconstruída no ano de 1973. Tem seu belo altar adornado com pastilhas e a poderosa imagem do Senhor Bom Jesus, Padroeiro da Cidade.

Estou imaginando esses detalhes, porque já os vi em outra oportunidade. Mas agora vejo somente a suntuosa fachada formada por duas torres, e os grandes relógios marcando cada segundo que estiveram ali, presenciando o nascer do Sol, por muitas dezenas de anos. Eu creio que há clamores, murmúrios e orações circulando em cada cantinho dessa Igreja. Pairam no ar os lamentos, os pedidos, as dores dessa gente que não tem mais a quem recorrer…       

Sim! A Matriz Nosso Senhor Bom Jesus de Cuiabá é um símbolo da arte religiosa do País, mais que isso! É um referencial identitário do povo dessa cidade.

Hoje, Arquidiocese da Capital, depois de passar por demolição, reconstrução e reformas que mudaram bastante suas características originais.

Como eu queria ter vivido nesses tempos do ouro, das ruelas de pedra, dos casarões de adobe com as portas e janelas escancaradas na rua. Dos enormes quintais e mangueirais. As casas não careciam de muro, a criançada podia brincar na rua sem medo. Tempo em que as coisas faziam mais sentido. Hoje, essas estruturas carregam apenas história. São histórias de luta sim, mas de vitória digna, de gente de verdade, de amor ao próximo, valores…

Observo as portas das lojas se abrirem por completo, o Sol alto indica que se inicia o horário comercial. Percebo uma agitação das pessoas que passam, algumas, quem sabe, atrasadas para bater o ponto no trabalho.

Os pombos ainda bicam por aqui, passam pertinho de mim. Eu acho que estou invisível nessa cidade, que agora acorda, barulhenta e veloz.

O sino não badalou, nem sei se ele ainda se dá ao trabalho de fazê-lo. Alguém estaria interessado em ouvir? Fico olhando o prédio descascado do antigo correio. Se me abstenho do presente, vejo ‘um entra e sai’ frenético de pessoas ali, nos anos oitenta.

A banquinha de revista da frente já não existe mais. Talvez o revisteiro não resistiu ao tempo, e se foi. Eu também tenho hora marcada para ir, mas ainda é cedo, posso ficar mais um pouco por aqui e esperar. Gostaria de ver os pesados janelões de madeira do museu se abrirem. Se puder, vou dar uma volta por lá, quem sabe eu consiga encontrar sentido nas peças históricas que resistem ao tempo e que, silenciosa e anonimamente, contam detalhes de uma época em que as pessoas tinham tempo de viver.

Evani Rocha

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Eva, mãe

Edna Froede: Poema ‘Eva, mãe’

Edna Froede
Edna Froede
Edna Froede e sua mãe, dona Marlene
Edna Froede e sua mãe, dona Marlene

Nas asas do tempo ela surge,
escolhida, ungida:
Eva, aquela que leva a vida.
Privilégio divino em sua sina,
trilhar caminhos onde a luz se avista e ensina.
Da sua semente, um dia, brotaria,
o Unigênito, Filho de Deus, trazendo-nos plena alegria.
No presente, Ele se faz, o Primogênito,
reunindo-nos em laços fraternos, em comunhão,
tornando-se nosso irmão.

Como Eva, tantas mães são chamadas,
a cumprir a nobre missão materna.
Conhecer um vislumbre do amor divino,
neste ato sublime de gerar uma vida e, através dela,
sentir-se plena e eterna.
Amor ou dor, escolha ou acaso,
elas trazem à luz, um ser em princípio, enigmático.
Responsáveis por nutrir e cuidar,
com o fogo sagrado do amor maternal,
não medem esforços para livrá-lo de todo o mal.

Sentem o filho como extensão de si,
projeção de sonhos e aspirações.
Tudo fazem para que ele floresça,
em valores sólidos, sua essência enraizada,
sempre saudável, cresça.
E seguem além, buscando seu sucesso,
na trilha da vida, compartilhando o peso.
Choram suas dores, regozijam-se em suas glórias.
Mães, o próprio Paraíso na dor e na alegria,
na presença, ou na falta,
nostalgia.

Feliz dia das mães, a todas, em especial,
à minha, Marlene Domingues Torquato da Silva,
que como uma estrela guia, brilha,
neste vasto céu da maternidade, minha mãe querida e abençoada, daqui, até a Eternidade!

Edna Froede

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Penedo ou espuma?

Sergio Diniz da Costa: ‘Penedo ou espuma?

Sergio Diniz
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Penedo ou espuma?

Vaporosa formação granítica

Rocha para correntes espumantes

Espuma ao contato das tempestades.

Quem és na essência

Se flutuas como tênues flocos

Se envergas trajes de matéria densa?

Na noite de teus mistérios

Ao esvoaçar de asas

Ensombrece o penhasco

Em enigmático mutismo.

Nos escaninhos de teu ser

Procuro espuma

Encontro penedo

Esculpo rochas

Desfaço espumas.

Que porta se abrirá

Ao chamado da dúvida?

Penedo e espuma

Dois estados do mesmo elemento

Encontro a ambos

No mesmo cenário:

Penedo é coragem

Espuma é indecisão.

Sergio Diniz da Costa

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Mãe

Virgínia Assunção: Poema ‘Mãe’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
“O teu ventre é uma terra fértil e forte. Lá, desabrocha
o seu maior laço de amor”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

O teu ventre é uma terra fértil e forte

Lá, desabrocha o seu maior laço de amor 

Abrigo onde sua semente se desenvolve

Protegida, alimentada, cresce como uma flor.

Mãe, é a própria poesia personificada

Não há palavras existentes para expressar

Essa mistura de vida; filho e mãe entrelaçada

Por um cordão vital a lhes conectar.

Depois, acalanto e ternura nos seus braços

Nos embala com sua alma em profusão

A paz infinita nos entrega em seu regaço,

Nos ninando docemente com uma canção.

Por isso teço com sinceridade em cada linha

A minha prece a Deus com imensa gratidão,

Pela vida de quem me deu a minha 

E pelas mães que ainda estão aqui, ou não.

Virgínia Assunção

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Mãe. A hegemonia do afeto

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

‘Mãe. A hegemonia do afeto’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Mãe. A hegemonia do afeto
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Todos os dias do ano, das nossas vidas e da história, serão sempre muito poucos para enaltecer e homenagear as múltiplas e profundas dimensões da mulher porque, paulatinamente, com o decorrer dos séculos, a sua influência benéfica tem vindo a fazer-se sentir, bem como o desejo para que ela se posicione no lugar, a que por mérito próprio, tem direito no seio da sociedade, é cada vez mais evidenciado, principalmente por todos aqueles que, sem preconceitos, com toda a humildade e gratidão, reconhecem a insubstituabilidade daquele ser humano maravilhoso.

A Mulher vem assumindo, com espírito de tolerância, também de firmeza, a posição merecida de, em todos os domínios, estar ao lado do Homem, partilhando valores, sentimentos, emoções e funções profissionais, numa sociedade muito exigente, extremamente competitiva, todavia ainda muito dominada por um certo setor masculino que, receando perder prerrogativas, continua, de forma muito sub-reptícia, algo velada e envergonhada, a conceber normas jurídico-legais, para controlar os sistemas: político, religioso, empresarial e ainda familiar, em muitos lares, para evitar a justa ascensão da Mulher.

A família, sendo a base e a principal célula da sociedade, será tanto mais responsável por um mundo justo, quanto melhor for a preparação dos seus elementos constituintes, sendo certo que a figura maternal, quando verdadeira e humanamente existe, é decisiva para a interiorização, realização e consolidação de valores e boas práticas comunitárias, precisamente a partir da intervenção sensata e amorosa da Mãe.

O poder matriarcal, no seio da família, será um fator de estabilidade, uma garantia de compreensão e tolerância, perante situações anormais provocadas, ou não, por algum elemento do agregado familiar, será fonte de amor, de carinho e de aconchego, finalmente, significará o poder moderador, conciliador e solucionador de conflitos. O poder da Mãe impõe-se pelas suas virtudes, valores e sentimentos naturais, não é conquistado pela força, nem pelo divisionismo da família, e muito menos pela intervenção e intromissão de elementos estranhos.

Igualmente se julga saber que o abandono dos filhos, por parte do pai, é muito maior do que pela Mãe, como também parece um dado adquirido que, na maior parte das situações, são os avós maternos que apoiam a mãe na criação e educação dos seus filhos, podendo-se inferir que, em regra, os pais, aqui reportados aos homens, são menos responsáveis do que as mães, em muitas situações, designadamente: por imaturidade, por egocentrismo, por não serem capazes de abdicar de certos vícios e formas de vida, que teriam em solteiros.

É indiscutível que há muitas e boas exceções, como também é verdade que existem mães que se revelam incapazes para cuidar dos seus filhos, nalguns casos, porém, sem terem nenhuma culpa, porque são surpreendidas por homens, e/ou jovens, sem quaisquer princípios, valores e sentimentos humanos.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Cartas a São Pedro da Aldeia

ALSPA participa de Varal Poético e promove a Coletânea Digital ‘Cartas a São Pedro da Aldeia’, em homenagem aos 407 anos da cidade de São Pedro da aldeia

Cartaz do Varal Poético, em homenagem aos 407 anos de São Pedro da Aldeia
Cartaz do Varal Poético, em homenagem aos 407 anos de São Pedro da Aldeia

Em comemoração aos 407 anos da cidade de São Pedro da Aldeia, a ALSPA – Academia de Letras de São Pedro da Aldeia participará em junho da 2° Edição do ELA – Encontro Literário Aldeense, com a Coletânea Digital Internacional CARTAS A SÃO PEDRO DA ALDEIA, e uma nova apresentação do Varal Poético, idealizado por Flávio Villanova, um ponto alto da comemoração de aniversário.

Os participantes terão suas artes expostas durante o Varal Poético e receberão Certificado Digital de Participação.

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