Sergio DinizDr. Jekill e Mr. Hyde Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Eu estava no início da adolescência quando assisti pela primeira vez a uma das versões cinematográficas de ‘O Médico e o Monstro’ (originariamente, ‘The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr Hyde’ – O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde), um romance do escritor escocês Robert Louis Stevenson, publicado em 1886.
A versão era de 1941, dirigida por Victor Fleming e contava com um trio de atores de primeiríssima qualidade: o impecável Spencer Tracy, como Dr. Jekill/Mr. Hyde, e as belíssimas atrizes Ingrid Bergman e Lana Turner.
A história, já bastante conhecida, se passa em Londres, no século XIX. O médico e pesquisador Henry Jekyll acredita que o Bem e o Mal coexistem em todas as pessoas e, para provar sua teoria, elabora uma fórmula. E, não querendo colocar em risco a vida de ninguém, ele mesmo a bebe. Como resultado, seu lado malévolo ─ Mr. Hyde ─ é revelado e, ao contrário do que previa o cientista, sobre ele não tinha nenhum controle.
Aquele filme me aterrorizou ─ particularmente, pela brilhante atuação de Spencer Tracy ─ e me rendeu pesadelos recorrentes. E, também, me levou a refletir e concluir sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal: todo ser humano, sob seu lado Luz, é um amável e solidário Dr. Jekill, e, sob seu lado Sombra, um odioso Mr. Hyde.
Pela conclusão a que cheguei, eu devo ter, seguramente, como alter ego, o indesejável ‘inquilino interior’; ele, o abominável Mr. Hyde!
Entretanto, se ele habita em mim, ao que parece a idade deve tê-lo amansado um pouco, pois, se realmente é verdade que, com o início da velhice, voltamos a ser criança, meu alter ego apresenta uma faceta oposta: leve, descontraída, brincalhona e solidária.
Longe de causar terror, como um Mr. Hyde, meu alter ego, todavia, às vezes me deixa em maus lençóis. E, às vezes, em alvos lençóis, pois, nada como jogar a culpa em outra pessoa, ainda que, por causa disso, me tachem, no mínimo, como excêntrico.
Este ‘outro eu’ é, na verdade, um saci! Sim, aquele menino negrinho de uma perna só, com um barrete vermelho e pito na mão e que, regra geral, chega e se escafede num redemoinho.
Convivo com ele já há algum tempo; aliás, creio que há muito tempo! E confesso que, apesar dos pesares, tenho a impressão de que nunca vou despejar esse inquilino.
Mas, em vez de continuar discorrendo sobre ele, permitam-me apresentá-lo, por meio do poema que escrevi sobre ele ─ Meu Saci Interior ─ e que, ao mesmo tempo, define-o e mostra a nossa relação:
Ella Dominici: ‘O drama do apartamento da Berrine’
Ella DominiciFotografo jornalístico presente no centro de São Paulo, nos anos 64 fotografando manifestação estudantil Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer
A infância se passou em Minas ao filho da professora de História e aos seus quatro irmãos, cinco no total. Foram criados pela dona Lázara, moça naquela época e que se manteve solteira. Ela os viu nascer, era uma negra dedicada ,quase mãe…mais que mãe .
Por sua vez a mãe muito moderna para as décadas de cinquenta a sessenta, dirigia, fumava…uma feminista que discutia a época em suas excelentes aulas.
Hugo veio para São Paulo , estudar sociologia na USP, morava no apartamento cedido a duras custas pelo pai na avenida Berrine.
Creio que fosse por volta de 1968 quando na faculdade se drogava, aliás todos os amigos, irmãos e alguns primos lá de Minas .
Provava-se tudo e corria as avenidas de São Paulo no engajamento político de revolta e liberdade…e em busca do LSD.
Era um conjunto de cinco prédios, cada qual pintado de uma cor. O dele era azul. Elevadores par e ímpar, curioso ter que acertar e não ir parar no andar errado. Nesse dia errou o andar e subiu um de escada.
Chegou e olhou pelo vitral da sala, aqueles de correr, ouviu o ruído de algo enferrujado, que emperra, precisava lixar e pintar. Faltava manutenção já que não era dedicado.
Pela janela podia-se ver a praça Sanson que ficava bem abaixo, um campinho de futebol e uma área de lazer para crianças. Hugo costumava levar a Leica, sua cadelinha pinscher 2, o nome dado justifica o gosto e paixão pela fotografia, à qual ele era obstinado.
Sua preciosidade era uma ‘Leica M 10-R’ que comprou usada na rua Augusta. Sua namorada.
Gostava do apartamento miúdo de 70 metros, para ele era até grande e acomodava suas tralhas e seus livros Marxistas e de Weber, muita literatura e história, além da pilha de discos e LP do Chico que cantavam canções censuradas. Tudo no Hugo era censurado. Anos torturados sem esquecimento.
Todos os irmãos disputavam esse apartamento, mas ficara nele até o fim.
Não sei porque lembrou- se do tempo que passara em Berlim,onde recolhia canecas de cerveja que deixavam pelos bancos da praça. Fazia um valor suficiente para se manter vivo por ali.
Doía- lhe a cabeça agora. Coberta por uma vasta e desgrenhada cabeleira que disfarçava o cérebro que parecia oco.
A cabeça misturando nebulosamente os fatos que soubera pela Lázara, não por terem ligado, mas ele teria feito um telefonema, o que nunca fazia, pois interurbanos eram caríssimos; além de que os vínculos eram cada vez mais frágeis. Parece que ninguém existia…a mãe morrera drasticamente num acidente no trevo da entrada da cidade mineira. Para que viver, se nem os ideais de liberdade podiam lhe libertar o espírito inquieto. E por que morrer se a luta era a própria vida.
O pavor aumentava, ele inexistia nos corredores sombrios da existência. A droga lhe galardoava como o nada.
E neste devaneio meio sonho, meio real, ouviu um ruído no hall de entrada, pisadas fortes e vozes masculinas, pensou no que poderia ser, lembrando- se dos últimos acontecimentos com famílias de amigos engajados…
A porta da sala foi arrombada?
Desespero total, mais uma vez seria detido, e por quanto tempo agora, e a tortura para confessar o que? será que são eles, ou não? A dúvida cada vez mais se expande, de onde viria esse turbilhão?
A tontura o tomava, eram os efeitos adrenérgicos em seu peito e corpo…
Olha para a janela que precisava de reparos, num relance lembra- se de Ivete Mendes e seus compatriotas e…. de Yunens Paiva… um dia contaria esta façanha ao Marcelo, filho do amigo…
Procura vasculhando com os olhos pela Leica, agarra a peça e freneticamente a pendura no seu pescoço. Onde quer que fosse ela teria que acompanhá- lo .
Não existe outra saída, não tem escolha senão a fuga antes que o tomassem e o levassem, isso já seria demais para suportar…
Salta do décimo primeiro andar. Salto livre.
A gangorra do parquinho balançou afundando a terra ao suportar o peso de seu corpo.
Berenice Miranda: ‘Cleide, mulher que semeia o futuro’
Berenice MirandaCleide Rodrigues de Moura
Em uma bela manhã de sexta-feira do século XX, especificamente no dia 30 de dezembro do ano 1977 no município de São João do Paraíso/MG, nasceu uma doce menina nomeada Cleide Rodrigues Moura. Uma criança alegre e sorridente que logo sofreria dores profundas com as perdas dos seus progenitores, necessidade de trabalho em idade precoce e desistência dos estudos. Contudo, foi nesse cenário hostil que surgiu uma grande mulher que fez do seu passado triste um grande alicerce para o presente no desejo de semear o futuro.
Ao completar oito meses de idade, Cleide perdeu seu pai e foi levada para o estado da Bahia pela mãe, que contraiu novo casamento. No novo ambiente, Cleide viveu com a sua amada mãe até os seis anos de idade, momento em que sua progenitora faleceu, devido complicações de parto. A menina, que antes vivia feliz, enfrentou grandes desafios com o padrasto e madrasta, sem a presença dos pais biológicos.
Criada por uma família desconhecida, o padrasto falou-lhe que não era seu pai e que se ela quisesse comer teria que trabalhar. Antes de completar sete anos, Cleide começou a laborar duro, pois sua mãe havia deixado outros filhos pequenos, os quais a menina tinha que ajudar a cuidar, além de se sustentar. Foi nessa época que a menina passou fome de alimento e sede dos estudos.
Sedenta por aprender a ler e escrever, a criança, que nunca foi matriculada em uma escola, iniciava o trabalho às quatro horas da manhã para poder participar da aula em alguns minutos do dia, porém, era muito raro comparecer em uma aula completa. Embora com vida financeira difícil, Cleide gostava de ajudar as pessoas, trocava seu serviço por roupas e sandálias usadas.
A menina cresceu e com 17 anos teve seu primeiro filho, e considerou que seus descendentes eram suas bênçãos na vida. Nessa nova fase, Cleide conheceu um outro tipo de sofrimento: o de mãe, pois não conseguia dar aos filhos o que eles necessitavam, uma vez que o pai das crianças sofria com o alcoolismo. Seu coração de mãe conseguia ser forte ao sofrer privações, mas compadecia-se ao ver o sofrimento da sua prole.
A menina, que agora já é mulher, sempre foi uma pessoa de grande fé em Deus e acredita que Ele nunca a abandonou; seus filhos atualmente estão todos casados com uma vida digna e honrada. Mas em todos os anos a vida financeira continuou a ser difícil ao ter que sustentar a casa, devido problemas de saúde do esposo que foi proibido de trabalhar e não conseguiu recurso do governo.
Na nova conjuntura surge a mulher que semeia o futuro, Cleide sempre teve carinho enorme pela natureza e indagou a Deus o que ela faria para sustentar a sua casa. A partir daquela oração, começou a pegar sementes da natureza e transformar em mudas para serem devolvidas à natureza para que mais pessoas as valorizassem, visto que, para ela, na sociedade atual são poucos os que se preocupam com o meio ambiente. Presentemente, século XXI, Cleide sustenta a sua família com o trabalho de ir à natureza, pedir licença ao Criador, colher a semente e produzir muda para vender em seu viveiro. O Viveiro Moura produz mudas nativas, cerrado, recuperação de nascentes e leito de rios, área degradada como também jardinagem (rosas, palmeiras, entre outros), frutíferas e café.
Cleide Rodrigues Moura é a representação da mulher brasileira superior ao seu tempo; seu passado de dores a impulsionou para a construção de um futuro de respeito pela natureza e pelos seres vivos que a compõem. Seu caráter utilitarista desde seus primórdios aos tempos atuais, promove a fé na humanidade. Certamente, essa mulher que semeia o futuro, retirará desta terra, sob a licença de Deus Criador, muitas sementes de reciprocidade, empatia, fé e amor.
Submundo do Rio de Janeiro nos anos 1990 ganha espaço em livro de Felipe Benício
Capa do livro Bas Fond, de Felipe Benicio
“Bas Fond – Um conto urbano e suburbano” expõe a violência oculta da cidade em uma emocionante narrativa
A cidade que já foi maravilhosa e, por conta da violência diária, perde aos poucos o brilho é o palco para a trama policial do jornalista e escritor Felipe Benício.
“Bas Fond – Um conto urbano e suburbano” traz à tona uma realidade carioca que só alguns vivenciam, mas que choca quando ganha os holofotes através da denúncia de um jornalista.
Publicado pela editora Ases da Literatura, a ficção que temos traz ainda cenários como o Pará e a distante Europa.
No centro da trama temos o protagonista Mário Mariano, um jornalista recém-formado que, sem muitas oportunidades, aceita um trabalho como repórter em um jornal em vias de falir.
Durante os primeiros dias no novo emprego, publica uma matéria exclusiva sobre uma prostituta vítima de abuso sexual.
Mas, com as atualizações do caso, o inexperiente repórter vai descobrir o envolvimento de nomes importantes da política e da polícia da região, ao passo que expõe as desigualdades sociais e de poder na capital.
Não se sabe ainda se o assassinato de Carla Ramos tem ligação direta com as denúncias feitas pela jovem ao Primeira Impressão sobre o esquema de prostituição que funcionaria na sala onde foi agredida. O jornal não conseguiu contato com o delegado Levy da Costa e o detetive Jeferson da Rosa. A mulher conhecida como Maria do Desterro, que seria a gerente da sala onde Carla atendia, também não foi localizada.
(Bas Fond – Um conto urbano e suburbano, pg. 121)
“Bas Fond – Um conto urbano e suburbano” tem bases criadas sobre as vivências do autor que começou a carreira como repórter no jornalismo policial.
A partir do contato direto com o ofício, o autor traça um panorama histórico do jornalismo do nosso país.
A trama conta com detalhes descritivos e perfeitamente ambientados do Rio de Janeiro do final do século XX onde mesmo aqueles que nunca conheceram a cidade são capazes de, por exemplo, caminhar junto com os personagens pelo Catete, bairro que, no passado, sediou o palácio da Presidência da República.
Felipe Benício cria pontes para que o leitor possa viajar do Rio da década de 1990 até a alta sociedade de Belém (PA) nos anos 1960. Em um texto dinâmico e que conquista logos nas primeiras linhas, é fácil entender porque a trajetória de Mário Mariano não terá fim em Bas Fond “Novos livros darão continuidade ao percurso profissional do jornalista, que se conectará a outros momentos-chave da história brasileira”, promete o autor.
SOBRE O AUTOR
Felipe Benício
Jornalista com especialização em Comunicação Corporativa pela ESPM-Rio, Felipe Benício atualmente é responsável pela área de relacionamento com a mídia da Vibra Energia.
Durante a carreira, trabalhou como repórter de vários veículos de comunicação, como Última Hora, Rádio Manchete e Bloch Editores – que serviram de inspiração para a publicação do primeiro livro “Bas Fond – Um conto urbano e suburbano”.
É fluminense, nascido na capital do Rio de Janeiro.
Fábio Ferretti estreia o solo Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes em 2 de maio no Teatro Arthur Azevedo
Cena de ‘Oliver e o Monstro de Olhos Verdes’ – Divulgação
Espetáculo é uma espécie de contação de histórias para adultos e surge a partir da obra Les Faux-monnayeurs, escrita em 1925 pelo autor francês André Gide
Considerado um dos expoentes do romance moderno, o livro “Les Faux-monnayeurs” (traduzido no Brasil como “Os Moedeiros Falsos”) do escritor francês André Guide (1869-1951) é o ponto de partida para o solo Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes, escrito, dirigido e protagonizado por Fábio Ferretti.
O espetáculo tem sua temporada de estreia no Teatro Arthur Azevedo, entre os dias 2 e 26 de maio (exceto de 16 a 19 de maio), com apresentações de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 18h.
Uma espécie de contação de histórias para adultos, Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes não é uma adaptação do romance, mas opta por refletir sobre as relações existentes nas personagens retiradas do romance e ao mesmo tempo criar relações destas personagens com a quarta personagem introduzida na encenação. Todo o processo dramatúrgico é construído a partir destas relações de amor e amizade, encontros e desencontros.
André Gide, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1947 por seu romance L’immoraliste (O Imoralista), foi contemporâneo e amigo de grandes escritores marginalizados como: Jean Paul Sartre, Oscar Wilde e Jean Genet. E é um dos grandes nomes da literatura na primeira metade do século 20. Sua obra é marcada pela recusa a restrições morais e puritanas.
A sexualidade, sempre presente na obra de André Gide, é explorada sem filtros, sem julgamentos. Heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade estão presentes através desses personagens, porém não definem as suas relações interpessoais. Para Gide, os homens devem mostrar afeto, carinho e amor entre si, independente da sua sexualidade.
Na trama, após a morte do companheiro, um homem entra em contato com um acervo de cartas e diários guardados pelo amado. No material encontrado, o homem descobre fatos e acontecimentos até então desconhecidos, que ocorreram há 40 anos e que foram determinantes para que ele pudesse encontrar seu companheiro.
O material encontrado foi escrito e deixado por Eduardo, seu sobrinho Oliver e o amigo deste, Bernardo. Os fatos descritos narram a relação destes três homens, onde cada um expõe seu ponto de vista sobre os acontecimentos. A amizade de Oliver e Bernardo, a amizade de Bernardo e Eduardo e a relação amorosa entre Oliver e Eduardo são descortinadas e possibilitam ao homem, depois de todo esse tempo, descobrir os meandros da sua própria história e os acontecimentos que possibilitaram a ele ser o homem que se tornou.
A dramaturgia do espetáculo parte da premissa de que os fatos que serão narrados por Eduardo, Bernardo e Oliver são extraídos de cartas, diários e depoimentos e estão impregnados de sentimentos contraditórios: amor, amizade, companheirismo, ciúme e inveja.
Assim, através destas referências, a encenação procura descortinar essas personagens, no intuito que o espectador possa reunir elementos que lhe permitam refletir sobre os temas e as relações dessas quatro personagens.
Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes dá continuidade ao processo de pesquisa da Cia. Ferris sobre as relações humanas, buscando ampliar o olhar sobre certas questões e mergulhando nas relações das personagens. Relações surgidas a partir de sentimentos inesperados e indefinidos e que provocam rupturas emocionais.
Entre as tantas perguntas sugeridas pelo texto, podemos citar: Há algo de concreto no amor e na amizade? Há diferenças comportamentais nas relações amorosas ou de amizade? E esses comportamentos diferem com a idade? A experiencia pessoal prévia é garantia para relações saudáveis?
Com Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes, a Cia. Ferris reafirma a importância do teatro na busca de criar mecanismos que permitam ao espectador vivenciar experiências diversas e que possibilitem o autoconhecimento.
Sobre Fábio Ferretti
Fábio Ferretti é ator, iluminador, diretor e produtor teatral da Cia FERRIS. Nascido no Rio de Janeiro e radicado em São Paulo deste de 1993. A carreira no teatro profissional começa em 1990 na cidade do Recife/PE com o monólogo OB-sessões. Ainda em 1990 é um dos idealizadores do projeto 1990 – Dez Anos sem Nelson, idealizado pela Cia Théspis de Repertório e que contava com montagens de obras de Nelson Rodrigues: Doroteia (onde fez o personagem título), Quadros Inacabados (seu segundo monólogo) e Valsa Nº 06.
Ainda pela Cia Théspis interpretou o personagem título em Don Juan (1991) de José Zorillla e na montagem de As Criadas (1992) de Jean Genet interpretou os personagens: Divina (na montagem original na cidade do Recife) e Madame (na remontagem do espetáculo na cidade de São Paulo em 1995), ambas dirigidas por Williams Sant’Anna.
Ainda na cidade do Recife, fez sua primeira direção no espetáculo Perto do Coração Selvagem, sua adaptação para a obra de Clarice Lispector. Participou também das montagens de O Reino Desejado (1992) e A Grande Serpente (1991) ambos dirigido pelo espanhol Moncho Rodriguez e o infantil Pluft, O Fantasminha, sob direção de Junior Sampaio, entre outros.
Em São Paulo, participa da montagem do texto inédito de Plínio Marcos: O Assassinato do Anão do Caralho Grande (1998), com direção de Marco Antônio Rodrigues, no qual interpretou a personagem Dona Ciloca. Também participou dos espetáculos: Autorama (1999), sob direção do escocês David Peacock; A Comédia dos Erros (1999), sob direção de Zé Henrique de Paula, La Chunga (2002) sob direção de Marco Antônio Rodrigues; Chão de Barros (2003) sob direção de Frederico Foroni; Desdêmona (2003) sob direção de Fernanda Maia; A Escolha do Jogador 2005) Sob direção de Hélio Cicero; Armadilha (2010) sob direção de Paulo de Pontes; O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias Verdades Inteiras (2012) sob direção de Cuca Bolaffi; A Condessa e o Bandoleiro (2014) sob direção de Fernando Escrich, entre outros.
Em 2013, funda a Cia Ferris. O espetáculo de estreia é o monólogo Terça no Hiper, no qual atua sob direção de Vany Alves.
Sobre a Cia. Ferris
A Cia. Ferris foi criada em 2013 com o objetivo de desenvolver projetos teatrais que possam propor reflexões e um debate com o público. Seu projeto anterior, Terça no Hiper, um monologo de Emannuel Darley, com direção de Vany Alves, apresentava a difícil relação entre pai e filha, a partir da constatação da transexualidade da filha.
Com Oliver e o Monstro dos olhos verdes, a Cia. Ferris busca aprofundar a pesquisa sobre o ator/criador, quando o ator assume também o processo de criação do espetáculo e reafirma a importância do teatro na busca de criar mecanismos que permitam ao espectador vivenciar experiências diversas e que possibilitem o autoconhecimento. E sendo assim, a Cia. acredita que este projeto possui relevância cultural, pois os questionamentos a serem explorados instigarão e possibilitarão reflexões pertinentes para as relações humanas e consequentemente trarão benefícios para a sociedade em geral.
Ficha técnica
Texto e Direção: Fábio Ferretti
Interpretação: Fábio Ferretti
Figurino, cenário e luz: Cia Ferris.
Realização: Cia Ferris
Sinopse
Uma criação de Fábio Ferretti a partir da obra Les Faux-monnayeurs de André Gide. Após a morte do companheiro, um homem entra em contato com um acervo de cartas e diários guardados por este. No material encontrado, o homem descobre fatos e acontecimentos até então desconhecidos, que ocorreram há quarenta anos e que foram determinantes para que ele pudesse encontrar seu companheiro. O material encontrado foi escrito e deixado por Eduardo, seu sobrinho Oliver e o amigo deste, Bernardo. Os fatos descritos narram a relação destes três homens, onde cada um expõe seu ponto de vista sobre os acontecimentos. A amizade de Oliver e Bernardo, a amizade de Bernardo e Eduardo e a relação amorosa entre Oliver e Eduardo são descortinadas e possibilitam ao homem, depois de quarenta anos, descobrir os meandros da sua própria história e os acontecimentos que possibilitaram a ele ser o homem que se tornou.
Entre encontros e desencontros e uma tentativa de suicídio, a relação dos três é esmiuçada e o olhar de cada um deles é lançado sobre suas relações e sobre os diversos acontecimentos gerados por elas. A história destes três homens e seus relatos desencadeia nesse homem uma imagem mais clara do seu companheiro perdido.
SERVIÇO
Oliver e o Monstro dos Olhos Verdes.
Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso – Avenida Paes de Barros, 955, Mooca
Temporada: 2 a 26 de maio, de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 18h (na semana de 16 a 19 de maio não haverá espetáculos devido a programação da Virada Cultural)
Ingressos: Gratuitos, retirar na bilheteria uma hora antes do espetáculo.
Cia. Fragmento de Dança faz nova temporada de Erga Omnes
Erga Omnes ganhou o prêmio APCA 2023 na categoria de melhor Criação/Coreografia e teve mais duas indicações nos quesitos de melhores espetáculo e elenco
Cena de ‘Erga Omnes’. Crédito da foto: Juan Espinoza
A Cia. Fragmento de Dança completou seus 20 anos de trajetória em 2023, quando revisitou partes dos trabalhos que compõem o repertório do grupo. As cenas, deslocadas das suas criações originais, se reconfiguram numa nova proposta dramatúrgica que emerge das questões que têm instigado o grupo hoje. Dessa maneira surgiu o espetáculo Erga Omnes, que tem uma nova temporada no Kasulo – Espaço de Cultura e Arte, de 2 a 12 de maio, com apresentações de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Segundo o historiador israelense Yuval Harari, “somos os mestres da ficção”. Criamos instituições, religiões, gêneros. Inventamos normas de conduta e moralidade. Somos os maiores predadores do planeta, mas temos uma capacidade inigualável de cooperar e, talvez, isso não seja contraditório. Não se trata de empatia e sim da nossa aptidão para imaginar.
Erga Omnes é uma expressão em latim que significa “contra todos”, “frente a todos”. É muito usada no mundo jurídico para dizer que uma norma se aplica igualmente a todas as pessoas. Nesse sentido, uma invenção humana, questionável e contraditória.
Erga Omnes propõe pensarmos as estruturas às quais pertencemos, aquelas que nos oferecem proteção e nos cobram obediência. O que pode um grupo diante das ficções que cria e sobre as quais se insurge?
Ficha Técnica
Concepção, coreografia e direção: Vanessa Macedo
Assistente de direção e coreografia: Maitê Molnar
Intérpretes: Diego Hazan, Gabriela Ramos, Maitê Molnar, Peter Levi, Prudy Oliveira e Vanessa Macedo.
Estágio: Letícia Almeida
Percussão, montagem e edição de trilha sonora: Lua Oliveira
Iluminação: Fellipe Oliveira
Figurino: Daíse Neves
Designer gráfico: Letícia Mantovani
Produção: Luciana Venancio (Movicena Produções)
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
SERVIÇO
Erga Omnes, da Cia. Fragmento de Dança
Temporada: 2 a 12 de maio, de quinta a sábado, às 20h, e domingos, às 19h
Kasulo – Espaço de Cultura e Arte – Rua Souza Lima, 300, Barra Funda, Metrô Marechal Deodoro – Linha Vermelha
Esta ação faz parte do projeto ‘’KASULO – ESPAÇO DE ARTE – 15 ANOS’’ – realizado com o apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas – Governo do Estado de São Paulo.