A flor do entardecer

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘A flor do entardecer’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
"entardecer nostálgico entre as névoas alaranjadas do arrebol"
“entardecer nostálgico entre as névoas alaranjadas do arrebol”
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Pálida a luz da tarde sombria.
Sobre o leito da flor debruçada
um entardecer nostálgico
entre as névoas alaranjadas
do arrebol.

No silêncio da varanda do ocaso
o pôr do sol desmaia,
incensa o crepúsculo,
pinta de dourado o entardecer
de lume à penumbra,
desenhando imagens
na lívida solidão.

Você surgiu em meio do tempo
com olhos ávidos de sedução,
chamas de amor,
mãos deslizavam com volúpia
em ardente desejo.

Na doce bruma
dos vitrais das janelas do ocaso,
enlaçados ao caminho
de desvario veementemente,
ao fogo do carnal amor,
nossos corpos sedentos incendeiam
de prazer e emoção
no poente fecundo de mistério
que se cala,
à flor do entardecer.

Ceiça Rocha Cruz

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À vista de uma maldade criativa

Clayton Alexandre Zocarato: ‘À vista de uma maldade criativa’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton Zocarato
“Entre os corais elementares, os dentes das feras se fazem afiados”
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Entre os corais elementares

Os dentes das feras se fazem afiados

Angariados por criaturas

Como um Tritão cambaleante

Sem coração

Mas com sede de sangue

Que caminha pelo desfiladeiro

À procura de novas vítimas

As cascavéis estão à espreita

Se aproveitando da estática mental

De desafortunados

Candidatos a demônios

O Plasma Da vida

Encontra o ozônio da agonia

De um sarcomíneo*

Desavisado

Surge uma Tocásia**

Com sede de  vingança

Gerenciando mutações de maldades

Por entre verdades

Afundadas  em um mangue

Repleto de ossos humanos incrédulos


Clayton Alexandre Zocarato

*Sarcomíneo. Personagem do jogo de cartas Magic: The Gathering, que tem como características um som forte, contendo asas de dragão, e pontas espalhadas por todo o seu corpo, e misturando partes biológicas com engrenagens mecânicas.

**Tocásia. Personagem do jogo de cartas Magic: The Gathering, que seria uma mulher relativamente jovem guardadora dos campos de mineração.

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Comunicação, saúde integral e o papel da IA

Joelson Mora:

‘Comunicação, saúde integral e o papel da Inteligência Artificial’

Joelson Mora
Joelson Mora
'Comunicação, saúde integral e o papel da Inteligência Artificial'
‘Comunicação, saúde integral e o papel da Inteligência Artificial’
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A interligação entre comunicação, saúde integral e inteligência artificial (IA) tem ganhado destaque significativo nos últimos anos, oferecendo oportunidades promissoras para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Aqui exponho como esses três elementos se entrelaçam e impactam positivamente a sociedade.

A comunicação desempenha um papel crucial na promoção da saúde integral, pois facilita a disseminação de informações, educação e conscientização sobre práticas saudáveis. Estratégias de comunicação eficazes podem influenciar comportamentos positivos, como adotar uma dieta balanceada, praticar exercícios físicos regulares e buscar cuidados médicos preventivos.

A inteligência artificial tem revolucionado o setor de saúde, oferecendo soluções inovadoras para diagnóstico, tratamento e gerenciamento de doenças, medicamentos como por exemplo o Ozempc. Algoritmos de IA podem analisar grandes volumes de dados médicos, identificar padrões e fornecer insights valiosos para profissionais de saúde, permitindo diagnósticos mais precisos e personalizados.

A integração da comunicação, saúde integral e inteligência artificial pode potencializar os benefícios de cada componente. Por exemplo, chatbots e assistentes virtuais alimentados por IA podem fornecer informações médicas personalizadas e orientação sobre hábitos saudáveis, promovendo a conscientização e a educação em saúde de forma acessível e conveniente.

Além disso, a IA pode aprimorar a eficiência dos sistemas de saúde, otimizando processos de triagem, agendamento de consultas e monitoramento de pacientes. Isso permite uma prestação de cuidados mais ágil e eficaz, melhorando a experiência do paciente e reduzindo custos operacionais para os provedores de saúde.

Apesar dos benefícios potenciais, a integração da IA na comunicação e saúde integral também levanta desafios e considerações éticas. Questões relacionadas à privacidade dos dados, viés algorítmico e equidade no acesso aos serviços de saúde digital precisam ser cuidadosamente abordadas para garantir que a tecnologia beneficie a todos os membros da sociedade de forma justa e equitativa.

A interligação entre comunicação, saúde integral e inteligência artificial oferece oportunidades sem precedentes para melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas em todo o mundo. Ao aproveitar os avanços tecnológicos e promover uma comunicação eficaz, podemos trabalhar juntos para construir um futuro mais saudável e sustentável para todos.

Joelson Mora

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SescTV faz homenagem a Ziraldo

Como homenagem, o SescTV vai exibir a partir de hoje, dia 8 de abril de 2024, às 23h, o documentário “Ziraldo, uma obra que pede socorro”, com direção de Gustavo Dannemann e duração de 72 minutos

Ziraldo
Ziraldo
Link para download de frames e trailer

Ziraldo Alves Pinto foi um cartunista, chargista, pintor, escritor, dramaturgo, cartazista, caricaturista, poeta, cronista, desenhista, apresentador, humorista e jornalista brasileiro. É o criador de personagens famosos, como o Menino Maluquinho, e é um dos mais conhecidos e aclamados escritores infantis do Brasil.

O artista morreu sábado (dia 6 de abril de 2024) aos 91 anos quando estava em casa, em seu apartamento no bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio, por volta das 15h. 

Como homenagem, o SescTV vai exibir a partir de hoje, dia 8 de abril de 2024, às 23h, o documentário “Ziraldo, uma obra que pede socorro”, com direção de Gustavo Dannemann e duração de 72 minutos. 

A obra é um documentário sobre o olhar íntimo do cartunista em relação ao descaso da preservação da arte no Brasil. No longa, Ziraldo relembra uma de suas obras intitulada “Santa Ceia” feita para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ou conhecido como “Canecão”.

Sobre o SescTV
O SescTV é o canal cultural do Sesc em São Paulo que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o país. Distribuído gratuitamente para mais de 60 operadoras de TV por assinatura e plataformas de streaming em todo o Brasil, sua grade é composta por espetáculos, documentários, filmes, curtas e entrevistas que tratam de temas como arquitetura, literatura, filosofia, teatro, política, sociedade, ética e cotidiano.

No acervo do canal, que passa dos 10.000 títulos, estão produções próprias e licenciamentos que são distribuídos ao longo da programação para criar uma experiência enriquecedora para o telespectador em todos os horários.

Além do acesso à programação ao vivo do canal, o site do SescTV oferece uma seleção de produções originais brasileiras e estrangeiras que podem ser assistidas na íntegra, gratuitamente e sem necessidade de cadastro em sesctv.org.br.

SERVIÇO
Documentário: Ziraldo, uma obra que pede socorro

8 de abril de 2024, às 23h
10 de abril de 2024, às 23h
13 de abril de 2024, às 16h

Direção: Gustavo Dannemann
Duração: 72 minutos
Classificação indicativa: Livre 

Para assistir o SescTV:

Consulte as operadoras e serviços de streaming sobre a disponibilidade do canal

Assista online em sesctv.org.br | Nas redes sociais: @SescTV

Disponível também em: https://sesctv.org.br/ziraldo

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Cordel Viajente

Espetáculo musical ‘Cordel Viajante’ conduz o público a uma viagem poética e vibrante pelo sertão nordestino

Cordel Viajante
Cordel Viajante – Crédito: Caio Galucci
Baixe as fotos do espetáculo aqui 

(Caso não consiga fazer o download, acesse o link em janela anônima)

Grupo Forró do Candeeiro faz uma apresentação gratuita no Teatro Estadual de Araras no dia 20 de abril

Núcleo Artístico Forró do Candeeiro faz uma circulação gratuita do espetáculo “Cordel Viajante” por várias cidades do interior de São Paulo. A primeira apresentação acontece no sábado, dia 20 de abril, às 20h, no Teatro Estadual de Araras.

Trata-se de uma viagem poética ao sertão nordestino. Com texto do poeta e escritor baiano Marco Haurélio e direção de Raul Figueiredo, o trabalho une forró, baião, xaxado, galope, rastapé e canções juninas à poesia de cordel e à xilogravura. Nesse contexto, o repertório é formado de canções eternizadas por Gonzagão, Dominguinhos, Sivuca, Trio Nordestino, Gil, Zé Dantas, Antônio Barros, Assissão e Humberto Teixeira. 

Na trama, o público conhece Juarez, o protagonista da história, interpretado pelo ator Igor Mo. Ele parte em uma jornada de volta ao sertão nordestino para reencontrar sua amada Maria, após tentar a vida na cidade grande. 

Enquanto busca por suas raízes, o personagem conduz os espectadores por paisagens, sensações e particularidades dessa região. A viagem atinge o ápice quando ele, enfim, reencontra seu grande amor, durante uma linda Festa de São João em uma noite estrelada.

Juarez personifica o povo nordestino, muitas vezes impelido a migrar pelo Brasil em busca de novas oportunidades, a ponto de acabar castigado pela saudade de viver distante da terra natal. 

Ao longo da narrativa repleta de rimas, desenvolvida por Marco Haurélio, estão expostas tanto questões sociais quanto de sabedoria da cultura nordestina. O autor também é pesquisador da literatura de cordel e do folclore brasileiro. 

“Todos os poemas foram compostos a partir das canções previamente escolhidas, costurando-as à jornada do protagonista. Esses textos precisavam ser curtos e incisivos, carregados de lirismo, mas sem pieguice. Escrevi tudo como se fosse um sonho de Juarez”, relata Marco. 

Para completar toda essa atmosfera, o cenário, assinado por Dhiego Bueno, remete às estampas dos livretos de cordel, com ilustrações carregadas de símbolos sertanejos em xilogravuras criadas pelo artista Cadu Souza (Xilogravuras do Benedito). 

O espetáculo estreou em uma temporada online em 2021, com direção de João Paulo Lorenzon. “Ele foi fundamental para fazer a conexão entre o protagonista e a banda. Há um diálogo entre Juarez e os instrumentos que evocam imagens e sensações. João também trouxe para a cena uma dimensão do sonho traduzido nas memórias e lembranças do personagem em sua viagem de volta ao sertão”, conta a cantora Julia King, que idealizou e produz o projeto. 

Hoje, o “Cordel Viajante” conta com a direção de Raul Figueiredo. “O trabalho meticuloso dele e a forma lírica e lúdica com que o Forró de Candeeiro armou a latada completaram essa feliz junção de imaginários”, acrescenta Marco Haurélio.

Essas apresentações do trabalho foram contempladas pelo edital Proac nº17/2023 de Música Popular/ Circulação de Espetáculo, promovido pela Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo.

Sobre o Núcleo Artístico Forró do Candeeiro

O Forró do Candeeiro nasceu a partir do grupo Forró do Cruzeiro, responsável por realizar apresentações em praças públicas em eventos comunitários na cidade de São Paulo para comemorar o São João. 

Atualmente, o coletivo é formado por Daniel Doctors (baixo e voz), Ed Encarnação (zabumba), Fabio Katz (guitarra e voz), Julia King (voz), Rodrigo Scarcello (sanfona e voz), Wellington Tibério (percussão) e Camilo Zorrilla (percussão). 

O espetáculo “Cordel Viajante” uniu esses artistas, que desejavam exaltar e homenagear a riqueza da cultura popular nordestina, em suas diversas linguagens.


SINOPSE

O espetáculo é uma viagem musical pela cultura popular brasileira, que une diversas manifestações artísticas, como forró, poesia de cordel e xilogravura. Cantado em clássicos do forró e contado em poesia de cordel, o trabalho narra a jornada de Juarez de volta para o sertão para reencontrar sua amada Maria. Memórias e sentimentos impulsionam sua caminhada pelos símbolos e paisagens desse lugar.

FICHA TÉCNICA

Voz: Julia King 

Sanfona e voz: Rodrigo Scarcello 

Baixo e voz: Daniel Doctors 

Violão e voz: Fábio Katz 

Zabumba: Ed Encarnação 

Percussão: Camilo Zorrilla 

Triângulo: Wellington Tibério 

Narração/ Ator: Igor Mo 

Equipe Técnica: 

Idealização e produção: Julia King 

Direção Musical: Daniel Doctors e Rodrigo Scarcello 

Texto/Poesia de Cordel: Marco Haurélio Fernandes Faria 

Direção de cena atual: Raul Figueiredo 

Figurino: Vic Constantino 

Iluminação: Lúcia Galvão 

Técnico de som: Gabriel Gaucho ou Caio Alarcon

Maquiagem: Kathia Laurindo 

Fotografia: Caio Galucci 

Cenografia: Dhiego Bueno
Ilustrações: Cadu Souza (Xilogravuras do Benedito)

 Siga o Forró do Candeeiro no Instagram: @forro_do_candeeiro

SERVIÇO

Cordel Viajante, do Núcleo Artístico Forró do Candeeiro
Classificação: Livre

Duração: 60 minutos

TEATRO ESTADUAL DE ARARAS
Data: 20 de abril, sábado, às 20h
Endereço: Av. Dona Renata, 4901 – Centro
Ingressos: gratuitos | Retirada na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo ou reserva pela Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/92836

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Exposição Nos Braços do Violeiro

Exposição ‘Nos Braços do Violeiro’, de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista

Yuri Garfunkel e João Carlos Villela, os idealizadores da exposição 'Nos Braços do Violeiro'
Divulgação
Yuri Garfunkel e João Carlos Villela, os idealizadores da exposição ‘Nos Braços do Violeiro’

Produção de Yuri Garfunkel com curadoria de João Carlos Villela, seguirá para São José dos Campos. Público tem oportunidade de mergulhar no universo criativo da HQ A Viola Encarnada

A exposição multidisciplinar “Nos Braços do Violeiro” prossegue em cartaz até dia 20/04, na Casa Lebre, em Bragança Paulista. Com entrada gratuita e curadoria de João Carlos Villela, na mostra o público tem a oportunidade de mergulhar no universo criativo da HQ “A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos“,um romance gráfico inspirado em mais de 80 canções do repertório caipira, com roteiro e artes visuais do desenhista, músico e educador Yuri Garfunkel

Na Casa Lebre a visitação acontece de terça a sexta, das 14 às 18h. Depois de Bragança Paulista, a exposição irá para o Museu do Folclore, em  São José dos Campos (de 28/04 a 25/05); Botucatu e Pardinho (01/06 a 10/08); São Luís Paraitinga (31/08 a 21/09) e Campinas (28/09 a 20/10). 

No último dia 23/03, foi realizado um evento especial para celebrar a cultura caipira em linguagens contemporâneas com uma roda de prosa sobre os processos de criação e curadoria com os curadores, exibição d o curta-metragem “Xangri-lá – A história de Quinzinho Vilela” dirigido por Mário de Almeida, da Maravilha Filmes. Para completar a celebração, foi  realizada uma roda de viola com participação de Lula Fidalgo e convidados como o cantor, compositor e violeiro paulista Levi Ramiro e o poeta, ator, cantor, compositor e publicitário, Jean Garfunkel e Duo Música do Interior, com Aniela Rovani e Rafael Cardoso. A iniciativa teve apoio cultural da Edith Cultura e Aqui Hostel e cozinha e bar: @alecrimveg 

Exposição 'Nos Braços do Violeiro', de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista
Divulgação
Exposição ‘Nos Braços do Violeiro’, de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista

Interação do público

De acordo com Yuri Garfunkel, a vontade inicial da Viola Encarnada era traduzir o universo da música caipira para a linguagem dos quadrinhos e das artes visuais. “Criar um ponto de vista pra diálogos contemporâneos com a nossa cultura. A estreia da exposição concretizou essa vontade. Foi um grande encontro de pessoas interessadas em participar desse diálogo e um primeiro passo muito especial pra circulação que faremos durante esse ano”, declara Garfunkel.

Na exposição interativa “Nos Braços do Violeiro” ,o público terá a oportunidade de apreciar as páginas originais da HQ premiada pelo ProAC 2019, com introdução escrita pelo violeiro, professor e pesquisador Ivan Vilela e indicada ao prêmio HQ MIX na categoria Melhor Adaptação em 2020. Umas das propostas da mostra, contemplada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) Circulação,  da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado,  é promover a interação do público com os processos criativos do artista. 

Desta forma, além do contato com os originais da obra e seus esboços originais, o visitante da exposição “Nos Braços do Violeiro” terá acesso à viola física que foi inspirada na viola vermelha de Tião Carreiro e encomendada ao Luiz Armando da luthieria Trevo, exclusivamente para este projeto. Inspirado nesse universo, o público também poderá montar sua própria história em um painel com imãs das imagens da HQ. Oportunidade para soltar a criatividade e fazer parte da mostra.

Exposição 'Nos Braços do Violeiro', de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista

Para propiciar uma imersão na HQ como um todo, a exposição disponibiliza áudios das mais de 80 músicas do repertório caipira. O material possui recursos de acessibilidade como audiodescrição, textos em braile e em alguns dos encontros promovidos com o público, como rodas de viola e bate-papo, terão tradução em Libras. 

Por ser uma exposição multidisciplinar sobre um instrumento singular que marca a nossa história musical, um dos objetivos dos idealizadores é compartilhar o conteúdo com um público diverso, inclusive estudantesuniversitários e grupos de idosos e outros interessados. “Essa é uma exposição que mescla Arte Contemporânea, História em Quadrinhos e Música Caipira, por isso a intenção em cada uma das 6 cidades por onde passaremos é dialogar, trocar e aprender com os agentes locais de cada um desses campos”, explica João Carlos Villela.

“A Viola Encarnada”

Em suas páginas, a obra “A Viola Encarnada’ conduz o leitor para uma viagem sonora afinada e cheia de história, a partir de uma viola avermelhada nas mãos de um violeiro e de um vaqueiro, numa jornada que percorre os sertões até chegar na cidade grande, testemunhando a história da música caipira desde suas origens rurais.  

Exposição 'Nos Braços do Violeiro', de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista
Divulgação
Exposição ‘Nos Braços do Violeiro’, de Yuri Garfunkel, fica em cartaz até dia 20/04 em Bragança Paulista

Yuri Garfunkel detalha que a ideia da HQ se formou ao longo de muitos anos ouvindo música caipira. De modo geral, e no gênero Moda de Viola principalmente, ele explica que as canções descrevem narrativas tão intensas que muitas músicas inspiraram filmes. “Mas até agora não conheço outra graphic novel feita a partir desse repertório. Entendi que era um trabalho que poucos poderiam pôr em prática, e mergulhei de cabeça. No final de 2017 eu já tinha clara a estrutura do roteiro, fui a uma palestra do Ivan Vilela e me apresentei a ele que se  interessou imediatamente pelo projeto e começamos a trabalhar”, relembra.         

Garfunkel conta que Vilela sugeriu uma que a história fosse além dos temas mais faroeste previstos inicialmente, com muito boi e bala. “Ampliamos o roteiro com a origem da viola, derivada de instrumentos mouros e vinda ao Brasil com as primeiras caravelas portuguesas, e com a construção da Viola Encarnada, protagonista da história. Para isso, busquei ajuda do Luiz Armando da luthieria Trevo, que construiu efetivamente a viola em um mês! O Ivan também sugeriu outro desfecho para a HQ, que termina na cidade grande, completando todo o trajeto percorrido pela música caipira”, comenta Garfunkel.

Programação

Em Bragança Paulista a exposição ficará até o dia 20/04 na Casa Lebre e poderá ser visitada de terça a sexta, das 14 às 18h. Depois seguirá para o Museu do Folclore (Avenida Olivo Gomes, 100, em São José dos Campos (de 28/04 a 25/05) com rodas de prosa e viola com convidados especiais dias 27/04 e 19/05, às 15h; MAGMA (Museu Aberto de Geociências, Mineralogia e Astronomia), em Botucatu e  Centro Max Feffer, em Pardinho (01/06 a 10/08); Instituto Elpídio dos Santos, em São Luís Paraitinga (31/08 a 21/09) e Centro Cultural Casarão, em Campinas (28/09 a 20/10). 

Os idealizadores contam que a proposta de montar a exposição surgiu durante a pandemia de COVID-19. Em outubro de 2021, “Nos Braços do Violeiro” foi apresentada na A7MA Galeria, na Vila Madalena, em São Paulo, com a realização de bate-papo com o curador e convidados como Xênia França, Lucas Cirillo, Shell Osmo e Renato Shimmi e roda de viola com a participação da cantora e violeira Adriana Farias e dos violeiros Gerson Curió e Inimar dos Reis. Em junho de 2022, integrou a Mostra ‘No Braço da Viola’ no Teatro do Sesc Rio Preto. Na ocasião, Yuri Garfunkel apresentou-se ao lado de grandes nomes da viola contemporânea e ministrou oficinas de criação de HQ a partir de modas de viola. 

Ficha Técnica ‘Nos Braços do Violeiro’:

-Yuri Garfunkel: Artista expositor, músico, coordenação geral
– João Carlos Villela: Curadoria e Produção Artística
– Cris Rangel: Produção Executiva
– Lula Fidalgo: Montagem e direção musical
– Ellen B. Fernandes: Assessoria de Imprensa
– Mário de Almeida: Registro Audiovisual
– Rodrigo Camargo: Consultoria Jurídica

Realização: ProAC Editais, Cult SP, Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo

Contato: garfunkelyuri@gmail.com // @yurisopa // facebook.com/yuri.sopa

SERVIÇO:

Exposição “Nos Braços do Violeiro”
Até dia 20/04/2024
Visitação: De terça a sexta, das 14 às 18h
Local: Casa Lebre (R. Nícola Ortenzi, 104), em Bragança Paulista
Entrada gratuita

Os idealizadores

Yuri Garfunkel: Artista visual, músico e educador:  Autor dos romances gráficos A Viola Encarnada: modas de viola em quadrinhos, indicado ao prêmio HQMIX 2020 na categoria Melhor Adaptação, e A Outra Anita, sobre a trajetória da pintora Anita Malfatti, lançada em 2022 para o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.  Criador do Sopa Art Br, estúdio de artes visuais, ilustração e design, com mais de 10 anos de experiência em comunicação visual ligada à cultura.

Desenvolve seu trabalho a partir de pesquisas na união de linguagens artísticas, relacionando HQs com arte urbana, música e educação. Com quatro exposições criadas nesse conceito, circulou por galerias como Coletivo, Matilha Cultural e A7MA, parques e estações do Metrô de São Paulo, e expôs na Argentina, Itália e Espanha. 

Como músico, Yuri integra desde 2008 o grupo instrumental Kaoll, com o qual gravou 3 álbuns, realizou mais de 300 apresentações pelo Brasil e uma turnê europeia em 2014. Em 2015 Yuri passou a integrar o grupo Pequeno Sertão de música caipira autoral, com quem lançou dois álbuns, em 2016 e 2021. Como educador, Yuri cria e ministra cursos e oficinas de desenho e criação artística com propostas adequadas para diferentes públicos, de crianças e terceira idade à profissionalização, com circulação no Estado de São Paulo pela rede do Sistema S e centros culturais. 

 João Carlos Villela: Curador, art advisor e produtorAtua há 12 anos no mercado de arte tendo trabalhado como produtor e diretor de vendas em galerias de arte contemporânea do mercado primário. Como produtor, foi responsável por mais de 30 exposições, em galerias e espaços institucionais como o Centro Universitário Maria Antônia e o Instituto Tomie Ohtake. Entre as exposições que produziu estão as de artistas como, Ana Prata, Claudio Mubarac, Elisa Bracher, Fabio Miguez, Oswaldo Goeldi, Paulo Monteiro e Sergio Lucena.

Como pesquisador na Art Options, escritório de consultoria de arte, foi responsável pela aquisição de artistas para coleções privadas e para a coleção corporativa do escritório. Desde 2016, como art advisor e curador independente, assessora colecionadores privados e artistas em desenvolvimento de carreira.

Curou a exposição coletiva Campo para o Exercício da Liberdade na FUNARTE-SP em 2018, a exposição individual do artista Lumumba no Matilha Cultural em 2018, a exposição Los Silencios sobre o filme homônimo da cineasta Beatriz Seigner no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca em 2019, e a exposição Nos Braços do Violeiro com obras de Yuri Garfunkel em 2021 na A7MA Galeria e em 2022 no Sesc-Rio Preto. Dirigiu e produziu em 2021 os shows Ao Vivo da Mooca e In Goma, do trio instrumental A Timeline, ambos com o respectivo patrocínio e apoio do ProAC SP e do Teatro Arthur Azevedo.

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Atitudes Comunicacionais

Diamantino Loureiro Rodrigues de Bártolo:

‘Atitudes Comunicacionais’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Atitudes Comunicacionais agressivas
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O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicacionais: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente. Apesar de tais limitações, é possível caracterizar os diversos comportamentos comunicacionais, a partir de critérios definidos: a) afirmatividade do comunicador (transparência da linguagem); b) Respeito pelo interlocutor (respeito pelo outro). A partir destes dois critérios e como posicionamento prévio, aceita-se que o comportamento comunicacional se distribui por quatro grandes tipos:

«1. Agressivo – Utilizado para se defenderem direitos à custa dos direitos dos outros, com agressividade, muitas vezes de prazer e de ofensa. Pressiona-se o interlocutor e obriga-se a reagir contra a vontade dele. Exerce-se intensamente uma pressão que, rapidamente, surge a ameaça de castigo e/ou de retaliação. Utilizam-se frases imperativas, prepotentes, ameaçadoras: “Quero este trabalho concluído rapidamente”. Recorre-se, também, ao menosprezo e desvalorização das capacidades do interlocutor e exibição do poder do agressor pela intimidação e ofensa: “Se não percebeu, tivesse percebido”, “Quem manda aqui sou eu”. Diversos gestos são feitos pelo agressor, como apontar com o dedo em riste, rosto tenso, olhos fulminantes.

O comportamento comunicacional agressivo, em certas circunstâncias excepcionais, pode funcionar com plenos resultados positivos, como quando é conveniente actuar rápido e bem, mesmo que seja necessário reduzir à total submissão o interlocutor. No limite da análise, a comunicação agressiva empobrece a inteligência do próprio agressor, reforça a vontade de mais agressividade, se esta tiver sido recompensada e pode aprofundar o sentimento do “mal-amado”, conduz, na maior parte dos casos, a um sentimento de revolta por parte dos agredidos e também à deslealdade e indiferença.

2. Passivo – Evita-se expressar opiniões, vontades e sentimentos próprios, submetendo-se facilmente aos dos outros. Opta-se pela fuga, pela submissão e dependência em relação aos outros. Sentido de subordinação e afastamento. Utilizam-se frases vagas, ambíguas, de indiferença e rejeição de envolvimento: “Não vale a pena dizer nada”, “Não tem importância”, “Desculpe, lamento muito…”, “Não gosto de criar problemas”. Também pelos gestos e certas atitudes: risos nervosos e forçados, ombros descaídos, voz sumida.

O comunicador passivo aceita tarefas insignificantes que oprimem e humilham, manifesta sentimentos de desvalorização pessoal, não provoca nos outros comportamento assertivo, pode contribuir para o aumento da agressividade no outro interlocutor. A médio prazo, não conduz à realização pessoal, embora possa proporcionar prestígio, tranquilidade e dinheiro, pelo menos em algumas pessoas com determinadas actividades;

3. Manipulador – A linguagem é utilizada como disfarce, sempre no interesse do próprio e em prejuízo dos outros. O manipulador não se afirma abertamente, escondendo-se numa “cândida generosidade e pureza”, levando as pessoas de boa-fé a fazerem o que ele pretende, quase sem darem por isso. A bajulação e lisonja (elogio falso e gratuito) são as armas eficazes para o manipulador, que, invariavelmente, utiliza frases como: “Estou a dizer-lhe isto para seu bem”, “Não confessaria isto a mais ninguém”.

O recurso à insinuação é outra estratégia utilizada pelo manipulador: “Diz-se muita coisa a seu respeito, mas eu não acredito”. Outro recurso que funciona neste tipo de comportamento é a chantagem, através do apelo aos sentimentos, opiniões e vontades do interlocutor, para o influenciar e convencer, violentando, se necessário, embora disfarçando a violência, dando à comunicação uma aparência de contrato. Pode utilizar uma linguagem redonda do tipo: “Penso que gostaria de poder ter a oportunidade de …”. Também pelo sarcasmo e pela ironia o manipulador pretende alcançar os seus objectivos.

O comportamento comunicacional do manipulador, em determinados contextos políticos, que são permeáveis à bajulação, ao elogio, à demagogia, infelizmente, funciona muito bem, embora pela negativa e, grande parte das vezes, contra os legítimos interesses dos cidadãos que, de boa-fé, acreditam em tais discursos manipuladores. Finalmente, pode-se utilizar a manipulação por puro prazer de representação.

4. Assertivo – Permite afirmar as opiniões, vontades e sentimentos próprios e ao mesmo tempo promover e respeitar as opiniões, vontades e sentimentos dos interlocutores, com o objectivo de desenvolver a pró-actividade e afirmatividade de todos os intervenientes em plena igualdade e sem qualquer subordinação. O comportamento comunicacional assertivo manifesta-se pelo seu elevado poder influenciador, sustentado em três factores fundamentais: a) Transparência de linguagem; b) Força exemplar da afirmação pessoal; c) Resolução de conflitos através da negociação.

A comunicação assertiva é, por isso mesmo, simples, directa e económica em palavras. Pauta-se pela afirmação rigorosa. Os conflitos resolvem-se pela negociação, sempre numa atitude de “GANHA/GANHA”, ou seja, ganham as partes conflituantes. A afirmação pessoal pela comunicação, sustenta-se na auto- estima, na determinação e na consciência do direito à auto-afirmação. A assertividade recorre ao comportamentalismo e ao humanismo psicológico.» (Cf. AZEVEDO, 1999:20-24).

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Lemos, (1999). Comunicar com Assertividade. Lisboa: Instituto do emprego e Formação Profissional/Ministério do Trabalho, do Emprego e Segurança Social

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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