Vestido vermelho

Nilton Rocha: Poema ‘Vestido vermelho’

Nilton da Rocha
Nilton Rocha
"Lá vem a moça de vestido vermelho... batom vermelho..."
“Lá vem a moça de vestido vermelho… batom vermelho…”
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Lá vem a moça de vestido vermelho,

Acobertando o seu corpo escultural.

Denunciando desejos,

Cintilando cobiça no seu olhar.

Ela usa o amarelo, o verde ou talvez um azul,

Mas o vermelho é de arrasar.

Penso mas não falo nada,

Se for casada, o marido tem que se cuidar.

Se estiver usando batom vermelho,

É muita audácia,

Deixa-me estimulado,

E vermelho. 

Vejo-a, com uma rosa vermelha.

Ai vem o encanto da natureza.

Fico lisonjeado, preciso me cuidar.

Nilton Rocha

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Ópera Cinderela

Theatro São Pedro leva ópera Cinderela ao interior de São Paulo 

Apresentação da ópera Cinderela, de Pauline Viardot, no Theatro São Pedro. Crédito: Heloísa Bortz
Apresentação da ópera Cinderela, de Pauline Viardot, no Theatro São Pedro. Crédito: Heloísa Bortz 

Récitas acontecem nos dias 12, 13 e 14 de abril nas cidades de Botucatu, Votorantim e Salto, respectivamente. Espetáculos serão gratuitos e apresentados em português, com Priscila Bomfim na direção musical da Orquestra do Theatro São Pedro e Julianna Santos na direção cênica  

Para ampliar e democratizar o acesso à ópera no interior paulista, o Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, estreia em 2024 uma temporada de espetáculos itinerantes. A programação terá início em abril, com récitas de Cinderela, de Pauline Viardot (1821-1910), nos municípios de Botucatu (12/04), Votorantim (13/04) e Salto (14/04).  

Com uma hora e quinze minutos de duração, a ópera é dividida em três atos e tem libreto da compositora francesa Pauline Viardot, que estreou a obra em Paris em 1904, inspirada no conto de fadas de Charles Perrault. Dedicada ao público infantil, Cinderela é realizada em português, com versão de André Dos Santos, orquestração de Juliana Ripke e um elenco de sete cantores. Priscila Bomfim assina a direção musical e Julianna Santos é responsável pela concepção cênica. 

“O mais interessante é essa mobilidade que os contos de fadas trazem, é um tipo de literatura que pode ser infinitamente atualizado, revisitado. Por isso, eles ainda são tão próximos da gente, tão vivos. A Cinderela tem seus desejos e vontades, e a gente talvez se identifique com os desejos mais íntimos da personagem”, destaca a diretora cênica Julianna Santos.  

Com récitas gratuitas, os palcos das cidades do interior recebem a mesma montagem que estreou no Theatro São Pedro em 2023. Segundo o gestor artístico da Santa Marcelina Cultura, Ricardo Appezzato, as escolhas da temporada de ópera itinerante passaram também por criar conexões entre o Theatro São Pedro, os músicos da Orquestra e cidades com polos do Guri, programa de formação musical para crianças e adolescentes no Estado de São Paulo, também gerido pela Santa Marcelina Cultura. 

“Uma das propostas é ter esse ponto de intercâmbio entre a Orquestra do Theatro São Pedro e os programas de formação. Nesse sentido, vale destacar que alguns músicos da Orquestra foram alunos do Guri, inclusive. Então é importante realizar essa aproximação, promover conversas e atividades que sirvam de estímulo para que as alunas e os alunos do Guri sigam seus caminhos profissionais”, disse.  

SERVIÇO 

TEMPORADA DE ÓPERA ITINERANTE DO THEATRO SÃO PEDRO 

CINDERELA 

PAULINE VIARDOT (1821-1910) 

          [ópera em três atos, com libreto original da compositora, versão brasileira de André Dos Santos e orquestração de Juliana Ripke]  

ORQUESTRA DO THEATRO SÃO PEDRO  

Priscila Bomfim, direção musical 

Julianna Santos, direção cênica 

Giorgia Massetani, cenografia 

Fábio Retti e Kuka Batista, iluminação 

Fábio Namatame, figurino 

Tiça Camargo, visagismo 

ELENCO 

Tati Reis, soprano (Cinderela) 

Mar Oliveira, tenor (O Príncipe) 

Vinícius Cestari, tenor (O Conde) 

Isaque Oliveira, barítono (Barão de Pictordu) 

Fernanda Nagashima, mezzo-soprano (Amelinde) 

Luisa Aguillar, soprano (Maguelone) 

Maria Sole Gallevi, soprano (A Fada) 

Récitas:  

Botucatu (SP) 12 de abril, às 19h, no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci  

Votorantim (SP) – 13 de abril, às 16h, no Auditório Municipal Francisco Beranger  

Salto (SP) 14 de abril, às 16h, no Teatro Giuseppe Verdi 

 
Duração: 1h15min  

Idade: Livre  

Entrada franca 

THEATRO SÃO PEDRO 

Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional.

Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas.

Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp.

Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país. Agora o Theatro São Pedro inicia uma nova fase, respeitando sua própria história e atento aos novos desafios da arte, da cultura e da sociedade.  

SANTA MARCELINA CULTURA 

Eleita a melhor ONG de Cultura de 2019, além de ter entrado na lista das 100 Melhores ONGs em 2019 e 2020, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Indústria e Economia Criativas. Criada em 2008, é responsável pela gestão do GURI e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim).

O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores e instrumentistas para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro.

Para acompanhar a programação artístico-pedagógica do Guri, da EMESP Tom Jobim e do Theatro São Pedro, baixe o aplicativo da Santa Marcelina Cultura. A plataforma está disponível para download gratuito nos sistemas operacionais Android, na Play Store, e iOS, na App Store. Para baixar o app, basta acessar a loja e digitar na busca “Santa Marcelina Cultura”. 

Comunicação | Santa Marcelina Cultura  
Julian Schumacher – julian.schumacher@santamarcelinacultura.org.br   

Tel.: (11) 3585-9897 | (11) 99256-7490      
Renata Franco – renata.franco@santamarcelinacultura.org.br    

Tel.: (11) 3585-9897 | (11) 99659-2523    

  Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo  

Assessoria de Imprensa  
(11) 3339-8062 / (11) 3339-8585  

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Saúde integral e os exercícios aeróbicos

Joelson Mora: ‘Saúde integral e os exercícios aeróbicos’

Joelson Mora
Joelson Mora
Saúde integral e os exercícios aeróbicos
Saúde integral e os exercícios aeróbicos
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O ser humano é um ser aeróbico e os exercícios aeróbicos são atividades físicas que aumentam a sua frequência cardíaca e respiratória ao longo de um período prolongado. Eles são conhecidos por melhorar a saúde do coração, aumentar a resistência e até mesmo ajudar na perda de peso. Vamos explorar o que são esses exercícios, como eles podem ser benéficos para o seu corpo e quais hormônios são estimulados durante a prática.

Envolvem movimentos contínuos e rítmicos que fazem com que você respire mais rápido e seu coração bata mais rápido. Isso inclui atividades como caminhada rápida, corrida, natação, ciclismo e dança aeróbica. 

Eles são chamados de “aeróbicos” porque exigem oxigênio para sustentar a atividade muscular durante um período prolongado.

Os exercícios aeróbicos fortalecem o coração e os pulmões, melhorando a circulação sanguínea e reduzindo o risco de doenças cardíacas.

Fazer exercícios aeróbicos regularmente aumenta sua resistência, permitindo que você se exercite por mais tempo sem se cansar. Esses exercícios ajudam a queimar calorias, o que pode ajudar na perda de peso quando combinados com uma dieta saudável.

A prática regular de exercícios aeróbicos libera endorfinas, neurotransmissores que promovem sentimentos de bem-estar e reduzem o estresse e a ansiedade.

Apesar de parecer paradoxo, exercitar-se regularmente pode aumentar seus níveis de energia ao longo do dia, pois melhora a eficiência do seu sistema cardiovascular e respiratório.

Como mencionado anteriormente, os exercícios aeróbicos liberam endorfinas, hormônios que aliviam a dor e promovem sentimentos de euforia e bem-estar. Durante o exercício, o corpo libera adrenalina, que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, preparando-o para o esforço físico. Embora em excesso seja prejudicial, o cortisol liberado durante os exercícios aeróbicos ajuda a regular o metabolismo, controlar o açúcar no sangue e reduzir a inflamação. Exercícios aeróbicos intensos podem aumentar a produção do hormônio do crescimento, que desempenha um papel na reparação e crescimento muscular, além de auxiliar na queima de gordura.

Se você é novo em exercícios aeróbicos, comece devagar e aumente a intensidade gradualmente. Aqui estão algumas dicas para começar:

Escolha atividades que você goste, Se você se diverte durante o exercício, é mais provável que continue praticando. Experimente diferentes atividades até encontrar uma que você realmente goste.

Comece devagar, Não se pressione muito no início. Comece com sessões curtas de exercícios e aumente a duração e intensidade gradualmente conforme sua resistência melhora. Mantenha-se consistente, Tente se exercitar pelo menos 4-5 vezes por semana para obter os melhores resultados. A consistência é fundamental para ver os benefícios dos exercícios aeróbicos.

Os exercícios aeróbicos são uma parte essencial de um estilo de vida saudável. Está em suas mãos a mudança da sua vida para melhor, inicie agora sua rotina diária de exercícios físicos. Saúde Integral é saúde física e saúde física é saúde vital.

Joelson Mora

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Inspetor Sopa

Inspetor Sopa, um detetive que atravessa os mistérios e encantos da vida urbana no Brasil

Capa do livro 'O Inspetor Sopa' de Andréa Gaspar
Capa do livro ‘Inspetor Sopa e o crime do mosteiro

Inspetor Sopa já investigou o desaparecimento da filha de um bicheiro e a morte de uma portuguesa no interior do Rio de Janeiro, mas agora adentrará o imponente e histórico Mosteiro de São Bento da capital carioca para solucionar o assassinato de um monge

Com ares de Sherlock Holmes e o carisma típico dos brasileiros, o detetive se envolve em um novo caso no livro Inspetor Sopa e o crime do mosteiro, segundo volume da série policial escrita por Andréa Gaspar.

A arma utilizada pelo assassino foi uma adaga, objeto comum na coleção de uma abadia, e a única impressão digital colhida é a do funcionário responsável pelos serviços gerais do local.

Com essas informações e apoiado pelos parceiros Trombeta e Brunão, o protagonista conversa com várias pessoas ligadas ao crime.

Entretanto, a apuração dos fatos vai se revelar mais complexa a cada página, porque, depois da primeira morte, outros mistérios começam a ocorrer em igrejas pela cidade e levantam a hipótese de que exista um serial killer de padres.

Na intenção de construir uma obra repleta de suspense, depoimentos imprecisos de suspeitos e pistas que suscitam curiosidade, a autora fez um curso de detetive particular para inserir os leitores no universo do crime.

Ela também utilizou sua formação acadêmica para elaborar a narrativa de maneira precisa: formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e trabalhou em dois escritórios de advocacia criminal.

Além desses elementos que estreitam os limites entre ficção e realidade, Andrea Gaspar apresenta o personagem principal como um “flâneur”, que vaga sem rumo pelas ruas em busca de lazer.

É a partir das andanças de Sopa que o público atravessa botecos e conhece a cultura, a história e a gastronomia da região.

O Sopa se dirigiu à Leiteria Mineira para tomar o café da manhã.

A Leiteria foi inaugurada na Galeria Cruzeiro, que fazia parte do Hotel Avenida, na Rio Branco, Centro do Rio.

Em 1950 demoliram o Hotel, e a loja se mudou para a rua São José.

Depois, já na década de 1970, mudou-se para a rua da Ajuda, onde está até hoje.

O Sopa gostava de ficar ali, onde ninguém o perturbava, refletindo sobre o andamento dos casos, especialmente no inverno. (Inspetor Sopa e o crime do mosteiro, p. 86).

A obra não traz apenas um enredo investigativo, mas também curiosidades que demonstram as complexidades e as belezas do Brasil.

Aborda a relação entre o angu, Tom Jobim e o surgimento do samba-jazz; a formação da primeira favela do país povoada pelos soldados que participaram da Guerra de Canudos e retornaram ao lar com a promessa de uma casa, mas nada receberam; o simbolismo da Pedra de Sal para o samba e a população negra; entre outros temas.

A saga policial Inspetor Sopa terá continuidade com o lançamento de Inspetor Sopa e o caso do desaparecimento.

Neste terceiro volume da série policial, o famoso detetive viaja até São Paulo para o casamento da irmã e se envolve em uma situação inusitada.

O acontecimento misterioso fará o colega Trombeta sair do Rio de Janeiro para ajudar a Polícia Militar na capital paulistana, ao passo que explora o Brás e o centro paulistano.

FICHA TÉCNICA

Título: O inspetor sopa e o crime do mosteiro
Autora: Andréa Gaspar
Editora: Cambucá
ISBN: 978-65-88360-65-1
Páginas: 216
Preço: R$ 50 (físico)
Onde encontrar: Editora Cambucá

Sobre a autora

Andréa Gaspar é escritora, roteirista, dramaturga, produtora, diretora, atriz e professora de português para estrangeiros.

Imagem da Autora Andréa Gaspar.

Bacharel em Letras e em Direito, com especialização na Formação de Escritores, publicou seis livros, entre eles “Passante poeta” (2018), “Despedaços” (2015) e “Licor de Pequi” (2014).

Em 2019, lançou o primeiro romance policial “Inspetor Sopa e o último copo”, que se tornou uma saga com os livros “Inspetor Sopa e o crime do mosteiro” e “Inspetor Sopa e o caso do desaparecimento”, com publicação prevista para 2024.

Com a série literária, recebeu o prêmio durante o VIII Talentos Helvéticos-Brasileiros, promovido pela editora suíça-brasileira Helvetia.

Redes sociais da autora:
Instagram: @andreagasparescritora


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Olhar

Irene da Rocha: Poema ‘Olhar’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
"Meu olhar revela o que a boca não diz, Segredos profundos, sentimentos raízes."
Meu olhar revela o que a boca não diz, Segredos profundos, sentimentos raízes.”

Nos olhos, mora a verdade transparente,
Expressão do que cala, mas se sente.
Palavras são desnecessárias na comunicação,
Pois nossos olhos traduzem a emoção.

Através do olhar, desvenda-se a alma,
Sem necessidade de qualquer palavra em calma.
Lentes dos óculos apenas disfarçam a visão,
Mas quem olha além, enxerga a paixão.

Meu olhar revela o que a boca não diz,
Segredos profundos, sentimentos raízes.
É nele que reside toda a sinceridade,
Em um mundo de pura transparência e verdade.

Irene da Rocha

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O coma

Evani Rocha: ‘O coma’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pela IA do Canva
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Aqui um trecho da história contada por Dolíria, após um longo período em coma:

“Por frações de segundos, de repente, não era dia nem noite, não havia tempo e nem lugar. Nem Sol, nem luz, nem escuro, nem chuva…

Tudo era um azul infinito sem começo ou fim. Outrossim, haviam rostos, pés e mãos desconexos, palavras soltas como lamento. Rostos sem nome, não reconhecíveis, dedos procurando amparo. Haviam névoas negras que por vezes tomavam o azul profundo e nada mais era visto. Não tinha teto nem chão. Era devoluto, vazio e solidão. Não havia ar que se respirasse, nem flores murchas, afinal, não havia jardim.

Das bocas pálidas a dor saia contorcendo-se, formando figuras tristes e desfocadas. Não se sabe exatamente o que era: se coisas, objetos, seres vivos ou sentimentos. Tudo era abstrato. Dos narizes compridos os odores fétidos impregnavam as névoas…e as palavras se enfileiravam, dançavam, pululavam e mudavam de forma.

Ao mesmo tempo eram fileiras, tranças, pirâmides, retângulo ou quadrado de palavras. Figuras geométricas das mais diferentes possíveis. Mas não havia nada que se pudesse ler ou entender. Era um discurso frívolo e sem sentido. Nenhum texto poderia expressar os sentimentos e emoções. Não havia enredo, atores ou palco.

Mas dos olhos esbugalhados minavam gotas viscosas e escarlates. Não caiam, pois ali não havia gravidade. Os olhos pareciam subir e descer arrastando esses filetes sanguíneos. Não, eles não saiam do exato lugar. Assim como os dedos longos, ocres, e unhas pontiagudas, arranhando o nada e as mãos descascadas acompanhavam letárgicas os movimentos dos dedos.

Era realmente ermo: nem campo nem cidade, nem gente e nem bicho. Apenas fragmentos, como descrito. Ouvia-se um eco que ressoava no vácuo imperfeito, mas era através apenas de ondas eletromagnéticas. Não era simplesmente um eco, era um grito ou um grunhido de dor. Era amedrontador. Mas isso só ocorria dentro daquelas cabeças boiantes. O medo pairava em meio ao azul cobalto, ou por vezes se escondia em meio ao nevoeiro. Se apresentava como uma massa negra, opaca e disforme. Não viam-se portas: nem entrada ou saída. Não viam-se túneis, nem vias, nem corredores. Tudo era nada. O nada apresentava-se como se algo fosse. Mas inexequível, não palpável.

Em meio a esse milésimo caótico, eis que surge uma luz muito brilhante. Tinha um tom azulado, emitia uma suavidade, uma brandura e encanto inexplicáveis. Seus raios eram como longos filamentos que transpassaram o vazio. Foi entremeando aos fragmentos de coisas, entrelaçando entre a névoa e o infinito. Era como um acalanto. Era um bálsamo. Esses filamentos foram engolindo a negra névoa, agregando os pedaços do nada: surgiam, portas, corredores e jardins. Flores vivas dançavam ao vento. Uma brisa suave tomou conta da verde relva que cobriu os montes e vales. Então, algo surgiu no horizonte: Uma gigante estrela avermelhada derramava sua energia sobre a base terra. E a transformação continuou por longos segundos. Agora havia tempo.

No lugar do infinito apareceu o firmamento, cheio de nuvens carregadas que desaguou por horas sobre a terra. Agora havia um lugar concreto. Aqueles rostos, mãos e pés desconectados, eram então, imagens perfeitas de gente: alguns sorridentes outros nem tanto. Suas mãos estavam ocupadas em seus afazeres rotineiros. De seus olhos podiam cair gotas transparentes como vidro.

E a água límpida e translúcida espalhou-se e fez-se mares e oceanos. Nascentes brotavam no topo das serras e escorriam serpenteando entre as veredas. Via-se o eco e o medo, sumindo num buraco negro em forma de um grande espiral. E os longos filamentos brilhosos terminaram seu trabalho, organizando palavra por palavra em folhas brancas. Colava folha após folha. Podia se ler textos inteiros, onde constavam histórias tristes, felizes, dramáticas e até cômicas. Agora, o nada era tudo concreto e palpável, exceto a dor que permaneceu escondida entre o céu e a terra. Essa, os filamentos não conseguiram atingir. Por certo camuflou-se no âmago dos corações humanos.

No entanto, terminou-se a metamorfose no vácuo. Os filamentos suavemente fecharam a capa do livro.

Sentei-me rapidamente na cama. Tudo em volta era branquíssimo: O leito, as minhas roupas, das pessoas à minha volta…Eu tinha um milhão de perguntas, mas antes que abrisse a boca, vi os últimos filetes brilhosos escorreram pela janela do quarto. Restou-me apenas um livro fechado sobre as mãos.”

Evani Rocha

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Quintanessência

Pietro Costa: Poema ‘Quintanessência’

Pietro Costa
Pietro Costa
“Na rua dos cataventos, brincou de ser pipa”

Para não atravancar as linhas dos sorrisos
Nos desvãos do caminho, semeando rima
Na rua dos cataventos, brincou de ser pipa
Andanças distraídas, de sapatos floridos

As torres de babel não alcançam o paraíso
Monstros de marfim paralisando as retinas
Os céus se reabrindo na poesia desmedida
Poemas abrem janelas para pulmões aflitos

O tic-tac que domestica os nossos esforços
Costura mortalhas fantasiadas de deidades
E na montanha de Sísifo rolamos os corpos

Quintanessência de uma vivaz simplicidade
Matinal luz de esperança descerrando olhos
No espanto do saber, nossa genuína liberdade

Pietro Costa

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