Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Correios - Imagem criada por Dom alexandre Rurikovich Carvalho
Correios – Imagem criada por Dom alexandre Rurikovich Carvalho

Durante décadas, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos foi motivo de orgulho para todos os brasileiros. Símbolo de integração nacional, os Correios estiveram presentes nos lugares mais distantes do país, conectando pessoas, histórias e afetos.

Recordo-me com carinho do tempo em que escrevia cartas para minha avó e para meus primos. A expectativa era sempre grande. Havia algo quase mágico em receber aquelas correspondências envoltas no tradicional envelope de bordas verdes e amarelas. O simples som do portão anunciava alegria: o carteiro chegava trazendo notícias, saudades e emoção. Ele não entregava apenas cartas – entregava vínculos humanos.

Naquele período, os Correios representavam eficiência, confiança e presença do Estado a serviço da população. A instituição cumpria sua missão social com dignidade e respeito, sendo reconhecida como uma das mais importantes empresas públicas do país.

Hoje, infelizmente, a realidade é outra. A empresa encontra-se mergulhada em dívidas, enfrentando sucessivas crises administrativas e operacionais. O que antes era sinônimo de credibilidade tornou-se motivo de frustração. Os atrasos são constantes, as encomendas não chegam dentro dos prazos e milhares de brasileiros convivem diariamente com a insegurança e a decepção.

Essa situação é profundamente lamentável. Não apenas pelos prejuízos econômicos, mas sobretudo pela perda simbólica de uma instituição que fez parte da memória afetiva de gerações. Quando os Correios falham, não se trata apenas de logística – trata-se da quebra de confiança entre o cidadão e um serviço que deveria ser essencial.

Ainda assim, resta-nos a esperança. Torcemos para que soluções responsáveis e eficazes sejam adotadas, que a empresa seja reestruturada com seriedade e que volte a cumprir o papel histórico que sempre desempenhou: o de unir o Brasil por meio da comunicação, do respeito e da eficiência.

Que os Correios possam, um dia, voltar a ser motivo de orgulho – não apenas nas lembranças do passado, mas também na realidade do presente e nas promessas do futuro.

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho

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O cálice da prostituta

Ramos António Amine: Conto ‘O cálice da prostituta’

Ramos António Amine
Ramos António Amine
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Imagem criada por IA da Meta – 27 de janeiro de 2026, às 20h04

A sociedade oferece à prostituta um cálice amargo e exige que ela o beba em surdina. Não se interessa em saber se ela tem sede, nem se é o vinho que ela prefere. Apenas a observa, de longe, e moraliza o acto. O cálice é pesado, mas a sentença é suave demais para quem nunca escolheu tocá-lo.

Esse cálice não ostenta prazer, como gostam de insinuar os hipócritas que a condenam. Contém medo, fome, dívidas, violência, abandono e um futuro hipotecado antes mesmo de ser sonhado. É o cálice da sobrevivência num mundo que transforma aflições em crimes e vítimas em estúpidas.

Quando a prostituta bebe o cálice, a sociedade lava as mãos. Afirma-se pura, intacta, moralmente superior. Mas esquece que foi ela quem preparou o vinho, quem forjou o copo, quem empurrou a mão trêmula que o ergueu. O cálice nunca foi escolha individual; foi imposição histórica.

Há uma feia liturgia nesse ritual. A prostituta é sacrificada diariamente para que a ordem social continue ostentando pureza. O cliente chupa das tetas de quem a sociedade finge desprezar; a autoridade sobrevive de impostos, fecha os olhos e prega bons costumes; a retórica pública condena aquilo que o desejo privado sustenta.

O cálice da prostituta denuncia, assim, uma verdade incômoda: a moral dominante não é ética, é opulência. Julga o corpo exposto, mas protege as estruturas que o expõem. Escandaliza-se com a carne da prostituta estendida no altar da hipocrisia, mas normaliza a dignidade roubada.

Beber esse cálice não inocenta ninguém. Apenas evidencia a brutalidade de um sistema que exige sacrifícios humanos para manter intacta a sua opulenta civilizada. A prostituta não é vítima por vocação divina, mas por abandono social. Não é pecadora por escolha, mas por coerção social.

E, ainda assim, ela resiste. Cada vez que a prostituta recusa a culpa que lhe foi imposta, o cálice treme. Cada vez que transforma dor em voz, sobrevivência em denúncia, o vinho derrama-se. O ritual falha. A hipocrisia expõe-se.

O cálice da prostituta não precisa ser bebido para sempre. Ele pode ser quebrado. Mas isso exigiria que a sociedade olhasse para si mesma sem perucas, admitisse a própria participação no sacrifício e aceitasse que a salvação, caso exista, não virá da condenação dos corpos vulneráveis, mas da transformação das estruturas que os tornam repulsivas.

No fim, o cálice permanece sobre o altar da hipocrisia, não como símbolo de culpa da prostituta, mas como prova da decadência moral de quem o colocou ali.

Ramos António Amine

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Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Renata Barcellos: ‘Instituto Histórico e Geográfico brasileiro’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil
Foto por Renata Barcellos

No Brasil, a história dos Institutos Históricos e Geográficos (IHGs) começa com a criação desta instituição em 1838. Esta ocorre por iniciativa de membros da elite intelectual e política, incluindo figuras imperiais, a fim de construir uma identidade nacional, preservar a memória e consolidar a identidade brasileira pós-independência. Teve como modelo uma instituição francesa muito semelhante, criada em 1834. D. Pedro II foi um grande incentivador, cujo resultado foi a formação de uma rede de institutos estaduais e municipais. Hoje, estes atuam na preservação da cultura e história locais. O mais antigo é o fundado no Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1838, por iniciativa dos maçons: marechal Raimundo José da Cunha Matos e cônego Januário da Cunha Barbosa. Estes redigiram a proposta de criação desta instituição. A justificativa da criação foi seu caráter pedagógico que beneficiaria a administração pública e traria “esclarecimento” a todos os brasileiros. Destacaram ainda as dificuldades as quais estavam sujeitas as investigações acerca da história da pátria devido à carência desta instituição, a fim de centralizar os documentos que se encontravam espalhados pelas províncias do Império.

  • Objetivo Principal: reunir, organizar e preservar documentos para escrever uma “história nacional”, a fim de pensar o Brasil como nação, consolidar a identidade nacional e fomentar pesquisas históricas e geográficas.

2. O IHGB e a Construção da Nação:

  • Atividades Iniciais: criação de Arquivo, Biblioteca e Museu; financiamento de pesquisas; publicação da Revista do IHGB; correspondência com instituições estrangeiras.
  • Monopólio Histórico: por décadas, o IHGB deteve o monopólio da produção de conhecimento histórico no país. 

3. A Rede de Institutos:

  • Expansão: o IHGB estimulou a criação de entidades congêneres nas províncias (hoje estados), como o Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano (1862) e o de Minas Gerais (1907). 
  • Descentralização: no século XX, universidades e outros centros surgiram, mas os IHGs mantiveram sua importância, focando na memória local e regional. 

4. Legado e Função Atual:

  • São pilares na preservação de bibliotecas, arquivos e museus.
  • Coordenam uma rede nacional (Sistema Nacional de Institutos Históricos) e mantêm intercâmbio com instituições globais.
  • Continuam sendo referências na pesquisa e valorização do patrimônio cultural brasileiro, atualizando sua missão de pensar o Brasil. 

Curiosidades 

  • Instalações do primeiro IHGB: Em 1839, aos cuidados de D. Pedro II, o Convento do Carmo abrigou o IHGB. E a inauguração das novas instalações ocorreu em 15 de dezembro de1849, na rua Teixeira de Freitas, região da Glória, Rio de Janeiro.
  • Influência de Von Martius: o concurso de 1846 para escrever a história do Brasil foi vencido pelo alemão Karl Friedrich Von Martius com a proposta intitulada Como se deve escrever a história do Brasil. Nesta, propôs um modelo focado na harmonia entre as três raças (indígenas, brancos, negros) e o território, influenciando gerações. Escrito em 1843, ele propõe que a história indígena merece atenção, pois integra a história do Brasil. De acordo com ele, uma sugestão seria a elaboração de um dicionário da língua indígena principalmente o Tupi, por parte de linguistas integrantes do Instituto, tratando o idioma enquanto documento a ser conhecido e pesquisado.
  • Conexões Internacionais: mantêm intercâmbio com instituições estrangeiras, como a Academia Portuguesa de História e a Real Academia de la Historia da Espanha.
  • Alguns dos atuais gestores:

Artur Cláudio da Costa Moreira (educação: Artes Cênicas, Expressão Corporal, Técnicas Comerciais, Administração, Economia e Matemática. Formação: Ciências Econômicas, especialização em Recursos Humanos e Matemática. Liderança e Gestão: Direção de entidades culturais e atuação estratégica no IHG São João del-Rei, coordenando projetos editoriais, documentais e de preservação histórica. Artes e Comunicação: Experiência em direção teatral e locução radiofônica, unindo técnica cênica à divulgação doutrinária espírita com foco em impacto social e cultural. Pesquisa e Formação: Especialista dedicado ao resgate histórico e acadêmico, com sólida competência em redação oficial, administrativa e análise crítica de acervos): “O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) consolida-se como uma das mais prestigiadas instituições culturais de Minas Gerais. Atuando como o legítimo “guardião da memória” de uma cidade central para o ciclo do ouro e para a identidade mineira, o Instituto é o elo entre o passado colonial e o compromisso com as futuras gerações.

Fundação e Contexto Histórico

Fundado em 1º de março de 1970, o IHG-SJDR nasceu da mobilização de intelectuais, historiadores e cidadãos são-joanenses. Um dos catalisadores de sua criação foi a tentativa desesperada (embora sem sucesso) de impedir a demolição da Secular Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, à época pretendida pelo Padre Jacinto Lovatto. Apesar da perda do templo, o episódio reforçou a necessidade urgente de um órgão dedicado ao estudo e à salvaguarda sistemática do patrimônio barroco e das tradições centenárias da região.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários”.

Dilercy Aragão Adler (psicóloga, doutora em Ciências Pedagógicas, mestre em Educação e Associada Efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), tendo exercido a Presidência da instituição no quadriênio 2021–2025): “O IHGM, Casa de Antônio Lopes, foi fundado em 20 de novembro de 1925, nos moldes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Seu diferencial reside no fato de ter sido criado intencionalmente por iniciativa de Antônio Lopes, no ano do centenário de nascimento de Dom Pedro II, grande mecenas da cultura, da ciência e das artes no Brasil.

Treze anos e cinco meses após a fundação do IHGB, Dom Pedro II recebeu oficialmente o patronato da instituição, sendo reconhecido como seu Patrono e Protetor. Em 2025, iniciaram-se as comemorações do Centenário do IHGM e do Bicentenário de nascimento de Dom Pedro II.Em 2007, Dilercy Aragão Adler recebeu o honroso convite da então presidente, Profa. Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, para ingressar no IHGM, ocupando a Cadeira nº 1, patronada por Claude d’Abbeville. Trata-se de um frade capuchinho autor da obra Histoire de la mission des Pères Capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614), reconhecida como o primeiro livro a descrever detalhadamente a região do Maranhão.

Em 2012, apresentou o projeto “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, desenvolvido em São Luís, Caxias e Guimarães, com ampla participação de escritores do Brasil e do exterior. O projeto compreendeu duas antologias, uma de poemas e outra de estudos e pesquisas sobre Gonçalves Dias, além de extensa programação nas três cidades. Na programação de São Luís, teve como marco a fundação da Academia Ludovicense de Letras, a Academia da cidade de São Luís, fato considerado histórico diante do intervalo de 401 anos entre a fundação da cidade e a criação de sua Academia de Letras”.

Paulo Roberto de Sousa Lima (sociólogo, pela FAFICH/UFMG (1968); Professor universitário (Faculdade de Educação – UFMG: 1969 a 1988); Professor/Pesquisador e Consultor em Gestão Pública (FJP – 1981-1985); Professor em Gestão em Saúde Pública (ESMIG/FUNED: 1986/2004); Militante social em gestão comunitária (Instituto Macunaíma – Casa de Cultura/Escola de Cidadania – Belo Horizonte e Biblioteca da Comunidade – Tiradentes-MG: 2004-2015); Historiador, membro do IHG-SJDR (desde 2015, titular da Cadeira Perpétua nº 02, cujo patrono é o emboaba José Mattol); Presidente do IHG-SJDR (2018-2023); Membro da Academia de Ciências e Letras da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira e da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PM-MG): “Um olhar sobre o estado da arte dos atuais Institutos Históricos e Geográficos brasileiros, com os quais tenho interagido, nos permite reconhecê-los como legítimos herdeiros, desde o século XIX, da tradição europeia de estudos, via pesquisa em campos específicos de conhecimentos, já que antecederam a criação, no início do século XX, de Universidades no Brasil. Isto os torna credores do reconhecimento como entidades cuidadoras e geradoras de conhecimentos históricos, socioeconômicos e ambientais que foram significativos para a cultura nacional”. 

Tereza Cristina Cerqueira da Graça (doutora em educação, vice-presidente do Instituto e editora-gerente da sua revista): “O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, é a instituição de guarda da memória mais antiga do Estado. Desde então, tem reunido os mais expressivos intelectuais de Sergipe e estimulado a produção de estudos sobre nossa terra. Inclusive publicando trabalhos de pesquisa sobre a história, a geografia e a cultura sergipana na sua revista também centenária, uma vez que teve sua 1a edição em 1913 e até hoje está ainda em circulação. Publicou a última edição agora em dezembro de 2025 e, recentemente,  recebeu a classificação A na avaliação da Capes/Qualis. Também abrigamos um dos maiores acervos de documentos, jornais e livros antigos do Estado, servindo aos pesquisadores e á comunidade em geral”.

Renata Barcellos

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Tonneves

Nas Entrevistas ROLianas, José Antonio Neves da Silva, ou, simplesmente, Tom Neves, ou, ainda, apenas Tonneves, o Mestre da Cultura de Imperatriz

Logo da seção Entrevistas ROLianas
Logo da seção Entrevistas ROLianas

Oleo sobre Tela - A Caçada Indígena - Tonneves
Oleo sobre Tela – Caçada Indígena – Tonneves

Gabriela Lopes: Tom, você nasceu em Pedreiras, no interior do Maranhão, e construiu uma trajetória artística que ultrapassou fronteiras. Como foi o início desse caminho nas artes plásticas e o que mais marcou sua formação como artista?

Tonneves: Minha jornada nas artes plásticas começou em Imperatriz, no Maranhão, onde cresci cercado pela rica cultura popular e pela exuberante natureza da região. Desde cedo, eu me fascinava com as cores, formas e texturas que me rodeavam, o que despertou meu interesse pelas artes visuais.

A arte popular maranhense, com suas cores vibrantes e padrões únicos, foi uma grande influência para mim, assim como a natureza exuberante do Maranhão, com suas paisagens diversas, que também desempenhou um papel fundamental na minha formação artística.

O início da minha trajetória foi marcado por uma exploração intensa das possibilidades das artes plásticas. Experimentei diferentes técnicas e materiais, sempre buscando encontrar minha própria linguagem artística. Minha formação foi, em grande parte, autodidata, embora eu tenha contado com alguns professores e mentores que me guiaram ao longo do caminho.

A fusão entre a arte popular e a arte contemporânea foi um dos aspectos mais marcantes da minha formação. Além disso, minha conexão com a cultura e a natureza do Maranhão foi essencial para o desenvolvimento da minha identidade artística.

Minha trajetória nas artes plásticas tem sido um processo contínuo de descoberta, profundamente influenciado pela minha origem e pelas minhas experiências. Acredito que a arte deve ser uma expressão autêntica do artista e de sua relação com o mundo ao seu redor.


Óleo sobre tela –

Gabriela Lopes: Seu trabalho é fortemente marcado pelas cores, pelos frutos do Cerrado e pela identidade do povo maranhense. De que forma sua vivência no Maranhão influencia diretamente sua criação artística?

Tonneves: Minha vivência no Maranhão tem um impacto profundo na minha criação artística. Crescer em um estado com uma rica diversidade cultural e natural proporciona uma fonte inesgotável de inspiração. As cores vibrantes do Cerrado, os sabores e as texturas dos frutos locais, assim como a expressividade do povo maranhense, são elementos que se entrelaçam na minha arte.

A identidade cultural do Maranhão, com suas tradições e histórias, é uma presença constante nas minhas obras, influenciando não apenas as cores e as formas, mas também a essência e a narrativa por trás de cada peça. A conexão com a terra e com as pessoas me permite criar trabalhos autênticos e cheios de significado, refletindo a beleza e a complexidade da minha terra natal.


Gabriela Lopes: Ao longo da sua carreira, você atuou como artista, gestor cultural, conselheiro e educador. Como essas diferentes experiências dialogam entre si e fortalecem o seu fazer artístico?

Tonneves: Minhas diferentes experiências ao longo da carreira têm sido fundamentais para o meu crescimento como artista. Ao atuar como gestor cultural, pude compreender melhor a dinâmica do setor cultural e a forma como as diversas expressões artísticas podem ser apoiadas e promovidas.

Como conselheiro, desenvolvi habilidades para analisar e avaliar projetos e iniciativas, o que contribuiu para refinar meu próprio trabalho artístico. Além disso, minha experiência como educador me permitiu compartilhar meu conhecimento e minha paixão pela arte com outras pessoas, o que, por sua vez, enriqueceu minha prática artística.

Essas diferentes experiências dialogam entre si e se fortalecem mutuamente, permitindo que eu aborde meu fazer artístico de maneira mais informada, consciente e criativa.


Óleo sobre tela – Cajus amarelos – Tonneves

Gabriela Lopes: Suas obras já circularam por países como Japão, Itália, Vaticano e Estados Unidos. O que muda — ou o que permanece — quando a arte maranhense encontra o olhar internacional?

Tonneves: Quando minhas obras são vistas internacionalmente, acredito que o que permanece é a essência da cultura maranhense, que é rica e única. No entanto, o olhar internacional traz novas interpretações e perspectivas, o que enriquece ainda mais a arte.

A arte maranhense possui uma identidade forte, reconhecida e valorizada em outros países. Ao mesmo tempo, sua internacionalização permite que ela seja observada sob diferentes ângulos, o que pode gerar novas descobertas, leituras e formas de apreciação.


Gabriela Lopes: Recentemente, você recebeu o Prêmio de Mestre da Cultura Maranhense, um reconhecimento de enorme relevância. O que esse título representa para você, pessoal e simbolicamente?

Tonneves: Receber o Prêmio de Mestre da Cultura Maranhense é uma grande honraria e um reconhecimento significativo do meu trabalho e da minha dedicação à cultura do Maranhão. Esse título representa um marco importante na minha carreira, simbolizando o apreço e a valorização da minha contribuição para a preservação e a promoção da rica herança cultural do estado.

Pessoalmente, esse reconhecimento me enche de orgulho e me motiva a continuar trabalhando para manter vivas as tradições e expressões culturais maranhenses. Simbolicamente, ele reforça a importância da cultura como elemento unificador e de identidade para a comunidade, inspirando-me a seguir contribuindo para o enriquecimento cultural do Maranhão.

Sou profundamente grato por essa distinção e sigo comprometido em continuar trabalhando em prol da cultura do Maranhão.


Óleo sobre tela – Currim – Tonneves

Gabriela Lopes: Na sua visão, qual é o papel do Mestre da Cultura na preservação, transmissão e renovação dos saberes culturais do Maranhão?

Tonneves: O Mestre da Cultura desempenha um papel fundamental na preservação, transmissão e renovação dos saberes culturais do Maranhão. Eles são guardiões das tradições e dos conhecimentos ancestrais, atuando como pontes entre o passado e o presente.

Ao transmitir esses saberes às novas gerações, os Mestres da Cultura garantem a continuidade das práticas culturais que definem a identidade maranhense. Além disso, promovem a renovação desses conhecimentos, adaptando-os às novas realidades e contextos, o que é essencial para manter a cultura viva, dinâmica e relevante.

Dessa forma, os Mestres da Cultura são fundamentais para o fortalecimento da diversidade cultural do Maranhão e para a valorização de sua identidade.


Gabriela Lopes: Você também atua como professor, compartilhando seu conhecimento com novas gerações. O que mais te emociona nesse processo de ensinar arte?

Tonneves: Ensinar arte vai muito além de transmitir técnicas ou teorias. Trata-se de inspirar os alunos a enxergarem o mundo de maneira diferente, a encontrarem sua própria voz e forma de expressão.

O que mais me emociona é acompanhar o desenvolvimento deles, não apenas como artistas, mas como indivíduos que passam a observar e interagir com o mundo de forma mais crítica, sensível e criativa. Cada descoberta, cada nova perspectiva que surge, é um lembrete do impacto que podemos ter nas próximas gerações. É um privilégio fazer parte desse processo e contribuir para que deixem sua marca no mundo.


Gabriela Lopes: Para finalizar, que mensagem você deixaria para jovens artistas maranhenses que sonham em viver da arte e manter viva a cultura do nosso estado?

Tonneves: Aos jovens artistas maranhenses, eu diria que a arte é uma jornada incrível e desafiadora, mas profundamente gratificante. Nunca deixem de sonhar e de acreditar no poder da criatividade para transformar a realidade ao seu redor.

A cultura do Maranhão é rica e diversa, e vocês têm o privilégio de serem herdeiros dessa herança. Busquem inspiração nas raízes do nosso estado, mas não tenham medo de inovar e de levar nossa arte por novos caminhos. Perseverança, dedicação e paixão serão seus maiores aliados.

Mantenham viva a cultura do Maranhão, não apenas preservando suas tradições, mas também contribuindo para sua evolução. Acreditem em si mesmos e no impacto que podem gerar por meio da arte.

Gabriela Lopes

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Encontrando um ex-aluno bagunceiro

Clayton Alexandre Zocarato

‘Encontrando um ex-aluno bagunceiro, que foi criando responsabilidade’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagemcriada  por IA do Grok - 27 de janeiro de 2026, às 09h27 
https://grok.com/imagine/post/8f4a140e-ec02-4993-96c9-a42c098fb31b
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O tempo é um professor silencioso. Não grita, não aplica advertências, não escreve bilhetes na agenda.

Ele apenas passa — e, ao passar, ensina. Eu aprendi isso numa manhã comum, dessas que não prometem revelações, mas acabam entregando epifanias embrulhadas em simplicidade.

Estava na fila de uma padaria, observando o vapor do café subir como pensamentos indecisos, quando ouvi meu nome ser chamado com uma familiaridade quase insolente:

— Professor?

Virei-me devagar, como quem abre um livro antigo esperando encontrar rabiscos conhecidos. E encontrei. Ali estava ele: Lucas.

Ou melhor, o que restava do menino que um dia ocupou as últimas carteiras da sala, como se aquele espaço fosse um território sem lei.

Lucas, o bagunceiro.

O mesmo que transformava lápis em projéteis, risadas em epidemias e silêncio em desafio. O menino que parecia travar uma guerra pessoal contra regras, horários e qualquer tentativa de ordem. 

Naquela época, ele era como um vento inquieto: impossível de conter, difícil de compreender.

Mas o homem à minha frente não carregava mais o vendaval nos olhos.

— Sou eu, professor… o Lucas.

O nome caiu no chão entre nós como uma chave antiga, abrindo portas enferrujadas da memória. Vi, por um instante, a sala de aula reaparecer: o quadro manchado de giz, o relógio lento na parede, os colegas rindo enquanto eu tentava ensinar que palavras também tinham peso e direção.

— Eu reconheci o senhor na hora — ele continuou. — O jeito de observar as coisas… o senhor sempre olhava como se estivesse escutando o mundo.

Sorri. Nunca pensei que alguém notasse isso.

Lucas agora vestia uma camisa simples, mas bem passada. Havia algo novo em sua postura: os ombros firmes, o olhar atento, o corpo presente no próprio lugar.

A bagunça havia saído dele — ou talvez tivesse aprendido a se organizar por dentro.

Sentamo-nos. O café chegou. O silêncio entre nós não era constrangido; era reflexivo, como um intervalo entre dois parágrafos importantes.

— Eu era difícil, né? — ele disse, mexendo o açúcar com cuidado excessivo, como quem não quer derramar nada.

Difícil não. Inacabado, pensei. Mas respondi apenas:

— Você estava em construção.

Lucas riu. Um riso mais curto, mais contido. Um riso adulto.

— Eu não entendia isso naquela época. Achava que responsabilidade era uma prisão. Hoje vejo que era uma estrada.

Aquela frase ficou suspensa no ar, como poeira iluminada pelo sol.

Estrada. Sim. Alguns aprendem cedo que viver é escolher caminhos; outros precisam tropeçar bastante até entender que não escolher também é uma escolha.

Ele contou que trabalha agora como encarregado em uma pequena empresa. Tem horários, pessoas que dependem dele, decisões que não podem ser adiadas. Disse isso sem orgulho exagerado, mas com um respeito silencioso pelo próprio esforço.

— Teve um dia — continuou — que percebi que ninguém viria me salvar do caos que eu mesmo criava. A bagunça cansa. A desordem cobra juros altos.

Enquanto ele falava, lembrei-me de quantas vezes tentei corrigi-lo com palavras que agora soavam pequenas diante da grande professora que é a experiência. Talvez o erro dos educadores seja achar que ensinam tudo, quando, na verdade, apenas plantam dúvidas.

Lucas não virou responsável de um dia para o outro. Ele foi se tornando. Como quem aprende a carregar água sem derramar, como quem descobre que liberdade não é ausência de limites, mas consciência deles.

— O senhor sabe — disse ele, olhando-me nos olhos —, eu só entendi o valor da responsabilidade quando percebi que ela era uma forma de cuidado. Com os outros… e comigo.

Ali, naquele instante, senti algo raro: a sensação de missão cumprida sem ter percebido o trabalho sendo feito. Talvez eu nunca tenha conseguido domar o vento que ele era. Mas, de algum modo, ajudei a ensiná-lo a navegar.

Pagamos a conta. Levantamo-nos. Antes de ir, Lucas apertou minha mão com firmeza.

— Obrigado por não desistir de mim — disse.

Observei-o sair, misturando-se à cidade como alguém que finalmente encontrou seu ritmo. Fiquei ali mais um pouco, pensando que a educação é isso: um encontro que só faz sentido anos depois.

O tempo, afinal, não reprova ninguém. Ele apenas dá novas provas.

E algumas pessoas, como Lucas, finalmente aprendem a respondê-las.

Clayton Alexandre Zocarato

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O discurso da incompetência

José Ngola Carlos: ‘O discurso da incompetência!’

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do Bing – 26 de janeiro de 2025,
às 19:30 PM

O que é que os incompetentes já fizeram para a humanidade?!

À primeira vista, a resposta é: NADA! Mas, com um pouco de ponderação, percebe-se que esta pode não ser a resposta mais correta. Os incompetentes sempre desencorajaram os empreendimentos revolucionários, criativos e inovadores sob a alegação de que, já tendo se inventado tudo, nada mais é possível de se inventar.

Sim, este discurso é um discurso da incompetência!

O que é incompetência?

Com a vossa licença, vamos defini-lo a partir da noção de competência. Competência é um termo que compreende o conjunto de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade, visando dar uma resposta satisfatória a uma situação-problema. Deste ponto de vista, a incompetência, que morfologicamente resulta da combinação do prefixo IN e a palavra COMPETÊNCIA, pode ser entendida como a falta de saberes, fazeres e valores pertinentes ao exercício de uma atividade que impede os homens e as mulheres de dar uma resposta satisfatória aos problemas.

Pensar que já não existe nada que se possa criar ou inventar porque tudo já foi inventado, é um discurso que só os incompetentes fazem porque, à luz da MATESE (Ciência Filosófico-Educativa do Aprender Humano) e da ESCOPESE (Ciência Filosófico-Educativa da Avaliação), OS SERES HUMANOS SÃO ONTOLOGICAMENTE SERES QUE SE FAZEM SENDO dentro de um determinado curso histórico e geográfico. FAZER-SE SENDO remete-nos a clara noção de que os homens e as mulheres são seres incompletos. Sua incompletude é uma caraterística ontogenética que lhes é indissociável e lhes abre uma infinidade de possibilidades de criação e inovação, pelo que, não existe nenhum fundamento válido para o discurso de que já não há nada que se possa criar ou inventar.

Vê-se que, se este discurso fosse verdadeiro, haveria toda uma necessidade de se mudar a concepção, cientificamente comprovada, da natureza inacabada do ser humana, o que, de resto, tem fortes implicações nas suas capacidades e habilidades, assim como amplia seu leque de infinitas possiblidades de reflexão, saber e atuação.

Este discurso impeditivo e irresponsável, é um que não é peculiar à nossa época, porque desde sempre houveram incompetentes no mundo. Enquanto o ser humano for este ser inacabado, aberto a infinidades de ser, saber e fazer, nunca se dará por completo e acabado.

Que, os que se prezam e prezam o desenvolvimento social, continuem a desafiar e a se desafiar na invenção de coisas, pensamentos e novos valores!

OBS.: Tanto a MATESE quanto a ESCOPE são pensamentos filosófico-educativos inéditos do professor e pesquisador angolano José Ngola Carlos, que os entende como complementos necessários da DIDÁTICA (Ciência que se ocupa com o estudo dos saberes, fazeres e valores pertinentes ao ensino), formando a composição tripartida e elementar da PEDAGOGIA (Ciência da Educação).

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de janeiro de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:1). O Discurso da Incompetência! Brasil: Jornal Cultural ROL.

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Um Reino Ancestral

Davi Samuel Valukas Lopes lança o esperado livro Um Reino Ancestral Nos Grandes Lagos da África Ancestral

Capa do livro Um Reino Ancestral - Nos Grandes Lagos da África Ancestral, de Davi Samuel Valukas Lopes
Capa do livro Um Reino Ancestral – Nos Grandes Lagos da África Ancestral, de Davi Samuel Valukas Lopes

Lançado em dezembro de 2025, o livro Um Reino Ancestral nos Grandes Lagos da África Oriental promete ser mais um sucesso literário do araraquarense Davi Samuel Valukas Lopes, radicado em Uberlândia (MG), consultor nas áreas de Educação, Cultura e Tecnologia e navegante das letras.

Sinopse

Um Reino Ancestral nos Grandes Lagos da África Oriental – A História de Bunyoro Kitara conduz o leitor por uma jornada profunda e estruturada pela trajetória de um dos mais antigos e resilientes reinos da África Oriental. A obra reconstrói a formação, o apogeu, o declínio e o renascimento simbólico de Bunyoro-Kitara, articulando história, tradição, espiritualidade e identidade cultural em um mesmo fio narrativo.

Partindo das origens semimíticas das dinastias fundadoras, como os Bachwezi, o livro apresenta a consolidação política e espiritual do reino sob a dinastia Babiito, destacando a figura do Omukama como elo entre o mundo dos vivos e dos ancestrais. Ao longo do texto, são exploradas as estruturas de governança, os sistemas sociais, os rituais, a economia e a expansão territorial que transformaram Bunyoro em um centro de poder, cultura e comércio nos Grandes Lagos africanos.

A narrativa também aborda, com clareza e densidade histórica, o impacto das disputas internas, das rivalidades regionais e da colonização europeia, especialmente durante o domínio britânico, período que marcou profundamente a autonomia política, as tradições e a identidade do povo banyoro. O declínio do poder real não é tratado como um fim, mas como uma etapa de resistência cultural e reinvenção simbólica.

Nos capítulos finais, o livro evidencia o ressurgimento cultural de Bunyoro-Kitara no mundo contemporâneo, ressaltando o papel atual do Omukama como guardião da memória.

Editado pela UICLAP, o livro contém 32 páginas e pode ser adquirido pelo saite https://loja.uiclap.com/titulo/ua138302/, pelo preço de R$ 24,37.

Sobre o autor

Davi Samuel Valukas Lopes,

Davi Samuel Valukas Lopes, natural de Araraquara (SP) e residente em Uberlândia (MG), profissionalmente é consultor nas áreas de Educação, Cultura e Tecnologia, Na área cultural, músico, poeta e redator.

É autor dos livros Simples Poetas (em parceria com o poeta Marcos Borba), Dois Ensaios Politicamente Incorretos sobre Artes, Doses de Cavalheirismo e Um Reino Ancestral nos Grandes Lagos da África Oriental. Além disso, é coautor do livro Boas Práticas nas Escolas Públicas, publicação da série Para Além da Sala de Aula, da Professores no Divã. Seu capítulo aborda a gamificação na educação. 

Cofundador do projeto de educação musical Família Afro Son, de uma comunidade carente da cidade de Araraquara, que tem como objetivo ensinar ritmos musicais de origem africana.

Palestrante e professor do III Festival de Música de Paraguaçu Paulista (FEMUSPP), no estado de São Paulo.

Comendador da Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes, concedida pela Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Educação – SBACE, Comendador das Letras do Mérito Histórico-literário Castro Alves, honraria concedida pela Confederação de Ciências, Letras e Artes do Brasil – CONCLAB e Comendador de Artes e Ofícios, concedida pela Comenda Tropeira Pavlista, associação cultural que estuda as tradições da Paulistânia (bandeirismo, tropeirismo e cultura caipira). 

Em 2022, recebeu uma Moção de Honra e Congratulações da Manyema Academy, instituição educacional do sultanato de Ujiji, na Tanzânia, por suas contribuições ao projeto Education Without Borders, plataforma educacional que visa levar ensino cultural gratuito a todos. 

Monarquista, é cofundador e Diretor-Presidente do Círculo Monárquico de Uberlândia, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e divulgar na cidade a história do Império Brasileiro e os valores cívico-culturais, além de Chanceler da Casa de Poitiers, Embaixador Cultural da Casa de Benevento e Knez (Chefe) da Casa de Novgorod, todas elas instituições culturais pró-memória. Além disso, foi Delegado-Presidente da Croce Reale – Rinnovamento nella Tradizione, no Brasil (Delegação 18 de Julho) de 2021 a 2023. Trata-se de um movimento cultural internacional sediado em Turim, na Itália, que tem como meta o resgate e a preservação das tradições culturais do Ocidente, como Alta Cultura, Cristianismo e Monarquia, com um viés social e humanitário ativo (renovação na tradição). 

Representante (Ow’Isaza/Owekitinisa) do Reino Bunyoro Kitara no Brasil, monarquia subnacional de Uganda, ancião honorífico (Omugurusi) do Reino Kiziba, monarquia subnacional da Tanzânia, e foi Chanceler (Adontehene) da Royal Order of the Golden Leopard, ordem vinculada à comunidade tradicional de Ashanti Akyem Hwidiem, no Reino Asante (monarquia subnacional de Gana) de 2021 a 2023, sendo atualmente o Guardião Cultural (Amamere) da mesma comunidade, título honorífico recebido por conta dos serviços prestados quando esteve à frente da ordem. Além disso, é Grão-Colar (honraria máxima, concedida apenas por indicação do Grão-Mestre) da mesma ordem. 

É também Embaixador da Fraternal Society of the Scarlet Lion no Brasil, sociedade fraterna com sede no México que visa fomentar ações sociais através dos valores da cavalaria, membro da Royal Order of the Golden Fire Dog, de Sefwi Obeng-Mim (monarquia subnacional de Gana), Ancestral Royal Ambassador (Embaixador Real Ancestral) da Supreme Council of African Ancestral Kings and Royalty (SCOAAKAR), entidade de defesa das tradições culturais africanas sediada na Nigéria e Honorary Warrior (Guerreiro Honorário) da African Royalty Humanitarian Order, vinculada à Grand Delegation of Africa Alkebu-Lan (GDAAL), delegação africana da Croce Reale, que visa defender as monarquias subnacionais do continente. 

Coronel do Kentucky da Honorável Ordem dos Coronéis do Kentucky, honraria máxima concedida pelo governador do estado homônimo (EUA), tendo sido indicado ao posto por um Coronel do sudeste asiático. 

Através de tratados de amizade pela Golden Leopard, é membro das seguintes organizações: 

  • Ordem Real do Tigre e da Águia (Sawereso-Seinuah) – Grão-Cruz (Gana)
  • Ordem Real da Coroa de Mangkualaman – Grão Cordão (Indonésia)
  • Ordem de Santa Catarina do Monte Sinai – Grão-Cruz (Armênia)
  • Ordem de São Thiago da Espada do Congo – Cavaleiro Comendador (Congo)
  • Real Fundação Platoni de Ilustres Condecorados do Chile – Cavaleiro-Honorário (Chile) 
  • Principado da Soberana Ordem Espiritual-Cavalheiresca da Santa Cruz – Duque (Rússia)
  • Ordem Real de Kwakyem Ababio (Abura Papagya) – Grão-Cruz (Gana)
  • Ordem Real e Militar de Jean-Baptiste do Haiti – Grão-Cruz (Haiti)
  • Ordem Real do Mérito (Ahado Hohoe) – Grão-Cruz (Gana)

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