A chama do amor

José Antonio Torres: Poema ‘A chama do amor’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA da Meta. 15 de abril, às 07:44
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às 07:44

Meu coração radiante de alegria,
te vê passar linda e graciosa.
Tua pele branca e sedosa,
ilumina e dá cor ao dia.

Você aflora sobre tudo mais,
impossível não notar tua luz.
Me sinto fraco e incapaz,
diante do encanto que me seduz.

Deusa da beleza e do amor,
ninguém a você resiste.
Nada de mais puro existe,
que sentir o teu calor.

A lua e o sol distantes,
acalentam o meu coração.
Iluminam com luz constante,
os amantes em adoração.

Ah, vida que em mim transcende,
que tanto me faz vibrar!
Sinto que em meu peito acende,
a chama que me faz te amar.

José Antonio Torres

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O que importa é levar a vida

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Artigo: ‘O que importa é levar a vida’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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É do conhecimento geral que, em circunstâncias muito especiais da vida de uma pessoa, por vezes, vale quase tudo, porém nunca vale tudo, por exemplo, mesmo quando se luta pela vida, pela saúde, pela salvação da alma, numa vida espiritual eterna, para os crentes. E em situações-limite, será que vale tudo: maltratar, injuriar, difamar, desprezar, humilhar, roubar, matar? É muito difícil dar uma resposta, mas é certo que cada pessoa decide em função da circunstância do momento, ou de antecedentes acumulados.

Há uma expressão muito interessante, que se utiliza com muita frequência, para justificar certos comportamentos: “o que importa é levar a vida”, “dar-se bem com todos”, como diz a sabedoria popular: ”dizer amem, com Deus e com o Diabo”, ideia que, de alguma forma, tem implícita a atitude do “vale tudo”, seja nas relações laborais, também na política, nos negócios e, deploravelmente, nas relações pessoais. Mas ainda há quem defenda uma tal posição.

É claro que quem assim procede, deverá saber que, mais tarde ou mais cedo, acabará por enveredar por práticas ambíguas, descredibilizadas e que, tais pessoas, acabam por perder o respeito e a confiança que nelas ainda se depositava, na medida em que quem pratica vários “jogos”, em simultâneo, corre o risco de os perder todos. Mais vale um amigo para a vida, do que mil para nos bajularem, quando de nós precisam ou em conjunturas especiais, para eles.

A confiança em alguém só se adquire quando se tem a certeza de que, quaisquer que sejam as circunstâncias, se pode contar, firme e inequivocamente, com essa pessoa, para o bem e para o mal, na alegria e na tristeza, nos sucessos e nos fracassos, na felicidade e no infortúnio.

É difícil confiar numa pessoa, quando ela se relaciona muito bem com outras pessoas que nos são particularmente indesejáveis e que nos deixam desconfortáveis. É verdade que toda a gente tem, pelo menos, uma pessoa, supostamente, amiga, ou até muitas outras alegadas amizades, que cada amigo, por sua vez, tem outro amigo, e que numa relação alargada haverá alguém que não é meu amigo, mas amigo do meu amigo, ou vice-versa! 

Se por um lado devemos aceitar o princípio, segundo qual: “o amigo do meu amigo, meu amigo é”, correlativamente, o contrário também devemos adotar, isto é: “O amigo do meu inimigo, meu inimigo é”. Então como se deverá proceder? Pode-se confiar num amigo que por sua vez é amigo de um nosso inimigo, ou pelo menos num nosso adversário, concorrente? Muito difícil de resolver, não é?

O “Saber-conviver-com-os-outros” implica regras, críticas, escolhas, assertividade. Ao longo da vida sempre haverá “faturas para pagar”, precisamente em função do que adquirimos, no mundo das relações humanas. Obviamente que se nos colocarmos do lado dos “gregos”, ficamos contra os “troianos”; mas se tentamos ajudar aos dois, e ambos vêm a ter conhecimento da nossa posição, o mais certo é sermos indesejados por eles e jamais obtermos a sua confiança. Afinal estamos a trair os dois.

 Igualmente, ficaremos com a certeza de que nunca vamos poder beneficiar de algum favor de um dos lados, porque, uma vez mais, não se pode favorecer o amigo do meu adversário, do meu detrator, de quem me não quer bem, de quem me difama e denigre. A solidariedade, a amizade, a lealdade e a reciprocidade, em relação a uma das partes, revela: coerência, confiança, honradez, bom caráter, verticalidade e dignidade.

BIBLIOGRAFIA

BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portuga

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Lar nos braços de amar

Marli Freitas: Poema ‘Lar nos braços de amar’

Marli Freitas
Marli Freitas
Imagem gerada pela IA do Gemini
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Já me defini
Em verdades e simplicidades.
Já acreditei
Em naturalidades e autenticidades.
Já me reinventei
Em olhares e profundidades.
Já mergulhei
Em horizontes e possibilidades.
Já me entreguei
Em agoras, mundo afora.
Já viajei
Em esperanças e utopias.

O que persiste:
É um desassossego bom que faz poeira no caminho;
É um querer sentir o que é ser passarinho;
É um contumaz desejo de minuciar o céu;
É uma disposição para ver além do véu;
É um sentir de quem sorveu inteiro o mar;
É um eterno lar nos braços de amar;
É um quê de quem só quer atiçar alegrias;
É um ser infinito em estado de poesia;
É um delicado pendor de ser primavera;
É um enaltecer de todas as eras.

Marli Freitas

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O bar-restaurante

Miton Gaspar: Conto ‘O bar-restaurante’

Logo da seção O Leitor Participa
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Estavam na berma da estrada nacional 140, em Malanje, quando já subiam as letras das sete horas da manhã. Esperavam, na calçada, pela abertura e autorização dos contínuos para entrarem no banco Millenium Atlântico mais de cinquenta pessoas. Era uma manhã fria e quente ao mesmo tempo. Pessoas vinham e iam. Ao lado, o asfalto não sabia se gritava de alegria ou de agonia pela fraca, mas constante movimentação dos carros que por ele passavam, aonde iam só os que estavam dentro deles sabiam. 

Mirosman sentia-se aflito enquanto o seu joãozinho sofria asfixiações com a sua mão esquerda.  Fez um sinal com a sua mão direita à mão esquerda da mãe e disse:

– Mãe, preciso de ir tirar o meu irmão que está preso faz muito tempo!

– Mas, Miros, aonde é que a gente vai fazer isso, aqui onde a gente está?

Com muita sofreguidão o rapaz disse:

– Ele já não vai aguentar por mais tempo, mãe! 

Sentados nos separadores de ferro pintados de preto e amarelo, todos os utentes davam de costas com a estrada, mas encaravam os complexos prediais como a um inimigo que lhes resistia a um acordo. Agora, também aflita com a sofreza do menino, Umblina move a cabeça 90 graus para Norte e em seguida 90 graus para o Sul em busca de uma solução. Do seu lado direito, depara-se com o restaurante Telma Fashion, do seu lado direito, o complexo predial que alberga o Banco BIC e a Casa Samir, todos eles ainda fechados para o público. 

– Vamos Miros!

O rapaz obedeceu e, seguindo a mãe, contornaram a Casa Samir, em direção à rua Cândido Reis, caminharam e encontraram uma esquina que dava ao refeitório da loja adjacente e à igreja e escola IERA. Nessa esquina, um bequinho entre o refeitório e a estação de comboio exibia o cheiro de latrina pública.

– Depressa- exclamou a mãe, apontando para o bequinho coberto de capim verde e mal-cheiroso. 

Mirosman, sem olhar para os lados, de pé à entrada do compartimento, tira as trancas que guardavam o seu joãozinho e, em cinco segundo já respirava ar de alívio -, o seu irmão estava livre e ele mesmo se libertara da desonra.

Ao dar meia volta para abandonar o lugar, Mirosman não conseguiu desviar os seus olhares de um jovem bem vestido com uma jeans, t-sheart e tênis Draft pulse, tudo preto. O homem, de mais de vinte anos, lutava com um rádio de porco, degustava-se de todos os pratos que lhe servia o contentor verde e antigo de dias.

O rapaz, apoquentado e boquiaberto, fitou seriamente o homem, que sua mãe, que discretamente sondava a área e o garoto, há uns dez metros de onde ele estava a urinar, gritou suavemente, mas com uma denunciante autoridade:

– Mirosman!

Ao que Mirosman rapidamente completou a meia volta e ia-se embora, mas enquanto caminhava em direção à mãe, olhava intermitentemente para o homem, que, agora, deleitava-se de corpo e alma de tudo o que dispunha o BAR-RESTAURANTE.

Mirosman tentou falar: 

– Mãe…. 

Imediatamente, Umblina olhou para o rapaz e levou o dedo indicador à boca e fez: 

– Tchiuuuuu!

Milton Gaspar Domingos

Milton G. Domingos

Milton Gaspar Domingos (Decano), natural da província de Malanje (Angola) e residente no município do Quéssua, é professor de Língua Portuguesa e de Literatura), no Liceu nº 314 – 4 de Janeiro.

Mestrando em Educação pela Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÂNTICO) e Licenciado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade António Agostinho Neto (FHUAN).

Autor de artigos disponíveis na internet e investigador na área de Língua, Literatura.

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Dia do Beijo

Denise Canova: Poema ‘Dia do Beijo’

Denise Canova
Denise Canova
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Dia do beijo

Beijo inocente

É o meu

Beijo bom

É o meu

Sem falsidade.

Denise Canova

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O terceiro sinal

Ramos António Amine: Conto ‘O terceiro sinal’

Ramos António Amine
Ramos António Amine
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Decidida, sem retorno possível, a fuga da quinta, a mãe do miúdo guardou o plano em silêncio, como faz a guardiã dos avisos ignorados quando decide abrigar-se no espaço diário do pé.

Mas, na quinta, o silêncio também é vigiado.

Os filhos da quinta, zeladores da ordem e da aparência, já haviam disposto cães fardados junto da casa. Não vigiavam apenas corpos, vigiavam intenções. Queriam saber se a mãe conhecia o segredo enterrado: a morte do pai do miúdo.

E havia algo mais.

O nome do miúdo começara a circular entre eles. Não como futuro, mas como destino já decidido, uma oferenda para a próxima comunhão dos ímpios. Na quinta, até a inocência tinha função.

O miúdo, porém, crescia alheio ao desenho do seu próprio fim. Nada lhe faltava, excepto a imagem do pai, cuja ausência o consumia em silêncio.

Um dia, perguntou pelo pai.

A mãe não respondeu. Desviou o olhar e saiu. Ainda não era o momento da verdade, porque ali, a verdade podia matar antes da fuga.

Sem compreender, o miúdo voltou ao seu livro de Cândido, como se a quinta ainda pudesse ser explicada pelo otimismo de Pangloss.

Foi então que a mãe entendeu: já não havia tempo a perder.

Começou, cuidadosamente, a observar a quinta, como quem aprende o mapa de uma prisão: os turnos dos guardas, os passos dos informantes, o comportamento dos cães, a eletricidade dos arames.

A quinta, que antes era abrigo, tornara-se ameaça.

Durante dias, nada aconteceu. Mas, por dentro, tudo já tinha começado a ruir.

Até que veio a festa.

Era uma celebração dos filhos da quinta, do luxo construído sobre trabalho invisível. Montou-se uma tenda gigante. Um grande alpendre foi erguido no centro e, ao fundo, um altar com um cálice rachado. Um ritual sem fé, mas cheio de poder.

Vieram ímpios de outras quintas. E, com eles, as suas prostitutas. Não vieram os lavradores, nem os garimpeiros, nem aqueles que sustentavam tudo.

O miúdo foi designado para o incenso.

A mãe, para o portão.

E, nesse instante, ela soube: não era apenas um ritual, era uma preparação. O miúdo já não era apenas uma criança. Era escolha.

Tocou no portão.

O portão respondeu com um choque elétrico. Não era apenas uma barreira, era prisão.

A cerimónia começou sob a direção de um monge cego e mudo. E ninguém pareceu estranhar. Na quinta, já ninguém esperava ver ou ouvir a verdade.

O miúdo saiu da tenda com o incensário.

E então, tudo se desfez.

Um convidado embriagado deixou cair o cálice. Aquele que pousava no fundo do altar. E pior, rachado. O som seco abriu o caos.

Gritos. Empurrões. Acusações.

Os cães fardados foram soltos. Os informantes da bófia dispersaram-se. Por instantes, a ordem na tenda falhou.

A mãe não correu de imediato.

Esperou pelo momento exato da brecha.

Depois chamou o filho com um gesto urgente.

Ele veio sem hesitar, trazendo consigo O Cândido e A Rebelião das Massas nas mãos.

Segurou-o com força.

E fugiram.

Não pelo portão, mas por uma falha, um espaço esquecido pela vigilância.

O alarme soou, mas já era tarde.

Dentro da tenda, a confusão ainda engolia tudo.

E, pela terceira vez, a quinta falhou.

Do lado de fora, não havia liberdade.

Havia poeira, fome e um mundo sustentado por aquilo que a quinta escondia.

A mãe chorou, não por medo, mas por confirmação.

A quinta não era um lugar.

Era um sistema.

E estava em todo lado.

Os primeiros dias foram duros. O miúdo pediu para voltar.

Ela recusou:

– Melhor livre a procura de lixo na rua ao luxo na gaiola de ouro.

E não voltou.

Quando lhe perguntavam o nome, respondia:

– Chamem-me prostituta ressuscitada.

Porque, naquele mundo, sobreviver já era resistência.

E ela já não pretendia apenas sobreviver.

Pretendia voltar, não para viver na quinta,

mas para a fazer cair.

Passou a ocupar um lugar tão insignificante quanto contraditório na ordem social: visível, mas não reconhecida; usada e depois descartada; tolerada no discurso, mas rejeitada na práctica.

Passou a denunciar aquilo que muitos preferem ignorar: a decadência de um sistema que cria fossos e pune quem neles cai.

Ninguém ousou questionar como ela chegou ali. A pergunta que sempre surge é outra: por que não sai da prostituição?

Como se sair fosse apenas uma questão de vontade, e não de oportunidade. Como se as oportunidades fossem distribuídas de forma justa. Como se a injustiça não fosse o gatilho diário que empurra milhares de mulheres para decisões que nunca escolheram.

No fundo, ela não pede absolvição aos ímpios. Reclama a humanidade que há de fazer cair a quinta.

Ramos António Amine

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Seven eleven

Jane Nash: Micro-Story ‘Seven eleven’

Jane Nash
Jane Nash
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“That cat!” Shouted the bald assistant behind the counter. He came out from behind it, flapping a rolled up newspaper towards the cat. It was as comical as ineffective. The cat strode further into the shop following a pair of red high-heeled shoes. A new purchase – widows should always wear red once mourning is spent, 

Purring  and chirping, the stray Maine Coon, who was almost the size of a medium dog, made its way to a large glass counter warmer which displayed cooked meat pies for sale..

The red shoes clicked over to the assistant “Like my late husband, Monty” she said, “always loved his pies.” The tom cat turned his head and when their eyes met, it winked at her. Not a random wink but a slow, serious one. Just like Monty used to when he was being rebellious or naughty.

“Has he got a name?” She couldn’t resist stroking this magnificent cat who returned the affection by weaving through her sheer-stockinged legs, brushing against her before returning to stare at the pies.

Losing a husband may seem careless but the lack of Monty now afforded her new, fashionable clothes, holidays with friends and an unrestricted diet. She was thinking about a pet, never having been allowed one.

“I don’t care what it’s called! I want it out of here!” 

“I’d like to buy a pie. A cold one from the back please. Yesterday’s.”

On the pavement a huge Maine Coon tom cat held her gravied, manicured fingers between his paws and licked the soft skin clean with his rough tongue.

Does she believe in reincarnation? She doesn’t know nor does she care. She picks up a very large cat who is cleaning his whiskers and makes her way to a pet store.

A collar, harness, lead and a name-tag later, she has her pet and the name…? Guess!

Jane Nash

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