José Antonio TorresImagem criada pela IA da Meta. 28 de maio de 2026 às 11:28h
Sempre que por aqui caminho, te vejo na janela. Ela significa um portal que nos separa, em vez de nos conectar. Me frustro, pois você não percebe a minha presença. Meu coração grita por ti. Sou completamente ignorado. Enquanto te admiro, encantado por tua beleza, você sequer percebe a minha sombra. Sigo o meu caminho, triste e desolado. Tudo eu faria por um simples olhar. O mundo eu daria por um sorriso teu. Mas nada, nada acontece. Apenas a atmosfera gélida do vazio da tua frieza. Estou ausente do teu horizonte. Não entendo por que a imensidão do meu amor não consegue chamar a tua atenção. Olhe para mim! Me perceba! Eu imploro! Silêncio e abstração são o que recebo em resposta. Sigo na esperança de, um dia, o teu olhar se desviar e me encontrar. E assim, extasiado, ver um sorriso teu dirigido a mim. Nesse dia, sentirei todo o esplendor da vida me envolver. Só então, exatamente nesse momento, me sentirei vivo e a vida fará sentido.
Joelson Mora: ‘O poder do ódio: a expansão da consciência’
Joelson MoraImagem criada pelo Bing – 28 de maio de 2026, às 8h
Existe uma pergunta silenciosa ecoando dentro da humanidade:
E se muitas das coisas feitas ‘em nome de Deus’ nunca tenham vindo de Deus?
Vivemos uma época onde pessoas usam versículos como armas, religião como identidade social e espiritualidade como ferramenta de validação do próprio ego.
Mas talvez isso não seja novo.
Talvez seja antigo como a própria humanidade.
A Bíblia, o livro que amo estudar, não é um livro que esconde a falência humana. Ela a expõe.
E talvez exatamente por isso continue tão viva.
Ela não tenta maquiar seus personagens. Não transforma homens em heróis perfeitos. Não cria uma narrativa artificial de santidade estética.
Ela mostra reis quebrados. Profetas confusos. Homens violentos. Mulheres feridas. Discípulos covardes. Povos contraditórios.
A Bíblia não foi escrita para provar a perfeição humana. Foi escrita para revelar a necessidade de consciência.
Adão e Eva não perderam apenas um jardim. Perderam identidade.
O primeiro efeito da queda não foi a morte física. Foi a desconexão interior.
Eles esconderam-se.
E talvez o homem continue fazendo exatamente isso até hoje: escondendo-se atrás de títulos, religiões, dogmas, máscaras sociais, intelectualidade, espiritualidade performática, e até mesmo atrás do próprio ódio.
Porque o ódio pode ser tanto um instrumento de lucidez quanto um mecanismo de cegueira.
Existe o ódio que nasce da consciência. E existe o ódio que nasce do ego ferido.
O primeiro combate o mal. O segundo precisa criar inimigos para sobreviver.
O problema é que muitas vezes chamamos o segundo de ‘justiça divina’.
A expansão da consciência começa quando o ser humano entende que nem tudo aquilo que fala em nome de Deus representa Deus.
Se hoje, com acesso à informação, traduções, estudos históricos e tecnologia, multidões manipulam discursos espirituais para controlar pessoas, imagine em tempos antigos.
Imagine quantas narrativas foram interpretadas através do medo. Da política. Do poder. Da necessidade humana de dominar.
Isso não destrói a Bíblia. Pelo contrário. A torna ainda mais profunda.
Porque ela mesma registra o perigo da corrupção espiritual.
Jesus confrontou religiosos mais vezes do que confrontou pecadores.
Talvez porque o pecador consciente ainda possa despertar. Mas o religioso convencido de sua própria superioridade espiritual torna-se prisioneiro da própria ilusão.
Existe algo profundamente perturbador em Salmos 82:
“Vós sois deuses.”
Esse texto atravessa séculos como um eco desconfortável.
Não porque o homem seja Deus em essência absoluta. Mas porque carrega consciência, responsabilidade moral e capacidade criativa.
O ser humano possui poder para construir ou destruir mundos internos e externos.
Talvez por isso o ódio seja tão perigoso.
Porque tudo aquilo que odiamos profundamente começa a nos moldar.
A neurociência demonstra que emoções repetidas fortalecem circuitos neurais específicos. O cérebro literalmente reorganiza-se ao redor daquilo que cultivamos continuamente.
Quem alimenta medo, torna-se prisão. Quem alimenta inveja, torna-se escassez. Quem alimenta violência, perde sensibilidade.
Mas existe um ódio que purifica: o ódio contra a mentira, contra a corrupção da alma, contra aquilo que reduz o humano ao instinto bruto.
O temor do Senhor é odiar o mal.
Não odiar pessoas. Não odiar diferenças. Não odiar perguntas.
Odiar o que destrói consciência.
A própria Bíblia afirma algo quase paradoxal: para Deus, luz e trevas são a mesma coisa.
Esse pensamento aparece como um abalo na lógica dualista simplista da mente humana.
Porque talvez o problema nunca tenha sido a existência da escuridão. Mas a incapacidade humana de compreendê-la sem ser consumida por ela.
A filosofia hermética diz: “Tudo contém seu oposto.”
A Bíblia mostra algo ainda mais profundo: o homem carrega dentro de si a possibilidade do céu e do abismo.
Caim e Abel continuam vivos dentro da humanidade.
O jardim e a serpente continuam vivos dentro da consciência humana.
A cruz e Barrabás continuam diante das multidões diariamente.
A expansão da consciência não acontece quando o homem aprende apenas a meditar, estudar ou acumular conhecimento.
Acontece quando ele começa a enxergar suas próprias sombras sem fugir delas.
O homem espiritualmente imaturo terceiriza o mal. Sempre culpa alguém. O sistema. A política. A cultura. O diabo. O passado.
O homem consciente começa perguntando: “O que dentro de mim ainda ama aquilo que me destrói?”
Talvez o verdadeiro inferno não seja um lugar. Mas um estado de inconsciência.
E, talvez, o verdadeiro temor ao Senhor seja o despertar.
Diamantino BártoloImagem criada pelo ChatGPPT – https://chatgpt.com/c/6a18db2d-9680-83e9-a80e-a1b41739722f
Refletir, elaborar e aplicar um ‘Código de Moralidade‘ está ausente dos objetivos do presente trabalho e das preocupações do seu autor, porque: incongruente com a natureza humana, em geral; inexequível para o autor, em particular. Reconhecer a incapacidade para assumir uma prática sistemática, traduzida num comportamento moralista, assente na honestidade absoluta, nas tradições dos alegados bons-costumes, na moral e pudor públicos, entre outras posturas, é por si só um ato corajoso, embora incompreensível e criticável pelos puristas, moralistas e perfecionistas, porque atingir valores absolutos, provavelmente, ainda não é uma faculdade humana, fisicamente considerada, estando reservado a entes espiritualmente divinizados e, obviamente, ao próprio Deus.
A incapacidade para o homem alcançar os absolutos não significa, de modo algum, uma situação de total relativismo, porque dentro das limitações humanas, existem situações, princípios, valores, sentimentos, emoções, deveres e direitos que não devem ser relativizados, de contrário, duvidar-se-ia das realizações que a ciência, o conhecimento, a técnica e os resultados concretos, têm revelado ao homem; este duvidaria, no limite, da sua própria existência.
O que se pretende alertar é para a precariedade da espécie humana, com o dramatismo que lhe é dado viver, justamente por conhecer as suas próprias insuficiências e limitações concretas. Afigura-se, portanto, difícil, afirmar que uma determinada pessoa é, absolutamente, ética, moral, honesta, perfeita ou qualquer outro atributo sublime. Decididamente, o autor desta reflexão, não o é.
Com efeito: «A natureza humana apresenta-se idêntica em todos os homens, que se podem considerar todos como membros da humanidade e como indivíduos formar parte de grupos sociais, relacionando-se uns com os outros e com o todo, como partes subordinadas, portanto ao conjunto. Mas pela sua qualidade espiritual, apresentam, cada um, carácter de totalidade que é o estatuto de pessoa, pelo qual subordinam a si todas as outras realidades como meios ao fim e como possuído a possuidor.» (SILVA, 1966:59).
Que alguma pessoa se possa arrogar o direito de ser, enquanto pessoa humana, superior a outra, parece uma atitude incorreta, desfasada da realidade que é dado verificar, pelo estado do conhecimento atual a que foi possível chegar. Qualquer comportamento xenófobo, etnocêntrico, racista, narcisista, isto é, discriminatório, constitui um retrocesso e um perigo para a construção de uma sociedade humana, digna dos indivíduos que a compõem.
Naturalmente que cada indivíduo é uno, indivisível, constitui uma singular personalidade, é irrepetível e infalsificável. A riqueza da sociedade humana reside nesta multipluralidade de indivíduos que, utilizando o jargão popular, por ser simples e compreensível, se pode consubstanciar na fórmula: “todos iguais, todos diferentes”, o que significa, todos com idêntica dignidade, mas também todos com as suas características próprias e únicas.
Hoje, nenhum ser humano consegue viver isolado, porque ele próprio vem edificando uma sociedade que, seguramente, deseja cada vez mais harmoniosa, mais justa, mais segura, mais fraterna. Em bom rigor: «A reconstrução de laços sociais verdadeiramente inclusivos e democráticos exige-nos uma prática renovada de escuta, abertura e diálogo, e inclusivamente de convivência com outras tendências, sem por isso deixar de priorizar o amor, que deve ser sempre o distintivo das nossas comunidades.» (BERGOGLIO, 2013:115).
BIBLIOGRAFIA
SILVA, A., S.J. (1966). Filosofia Social, Évora: Instituto de Estudos Superiores de Évora.
BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.
TCG Jornadas e Batalhas é um jogo que estimula o raciocínio rápido, a memória, o cálculo mental e a estratégia
TCG Jornadas e Batalhas, é um jogo idealizado e criado pelo Roteirista de Quadrinhos itapetiningano José Augusto Albuquerque Barros, que consiste na administração de escassez – aquele em que o jogador deve gerenciar recursos limitados para atingir objetivos específicos e validado como desafios intelectuais, estruturando-se no espectro dos jogos de competência e raciocínio.
Sendo um jogo baseado na administração de escassez, apresenta como principais benefícios pedagógicos:
Desenvolvimento cognitivo: estimula o raciocínio rápido, a memória, o cálculo mental e a estratégia.
Competências socioemocionais: ensina a lidar com frustrações, a seguir regras e a desenvolver a paciência.
Socialização: promove a cooperação (em jogos de equipe) e a interação saudável entre os participantes.
TCG Jornadas e Batalhas é um jogo que,de forma lúdica, estimula a imaginação e a atenção com a criação de estratégias e uso de matemática desde a montagem do deck (baralho) à utilização inteligente dos cards (cartas).
O jogo consiste na administração de escassez usando personagens, magia e cenários interativos divididos em 12 clãs e o chefe final.
O jogo pode ser jogado de 2 a 12 pessoas simultaneamente de forma cada um por si,em duplas ou grupos; além de uma forma exclusiva de Jornada que consiste em uma campanha em que com auxílio de um livro o jogador (ou jogadores) travam uma série de batalhas na ordem correta evoluindo seu exército com adição de novos personagens, magias e novos territórios até se derrotar o grande adversário dando final no jogo através do storytelling cânone de cada clã. Ou seja, o jogo tem 12 finais exclusivos, um para cada clã.
Os trabalhos são 90% feitos por Itapetininganos (com 3 participações de envolvidos de outras cidades) e um dos decks em especial tem a temática Itapetininga ressaltando personalidades e locais de relevância histórica como Dra Walkiria Paunovic, Anésia Pinheiro, o nosso delicioso bolinho de frango, Ted Vieira e muitas outras.
Do Uzbequistão ao ROL, Xasanova Aziza Kumushbek qizi!
Aziza Xasanova traz ao ROL a literatura do Uzbequistão, país das cidades milenares na antiga Rota da Seda, com a espetacular arquitetura islâmica de azulejos azuis!
Aziza Xasanova
Xasanova Aziza Kumushbek qizi, 22, natural de Chirchik, região de Tashkent, Uzbequistão, mais conhecida como Aziza Xasanova, é estudante da Universidade de Economia e Pedagogia de Tashkent, da qual, em 1º de março de 2025, recebeu o título de ‘Faculty Zulfiya’, prêmio outorgado em um concurso promovido pela universidade, concedido a professoras e pesquisadoras em países da Ásia Central, em especial no Uzbequistão, em homenagem à célebre poetisa e ativista uzbeque Zulfiya Isroilova.
Publicou diversos artigos científicos. Seus poemas e contos foram publicados em vários jornais, revistas e sites ao redor do mundo, dos seguintes países, dentre outros: Albânia, Paquistão, Itália, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Índia, Argentina, Turquia, Arábia Saudita, Uzbequistão, Quênia, África, Coreia do Sul e Bangladesh.
Aziza Xasanova se apresenta aos leitores do ROL com o conto My dear (Meu querido), que traz como elementos da história o realismo mágico, destino e amor platônico
My Dear
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In one of the streets of Paris, the city of love, lived a girl whose heart shone like the sun. Her name was Lucy. Lucy was naturally very beautiful and charming. Her long, flowing hair and beautiful blue eyes reminded one of the calm ocean. Since childhood, she loved books very much. She was quite different from her peers. How, you ask? While others were learning to ride bicycles, she preferred to be alone with the characters she loved in her books.
As usual, Lucy was passing by Monsieur Champlain’s bookstore when she saw that new books had arrived and couldn’t contain her excitement. Her eyes fell on a wonderful book titled My Dear. Curiously, she picked up the book. Monsieur Champlain smiled and greeted her, “Lucy, I knew the new books would interest you.” “Yes, of course,” she replied, taking the book home.
As she opened the first page, one sentence caught her attention: “Hello, I’m glad you are thinking of me.” She smiled at this line; it was funny but strange because the author’s name was not written anywhere. Turning another page, she saw a line that said, “I know you smiled today after reading my words.” And indeed, she did smile.
Reading the sentence, “My dear, protect yourself; you are one of the rare people before me,” her heart skipped a beat. Since she had not yet met the person of her dreams, these words seemed written just for her. Her dream prince was exactly like that: handsome, kind, pure-hearted, a bit taller, and most importantly, someone who loved books and enjoyed horseback riding.
Even though her peers laughed at Lucy, she paid no attention. According to them, love was nothing real; they only cared about a groom’s appearance and lineage. But Lucy thought differently. For her, it didn’t matter where someone’s heart came from; what mattered was to find a person who would understand her without words.
Many young men in the city tried to win Lucy’s heart because she was the most beautiful girl, but she did not care for any of them. Believing that every book must have an author, Lucy flipped through the pages and found a name: “I’m waiting for you in the streets of Zurich, with love, Edward.” Her heart jumped as she read this and, without finishing the book, took it with her and headed toward Zurich.
Lucy didn’t know where to find Edward. Opening the previous page, she read: “We will meet one day at the café on the edge of the city. My heart is a flower.” These lines melted her heart. She desperately wanted to meet and talk to the author of the book. But fate had other plans for her.
When she arrived at the café, there were not many people. She ordered coffee and began reading from the first pages again. One sentence said, “If you come, we will have coffee together.” At that moment, her coffee arrived, and the waiter said, “Lucy, you don’t seem to be from around here.” “Yes, I’m a traveler searching for the author of a book. I haven’t seen him, but I want to meet him,” she said.
The waiter smiled and said, “That’s Edward, the author of this book. Many girls come every day looking for him but never find him. If I tell you, this book explains how to meet him, but most people only read it superficially. You must read it with your soul. Then you will find him.”
As Lucy read the next line, “Maybe you are drinking coffee without me and cannot taste its flavor, just as I never understood the taste of coffee without you,” she truly felt the coffee had no flavor. Holding the book, she left the café.
The words, “What do you say to the seas, just like your eyes,” gave her more passion. On the edge of the city, in a cozy place surrounded by trees, she stopped and thought, “I’m lost.”
Suddenly, a young man came up to her. He had a gentle voice, slender build, long legs, and eyes just as beautiful as Lucy’s. He was very simple but strikingly handsome. “Can I help you, madam?” he asked. “I’m lost. Is there a nearby hotel where I can stay for the night?” Lucy replied.
He said, “Yes, not far from here. I can show you the way, if you like.” Seeing the book in her hand, he said, “I suppose you are also looking for Edward.” Lucy nodded, “Yes, I haven’t finished the book, but I drank coffee with him.”
“How is that possible?” he asked. Lucy answered, “I felt his presence beside me, as if our souls were already acquainted, even if our bodies weren’t.”
“I also drank coffee with him in my heart,” she added. “Isn’t that strange? Every word he wrote seems familiar to my soul. For example: ‘Without you, I searched every moment of my life,’ or ‘Don’t dream of dancing a waltz without an umbrella on rainy days with anyone else.’ He loves the rain just like me. I love walking in the rain without an umbrella. There is a bond between us — understanding.”
The young man smiled. “Strange indeed. We are two people under the same sky, connected by our souls but separated physically.”
“Why are you smiling, sir?” Lucy asked. “How can you recognize him if there’s nothing else about him in the book?” The young man replied, “I feel him in my heart. I came to hear the words of love in this book from the author’s gentle voice.”
They reached the hotel without noticing how the time passed. “By the way, I forgot to ask your name. Thank you for your help,” Lucy said. “My name is Lucy. What about you?” “Mine is Edward.”
Edward — the very person Lucy was searching for — was right there. “You are the first person to find me. I just finished writing the book, but everyone reads it from beginning to end and then searches for the author. You found me searching for my soul and heart.”
Their eyes met — it was love at first sight. Edward said, “No one ever understood me until you. But you felt me.”
Lucy’s dream prince was Edward. Two hearts joined by fate, bound by just a line of love. No matter how many kilometers separated them, Lucy and Edward found each other. They became precious to each other. The distance of love was only words; their hearts and souls were already familiar.
Two souls connected by spirit never imagined that one day, they would meet on the streets of Zurich and fall in love at first sight. Fate’s gift to Lucy was Edward, and to Edward, it was Lucy. Yes, those who sincerely desire will one day become their own destiny.
‘Maternidad sin ADN: La fórmula de una vocación que trasciende la sangre’
Logo da seção Entrevistas ROLianas
Escribir desde Nicaragua es, por definición, vivir en un territorio habitado por el mito, la geografía volcánica y el rigor de la palabra. En este contexto, la literatura femenina nicaragüense no ha sido un fenómeno accesorio; al contrario, constituye la columna vertebral de nuestra sensibilidad estética y de nuestra memoria histórica. Tal como lo señala con precisión la profesora de la UNAN-León, Mariluz Urroz: «Nicaragua en particular se erige con un nicho de mujeres valientes y revolucionarias que han dejado una impronta indeleble en la historia del país». Esta certeza nos obliga a volver la mirada hacia el mapa de nuestras letras, un mapa trazado por mujeres que, desde las aulas, los escenarios o la gestión cultural, transforman el silencio en testimonio.
Es necesario destacar, en primer lugar, el tejido contemporáneo de estas creadoras que sostienen nuestra identidad. Pensar en la herencia de nuestras letras nos conduce de manera inevitable a celebrar la labor de la poeta y maestra universitaria Sobeyda Peñalba, cuya palabra se funde con el quehacer académico; de igual modo, nos deslumbra la delicadeza poética de la poeta, cantante y maestra, Ana Fuentes, en cuya obra la lírica y la melodía se vuelven una sola resistencia. Asimismo, es imperativo reconocer la experiencia y madurez creadora de la poeta Ninoska Chacón, junto a la incansable misión gestora de doña Brenda Martínez, quien a través de Fundación Poetas en Órbita ha sabido descentralizar la belleza y tender puentes estelares para la difusión literaria. Todas ellas, en efecto, configuran un coro de voces que sostienen el fuego de la creación en nuestra patria.
Ahora bien, es precisamente en este horizonte de mujeres imprescindibles donde se inscribe la figura de la poeta, matemática y profesora Jessenia Romero. En otras palabras, su vida y su obra no son hechos aislados, sino la continuidad de esa tradición que utiliza la palabra como una herramienta de refundación existencial. Jessenia Romero habita un cruce de caminos fascinante: la precisión exacta y abstracta de las matemáticas en armonía con la intuición sagrada de la poesía. Sin embargo, más allá de la brillantez de su intelecto, lo que define medularmente su paso por el mundo es su vocación docente; es decir, su elección de vida por el aula de clases como el verdadero territorio del alumbramiento humano.
De manera que las páginas que siguen no pretenden ser una simple acumulación de preguntas y respuestas. Más bien, esta entrevista —titulada con profunda hondura «Maternidad sin ADN: La fórmula de una vocación que trasciende la sangre»— es un ejercicio de justicia poética y memoria. A través de sus palabras, la profesora Jessenia nos demuestra que el amor y la enseñanza responden a una lógica superior que desafía las leyes de la biología. En definitiva, este diálogo es una invitación a descubrir cómo la literatura y la docencia se convierten, al final del día, en la fórmula perfecta para dar vida a través del espíritu. Por ello os invito a leer la entrevista para conocer un poco a la maestra y poeta Jessenia Romero.
1) ¿Cómo nació la idea de convertirte en profesora?
Cuando era niña jugaba a la escuelita con mis hermanos y primos, creo que era un deseo que tenía desde pequeña. Cuando egresé de la secundaria me había matriculado en una universidad privada para estudiar Contaduría Pública, pero resultó que esa carrera tenía poca demanda y la pasaron por encuentro, era mi deseo estudiar a diario así que retiré matrícula. En este punto entra en juego mi madre que me dijo: “o estudias magisterio o ya no estudias más” y pues, heme aquí convertida en una feliz maestra.
2) La siguiente es una pregunta un poco atrevida pero despierta curiosidad el que una mujer tan hermosa y tan preparada haya decidido dedicar su vida a la docencia, libre de ataduras. “¿Acaso fue en tu formación como normalista que comprendiste que tu maternidad no se daría en el hogar, sino en el aula?”
Realmente, jamás he sentido ese deseo vehemente que, cualquier mujer demuestra por ser mamá, pienso que mi madre tuvo que ver mucho en eso, puesto que, siempre me decía o los estudios o un novio y yo, elegí siempre estudiar.
3) Muchos ven la docencia como un trabajo; tú la ves como un proyecto de vida que sustituye la descendencia biológica. ¿Cómo fue el proceso de elegir «miles de hijos» sobre uno propio?
El cariño puro y desinteresado de cada niño que formé y eduqué fue el bálsamo que ayudó en ese proceso, pero, repito jamás sentí el deseo de ser madre biológica, sin embargo siempre vi como a unos hijos a mis estudiantes, incluso hubo un grupo al cual conduje por seis años consecutivos y todos me llamaban “mamá”.
4) A menudo se piensa que las matemáticas son frías, pero tú las llevas a otro plano con tus alumnos. Me llama la atención saber: ¿Existe una fórmula matemática para entender el asombro de un niño?
Interés + motivación + cariño que le muestra un maestro a cada niño que llega a su vida magisterial.
5) ¿Cómo ayuda el pensamiento lógico a una maestra a organizar el caos creativo y emocional de miles de niños a lo largo de los años?
Pienso que más que el pensamiento lógico, acá entra en juego el estado emocional y sentimental que demuestra el maestro hacia sus estudiantes, la comprensión y la atención que le brinda cuando acuden a él en busca, no solo de conocimientos científicos, sino de amor, consejos y unos brazos siempre abiertos dispuestos a sostenerlos .
6) También eres poeta y escritora, diríase que tienes el don de la palabra que alumbra el corazón de los alumnos. También estás por graduarte en Lengua y Literatura. Como poeta, ¿crees que enseñar a leer y escribir a un niño es una forma de «dar a luz» a su pensamiento?
Definitivamente sí lo creo, por mis manos pasaron muchos niños que no sabían leer y ya estaban en grados altos, fue esa paciencia y dedicación que les mostré lo que provocó un cambio positivo en ellos, y verlos ahora convertidos en profesionales me llena de orgullo y satisfacción, la lectura no solo abre puertas al mundo de la imaginación, sino que también abre las de la vida laboral.
7) Si tus estudiantes son tu legado, ¿qué versos o palabras esperas que ellos lleven grabados para siempre en su propia historia?
Esta pregunta me hace recordar aquellos versos de nuestro Panida Rubén Darío: “No dejes apagar el entusiasmo, virtud tan valiosa como necesaria, aspira, trabaja, tiende siempre hacia la altura” y son esas palabras las que deseo que graben y hagan efectivas en sus propias historias.
8) En todos estos años has visto pasar generaciones. ¿Cómo se siente ver que el tiempo pasa, pero tu vocación se mantiene intacta en el rostro de nuevos niños cada año?
Bueno, aunque actualmente no ejerzo como maestra de aula de manera permanente (laboro como asesora pedagógica), sin embargo, de vez en cuando me corresponde atender a grupos de todas las modalidades, desde niños de Educación Inicial hasta jóvenes de Secundaria y en ese momento se fortalece mi vocación y logro conectar con cada estudiante de manera sorprendente, siempre lo he dicho: una sonrisa amigable y sincera te acercará a tus estudiantes de manera certera.
9) Después de recorrer el camino de la tiza, el número y la palabra, ¿cuál dirías que es el elemento secreto de esa fórmula que te ha permitido trascender la sangre?
El amor genuino y sincero. Siempre que veo a un estudiante tímido, extrovertido, callado o muy inteligente, dentro de mi corazón se mezclan sentimientos como la ternura, la admiración y la alegría que hacen que vea a esos niños como hijos y por los cuales quiero hacer mucho para que superen sus miedos, fortalezcan su habilidades y talentos.
10) Preparaste y acompañaste a varios de tus alumnos para que participaran en concursos de Matemáticas. ¿Qué sentiste que obtuvieran lugares relevantes?
Ufffff una inmensa felicidad, mucho orgullo y gran satisfacción. Siempre lo dije, el trabajo lo realizó el estudiante y fueron esos días de preparación y constancia por parte de cada ganador lo que lo llevó a triunfar yo solo fui una guía en su proceso de aprendizaje.
11) ¿Existe un reto específico en el aula para un docente?
El de conectar emocionalmente con sus estudiantes, la base de todo éxito dentro del aula es que tus estudiantes te vean como autoridad, pero también como ese amigo al cual recurrir cuando las cosas no andan bien, porque una mente emocionalmente fortificada con facilidad adquirirá conocimientos con mayor prontitud.
12) Has escrito varios libros; ¿Qué temática abordas en ellos, son educativos, tienen enseñanzas implícitas?
Sí, cuatro para ser exactos. El primero y el segundo abordan cuentos infantiles con enseñanzas aparentemente para niños, pero que también trascienden a los adultos, para citar un ejemplo, escribí un cuento titulado “Reunión de desastres naturales”, cuyo mensaje es mantener el equilibrio en la naturaleza para evitar los fenómenos naturales y antrópicos y es una recomendación tanto para niños como para personas mayores.
13) He de suponer que continúas con el arte de escribir, ¿Estás escribiendo, tienes algún libro escrito que deseas publicar, qué temáticas abordas en él?
Hace poco terminé de escribir un libro al cual titulé Oculta oscuridad donde me introduzco al género negro, mmm, siempre he abordado el amor en mis poemas y temas sociales en mis cuentos, sin embargo, quise cambiar un poco mi formato y escribí doce relatos con temáticas fuerte que espero publicar pronto y sea aceptado por mi público lector.
14) Para cerrar esta entrevista, sería genial que nos compartas un poema o un pequeño relato de índole educativo o que hable acerca de tu decisión de no engendrar en tu vientre a un hijo pero sí ser madre de generaciones.
Tengo un recuerdo vívido e inolvidable con aquel grupo que me llamaba “mamá”, hubo un día una reunión de padres dirigida por la psicóloga del centro educativo donde laboraba, ella abordaba esos lazos filiales que deben de fortificarse a diario en todos los hogares. Como en cualquier reunión no todos los padres pudieron estar presentes por sus trabajos.
La psicóloga solicitó a los niños abrazar a sus padres, como seis estudiantes corrieron hacia mí y abrazaron llorando, fue el abrazo más tierno y sincero que he recibido en toda mi vida como docente, aquellos pequeños que me llamaban mamá, realmente me sentían como su madre.
Muchas gracias por la entrevista y por revivir en mí tantos hermosos recuerdos y valorar mi trabajo no solo como educadora, sino como poeta y escritora.
Jessenia Isabel Romero
Jessenia Isabel Romero, poeta, educadora y escritora nicaragüense, nacida el 25 de agosto de 1982 en la ciudad de Chinandega, Nicaragua, hija de Rosario Romero.
Fue en el Colegio San Luis Beltrán, durante su tercer año de secundaria, donde descubre su vocación poética, escribiendo sus primeros versos dedicados a la amistad, la naturaleza y al amor maternal.
En 2003 se graduó como maestra de educación primaria en la Escuela Normal Darwin Vallecillo, en 2011 egresa de la licenciatura Matemáticas con mención en Computación. Actualmente cursa estudios en Lengua y Literatura.
Pietro CostaCard referente ao concurso da Capolat, no qual Pietro Costa participou sob o pseudônimo Chardonnay
Em devoção, beijo a flor do Lácio como quem profana um templo. Com as sílabas, traço um laço devasso, roçando o sentido nos lábios do tempo.
Quero degustar o idioma até que ele gema em metáfora, e o prazer, em pleno sintoma, seja vírgula suspensa, entre o fôlego e a ânfora.
Sou amante reincidente da palavra, incurável de semântica e pulsão, perfil que em vogais se escancara e em consoantes morde o coração.
Quero atravessar a língua com Cecília, leve e abissal, perder-me no labirinto de Clarice, onde o pensamento sangra o essencial, e arder com Hilda, no clímax da volúpia mística e visceral.
Mas também ouvir Adélia rezando o chão com carne e fé, sentar-me à mesa de Carolina onde a fome é o que a língua é, e aprender com Conceição que a memória escreve o que a vida quer.
Quero a língua viva, indócil, na dor e na delícia de ser inteira: feliz não por promessa fácil, mas por combustão, fogueira, até que o último suspiro seja o poema em sua forma derradeira.