Não dito

Jacky Yuen Man-leuk: Poema ‘Não dito’

Jacky Yuen Man-leuk
Jacky Yuen Man-leuk
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6994babc-68e4-832c-b3e5-e669e12f474a

1. 

Neste mundo, muita dor a gente mesmo procura,
mas muita outra simplesmente chega,
sem convite. 

Pombas brancas descem voando. 

2. 

Não sei como vocês definem este dia. 
Violino, véspera do fim do mundo, Bach. 

Eu entrei por este caminho 
não porque estava escrito nas estrelas. 

3. 

Andando por uma estrada errada, 
rezando para enxergar, enfim, 
uma paisagem que também esteja errada. 

4. 

A única desgraça dela foi correr atrás do que é certo. 

O que é errado não dura, 
mas ela era o erro, 
e o erro é que tem beleza. 

5. 

O livro ainda está lá? 

Noite de chuva é boa pra correr atrás e pra fugir. A onça
no Jardim Zoológico de Paris, depois de saciada, serve
pra rir do amor. 

6. 

A única coisa capaz de atravessar o lugar onde a morte mora
é uma gargalhada.

7. 

Às vezes desconfio 

que a gente não entra e sai da mesma estação de metrô.
Ou então, quem entra e sai da mesma estação 

não somos nós. 

8. 

Um poeta, na vida inteira, escreve mais mortes
do que as que ele mesmo viveu. 

Escreve menos amores 
do que os que ele de fato viveu. 

9. 

Até hoje não entendi nenhuma canção 

que um corvo cantou. 

10. 

Por que tem que ser Bach 
nas trincheiras dos dois lados da guerra? 

Dante voltou, 
e o paraíso não tinha música. 

11. 

É por isso que o metrô faz a gente pensar em
um caminho pro inferno. 
Atravessando o leito do rio Estige. 

A água do Estige 
vem do Sena sob o céu estrelado. 

12. 

Então quer dizer 
que o inferno a gente já visitou.
Livraria aberta no meio do inferno, 
poeira se polindo na luz que entra pela janela. 

Aquele livro que ensina a vomitar 
ainda está lá? 

13. 

Judas Simão Iscariotes 
pode ser traduzido como 

o grande amor da vida inteira. 

Jacky Yuen Man-leuk

Voltar

Facebook




Festa em casa, uma reflexão

Denise Canova: ‘Festa em casa, uma reflexão’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA do ChatGPT - https://chatgpt.com/c/6995070f-ec4c-8329-be33-a19ba731d47e
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6995070f-ec4c-8329-be33-a19ba731d47e

Festa em casa, uma reflexão:

O sossego da alma é o meu samba,

eu sambo dentro de mim

Isso me acalma,

samba sobre mim e seu enredo é meu recomeço

Eu tenho que encontrar soluções,

novos caminhos e jogar as dores ‘fora’

O carnaval é o momento,

em casa e sozinha, é tudo que estou precisando.

Dama da Poesia

Voltar

Facebook




Diário de um Inútil

Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda

Capa do livro Diário de um Inútil, de Bruno Marquês Areno
Capa do livro Diário de um Inútil, de Bruno Marquês Areno

Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda.

O livro, segundo a prefaciadora Michelle C. Buss, “é uma seleta de textos poéticos, com um toque de ficção cuja tessitura é formada por fios filosóficos e reflexivos. O autor moçambicano retoma de seu cosmo interno temas existencialistas como ‘a procura de si’, ‘a pertença’, ‘autoaceitação’, ‘a morte'”.

Serviço

Título: Diário de um Inútil (2ª edição)

Gênero: Poesia

Autor: Bruno Marquês Areno

Editora: Cais

ISBN: 978-989-9301-04-7

Número de páginas: 70.

Pré-venda: pelo WhatsApp +258 866 143 108 MT, com um desconto de 15% durante o mês de fevereiro e março.

Sobre o autor

Bruno Marques Areno
Bruno Marques Areno

Bruno Marquês Areno, 25, natural de Nampula, Moçambique, cresceu entre Namapa e Pemba, experiências que moldaram o seu olhar crítico sobre a diversidade cultural do norte do país.

Estreou na literatura em 2022 com fotografias feitas à Letras, tornando-se o primeiro estudante da Universidade Rovuma a publicar um livro.

É autor de ‘Diário de um Inútil’ e coautor de diversas antologias nacionais e internacionais.

Publica artigos, resenhas e textos literários em revistas e jornais culturais, com destaque para o Clube de Leitura Olhar Literário. Atua também como tradutor literário para a língua emakhuwa.

Fundador do Clube de Leitura Olhar Literário e co-fundador do Grupo de Escritores de Nampula, desenvolve trabalho ativo de promoção da leitura.

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa e é Embaixador Cultural Brasil–África pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA.

Redes sociais

Voltar

Facebook




O mudinho

Jorge Facury: Crônica ‘O mudinho’

Jorge Facury
Jorge Facury
Imagem criada por IA do chatGPT - https://jornalrol.com.br/wp-admin/post.php?post=78557&action=edit
Imagem criada por IA do chatGPT – https://jornalrol.com.br/wp-admin/post.php?post=78557&action=edit

Vila Hortência, bairro tradicional da interiorana Sorocaba, Estado de São Paulo, anos 80. Dos tantos moradores do bairro conhecido como ‘cebolância’, por predominância dos agricultores de origem espanhola, um homem comum chamava-se Júlio e, como tantos nessa vida terrena de Nosso Senhor, optou por viver só. Não procurou namoradas, quer dizer, até tentou, mas, no primeiro desengano, desistiu e preferiu a solidão.

Seu labor era árduo. Operário nas linhas de trem da Fepasa, cuidava das obstruções da ferrovia, removendo qualquer coisa que pudesse causar risco ao tráfego das locomotivas. Além de tudo, acertava diligentemente os calçamentos feitos de concreto com ferramentas pesadas que lhe exigiam força física e olhar observador.

Ganhar um apelido é coisa das mais fáceis deste mundo, pode acontecer com qualquer um. Júlio não escapou dessa. Chamavam-no ‘mudinho’, mas, isso tinha uma razão factível. Como todo bom cristão, frequentava igreja, mas, seu modo de ser chamava a atenção: sempre chegava no momento em que o culto estava se iniciando e sentava-se no último banco. Terminado o rito, se ausentava sem falar com ninguém, entrava mudo e saía calado. Assim ganhou o apelido.

No ambiente de trabalho não era diferente. Em 2014, aos 62 anos, passou mal em casa e foi levado de ambulância ao hospital. Ficou internado um bom tempo. Nem todos os dias os parentes podiam estar presentes, já que não arrumou mulher, nem filhos, isso rareava. Curiosamente, nos dias em que ninguém da família o assistia, e isso era quase sempre, um homem apresentável, de terno e gravata, entrava no quarto e se achegava ao seu leito, sem que ninguém da enfermagem o tivesse apresentado.

Ali, o visitante ficava em silêncio e Júlio, no mais das vezes, fechava os olhos. O visitante parecia tranquilo, sentado ali ao lado, mudo, sem nem ao menos dizer a que veio. Mudinho só observava e nada dizia, nem o visitante. Talvez fosse um religioso visitando enfermos, mas, mantinha um silêncio completo… E assim foi, por vários dias. Era um mutismo compartilhado, sem acordo conhecido. Após complicações clínicas, o acamado veio a óbito. Silenciou para sempre. E do ilustre visitante acompanhante, tão presente, elegante e silente, ninguém perguntou, nem veio a ser conhecido…

História narrada por Éderson Pena.

Jorge Facury

Voltar

Facebook




Julgamento

Loide Afonso: Poema ‘Julgamento’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69946758-048c-832e-976a-2edc891a5e5e

Julgar sem conhecer
Às vezes
É bom

Julguei seu tom
De voz
Na primeira vez
Que te ouvi

Foi como um fogo
Que acendeu
Minha alma
Que estava cansada
Apagada

Fez minha medula tremer
Como que
Com sua língua
Me lambias
Eu sabia

Sabia que sim
És tudo que eu queria

Mesmo sem conhecer outras
Partes tuas
Eu já
Te queria

E afirmo mais uma vez: que bom que julguei.

Loid Portugal




Prazeres genuínos

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Prazeres genuínos’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/699460e2-d83c-8331-bbf2-62df220cff2f

O perfume é atalcado
profundo e delicado.
Os passos silenciosos
sempre em meio à sorrisos valiosos.
Prazeres genuínos
como de quem ouve o som de um violino ,
Só me demoro n’aquilo que me der prazer
Assim como contemplar o pôr do sol
ao entardecer.
Dialogo com as estrelas
Elas me trazem clareza ,
Às vezes alongamos a prosa por horas.
Liberto-me de casos banais,
Sejam materiais ou sociais
Não abro mão das minhas asas
Mesmo , quando estão costuradas.
Busco por detalhes na simplicidade
E encontro a felicidade.

Eliana Hoenhe Pereira

Voltar

Facebook




Manifesto 2025

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘Manifesto 2026’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por Ia do Bing - 16 de fevereiro de 2026,
 às 13h30
Imagem criada por Ia do Bing – 16 de fevereiro de 2026,
às 13h30

Viver com presença, não no automático.

Cuidar do meu corpo como templo, da minha mente como ferramenta e do meu espírito como fonte.

Escolho a disciplina silenciosa: treinar mesmo sem plateia, estudar mesmo sem aplauso, descansar sem culpa.

Leio um livro por mês não para acumular informação, mas para expandir consciência.

Troco pressa por constância, comparação por gratidão e excesso por essencial.

Em 2026, eu escolho ser inteiro, não apenas produtivo.

Inspirar pelo exemplo, não pelo discurso.

Ser ponte entre ciência e espiritualidade, entre performance e sentido, entre resultado e propósito.

Usar minha voz para educar, despertar e curar, não para competir ou impressionar.

Formar pessoas mais conscientes do que seguidores.

Escolho liderar com escuta, verdade e presença.

Em 2026, eu escolho formar consciências.

Servir antes de aparecer.

Compartilhar saber sem vaidade e aprender sem orgulho.

Ser apoio emocional, referência técnica e exemplo de postura.

Construir ambientes seguros, humanos e espiritualmente saudáveis.

Em 2026, eu escolho somar energia, não sugar energia.

Pensar a longo prazo, não apenas no resultado do mês.

Inovar sem perder a essência.

Transformar saúde integral em cultura, não apenas serviço.

Conectar pessoas ao propósito pessoal e organizacional, não só às metas.

Ser guardião dos valores, da ética e da missão.

Em 2026, eu escolho deixar legado!

Joelson Mora

Voltar

Facebook