O caminho

José Antonio Torres: Poema ‘O caminho’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA da Meta

A estrada é longa e demanda esforços.
Subidas íngremes e escorregadias.
O equilíbrio se faz necessário.
Encontramos desertos de sentimentos,
mas também jardins de graciosa beleza,
assim como acolhimento.

Os talos espinhosos de algumas flores nos ferem.
Outras nos ajudam a embelezar o caminho e a perfumá-lo.
As tempestades são inevitáveis,
mas logo após, vem o sol,
radiante e terno a nos alegrar.

A sede de justiça nos queima as entranhas,
mas a saciamos em fontes cristalinas de amor.
Algumas vezes nos deparamos com areia movediça que ameaça nos tragar.
Buscamos algo em que nos agarrar.
O desespero toma conta de nós.
Muitos afundam.
Outros, mais determinados, sobrevivem.

Precisamos focar na chegada, mas não podemos descuidar do caminho.
O objetivo ainda está longe.
A cada passo dado, mais próximos estaremos.
De tempos em tempos, precisamos algumas vezes repensar o trajeto.
Refeitas as forças, novos planos elaborados, seguimos confiantes!

Não cometeremos os mesmos erros.
Evitaremos os desvios que escondem perigos.
Em muitos trechos do caminho, seguiremos sozinhos.
Em outros, companheiros de caminhada se juntarão a nós.
Estejamos atentos para não nos desviarmos do caminho.
Sigamos com a bússola da luz e do amor.

José Antonio Torres

Voltar

Facebook




Dezembro

Joelson Mora

‘Dezembro: o mês do alinhamento e da preparação interior’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing -  Imagem criada em 30 de novembro de 2025, às 11:25 PM
Imagem criada por IA do Bing em 30 de novembro de 2025, às 11:25 PM

Todos os anos, quando dezembro chega, há um movimento quase invisível, porém profundamente perceptível, que toca nossos sentidos mais sutis. É como se a natureza, o tempo e o espírito humano entrassem em acordo silencioso para nos convidar à reflexão. Dezembro não é apenas o encerramento de um ciclo; é um chamado para reorganizar a energia, alinhar intenções e preparar o coração para o que está por vir.

No ritmo acelerado em que vivemos, é comum confundirmos desejo com propósito. Mas, na dimensão espiritual, existe uma diferença essencial: as portas que Deus abre não respondem apenas ao querer, respondem ao alinhamento. A vibração que emitimos, a maturidade com que caminhamos e a disposição interna para sustentar aquilo que pedimos determinam muito mais do que imaginamos.

Em saúde integral, entendemos que o corpo, a mente, as emoções e o espírito não funcionam de forma isolada. Eles se influenciam, se completam e se potencializam mutuamente. E o mesmo ocorre com os propósitos da alma: não basta desejar um novo ciclo, é preciso estar preparado para ele. Preparado emocionalmente, espiritualmente e energeticamente.

Dezembro, portanto, não é um mês qualquer; é uma estação de sintonia.

Um tempo para reavaliar o que carregamos, o que deixamos, o que nos move e o que nos trava.

Um momento para ajustar o foco, fortalecer a fé, elevar a vibração e liberar espaços internos,  porque nenhum propósito encontra morada em nós quando estamos cheios demais do que não nos serve mais.

O que Deus tem para cada pessoa é maior do que qualquer expectativa humana, mas cada promessa exige preparo. Exige consciência. Exige expansão interna. É por isso que dezembro chega como um convite ao recolhimento ativo: não de parar, mas de perceber; não de retroceder, mas de alinhar; não de acelerar, mas de direcionar.

Que este mês nos encontre mais maduros, mais sensíveis ao movimento divino e mais dispostos a viver o que realmente nasceu para ser nosso.

Que dezembro nos ensine que as maiores bênçãos não chegam quando queremos, mas quando estamos prontos.

E que o novo ciclo que se aproxima encontre em nós terra fértil, energia elevada e propósito claro.

Dezembro é alinhamento.

Dezembro é preparação.

Dezembro é o prenúncio do que Deus já colocou em movimento.

Joelson Mora

Voltar

Facebook




Uma noite inesquecível em Manhuaçu!

No dia 01/12/2025, o segundo pavimento da Rodoviária foi palco do lançamento do e-book Entre Cores e Letras: A Pedagogia da Expressão, organizado pelo professor e escritor Fabrício Souza Santos

Lançamento do e-book Entre Cores e Letras: A Pedagogia da Expressão  em Manhuaçu
Lançamento do e-book ‘Entre Cores e Letras: A Pedagogia da Expressão’ em Manhuaçu

No dia 01/12/2025, o segundo pavimento da Rodoviária foi palco do lançamento do e-book Entre Cores e Letras: A Pedagogia da Expressão, organizado pelo professor e escritor Fabrício Souza Santos.

🎶 A abertura ficou por conta dos talentosos Meninos Cantores da AABB Comunidade, emocionando o público com música e sensibilidade. 📚 A celebração reuniu acadêmicos homenageados, artistas plásticos e membros da ACLA/MG – Academia de Ciências, Letras e Artes de Minas Gerais, que também comemorou seus 16 anos de fundação.

👩‍🎨 Entre os presentes, destacaram-se os casais Rita e Elson Santos, Grazielle e Ivan Sabino, Fábio Santos e Marilza Teixeira, reforçando o espírito de união entre arte e educação. 🌍 A noite também celebrou os 20 anos de trajetória artística internacional de Fabrício Santos, que já levou seu projeto pedagógico a 11 países.

💡 Foi um encontro de cultura, emoção e inspiração que ficará marcado na história de Manhuaçu.
https://www.instagram.com/reel/DRxosAcifV5/?igsh=cHk2ZGU2ZWFmZmQ4

Veja mais: matéria da TNTV News e fotos do evento, por Téo Nazaré:
https://tntvnews.com.br/lancamento-do-e-book-entre-cores-e-letras-reune-arte-e-pedagogia-em-manhuacu/

Voltar

Facebook




N.A.I.S.L.A

De Sorocaba a Roma: Priscila Mancussi integra o prestigioso N.A.I.S.L.A em 2026

Card da N.A.I.S.L.A, apresentando a neoacadêmica Priscila Mancussi
Card da N.A.I.S.L.A, apresentando a neoacadêmica Priscila Mancussi

A escritora, poeta, professora e consultora literária Priscila Mancussi foi oficialmente nomeada Neoacadêmica da N.A.I.S.L.A – Núcleo Acadêmico Italiano de Ciências, Letras e Artes, instituição internacional dedicada à promoção das letras, das ciências e das artes por meio de intercâmbio cultural entre Brasil e Itália. Sua posse ocorrerá em janeiro de 2026, na cidade de Roma.

A N.A.I.S.L.A reúne escritores, pesquisadores e artistas com atuação destacada em suas áreas, promovendo a circulação de produções literárias e artísticas em âmbito internacional. A nomeação de Priscila reforça sua trajetória dedicada à educação, à poesia contemporânea, à literatura infantil e à formação de escritores iniciantes.

Com sua entrada na instituição, Priscila passa a integrar um corpo acadêmico internacional composto por autores e intelectuais que contribuem ativamente para o fortalecimento das artes e das letras. A afiliação amplia as possibilidades de participação em antologias bilíngues, produções culturais, eventos institucionais e colaborações com o cenário literário italiano, fortalecendo sua presença no meio artístico.

A conquista representa um marco relevante em sua carreira, legitimando sua atuação literária e ampliando seu alcance para além das fronteiras brasileiras. Priscila Mancussi reafirma-se como uma voz significativa da literatura contemporânea, levando sua obra e seu trabalho educacional para novos horizontes.

MINIBIOGRAFIA

Natural de Cubatão/SP, reside atualmente em Sorocaba/SP, casada, professora e poeta. Participou de Antologias e Concursos literários, recebendo prêmios importantes. Foi responsável pela criação e orientação do Projeto “Jovens Escritores” na rede pública de ensino do estado de São Paulo, na cidade de Sorocaba.

É vice-presidente do Movimento Cultivista Café com Poemas, membro da AIL –Academia Independente de Letras.

Publicou “Súbito – a vida entre versos” (2020), “A festa do Pererê” (2023) e “A pequena Paloma e seus amigos” (2024).

Promoveu o Prêmio Destaque Literário 2024 e o Prêmio Cultivista Sorocaba – Vozes que inspiram (2025).

Em 2026, será nomeada Neoacadêmica da N.A.I.S.L.A – Núcleo Acadêmico Italiano de Ciências, Letras e Artes. Atua como divulgadora e consultora literária.

TRABALHOS PUBLICADOS

• 2020 – “Súbito – a vida entre versos”, Editora NS Publicações.

• 2021 – “A festa do Pererê”, Editora NS Publicações.

• 2022 – “A pequena Paloma e seus amigos”, Editora Caravanas.

Além de inúmeras publicações em concursos e antologias por todo o Brasil.

PRÊMIOS E REALIZAÇÕES

• Votos de Congratulações por participação no Sarau Brasil 2014, pela orientação dos Jovens Escritores (2018) e pelo Dia do Poeta.

• 2015 – Congratulações pelo concurso Talento Poético – Editora Becalete/SP.

• 2023 – Prêmio Polímata.

• 2024 – Prêmio Caneta de Ouro – FEBACLA.

• 2025 – Título de Dama da Sabedoria – Sociedade Filosófica Ateniense – SOFIA.

• Organização de Antologia Poetas Ilustres (2024), Prêmio Destaque Literário (2024) e Prêmio

Cultivista Sorocaba – Vozes que inspiram (2025).

REDES SOCIAIS

Voltar

Facebook




Dom Pedro II

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Dom Pedro II: O Imperador Erudito que transformou o Brasil
pela Ciência, pela Cultura e pela Educação’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Arte em estilo vintage apresentando curiosidades sobre Dom Pedro II, com fundo em tom sépia, tipografia clássica e um retrato central do imperador. Ao redor da imagem, dez curiosidades destacam seu conhecimento, paixão pela ciência, tecnologia, educação, artes e simplicidade pessoal.
Arte em estilo vintage criada por IA do ChatGPT, apresentando curiosidades sobre Dom Pedro II, com fundo em tom sépia, tipografia clássica e um retrato central do imperador. Ao redor da imagem, dez curiosidades destacam seu conhecimento, paixão pela ciência, tecnologia, educação, artes e simplicidade pessoal.

Matéria Especial Bicentenário de Dom Pedro II

INTRODUÇÃO – UM GOVERNANTE FORJADO PELO SABER

No cenário político e cultural do século XIX, poucas figuras tiveram impacto tão profundo e duradouro quanto Dom Pedro II, o último imperador do Brasil. Educado desde a infância para governar, tornou-se um símbolo singular da monarquia tropical: um soberano que fez da inteligência, da moderação e da cultura as bases de seu reinado.

Durante quase meio século, guiou o país por caminhos de estabilidade, modernização e abertura intelectual. O Brasil Imperial tornou-se, nas palavras de muitos historiadores, um “país de ideias”, movido por um líder que colocava livros acima de cerimônias e professores acima de nobres.

I. O IMPERADOR ERUDITO

Um Estudante Infatigável em um Trono de Livros

Dom Pedro II teve uma formação acadêmica sem precedentes na história brasileira. Aos 5 anos, iniciou uma rotina de estudos que duraria a vida inteira: despertava às 6h, estudava diversas disciplinas até a noite e tinha pouco tempo para descanso ou lazer.

• Um Poliglota Excepcional

A lista de idiomas que dominava inclui:

  • Francês, inglês, alemão, italiano e espanhol (línguas modernas),
  • Latim, grego antigo, hebraico e árabe (línguas clássicas e orientais),
  • Tupi, provençal, russo e sânscrito, entre outros.

Ele lia jornais estrangeiros diariamente, sem tradutores, e mantinha correspondência com intelectuais de vários países.

Cadernos, Diários e a Disciplina do Saber

Seus cadernos pessoais registram as mais diversas leituras: poesia, filosofia, química, matemática, história natural, política e até manuais astronômicos.
Documentos mostram que chegava a ler mais de 200 páginas por dia.

II. O SOBERANO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA

Um Monarca Cientista em Pleno Século XIX

Dom Pedro II foi um dos governantes mais abertos à tecnologia de seu tempo. Ele não apenas conhecia invenções modernas – frequentava laboratórios, patrocinava pesquisas e buscava aplicar novidades no Brasil.

• O Encontro Histórico com Thomas Edison

Durante viagem aos Estados Unidos, visitou pessoalmente o laboratório de Thomas Edison. Ao testar o fonógrafo, encantou-se imediatamente. A imprensa americana relatou o assombro do imperador e destacou sua capacidade de compreender detalhes técnicos da máquina.

• Fotografia e Documentação

Foi um dos primeiros monarcas do mundo a ser fotografado, mas não se limitou a posar:

  • Fotografava pessoalmente,
  • Desenvolvia imagens em laboratório próprio,
  • Incentivava fotógrafos profissionais,
  • Registrava expedições científicas e eventos nacionais.

Seu apoio à fotografia ajudou a consolidar o Brasil como um dos primeiros países do mundo a possuir documentação fotográfica sistemática.

• Instituições Científicas e Pesquisadores

Sob seu patrocínio avançaram projetos como:

  • Observatório Nacional
  • Museu Nacional
  • Comissão Geológica do Império
  • Expedições naturalistas estrangeiras
  • Estudos sobre astronomia, meteorologia e geografia física

Seu nome figurou em mais de 50 academias científicas internacionais, incluindo prestigiadas sociedades europeias.

III. O MECENAS DAS ARTES E DAS LETRAS

O Imperador que Conversava com Gênios

A cultura foi um dos eixos centrais do reinado de Dom Pedro II. Ele acreditava que a arte civilizava e que o conhecimento preenchia o espírito humano.

• Relações com Personalidades Globais

Trocou cartas e visitas com grandes nomes da literatura e da música:

  • Victor Hugo admirava sua postura humanitária,
  • Richard Wagner agradecia seu incentivo às artes,
  • Franz Liszt o recebeu em recitais privados,
  • Ernest Renan e Camille Flammarion discutiam ciência e filosofia com o Imperador.

Ele também apoiou artistas brasileiros como Pedro Américo, Vítor Meireles, Rodolfo Amoedo, Porto-Alegre e muitos outros.

• Instituições de Cultura

Durante seu reinado, fortalecem-se e modernizam-se:

  • Biblioteca Nacional (o maior acervo das Américas no século XIX),
  • Museu Nacional,
  • Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro,
  • Academia Imperial de Belas Artes,
  • Escolas de música, teatro e pintura.

IV. EDUCAÇÃO COMO PILAR DO FUTURO

A Obra de um Imperador Professor

Dom Pedro II percebia a educação como a verdadeira força da modernidade. Era defensor de escolas públicas, incentivo aos professores e pesquisa científica.

• Reformas e Ações Estruturais

• Reformas e Ações Estruturais

Entre suas contribuições:

  • Ampliação da instrução básica,
  • Envio de estudantes brasileiros para Europa,
  • Modernização de colégios e liceus,
  • Financiamento pessoal para professores e pesquisadores.

Ele dizia:
“A instrução é a base da liberdade. Sem educação, o Brasil não poderá ser grande.”

V. O IMPERADOR HUMANISTA E A ABOLIÇÃO

A Consciência Moral de um Líder

Dom Pedro II era abertamente contrário à escravidão desde a juventude. Considerava o sistema “degradante” e contrário aos princípios cristãos e civilizatórios.

• Atuação e Influências

Embora não pudesse abolir por decreto, apoiou medidas gradualistas, como:

  • Lei do Ventre Livre (1871),
  • Lei dos Sexagenários (1885),
  • Incentivo à libertação voluntária,
  • Participação indireta no movimento abolicionista.

Sua filha, Princesa Isabel, recebeu forte influência de sua postura, culminando na Lei Áurea (1888).

VI. EXÍLIO, SOLIDÃO E UM AMOR QUE NÃO SE APAGOU

O Fim de Um Reinado e a Memória do Brasil

Derrubado pelo golpe militar de 1889, Dom Pedro II embarcou para a Europa sem resistir. Levou consigo poucos pertences: essencialmente livros, cadernos e memórias.

• Uma Vida Modesta em Paris

Recusou pensão do governo republicano e viveu de forma simples em hotéis europeus. Sua rotina no exílio era marcada por leituras, passeios discretos e saudades profundas do Brasil.

• A Morte e o Regresso

Faleceu em 1891, aos 66 anos. Ao seu lado, havia um saco com terra brasileira, que foi depositado sob sua cabeça no caixão – símbolo comovente de sua conexão eterna com o país.

Seu corpo retornou ao Brasil apenas em 1921, já em tempos republicanos.

CONCLUSÃO – UM IMPERADOR PARA ALÉM DA MONARQUIA

Dom Pedro II permanece como uma das figuras mais admiradas da história nacional. Seu reinado deixou marcas profundas na ciência, na cultura, na literatura, na educação e na identidade do Brasil. Em um período em que muitos monarcas europeus viviam para o luxo e a pompa, o soberano brasileiro vivia para estudar, estimular e construir.

Um intelectual no trono.
Um mecenas em meio à política.
Um homem simples que carregou um império.
E um brasileiro cuja grandeza continua a inspirar gerações.

REFERÊNCIAS

Obras clássicas e biografias:

  • CALMON, Pedro. História de Dom Pedro II. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.
  • CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II: Ser ou Não Ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
  • BARMAN, Roderick. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press, 1999.

Documentos e fontes primárias:

  • Diários de D. Pedro II – Arquivo Nacional / IHGB.
  • Correspondências Epistolares – Coleções da Biblioteca Nacional.
  • Acervo Fotográfico Imperial – Museu Imperial de Petrópolis.

Estudos complementares:

  • COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: UNESP, 1999.
  • FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1994.
  • HILSDORF, Maria Lúcia. História da Educação no Brasil. São Paulo: Global, 2004.

Alexandre Rurikovich Carvalho

Voltar

Facebook




Educação fim de linha

Renata Barcellos: Artigo ‘Educação fim de linha’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Findo o ano de 2025 aposentada na matrícula mais antiga da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Formei-me em 1996 em Português/Francês. São quase trinta anos de ensino de língua materna e estrangeira. Quando iniciei a docência, ministrava aulas em cursos de línguas no município do RJ e, na baixada, especificamente, no Sargento Roncalli. De lá, tenho ótimas recordações de alunos e fiz amigos. Nesse período, dediquei-me a pesquisas. Fui do curso de extensão ao doutorado. Minha prática pedagógica foi sendo aprimorada à medida que eu ia desenvolvendo pesquisas.                                                                            

     Como a palavra “educação” tem origem no latim e se conecta a duas raízes: educare (“criar”, “nutrir”, “alimentar”) e educere (“conduzir para fora”), a etimologia sugere a ideia de guiar o indivíduo para fora de si mesmo, desenvolvendo seu potencial e preparando-o para o mundo. Essa concepção norteou minha prática pedagógica até hoje. 

     Entretanto, chegar à aposentadoria e ao fim deste ano letivo e constatar o desmonte da EDUCAÇÃO é lamentável. Anos de dedicação, estudo, de práticas inovadoras, matérias, artigos, livros e ebooks publicados para me encontrar em um CAOS: professores doentes, alunos desinteressados, carga horária excessiva, má formação e infraestrutura, assédio moral…                                                                          

     Especialistas alertam que a romantização da docência e a ausência de legislação federal específica criam um cenário de “violência invisível” e impunidade. Isso acarreta o padecimento em massa nas escolas (de todos os envolvidos: do aluno à direção). Na sala de aula, professor se depara com falta de material, desrespeito, muitas vezes, Bullying, a desordem impera. E todos adoecem. Há relato de que o professor passou mal em sala no fim do turno e levou falta por ter saído umas horas antes de findar o horário. Muitas denúncias de assédio moral. A prática vem atingindo “níveis alarmantes”, onde o ambiente escolar TÓXICO está se transformando em um local de adoecimento físico e/ou psíquico.                                                                                                                                          

       A sala de aula se tornou um ringue. Vence quem é o mais astuto. Nós, professores, entramos em um campo de batalha, minado. Por mais que organizemos as atividades, jamais poderemos imaginar o que nos acontecerá. Os nervos vivem à flor da pele. Qualquer barulho abala nosso sistema nervoso. Constantemente, estamos “no limite”.                                                                                             

      Vale ressaltar que o professor não é um missionário. Somos profissionais! Porém, muitas vezes, ainda a sociedade nos vê como “segunda família”. Impera uma visão romantizada da docência. Isso acarreta um mecanismo de silenciamento. Porque somos “SUPER HERÓIS”. Há uma cultura de que a culpa da violência institucional é nossa. Por quê? A que ouvimos e lemos constantemente: não somos competentes, não temos domínio de turma, não organizamos uma aula motivadora, não construímos o conhecimento, não temos capacitação para lidar com as múltiplas deficiências… Triste realidade! Estamos exaustos! Desmotivados! Abalados!                                                           

       O Brasil lidera rankings internacionais de violência contra professores (OCDE). O resultado prático é o esvaziamento das licenciaturas (ainda mais com a reforma da previdência) e o aumento exponencial da Síndrome de Burnout. A escola é uma instituição de construção de conhecimento. Não triturador de sonhos. Este local precisa ser frutífero: disseminador de conhecimentos, realização de descobertas…. Um local de satisfação, contemplação… Jamais de destruição de corpo e alma.                                                                                                                                                 

       Para quem veste a camisa da Educação, diariamente, é desolador, aterrorizante ler notícias de ataques (seja lá qual for a natureza da violência) nas escolas.  Passei minha vida em sala de aula (ora como aluna ora como professora) e jamais poderia imaginar que viveria uma total desordem neste ambiente de construção de conhecimento. Como professora de literaturas, na atualidade, raramente, um aluno lê o texto sugerido. Aliás, até mesmo professor pouco lê muitas vezes. Estamos na Era do Imediatismo, de consulta à IA… Quem “gasta” seu “HD” refletindo…?                                                                                          

      Devemos entender que a vida é um grande palco, interpretamos a todo momento. Mas no palco da sala de aula, ninguém quer ser o “palhaço”. O aluno precisa ser orientado de que estudar é um ato solitário. Precisamos de silêncio para refletir, estabelecer relações. A vida não é uma grande festa 24 horas.                                                                                        

      E, no “apagar das luzes” de 2025, a rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro está divulgando uma mudança feita por meio do decreto nº 49.994/2025  decreto assinado pelo governador do estado, Cláudio Castro. Este com o objetivo de reduzir a evasão escolar, o governo do Rio de Janeiro autorizou que “alunos do ensino médio reprovados em até seis disciplinas possam avançar para a série seguinte. Esses deverão cumprir um regime especial de recuperação no ano seguinte, no qual deverá ser concluído até o fim do primeiro trimestre”. 

      No caso dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, o limite de reprovações reduziu para três disciplinas. Se aprovados na recuperação, poderão receber o certificado de conclusão do Ensino Médio. Concorda?                                                                                                     

     A questão é: para esta Geração Alpha (2010-2025 – os mais jovens, nascidos em um ambiente digital e imersos em tecnologia), há sentido em estudar? Quem estudará? Alguém prestará atenção no professor? Como preparar os alunos para ENEM, UERJ, PUC RJ com esta alteração? Há 30 anos preparo para exames externos (esses e para ingresso na carreira militar), especificamente os alunos da rede Estadual do RJ, nunca vi tamanho desinteresse já neste ano de 2025. Estou imaginando a partir de 2026 como será.                                                                                                                                           

      Quanto às leis nº 10.639/2003 (estabeleceu o ensino da cultura afro-brasileira) e 1.645/2008 (ampliou essa obrigatoriedade ao incluir a cultura e história dos povos indígenas), urge apresentar escritores, escola literária a qual pertence e seu estilo. Fica a dica para conhecerem outros autores contemporâneos no ebook Navegando nas Literaturas afro-brasileiras e indígenas.  

       Por uma educação de qualidade!!! Os alunos da Rede Estadual do Rio de Janeiro merecem ser bem preparados!!! Abaixo o decreto nº 49.994/2025 !!!!

Renata Barcellos

Voltar

Facebook




CARTA AO IMPERADOR

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

Carta ao Imperador

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Pedro II - Imagem criada por IA
Dom Pedro II – Imagem criada por IA do ChatGPT

À Augusta Memória de Sua Majestade Imperial, Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil (in memoriam):

Não me dirijo apenas ao soberano coroado que a História consagrou, mas ao homem cuja maior riqueza foi a simplicidade do espírito e a nobreza silenciosa de um coração devotado ao bem.

Recordo, com reverente gratidão, aquele que, mesmo assentado no trono, preferia habitar entre livros, manuscritos, instrumentos científicos e obras de arte, como um eterno discípulo diante da vastidão do conhecimento humano. Vossa Majestade, que fez da curiosidade um farol e da sabedoria um princípio de Estado, ensinou-nos que o poder sem cultura é cego, e que a autoridade sem virtude é vazia.

Não governastes somente por decretos e instituições, mas, sobretudo, pela força moral que emanava de vosso exemplo. Soubestes ouvir o povo, compreender-lhe as dores e abraçar, com serena humildade, os desafios de um país jovem que buscava sua identidade entre as nações civilizadas.

Mostrastes que a grandeza de um monarca não reside na pompa dos palácios, mas na firmeza de caráter, na doçura do trato e na capacidade de servir com dedicação aquele mesmo povo que vos confiou o destino da Pátria.

Vosso amor pela educação abriu horizontes luminosos às gerações vindouras; vosso apreço pela ciência impulsionou descobertas, debates e instituições que moldaram o pensamento brasileiro; vossa paixão pela cultura fez resplandecer a alma deste vasto Império, conferindo-lhe dignidade, reconhecimento e estima além de suas fronteiras. Fostes, para o Brasil, não apenas o Imperador, mas o patrono das luzes, o incentivador dos talentos e o guardião de um ideal de civilização.

Ao recordar-vos neste solene Bicentenário de vosso nascimento, não enxergo apenas o chefe de Estado cuja biografia habita os anais da História, mas o amigo da sabedoria, o espírito magnânimo que acreditava no progresso humano e o homem de alma serena que, mesmo no exílio, jamais deixou de amar a Terra de Santa Cruz.

Vossa vida – marcada pela dignidade nos dias de glória e pela grandeza nos dias de dor – permanece como uma das mais puras expressões do dever e do patriotismo.

É, pois, com devoção, orgulho e profundo respeito, que dedico à Vossa Augusta Memória esta singela e sincera homenagem.

Obrigado por terdes sido mais que um governante;

Obrigado por terdes sido humano;

Obrigado por terdes sido luz.

Com a mais elevada deferência e eterna gratidão.

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

Voltar

Facebook