Entrevista com o escritor Kosovar Vilson Culaj

Magna Aspásia Fontenelle

‘Entrevista com o escritor Kosovar Vilson Culaj’

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Kosovar Vilson Culaj
Kosovar Vilson Culaj – Arquivo pessoal

Entre memória e esperança, a literatura ergue sua voz como ponte entre povos e tempos. Vilson Culaj, escritor kosovar, constrói sua obra a partir das brasas da experiência humana, tecendo narrativas que dialogam com a história, a identidade do seu povo.

Em “A Fornalha de Nabucodonosor”, o autor transforma o fogo em metáfora do sofrimento, da purificação e da reinvenção, convidando o leitor a uma travessia sensível pelos caminhos da palavra, da resistência e da esperança.

A literatura tornou-se elo entre fronteiras, unindo passado, presente e futuro numa linguagem universal que o escritor kosovar Vilson Culaj se posiciona por meio de seus escritos, evidenciando seu estilo singular entre história, seu país e suas experiências pessoais.Mantendo suas obras atuais e atemporais, respeitando a história inserida na sua vivência pessoal e laboral.

1 – Conte-nos sobre sua trajetória de vida. Família, labor, sonhos.

VC – Eu nasci em 06 agosto de 1973 em uma cidade chamada Klinë, localizada no noroeste do Kosovo. Sou casado com Liza Radi Culaj, a mulher que completa minha vida em todas as dimensões espirituais, intelectuais e meu espaço literário e de socialização. 

Do fruto do nosso amor, temos três filhos Beatrice, Eliente e Nikolla, todos os três concluíram os estudos e trabalham em Pristina em suas respectivas profissões. Beatrice – jornalista de TV, Elienta designer profissional e Nikolla trabalha em uma empresa americana de Ciência da Computação. 

Atualmente trabalho como secretário em uma escola primária com 1.500 alunos e 75 professores, exigindo um trabalho administrativo dedicado e um tato e cortesia sublimes. 

Quanto aos sonhos, tenho apenas um sonho: acordar do sonho e realizar minha vida profissional, literária, familiar, e ser uma luz para as gerações mais jovens graças às capacidades que possuo.

Vilson Culaj – Në Parajsën (PO)etike të Zejnulla Halilit

2 – Como surgiu sua vocação literária e quais influências marcaram sua trajetória?

VC – Certa vez, em um verso meu, expressei risos, a vida é um chamado como um sino. Nesta disputa, quero dizer que as crianças que crescem com um dos pais longe, mas não separados, têm uma sede mística pela causa da vida e dos vazios emocionais (o meu pai permaneceu na Alemanha por razões econômicas durante 35 anos). 

A partir daí iniciei a busca pela minha vida espiritual, indagando o “porque existencial” num mergulho em dimensões espirituais, por vezes místicas.

Quando acrescentamos essas coisas à cultura maratonista da leitura, acredito estar no caminho correto para cumprir minha missão literária na construção e realização de minha história pessoal.

Meu chamado literário não tem a gênese do romantismo, do Eros ou do Thanatos, mas do Biofil, da harmonia, da paz (amor, existência e filantropia), contudo nas travessias das provações para que o homem visionário, conhecedor e valioso possa ser posto em ação como guia e se tornar o guardião das orientações do novo para as nações e para o mundo.

 A vida me ensinou que, o ignorante é o travesseiro do diabo. 

Então vamos pedir um outro tipo de homem no mundo iluminado que não ande nas trevas.

3 – O que o inspirou a escrever A Fornalha de Nabucodonosor?

VC – Na vida, o evento deve acontecer, caso contrário, como poderíamos entender a lei da quebra no mar ‘’ Certa vez refleti em um versículo meu. E como a vida é paz e tempestade, aos 25 anos, vivi a última guerra no Kosovo, tal como os meus antepassados viveram. 

Na vida, o acontecimento precisa ocorrer; caso contrário, como poderíamos compreender a lei da ruptura no mar, refletida outrora em um de meus versos. Observei   que a vida é feita de paz e tempestade, aos 25 anos vivi a última guerra no Kosovo, assim como a viveram meus antepassados diante do mesmo inimigo antigo.

Negar a um povo 2.000 anos de história, existência e direito natural e expulsar o povo de Israel para além das suas fronteiras naturais, tal como fez outrora o Rei Nabucodonosor, não havia outra forma de acontecer nem outra maneira para que eu começasse um romance e colocasse esses dramas coletivos e nacionais no papel.

 É o fogo e o forno que queimam, mas não extinguem o ser descrito neste romance, como Ester de época, aqui se realiza o sacrifício da mulher albanesa, que a partir da tragédia se transformou em uma mensagem histórica da sobrevivência de um povo esquecido pelos mapas antigos.  

Capa do livro Furra e Nakukodonozorit

4 – Por que escolheu Nabucodonosor como símbolo central da obra?

VC – Deve haver um tirano para falar sobre os dramas de uma nação inocente como o povo albanês. Nabucodonosor foi a metáfora literária e o protótipo do líder sérvio Milosevic, que, alimentado pelo ódio nacional e ideológico e pela síndrome do colapso, negou tudo o que era albanês, até atos genocidas, homicídio cultural, religioso, étnico e existência. 

A última mensagem deste romance é a metáfora de que, se um povo não repetir sua trágica história, ele deve primeiro estar ciente de sua origem, da liberdade conquistada, do sacrifício ao longo dos séculos e do sangramento para se integrar aos povos livres do mundo. 

E a mensagem aos tiranos é que na história do mundo eles não o ditam, mas sim, o plano Divino de Deus e o direito natural de existir.  

5 – Conte-nos sobre suas obras literárias, poética.

VC – Como qualquer jovem, comecei com poesia ou com a primeira obra, “Sons Inéditos” que foi extremamente bem recebida pelos leitores. Foi um bom sinal de que eu tinha um sistema organizado de ideias e grandes inspirações para continuar a maratona literária após essa publicação. 

Os acontecimentos recentes da guerra me impulsionaram para novas inspirações e publiquei o romance, “Forno de Nabucodonosor”, para chegar ao livro de poemas, DAHO & VE ‘’ que na quebra simbólica da mensagem expõe o amor horizontal e pessoal. 

Portanto, o amor a Deus e ao homem, onde ambos juntos dão o sinal de salvação e felicidade interpessoal. O quarto livro é uma antologia poética, “Partida Desfeita”, dedicada ao conhecido escritor infantil Rifat Kukaj, que foi extremamente bem recebida pelos leitores. 

O quinto livro é uma curta prosa psicológica, “Tempestade Adormecida”, sobre a qual dezenas de críticas e análises literárias foram escritas. 

Estou convencido de que o romance, “Os Excluídos”’, no qual trabalhei por  14 anos, é meu auge literário porque cerca de 25 críticas literárias foram escritas sobre ele e grandes promoções foram feitas, incluindo Pristina, Shkodra e Tirana, onde este romance ganhou em 2015 o prêmio literário de romance do ano. 

O livro poético, “Duas Vezes” segundo a crítica literária é um hino literário e poético e ainda circulam opiniões e debates sobre os valores artísticos deste livro.

 Depois publiquei o romance, “Amor Intocável”, ganhador de dois prêmios literários, incluindo um prestigioso prêmio, “Dom Ndre Mjeda” em Tirana, compartilhado pela Academia Literária em Mirdita, publiquei o livro poético “O Muro da Memória”, que foi comtemplado com muitas avaliações e críticas literárias. 

Minha maratona literária foi precedida pela antologia e livro de estudos,” No Reino Poético de ´ ZEJNULLAH  HALIL ‘’, livro que conquistou a opinião e a mídia por seus valores literários, seguido por dois livros com críticas literárias: volume 1- A Luz do Conhecimento”, que inclui 63 análises literárias de minha parte para nomes eminentes da literatura albanesa, volume 2: A Luz do conhecimento composto de 50 críticas literárias de outros críticos e da minha literatura pessoal. 

Em 10 de janeiro de 2026 foi publicado o romance histórico, 7 DIAS À MESA COM MONSENHOR. MARK SOPIN ‘’ uma figura clerical emblemática, abordagem humana e diplomática. 

Amigo próximo do presidente Ibrahim Rugova e filantropo sem excelência. Este romance foi promovido no salão cultural Pogdani Polis, localizado no edifício da Catedral de Madre Teresa, em Pristina, na presença de um número extremamente grande de participantes e intelectuais proeminentes do Kosovo e da Albânia.  

Capa do livro Muri I Kujtësës

6 – Como a história e a identidade kosovar atravessam sua narrativa?

VC – Penso, logo, existo, segundo Descartes, mas não pretendo atingir as alturas literárias apenas mediante emoções, experiências pessoais e sociais, racionalismo etc., mas por meio de um espiritismo expresso e de uma intuição sociológica e histórica que me chama de segunda voz no deserto. 

O universal e o local para mim são duas faces da moeda, sem a qual um talento ou valor monetário não pode chegar ao seu mercado, ou missão. O universal torna você livre, enquanto o local às vezes endurece suas visões. 

Entretanto, compartilho da opinião de que a troca de culturas e realidades históricas é a riqueza e a necessidade da humanidade. Você não pode simplesmente terminar de fumar um cigarro e nem morrer, disse uma vez um ganhador do Nobel russo. 

Quanto à minha identidade literária e albanesa nacional, está se tornou uma tradição literária e uma consciência elevada, mas na verdade gosto de ser um “peixe’’ do mar e não do pântano, não de nenhum superego expresso e sinto que a luz quando é chamada assim, não deve interromper a jornada em direção àqueles espaços celestiais. 

O sacrifício pelo gueto às vezes alimenta apenas mitos e sombras de valores, enquanto servir significa reinar em outros espaços espirituais, culturais e literários…

Não estou dizendo que sou um detector de eventos e histórias dentro da minha nação, mas meus escritos se assemelham a uma grande verdade, onde revelam realidades históricas vivenciadas pelos olhos e corações de muitas pessoas e do mundo exterior. Não há glorificações de “melodias enganosas”, mas drama e emoção no início do novo milênio.  

7- Qual a simbologia da “fornalha” no contexto humano e social?

VC-Esse simbolismo literário tem muitas visões, mas a mensagem principal é o fogo catártico para uma nação desprezada há séculos. É a guerra de Davi com Golias e o espírito, assim como, os altos ideais de uma pequena nação que nunca se rende ao mal.

 O forno é o estado em que o fogo queima e tenta sem poder extinguir o ser e as visões de uma nação e do indivíduo. 

Este forno de martírio babilônico e bíblico, é um sino para os ouvidos dos outros de que as nações não devem ser pisoteadas, mas devem ter uma grande chance de liberdade e integração.

Nenhuma dança mortal serve ao mundo sem a melodia da paz. Se voltarmos ao passado em nossa memória, entenderemos que o mundo inteiro é irmão e irmã no Jardim do Éden. 

Nós, como criaturas, não devemos nos tornar uma fornalha do Holocausto que destrói, mas, um caminho que se abre para a liberdade e a humanidade, como os rios que unem as margens. Quem tem coração pode experimentar ambos…    

Capa do livro Stuhi E Fjetur

8 – Qual é, hoje, o papel da literatura kosovar diante das crises do mundo?

VC – Na minha opinião, a literatura do Kosovo é substancial porque nasce de dramas, eventos dolorosos, grandes inspirações e do desejo de uma vida integrada, bem como da sede de transcender sua cultura ancestral, ou melhor, europeia. 

A literatura albanesa do Kosovo precisa de abertura, de contato com a literatura mundial como uma espécie de catapulta cultural, para projetar novos valores além das fronteiras nacionais.

A guetização da literatura é inimiga dos escritores. Os apelos poéticos e literários não devem ser limitados, assim como o espírito e a liberdade. 

A grande oportunidade de abertura literária e a influência dessa literatura no mundo estão batendo à nossa porta. Traduzir essa literatura para outros idiomas abriria novos caminhos para uma parceria literária.

A barreira linguística deve ser eliminada por outros meios para que se alcancem os prazeres da ascensão, como diria Márquez.

9 – Que impacto espera causar nos leitores?

VC- O bom semeador não reclama nem na terra nem no céu. Seu objetivo é plantar sementes literárias. Quanto ao nível nacional, acredito que criei um nome na literatura, mas ficaria feliz se a literatura brasileira e a de outras nações me acolhessem como um filho perdido no tempo. 

Somente a alma que sente e a luz não pedem permissão para suas viagens. Eles não têm começo nem fim. Tal catapulta me ajudaria a expressar meus valores literários que ficam sentados e esperam sedentos no portão do céu.   

10 – Deixe uma mensagem para os escritores brasileiro.

VC-O Brasil é uma grande nação e possui herança literária ao nível mundial. Seu modelo literário tem em si espiritismo, drama, valor e progresso. Este grande atlas da cultura mundial servir-nos-ia como pequenos povos para nos elevar a dimensões superiores. 

O universal é o meu sangramento cultural, embora o nacional muitas vezes saiba como nos endurecer. 

Desejo que esta minha entrevista seja uma janela para mim e uma ponte literária entre estes dois povos. Um sorriso cheio de graça da alma pode mudar a vida de uma pessoa, disse Madre Teresa certa vez.   

 Muito obrigada pela sua participação!

Abraços poéticos!

Sobre o entrevistado

Kosovar Vilson Culaj – Arquivo pessoal

Vilson Culaj nasceu em 6 de agosto de 1973, em Klinë, Kosovo. Concluiu o ensino fundamental e médio em sua cidade natal e graduou-se em Direito pela Universidade de Pristina, onde também realizou estudos de pós-graduação em Relações Internacionais e Diplomacia.

Iniciou sua trajetória literária ainda no ensino médio, colaborando com diversos jornais e revistas culturais e literárias do Kosovo, do Montenegro e da Albânia. Atua nos gêneros de ensaio, poesia, prosa e crítica literária, destacando-se pela profundidade filosófica e psicológica de seus textos.

Desde a década de 1990, participa ativamente da vida cultural e literária em Kosovo e em outros países, integrando inúmeros encontros, festivais e manifestações literárias, nos quais recebeu importantes prêmios e reconhecimentos, incluindo distinções por prosa e poesia. Entre os principais prêmios, destacam-se: Prozador do Ano (2016), Prêmio de Carreira (2019), 1º Prêmio de Poesia do Albanian Talent Show (2021), 1º lugar no concurso “Ora e Tahir Deskut” (2021) pelo romance Amor Intocado, e o Prêmio NDRE MJEDA (2023), em Tirana, pela melhor prosa.

Profissionalmente, atuou como jornalista no Tribunal Municipal de Klinë, foi professor do ensino fundamental e atualmente exerce a função de secretário escolar. É colaborador ativo da revista literária Mirdita e suas obras constam em antologias e diversas publicações. Seus livros têm sido amplamente estudados e analisados por críticos literários de renome.

Até o momento, ele publicou os seguintes livros:

  1. “Tinguj të padëgjueshëm” (Sons Inaudíveis), poesia, Clube dos Escritores “Vorea Ukjo”, Klinë, 1998.
  2. “Furëza e Nebukadnetsarit” (A Fornalha de Nabucodonosor), romance, Clube dos Escritores “Vorea Ujko”, Klinë, 2001.
  3. “DAHO & VE”, poesia, Editoras “Shpresa” e “Faik Konica”, Pristina, 2003.
  4. Organizador da coletânea antológica “Zhbërja e Ikjes” (Partida Desfeita)), poesias dedicatórias de 101 poetas ao escritor Rifat Kukaj, publicada pela SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2006.
  5. “Sleeping Storm” (Tempestade Adormecida), prosa, SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2009.
  6. “Dy herë” (Duas Vezes), poesia, SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2013.

             É membro da Liga dos Escritores do Kosovo desde 2002.

  1. “Të Dëbuarit” (Os Exilados), romance, 2015 — seu sétimo livro consecutivo, ultrapassando fronteiras nacionais pelo valor artístico, ideológico e pela força de sua mensagem.
  2. “Dashuri e Paprekur” (Amor Intocável), romance, Editora Jakup Ceraja, Pristina, 2021.
  3. “Muri i Kujtesës” (O Muro da Memória), poesia, Editora Jakup Ceraja, Pristina, 2021 — seu nono livro consecutivo.
  4. “Në Parajsë (po) Etika nga Zejnullah Halil” (No Paraíso, a (po)ética, de Zejnullah Halil) — seu décimo primeiro livro consecutivo.
  5. “Në dritën e dijes 1” (À Luz do Saber 1), crítica literária — décimo primeiro livro.
  6. “Në dritën e dijes 2” (À Luz do Saber 2), crítica literária — décimo segundo livro consecutivo.
  7. “Shtatë ditë në tryezë me Imzot Mark Sopi” (Sete Dias à Mesa com Dom Mark Sopi), romance — obra subsequente.

Magna Aspásia Fontenelle

Esta entrevista é parte da parceria entre ALB/ Uberaba- AAP-BRASIL e AAP-Albania

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Uma espiã em Tókio

Apresenta Stefanny Nakamura, uma espiã sedutora e letal enviada a Tóquio para impedir uma conspiração global

Capa do livro Uma Espiã em Tókio, de Thales Egydio
Capa do livro 1Uma Espiã em Tókio, de Thales Egidio

Depois do sucesso de ‘TCharles’ e ‘Brtittany’, da série de livros ‘Ficção De Fã’, e de ‘A Vida de Nathan Marshal’ – Eu Policial , o jovem escritor caratinguense Thales Egidio leva o leitor ao Oriente com ‘Uma Espiã em Tókio‘, mais uma obra que promete manter o suspense e a tensão no nível máximo, até a página final!

Sinopse

O romance apresenta Stefanny Nakamura, uma espiã sedutora e letal enviada a Tóquio para impedir uma conspiração global.

Conhecida pelo codinome ‘Lótus’, ela equilibra beleza, inteligência estratégica e habilidades de combate para enfrentar um mundo repleto de segredos, traições e perigos mortais.

Em meio a reviravoltas e missões perigosas, Stefanny se torna a última esperança para impedir uma ameaça capaz de mudar o rumo da história mundial.

Serviço

Livro: Uma Espiã em Tókio

Autor: Thales Egidio

Editora: Editorial Casa

Número do ISBN: 9786552160782

Número de páginas: 104

Preço:  R$ 40,00

Disponível para compra em plataformas online e livrarias digitais, como Amazon e outras lojas virtuais.

Amazon: https://www.amazon.com.br/Uma-espiã-Tóquio-Thales-Egidio/dp/655216078X?dplnkId=bc507555-fd67-41dc-9f2c-0c7d6c4c4ab2&nodl=1

Sobre o autor

Thales Egidio
Thales Egidio

Thales Egidio, natural de Caratinga (MG), é escritor, modelo, ator e criador de conteúdo.

Conhecido por criar histórias de ficção, fantasia e aventura, também trabalha com projetos audiovisuais e animação.

 Thales iniciou sua carreira artística com projetos como Blink 2022 e a série animada Brittany FSH.

E desenvolveu o curta-metragem Ficção de Fã – O Filme, baseado no livro de sua autoria.

Entre suas obras estão livros da série Ficção de Fã e outros romances de ação e suspense.

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Ciência, Técnica e Filosofia, um trinómio inseparável

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Ciência, Técnica e Filosofia, um trinómio inseparável’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69b33473-fc24-83e9-9865-4289bd39a142

Há quem defenda que: «A Filosofia estuda-se como outra matéria qualquer, com algum esforço, algum prazer, alguma disciplina. A organização do estudo é fundamental para que os conhecimentos não apareçam dispersos, desligados uns dos outros e, sobretudo, de nós próprios. Só uma boa organização do estudo permite uma boa compreensão e assimilação do que pretendemos. (…) A Filosofia não tem o monopólio destas ou daquelas ideias, embora exista um modo filosófico de as expressar. » (TAVARES & FERRO, 1983:25).

Temos visto, quão complexa é a Filosofia, face a outras áreas disciplinares, nomeadamente, se compararmos com as ciências exatas. De facto, a “máquina humana” é, ainda hoje, um labirinto de incógnitas, pese, embora, o esforço das várias ciências humanas, cada uma com o (s) seu (s) objeto (s) de estudo, metodologias e estratégias, mas, à Filosofia, contudo, não é fácil determinar tal objeto, pelas seguintes causas:

«a) O seu objecto especial nas actividades humanas, entre as que são resultado tanto da arte como das da ciência, ou se se prefere, entre as artes e as ciências; b) A sua própria evolução histórica que a levou, e ainda continua a levar, algumas vezes a procurar a sua definição eliminando quanto não é ela, evolução que provoca periodicamente uma crise (real ou artificial, segundo o mal do tempo) da sua consciência autónoma; c) Uma discussão que já vem de longo tempo entre os filósofos no seu conjunto, e os especialistas das regras da acção humana, quer estes sejam filósofos ou não, mas em nome da moral (religiosa ou não) da política, ou de qualquer Teoria do Comportamento.» (LEGRAND, 1983:176).

Por tudo o que fica analisado, não será difícil aceitar que o filósofo, ao contrário de outros intervenientes no processo humano, tem, e terá sempre, o seu trabalho dificultado e inacabado. Tradicionalmente, aliamos à noção de ciência, o conceito de conhecimento e, nesta perspectiva, analisamos, também, as diversas maneiras de compreender o mundo destacando-se aqui os níveis clássicos: conhecimento espontâneo ou senso comum, e o conhecimento científico, entendendo-se que este é uma vitória recente da humanidade, tendo surgido no século XVII, com as Revoluções “Copernicana” e “Galeliana”. 

Se é certo que: no pensamento grego, a Filosofia e a ciência integravam uma única árvore do saber; igualmente é verdade que já na idade Moderna, a separação também se consumaria, buscando cada uma delas – Filosofia e Ciência – o seu percurso concreto, o seu método, o seu objeto, aliás, a ciência moderna surge ao determinar um objetivo específico de investigação, e ao adotar um método, através do qual se controlará o conhecimento. 

O recurso a métodos rigorosos, possibilita que a ciência atinja um tipo de conhecimento sistemático, metodológico, preciso, objetivo e reversível, pelo qual se descobrem relações universais e necessárias entre os fenómenos, permitindo prever acontecimentos, e atuar da forma mais eficaz.

Ciência, Técnica e Filosofia, constituem, portanto, um trinómio que deve ser inseparável, não se devendo tentar sobrevalorizar um, em detrimento dos outros, porque eles constituem, apenas, uma parte dos conhecimentos e práticas que caracterizam a Humanidade, sendo certo que: enquanto assim não se proceder, o mundo não terá paz; as desigualdades entre as pessoas aumentarão; até ao dia em que uma esmagadora maioria de excluídos, se revoltará e tomará conta dos destinos de todos. 

BIBLIOGRAFIA

LEGRAND, Gerard (Dir.), (1983). Dicionário de Filosofia, Tradução, Armando J. Rodrigues e João Gama, Lisboa: Edições 70.

TAVARES, Manuel & FERRO, Mário, (1983). Guia do Estudante de Filosofia. 4a Ed. Lisboa: Editorial Presença.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Alvéolos da Alma

Alvéolos da Alma é uma pequena coletânea de poemas majoritariamente inéditos, intercalados com a reimpressão de alguns escritos particularmente caros a seu autor

Capa do livro Alvéolos da Alma, de Marcus Hemerly
Capa do livro Alvéolos da Alma, de Marcus Hemerly

Numa multitude caleidoscópica de impressões, reuniu-se uma pequena coletânea de poemas majoritariamente inéditos, intercalados com a reimpressão de alguns escritos particularmente caros a seu autor.

Não se prende esta singela obra a uma antologia em harmonia de estilo; desdobram-se versos soltos, rimados, metrificados ou livres, poemas românticos, de morte, existenciais ou ao estilo beatnik, no intuito de amealhar um retrato fiel da ‘metamorfose ambulante’ afeita ao ser racional/sentimental.

Inclusive, Pessoa e seus heterônimos, cada qual amoldando seus próprios estilos e peculiaridades estéticas comprovou, na melhor forma, o que, finalisticamente se pretende: poesia. Como, de igual sorte, poderia dizer o festejado gênio lusitano, assim como Vinícius e Agusto dos Anjos, se o poeta “finge ser dor, a dor que deveras sente”, também pretende que “seja eterno enquanto dure”, pois na contrariedade aparente “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Alvéolos da Alma, com 64 páginas, pode ser adquirido pela Amazon, no formato e-book Kindle, ao preço de R$ 5,00.

Sobre o autor

Marcus Hemerly

Marcus Hemerly, natural de Cacheiro de Itapemirim (ES), é servidor do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo.

Autor da obra ‘Verso e Prosa: Excertos de Acertos’, originalmente publicada em formato físico.

Membro de Academias Literárias e coautor em antologias poéticas e de contos.

Recebeu, da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA, dentre outros títulos: Prêmio Monteiro Lobato; Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis; Comenda Olavo Bilac Príncipe dos Poetas; Medalha Dom Pedro II -Patrono das Letras e das Ciências; Medalha Notório Saber Cultural; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Históricos e Filosóficoso Título de Doutor Honoris Causa em Literatura e, pela Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, Cavaleiro Comendador da Ordem de Gotland.

E foi um dos vencedores do concurso internacional de poesias Covid Times Poetry, promovido pela ONG WHD – World Humanitarian Drive.

É colunista de cinema e literatura, contribuindo para saites e jornais eletrônicos

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Aplausos vazios

Verônica Moreira: ‘Aplausos vazios’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem gerada pela IA do ChatGPT 0 12 de março de 2026,
às 00:31

Claro que eu estava lá. Mas era como se não estivesse. Estava no palco e estava sendo aplaudida, mas não me senti homenageada. Não, eu não queria que fosse daquela forma. Todavia, eu não via brilho nos olhares. Senti que não me desejavam ali.

Por mais que tentem esconder, meus olhos veem além… Não vi sorrisos sinceros e, quando, por nervosismo — talvez por me sentir rejeitada, por não conseguir ser perfeita — senti rejeição, meu coração se fechou.

Nunca foi minha intenção ser perfeita, porque sei que eu não poderia. E mesmo que eu conseguisse chegar perto da perfeição, me crucificariam como fizeram com meu Mestre.

Longe de mim habita a perfeição. Só consigo ver frieza em alguns olhos à minha volta. Talvez eu esteja enganada, e eu torço para que um dia eu acorde e alguém me diga que era um pesadelo.

Cruzo o caminho e, quando o vejo, me mantenho firme, mas o desejo é me esconder da frieza desse olhar.

Peço a Deus, todo santo dia, que afaste de mim o cálice do engano, do mal-entendido, porque, depois que aprendi a lidar com a frieza, meu coração não confia em nenhum calor. Nenhuma faísca que pareça fogo me afeta.

Meu coração queima, mas não é mais de sentir afeto. É de sentir na carne, nos ossos e na pele a rejeição dos olhares que me ofendem.

Verônica Moreira

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Superando pensamentos negativos

Lina Veira: Crônica ‘Superando pensamentos negativos’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem gerada pela IA do Canva, com prompt de
Lina Veira

Estamos diante de uma sociedade onde, na maioria das vezes, responder e concordar é positivo, mas reagir ou mostrar o contrário é negativo. Onde, no geral, damos mais atenção às coisas negativas que nos acontecem do que às positivas.

Mas venho lembrar: a vida é um conjunto de experiências positivas e negativas. E os pensamentos são nossa maneira de registrar e processar tudo nela.

Quantas vezes reclamamos de algo negativo que aconteceu no dia? Um atraso no encontro marcado, o trânsito parado, o mal atendimento de um funcionário, o que esquecemos de realizar…

Sem perceber, nossa mente se acostuma com a negativa de palavras e predominância de pensamentos negativos todos os dias. E é claro que pensamentos e falas negativas levam a acontecimentos negativos. Então, por que não pensamos e falamos positivamente? Por que estamos sempre interferindo na nossa alegria de viver?

E eu repondo: Porque nos educaram com ideias negativas que se acomodam dentro de nós, e que nem sempre são nossas, mas despejadas em nós pelas pessoas com as quais convivemos.

Vamos pensar juntos! Se a vida é um reflexo do que pensamos, é preciso educar o pensamento, criar novas ideias, escolher saudáveis atitudes e imaginar o melhor sempre, porque tudo passa e a gente precisa estar mais forte e confiante com o momento presente e futuro que virá.

Que se torne simples gerar pensamentos positivos e ser sinal de alegria no mundo.

Lina Veira

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Entrevista con el poeta errante Ron A. Kalman 

Carlos Javier Jarquín

‘Entrevista con el poeta errante Ron A. Kalman’ 

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Ron A.  Kalman, es coautor de CANTO PLANETARIO, Volumen I (H.C. EDITORES, Costa Rica, 2023), donde aparecen dos poemas suyos en versión bilingüe español-inglés, traducidos por la poeta y traductora colombiana María Fernanda Del  Castillo Sucerquia.
Ron A.  Kalman, es coautor de CANTO PLANETARIO, Volumen I (H.C. EDITORES, Costa Rica, 2023), donde aparecen dos poemas suyos en versión bilingüe español-inglés, traducidos por la poeta y traductora colombiana María Fernanda Del  Castillo Sucerquia.

Queridos amigos planetarios:

Hoy les presento a un amigo, poeta y sobre todo humanista, Ron A. Kalman, nacido el 6 de marzo de 1959 en Haifa, Israel. Sus padres, Gabor J. Kalman y Suzana Kalman, emigraron allí tras abandonar Budapest durante el Levantamiento Húngaro de 1956. A los 3 años, la familia se mudó primero a París, luego a Boulder, Colorado, y finalmente, a los 7 años, se estableció en la zona de Boston, Estados Unidos.

Su infancia estuvo acentuada por viajes constantes por distintos países, donde vivió anécdotas complejas para su edad. Su primer idioma fue el húngaro, seguido del francés y luego el inglés. Esas experiencias itinerantes se reflejan en su obra literaria, caracterizada por un sensible tono autobiográfico. No todos los autores logran transmitir la vida personal con tanta autenticidad como él, su estilo único invita a los lectores no solo a leer, sino a analizar y reflexionar desde la vivencia profunda.

En esta entrevista, Ron nos habla del impacto que ese mundo errante tuvo en su poesía. Como él mismo menciona en una respuesta: “aprendí a observar con cuidado y a cuestionar antes de aceptar cualquier cosa”. Kalman es coautor de CANTO PLANETARIO, Volumen I (H.C. EDITORES, Costa Rica, 2023), donde aparecen dos poemas suyos en versión bilingüe español-inglés, traducidos por la poeta y traductora colombiana María Fernanda Del  Castillo Sucerquia. En la charla, explica brevemente el mensaje de ambos.

Comenzó a escribir con mayor libertad después de los 27 años y, tras muchos años, halló su estilo literario único. Su poesía, inspirada en vivencias como la migración, los idiomas y las culturas, lo convierte en un genuino observador de la cotidianidad en sus múltiples dimensiones. A través de la poesía, a lo largo de su vida, ha sabido transcribir esos mensajes silenciosos que, por circunstancias inexplicables, ha vivido. Espero que disfruten mucho esta entrevista y se den la oportunidad de conocer más a este autor estadounidense errante.

  • Entrevista

Nació en Haifa (Israel) de padres que acababan de huir de Budapest, y de niño también vivió en París, Boulder (Colorado) y luego en Boston. ¿De qué maneras han impactado estos traslados en tu obra literaria?

Creo que estar arraigado en un lugar y una cultura particulares tiene mucho que ver con cómo escribes. Como mi familia se mudó tantas veces —todo antes de que yo tuviera siete años— nunca desarrollé un sentido fijo de pertenencia a un solo lugar. Esa inestabilidad temprana moldeó cómo me relacionaba con mi entorno. Aprendí a observar con cuidado y a cuestionar antes de aceptar cualquier cosa.

Muy temprano desarrollé un escepticismo saludable hacia cualquier cosa que oliera a lealtad institucional o patriotismo forzado. Ese escepticismo se extendió a la literatura también. Incluso en la poesía hay tradiciones nacionales y estándares estéticos a los que se espera implícitamente que adhieras. Nunca me sentí atado por esas expectativas. Si algo, mudarme entre culturas me hizo ver el lenguaje como algo fluido.

¿Qué anécdota de vivir en diferentes ciudades durante tu infancia te marcó para siempre?

Cuando llegamos a Boulder, yo tenía seis años y me pusieron directamente en primer grado sin saber una palabra de inglés. Había una niña en la clase que hablaba algo de francés, así que me pegué a ella. Durante dos meses la seguí a todas partes —aula, patio— tratándola como mi intérprete personal.

Un día se volvió hacia mí y me dijo que no quería que me sentara más a su lado.

Fue mi primera lección en independencia y moderación romántica. Aprendí que no es prudente seguir a una mujer por demasiado tiempo. Más importante aún, entendí que tarde o temprano tendría que valerme por mí mismo.

Habiendo crecido en un hogar húngaro y migrado entre Israel, Francia y Estados Unidos, ¿cómo han influido estas experiencias en tu visión poética del mundo y la identidad humana?

Mudarme entre países a una edad tan temprana me enseñó a acercarme a las culturas con humildad. Cuando llego a un lugar nuevo, al principio tiendo a observar más que a participar. Lo que me interesa no es la versión postal de un lugar, sino cómo viven realmente las personas —cómo se hablan, qué valoran, qué asumen sin decirlo.

La migración también me hizo receloso del nacionalismo fácil. Hay una línea fina entre sentir orgullo por tu cultura y elevarla al punto de volverte indiferente —o incluso despectivo— hacia las demás. Habiendo vivido entre lenguajes e historias, nunca me he sentido enteramente contenido en una sola identidad.

Ese sentido de estar en el intermedio se filtra en mi poesía. Mis personajes a menudo tienen una cualidad apátrida. Aunque he vivido casi toda mi vida en Estados Unidos, una parte de mí probablemente siempre permanecerá ligeramente fuera del marco —observando, traduciendo, perteneciendo y no perteneciendo al mismo tiempo.

¿A qué edad despertó tu pasión por la poesía?

Llegué a la poesía relativamente tarde —a los veintisiete. Es cierto que de niño ocasionalmente garabateaba un poema, y a los doce un profesor se maravilló con algo que escribí para una tarea. Pero me atraían mucho más las novelas que la poesía, que me parecía distante.

Después de la universidad, cuando empecé a tomarme la escritura en serio, naturalmente me volví hacia la ficción. Pasé varios años luchando con la forma novelística, tratando de hacerla acomodar ideas, personajes y lugares que me importaban. Solo por agotamiento —cuando estaba al borde de abandonar la escritura por completo— tropecé con la poesía.

Lo que llegó como una revelación fue que ideas que habían sido forzadas en forma narrativa se manifestaban en poesía con sorprendente facilidad. Entendí entonces que mi problema no había sido falta de compromiso, sino un desajuste de forma.

¿Qué autores han influido principalmente en tu obra poética?

Cuando aún estaba empeñado en escribir una novela, Henry Miller tuvo un impacto significativo en mí. A menudo se le recuerda por su tratamiento franco, incluso notorio, de la sexualidad, pero lo que me interesó más profundamente fue su lucha artística. Durante años buscó una voz que le pareciera auténtica. Solo después de mudarse a París en los años 30 algo se desbloqueó. La prosa se volvió exuberante, desafiante, sin disculpas, viva. Ese sentido de autodescubrimiento artístico se quedó conmigo.

En poesía, encontré una vitalidad comparable en Frank O’Hara. Después de mudarse a Nueva York en los años 50, se convirtió en una figura central en el mundo del arte del centro de la ciudad, estrechamente asociado con los expresionistas abstractos. Sus llamados poemas “hago esto, hago aquello” capturaban la inmediatez de la experiencia vivida —almuerzos, llamadas telefónicas, paseos por Manhattan— con ingenio y velocidad. Lo que admiraba era la sensación de que la poesía podía desplegarse en tiempo real, que la vida diaria misma podía llevar intensidad lírica.

¿Cuáles son los temas centrales que abordas en tu obra poética?

Me interesa cómo los momentos ordinarios, cuando se examinan de cerca, empiezan a llevar peso estético, y cómo el acto de escribir a su vez altera la percepción de la vida diaria.

Varios críticos han observado que muchos de mis poemas se detienen en la textura de lo cotidiano —conversaciones con amigos, interacciones entre amantes, los rituales silenciosos de leer y escribir. No veo estos temas como modestos o incidentales. Al contrario, creo que dentro de la vida ordinaria yacen las tensiones más grandes de la condición humana.

Si hay un impulso guía en mi poesía, es mostrar cómo el momento aparentemente pequeño puede abrirse a algo más expansivo —cómo el arte no está aparte de la vida, sino que crece directamente de ella.

Les invitamos a conocer de la obra poética del poeta estadounidense Ron A. Kalman. Foto/Cortesía.
Les invitamos a conocer de la obra poética del poeta estadounidense Ron A. Kalman. Foto/Cortesía.

¿Puedes contarnos sobre el mensaje principal de los poemas tuyos que publicamos en CANTO PLANETARIO?

Ambos poemas reflejan mi preocupación por cómo las grandes fuerzas políticas y ambientales entran en la vida ordinaria.

En My Next Car (mi próximo auto), una decisión aparentemente simple —si comprar o no un vehículo eléctrico— se abre a una reflexión sobre el cambio climático, la ideología y la incertidumbre. Una elección privada se vuelve inseparable del tumulto público.

En Cod (Bacalao), la migración forzada hacia el norte del bacalao atlántico se convierte en un espejo de nuestro propio futuro. Si incluso los peces deben reubicarse por el colapso ambiental, ¿qué sugiere eso sobre nosotros? En ambos poemas, el desplazamiento ya no es meramente personal —es ecológico y cada vez más inevitable. 

¿Qué ha significado para ti que parte de tu obra literaria haya sido traducida a diferentes idiomas?

Me siento afortunado de que mi obra haya sido traducida —no solo al español, sino también al húngaro. Dadas las raíces húngaras de mi familia (el húngaro fue mi primer idioma) y mi propio movimiento entre culturas, ver mis poemas entrar en otro idioma tiene una resonancia particular para mí.

La traducción siempre es un riesgo. Un poema depende tanto del ritmo, el tono y el matiz que puede sentirse frágil al cruzarse fronteras lingüísticas. Cuando un poema sobrevive ese viaje —cuando sigue hablando a lectores en otro país— sugiere que algo esencial en él no está atado a un solo idioma.

Afirma mi esperanza de que la poesía anclada en la vida ordinaria y la experiencia personal aún pueda alcanzar algo compartido. Me siento tanto humillado como conmovido al ver que mi obra ha encontrado lectores en otros idiomas.

Portada del libroAppearance of the Sun, (Main Street Rag Publishing, 2021)
Portada del libroAppearance of the Sun, (Main Street Rag Publishing, 2021)

¿Puedes contarnos sobre tu libro Appearance of the Sun, (Main Street Rag Publishing, 2021)?

La mayoría de los poemas de Appearance of the Sun fueron escritos durante la primera década después de que empecé a escribir poesía a los veintisiete. Aunque algunas piezas están ambientadas en lugares tan variados como Grecia, Hungría, Francia y San Francisco, el centro emocional de la colección es Harvard Square, donde vivía en ese entonces. En esa época aún conservaba algo del aura bohemia que había adquirido en los años 60.

Los poemas relatan un período formativo en mi vida cuando las amistades, enredos románticos, ambición artística y la formación de mi voz eran mis preocupaciones primordiales.

Me tomó más de veinte años encontrar un editor para el manuscrito, lo que hace que su recepción eventual sea aún más significativa. Me gratificó que el libro fuera bien recibido, con poemas individuales apareciendo en varios países sudamericanos y en Europa. Un poema fue incluido en una antología internacional publicada en Serbia, y toda la colección fue traducida después al húngaro y serializada en una revista literaria. Su recepción compensó su largo viaje hacia la publicación.

¿Por qué, después de completar tu Máster en Bellas Artes, decidiste trabajar como mensajero en un hospital y luego como chófer de limusina?

Es común en Estados Unidos que los poetas con un MFA persigan una carrera académica. Elegí no tomar ese camino, en parte porque no me atraía enseñar y en parte porque la academia puede fomentar una cierta profesionalización de la voz que no se alineaba con mi estética.

Mi escritura siempre ha estado anclada en la experiencia vivida, y quería que mi vida de escritura y mi vida real permanecieran estrechamente entrelazadas.

Trabajar primero como mensajero en un hospital —transportando especímenes, sangre y médicos entre instalaciones— y luego como chófer de limusina me dio algo invaluable: independencia. Pude pagar mis cuentas sin tener que conformarme artísticamente. También me mantuvo en contacto con una amplia gama de personas y situaciones que ningún taller podría replicar.

Desde tu perspectiva como poeta, ¿qué piensas sobre el rápido avance de la inteligencia artificial (IA)?

Creo que la inteligencia artificial puede ser una herramienta valiosa en muchos campos. Pero en relación con las artes, me acerco a ella con cautela.

La IA puede generar textos que se asemejan a poemas. Pueden imitar estilo, estructura, incluso tono. Pero para mí, el arte no se define solo por cómo se ve o suena. Emerge de la conciencia —de la experiencia vivida, de la lucha, de la contradicción, de la presión de una vida particular desplegándose en el tiempo.

Para entender plenamente una obra de arte, creo que debe situarse dentro de un parámetro humano. Debemos considerar qué la precedió, qué la siguió y cómo se relaciona con la biografía del artista. Recientemente leí una biografía de Willem de Kooning que arrojó luz sobre sus famosas pinturas de mujeres. Saber algo sobre su historia, relaciones y conflictos profundizó la obra.

¿Alguna vez leeremos una biografía de un algoritmo? ¿Podemos preguntar cómo su infancia moldeó un verso, o cómo sus decepciones alteraron su imaginería?

Para mí, el arte es inseparable de la lucha y la vulnerabilidad. La IA puede simular expresión, pero no arriesga nada en el acto de creación. Y sin riesgo, no estoy seguro de que la palabra “arte” aplique plenamente.

¿Qué nuevas publicaciones literarias puedes compartir con nosotros?

Estoy muy ansioso por la publicación de la antología poética bilingüe español-inglés sobre la PAZ que tú, Carlos Javier, estás preparando y que este año verá la luz. Me siento afortunado de tener dos de mis poemas incluidos en ella, especialmente dada su escala internacional y su amplia lectoría.

Al mismo tiempo, estoy trabajando en un nuevo libro de poesía que aún está en progreso. Prefiero no decir demasiado sobre él, ya que describir un proyecto prematuramente a veces puede disminuir la energía que lo sostiene. Pero espero tenerlo listo para publicación en un futuro cercano.

¿Tienes algún proyecto en curso para publicar una colección de poesía bilingüe español-inglés?

En este momento, no tengo planes para publicar una colección bilingüe español-inglés. Sin embargo, es una idea que me atrae.

Aproximadamente dos tercios de Appearance of the Sun ya han sido traducidos al español, y esos poemas han sido bien recibidos en países de habla hispana. Una edición bilingüe se sentiría como una extensión natural de ese trabajo.

Si la logística —editor, formato, distribución— se puede alinear, ciertamente es un proyecto que acogería con gusto.

Estimado Carlos Javier, finalmente, me gustaría agradecerte por tus preguntas reflexivas y por darme la oportunidad de reflexionar públicamente sobre estos aspectos de mi obra. Ha sido un intercambio significativo.

Querido y admirable poeta Ron A. Kalman, te agradezco enormemente que nos hayas permitido conocer un poco más de tu vida y trayectoria literaria. Ha sido un verdadero placer charlar contigo a través de este formato. Te deseo muchos éxitos en cada uno de tus proyectos.

En el siguiente enlace, leo un poema de la autoría de nuestro poeta entrevistado: https://n9.cl/k2t2iw 

  • Nota: la presente entrevista ha sido traducida del inglés al español mediante Perplexity AI.

Carlos Javier Jarquín

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