Entre vinhos e livros

Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Entre vinhos e livros’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Desde muito antes de se perceber velho, Augusto gostava de ler sentado em um dos bancos protegidos pelas copas das amendoeiras que circundavam o parquinho, onde crianças pareciam se divertir. Os gritos da garotada não incomodavam a leitura, mas a tornavam mais interessante. Eram como fagulhas que despertavam sentimentos esquecidos, que se misturavam sem cerimônia aos parágrafos que eram consumidos como iguarias fossem.

            Casado e descasado por vezes, sentia-se viúvo desde que a derradeira ex-esposa sucumbiu à dor do enfrentamento de câncer de mama. E, apesar das inevitáveis rusgas diante do rompimento, reencontraram o caminho da amizade e, assim, trocaram confidências até o quase último suspiro da acamada. 

            No exato momento em que virava mais uma página, perguntou-se por que ele e Olívia nunca tiveram uma recaída. Quer dizer, ainda trocaram alguns afagos após o desenlace, mas nada além de duas ou três noites depois de esvaziar uma garrafa de Malbec. Ou teria sido Merlot? Não importa, mesmo porque Augusto nunca fora um especialista no assunto, ao contrário da falecida. 

            Olívia era bonita. Sim, bonita. Não obstante, tal beleza não chegava a ofuscar as mazelas do relacionamento, que eram óbvias até mesmo quando os dois ainda viviam a paixão inicial, momento em que os corpos gritam diante da razão. 

            Por que não tiveram filhos? Essa era uma questão que ainda o intrigava. Era notória a relação de Olívia com os pequenos, que sempre corriam para os seus braços. Quanto a ele, talvez fosse deveras egoísta para se ater aos cuidados de outrem. Gostava dos sobrinhos. Quer dizer, suportava-os por alguns instantes, nada além disso. Talvez Olívia, perceptiva, já havia notado essa característica indesejável no companheiro e, então, se abstivera da ideia da concepção. 

            O casamento, entre idas e vindas, durou além da conta. Gênios tão díspares, definitivamente, não se atraem ou, caso o façam, qualquer coisinha é motivo de separação. E deve ter sido mesmo por bobagem qualquer, dessas que, logo após o desfecho, são levadas pela ventania da insignificância. 

            Entre taças de vinho e afastamentos, nunca deixaram de se falar. E, após quase seis meses do velório de Olívia, o velho continuava a ler os livros recomendados por ela.

            — Nada de clássicos, Augusto. Na nossa idade, precisamos olhar para o presente antes que o futuro nos alcance implacavelmente.

            As palavras de Olívia ainda ecoavam nos ouvidos do velho quando um menino, não mais de cinco anos, reclamava aos berros.

            — Não, mamãe! Não quero ir!

            — Meu filho, vamos, que amanhã a gente vem de novo.

            — Não!!!

            — Augusto! Pare com isso! A vida não é um morango!

            Enquanto a mulher puxava a criança pelo braço, que esperneava, Augusto sorriu pela coincidência e voltou os olhos para a capa do livro A verdade nos seres, de Daniel Marchi.

Eduardo Cesario-Martínez

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Mulheres do Brasil

Centro Cultural Casa Kennedy recebe a exposição

‘Mulheres do Brasil’ nesta sexta-feira (05)

Card da exposição Mulheres do Brasil
Card da exposição Mulheres do Brasil

O evento reúne o talento de diversos artistas plásticos locais, curadoria especializada e apresentações musicais de Caio Galdino e Rebeca Ramos

ITAPETININGA/SP – Arte, sensibilidade e a celebração da identidade feminina tomam conta do cenário cultural da cidade. No dia 05 de junho, às 19 horas, o Centro Cultural Brasil Estados Unidos – Casa Kennedy abre as portas do Auditório Margha Bloes para o vernissage da exposição coletiva “Mulheres do Brasil”.

A mostra reúne as obras de diversos artistas plásticos da cidade, que trazem em suas telas, homenagens e reflexões sobre a pluralidade da mulher brasileira. A curadoria do evento é assinada pelas também artistas plásticas Ana Elisa Bloes Meirelles de Arruda e Miranda e Walkiria Paunovic, garantindo uma narrativa visual coesa, rica e emocionante.

Arte e Música em Sintonia

Para tornar a noite de abertura ainda mais memorável, a programação cultural contará com uma apresentação musical ao vivo. Os músicos Caio Galdino e Rebeca Ramos serão os responsáveis por embalar o público com um repertório selecionado especialmente para dialogar com a atmosfera sensível e poderosa da exposição.

“A exposição ‘Mulheres do Brasil’ é mais do que uma mostra de arte; é um espaço de voz, homenagem e reconhecimento da força feminina através do olhar dos nossos artistas locais”, destacam as curadoras.

Serviço

  • Evento: Exposição “Mulheres do Brasil”
  • Data: 05 de junho (Sexta-feira)

    –

  • Horário: 19h
  • Local: Auditório Margha Bloes – Centro Cultural Brasil Estados Unidos (Casa Kennedy)
  • Atrações Musicais: Caio Galdino e Rebeca Ramos
  • Curadoria: Ana Elisa Bloes Meirelles de Arruda e Miranda & Walkiria Paunovic
  • Entrada: Gratuita

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Summer solstice

Jane Nash: Story ‘Summer Solstice’

Jane Nash
Jane Nash
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I wake and she lifts me as easily as if this body of mine was but 9 years old. At 52 there is the usual overhang, newly forming jowls and in my case, a certain crustiness.  The morning sun spills through the wooden Venetian blinds onto the wooden floorboards. She places me feet first on strange shimmering fabric upon the warm bedroom floor. This material has no substance to it and is the most comfortable magnet you can imagine, tenderly pulling and gathering all that I have to give at the end of the night. I sleep in the warmth of my own snow. Criss-crossed flakes containing the blueprint of streets, the building blocks, the very form of me. Sloughing. It sounds smoother than the actuality of removal. I shed for her.

I was the cause of my own discovery. Picking and stripping tiny pieces of my own skin as it flaked and cracked upon my body was bound to leave a trail like winter’s frosty remnants. But no balls of fun and hilarity are the result of such conditions. Instead, I am reduced to insect bait. I am motioned not to scratch lest I lose the finest rubbings – lacewings drop from the skin on my forehead.

I am a delicacy or at least, is my skin. Not the pink healthy, pig-like thick dermis but the sick, the weak, probably diseased part of me. You should be farmed and managed, she whispers to me as she pulls the crusts from my eyebrows. Once thick, striking, beautiful, youthful and definitive, they now resemble the torment of singeing.  

 By some form of recompense she lulls me to sleep when I take my siesta. She breathes with me.  She has taken me into her confidence. I cannot betray her. We have fallen into a strange symbiosis although I’m not entirely sure it manifests the correct or required balance.  I am also too tired and too bloody sore to fight her any more. We have become co-dependent.

During lockdown she would crawl in through the open window in the attic in the dead of night so not to be spotted. She became more real now that lockdown had stolen the space for private vanities. Shape shifter. Her length denies imagination in negotiating those only slightly open windows. Now she steals my steroids and antibiotics, replacing them with  night candy and I grow more for her. My doctors can’t fathom why I don’t heal. I’m a rarity she says. I try not to lose sight that I am her delicacy, she is not doing me a favour and this might never end. But it will. Soon there will be a thickening and that’s not her predilection. 

This morning I’m wondering, as she looks disappointed with my offering, is there a network of them? How do they communicate? Will a different one come to harvest my scar tissue? It strikes me as being more painful. Not that this is – it’s just strange. The talons at the base of her wrists scoop and drag each fragment of rice-paper thin skin which threatens to leave me. Once renewed, taut, it pulls and cracks and in that instance of striking pain comes the relief of every teenaged cutter who doesn’t understand the processes of their pre-frontal cortex, of their amygdala, of their fight and flight responses.  I’m flying now. 

When she first found me my heart stopped. The same way it stops when you find a leech on the back of your calf muscle, barely feeling it but sickening you all the same.  I was patting my skin dry on stepping out of the shower. I thought it to be my lover behind the frosted glass door but she had forgotten herself and was gathering the remnants of my DNA from my clothes left upon the bathroom floor. At 6ft 4, bent over like an aluminium tent frame, the iridescent patches, sensors, flashed and blinked like the perfect fly’s eyes. Multiplied. It has no face and I call it she because her touch is tender and considered. She has never made me bleed. That’s just the natural order of being stripped clean of loose, crusted skin every morning, every evening, every time I am alone.

At first I thought her to be a hallucination. I spoke to my shrink who gently considered which medications I needed to change. But I knew she was real when I saw the photos I took of my hands and face every week. Evidence is undeniable. I am being cultivated, harvested. Faceless, she makes me feel comfortable. I can imagine she’s some kind of exotic otherworld insect but once she’s sated, that’s when I feel afraid. That’s when I close my eyes and wait for the night to roll into my mind. She quivers, each sensor on her body assimilating each crumb of me and she emits a bismuth light and for thirty terrifying seconds, she becomes a gossamer pyramid, enclosing each fallen scrap of me like organza crystals and emits an eery sound akin to the calling of the wind through the broken milk bottles of my youth.

Jane Nash

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Do Peru ao ROL, Rosa Judy Parreño Baca!

Judy Parreño traz aos leitores ROLianos, as letras do Peru, país do antigo inti raymi, o grandioso festival inca em homenagem ao Deus Sol!

Judy Parreño Baca
Judy Parreño Baca

Rosa Judy Parreño Baca, 78, natural de Barranco, distrito de Lima, Peru, tem a literatura como DNA familiar, por parte da mãe, e de dois irmãos, que compunham canções.

Sua mãe foi a primeira e grande incentivadora para a Arte da Escrita. Quando menina, animava Judy a escrever, com uma frase que lhe marcou a vida, feita um bordão: “Escreva tudo o que você sente, seja positivo ou negativo; o papel aguenta tudo!”

Judy participa ativamente de grupos de poesia, dentre os quais, o Grupo Internacional de Poesia Virtual para el Mundo.

Sua atividade literária rendeu-lhe dois grandes prêmios internacionais: Premio Universal de Literatura y Poesia Hispanoamericana Ruben Darío, outorgado pela Confederación Mundial de Arte Y Literatura Colombiana Casa Poética Magia y Plumas e Premio a la Excelencia Cultural, outorgado pelo Instituto Cultural Colombiano Casa Poética Magia y Plumas.

Judy Parreño inicia sua colaboração no ROL com o poema Cuando (Quando), uma profunda reflexão existencial sobre a superação da dor, a resiliência e a transformação espiritual.

Cuando

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La luz, quiere ocultarse, en la oscuridad,
dé La noche, y làs estrellas reclaman,su espació, la NOCHE sonríe iluminando
un corazón, qué sangra, y sonríe, iluminando sus lágrimas qué deciden no volver a nadar…
Andará en sus arenas , y cada pasó qué
dé, nadie podrá leer sus sentimientos qué lo enterraron, sin su permiso.
Ella no sentirá él Tiempo, ni él día y la noche!!
Sólo sentirá su corazón, qué no le hacé reproches…
Y así seguirá eternamente respirando,
está qué en cualquier momento, sonria y la Vida llorara su partida,
hacia la LUZ dé la VERDADERA VIDA.

Rosa Judy Parreño Baca

Quando

A luz quer se esconder na escuridão,
a noite cai e as estrelas retomam seu espaço, a NOITE sorri, iluminando
um coração que sangra, e sorri, iluminando suas lágrimas que decidem nunca mais nadar…
Caminhará sobre suas areias, e a cada passo que der, ninguém poderá ler os sentimentos que a sepultaram, sem sua permissão.

Não sentirá o Tempo, nem o dia nem a noite!!

Sentirá apenas seu coração, que não guarda rancor…
E assim continuará respirando eternamente,
para que a qualquer momento, sorria e a Vida chore sua partida,
em direção à LUZ da VERDADEIRA VIDA.

Rosa Judy Parreño Baca

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Un ave llegó y dijo

Adriana Rodríguez: Poema ‘Un ave llegó y dijo’

Adriana Rodríguez
Adriana Rodríguez
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Un ave sorprendió a un hombre
al acercarse a escuchar su voz
el suave canto de sus cuerdas
y el sonido de su interior
un ave llegó posando sobre sus patas su cuerpo
un abrazo de sentimientos
desplegaron sus alas al vuelo y regresó
contaba de las mareas,
que visten los grandes mares
de los grandes cielos
que surcan los océanos
de sus alas níveas
que guardan el horizonte en su vuelo
una silueta en el universo
de un par de ojos café

Adriana Rodríguez

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Onde o amor faz morada

Marli Freitas: Poema ‘Onde o amor faz morada’

Marli Freitas
Marli Freitas
Imagem criada pela IA do Gemini
Imagem criada pela IA do Gemini

Onde o amor faz morada
É impossível a vontade de odiar.
Nascido Michael King Jr, um erro
Corrigido mais tarde pelo pai,
Pastor da Batista Ebenézer, que
O nomeou Martin Luther King Jr.

Passou a infância ouvindo histórias
Bíblicas e recitando versículos.
Muito cedo já demonstrava sua
Peculiaridade de resistência, mas,
Ao ser privado de conviver com seu
Melhor amigo branco, sentiu a dor…

De conhecer a história dramática em
Que os negros foram e continuavam
Submetidos à segregação racial nos
Estados Unidos. Golpe que poderia
Ter corrompido a sua honra, não fosse
Uma boa estrutura baseada na fé cristã.

Desde então compreendeu que devia
Ser resiliente o bastante para argumentar
Sobre o óbvio – somos todos filhos do
Mesmo Pai, portanto somos irmãos
Em Cristo, e passou a adotar como
Princípio para si e para todos…

A não violência como bandeira
De luta a favor dos direitos civis
Iguais, sem diferença de cor ou
Gênero. Adotou para si os passos
Do pai e acabou por graduar-se
Com um bacharelado em divindade…

E um PhD com uma dissertação intitulada
“Uma comparação dos Conceitos de Deus”.
Foi consignado pastor da Dexter Avenue
Baptist Church, Montegomery – Alabama,
Passando a discursar e intervir à frente da
SCLC – Conferência da Liderança Cristã do Sul.

Durante suas participações em protestos,
Foi preso vinte e nove vezes, se negando
A pagar fiança em nome das injustiças sociais
E, quando questionado, mantinha firmes os
Princípios, pois para ele “a crise sobre o racismo
Era urgente e o sistema entrincheirado”.

King sonhou e acreditou que a liberdade
Precisava ser exigida pelo oprimido e, aos pés
Do Memorial Lincoln, ditou o seu mais
Famoso discurso: “Eu tenho um sonho (…)
Nossos filhos não serão julgados pela cor da
Sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter (…)”.

Foi digno de receber, em 1964, o Prêmio Nobel
Da Paz por combater o racismo nos Estados
Unidos e ser um exemplo da resistência
Não violenta, deixando um legado na
História e honrado com as homenagens
Dignas de Guardião da Justiça Social.

Marli Freitas

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Da Síria ao Jornal Cultural ROL, Reema Hamza!

Reema Ramza traz ao ROL a literatura da Síria, o Coração do Oriente Médio, considerada um dos grandes berços da civilização e parte vital do Crescente Fértil, berço das primeiras civilizações da Antiguidade!

Reema Hamza

Reema Hamza, natural de As-Suwayda, Síria, é escritora e poetisa.

Formada pelo Instituto Superior de Música (Violino); Editora-Chefe da World of Culture (Mundo da Cultura); editora do Daily Global Nation (Nação Global Diária) e membro do Conselho Consultivo Internacional da Academia de Versala, Grécia.

Trabalhou com edição literária e administração em diversas plataformas culturais.

Suas obras foram traduzidas para vários idiomas.

Participações literárias:

Encyclopedia Oasis of Creativity (Enciclopédia Oásis da Criatividade – Partes I e II) e de The First Drop of Rain (A primeira gota de chuva); Encyclopedia Breath of the World (Enciclopédia Sopro do Mundo); Cartas de Mulheres Árabes (Palestina); Volume IV de Mandib (Índia); O Capítulo Não Escrito (Parte III); Antologia Internacional de Poetas do Amor e da Paz e Tema de estudos críticos na Metodologia de Investigação Cultural Dialética.

Publicou The Thread That Became a String, pela Editora e Casa de Estudos Umm Al-Dunya, no Egito e Poems That Chase Me, pela Barcelona Literary House for Studies and Publishing,  que inclui seus poemas traduzidos para cinco idiomas, havendo, ainda, um terceiro livro em fase de impressão que contém estudos críticos sobre sua experiência criativa.

Reema inicia sua jornada literária no ROL com o poema The café turns grey when she leaves (O café fica cinza quando ela sai), um lamento ao luto, à perda e à resiliência silenciosa.

The café turns grey when she leaves

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Whenever s he looked at her tower,
her fingers filled with regret.
When she asked the fortune-teller,
she said:
The light in your poems is a grave error.
Your eyes—
a plundered distance
since the kohl of absence traced them.
Her shadow—
a wall the wars forgot standing.
Whenever she brandished water against it,
she saw her face
resembling a sentence
that stopped in the middle of the fire.
In the café,
the far corner draws her.
The world is an idea that never tempted her,
and her silence—
a window that does not close.
Her jilbab—faint tales
seeping from an old mirror.
She ordered her coffee
with the calm of a stranger.
The poem grew old in the first sip,
and the aroma stumbled
on a margin
bound by emptiness and passed by rain.
The café’s song
searches for a beginning in her features.
The waiter passed and asked her quietly,
“Madam, this is your rose… you left it on the table.”
She arranged her shawl and answered without looking:
“Roses are read once,
and after that…
Merely a repetition of the image of withering.”
The waiter rose, confused,
took the rose like one absorbing a secret
he does not know what to do with.
She remained for a moment,
then left behind trembling cups
and a chair that grew more alone.
Since that moment,
the café began to turn grey—how could it not,
when the corner she sat in
is always reserved,
without anyone coming?

Reema Hamza

O café fica cinza quando ela sai

Sempre que olhava para sua torre,
seus dedos se enchiam de arrependimento.

Quando perguntou à cartomante,
ela disse:
A luz em seus poemas é um grave erro.

Seus olhos —
uma distância saqueada
desde que o kohl da ausência os traçou.

Sua sombra —
uma parede que as guerras esqueceram de existir.

Sempre que brandia água contra ela,
via seu rosto
semelhante a uma frase
que parou no meio do fogo.

No café,
o canto mais distante a atrai.

O mundo é uma ideia que nunca a tentou,
e seu silêncio —
uma janela que não se fecha.

Seu jilbab— tênues contos
vazando de um espelho antigo.

Ela pediu seu café
com a calma de uma estranha.

O poema envelheceu no primeiro gole,
e o aroma tropeçou
numa margem
limitada pelo vazio e levada pela chuva. A canção do café
busca um começo em suas feições.

O garçom passou e perguntou-lhe em voz baixa:
“Senhora, esta é a sua rosa… a senhora a deixou sobre a mesa.”

Ela ajeitou o xale e respondeu sem olhar:
“Rosas são lidas uma vez,
e depois disso…
mera repetição da imagem do murchar.”

O garçom levantou-se, confuso,
pegou a rosa como quem absorve um segredo
com o qual não sabe o que fazer.

Ela permaneceu por um instante,
depois deixou para trás xícaras trêmulas
e uma cadeira que se tornava cada vez mais solitária.

A partir daquele momento,
o café começou a ficar cinzento — como poderia ser diferente,
se o canto onde ela se sentava
está sempre reservado,
sem ninguém aparecer?

Reema Hamza

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