Dia Mundial da Poesia

Sorocaba inaugura mural acessível no Dia Mundial da Poesia

Card do chamamento do Livro de Rua para cego ler
Card do chamamento do Livro de Rua para cego ler

No dia 21 de março de 2026, data em que se celebra o Dia Mundial da Poesia, a escritora, poeta e artista visual Cristina Siqueira realiza, no Parque Campolim, em Sorocaba, o descerramento do mural ‘Livro de Rua para Cego Ler‘, obra literária urbana concebida com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual.

Instalado em área de grande circulação do parque, o mural — uma instalação poética literária em azulejaria impressa — integra o Projeto Livro de Rua, criado por Cristina Siqueira em 1997, que propõe a inserção da poesia no espaço urbano por meio de murais literários.

Nesta edição, a obra incorpora leitura em braille, relevo tátil e audiodescrição, permitindo que a experiência poética seja acessada também pelo toque e pela escuta, ampliando o acesso à literatura e à arte para pessoas com deficiência visual.

O projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc de Incentivo à Cultura e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Sorocaba, reafirmando o compromisso das políticas públicas com a democratização do acesso à cultura e com a promoção da inclusão.

Com a instalação da obra, Sorocaba passa a integrar um movimento contemporâneo de arte pública acessível, em que literatura, espaço urbano e cidadania se encontram para ampliar o alcance da poesia na vida cotidiana.

PROGRAMAÇÃO

🕚 11h – Abertura oficial

Parque Campolim – Palco de Eventos da Av. Carlos Comitre (espaço onde se celebra o Saint Patrick’s Day, dinamizado por Cris Lobo).

O evento contará com a presença de autoridades, representantes do setor cultural e educacional, além de instituições voltadas à pessoa com deficiência visual.

Serviço

📅 21 de março de 2026

🕚 11h

📍 Parque Campolim – Palco de Eventos da Av. Carlos Comitre – Sorocaba/SP.

📍 Localização: https://maps.google.com/?q=-23.522739,-47.464924

Evento gratuito e aberto ao público

Encerramento

No Dia Mundial da Poesia, Sorocaba inaugura uma obra que amplia o sentido da leitura: um mural onde a poesia pode ser vista, tocada e compartilhada por todos.

Sobre a autora

Cristina Siqueira
Cristina Siqueira

Cristina Siqueira é escritora, poeta e artista visual com trajetória consolidada na literatura e nas artes urbanas.

Autora de oito livros publicados, desenvolve há três décadas o Projeto Livro de Rua, responsável pela criação de murais poéticos instalados em espaços públicos.

Sua obra articula literatura, artes visuais e intervenção urbana, aproximando poesia e cidade e estimulando novas formas de fruição da palavra poética no cotidiano.

Cristina é Membro Correspondente da Academia Sorocabana de Letras e tem atuação reconhecida em projetos culturais voltados à formação de leitores, difusão da poesia e valorização do patrimônio literário.

Contato com a autora: 15 99726-5527

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Momentos-oásis

Sergio Diniz da Costa: crônica ‘Momentos-oásis’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69b58e10-951c-83e9-bc1e-ced6bea14dc2

Meio-dia. Sol causticante! Somente nesse momento pude ir ao supermercado, próximo de casa, dando para ir a pé e demandando, no máximo, 10 minutos.

Na volta, contudo, com sacolas em ambas as mãos, o trajeto demandaria mais tempo e, com o Sol parecendo um deus olímpico furioso, o trajeto se afigurava o Deserto de Lut, no Irã, considerado o local mais quente da Terra.

Respirei profundamente e dei os primeiros passos, que, gradativamente, ganhavam pouco terreno. “Ó, céus! Por que não sai mais cedo?” ─ A autoacusação me era um açoite, do mais cruel dos algozes.

Entretanto, pouco mais à frente, algumas árvores, em espaços intermitentes, derramavam sombra, onde até um cordão de formigas parecia se refrescar. Uma diferença de temperatura recebida pelo meu corpo, feita a absolvição de um pecado capital.

E de trechos em trechos, refrescado pelas árvores amigas, continuei meu caminho, a refletir sobre a vida. A vida, com seus altos e baixos, num carrossel de emoções antagônicas, ora nos empurrando aos abismos do desespero, ora nos alçando ao cume da celebração pelos tempos amenos.

O Sol, do alto de sua inalcançável distância, mas presente na pele, ainda continuava de cara fechada, parecendo até mesmo mais abrasador. Todavia, um pensamento começou a ganhar forma, trazido pela brisa da inspiração: a vida, de tempos em tempos, se nos apresenta como um inclemente deserto; nos fustiga o corpo e deixa cicatrizes na alma, mas também, após o transe do momento, nos apresenta o oásis de uma inspiração divina, de um ombro amigo, da esperança de dias plenos de alegria.

A vida, desta forma, nos põe a duras provas, visando o despertar de consciência, mas, sabendo de nossa falibilidade, nos oferece momentos de trégua, reparadora dos embates diários.

São os momentos-oásis, nos quais o viajante, perdido e sedento nas estradas terrenas, encontra a paz de espírito, com o lenitivo da compreensão de que, no final de todas as batalhas, o verdadeiro e perene oásis sempre esteve dentro de si!

Sergio Diniz da Costa

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Ordem dos Comendadores do Brasil

Solenidade de nomeação e outorga de títulos honoríficos da Ordem dos Comendadores do Brasil

Ordem Comendador Belmonte
Ordem Comendador Belmonte

A Ordem dos Comendadores do Brasil (OCB) , instituição soberana, benemérita e de caráter honorífico, sob a proteção de Yahweh, o Grande e Único, e em estrita conformidade com seus princípios fundamentais e Regimento Interno, tem a honra de convidar para a Tarde de Homenagens e Moções de Nomeação da Guarda Ambiental Elite Florestal do Rio de Janeiro (G.A.E.F.R.J.) , a realizar-se no dia 20 de março de 2026, às 14 horas, no Espaço Cultural de Angola, localizado na Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ).

A solenidade será presidida pelo Comendador Belmonte, Baluarte e Diretor Executivo da OCB, e reunirá autoridades honorárias, representantes institucionais, membros da guarda de honra e personalidades que se destacam por sua conduta ilibada, lealdade aos ideais da Ordem e dedicação à causa ambiental e social.

Durante a cerimônia, será outorgado o Título Honorífico de “Grand Lord” a G.A. Nascimento, que, por seus méritos reconhecidos por seus pares, passa a exercer a função honorária de Guardião Real da Guarda de Honra, Especial e Separada, em âmbito nacional. A nomeação, formalizada por meio do ATO Nº 0130A/2026, confere ao homenageado a prerrogativa institucional de representar os valores, tradições e compromissos estatutários da G.A.E.F.R.J., simbolizando a continuidade de uma linhagem de honra e compromisso com os ideais soberanos da Ordem.

A distinção concedida é de natureza exclusivamente honorífica, simbólica e associativa, não implicando autoridade pública, cargo público, vínculo empregatício ou prerrogativas da administração pública. Trata-se do reconhecimento institucional máximo no âmbito da OCB, conferido àqueles que caminham com retidão e se dedicam ao bem comum, em conformidade com os princípios que regem a Ordem desde sua fundação.

O evento reafirma o compromisso da OCB com a preservação da memória, da ética, da espiritualidade e da proteção ambiental, pilares que sustentam sua trajetória desde 24 de setembro de 2019, data de sua fundação.

Ao final da cerimônia, será entronizado o espírito de fraternidade e continuidade, ecoando as palavras do Comendador Belmonte: “Quando eu morrer, não quero ser lembrado como mais um. Mas sim, como o Homem temente a DEUS que ajudou os necessitados e caminhou na Terra com os Gigantes…”

Serviço

📅 Data: 20 de março de 2026 – a partir das 14 horas

📍 Local: Espaço Cultural de Angola – Av. Pres. Wilson, 113 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

📞 Contato: (21) 96665-5951

🌐 Site: www.soberanaordem.com.br

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Fallen gods

Arwa Ben Dhia: Poem ‘Fallen Gods’

Arwa Ben Dhia
Arwa Ben Dhia
Imagem gerada por IA do Grok – https://grok.com/imagine/post/a2e4fed1-55c5-448e-948f-08bb7e020767

No matter what they tell you,

You are capable of much more

Than you think you are.

Indeed, you are fallen Gods.

There is much more in you,

You, with your weaknesses and volatility,

Than in Gods stayed in their Olympus.

The latter, with their dullness and eternity,

Truly envy your frailty and mortality.

Tell yourselves more of your Divine nature,

Repeat it again and again till conviction,

Because there are no more powerful words,

Than those you utter to speak to yourselves.

Then, strive to be worth Gods.

Despite your earthly condition,

Make your Earth an Olympus!

What do Gods do? 

They create in silence.

Create a better self.

Create a better future.

Create a better Life.

And wherever you go,

Spread Beauty!

Because Beauty is the reflection of divinity.

Namaste!

Arwa Ben Dhia

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Eu sou pérola, mas já fui ostra

Quando a dor se transforma em pérola

Eu sou Pérola, mas já fui ostra
Eu sou pérola,mas já fui ostra

Há histórias que nascem da observação da vida e outras surgem da experiência profunda de quem aprendeu, ao longo do caminho, que até os momentos mais difíceis podem se transformar em aprendizado.

É desse olhar sensível que nasce o livro “Eu sou Pérola, mas já fui Ostra”, da autora, mentora e palestrante Lourdes Pereira de Souza Manhani.

Natural do interior do Paraná e hoje residente no estado de São Paulo, Lourdes, de 59 anos, construiu uma trajetória marcada pelo contato direto com pessoas e suas histórias.

Durante mais de duas décadas atuou na área educacional como professora e coordenadora acadêmica, experiência que aprofundou seu interesse pelo comportamento humano e pelos caminhos da aprendizagem e do desenvolvimento pessoal.

Lourdes Manhani
Lourdes Manhani

Mestre em Educação, com formação em Psicanálise Clínica e diversas especializações voltadas ao desenvolvimento humano, Lourdes também é sócia da Eloluz Gestão Integrada e criadora do Movimento Pérola, iniciativa que busca inspirar mulheres a reconhecerem sua força interior e ressignificarem suas próprias histórias.

Além de “Eu sou Pérola, mas já fui Ostra”, é autora da obra DEUScidências da Vida e coautora dos livros Mulheres que Transformam Mulheres e Segredos do Prazer.

Em seus livros, mentorias e palestras, compartilha reflexões que convidam ao autoconhecimento e ao fortalecimento emocional.

A ideia do livro nasceu justamente da soma dessas vivências.

Ao longo dos anos trabalhando com pessoas, Lourdes percebeu que muitas mulheres carregavam dores profundas, perdas e experiências difíceis.

Histórias que, quando compreendidas com mais cuidado e acolhimento, revelavam também uma enorme capacidade de transformação.

A inspiração para a obra veio da metáfora da ostra, capaz de transformar um incômodo em pérola.

Para a autora, essa imagem representa com delicadeza aquilo que também acontece na vida humana: muitas vezes são os desafios que nos impulsionam a crescer e a desenvolver uma nova consciência sobre quem somos.

A inspiração para a obra veio da metáfora da ostra, capaz de transformar um incômodo em pérola.

Mais do que uma leitura, “Eu sou Pérola, mas já fui Ostra” é um convite ao olhar para dentro, com acolhimento, coragem e esperança.

Porque, como lembra a autora, muitas vezes são justamente os momentos mais difíceis da vida que nos ajudam a revelar a pérola que existe em cada um de nós.

REDES SOCIAIS DA AUTORA

EU SOU PÉROLA, MAS JÁ FUI OSTRA

SINOPSE

A realidade é que podemos aprender a nos comportar mais efetivamente diante das experiências vividas, contadas e sabidas, e ainda, mais do que isso, das evidências que foram dali geradas.

É sobre isso que o livro se trata, de aprendizados.

Como você percebe a sua vida!

Nestas páginas, você encontrará mais que histórias contadas, você encontrará histórias refletidas e até reflexos seus.

Você sabe se vive agarrado a um fato passado?

Sabe ainda se esse fato é seu ou de outra pessoa?

Ou o que ele traz como consequência para o seu dia, hoje?

A Lourdes te conduziu a muitos pensamentos sobre o que aconteceu em sua vida, contados pelas histórias dela.

E mais do que isso, ela te convidará a novas coincidências, sobretudo para calibrar o impacto que as emoções e sentimentos emanados de lá, trazem para a sua vida de hoje e futura.

Sinta-se convidada a encontrar em você o poder de uma heroína, porque diante disso, você terá o grande poder de cuidar bem de você e aprender a ter consciência da sua vida.

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DA AUTORA

Eu sou pérola, mas já fui ostra
Eu sou pérola mas já fui ostra.

ONDE ENCONTRAR


Página Inicial

Resenhas da colunista Lee Oliveira




The dance of the naked

Abdulla Issa: Poem ‘The dance of the naked’

Abdulla Issa
Abdulla Issa
Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69b46e8e-c52c-83e9-9f4e-2c5e71b01568

Naked , he wears a necktie
To hide his nakedness with the skins of the victims,
Preparing his speech
For the rites of his own funeral.
Afflicted with ruins and despair,
Beneath David’s sling,
I never began a war
So that it might end.

For two centuries
I have shored up a land
Promised to me alone
With a ram’s twin horns.
Brought to me as a ransom by the heaven’s folks
I shall no longer be a god to any soldier,
To see myself wandering the corridors of a miracle
That never comes.
No prophet will find peace
Planting myrtle in the shade of my grave;

No victor, fattened on my hatred-
Not even by a fingertip-
Will dare to stare into the eyes of the wretched,
the maimed,
Or those stripped of hope,
Of any hope at all, in life
Nor those useless who hate me.
Who guide my people to the brink of disaster.
Nothing resembles me but my kingdom
A woman with her dog
Fled twenty years ago from Crimea,
And settled in Hebron, cried it out-
Bring back to me the body of my son,
Tormented in the war of Ukraine,
And the life of my grandson,
Held hostage in the depths of Gaza’s tunnels!
You- who have driven my people
With the whips of sins.
Someone casts his voice into the space between them-
There is no place where we can feel safe
For our tomorrow except through our journeys,
No refuge sufficient to bury us in,
No riddles that could, after your death,
Be turned into miracles
Of your dwelling among the lives of the ancients.
And a child, who saw what he saw
In the corridors of Al- Shifa Hospital,
Cries out:
Look at him!
He is the one-
Naked,
Driven by the deeds of his hands
Those who stoned the prophets, naked.

Abdulla Issa

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Entrevista com o escritor Kosovar Vilson Culaj

Magna Aspásia Fontenelle

‘Entrevista com o escritor Kosovar Vilson Culaj’

Logo da seção Entrevistas ROLianas
Logo da seção Entrevistas ROLianas
Kosovar Vilson Culaj
Kosovar Vilson Culaj – Arquivo pessoal

Entre memória e esperança, a literatura ergue sua voz como ponte entre povos e tempos. Vilson Culaj, escritor kosovar, constrói sua obra a partir das brasas da experiência humana, tecendo narrativas que dialogam com a história, a identidade do seu povo.

Em “A Fornalha de Nabucodonosor”, o autor transforma o fogo em metáfora do sofrimento, da purificação e da reinvenção, convidando o leitor a uma travessia sensível pelos caminhos da palavra, da resistência e da esperança.

A literatura tornou-se elo entre fronteiras, unindo passado, presente e futuro numa linguagem universal que o escritor kosovar Vilson Culaj se posiciona por meio de seus escritos, evidenciando seu estilo singular entre história, seu país e suas experiências pessoais.Mantendo suas obras atuais e atemporais, respeitando a história inserida na sua vivência pessoal e laboral.

1 – Conte-nos sobre sua trajetória de vida. Família, labor, sonhos.

VC – Eu nasci em 06 agosto de 1973 em uma cidade chamada Klinë, localizada no noroeste do Kosovo. Sou casado com Liza Radi Culaj, a mulher que completa minha vida em todas as dimensões espirituais, intelectuais e meu espaço literário e de socialização. 

Do fruto do nosso amor, temos três filhos Beatrice, Eliente e Nikolla, todos os três concluíram os estudos e trabalham em Pristina em suas respectivas profissões. Beatrice – jornalista de TV, Elienta designer profissional e Nikolla trabalha em uma empresa americana de Ciência da Computação. 

Atualmente trabalho como secretário em uma escola primária com 1.500 alunos e 75 professores, exigindo um trabalho administrativo dedicado e um tato e cortesia sublimes. 

Quanto aos sonhos, tenho apenas um sonho: acordar do sonho e realizar minha vida profissional, literária, familiar, e ser uma luz para as gerações mais jovens graças às capacidades que possuo.

Vilson Culaj – Në Parajsën (PO)etike të Zejnulla Halilit

2 – Como surgiu sua vocação literária e quais influências marcaram sua trajetória?

VC – Certa vez, em um verso meu, expressei risos, a vida é um chamado como um sino. Nesta disputa, quero dizer que as crianças que crescem com um dos pais longe, mas não separados, têm uma sede mística pela causa da vida e dos vazios emocionais (o meu pai permaneceu na Alemanha por razões econômicas durante 35 anos). 

A partir daí iniciei a busca pela minha vida espiritual, indagando o “porque existencial” num mergulho em dimensões espirituais, por vezes místicas.

Quando acrescentamos essas coisas à cultura maratonista da leitura, acredito estar no caminho correto para cumprir minha missão literária na construção e realização de minha história pessoal.

Meu chamado literário não tem a gênese do romantismo, do Eros ou do Thanatos, mas do Biofil, da harmonia, da paz (amor, existência e filantropia), contudo nas travessias das provações para que o homem visionário, conhecedor e valioso possa ser posto em ação como guia e se tornar o guardião das orientações do novo para as nações e para o mundo.

 A vida me ensinou que, o ignorante é o travesseiro do diabo. 

Então vamos pedir um outro tipo de homem no mundo iluminado que não ande nas trevas.

3 – O que o inspirou a escrever A Fornalha de Nabucodonosor?

VC – Na vida, o evento deve acontecer, caso contrário, como poderíamos entender a lei da quebra no mar ‘’ Certa vez refleti em um versículo meu. E como a vida é paz e tempestade, aos 25 anos, vivi a última guerra no Kosovo, tal como os meus antepassados viveram. 

Na vida, o acontecimento precisa ocorrer; caso contrário, como poderíamos compreender a lei da ruptura no mar, refletida outrora em um de meus versos. Observei   que a vida é feita de paz e tempestade, aos 25 anos vivi a última guerra no Kosovo, assim como a viveram meus antepassados diante do mesmo inimigo antigo.

Negar a um povo 2.000 anos de história, existência e direito natural e expulsar o povo de Israel para além das suas fronteiras naturais, tal como fez outrora o Rei Nabucodonosor, não havia outra forma de acontecer nem outra maneira para que eu começasse um romance e colocasse esses dramas coletivos e nacionais no papel.

 É o fogo e o forno que queimam, mas não extinguem o ser descrito neste romance, como Ester de época, aqui se realiza o sacrifício da mulher albanesa, que a partir da tragédia se transformou em uma mensagem histórica da sobrevivência de um povo esquecido pelos mapas antigos.  

Capa do livro Furra e Nakukodonozorit

4 – Por que escolheu Nabucodonosor como símbolo central da obra?

VC – Deve haver um tirano para falar sobre os dramas de uma nação inocente como o povo albanês. Nabucodonosor foi a metáfora literária e o protótipo do líder sérvio Milosevic, que, alimentado pelo ódio nacional e ideológico e pela síndrome do colapso, negou tudo o que era albanês, até atos genocidas, homicídio cultural, religioso, étnico e existência. 

A última mensagem deste romance é a metáfora de que, se um povo não repetir sua trágica história, ele deve primeiro estar ciente de sua origem, da liberdade conquistada, do sacrifício ao longo dos séculos e do sangramento para se integrar aos povos livres do mundo. 

E a mensagem aos tiranos é que na história do mundo eles não o ditam, mas sim, o plano Divino de Deus e o direito natural de existir.  

5 – Conte-nos sobre suas obras literárias, poética.

VC – Como qualquer jovem, comecei com poesia ou com a primeira obra, “Sons Inéditos” que foi extremamente bem recebida pelos leitores. Foi um bom sinal de que eu tinha um sistema organizado de ideias e grandes inspirações para continuar a maratona literária após essa publicação. 

Os acontecimentos recentes da guerra me impulsionaram para novas inspirações e publiquei o romance, “Forno de Nabucodonosor”, para chegar ao livro de poemas, DAHO & VE ‘’ que na quebra simbólica da mensagem expõe o amor horizontal e pessoal. 

Portanto, o amor a Deus e ao homem, onde ambos juntos dão o sinal de salvação e felicidade interpessoal. O quarto livro é uma antologia poética, “Partida Desfeita”, dedicada ao conhecido escritor infantil Rifat Kukaj, que foi extremamente bem recebida pelos leitores. 

O quinto livro é uma curta prosa psicológica, “Tempestade Adormecida”, sobre a qual dezenas de críticas e análises literárias foram escritas. 

Estou convencido de que o romance, “Os Excluídos”’, no qual trabalhei por  14 anos, é meu auge literário porque cerca de 25 críticas literárias foram escritas sobre ele e grandes promoções foram feitas, incluindo Pristina, Shkodra e Tirana, onde este romance ganhou em 2015 o prêmio literário de romance do ano. 

O livro poético, “Duas Vezes” segundo a crítica literária é um hino literário e poético e ainda circulam opiniões e debates sobre os valores artísticos deste livro.

 Depois publiquei o romance, “Amor Intocável”, ganhador de dois prêmios literários, incluindo um prestigioso prêmio, “Dom Ndre Mjeda” em Tirana, compartilhado pela Academia Literária em Mirdita, publiquei o livro poético “O Muro da Memória”, que foi comtemplado com muitas avaliações e críticas literárias. 

Minha maratona literária foi precedida pela antologia e livro de estudos,” No Reino Poético de ´ ZEJNULLAH  HALIL ‘’, livro que conquistou a opinião e a mídia por seus valores literários, seguido por dois livros com críticas literárias: volume 1- A Luz do Conhecimento”, que inclui 63 análises literárias de minha parte para nomes eminentes da literatura albanesa, volume 2: A Luz do conhecimento composto de 50 críticas literárias de outros críticos e da minha literatura pessoal. 

Em 10 de janeiro de 2026 foi publicado o romance histórico, 7 DIAS À MESA COM MONSENHOR. MARK SOPIN ‘’ uma figura clerical emblemática, abordagem humana e diplomática. 

Amigo próximo do presidente Ibrahim Rugova e filantropo sem excelência. Este romance foi promovido no salão cultural Pogdani Polis, localizado no edifício da Catedral de Madre Teresa, em Pristina, na presença de um número extremamente grande de participantes e intelectuais proeminentes do Kosovo e da Albânia.  

Capa do livro Muri I Kujtësës

6 – Como a história e a identidade kosovar atravessam sua narrativa?

VC – Penso, logo, existo, segundo Descartes, mas não pretendo atingir as alturas literárias apenas mediante emoções, experiências pessoais e sociais, racionalismo etc., mas por meio de um espiritismo expresso e de uma intuição sociológica e histórica que me chama de segunda voz no deserto. 

O universal e o local para mim são duas faces da moeda, sem a qual um talento ou valor monetário não pode chegar ao seu mercado, ou missão. O universal torna você livre, enquanto o local às vezes endurece suas visões. 

Entretanto, compartilho da opinião de que a troca de culturas e realidades históricas é a riqueza e a necessidade da humanidade. Você não pode simplesmente terminar de fumar um cigarro e nem morrer, disse uma vez um ganhador do Nobel russo. 

Quanto à minha identidade literária e albanesa nacional, está se tornou uma tradição literária e uma consciência elevada, mas na verdade gosto de ser um “peixe’’ do mar e não do pântano, não de nenhum superego expresso e sinto que a luz quando é chamada assim, não deve interromper a jornada em direção àqueles espaços celestiais. 

O sacrifício pelo gueto às vezes alimenta apenas mitos e sombras de valores, enquanto servir significa reinar em outros espaços espirituais, culturais e literários…

Não estou dizendo que sou um detector de eventos e histórias dentro da minha nação, mas meus escritos se assemelham a uma grande verdade, onde revelam realidades históricas vivenciadas pelos olhos e corações de muitas pessoas e do mundo exterior. Não há glorificações de “melodias enganosas”, mas drama e emoção no início do novo milênio.  

7- Qual a simbologia da “fornalha” no contexto humano e social?

VC-Esse simbolismo literário tem muitas visões, mas a mensagem principal é o fogo catártico para uma nação desprezada há séculos. É a guerra de Davi com Golias e o espírito, assim como, os altos ideais de uma pequena nação que nunca se rende ao mal.

 O forno é o estado em que o fogo queima e tenta sem poder extinguir o ser e as visões de uma nação e do indivíduo. 

Este forno de martírio babilônico e bíblico, é um sino para os ouvidos dos outros de que as nações não devem ser pisoteadas, mas devem ter uma grande chance de liberdade e integração.

Nenhuma dança mortal serve ao mundo sem a melodia da paz. Se voltarmos ao passado em nossa memória, entenderemos que o mundo inteiro é irmão e irmã no Jardim do Éden. 

Nós, como criaturas, não devemos nos tornar uma fornalha do Holocausto que destrói, mas, um caminho que se abre para a liberdade e a humanidade, como os rios que unem as margens. Quem tem coração pode experimentar ambos…    

Capa do livro Stuhi E Fjetur

8 – Qual é, hoje, o papel da literatura kosovar diante das crises do mundo?

VC – Na minha opinião, a literatura do Kosovo é substancial porque nasce de dramas, eventos dolorosos, grandes inspirações e do desejo de uma vida integrada, bem como da sede de transcender sua cultura ancestral, ou melhor, europeia. 

A literatura albanesa do Kosovo precisa de abertura, de contato com a literatura mundial como uma espécie de catapulta cultural, para projetar novos valores além das fronteiras nacionais.

A guetização da literatura é inimiga dos escritores. Os apelos poéticos e literários não devem ser limitados, assim como o espírito e a liberdade. 

A grande oportunidade de abertura literária e a influência dessa literatura no mundo estão batendo à nossa porta. Traduzir essa literatura para outros idiomas abriria novos caminhos para uma parceria literária.

A barreira linguística deve ser eliminada por outros meios para que se alcancem os prazeres da ascensão, como diria Márquez.

9 – Que impacto espera causar nos leitores?

VC- O bom semeador não reclama nem na terra nem no céu. Seu objetivo é plantar sementes literárias. Quanto ao nível nacional, acredito que criei um nome na literatura, mas ficaria feliz se a literatura brasileira e a de outras nações me acolhessem como um filho perdido no tempo. 

Somente a alma que sente e a luz não pedem permissão para suas viagens. Eles não têm começo nem fim. Tal catapulta me ajudaria a expressar meus valores literários que ficam sentados e esperam sedentos no portão do céu.   

10 – Deixe uma mensagem para os escritores brasileiro.

VC-O Brasil é uma grande nação e possui herança literária ao nível mundial. Seu modelo literário tem em si espiritismo, drama, valor e progresso. Este grande atlas da cultura mundial servir-nos-ia como pequenos povos para nos elevar a dimensões superiores. 

O universal é o meu sangramento cultural, embora o nacional muitas vezes saiba como nos endurecer. 

Desejo que esta minha entrevista seja uma janela para mim e uma ponte literária entre estes dois povos. Um sorriso cheio de graça da alma pode mudar a vida de uma pessoa, disse Madre Teresa certa vez.   

 Muito obrigada pela sua participação!

Abraços poéticos!

Sobre o entrevistado

Kosovar Vilson Culaj – Arquivo pessoal

Vilson Culaj nasceu em 6 de agosto de 1973, em Klinë, Kosovo. Concluiu o ensino fundamental e médio em sua cidade natal e graduou-se em Direito pela Universidade de Pristina, onde também realizou estudos de pós-graduação em Relações Internacionais e Diplomacia.

Iniciou sua trajetória literária ainda no ensino médio, colaborando com diversos jornais e revistas culturais e literárias do Kosovo, do Montenegro e da Albânia. Atua nos gêneros de ensaio, poesia, prosa e crítica literária, destacando-se pela profundidade filosófica e psicológica de seus textos.

Desde a década de 1990, participa ativamente da vida cultural e literária em Kosovo e em outros países, integrando inúmeros encontros, festivais e manifestações literárias, nos quais recebeu importantes prêmios e reconhecimentos, incluindo distinções por prosa e poesia. Entre os principais prêmios, destacam-se: Prozador do Ano (2016), Prêmio de Carreira (2019), 1º Prêmio de Poesia do Albanian Talent Show (2021), 1º lugar no concurso “Ora e Tahir Deskut” (2021) pelo romance Amor Intocado, e o Prêmio NDRE MJEDA (2023), em Tirana, pela melhor prosa.

Profissionalmente, atuou como jornalista no Tribunal Municipal de Klinë, foi professor do ensino fundamental e atualmente exerce a função de secretário escolar. É colaborador ativo da revista literária Mirdita e suas obras constam em antologias e diversas publicações. Seus livros têm sido amplamente estudados e analisados por críticos literários de renome.

Até o momento, ele publicou os seguintes livros:

  1. “Tinguj të padëgjueshëm” (Sons Inaudíveis), poesia, Clube dos Escritores “Vorea Ukjo”, Klinë, 1998.
  2. “Furëza e Nebukadnetsarit” (A Fornalha de Nabucodonosor), romance, Clube dos Escritores “Vorea Ujko”, Klinë, 2001.
  3. “DAHO & VE”, poesia, Editoras “Shpresa” e “Faik Konica”, Pristina, 2003.
  4. Organizador da coletânea antológica “Zhbërja e Ikjes” (Partida Desfeita)), poesias dedicatórias de 101 poetas ao escritor Rifat Kukaj, publicada pela SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2006.
  5. “Sleeping Storm” (Tempestade Adormecida), prosa, SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2009.
  6. “Dy herë” (Duas Vezes), poesia, SHKK “Anton Pashku”, Pristina, 2013.

             É membro da Liga dos Escritores do Kosovo desde 2002.

  1. “Të Dëbuarit” (Os Exilados), romance, 2015 — seu sétimo livro consecutivo, ultrapassando fronteiras nacionais pelo valor artístico, ideológico e pela força de sua mensagem.
  2. “Dashuri e Paprekur” (Amor Intocável), romance, Editora Jakup Ceraja, Pristina, 2021.
  3. “Muri i Kujtesës” (O Muro da Memória), poesia, Editora Jakup Ceraja, Pristina, 2021 — seu nono livro consecutivo.
  4. “Në Parajsë (po) Etika nga Zejnullah Halil” (No Paraíso, a (po)ética, de Zejnullah Halil) — seu décimo primeiro livro consecutivo.
  5. “Në dritën e dijes 1” (À Luz do Saber 1), crítica literária — décimo primeiro livro.
  6. “Në dritën e dijes 2” (À Luz do Saber 2), crítica literária — décimo segundo livro consecutivo.
  7. “Shtatë ditë në tryezë me Imzot Mark Sopi” (Sete Dias à Mesa com Dom Mark Sopi), romance — obra subsequente.

Magna Aspásia Fontenelle

Esta entrevista é parte da parceria entre ALB/ Uberaba- AAP-BRASIL e AAP-Albania

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