O evento reúne o talento de diversos artistas plásticos locais, curadoria especializada e apresentações musicais de Caio Galdino e Rebeca Ramos
ITAPETININGA/SP – Arte, sensibilidade e a celebração da identidade feminina tomam conta do cenário cultural da cidade. No dia 05 de junho, às 19 horas, o Centro Cultural Brasil Estados Unidos – Casa Kennedy abre as portas do Auditório Margha Bloes para o vernissage da exposição coletiva “Mulheres do Brasil”.
A mostra reúne as obras de diversos artistas plásticos da cidade, que trazem em suas telas, homenagens e reflexões sobre a pluralidade da mulher brasileira. A curadoria do evento é assinada pelas também artistas plásticas Ana Elisa Bloes Meirelles de Arruda e Miranda e Walkiria Paunovic, garantindo uma narrativa visual coesa, rica e emocionante.
Arte e Música em Sintonia
Para tornar a noite de abertura ainda mais memorável, a programação cultural contará com uma apresentação musical ao vivo. Os músicos Caio Galdino e Rebeca Ramos serão os responsáveis por embalar o público com um repertório selecionado especialmente para dialogar com a atmosfera sensível e poderosa da exposição.
“A exposição ‘Mulheres do Brasil’ é mais do que uma mostra de arte; é um espaço de voz, homenagem e reconhecimento da força feminina através do olhar dos nossos artistas locais”, destacam as curadoras.
Serviço
Evento: Exposição “Mulheres do Brasil”
Data: 05 de junho (Sexta-feira)
–
Horário: 19h
Local: Auditório Margha Bloes – Centro Cultural Brasil Estados Unidos (Casa Kennedy)
Atrações Musicais: Caio Galdino e Rebeca Ramos
Curadoria: Ana Elisa Bloes Meirelles de Arruda e Miranda & Walkiria Paunovic
Jane NashImagem criada ´pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/fd33fed47b7365cd?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
I wake and she lifts me as easily as if this body of mine was but 9 years old. At 52 there is the usual overhang, newly forming jowls and in my case, a certain crustiness. The morning sun spills through the wooden Venetian blinds onto the wooden floorboards. She places me feet first on strange shimmering fabric upon the warm bedroom floor. This material has no substance to it and is the most comfortable magnet you can imagine, tenderly pulling and gathering all that I have to give at the end of the night. I sleep in the warmth of my own snow. Criss-crossed flakes containing the blueprint of streets, the building blocks, the very form of me. Sloughing. It sounds smoother than the actuality of removal. I shed for her.
I was the cause of my own discovery. Picking and stripping tiny pieces of my own skin as it flaked and cracked upon my body was bound to leave a trail like winter’s frosty remnants. But no balls of fun and hilarity are the result of such conditions. Instead, I am reduced to insect bait. I am motioned not to scratch lest I lose the finest rubbings – lacewings drop from the skin on my forehead.
I am a delicacy or at least, is my skin. Not the pink healthy, pig-like thick dermis but the sick, the weak, probably diseased part of me. You should be farmed and managed, she whispers to me as she pulls the crusts from my eyebrows. Once thick, striking, beautiful, youthful and definitive, they now resemble the torment of singeing.
By some form of recompense she lulls me to sleep when I take my siesta. She breathes with me. She has taken me into her confidence. I cannot betray her. We have fallen into a strange symbiosis although I’m not entirely sure it manifests the correct or required balance. I am also too tired and too bloody sore to fight her any more. We have become co-dependent.
During lockdown she would crawl in through the open window in the attic in the dead of night so not to be spotted. She became more real now that lockdown had stolen the space for private vanities. Shape shifter. Her length denies imagination in negotiating those only slightly open windows. Now she steals my steroids and antibiotics, replacing them with night candy and I grow more for her. My doctors can’t fathom why I don’t heal. I’m a rarity she says. I try not to lose sight that I am her delicacy, she is not doing me a favour and this might never end. But it will. Soon there will be a thickening and that’s not her predilection.
This morning I’m wondering, as she looks disappointed with my offering, is there a network of them? How do they communicate? Will a different one come to harvest my scar tissue? It strikes me as being more painful. Not that this is – it’s just strange. The talons at the base of her wrists scoop and drag each fragment of rice-paper thin skin which threatens to leave me. Once renewed, taut, it pulls and cracks and in that instance of striking pain comes the relief of every teenaged cutter who doesn’t understand the processes of their pre-frontal cortex, of their amygdala, of their fight and flight responses. I’m flying now.
When she first found me my heart stopped. The same way it stops when you find a leech on the back of your calf muscle, barely feeling it but sickening you all the same. I was patting my skin dry on stepping out of the shower. I thought it to be my lover behind the frosted glass door but she had forgotten herself and was gathering the remnants of my DNA from my clothes left upon the bathroom floor. At 6ft 4, bent over like an aluminium tent frame, the iridescent patches, sensors, flashed and blinked like the perfect fly’s eyes. Multiplied. It has no face and I call it she because her touch is tender and considered. She has never made me bleed. That’s just the natural order of being stripped clean of loose, crusted skin every morning, every evening, every time I am alone.
At first I thought her to be a hallucination. I spoke to my shrink who gently considered which medications I needed to change. But I knew she was real when I saw the photos I took of my hands and face every week. Evidence is undeniable. I am being cultivated, harvested. Faceless, she makes me feel comfortable. I can imagine she’s some kind of exotic otherworld insect but once she’s sated, that’s when I feel afraid. That’s when I close my eyes and wait for the night to roll into my mind. She quivers, each sensor on her body assimilating each crumb of me and she emits a bismuth light and for thirty terrifying seconds, she becomes a gossamer pyramid, enclosing each fallen scrap of me like organza crystals and emits an eery sound akin to the calling of the wind through the broken milk bottles of my youth.
Judy Parreño traz aos leitores ROLianos, as letras do Peru, país do antigo inti raymi, o grandioso festival inca em homenagem ao Deus Sol!
Judy Parreño Baca
Rosa Judy Parreño Baca, 78, natural de Barranco, distrito de Lima, Peru, tem a literatura como DNA familiar, por parte da mãe, e de dois irmãos, que compunham canções.
Sua mãe foi a primeira e grande incentivadora para a Arte da Escrita. Quando menina, animava Judy a escrever, com uma frase que lhe marcou a vida, feita um bordão: “Escreva tudo o que você sente, seja positivo ou negativo; o papel aguenta tudo!”
Judy participa ativamente de grupos de poesia, dentre os quais, o Grupo Internacional de Poesia Virtual para el Mundo.
Sua atividade literária rendeu-lhe dois grandes prêmios internacionais: Premio Universal de Literatura y Poesia Hispanoamericana Ruben Darío, outorgado pela Confederación Mundial de Arte Y Literatura Colombiana Casa Poética Magia y Plumas e Premio a la Excelencia Cultural, outorgado pelo Instituto Cultural Colombiano Casa Poética Magia y Plumas.
Judy Parreño inicia sua colaboração no ROL com o poema Cuando (Quando), uma profunda reflexão existencial sobre a superação da dor, a resiliência e a transformação espiritual.
Cuando
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La luz, quiere ocultarse, en la oscuridad, dé La noche, y làs estrellas reclaman,su espació, la NOCHE sonríe iluminando un corazón, qué sangra, y sonríe, iluminando sus lágrimas qué deciden no volver a nadar… Andará en sus arenas , y cada pasó qué dé, nadie podrá leer sus sentimientos qué lo enterraron, sin su permiso. Ella no sentirá él Tiempo, ni él día y la noche!! Sólo sentirá su corazón, qué no le hacé reproches… Y así seguirá eternamente respirando, está qué en cualquier momento, sonria y la Vida llorara su partida, hacia la LUZ dé la VERDADERA VIDA.
A luz quer se esconder na escuridão, a noite cai e as estrelas retomam seu espaço, a NOITE sorri, iluminando um coração que sangra, e sorri, iluminando suas lágrimas que decidem nunca mais nadar… Caminhará sobre suas areias, e a cada passo que der, ninguém poderá ler os sentimentos que a sepultaram, sem sua permissão.
Não sentirá o Tempo, nem o dia nem a noite!!
Sentirá apenas seu coração, que não guarda rancor… E assim continuará respirando eternamente, para que a qualquer momento, sorria e a Vida chore sua partida, em direção à LUZ da VERDADEIRA VIDA.
Adriana RodríguezImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a208153-ada8-83e9-a7e2-90395d11466b
Un ave sorprendió a un hombre al acercarse a escuchar su voz el suave canto de sus cuerdas y el sonido de su interior un ave llegó posando sobre sus patas su cuerpo un abrazo de sentimientos desplegaron sus alas al vuelo y regresó contaba de las mareas, que visten los grandes mares de los grandes cielos que surcan los océanos de sus alas níveas que guardan el horizonte en su vuelo una silueta en el universo de un par de ojos café
Onde o amor faz morada É impossível a vontade de odiar. Nascido Michael King Jr, um erro Corrigido mais tarde pelo pai, Pastor da Batista Ebenézer, que O nomeou Martin Luther King Jr.
Passou a infância ouvindo histórias Bíblicas e recitando versículos. Muito cedo já demonstrava sua Peculiaridade de resistência, mas, Ao ser privado de conviver com seu Melhor amigo branco, sentiu a dor…
De conhecer a história dramática em Que os negros foram e continuavam Submetidos à segregação racial nos Estados Unidos. Golpe que poderia Ter corrompido a sua honra, não fosse Uma boa estrutura baseada na fé cristã.
Desde então compreendeu que devia Ser resiliente o bastante para argumentar Sobre o óbvio – somos todos filhos do Mesmo Pai, portanto somos irmãos Em Cristo, e passou a adotar como Princípio para si e para todos…
A não violência como bandeira De luta a favor dos direitos civis Iguais, sem diferença de cor ou Gênero. Adotou para si os passos Do pai e acabou por graduar-se Com um bacharelado em divindade…
E um PhD com uma dissertação intitulada “Uma comparação dos Conceitos de Deus”. Foi consignado pastor da Dexter Avenue Baptist Church, Montegomery – Alabama, Passando a discursar e intervir à frente da SCLC – Conferência da Liderança Cristã do Sul.
Durante suas participações em protestos, Foi preso vinte e nove vezes, se negando A pagar fiança em nome das injustiças sociais E, quando questionado, mantinha firmes os Princípios, pois para ele “a crise sobre o racismo Era urgente e o sistema entrincheirado”.
King sonhou e acreditou que a liberdade Precisava ser exigida pelo oprimido e, aos pés Do Memorial Lincoln, ditou o seu mais Famoso discurso: “Eu tenho um sonho (…) Nossos filhos não serão julgados pela cor da Sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter (…)”.
Foi digno de receber, em 1964, o Prêmio Nobel Da Paz por combater o racismo nos Estados Unidos e ser um exemplo da resistência Não violenta, deixando um legado na História e honrado com as homenagens Dignas de Guardião da Justiça Social.
Reema Ramza traz ao ROL a literatura da Síria, o Coração do Oriente Médio, considerada um dos grandes berços da civilização e parte vital do Crescente Fértil, berço das primeiras civilizações da Antiguidade!
Reema Hamza
Reema Hamza, natural de As-Suwayda, Síria, é escritora e poetisa.
Formada pelo Instituto Superior de Música (Violino); Editora-Chefe da World of Culture (Mundo da Cultura); editora do Daily Global Nation (Nação Global Diária) e membro do Conselho Consultivo Internacional da Academia de Versala, Grécia.
Trabalhou com edição literária e administração em diversas plataformas culturais.
Suas obras foram traduzidas para vários idiomas.
Participações literárias:
Encyclopedia Oasis of Creativity (Enciclopédia Oásis da Criatividade – Partes I e II) e de The First Drop of Rain (A primeira gota de chuva); Encyclopedia Breath of the World (Enciclopédia Sopro do Mundo); Cartas de Mulheres Árabes (Palestina); Volume IV de Mandib (Índia); O Capítulo Não Escrito (Parte III); Antologia Internacional de Poetas do Amor e da Paz e Tema de estudos críticos na Metodologia de Investigação Cultural Dialética.
Publicou The Thread That Became a String, pela Editora e Casa de Estudos Umm Al-Dunya, no Egito e Poems That Chase Me, pela Barcelona Literary House for Studies and Publishing, que inclui seus poemas traduzidos para cinco idiomas, havendo, ainda, um terceiro livro em fase de impressão que contém estudos críticos sobre sua experiência criativa.
Reema inicia sua jornada literária no ROL com o poema The café turns grey when she leaves (O café fica cinza quando ela sai), um lamento ao luto, à perda e à resiliência silenciosa.
The café turns grey when she leaves
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Whenever s he looked at her tower, her fingers filled with regret. When she asked the fortune-teller, she said: The light in your poems is a grave error. Your eyes— a plundered distance since the kohl of absence traced them. Her shadow— a wall the wars forgot standing. Whenever she brandished water against it, she saw her face resembling a sentence that stopped in the middle of the fire. In the café, the far corner draws her. The world is an idea that never tempted her, and her silence— a window that does not close. Her jilbab—faint tales seeping from an old mirror. She ordered her coffee with the calm of a stranger. The poem grew old in the first sip, and the aroma stumbled on a margin bound by emptiness and passed by rain. The café’s song searches for a beginning in her features. The waiter passed and asked her quietly, “Madam, this is your rose… you left it on the table.” She arranged her shawl and answered without looking: “Roses are read once, and after that… Merely a repetition of the image of withering.” The waiter rose, confused, took the rose like one absorbing a secret he does not know what to do with. She remained for a moment, then left behind trembling cups and a chair that grew more alone. Since that moment, the café began to turn grey—how could it not, when the corner she sat in is always reserved, without anyone coming?
Sempre que olhava para sua torre, seus dedos se enchiam de arrependimento.
Quando perguntou à cartomante, ela disse: A luz em seus poemas é um grave erro.
Seus olhos — uma distância saqueada desde que o kohl da ausência os traçou.
Sua sombra — uma parede que as guerras esqueceram de existir.
Sempre que brandia água contra ela, via seu rosto semelhante a uma frase que parou no meio do fogo.
No café, o canto mais distante a atrai.
O mundo é uma ideia que nunca a tentou, e seu silêncio — uma janela que não se fecha.
Seu jilbab— tênues contos vazando de um espelho antigo.
Ela pediu seu café com a calma de uma estranha.
O poema envelheceu no primeiro gole, e o aroma tropeçou numa margem limitada pelo vazio e levada pela chuva. A canção do café busca um começo em suas feições.
O garçom passou e perguntou-lhe em voz baixa: “Senhora, esta é a sua rosa… a senhora a deixou sobre a mesa.”
Ela ajeitou o xale e respondeu sem olhar: “Rosas são lidas uma vez, e depois disso… mera repetição da imagem do murchar.”
O garçom levantou-se, confuso, pegou a rosa como quem absorve um segredo com o qual não sabe o que fazer.
Ela permaneceu por um instante, depois deixou para trás xícaras trêmulas e uma cadeira que se tornava cada vez mais solitária.
A partir daquele momento, o café começou a ficar cinzento — como poderia ser diferente, se o canto onde ela se sentava está sempre reservado, sem ninguém aparecer?
Não costumo escrever com frequência, mas hoje, isso é inevitável, pois aconteceu algo muito estranho comigo.
Cheguei ao meu consultório, cumprimentei minha secretária e entrei. Percebi que havia dois pacientes aguardando, sentados nas poltronas da saleta de espera. Olhei o relógio, eram 06h45. Vi que não estava atrasada. Então sentei-me, liguei o computador, abri meu bloco de anotações, e conectei à lista de pacientes do dia. A primeira paciente era uma jovem senhora, por nome Esmeralda Borlok, 48 anos. Suspirei aliviada, olhei em volta, como estava tudo em ordem, apertei o botão de chamada. Após alguns segundos, ouvi uma batida e o movimento leve na maçaneta da porta. Levantei o rosto e deparei-me com uma senhora obesa, de pele clara, porém com manchas semelhantes a melasma, no rosto. Os olhos fundos mostravam também uma margem de olheiras considerável. Pediu licença, com uma voz rouca e cansada. Parece que havia corrido alguns quilômetros. Disse-me:
— Com sua licença, doutora! Bom dia! — respondi de pronto.
— Bom dia! Dona Esmeralda?
— Sim, sou eu mesma, doutora! — respondeu-me, meio encabulada.
— Sente-se, fique à vontade! — Eu disse, apontando para um estofado à minha frente. Foi quando a mulher deu dois passos para se sentar que percebi que mancava de uma perna. Enquanto ela se ajeitava na poltrona, vi que suas pernas e pés estavam inchados. Vestia uma saia jeans desbotada, uma camiseta branca e sandálias de dedo.
Assim que ela se acomodou, olhei em seu rosto e forcei um sorriso simpático, afinal, eu precisava lhe passar confiança. Ela retribuiu o sorriso, deixando à mostra as falhas que possuía em sua arcada dentária. Confesso que tive compaixão da mulher… afinal, a medicina não nos tira a sensibilidade.
Levantei-me com o tablet nas mãos, e parei à sua frente. Puxei uma poltrona e sentei-me a um metro, mais ou menos, da mulher. Comecei a conversar com ela, conferindo alguns dados, como: idade, endereço, se tinha filhos e quantos, se fazia uso de algum medicamento…. Na verdade, eu queria ganhar um tempinho, para que aquela senhora respirasse melhor, pois julguei que estivesse muito ansiosa, pela respiração ofegante que apresentara, quando entrou. Assim que ela se mostrou mais serena, levantei-me e puxei outra poltrona que ficava ao seu lado, próximo a sua cabeça; mas de uma forma que eu não via diretamente o seu rosto. Via-o somente pelo reflexo no espelho do lado oposto da parede.
Planejei um ambiente aconchegante em meu consultório, pensando exclusivamente no bem-estar dos meus pacientes. A poltrona é reclinável e favorece a vista para um jardim de inverno, com muitas folhagens e flores, as quais podem ser apreciadas através da parede de vidro que o separa da sala do consultório. Penso que esse ambiente transmite serenidade e paz. Deixando os pacientes mais relaxados.
Comecei a consulta, propriamente dita:
— Então, dona Esmeralda, o que a trouxe aqui? — perguntei com a intenção de fazer as anotações necessárias no bloco de notas, de uma forma que ela não percebesse, para não se sentir coagida ou incomodada. — A mulher pigarreou, engoliu, tirou os óculos e segurou-o sobre a perna esquerda. Esfregou os olhos, como se quisesse enxergar melhor as situações vividas na história. Logo começou a me explicar:
— Olha, doutora, eu vim aqui porque preciso saber da senhora sobre esses problemas de cabeça, viu? Meu marido anda falando que estou ficando louca… embora eu não acredite, ele insistiu para que eu viesse me consultar. Então, eu não quero fazer a senhora perder muito tempo comigo, não. Eu vou lhe contar o motivo dessa contenda e daí a senhora só me responde, e pronto, eu vou-me embora!
— Sim, claro, pois me conte… — disse calmamente.
— A senhora veja, eu sempre pensei que tratava as minhas aves muitíssimo bem, dou lhes ração de melhor qualidade, milho somente colhido no ano… troco a água dos galinheiros duas vezes por dia! E mais! Os ninhos são feitos de caixote de madeira boa e forrados com capim seco, macio… Mas a senhora não há de ver que, há poucos dias, peguei a galinha carijó, cochichando ao pé da orelha da galinha preta, Efigênia, atrás do pé de capim cidreira?! Elas não me notaram, pois escondi-me atrás do tronco da jaqueira, que é bem grosso… Logo a carijó, Magá, em quem eu tanto confiava… — Perguntei-a:
— Hummmmm, o que diziam? Deu para ouvir…?
—Sim, sim! Deu para ouvir, porque fiquei bem pertinho. Elas reclamavam da quantidade e qualidade da ração e do milho, o mais estranho é que mostravam insatisfação, também, dizendo que a cama era dura, forrada com produto de última qualidade… cogitavam mobilizar todo o galinheiro, instigando a solicitação de melhorias. Efigênia confirmava tudo, balançando a cabeça positivamente.
Saí de fininho, porque não saberia como argumentar com elas, tamanha era a cara feia das duas… logo imaginei as mesmas, fazendo motim no galinheiro e greve. Com certeza seria greve ‘ovo zero’! Desesperei-me, pois como iríamos nos manter sem o dinheiro da venda dos ovos? Meu marido, mal faz a capinagem do pomar, e olhe lá!
Fui correndo contar ao marido, que me ouvia, mas tinha os olhos arregalados, parecia incrédulo. Na hora, eu não sabia se ele duvidava da história ou estava desesperado pela falta dos ovos e, consequentemente, do dinheiro. Mas depois, me disse de forma arrogante:
“Oxente, mulher! Desde quando galinha fala? Você está delirando? Deixa eu ver se tem febre…” — Eu já estava azucrinada, respondi-lhe:
“Ara homem, tu acha que sou mulher de faltar com a verdade! Vá lá fora, estão lá atrás das cidreiras! Já tem uma aglomeração de mais de 15 indivíduos! Logo vai ver a greve estourar! Vai vendo… depois não diga que não avisei!”
Fui pisando duro para o quarto e fiquei observando a movimentação deles por quase duas horas, até adentrarem para o galinheiro. É isso, doutora, digo, essa movimentação das aves, sempre reclamando dos cuidados e do alimento, tem sido diariamente… eu falo para o meu marido todos os dias, mas ele repete a mesma coisa… dizendo que estou enlouquecendo. E foi por isso que ele marcou essa conversa. Mas eu juro para a senhora, por tudo que é sagrado, isso é a mais pura verdade!
É certo taxar alguém de louco quando se está falando a verdade? É certo…?
Eu também estava em choque, não sei se era pela possibilidade de crer na história da mulher ou se realmente eu achava, também, que ela era louca.
Respondi, com a voz trêmula, forçando para não mostrar insegurança.
— Claro, claro! A senhora tem razão!
Vamos fazer um combinado? Eu vou lhe passar um remedinho, mas veja bem, ele é um ‘placebo’ ou seja, não tem nenhum princípio ativo. A senhora vai levar e tomar na frente do seu marido, daí ele vai pensar que está tudo certo, que a senhora está medicada! — Ela arregalou aqueles olhos pretos e fundos, interpelando-me:
— E quanto às galinhas, a iminência de uma greve… o que eu faço?
— Respondi apressadamente:
— Essa situação eu vou resolver pessoalmente para a senhora. Eu vou comunicar a secretaria de agricultura para fazer-lhe uma visita, então marque uma reunião com as aves, para resolver tudo da melhor forma possível! Pode ficar tranquila!
A mulher recebeu a receita com um largo sorriso, até o andar mancado, parece ter desaparecido. Agradeceu-me e fechou a porta atrás de si.
Rapidamente chamei a secretária e lhe comuniquei que não estava passando bem, que ela deveria remarcar a consulta do próximo paciente. Pedi desculpas e saí apressada do consultório. Precisava chegar em casa e tomar um banho da cabeça aos pés. Aquela história havia deixado-me zonza e enjoada.
Quando abri a porta do meu apartamento, levei o maior susto da minha vida! Meu cão, Caramillo, estava sobre uma cadeira, à frente da pia, com a esponja nas patas dianteiras, lavando a louça. Eu dei um grito e joguei a bolsa para cima, a qual bateu no vidro da cristaleira, estilhaçando-o, ao chão.
Caramillo me olhou de um jeito zombeteiro e disse:
– Ai, ai, ai! Agora, além da louça, vou ter que juntar os cacos desse vidro!? Esse mês terei que pedir um aumentinho no salário! Senão, pensar na possibilidade de uma greve… Ou a senhora pensa que só essa ração seca que me dá e essa cama dura, paga toda essa trabalheira?!