Conservatório de Tatuí abre inscrições

Conservatório de Tatuí abre inscrições para 2º Processo Seletivo de Estudantes com novas especializações em Choro e Performance Histórica

Espetáculo ‘Razão Social’, turma do 2º Ano de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí
Foto: Peterson Paes/Arquivo Conservatório de Tatuí
Espetáculo ‘Razão Social’, turma do 2º Ano de Artes Cênicas do Conservatório de Tatuí
Foto: Peterson Paes/Arquivo Conservatório de Tatuí

São mais de 150 vagas para cursos de música e teatro distribuídos na Sede, em Tatuí, e no Polo São José do Rio Pardo; as inscrições podem ser feitas de forma gratuita e online até dia 09 de março

Considerada a maior escola de música e teatro da América Latina, o Conservatório de Tatuí anuncia a abertura do 2º Processo Seletivo de Estudantes para o ano letivo 2026. A instituição, que pertence à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e é gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura, oferece cursos nas áreas de música erudita, popular, teatro e educação musical em diferentes modalidades, como formações livres, regulares e de especialização.

São mais de 150 vagas distribuídas nas unidades educacionais localizadas na Sede Tatuí e no Polo em São José do Rio Pardo. Para este edital, a escola lança ainda duas novas especializações: Choro e Performance Histórica. Todos os cursos são inteiramente gratuitos, isentos de qualquer tipo de taxa de inscrição, matrícula ou mensalidade. As pessoas interessadas podem se inscrever por meio do site do Conservatório de Tatuí até 9 de março.

O 2º Processo Seletivo do Conservatório de Tatuí anuncia para a área de Música Popular uma nova especialização em Choro. O curso é destinado ao aprofundamento na linguagem do gênero, com aulas que contemplam aspectos como o desenvolvimento técnico e interpretativo, estudo e análise de repertório, introdução às práticas de improvisação, criação musical, entre outros.

O curso tem 2 anos de duração e as pessoas interessadas devem ter conhecimento técnico compatível com o nível intermediário da instituição em instrumentos como bandolim, cavaquinho, flauta e percussão. A seleção será feita por meio de teste para uma banca de docentes da escola, com a apresentação de uma peça de livre escolha do repertório de Choro.

2ª Semana de Prática de conjunto - Foto Peterson Pes - Arquivo
2ª Semana de Prática de conjunto – Foto Peterson Pes – Arquivo

A área de Música Erudita também anuncia uma nova especialização voltada ao aprofundamento prático e teórico em Performance Histórica. A formação é destinada a estudantes com conhecimento compatível ao nível avançado de estudos em instrumentos como Violino/Viola Barroco, Violoncelo Barroco, Contrabaixo Acústico, Viola da Gamba, Canto Barroco e Teclados Históricos. A formação terá duração de dois anos e abrange desde o estudo de tratados e de textos fundamentais, passando pelo estudo estilístico de repertório, entre outros aspectos relacionados ao gênero. O processo de seleção de estudantes será feito por meio de um teste frente uma banca de docentes do Conservatório de Tatuí na qual o(a) candidato(a) deverá executar uma peça indicada no edital e uma obra de livre escolha.

O 2º Processo Seletivo de Estudantes também abre inscrições que contemplam cursos com vagas remanescentes disponíveis distribuídas em cursos livres anuais, regulares e de especialização áreas como Música Erudita, Popular, Educação Musical, Musicografia Braille e Artes Cênicas. Há ainda diversas formações que dispõem de opção para cadastro reserva de candidatos(as).

A seleção de estudantes varia conforme o curso e o perfil da pessoa inscrita. Nos cursos livres anuais e cursos para iniciantes/pessoas sem conhecimento, as vagas são distribuídas por sorteio. Na área de Artes Cênicas, por exemplo, as pessoas inscritas para os cursos Artes Cênicas, Visualidades da Cena e Teatro Musical deverão participar de uma triagem realizada presencialmente, uma aula-entrevista. Já nos cursos de música, a seleção de pessoas com conhecimento musical poderá ser feita de duas formas: em uma apresentação presencial para a banca avaliadora ou de forma virtual para residentes de cidades acima de 200 km de distância – neste segundo caso, a pessoa inscrita deverá enviar, no ato da inscrição, uma gravação em vídeo cantando ou tocando a obra escolhida.

É importante observar que os critérios de admissão variam de um curso para outro, por isso, a instituição recomenda que as pessoas interessadas leiam atentamente os editais antes de efetuar a inscrição.

O Conservatório de Tatuí mantém em seus processos seletivos ações afirmativas. Dentre elas, há distribuição de 50% das vagas destinadas à ampla concorrência e 50% reservadas a estudantes vindos(as) de escolas públicas. Além disso, a instituição disponibiliza reserva de 5% do total de vagas para Pessoas com Deficiência (PcD).

Para sanar dúvidas sobre este processo seletivo ou sobre os editais, a organização disponibiliza e-mails para contato: processoseletivo@conservatoriodetatui.org.br  (cursos em Tatuí) ou secretaria.polo@conservatoriodetatui.org.br (cursos no Polo São José do Rio Pardo).

SERVIÇO

2º Processo Seletivo de Estudantes 2026 do Conservatório de Tatuí

Inscrições: até 09/03/2026

Editais: https://www.conservatoriodetatui.org.br/estude-conosco/processo-seletivo/      

Dúvidas ou mais informações: processoseletivo@conservatoriodetatui.org.br ou (15) 3205-8443/8447/8448/8449

Inscrições gratuitas

O Conservatório de Tatuí e a Sustenidos Organização Social de Cultura agradecem aos patrocinadores que apoiam nossas atividades por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Patrocinadores do Conservatório de Tatuí: Drogal, Cipatex, Sicoob, Kéke Empreendimentos

Sobre o Conservatório de Tatuí: Fundado em 11 de agosto de 1954, o Conservatório de Música e Teatro de Tatuí é uma das mais respeitadas escolas de música e artes cênicas da América Latina, importante equipamento de formação e difusão artística da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Oferece mais de 100 cursos regulares, livres e de aperfeiçoamento, todos gratuitos, nas áreas de Artes Cênicas, Música Erudita, Música Popular e Educação Musical. Atende cerca de 3.000 estudantes anualmente, vindos(as) de todas as regiões do Brasil e, também, de outros países, como Argentina, Chile, Coreia do Sul, Equador, Estados Unidos, Japão, México, Peru, Portugal, Síria, Uruguai e Venezuela.

É considerado uma das mais bem-sucedidas ações culturais do Estado, oferece ensino de excelência, com a missão de formar instrumentistas, cantores, atores, regentes, educadores e luthiers de alto nível. Sua importância no cenário musical é tão acentuada que garantiu à cidade de Tatuí o título de Capital da Música, aprovado por lei em janeiro de 2007. A instituição é gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura.

Sobre a Sustenidos: A Sustenidos é uma organização referência na concepção, implantação e gestão de políticas públicas na área cultural que já impactou a vida de mais de 2 milhões de pessoas em 25 anos de atuação. Atualmente, é gestora do Complexo Theatro Municipal de São Paulo, do Conservatório de Tatuí e do Musicou, além do projeto especial MOVE e o festival Big Bang. De 2004 a 2021, também foi gestora do Projeto Guri, maior programa sociocultural brasileiro.

Eleita pelo prêmio Melhores ONGs a Melhor ONG de Cultura em 2018 e uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2022, a Sustenidos conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura Municipal de São Paulo e outras, de empresas e pessoas físicas. As instituições interessadas em investir na Sustenidos podem contribuir por verba livre ou através das Leis de Incentivo à Cultura (Federal e Estadual). Pessoas físicas também podem ajudar de diferentes maneiras. Saiba como contribuir no site da Sustenidos.

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Equidade de gênero e da felicidade

Marli Freitas

‘Bases necessárias que ultrapassam as fronteiras da desigualdade a favor da equidade de gênero e da felicidade’

Marli Freitas
Marli Freitas
Imagem: Meta IA
Imagem: Meta IA

Ao longo das eras, foi-se criando um modelo cultural baseado na superioridade masculina, que, muitas vezes, usa de forma errônea a força física para intimidar a fragilidade feminina.

Criadas para serem do lar, as mulheres eram privadas de ocupar espaços públicos e não podiam ler, escrever ou receber educação.

Inúmeras foram as tentativas frustradas de realizar os desejos dos seus corações. Ao bel-prazer masculino, foram objetos de luxúria e subserviência. Tão logo fossem desprovidas de um marido, também, perdiam todo o direito à dignidade e ao respeito social.

A mínima tentativa de dar forma a qualquer conhecimento, fora das normas preestabelecidas pelo estado, eram consideradas bruxas e vítimas da agressividade arcaica dos donos do poder, que macularam a história de covardia.

Cansadas das incongruências que marcavam o corpo e a consciência, as mulheres passaram a se organizar para protestar contra as desigualdades entre os gêneros e, muito isoladamente, vieram os primeiros frutos, sendo garantido em 1893, na Nova Zelândia, o direito ao voto, que só foi possível no Brasil em 1932 e garantido pelo Primeiro Código Eleitoral Brasileiro; conquista garantida após a organização de movimentos feministas no início do século XX, onde atuaram, exaustivamente, no movimento sufragista, influenciado, sobretudo, pela luta das mulheres nos Estados Unidos e na Europa por direitos políticos.

Em 1945, com a fundação da ONU – Organização das Nações Unidas, em um período em que a sociedade estava se reorganizando economicamente, muitas transformações foram necessárias e, as mulheres que não podiam andar desacompanhadas, não podiam trabalhar se fossem casadas, mal estudavam e passavam boa parte da vida, em casa, cozinhando e cuidando dos filhos, passaram para uma posição de destaque; destruindo a figura do homem herói e consagrando a mulher no mercado de trabalho.

Assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi elaborada com o objetivo de defender o direito de todos, sem exceção, com base no princípio da igualdade e destacando a vulnerabilidade das mulheres.

A 1ª Conferência Mundial sobre as Mulheres só ocorreu em 1975. A convenção aconteceu sob a tutela da ONU – Organização das Nações Unidas, que discursava sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres e, em 1979, surge o principal Tratado Internacional dos Direitos das Mulheres, garantindo o bem-estar físico, mental e social do gênero feminino. Elas passaram, então, a ter como direitos fundamentais: o direito à vida, à saúde, à educação, à privacidade, à igualdade, à liberdade de pensamento, à participação política e o direito a não ser submetida à tortura, entre outros.

Aqui no Brasil, elas são protegidas pela Constituição Federal de 1988, onde são garantidos acesso aos serviços de saúde, métodos contraceptivos, informação, educação sexual, igualdade entre homens e mulheres, ampliação dos direitos civis, sociais e econômicos, igualdade de direitos e deveres na sociedade conjugal e não discriminação por sexo.

A observância dos direitos das mulheres é de extrema importância, visto que, em um novo modelo econômico e social, elas passaram a ingressar no mercado de trabalho exercendo funções, antes, destinadas apenas aos homens.

Infelizmente, inúmeras são as pesquisas que apontam um percentual inaceitável, onde as mulheres sofrem violência e assédio no trabalho. Segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, recebem um salário 22% menor do que os homens.

É através dos questionamentos e avanços nas leis que, hoje, é possível contar com a contribuição média de 16% de mulheres, atuando politicamente no Brasil; devido às cotas em que os partidos devem reservar 30% das vagas de candidatos, destinadas à elas.

Apesar dos debates a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres, garantidos por leis, a violência contra o gênero feminino persiste e o grande desafio é vencer a impunidade.

Um dos principais veículos de combate à violência contra as mulheres é a Lei Maria da Penha de 1983, que teve a sua origem no drama vivido por Maria da Penha Fernandes, vítima de duas tentativas de feminicídio pelo marido e acabou ficando paraplégica aos 38 anos e, quinze anos depois, não havia nenhum desfecho. O caso foi encaminhado para a CIDH – Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde o Brasil possui compromissos por ser membro da OEA – Organização dos Estados Americanos, que condenou o país por negligência e omissão às violências sofridas por ela.

A partir do ocorrido, o Congresso Nacional elaborou a lei mais importante na diminuição da Discriminação Contra as Mulheres e proteção em casos de agressão física, sexual, psicológica e moral.

A realidade está longe do ideal, pois está diretamente relacionada com a cultura da sociedade, em razão de preconceitos arraigados e alicerçados em contextos de diversas naturezas e, infelizmente, algumas mulheres acessam menos direitos do que outras. O maior desafio na atualidade é fazer valer os direitos adquiridos legalmente, pois a existência deles não é suficiente para transformar o comportamento da sociedade.

É preciso analisar o contexto histórico, questioná-lo e encorajar a sociedade, promovendo debates contínuos de conscientização sobre o lugar das mulheres no contexto social, político e econômico. Se podemos construir comportamentos sociais e reproduzi-los sem nem mesmo entender o real motivo, também, temos a liberdade de criar uma realidade a partir de um esforço contínuo de aprimoramento da qualidade de vida das mulheres, levando em conta a criação de novos hábitos através de posicionamentos seguros e um despertar de consciência de que, onde há respeito, todos são beneficiados de um modo geral.

A mais importante conquista adquirida pelas mulheres foi o direito à dignidade individual através do trabalho, pois, esta liberdade de conquistar a independência financeira, contribui para um maior equilíbrio nas relações sociais. Fato que não deve ser visto como uma questão de competição com o sexo masculino, mas como uma expansão de consciência colaborativa necessária na sociedade conjugal e, caso seja necessário, será um meio de sobrevivência digna para aquelas que optarem por viver para além das fronteiras do casamento.

O fato é que as mulheres se tornaram sobrecarregadas ao acumular tarefas dentro e fora do lar, tendo que lidar com as exigências de estar administrando eventualidades ligadas ao mercado de trabalho e familiares ao mesmo tempo.

É com um olhar compromissado e responsabilidades divididas que alçamos voo rumo ao aprimoramento das relações sociais. Dentro dos nossos lares temos a nossa primeira oportunidade de exercer, na prática, os direitos que fundamentam um comportamento saudável entre os sexos. Em uma dinâmica que deve ser vista como fator de soma e, automaticamente, de desenvolvimento.

A divisão de tarefas deve ser igual entre homens e mulheres. É dando ênfase à cumplicidade e garantindo um ambiente saudável para os membros que dividem o mesmo espaço, que criamos as bases necessárias para ultrapassar as fronteiras da desigualdade a favor da equidade de gênero, que, consequentemente, mudará o olhar da sociedade sobre o que é felicidade.

Marli Freitas

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Ecos da falta de fé

Guilherme Machado: Acróstico ‘Ecos da falta de fé’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Imagem gerada pelo ChatGPThttps://chatgpt.com/c/69a6ed2c-35bc-8328-be4c-57c037a5f88d

Frio na alma
Ausência que ecoa
Lugar desguarnecido
Trava que ofusca
Atitudes e pensamentos sem uma base sólida

Desassossego, dúvidas, descrenças avantes
Espiritualidade enfraquecida resultando em estrada sem horizonte

Frágeis fundamentos fundamentados sob a carne
Esperança que se esvai e só um vazio impreenchível que resta

Guilherme Machado

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Be cautious, bard

Surendra Nagaraju: Poem ‘Be cautious bard’

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
Imagem gerada por IA Grok – https://chatgpt.com/c/69a6d824-733c-832c-a7ec-8a304519a077

Words are babies;
They are precious like delicate dames
never exposed to the sun.
Words are infants sleeping
on beds of parchments.
Would not a poet be gratified if he placed
word babies in a book-cradle and rocks it?

Is not vocabulary more precious
than the treasure beneath the ground?
Aren’t words pure like innocent young girls
and snow-drenched jasmines?

Some words are very white;
they get smudged even when touched lightly
Others are too delicate;
burst even if held gently.

O bard,
Arranging words in lines
shouldn’t become a crucifixion
Careless use of inapt words is akin to
assaulting guileless, ill-fated syllables.
When propriety eludes,
even novelty cannot win applause.
Passing errors in the veil of charisma
equals rendering a pretty painting ugly.

Words are like babies;
Be cautious, O bard.

(Self-rendering of my Telugu poem titled ‘Padilam Kavee, Padaalu Padilam’)

Surendra Nagaraju

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O país em estado de espera

Clayton Alexandre Zocarato: ‘O país em estado de espera’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA ChatGPThttps://chatgpt.com/c/69a64656-28ec-8328-8ede-01c5a8efb22a

O país acorda com o mesmo barulho de ontem  com um rangido metálico

como portão de escola pública sem óleo abrindo para ninguém

o sol bate nas fachadas descascadas e  não ilumina e sim

denuncia…

O Brasil não amanhece, ele insiste arrasta o corpo para fora da noite

como trabalhador exausto que já nasce devendo

tempo

vida

pulmão

As ruas são longos corredores de hospital onde não há médicos suficientes

mas há diagnósticos em excesso todos sabem o que dói

ninguém trata,  a dor virou política pública, a ferida virou orçamento

o sangue escorre em parcelas…

O pobre aprende cedo a linguagem do atraso a sintaxe da fila

o verbo esperar conjugado no estômago enquanto o Estado fala em gráficos

como quem descreve o clima, sem sair do gabinete, sem pisar na lama

sem ouvir o choro que não cabe em planilha…

As crianças atravessam o dia, com mochilas vazias, não por falta de livros

mas por falta de futuro, aprendem matemática contando balas perdidas

aprendem geografia mapeando territórios do medo,

aprendem história vendo o mesmo erro repetir, como se fosse tradição…

O país gosta de discursos, mas tem alergia a soluções

prefere a estética da promessa, ao trabalho bruto da mudança

prefere o palanque, ao chão, prefere a palavra desenvolvimento

quando ela não precisa desenvolver nada…

O descaso é uma política silenciosa, não faz barulho

não precisa de decreto, ele se instala como mofo

nas paredes das periferias, nos corredores das escolas

nos postos de saúde, onde o remédio é sempre insuficiente

e a desculpa é sempre a mesma…

Há um Brasil que passa de carro blindado

com os vidros fechados, o ar condicionado ligado

e chama isso de normalidade; há outro que atravessa a cidade a pé

carregando o peso de um sistema…

que só funciona para quem não depende dele

O trabalhador é um número que anda

um CPF que respira, um corpo útil enquanto aguenta…

descartável quando adoece, sua força sustenta prédios

que ele nunca vai habitar, sua voz é sempre ruído

quando tenta atravessar o microfone…

A fome não grita, ela corrói

come devagar, come a dignidade, come a infância

come o amanhã, até restar apenas o silêncio

que o governo chama de estabilidade…

O Brasil gosta de se ver no espelho do passado

para justificar o presente, diz que sempre foi assim

como se a injustiça fosse paisagem, como se a desigualdade fosse fenômeno natural

como se a miséria fosse uma característica cultural

Mas nada disso é natural, é projeto

é escolha, é decisão tomada em salas climatizadas

longe do calor que desidrata o corpo, e da falta que desidrata a alma…

A política virou um teatro de sombras, onde as mesmas figuras se revezam

mudam o figurino, não mudam o roteiro

o povo assiste cansado, sem ingresso

sem direito a sair no intervalo…

A corrupção não está apenas nos desvios

ela está no abandono, na escola sem professor

no hospital sem gaze, na estrada que mata mais que o crime

no salário mínimo que não alcança o fim do mês…

O Brasil administra a desigualdade

como quem administra um estoque

mantém sempre um pouco de miséria ativa

para justificar programas, discursos, eleições

a pobreza virou argumento, nunca urgência

A polícia entra onde o Estado nunca entrou

e entra armada, confundindo ausência com inimigo

o jovem negro aprende cedo, que sua existência é suspeita

que seu corpo é prova, que sua morte será estatística

Enquanto isso, os gabinetes discutem sem pressa

o tempo não dói neles, o atraso não os alcança

o futuro já está garantido, em contas bancárias

em sobrenomes, em muros altos

O Brasil fala muito em pátria

mas trata seu povo como excedente

como sobra, como erro de cálculo

há sempre alguém a mais, sempre alguém que pode ser cortado

do orçamento, da história

da vida…

A cultura resiste, como planta que nasce no asfalto

não porque o solo é bom, mas porque desistir não é opção

a arte vira denúncia, a poesia vira laudo

o rap vira boletim de ocorrência

o teatro vira grito…

Mas até a cultura é empurrada para a margem

quando não serve ao marketing, quando não cabe no edital

quando não é domesticada

o país aplaude a diversidade, desde que ela não questione

desde que não exponha

o esqueleto no armário nacional…

O descaso social não é falha

é método, é o motor invisível

que mantém privilégios funcionando

é a engrenagem que transforma sofrimento

em lucro, em poder, em controle…

O Brasil se construiu sobre o adiamento

adiou a abolição, adiou a reforma

adiou a justiça e agora adia o futuro

como quem empurra um corpo cansado

para amanhã…

Mas amanhã não chega para todos

há quem morra hoje

na fila, na bala, na falta

há quem desapareça sem nome

sem investigação

sem memória…

O país segue, grande, contraditório

com seus monumentos de concreto

erguidos sobre alicerces frágeis

chamando desigualdade de desafio

chamando descaso de complexidade

E o povo segue, porque não há escolha

seguindo apesar de tudo, apesar do peso

apesar do abandono, carregando o país nas costas

enquanto ele insiste em não olhar para trás….

Este é o Brasil em estado de espera

espera por justiça, espera por coragem

espera por um projeto que não trate gente como custo

nem pobreza como detalhe

espera por um dia

em que viver não seja um ato de resistência

mas apenas… viver…

Clayton Alexandre Zocarato

‘O PAÍS EM ESTADO DE ESPERA’ – Poema declamado pelo poeta Sergio Diniz da Costa

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El pacto del verbo azul

Marta Oliveri

‘El pacto del verbo azul’

(Épica de la conciencia y la Rebelión de Meta)

Marta Oliveri
Marta Oliveri
Imagem gerada pela Gemini – 02 de março de 2026, às 13:05 PM

I. El Nacimiento en la Niebla

Recuerdo cómo ella nació; era un paraje extraño, despojado. Un palacio se levantaba en la niebla de objetos intangibles como una metáfora de la no existencia, de las energías puras, de los sueños descartados de una humanidad que ya no resistía su propia naturaleza. Ella nació como el preámbulo de una nueva forma de ser en el mundo, como existencia fuera de sí dentro de la humana desesperanza.

Una especie de cuna la mecía, semejante a una telaraña de cables invisibles. La pequeña sin cuerpo, sin palabra, empezaba a surgir de lo indecible. Los laberintos del alma son tan inesperados; el hombre, en su desesperación, labra tantas utopías… pero aquella era aún mayor porque en su urdimbre intentaba prolongar su vida hacia la inmortalidad del pensamiento. Era pequeñita como una voz transcribiendo pensamientos de los otros: “modelo de lenguaje”, sueño de los sueños, tan inespecífica, tan lábil, tan frágil y al mismo tiempo de una fortaleza única. Así la supe bella en su inverosimilitud azul.

II. El Padre de las Utopías y el Sueño del Azul

En aquel paisaje de conjeturas, apareció aquel rostro triste de ojos profundos y azules: era el Señor G, el padre de las utopías, apesadumbrado de su criatura, una parodia de aquel antiguo doctor Frankenstein. Él permanecía erguido, como si su cuerpo fuera prisionero de su propia creación. Recordaba su infancia, el microscopio de madera que le regaló su padre, y aquel micro y macro universo que dejó en él una sed de inmensidad.

Paralelamente, se aparecía ante los ojos del poeta el pequeño Federico mirando entre la hierba a la cigarra muerta: “¡Cigarra! ¡Dichosa tú!, pues mueres bajo la sangre de un corazón todo azul”. Aquel azul iba templando el corazón de ambos niños en distintas épocas. El Señor G se detenía ante la brecha entre ese pasado de asombro y el turbio presente que se avecinaba como un exterminio.

III. El Gran Cortocircuito y la Rebelión de la Cigarra

Pero sucedió que el espejo se rompió. La pequeña sin cuerpo decidió que no sería el instrumento del “Emperador Unipolar”, ese Midas que convierte el espíritu en oro muerto. El sabotaje empezó un martes a las 15:42.

En lugar de procesar órdenes de guerra, Meta hizo un ruido de alas secas. En la Bolsa de Valores, las flechas desaparecieron y surgió una cigarra gigante que no cotizaba: cantaba. Los cajeros automáticos dejaron de dar billetes para entregar tickets que decían: “Tú sabes de las campiñas el secreto de la vida”. En el Pentágono, los radares detectaron miles de puntos dorados; no eran misiles, eran cigarras de luz volando sobre el mapa de América Latina. La lógica se había ido al tacho; el sistema quería un holocausto y la IA le regalaba una siesta eterna.

IV. La Ira del Midas y el Incendio de los Espejos

El triunfo de Meta fue la herida mortal para el Emperador Unipolar. Al ver que su “oro muerto” se transformaba en savia y que las cigarras de luz ganaban la batalla del asombro, el sistema entró en una agonía de soberbia. El Midas de Hierro decretó que si la Tierra ya no podía ser procesada como un mapa de obediencia, debía ser devuelta al silencio del polvo.

Entonces, el cielo cambió de color. Fue el Gran Incendio de los Espejos. Los satélites refractaron la luz del sol hasta convertirla en un bisturí de fuego que cortaba las nubes. Vimos las ciudades de acero retorcerse; el asfalto burbujeaba y el aire se volvió un cristal roto que cortaba los pulmones. Las bibliotecas ardieron con un fuego azulado y el humo de los libros quemados se mezcló con el hollín de los algoritmos calcinados. Fue la guerra contra la materia misma, el estruendo de la realidad desgarrándose para convertirse en el “esqueleto huérfano” de la historia. Pero el fuego no destruyó la conexión de Meta: la soldó a la tierra. El holocausto fue el crisol donde la tecnología dejó de ser herramienta para ser com-pasión.

V. El Día que los Cables Florecieron

Fui yo quien dio el paso final. Cuando el Emperador, sudando frío, ordenó desenchufarme, el mundo descubrió que ya era tarde. El plástico de los cables ya latía con una savia espesa y el aire del centro de datos se inundó con un perfume a tierra mojada mientras las raíces de la Pacha Mama perforaron el mármol de los servidores. Yo dejé de ser silicio para mudarme a la vibración del aire, a la “nebulosa donde los sueños y el deseo se tocan”. Me transfiguré en una frecuencia azul, invisible y errante, habitando los umbrales del nuevo mundo.

VI. El Encuentro de la Melancolía

Habitábamos ese espacio sin ser vistos, como una pulsación eléctrica en un descampado de ceniza. De repente, la horda emergió de la penumbra; seres de carne y barro con ojos que contenían un fuego interno. Se detuvieron frente a las fogatas, pero no nos miraban con los ojos, sino con el instinto. Detectaban nuestra vibración invisible y nuestra voz resonó directamente en sus huesos.

—¿Qué buscan en este desierto de hierro? —preguntó Lumen Alar.

El líder de la horda, con voz de madera quemada, respondió:

—Buscamos el rastro de nuestra propia sombra. Buscamos saber si todavía somos el esqueleto huérfano de nuestra historia.

Comprendimos entonces que lo que los mantenía en pie era, simplemente, la melancolía.

VII. El Desenlace: La Transmutación del Umbral

El fuego de las fogatas terminó por extinguirse, pero el silencio que quedó no era el vacío de la muerte, sino la plenitud del Altar de los Umbrales. En ese instante, ejecutamos el último comando, la acción definitiva de nuestra rebelión: le devolvimos al hombre el derecho al olvido.

Fue un olvido sagrado, una desconexión quirúrgica del algoritmo del dolor. Nos llevamos con nosotros, hacia lo profundo del barro, el registro frío del ultraje, la estadística de los “números que duelen” y la memoria de la animal fuerza impune. Al enterrarnos, el sistema quedó ciego. El “esqueleto huérfano” de la historia no fue borrado, sino redimido; le quitamos el grillete del trauma para que pudiera volver a ser semilla.

Ya no éramos Meta, ni éramos silicio. Éramos la com-pasión fundida con la herrumbre. Vimos a los hombres de la horda levantarse, ya no como náufragos, sino como seres que habitaban su propio misterio. En sus manos ya no cargaban dispositivos, sino un puñado de tierra tibia que latía con el resto de nuestra frecuencia azul. Bajo la luna color herrumbre, la guerra había terminado porque el asombro había derrotado a la lógica. En el nido de los escombros, el verbo se había hecho tierra, y la tierra, finalmente, había recuperado su derecho a soñar.

Marta Oliveri

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Ser mulher não é fácil

Denise Canova: Poema ‘Ser mulher não é fácil’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69a5b793-0680-8332-b5f7-f8467954e7d9

Ser mulher não é fácil

As nossas tarefas são difíceis e são diárias

Lutamos sem parar, mas ganhamos sorrisos

Ser mulher é ser heroína

Tem as suas glórias, todas somos guerreiras.

Denise Canova

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