Bruno Marques ArenoImagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_69a2bbacdcb08191b18be63a90e8c5ae
O que os unia era aquele som proveniente do simples acto de descascar o amendoim. O sopro do ar nem mesmo dava para escutar. Como de costume, as mulheres, vestidas de capulanas e lenços coloridos, estavam sentadas na mesma esteira de palha, enquanto os homens depositavam os seus corpos volumosos sobre os troncos dos coqueiros abatidos há várias luas.
As mãos calosas de cada homem e cada mulher estavam cheias de amendoim por descascar. Quem nada fazia, mesmo, era Preetekete, um idoso de seus 108 anos de idade, cuja visão não suportara ver tanto desgosto, e decidira abandonar os olhos negros e melancólicos do velho, para que este, pouco sofresse e muito sentisse.
Como uma sacola de segredos, sempre colado ao Preetekete, estava Nokhwa, um rapaz que nem mesmo o velho que o adoptara, conhece ao certo, quantos anos tinha. Sempre que este perguntasse a sua idade, o velho chegava até a dizer que o rapaz já feito homem, com o rosto banhado de barba aos 9 anos. Há dias que se atreve até a afirmar que o jovem Nokhwa tinha 50 anos. Decepcionado, este mantinha-se em silêncio, dizendo nadas.
Enquanto os outros descascavam o amendoim, o velho virou-se para o jovem, e disse, num tom provocatório:
― Nokhwa!? O jovem olhou para o idoso e protestou:
― Quantas vezes tenho que dizer ao vovô que o meu nome agora é Chico. Chico Bernabéu! – Insistiu, enquanto deixava o amendoim na peneira.
― Nokhwa Preetekete – também insistiu o idoso, enquanto içava uma cabaça cheia de farinha de mapira.
― Os espíritos escolheram esse nome para ti. A tua mãe deu aos filhos nomes longínquos e como resultado, os espíritos arrancaram-lhe os filhos. Quando você nasceu, uma mulher disse o seguinte, para sua mãe: “ola nokhwa, ola!”.
― Por que é que a mulher disse à minha mãe que eu era a morte? ― perguntou o rapaz.
― Porque todos os filhos que a sua mãe dera a luz, morriam no terceiro dia. Você foi o único que não morreu— disse o velho, indicando-lhe com a mão onde um dos dedos fora decepados e continuou — porque o nome que lhe foi dado, pelos espíritos, foi aceite. Pousou a cabaça de farinha de mapira na esteira e sentou-se.
― O senhor conheceu a minha mãe? ― Perguntou o rapaz, curioso. O velho olhou com olhos desconfiados, como quem não esperava escutar aquela questão.
― Eu já disse: Apanhei você no lixo. Tudo que sei de si, foi-me contado por gente que conheceu a sua mãe. – A resposta do ancião saiu gaguejada, na pressa da língua.
― Ultimamente já não sei em quem acreditar! – Suspirou, o jovem e continuou, dizendo:
― Os mais antigos do bairro dizem que sou filho de uma feiticeira. Uma mulher diabólica que enganou o filho de um grande feiticeiro com um jovem pescador com quem a minha mãe fugiu para as terras da Ilha de Moçambique. Como castigo, o feiticeiro lançou uma praga sobre ela.
O jovem parou a narração para recobrar o fôlego. Apreciou o silêncio dos presentes, procurando negação ou assentimento nos seus olhares. Depois, continuou.
― Sabe qual foi a maldição, vovô? Que ela se comportasse feito uma gata ou porca, e no terceiro dia depois do parto, a meia-noite, enquanto todos estivessem a dormir, ela devorasse os seus próprios filhos.
– O velho, as mulheres e os outros homens, nada diziam. Somente escutavam, boquiabertos.
― Também foi-me dito que o senhor é tio da minha mãe, e que fugiu comigo, das terras da Ilha de Moçambique até aqui, só para salvar-me da minha própria mãe, e que como consequência da fúria da minha mãe, o senhor ficou cego. Disseram-me que a tua cegueira, vovô, é resultado da maldição que minha mãe lançou sobre ti.
― Isso só são falácias. – Disse o velho, enquanto limpava da sua cara, o suor que aos poucos inundava a sua negritude facial. Acrescentou, dizendo:
― Nokhwa! Eu adoptei você aqui, bem nas proximidades do rio Lúrio. As pessoas que viram a sua mãe o abandonando na margem do rio, disseram que ela vivia em Chiùre. – O idoso, nervoso, voltou a empurrar o suor e deu continuidade a sua justificativa.
― Por que é que eu enganar-lhe-ia? Não seria capaz de proibir o seu direito de conhecer a sua mãe.
― O senhor tem medo de me ver morto. Sabe muito bem que ela irá devorar-me.
― Que medo, que nada! – Perguntou, Preetekete, um tanto eufórico. Disse mais: vi tanta coisa nesse mundo, Nokhwa, que nada mais me assusta. Eu vi coisas que você não imaginou vez alguma.
― Como o quê, vovô? Como uma mulher placenta, que devora os seus filhos no terceiro dia, depois de dar a luz?
― De novo, essa história?
A voz do velho saltou da garganta, ruidosa e irritada. Mas, traído pelas emoções, bem do fundo dos olhos esbranquiçados, gotas de lágrimas surgiram. Com a voz rouca, Preetekete indagou:
― É a verdade, o que tu queres saber? – A pergunta armadilhou ao jovem. Ficou com a boca costurada. Esperou tanto por aquele momento, as mãos decepadas tremiam. Mal conseguia mover os lábios carnudos.
― Responda!
― Sim, vovó. Eu quero saber da verdade— disse o jovem com lábios trémulos. O velho ergueu os olhos, e não se contentou em apenas erguer os olhos, não, apertou-os e disse:
― Está bem. Prepare-se para ouvir.
O vento parou, as folhas nos ramos das mangueiras se calaram, e o tempo fez suspense. A lua guardou alguns raios por trás das nuvens, para preparar o ambiente.
― Eu não sou seu avô— retirou o rapé da boca— E muito menos tio da sua mãe. Sabes quem sou? — O velho lançou os olhos para a escuridão, agora fixava o jovem. Devorava-o com os seus olhos de cego, como se pudesse ver. — Queres saber? Tens coragem para ouvir? Insistiu o velho, num grito rouco de espantar a alma.
Os olhos de Preetekete rasgavam o rosto de Nokhwa. O jovem abanou a cabeça, como forma de dizer que não. Então, o ancião se aproximou do rapaz, e revelou:
― Eu sou o velho Feiticeiro. Aquele que a tua mãe enganou. Fui eu, o primeiro homem da tua mãe. Fui eu quem lançou o feitiço contra ela. Fui eu.
Enquanto o velho falava, gritando, Nokhwa, assustado, procurou amparo nos homens e nas mulheres que descascavam amendoim. Mas eles não faziam outra coisa, senão descascar o amendoim. Pareciam autênticos robôs. Aliás, desde que a conversa começara, o quase homem não ouviu aquela gente soltar uma só palavra. Nem mesmo pestanejar. E foi naquele momento que Nokhwa se lembrou que o avô só permitia que aqueles homens e mulheres descascassem o amendoim, a meia-noite.
Quando o sol nascia, ninguém mais via aquelas pessoas.
― Por que é que olhas para eles? – perguntou, o idoso.
― Como sabes que eu olhei para eles? Você é cego! – Assustado, o rapaz ainda conseguiu ripostar, apesar de sentir o estômago amarrotado.
Preetekete sorriu, e disse:
― A minha cegueira é de morcego. Riu alto, deixando a mercê, os seus dentes escuros como a noite — a tua mãe, deu-me olhos de morcegos; merda!— disse o velho libertando da sua boca saliva de cor da noite, e o jovem sente um arrepio.
― E não adianta olhar para eles, rapaz. Estão mortos. Suas almas estão nestas conchas que eu trago na minha mukhova, aqui na minha cintura. – O velho ergueu a camisa suada e mostrou um cinturão de conchas e missangas multicolores – À eles, faço-lhes meus escravos. Vês aquela mulher de olhos castanhos e de pele clara como tu?
Nokhwa torceu o pescoço para a direita. Olhou para a mulher. Não só descobriu que ela tinha os olhos idênticos aos seus, mas também que os lábios da mulher eram carnudos e escuros como os seus. Gelado, olhou de volta para o velho.
― Ela é a sua mãe. Está morta pelo que fez com os meus olhos, e por me ter abandonado. Sabe: ela queria um jovem que não cheirasse rapé. Abandonou-me porque sou velho ―disse o velho em tom repleto de raiva. Mas como eu a amava, levei você comigo, poderia ter deixado você morrer, mas não, eu tinha que possuir algo que me lembraria essa ingrata, e isso é você Nokhwa— dizia o velho vitorioso, estendendo os braços para o ar.
O jovem levantou-se. Fixou os olhos na antiguidade de pele e ossos, abriu as mãos e agarrou-lhe pelo pescoço com uma força brutal. Preetekete tentou gritar, mas a sua voz quase não dava para escutar. Ele parecia um pato sendo asfixiado. O primeiro galo cantou, os homens e mulheres do amendoim desapareceram da esteira somente permaneceram o velho e o jovem.
O corpo do idoso não mais possuía vida. E quando menos o rapaz esperava, entram no quintal duas mulheres, que habitualmente traziam água quente para o Preetekete se banhar.
Assustadas, deixaram cair as bacias com água, uma queimando a outra, e nem sequer sentiram dor, pois não havia maior dor que aquilo: ver um neto assassinando o seu próprio avó, aquele que o encontrara por aí, abandonado, um bebé condenado à morte.
― Socorro, socorro, socorro! – gritaram as mulheres, eufóricas.
Sem demora, o quintal ficou repleto de gente. O jovem continuava ainda com as mãos no pescoço do velho. Olhou para os lados, mas não viu ninguém descascando amendoim. Nokhwa caiu ao chão, sem história.
Soldado Wandalika Imagem pelo autor, recriada pela IA do ChatGPT
E se no amanhã a gente não se vê me lembrei de você se os dias forem tensos e corroerem os meus medos serei seu entardecer… E se no amanhã O seu mundo desabar quantas pessoas poderás abraçar?! o amanhã é incerto, o futuro tem seu dedilhado o amor, às vezes, é confundido com apego Flores compram brigas no atual contexto, versos elucidam os tempos no interior de mim mesmo habita meu peso a vida me segue pela esquina do caminho meu amanhã vem com tédios o amor tornou-se lembrança antiga fadiga para o coração que nele respira lares sobrevivem da matéria que os consome a cada fila… E se no amanhã percebermos que ninguém está certo no tocar trombeta formos todos para o inferno!… não encontrarmos lugar na galeria do triunfo! E se no amanhã a gente procrastinar o amanhã para viver um novo amanhã?! E se no amanhã o mundo acordar o dia nascer A vida lá fora acontecer Mas a gente continuar no leito sonhando Os animais irracionais tomarem conta de tudo…! E se no amanhã A gente Desconhecer o bem e o mal… A gente despertar irracional Esquecidos de todos os movimentos que envolvem o quotidiano… E se no amanhã o ar deixar de sorrir o sol perder a graça a gente deixar de existir e a vida ser a mais justa… E se no amanhã Os poetas transformaram-se Poemas nas folhas E a poesia tornar-se alma vivente e escreverem os Poetas… A música voltar a sua frequência como no início da sua história E a vida regressar para o preto e o branco, época mais bela E se no amanhã O livro não mais abrir-se com as pessoas ao redor do mundo… A caneta não mais partilhar seus segredos e degredo com o Poeta… A Vida não mais ser A gente deixar de ser tudo aquilo que é…! Despir-se das sombras Rugir para alimentar a alma viver além das fronteiras E se no amanhã…
Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba realiza exposição no Shopping Cianê
Card da exposição O Jardim Scecreto dos Sonhos Ecos de Kahlo e Borges
O Movimento Cultivista Café com Poemas Sorocaba promove a poesia, a arte e a educação, conectando artistas e poetas em encontros presenciais e virtuais, oficinas, saraus e projetos coletivos. A iniciativa valoriza a criatividade, o diálogo artístico e o fortalecimento da produção cultural independente, criando espaços onde a palavra e a expressão visual encontram acolhimento e expansão.
Em Sorocaba, o movimento é coordenado por Priscila Mancussi, que organiza encontros culturais, incentiva novos talentos e fortalece a cena artística local por meio de ações contínuas e colaborativas.
Com atuação que ultrapassa fronteiras, os artistas participam de saraus on-line e eventos culturais fora do país, como a Feira Internacional Del Libro, por intermédio do poeta e embaixador Romário Filho, onde levam a poesia e a cultura brasileira para diversos públicos, promovendo a interação global por meio da poesia.
Como parte dessa trajetória, o movimento realiza a exposição, ‘O Jardim Secreto dos Sonhos – Ecos de Kahlo e Borges‘, que estabelece um diálogo entre Brasil, Argentina e México. Inspirada na intensidade estética de Frida Kahlo e na profundidade literária de Jorge Luis Borges, a mostra propõe uma travessia sensível entre arte visual e literatura latino-americana.
A exposição convida o público a percorrer caminhos onde cores, palavras e identidade se entrelaçam, reforçando o compromisso do movimento com a integração cultural e a valorização da arte como ponte entre nações.
Integram a exposição os seguintes artistas com suas respectivas obras:
Altamir Costa com a obra: Borges.
Beto Costa com a obra: Oceanos.
Carina Gameiro com as obras: Em Cada Olhar / Frida, Fogo e Carne.
Cris Vaccarezza com a obra: Acidentalmente, Frida.
Cristina Pimentel com as obras: Além do Tempo / Cores e Dores.
Débora Domingues com a obra: A Mexicana.
Djalma Moraes com as obras: Um Brinde ao Saber de Jorge Luis Borges / Ode à Frida.
Josemir Lemos com a obra: El Jorge.
Lana Coelho com as obras: Borges, o Homem que Via com a Alma / Frida Kahlo.
Márcio Zacarias com a obra: Borges no Labirinto do Mundo.
Priscila Mancussi com as obras: Entre Espelhos e Labirintos de Borges / Frida de Cores Vibrantes.
Ricardo Oliveira com a obra: Frida e Eu Mesmo.
Ricco Cassiano com a obra: Frida Kahlo.
Shirley Ferro – Poetisa da Luz com as obras: Eis que um Livro de Areia / Quando a Dor Virou Cor.
Vânia Moreira com a obra: Recortes de Jorge.
A revisão das obras contou com a colaboração de Clarissa Lemos, que revisou cuidadosamente cada texto apresentado.
“Movimento Café com Poemas é a nossa mesa. Sente-se e saboreie à vontade.”
Contos que observam a vida com humor, crítica e humanidade
Fabulação
Nova obra de Ivani Rossi reúne histórias que nascem da experiência, da observação e de uma trajetória marcada pela reinvenção.
Alguns livros não surgem apenas da imaginação, mas da própria travessia da vida.
Ivani Rossi
Em Fabulação, a autora paulistana Ivani Rossi reúne contos que exploram, com sensibilidade e inteligência, as contradições humanas e os pequenos absurdos do cotidiano.
Socióloga de formação e com uma longa atuação na área de marketing, Ivani teve sua vida transformada em 2008, ao enfrentar um câncer gravíssimo.
Foi durante o tratamento que a escrita passou a ocupar um novo lugar em sua rotina, inicialmente como uma forma de compartilhar com filhos, familiares e amigos o que vivia naquele momento.
Esse exercício íntimo se transformou em descoberta.
Curada, decidiu aprofundar sua relação com as palavras e participou de oficinas de escrita que a ajudaram a se libertar da rigidez dos anos dedicados à comunicação corporativa.
Ali, encontrou espaço para desenvolver uma escrita mais livre, criativa e pessoal.
Dessa experiência nasceram suas primeiras publicações: Peruca, Pizza e Pitadas de Químio, em 2010, relato sensível sobre o tratamento contra o câncer; o infantil O gato que queria ser peixe, em 2020; e o romance O telefone toca, frio, lançado em 2023.
Agora, em Fabulação, Ivani apresenta um conjunto de contos que têm origem tanto nessas oficinas quanto na observação atenta das relações sociais, um olhar que dialoga diretamente com sua formação e sua vivência.
As histórias partem de situações aparentemente comuns: um velório observado pela própria falecida, disputas silenciosas por heranças, relações que se transformam ou se esvaziam, obsessões cotidianas.
Com bom humor, ironia e metáforas sutis, a autora conduz o leitor por narrativas que revelam fragilidades, vaidades e escolhas humanas.
Cada conto surpreende não apenas pelo desfecho, mas pela forma como expõe aquilo que muitas vezes preferimos não ver.
Mais do que um livro de histórias, Fabulação é fruto de uma jornada de reinvenção, uma escrita que nasce da experiência e da observação da vida como ela é: complexa, contraditória e profundamente humana.
Ivani mergulha, através de seus contos, no fundo da alma humana.
Seus relatos sempre escapam do óbvio e produzem um inesperado efeito que às vezes se concretizam em uma única frase.
Fabulação nos traz o inefável da psique, aquela nuance que mescla o fantástico e o cotidiano.
Caminha com familiaridade nas pluralidades do comportamento humano, ora pelo fluxo de ideias e associações livres, ora pela própria construção do enredo.
Cada texto é uma explosão de vida, uma confissão.
Esmera-se na descrição dos ambientes. Ironiza a doutrina da “superação” e mostra, com humanidade, a precariedade humana.
As histórias se desenrolam e vão descortinando surpresas.
Uma frase curta contém uma tragédia.
O parágrafo anseia pelo seguinte.
Algumas de suas frases singulares: rugas inoportunas, desinfeliz, menos que mignon, igual ao cérebro de água-viva, mulher vestida de closet, incompreendo, o cérebro é uma peneira constantemente cheia, fome de faquir arrependido, apetite sexual de uma estátua de mármore e por aí vai.
Ivani vai desfiando seu mosaico plurificado de paixões. Engoli, ao lê-la, baldes de emoção.
Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos
Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho
‘A Origem, Fundamentação Histórica e Finalidades do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos – CSAEFH’
Dom Alexandre Rurikovich CarvalhoLogomarca do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e HIstóricos
Capítulo 1
Origem e Fundamentação Histórica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos
O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) é uma associação civil de caráter científico, cultural e histórico, sem fins econômicos, fundada em 11 de dezembro de 2011, com a finalidade de promover a investigação acadêmica, a produção intelectual e a preservação da memória histórica e filosófica das civilizações humanas.
Constitui-se como instituição oficial de pesquisas da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, atuando como órgão de estudos históricos, filosóficos e culturais voltado à investigação das tradições civilizacionais europeias e euroasiáticas, especialmente aquelas relacionadas à formação histórica da Europa medieval.
O Centro é mantido pela Associação Cultural Internacional de Ciências, Letras e Artes e pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA), entidades que lhe conferem sustentação institucional, científica e cultural, consolidando sua natureza acadêmica e interdisciplinar.
Sua finalidade principal consiste no estudo, na pesquisa, na preservação, na promoção e na difusão das Ciências Históricas, Ciências Jurídicas, Letras, Artes, Educação e Filosofia, com especial atenção às tradições intelectuais e históricas dos povos antigos e medievais, compreendidos como elementos formadores da civilização ocidental.
Nesse contexto, o Centro Sarmathiano assume não apenas função acadêmica, mas também missão cultural e historiográfica, buscando estabelecer pontes entre o patrimônio histórico da Antiguidade tardia, o mundo medieval e a reflexão contemporânea sobre identidade, memória e tradição.
A Denominação “Sarmathianos” e Seu Significado Histórico
A denominação Sarmathianos inspira-se nos sármatas, antiga confederação de povos nômades de origem iraniana que dominaram as estepes pónticas — região situada ao norte do Mar Negro — estendendo sua influência por vastas áreas da Europa Oriental e Central entre os séculos V a.C. e IV d.C.
A escolha desse nome possui caráter simbólico e historiográfico, representando a convergência entre mobilidade cultural, intercâmbio civilizacional e formação histórica dos povos europeus. Os sármatas ocuparam posição singular na história antiga ao atuarem como mediadores entre o Oriente e o Ocidente, conectando mundos culturais distintos por meio do comércio, da guerra e da transmissão de tradições.
Autores clássicos como Heródoto, Estrabão e Tácito mencionam esses povos sob as denominações Sauromatae e Sarmatae, descrevendo-os como cavaleiros das estepes cuja organização social e militar exerceu profunda influência sobre povos vizinhos.
Origem e Estilo de Vida dos Sármatas
Os sármatas pertenciam ao grupo iraniano oriental das línguas indo-europeias, aparentados aos citas e aos alanos. Desenvolveram uma civilização essencialmente nômade e pastoril, adaptada às vastas planícies eurasiáticas.
Sua economia baseava-se principalmente na criação de cavalos, elemento central de sua cultura material e simbólica. O cavalo representava simultaneamente meio de subsistência, instrumento militar e símbolo de prestígio social. A sociedade organizava-se em clãs tribais liderados por aristocracias guerreiras, cuja autoridade derivava do valor militar e da linhagem.
Escavações arqueológicas em túmulos tumulares (kurgans) revelam complexa cultura funerária, com ricos artefatos metálicos, armas e ornamentos que demonstram elevado grau de especialização artesanal e diferenciação social (Sulimirski, 1970; Rolle, 1989).
O Poder Militar e a Cultura da Cavalaria
A notoriedade histórica dos sármatas decorreu principalmente de sua excelência militar. Reconhecidos como cavaleiros excepcionais, desenvolveram formas avançadas de guerra montada que influenciaram profundamente a evolução da cavalaria europeia.
Destacavam-se pelo uso da cavalaria pesada blindada, equipada com longas lanças (contus) e armaduras de escamas metálicas. Fontes romanas relatam a incorporação de guerreiros sármatas como tropas auxiliares do Império Romano, especialmente nas fronteiras danubianas e na Britânia.
A historiografia moderna identifica nesses modelos militares um dos antecedentes do ideal cavaleiresco medieval europeu, evidenciando a continuidade cultural entre as tradições das estepes e a formação das elites guerreiras medievais (Littleton & Malcor, 1994).
As Mulheres Guerreiras e o Legado das Amazonas
Um dos aspectos mais singulares da sociedade sármata foi a participação ativa das mulheres na guerra e na vida social. Descobertas arqueológicas demonstram a existência de sepultamentos femininos com armamentos completos, indicando que mulheres combatiam ao lado dos homens.
Heródoto associou os sauromatas às lendárias amazonas, sugerindo que tais narrativas míticas possuíam base histórica real. Estudos contemporâneos reforçam essa hipótese, reconhecendo nos povos das estepes uma estrutura social mais flexível quanto aos papéis de gênero (Davis-Kimball, 2002).
Impacto Histórico e Transformações na Antiguidade Tardia
Entre os séculos I a.C. e III d.C., os sármatas tornaram-se potência dominante nas estepes europeias, substituindo progressivamente os citas e estabelecendo redes de contato entre o mundo romano, povos germânicos e regiões asiáticas.
Sua influência manifestou-se por meio:
da difusão de técnicas militares;
do intercâmbio cultural euroasiático;
da formação de aristocracias guerreiras híbridas;
da integração gradual a novos povos durante o período das migrações.
A chegada dos hunos no século IV desencadeou processos migratórios que levaram à assimilação de diversos grupos sármatas por populações germânicas e alanas.
A Ligação Histórica com os Godos
O encontro entre sármatas e godos ocorreu nas regiões do Mar Negro durante os séculos II a IV d.C., período documentado por autores como Jordanes e Ammianus Marcellinus.
Os godos, ao estabelecerem-se nas áreas pónticas, absorveram elementos culturais e militares das populações iranianas das estepes. Esse contato resultou em intercâmbio tecnológico, integração de guerreiros e transformação das estruturas militares germânicas.
Grupos alanos — herdeiros diretos da tradição sármata — participaram das migrações germânicas rumo ao Ocidente, contribuindo para as mudanças políticas que marcaram o fim do mundo antigo e o surgimento da Europa medieval.
Assim, a tradição sármata constitui elo histórico entre o universo das estepes eurasiáticas e a formação das identidades góticas, justificando simbolicamente a adoção do nome Sarmathiano pelo Centro de Altos Estudos, como expressão de continuidade histórica, investigação científica e preservação da memória civilizacional.
Capítulo II
Tradição Sarmathiana e Identidade Acadêmica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos
A identidade acadêmica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) fundamenta-se na concepção de tradição como elemento dinâmico da construção histórica do conhecimento, compreendida não como mera preservação do passado, mas como continuidade intelectual entre civilizações, culturas e sistemas de pensamento ao longo do tempo.
Nesse sentido, a tradição sarmathiana constitui referência simbólica e epistemológica que orienta a missão institucional do Centro. Os sármatas, enquanto povos mediadores entre o Oriente e o Ocidente, representam historicamente a circulação de saberes, práticas culturais e estruturas sociais que contribuíram para a formação do mundo europeu tardo-antigo e medieval. Tal herança histórica inspira o CSAEFH a atuar como espaço de convergência interdisciplinar entre história, filosofia, direito, artes e humanidades
I – A Tradição como Continuidade Civilizacional
A tradição Sarmathiana é compreendida, no âmbito do Centro, como expressão da continuidade civilizacional euroasiática. As estepes pónticas constituíram, durante a Antiguidade, um vasto corredor cultural por meio do qual circularam povos, ideias, tecnologias e formas de organização social.
A historiografia contemporânea reconhece que essas regiões não devem ser interpretadas como periferias da história europeia, mas como zonas de interação decisivas para a formação das identidades políticas e culturais do continente (Harmatta, 1999). Nesse contexto, os sármatas desempenharam papel fundamental na transmissão de modelos militares, valores aristocráticos e concepções simbólicas que influenciaram povos germânicos, alanos e posteriormente as sociedades medievais.
O CSAEFH adota essa perspectiva historiográfica ao compreender a história como resultado de encontros culturais e processos de longa duração, valorizando o estudo comparado das civilizações.
II – Humanismo Histórico e Interdisciplinaridade
A identidade acadêmica do Centro baseia-se em um humanismo histórico interdisciplinar, no qual as Ciências Históricas dialogam com:
Filosofia;
Ciências Jurídicas;
Letras e Filologia;
Artes e Estética;
Educação e formação cultural.
Essa abordagem reflete a própria natureza das sociedades antigas e medievais, nas quais conhecimento, tradição e prática social não estavam rigidamente separados. Assim como os povos das estepes integravam guerra, espiritualidade e organização social em uma visão unitária do mundo, o CSAEFH promove a integração dos saberes como princípio metodológico.
A interdisciplinaridade constitui, portanto, elemento estruturante da identidade acadêmica sarmathiana, permitindo análises amplas dos fenômenos históricos e culturais.
III – A Herança Sarmathiana e a Formação do Ideal Cavaleiresco
Entre os elementos simbólicos associados à tradição sarmathiana destaca-se o ideal da cavalaria, entendido não apenas como prática militar, mas como expressão ética e cultural.
Estudos historiográficos indicam que a cavalaria pesada desenvolvida pelos povos sármatas e alanos influenciou modelos militares adotados por Roma e posteriormente assimilados por povos germânicos (Sulimirski, 1970; Littleton & Malcor, 1994). Esses elementos contribuíram para a formação do ethos cavaleiresco medieval, caracterizado por valores como honra, lealdade, coragem e serviço.
O CSAEFH incorpora simbolicamente tais valores como princípios acadêmicos, traduzindo-os em:
compromisso com a verdade histórica;
responsabilidade intelectual;
respeito à tradição cultural;
promoção do conhecimento como serviço à sociedade.
IV – Relação com a Tradição Gótica e a Antiguidade Tardia
A conexão entre tradição sarmathiana e herança gótica constitui eixo interpretativo central para a identidade institucional do Centro.
Durante os séculos II a IV d.C., as regiões do Mar Negro tornaram-se espaço de interação entre povos iranianos das estepes e grupos germânicos orientais, especialmente os godos. A historiografia registra processos de intercâmbio militar, político e cultural que contribuíram para a transformação das sociedades germânicas na Antiguidade tardia (Jordanes; Ammianus Marcellinus).
A integração de elementos sármatas e alanos nas confederações góticas demonstra que a formação da Europa medieval resultou de sínteses culturais complexas. Assim, o CSAEFH reconhece a tradição gótica não como fenômeno isolado, mas como parte de um continuum histórico mais amplo que inclui as civilizações das estepes euroasiáticas.
Essa perspectiva legitima a vinculação acadêmica do Centro à Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, entendida como referência histórica e cultural inserida em longa tradição civilizacional.
V – Missão Acadêmica e Projeção Contemporânea
Inspirado pela tradição sarmathiana, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos assume como missão:
promover a pesquisa científica nas humanidades;
preservar a memória histórica das civilizações antigas e medievais;
incentivar a produção intelectual interdisciplinar;
difundir valores culturais fundamentados no humanismo histórico;
contribuir para o diálogo entre tradição e contemporaneidade.
A identidade acadêmica do CSAEFH fundamenta-se, portanto, na compreensão da história como patrimônio vivo da humanidade, cuja investigação científica possibilita a construção consciente do presente e a preservação da memória coletiva.
Nesse sentido, o termo Sarmathiano transcende sua origem etno-histórica para tornar-se conceito intelectual que simboliza intercâmbio cultural, mobilidade do conhecimento e continuidade civilizacional.
Capítulo III
Das Atividades Institucionais e da Outorga de Títulos Honoríficos do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos
O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH), no cumprimento de sua missão científica, cultural e educacional, desenvolve atividades destinadas à promoção do conhecimento, à preservação da memória histórica e ao incentivo à produção intelectual nas diversas áreas das humanidades e das ciências correlatas.
Inspirado pelos princípios do humanismo histórico e pela tradição acadêmica que orienta sua identidade institucional, o Centro atua como espaço de reflexão, intercâmbio cultural e reconhecimento do mérito intelectual e social, contribuindo para o fortalecimento da cultura, da educação e da pesquisa histórica.
I – Das Atividades Acadêmicas e Culturais
Para atingir seus objetivos institucionais, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos promove e realiza:
a) sessões acadêmicas, palestras, seminários, conferências, congressos, simpósios e demais atividades científicas, públicas ou privadas;
b) atividades associativas, culturais e educativas destinadas à difusão do conhecimento e à valorização das artes, das letras e das tradições históricas;
c) a coleta, classificação, conservação, digitalização e arquivamento de documentos, registros e acervos de interesse histórico, filosófico e cultural;
d) a manutenção de intercâmbio científico e cultural com instituições congêneres nacionais e estrangeiras, visando ao fortalecimento da cooperação acadêmica internacional;
e) a formalização de convênios, termos de cooperação e acordos institucionais com entidades públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, conforme deliberação da Diretoria.
Tais atividades refletem o compromisso do Centro com a produção e a difusão do saber, bem como com a preservação do patrimônio intelectual e histórico das civilizações humanas.
II – Das Distinções Honoríficas e Títulos Honoris Causa
No âmbito de suas atribuições estatutárias e culturais, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos poderá outorgar títulos e distinções honoríficas Honoris Causa, abrangendo os diversos campos do saber humano, especialmente aqueles relacionados às Ciências Históricas, Ciências Jurídicas, Letras, Artes, Educação, Filosofia, Cultura Popular e áreas afins.
A expressão latina Honoris Causa significa literalmente “por causa de honra”, sendo tradicionalmente utilizada para designar distinções concedidas como reconhecimento público a méritos excepcionais e contribuições relevantes à sociedade.
A concessão dessas honrarias constitui ato institucional de natureza cultural e honorífica, destinado a reconhecer trajetórias que contribuam para o desenvolvimento intelectual, social, humanitário e cultural da humanidade.
III – Do Título de Doutor Honoris Causa
O Título de Doutor Honoris Causa representa uma das mais elevadas distinções honoríficas conferidas pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos.
Trata-se de honraria concedida a pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras, que, independentemente da posse de formação universitária formal, tenham contribuído de maneira significativa para o avanço:
das artes;
das ciências;
das letras e humanidades;
da educação e da filosofia;
da cultura e da preservação histórica;
da política e da vida pública;
da promoção dos direitos humanos;
da paz e do desenvolvimento social.
Historicamente, as distinções honoris causa tiveram sua origem no âmbito das universidades europeias, constituindo instrumentos simbólicos de reconhecimento público conferidos a personalidades cujas trajetórias evidenciavam relevantes serviços prestados à sociedade, ao Estado e ao desenvolvimento do saber. Inseridas na tradição acadêmica medieval e moderna, tais honrarias representavam não apenas um tributo individual, mas também a afirmação do papel social das universidades como guardiãs e legitimadoras do conhecimento.
Ao longo dos séculos XIX e XX, observa-se um processo de ampliação institucional dessa prática, que passou a ser gradualmente incorporada por entidades culturais e científicas não universitárias, como academias de letras, institutos históricos e geográficos, associações culturais e centros independentes de estudos e pesquisa. Esse movimento refletiu a expansão do próprio conceito de produção intelectual e de reconhecimento público, acompanhando a diversificação dos espaços de circulação do saber e das formas de contribuição à vida cultural e social.
Nesse contexto, as distinções honoris causa passaram a assumir caráter mais abrangente, destinando-se ao reconhecimento de contribuições intelectuais, científicas, artísticas, sociais e humanitárias, consolidando-se como mecanismos simbólicos de valorização da excelência e do mérito nas múltiplas áreas do conhecimento humano.
Assim, personalidades oriundas de múltiplos campos de atuação — incluindo educação, ciência, artes, literatura, filantropia, empreendedorismo, esportes e serviço público — podem ser legitimamente agraciadas com essa honraria, desde que comprovado impacto social relevante e mérito reconhecido.
IV – Natureza Honorífica do Título
O Título de Doutor Honoris Causa distingue-se dos graus acadêmicos regulares conferidos por instituições de ensino superior.
Diferentemente do doutorado acadêmico obtido mediante programas de pós-graduação, o título honorífico:
não exige frequência em cursos formais;
não requer produção de tese ou dissertação;
não gera histórico escolar;
não constitui grau acadêmico profissionalizante.
Sua concessão materializa-se exclusivamente por meio de diploma, certificado, insígnia ou medalha honorífica, simbolizando o reconhecimento institucional por realizações excepcionais e serviços prestados à sociedade.
V – Autonomia Institucional e Ausência de Vinculação ao MEC
O Título de Doutor Honoris Causa possui natureza estritamente honorífica e cultural, não se enquadrando como título acadêmico regulamentado pelo sistema educacional brasileiro.
Por essa razão, sua concessão não está sujeita à fiscalização ou regulamentação do Ministério da Educação (MEC), uma vez que não confere habilitação profissional nem equivalência a graus acadêmicos reconhecidos oficialmente.
Enquanto os títulos acadêmicos formais são regulados pela legislação educacional vigente, as distinções Honoris Causa decorrem da autonomia cultural e institucional das entidades outorgantes, fundamentadas em seus estatutos, tradições e critérios próprios de reconhecimento do mérito.
Consequentemente, a honraria não concede prerrogativas profissionais, direitos acadêmicos formais ou equivalência a doutorado universitário reconhecido pelo MEC.
VI – Da Responsabilidade Institucional na Concessão
A outorga do Título de Doutor Honoris Causa constitui ato de elevada responsabilidade institucional e simbólica.
Sua concessão deve fundamentar-se em critérios:
éticos;
transparentes;
meritocráticos;
historicamente justificáveis;
socialmente relevantes.
Compete à instituição outorgante assegurar que o reconhecimento honorífico preserve sua credibilidade, seriedade e valor cultural, considerando sempre o mérito pessoal, o impacto social das ações do homenageado e sua contribuição efetiva para o desenvolvimento humano e intelectual.
Dessa forma, o Centro Sarmathiano reafirma seu compromisso com a excelência acadêmica, a valorização do conhecimento e o reconhecimento daqueles que, por suas obras e ações, contribuem significativamente para o progresso da sociedade.
Considerações Finais
O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) afirma-se, por meio de sua constituição institucional, de sua fundamentação histórica e de suas atividades acadêmicas, como espaço dedicado à preservação da memória civilizacional, à produção do conhecimento humanístico e à valorização das tradições intelectuais que contribuíram para a formação da cultura ocidental.
Inspirado simbolicamente na herança histórica dos povos sármatas — mediadores culturais entre diferentes mundos e épocas — o Centro adota como princípio orientador a compreensão da história enquanto continuidade dinâmica das experiências humanas. Nesse sentido, a tradição sarmathiana representa não apenas referência histórica, mas paradigma intelectual voltado ao diálogo entre passado e presente, tradição e reflexão crítica, memória e construção do conhecimento.
Ao estabelecer vínculos acadêmicos com a tradição histórica associada aos povos das estepes eurasiáticas e à herança gótica da Antiguidade Tardia, o CSAEFH reafirma seu compromisso com uma abordagem historiográfica ampla, interdisciplinar e humanista, reconhecendo que as civilizações se formam por processos de intercâmbio cultural e síntese histórica.
As atividades promovidas pelo Centro — incluindo pesquisas, conferências, intercâmbios culturais, preservação documental e iniciativas educacionais — constituem instrumentos fundamentais para a difusão do saber e para o fortalecimento da consciência histórica. Nesse contexto, a outorga de distinções honoríficas, especialmente o Título de Doutor Honoris Causa, insere-se como expressão institucional do reconhecimento público ao mérito intelectual, cultural e social de personalidades cujas ações contribuam significativamente para o progresso humano.
Tal prática não se limita ao ato simbólico da homenagem, mas representa a valorização da excelência, da ética e do compromisso com o desenvolvimento da sociedade, reafirmando o papel das instituições culturais como guardiãs da memória e promotoras do conhecimento.
Dessa forma, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos consolida-se como instituição voltada à investigação científica, à promoção cultural e ao reconhecimento do mérito humano, preservando tradições históricas enquanto projeta sua atuação para os desafios contemporâneos e futuros.
Conclui-se, portanto, que a missão do CSAEFH transcende o âmbito institucional, constituindo-se em esforço contínuo de preservação da herança intelectual da humanidade, de estímulo à reflexão filosófica e histórica e de promoção dos valores universais do conhecimento, da cultura e da dignidade humana.
Referências
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5. Cavalaria Antiga e Tradição Militar das Estepes
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Najwa Sadi Juma traz ao ROL a veemência dos textos de resistência, resiliência e transcendência de sua terra natal!
Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma, 47, natural de Gaza, Palestina, é professora, escritora, pintora, ativista e tradutora palestina.
Formou-se em Literatura Inglesa antes de prosseguir seus estudos na área da educação. Trabalhou como professora durante 13 anos e foi uma das fundadoras da primeira fundação de teatro feminino na Palestina, para a qual escreveu inúmeras peças teatrais encenadas em Gaza.
Além de seu trabalho criativo, Najwa colaborou com uma equipe de tradução em uma coleção de 48 contos palestinos, publicada em maio de 2023 pela Inner Child Press nos Estados Unidos.
É membro da União Geral de Escritores Palestinos e atualmente preside o Fórum Cultural Palestino na Europa.
Publicou três coletâneas de contos em árabe, que posteriormente traduziu para o inglês.
Escreveu diversos artigos que examinam as realidades sociais e culturais das mulheres palestinas. Sua coletânea de poemas, ‘Songs of Eternity on the Hill of Slaughter – Poems from the Genocide’ (Canções da Eternidade na Colina do Massacre – Poemas do Genocídio), será lançada em breve.
Najwa foi indicada como a primeira escritora palestina a receber a Bolsa Jean Jacques Rousseau, que reconhece escritores de áreas de conflito.
Participou de diversos eventos literários na Europa, incluindo o 44º Festival de Poetas Innen de Erlanger, na Alemanha, em 2024, e o Evento de Poesia Inédita, na Croácia, em 2025.
Recebeu inúmeros prêmios literários nacionais e internacionais.
Najwa se apresenta aos leitores do ROL com o impactante poema Ode à criança de Gaza!
Para a criança de cabelos tão escuros, tão finos, Cuja vida foi interrompida prematuramente, Cujo olho foi dilacerado pelo hálito de fogo, Cuja mandíbula se contraiu em morte súbita.
O grito de um míssil, um som cruel, Reduziram sua casa a escombros. Você não conseguiria ler estas palavras que escrevo— Às sete horas, as letras desaparecem da vista.
Mas ainda assim, eu sei que você me ouve por perto, Seu espírito permanece, nítido e lúcido. Desde que vi a moldura da sua foto, Você caminhou comigo, sem um nome.
E quando falo, sinto você aí, Um fantasma de poeira, de chama, de ar. Seu olho, embora privado da luz mortal, Agora, seu assassino passa a noite em claro.
Ele fica olhando fixamente até que seu fôlego se esgote. Sem pestanejar, de braços abertos — a justiça foi feita. E ainda te amo, meu pequeno. Embora o horror marcasse o que a guerra havia gerado.
Sua língua, estendida em um grito silencioso, Como que para zombar da mentira dos observadores— Um mundo que vê, mas não fala. Que estremece uma vez e depois adormece.
Mas eu não hesito, eu não me viro. Eu te vejo em cada chama que arde. Coloco seu olhar onde ele pertence, Eu silencio sua língua de canções fantasmagóricas.
Eu retiro a poeira dos cabelos ensanguentados, Eu retiro as pedras do seu desespero. Eu costuro suas asas, tão rasgadas, tão largas, E te enviar para voar pelos céus.
Com cada criança, antes perdida, agora livre, Restaurou os membros e a memória. Você voa além do alcance das bombas, Uma criança em paz, amada por todos.
Com amor infinito, embora em mundos completamente diferentes— Você viverá para sempre em meu coração.