Vekinha mineirinha virou princesa!

Descubra, com Verônica Moreira, o que acontece quando o jeitinho mineiro de uma menina sonhadora cai para dentro das páginas de um clássico conto de fadas

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Capa do livro infantil "Vekinha: A mineirinha que virou princesa", de Verônica Moreira. Ao centro, uma jovem princesa sorridente com vestido cor-de-rosa e coroa dourada, cercada por gnomos de jardim, com um castelo ao fundo.
Imagem criada pelo ChatGPT

Era uma vez…

Na cidade de Caratinga (Minas Gerais), havia uma menina muito bonita e simpática chamada Vekinha, todos a conheciam e sabiam o quanto ela era sonhadora. Chamavam-na de Mineirinha, porque ela tinha o dom de cativar a todos com seu jeitinho mineiro de ser.

Vekinha tinha um sonho lindo: sonhava ser uma princesa bailarina e ter asas cintilantes como de borboletas. Isso, porque ela queria voar muito alto, tão alto quanto pudesse. Ela queria conhecer melhor a cidade onde vivia.

Ela nunca havia subido no topo das montanhas, e havia um lugar que ela adoraria conhecer de perto: o topo da pedra Itaúna.

Sempre ouviu seus irmãos dizerem que era o lugar mais alto da cidade e, lá de cima, dava pra ver todas as belezas da região; a praça das palmeiras, o coreto do jardim, o monumento Menino Maluquinho e até a estátua do cantor caratinguense Agnaldo Timóteo.

Acontece, que Vekinha era muito sonhadora, e isso é o que movia seu coraçãozinho. “Afinal” – pensava ela -, “tudo que eu quiser, eu posso fazer, basta eu acreditar que é possível!”

Vekinha gostava muito de sua amiga Kaká. Elas se divertiam e trocavam livros. Amavam ler histórias de fada e princesas, rainhas e reis, barões e baronesas e todas essas histórias de realeza.

Elas decidiriam ir à biblioteca Municipal de Caratinga e pegar um livro muito interessante que fala de uma princesa que se chama Branca de Neve. A pobre princesa do livro foi vítima de inveja de sua madrasta malvada.

Às meninas decidiram ler o livro para depois compartilhar a história e o que aprenderam. Isso, porque, ao ler uma história, cada pessoa tem uma interpretação daquilo que leu.

Vekinha chegou em casa com o livro na mão e disse para sua mamãe Conceição:  − Mamãe, vou começar a ler este livro da Branca de Neve e os Sete Anões. Vou para o meu quartinho e não quero ser interrompida, tá certo?

A mãe de Vekinha ficou feliz, afinal, a leitura desenvolve a criatividade, a forma argumentativa, melhora nossa comunicação e ainda nos ajuda a compreender muitas coisas.

− Ah, Vekinha! Claro que você pode ficar no seu quanto, vou cuidar para que ninguém a incomode.

No seu quarto, Vekinha começou a ler a história, cheia de acontecimentos curiosos. Ela chegou na parte em que o caçador corre atrás de Branca de Neve na floresta e, de repente, no decorrer da leitura, Vekinha pegou no sono e deixou o livro cair no chão …

O quarto da menina se transformou em um cenário estranho. Havia uma floresta com uma casa bem pequena. Na casa moravam sete anões, sete homenzinhos simpáticos.

Vekinha se levantou da cama e caminhou até a porta da casinha pequena. Quando entrou numa sala muito apertadinha, viu um dos homenzinhos deitado no sofá. Ela se aproximou e percebeu que ele estava bravo. Muito bravo! Tanto, que seu rosto  ficou vermelho, como se fosse soltar fogo pelas ventas.

Vekinha perguntou: − Olá, nobre senhorzinho, poderia me dizer por que você está bravo assim?

O pequeno homem lhe respondeu:

 − Claro que posso! É que acabei de chegar em casa e mais uma vez deu tudo errado! Todos os dias pela manhã, eu subo para escalar a pedra Itaúna e, às vezes, uso cordas para tentar chegar ao topo, mas ao chegar quase lá, fico totalmente frustrado, pois minhas pernas são curtinhas e sempre permaneço a um passo para chegar e as cordas nunca são suficientes Acredito que eu preciso de uma ajudinha.

Vekinha compreendeu e disse para o anão que, dá próxima vez, iria com ele para ajudá-lo.

O anão agradeceu e perguntou o que ela estava fazendo ali.

−  Estou apenas lendo este livro e, de repente, vim parar aqui dentro dessa história! − respondeu, ainda confusa com aquela situação.

Vekinha perguntou:

− Qual é o seu nome?

Ele disse:

− Zangado, menina. E o seu nome?

− Meu nome é VEKINHA, senhor anão

− Seja muitíssimo bem-vinda, menina! Gostei de você!

− Ah, obrigada senhor Zangado, também gostei de conhecê-lo, mas você poderia me dizer como faço pra voltar pra minha casa?

− Pra voltar para a sua casa eu não sei menina, mas você pode passar a noite aqui e me ajudar a escalar a pedra Itaúna amanhã. Se eu conseguir, prometo que a ajudo a voltar para casa.

Vekinha achou melhor não contrariar o anãozinho, porque, afinal, ele já estava zangado.

− Combinado… Eu fico aqui e amanhã bem cedo o ajudo. Vekinha ficou surpresa, pois não imaginava que numa floresta tão grande poderiam alcançar aa pedra Itaúna qu, até então só existia em sua cidade. Será só uma coencidência? Pensou ela…

De repente, Vekinha ouviu um ronco muito alto vindo da varanda da casinha e foi se aproximando para ver o que era. Avistou outro homenzinho, outro anão. Assustada, ela exclamou:

− Outro homenzinho!

Zangado disse a ela que não precisava ter medo, o anão era seu irmão, Soneca, que vivia dormindo por todo lugar, pobrezinho, mal conseguia trabalhar, pois vivia com sono. Vekinha achou melhor não acordá-lo, mas ele deu um pulo como se estivesse fingindo, e questionou:

− Quem é essa menina estranha? De onde veio essa criatura?

Zangado respondeu:

− Calma, Soneca, é só uma amiguinha que acabei de conhecer e que vai se hospedar aqui em casa até amanhã de manhã!

Como zangado era muito bravo, Soneca não o contrariou.

− Tá bom, pode ficar menina, mas não faça barulho, porque eu preciso dormir.

Vekinha saiu de fininho, “pé por pé” e viu uma porta que levava para um corredor. Viu uma cadeira de balanço e nela estava mais um homenzinho. Ela se aproximou, enquanto ele acariciava um gatinho, e perguntou:

− Você gosta de animaizinhos?

O homenzinho, assustado, pulou da cadeira e disse:

− Quem é você?

Vekinha chegou bem perto, acariciou sua barba enorme, e esclareceu:

 − Não se assuste, amiguinho, eu sou hóspede do senhor Zangado, e o vi sentado na cadeira. O senhor parecia tão bonzinho, que deu até vontade de lhe dar um abraço.

Dengoso se derreteu todo e, com às bochechas avermelhadas, disse a Vekinha:

 − Ah, menina! Perdoe esse meu jeito desajeitado. Pode ficar à vontade. Sinta-se em casa. Mas eu posso fazer um pedido?

− Claro que sim, senhor!

− Poderia fazer um cafuné na minha barba?

Vekinha se aproximou novamente e o acariciou com suas mãos de fada.

Dengoso ficou todo empolgado com o jeitinho doce da hóspede e a convidou para tomar um café. Foram à cozinha e, chegando lá, encontraram mais dois anões, que, ao vê-la, deram um salto da mesa e, com olhos arregalados, perguntaram:

− Quem é essa criatura desengonçada?

 Vekinha se chateou, e questionou:

− Desengonçada, eu? Respeitem-me, por favor! Sou apenas uma menina do interior, não precisam me ofender. Desengonçada eu não sou!

Dengoso, tomando as dores da menina, disse aos irmãos:

− Calma gente, essa é a Vekinha, ela veio parar aqui por acaso, mas não tem onde dormir. Podemos hospedá-la esta noite, afinal, lá fora está muito frio, e olhem como ela é frágil, pode pegar um resfriado e morrer!

Os irmãos concordaram, e responderam:

– Então tá bom, mas somente esta noite, mas temos uma condição: você fica, mas vai preparar o jantar…

Vekinha respondeu:

− Eu faço o jantar, não tem problema! 

De repente, o homenzinho soltou um espirro: atchim!

−  Você está gripado ? − perguntou Vekinha. − Quer que eu faça um chá?

O anão respondeu:

− Não precisa de chá, eu me chamo Atchim, e por isso eu espirro assim!

−  Ah, prazer, senhor Atchim!

− O prazer é todo meu, querida! Agora você pode se sentar que eu mesmo irei servir o seu café.

Vekinha se sentou e, percebendo que o outro anão estava muito calado, decidiu perguntar o seu nome:

−  Como você se chama?

O homenzinho respondeu. morrendo de rir:

−  Eu sou o Feliz, e estou muito contente por tê-la aqui na nossa casa. Vou até cantar uma música para alegrá-la:

Vekinha feliz, lá,lá lá lá lá!…

Se quiser podemos dançar!!

Me concede essa dança, princesa?

Vekinha ia se levantar para dançar com seu feliz cavalheiro anão, quando, de repente, ouviu um grito:

− Nem pensem em levantar-se dessa mesa! Não é hora de jantar. Vamos tomar o nosso café, porque precisamos trabalhar bem cedo. E você, mocinha, precisa cozinhar, portanto, tome logo esse café!

− Quem é você, senhor? −  perguntou Vekinha.

− Eu sou o Mestre. Aqui ninguém faz nada sem minha permissão, e eu não dei permissão para você dormir aqui, exceto se você me pedir com muito jeitinho. Aliás, implore!

− Eu não vou implorar! −  disse Vekinha.

− Então, vá embora! – gritou Mestre, bravo.

O outro anão ouvia a conversa e veio do quintal, dizendo:

−  Acalme-se Mestre! Nós não podemos deixar esta menina solta na floresta, pois as feras podem devorá-la, e isso seria muita maldade da nossa parte. Devemos dar abrigo a esta menina, mas somente esta noite!

Todos concordaram, e Vekinha agradeceu o simpático senhor anão, perguntando seu nome.

Ele disse: meu nome é Dunga. Seja muito bem-vinda à nossa casinha, e agora vamos tomar café.

− Certo. E onde está a cafeteira?  − perguntou Vekinha. Porém, quando, olhando para a pia, percebeu que o café foi coado numa meia suja e “chulezenta”, disse imediatamente:

− Eu não vou tomar esse café e nem vocês irão! Vou fazer um café novo, mas antes me arrumem uma agulha e um pano limpinho.

Os anões buscaram agulha, linha e um pano limpo. Vekinha cortou com a tesoura e fez um coador de café, costurou e, finalmente terminando a obra, foi até o fogão, ferveu a água e passou o café no coador novinho que fez para os anões. Eles ficaram muito gratos e, juntos, beberam aquele delicioso café, feito pelas mãos de uma mineira de “mão cheia”.

Vekinha nasceu no interior de Minas Gerais, na cidade que ela amava e que se chamava Caratinga. A cidade era conhecida por ser uma região muito importante para a produção do café, e, por isso, todos amam o café mineiro.

Os anões ficaram tão felizes, que convidaram Vekinha para morar com eles para sempre, mas Vekinha agradeceu dizendo que ama muito sua família e não poderia ficar longe nem um dia mais.

Os anões compreenderam e fizeram de tudo para agradar a menina, afinal, nunca haviam provado um café tão saboroso quanto o café de Vekinha.

A noite veio chegando e, enquanto Vekinha cozinhava um guisado de chuchu com pedacinhos de carne de boi, arroz, feijão preto e um anguzinho à moda mineira, os anões ficaram cheios de água na boca com o cheirinho da comida de Vekinha, que fez todo com muito amor, afinal, os anões a tratavam com muito carinho; inclusive, arrumaram a melhor cama da casa para ela pernoitar.

E chegou o grande momento! Vekinha chamou todos para jantar, deliciando-se com aquele guisado. Depois que estavam todos de barriga cheia, Vekinha leu uma história muito bonita sobre um “Menino Maluquinho”, personagem do livro de Ziraldo Alves Pinto, que foi um grande escritor e cartunista que morou na cidade de Vekinha, na amada Caratinga.

Os sete anões ficaram deslumbrados com a história e queriam ouvir mais histórias, mas Vekinha já estava morrendo de sono. Quando, finalmente, adormeceu no sofá, os anões, com muita dificuldade por serem muito pequenos, levaram-na pra cama e a deitaram, indo cada um pra sua caminha, pois, no dia seguinte, teriam que trabalhar bastante e Vekinha precisava voltar para sua casa.

Os anões, por sua vez, ficaram imaginando como seria essa cidade de Vekinha, sabiam que a culinária era maravilhosa, já que nunca haviam provado uma comida tão saborosa como a dela. Dormiram, sonhando com a possibilidade de um dia poderem conhecer mais dessa cidade maravilhosa.

No dia seguinte, Vekinha acordou cedo e fez novamente o café, mas percebeu que os anões não estavam em casa. Saiu pela floresta, gritando: Mestre! Dunga! Atchim! Soneca! Feliz! Dengoso! Zangado! Cadê vocês todos! Venham tomar café!

Os anões desceram da montanha às pressas e foram ao encontro de Vekinha, tomaram o café e comeram pão de queijo que acabavam de sair do forno, sairam satisfeitos com tamanha gostosura e disseram pra Vekinha  ficar quietinha dentro de casa até o horário do almoço, que eles voltariam para ajudá-la a ir pra casa dela.

Disseram ainda:

− Vekinha, não abra a porta para ninguém, não temos amigos por aqui, mas temos um inimigo, na verdade, uma bruxa muito má que tentou matar a Branca de Neve. Isso foi há muito tempo. Branca de Neve também era nossa hóspede, e igualmente perdida na floresta e a bruxa veio, disfarçada como uma velhinha e deu uma maçã envenenada para ela, de modo que, ao comer a maçã, Branca de Neve entrou em um sono profundo. Todavia, graças a um príncipe que a beijou, o feitiço da bruxa foi desfeito e a Branca de Neve se casou com o príncipe e foi feliz para sempre!

Portanto, VEKINHA, como a Branca de Neve foi morar no reino com o príncipe, nós iremos adotar você como nossa princesa!

Vekinha se sentiu muito emocionada, de forma que às lágrimas de felicidade começaram a escorrer por sua face. Os anões a abraçaram e eles se alegraram juntos. Vekinha, então, disse para os anões que não se preocupassem, pois ela nem gostava de maçã; ela amava comer  era amoras e ficaria atenta caso alguém quisesse lhe oferecer algo para comer.

Os anões foram até a floresta e fizeram uma coroa para Vekinha com folhas de amoras. A coroa ficou linda e Vekinha ficou muito feliz por ter sido coroada como Princesa do Reino da Floresta e protetora do meio-ambiente e  das riquezas culturais de sua Minas Gerais.

Os sete anões voltaram ao trabalho e Vekinha resolveu deitar e dormir um pouco. Adormeceu rapidamente ouvindo o cantar dos passarinhos na janelinha do quarto dos anões. De repente, ouviu um grito: Vekinha!!!

− Acorda menina, você já está atrasada pra ir pra escola, deve ter lido o livro inteiro durante a noite, não é possível!

Vekinha acordou, olhou em volta e não viu mais a casinha na floresta. Percebeu que já estava novamente em casa e que precisava se apressar, pois queria contar pra sua amiga Kaká o que havia acontecido com ela naquela noite. Era como se ela tivesse entrado naquela história.

Feliz com o que aconteceu, Vekinha indagou: “será que fui mesmo coroada e agora sou uma princesa?” Ao sair às pressas, Vekinha tomou uma xícara de café na cozinha e se despediu da mãe,  com a mochila e o livro na mão.

A mãe perguntou:

− Conseguiu ler o livro todo, Vekinha?

− Não mamãe, eu não li o livro todo, mas pude viver uma grande aventura com o pouco que li, mas depois te conto tudo! Bença, mamãe. Tô indo pra escola; ah, se encontrar uma coroa com folhas de amoras, a senhora guarda pra mim com muito carinho. Até mais, mamãe. Até mais, amiguinhos! 

Verônica Moreira

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Dom de sangue: a poesia que brota da dor e da superação

Em versos profundos, o novo poema de Elisa Mascia traz uma reflexão tocante sobre o sofrimento no deserto árido da alma e o valor sagrado dos dons conquistados através do sacrifício

Elisa Mascia
Elisa Mascia
https://jornalrol.com.br/wp-admin/post.phppost=85119&action=edit

A vida nos coloca para combater batalhas no deserto árido.
Ali se produzem os melhores frutos.

O sofrimento no silêncio de uma buscada solidão,
mesmo que forçada ao isolamento.
Refletir em sintonia com o espírito da esperança de praias
que abraçam a onda do sopro de um flanco trespassado.

Apoia a mão sangrenta, eleva-se para oferecer o dom da rosa,
com as espinhas agora cravadas na carne.
É uma tempestade de união entre o céu e a terra.
É uma lei da vida regulada pelo suor, antes de receber um dom e ser apreciado
Por seu precioso mérito.

Elisa Mascia

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Olhos de sol – Poema de Evani Rocha

Uma presença intensa transforma a solidão em um jardim cheio de vida e estações marcantes

Evani Rocha
Evani Rocha
Uma foto de close-up, de baixo ângulo, de uma mulher sorridente com cabelos castanhos longos e ondulados. Ela está voltada para o céu azul, segurando as bordas de um chapéu de palha com as duas mãos. Uma flor de girassol amarela vibrante está em primeiro plano, que ela segura na mão esquerda. O sol brilha intensamente no canto superior direito.
https://chatgpt.com/c/6ad220a4-b54c-83e9-ac11-db951f8c536b

Ele chegou como todos chegam,

Imprevisível: os olhos feitos raios de sol

E braços, como asas de águia!

Sobre as mãos sedosas uma rosa,

Cheia de promessas e desafios…

Ele chegou para ficar: plantou os dias e as noites.

Derramou as estações!

Trouxe inverno rigoroso…

Mas no verão, veio feito fogo.

Espalhou seu calor sobre os prados

E verteu toda a água que guardara em suas nuvens…

Cresceu a relva e frutificou!

O mel escorria em minha face, desbravando caminhos…

Meu corpo se acostumou ao seu – tão protetor…

Você imergiu como sementes na terra fofa:

Germinou em meu jardim e floresceu.

Nos meandros de minhas veias, corria o seu sangue escarlate.

Manso, quando passeava nos cômodos e na varanda,

Sempre uma poltrona para o horizonte…

Seus olhos de sol dançavam sobre as margaridas e hortênsias azuis.

Era o tempo!

Às vezes silencioso como uma noite fria,

Ou farfalhante, como as borboletas no verão!

Chegou quando tudo terminava.

Quando as palavras eram vazias e vãs.

Veio sem bagagem, fez morada.

Fincou raízes na aridez da solidão!

Evani Rocha

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Dor no joelho: a dor existencial em Bhatiyar Hidayet

Em versos carregados de dor física e existencial, o poeta traduz o peso de enfrentar os tribunais da vida e o desejo sufocante de escapar da própria realidade

Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
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Eu nunca me ajoelhei perante a hora,
Eu nunca me prostrei diante de pessoas desonestas.
Eu rastejei apenas durante batalhas.
Por que meu joelho dói?

Talvez você esteja ofendido comigo.
Quando a solidão uivava como um lobo,
Eu te abracei muito.
Por que meu joelho dói?

Afinal, eu tenho que me levantar.
Todo dia é um tribunal—
Tudo bem,
Vou contestar a ordem.
“Levante-se, o tribunal está chegando.”
Afinal, eu tenho que me levantar.
O professor da vida está começando a lição.
Tudo bem, eu também vou me opor a isso.
O sino dessa lição é como o sino da morte.
Por que meu joelho dói?

Você não tem o direito de causar tanta dor.
Afinal, quero fugir deste país.
Afinal, você precisa ser forte.
Por que meu joelho dói?

Os médicos disseram que houve acúmulo de sal.
Eu pensava que apenas as minhas lágrimas eram salgadas.
Então você também está chorando por mim,
Silenciosamente e em silêncio.

E perdoe-me, meu joelho,
Quando os médicos testaram meus nervos,
Eles também te batem forte com um martelo.
Eu mesma te machuquei ao bater com o joelho.
Agora eu entendo por que você está com dor, meu joelho.

Me perdoe.
Você não me entenderia.
Já bati o joelho em momentos de tragédia,
E eu abracei meu joelho em solidão.
Talvez seja a confusão que esteja te prejudicando.
Não me dê atenção,
Nem mesmo Deus me entende.
Por que meu joelho dói?

Vou ao médico novamente.
O médico vai te bater com um martelo.
Prepare-se, meu joelho.

O médico vai te bater com um martelo.
Tenho receio de que, como um prego,
Você será pregado nesta terra.
Tenho receio de não conseguir escapar daqui.
Olha, eu também estou confuso.
Venham, vamos nos ajudar e escapar daqui.
Por que meu joelho dói?

Bakhtiyar Hasanov

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Alesia Issa, artista bielorrussa, torna visível o invisível

Em entrevista ao colunista Carlos Javier Jarquín, a artista multidisciplinar revela seu universo arquetípico, unindo misticismo, pintura e música da Bielorrússia à China


Logótipo promocional do Jornal Cultural ROL. Na parte superior, curvado em redor de um círculo azul-petróleo, está escrito em letras pretas "Entrevistas ROLianas". No centro do círculo, uma ilustração mostra uma mão vestida com manga vermelha e punho branco a segurar um microfone preto e cor-de-laranja. Na parte inferior da imagem, encontra-se a frase "Jornal Cultural" em azul, acima da palavra "ROL" em letras grandes e azuis, acompanhada por um símbolo geométrico cor-de-laranja à esquerda.
Logotipo da seção Entrevistas ROLianas
Alesia estudou pintura na Academia Estatal de Artes da Bielorrússia, onde obteve, em 2018, o título de Bacharel em Artes, com especialização em Pintura e no Ensino de Pintura. Em 2019, obteve um mestrado em Teoria da Arte, com foco em belas-artes, artes decorativas e arquitetura. Foto/2026, cortesia de Alesia Issa.
Alesia estudou pintura na Academia Estatal de Artes da Bielorrússia, onde obteve, em 2018, o título de Bacharel em Artes, com especialização em Pintura e no Ensino de Pintura. Em 2019, obteve um mestrado em Teoria da Arte, com foco em belas-artes, artes decorativas e arquitetura. Foto/2026, cortesia de Alesia Issa.

Queridos amigos planetários:

Apresento-lhes a artista multidisciplinar bielorrussa Alesia Issa, nascida em Minsk em 23 de janeiro de 1993 e atualmente residente na China. Sua paixão pela arte é diversa e infinita e, ao longo de sua vida, ela soube dar cor à sua existência, que nada mais é do que uma expressão artística digna de admiração.

Ela teve o privilégio de crescer em um lar onde a arte fazia parte do seu cotidiano. Desde os seus primeiros anos surgiram suas inquietações artísticas, iniciadas com o desenho. A música corre em suas veias e faz parte de sua vida artística: em sua adolescência, foi primeira soprano do Conjunto Folclórico Litwins. Entre la música e a pintura, escolheu estudar pintura na Academia Estatal de Artes da Bielorrússia, onde obteve em 2018 o título de Licenciada em Artes, com especialização em Pintura e Docência da Pintura. Em 2019, concluiu o mestrado em Teoria da Arte, com foco em belas artes, artes decorativas e arquitetura. Obras de sua autoria encontram-se atualmente em coleções privadas e públicas da Bielorrússia, Reino Unido, Singapura, Rússia, Espanha, Suíça e Equador.

Em sua biografia lê-se: “Sua arte abrange a pintura, a gráfica, a cerâmica, a fotografia, o vídeo, a performance e a tatuagem. Inspirada por mitos, folclore e imagens arquetípicas, explora a beleza espiritual das pessoas, a natureza e o mundo cotidiano. Sua obra une o sagrado ao cotidiano e adentra em narrativas do subconsciente para criar um universo visual rico e etéreo. Em 2024 e 2025, atuou como curadora e participou de exposições internacionais que promovem o diálogo entre artistas de diferentes culturas. Seu trabalho aborda a identidade, a herança cultural, a memória e o vínculo sagrado entre o ser humano e a natureza. Participou de exposições coletivas e individuais na Bielorrússia e no Reino Unido, entre elas ‘Living and Dreaming’, apresentada em Londres em 2018. Nesse mesmo ano, recebeu uma residência da Eurasian Creative Guild em Hemel Hempstead, Inglaterra, experiência que abriu novas oportunidades e conexões em sua trajetória artística”.

Alesia é uma artista polifacetada e também trilingue, já que fala bielorrusso, russo e inglês. Nesta conversa, conheceremos mais do seu universo artístico. Aproveito para convidar todos a conhecerem a obra desta grande artista bielorrussa que, com sua pouca idade, já alcançou um sucesso notável.

Com que idade despertou em você o amor pelas artes visuais?

Meu amor pela arte visual começou quando eu tinha três anos. Nasci em uma família criativa, e o desenho, a música e a poesia conviveram ao meu lado durante toda a minha infância. Criar imagens tornou-se uma parte natural da minha maneira de olhar o mundo e de tentar dar forma àquilo que eu imaginava.

Desde criança, também era fascinada por mitologia, folclore, simbolismo religioso e pelo desconhecido. Essas histórias me ofereciam imagens de coisas que eu podia sentir, mas não ver. Creio que esse desejo de tornar visível o invisível continua no centro da minha obra.

Aproximadamente aos quinze anos, quando tive que escolher uma profissão, escolhi a pintura. Mais tarde, recebi formação acadêmica em pintura e concluí o mestrado em Teoria da Arte. No entanto, não creio que a educação, por si só, tenha me transformado em artista. Ela me deu uma base e ferramentas para algo que havia começado muito antes.

A arte de Alesia Issa abrange a pintura, a arte gráfica, a cerâmica, a fotografia, o vídeo, a performance e a tatuagem. Inspirada por mitos, pelo folclore e por imagens arquetípicas, ela explora a beleza espiritual das pessoas, da natureza e do mundo cotidiano. Foto/ cortesia de Alesia Issa.

O que a inspirou a se desenvolver como artista interdisciplinar, abrangendo a pintura, a gráfica, o design gráfico, a cerâmica, a fotografia, o vídeo, a performance, a ilustração de livros, a tatuagem e também a música?

Para mim, trabalhar entre diferentes disciplinas surgiu de maneira natural. Nunca percebi a pintura, a música, a poesia ou o cinema como mundos completamente separados. São maneiras distintas de me aproximar de uma imagem ou de uma experiência que desejo compreender.

A pintura continua sendo uma base essencial da minha prática, mas não consegue expressar tudo da forma como necessito. Um filme permite que uma imagem se desdobre no tempo. A música pode transportar uma emoção através da voz e do som. Um mural transforma a relação entre uma imagem, a arquitetura e as pessoas que habitam um espaço. Depois de me mudar para a China, comecei a trabalhar com a cerâmica e descobri o que acontece quando uma imagem ganha peso, volume e textura.

Meu trabalho foi se expandindo gradualmente através da ilustração, dos murais, da docência, do vídeo e de outras formas de expressão. A música retornou à minha vida depois de eu tê-la deixado de lado para me concentrar na pintura. Cada uma dessas experiências abriu uma possibilidade que outro meio não poderia oferecer da mesma maneira.

Existem fundamentos compartilhados, como o ritmo, a composição, a tensão e a pausa, mas cada meio nos permite vivenciá-los de forma diferente. Frequentemente sinto que é a própria imagem que escolhe o que deseja se tornar. Minha tarefa consiste em reconhecer se ela precisa ser uma pintura, uma canção, um filme ou um objeto, e então encontrar a linguagem que permita a sua existência.

Quais são os temas principais que estão mais presentes em sua obra artística?

Retorno repetidamente ao subconsciente, à mitologia e a esses momentos em que uma pessoa atravessa uma transformação interior. O amor, a morte, o medo e a escolha aparecem na minha obra através de figuras e relatos que acompanham a humanidade há séculos.

Utilizo a palavra arquétipo com bastante liberdade. Não se limita a uma definição estritamente junguiana. Para mim, um arquétipo é uma imagem que conecta uma experiência individual a algo coletivo, algo que pode parecer estranhamente familiar mesmo quando o encontramos pela primeira vez. O folclore bielorrusso me é especialmente próximo, mas também exploro a filosofia e as imagens da Índia, a mitologia chinesa e japonesa, e o simbolismo religioso de diferentes tradições.

Uma figura à qual costumo regressar é A Loba, a mulher que reúne ossos e lhes devolve a vida. Vejo nela a possibilidade de recuperar algo essencial dentro de nós mesmas. Adão, Eva, Lilith e as Três Parcas também reaparecem na minha obra, porque suas histórias continuam levantando questões sobre nossas próprias vidas.

Atrai-me especialmente o instante exato antes de algo mudar. Em minha pintura Eclipse, Adão olha para a maçã enquanto um sol negro já se ergueu sobre ele. Interessa-me essa hesitação: ele ainda tem uma escolha, ou algo já se transformou dentro dele? Através de imagens como essa, tento me aproximar de experiências difíceis de explicar de maneira direta. Uma obra pode conservar uma memória emocional e permitir que outra pessoa a encontre à sua própria maneira.

A obra de Alesia une o sagrado ao cotidiano e mergulha em narrativas do subconsciente para criar um universo visual rico e etéreo. Foto/ cortesia de Alesia Issa.

O que representa para você o fato de muitas de suas pinturas fazerem parte de coleções públicas e privadas de diferentes países, entre eles Bielorússia, Reino Unido, Singapura, Rússia, Espanha, Suíça e Equador?

Significa muito para mim que uma obra possa sair do meu ateliê e se tornar parte da vida de outra pessoa, às vezes em um lugar que nunca visitei. A pintura é um processo muito íntimo. Passo um tempo com uma imagem, com as perguntas e os sentimentos que lhe deram origem, e depois ela começa uma existência além de mim.

Quando alguém decide viver com uma obra ou incluí-la em uma coleção, sinto gratidão por essa confiança. Pode ser que vejam algo muito diferente do que eu vi ao criá-la, e isso me parece valioso. Não preciso que o espectador repita a minha interpretação. Interessa-me o que acontece entre a imagem e a sua própria experiência.

O fato de minhas obras encontrarem um lar em diferentes países também se relaciona com a ideia por trás da minha palestra, Arquétipos em Trânsito. As imagens viajam entre culturas e pessoas, adquirindo novos significados pelo caminho. Minha obra carrega algo do lugar de onde venho, mas também pode falar com alguém cuja vida é muito diferente da minha. Essa possibilidade tem um significado profundo para mim.

De que maneira o seu trabalho artístico evoluiu nos últimos cinco anos?

Nos últimos cinco años, tornei-me mais aberta a seguir uma ideia além do meio no qual ela apareceu pela primeira vez. A pintura continua sendo central na minha prática, mas compreendo cada vez mais meu trabalho como uma conversa entre diferentes linguagens artísticas.

Minha formação acadêmica me deu uma relação sólida com a composição e a forma. Com o tempo, passei a ficar mais atenta à experiência interior que existe por trás de uma imagem: por que ela retorna, o que a torna inquietante e o que ela me pede. As figuras mitológicas se transformaram em uma maneira de explorar essas perguntas a partir da minha própria experiência.

Trabalhar com o cinema me ajudou a pensar a arte como algo que pode acontecer com quem a contempla. Em meu curta-metragem Shukra, criado para um festival interdisciplinar, explorei a transformação através da relação de uma mulher com uma divindade. O festival foi concebido como um labirinto, e me interessava como o ato de atravessar a arte podia modificar o estado de consciência de uma pessoa.

Minha mudança para a China incorporou a cerâmica à minha prática. Continuei explorando seres mitológicos, incluindo figuras do folclore bielorrusso, mas agora através de objetos físicos. Mais recentemente, meu projeto musical solo e o vídeo Crying deram forma a uma experiência profundamente pessoal do amor. Esses desdobramentos me ajudaram a compreender que minha prática pode se manter coerente mesmo quando os materiais mudam. O que une as obras é a pergunta que dá origem a cada imagem.

Fale-nos sobre a sua paixão pela música. O que significou para você ter sido a primeira soprano do Conjunto Folclórico Litwins?

A música está comigo desde a infância. Meu tio fundou e dirige o Conjunto Folclórico Litwins, que desde o final dos anos 1980 se dedica a reconstruir a música tradicional. Cresci cercada por ensaios, concertos, oficinas e turnês. Em casa, também escutávamos discos de vinil, incluindo os dos The Beatles e dos The Rolling Stones. A música fazia parte da minha vida familiar e, ao mesmo tempo, era uma porta para um mundo muito mais amplo.

Na adolescência, eu tocava guitarra e até tivemos uma banda punk. Escrevemos várias canções, algumas com letras minhas. Mais tarde, quando escolhi a pintura como profissão, deixei a música de lado porque acreditava que, sem uma formação musical profissional, não poderia me dedicar a ela a sério. Com o tempo, compreendi que essa ideia tinha me limitado.

Cantar como primeira soprano no Litwins foi uma maneira significativa de regressar à música através do folclore. Uma canção arcaica pode alcançar algo em nós que é mais antigo do que a nossa compreensão consciente. Através da voz, senti uma conexão com esse mesmo mundo arquetípico que exploro em meu trabalho visual, mas de uma forma muito imediata e corporal.

Uma lembrança especialmente próxima para mim é ter me apresentado com o conjunto na residência artística da China à qual, mais tarde, retornei como artista individual. Naquela primeira visita, representamos a Bielorrússia juntos através da música. Voltar com minha própria prática artística me permitiu ver como essas partes da minha vida permanecem conectadas. Meu projeto recente, Crying, nasce de um espaço musical mais pessoal, mas dá continuidade a essa necessidade de dar forma à emoção através da voz.

Em um mundo cada vez mais polarizado e tecnológico, você considera que chegará um dia em que a inteligência artificial poderá substituir a criatividade do ser humano?

Acredito que a inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta poderosa para criar imagens e explorar possibilidades. Mas, quando penso em criatividade, também penso na experiência que faz com que uma pessoa precise criar, em primeiro lugar.

Para mim, uma obra começa com algo vivido: uma emoção da qual não consigo me desapegar, um medo do qual quero me aproximar ou uma imagem que continua retornando sem explicação. Fazer arte é uma forma de permanecer com essa experiência até que ela encontre uma forma. O resultado importa, mas também importa o processo interior que lhe deu existência.

Em minha palestra, descrevo a arte como uma espécie de meditação centrada em um estado emocional intenso. Uma obra pode conservar algo desse estado. Por isso, considero difícil imaginar que a criatividade humana possa ser substituída por completo. Nossa relação com a arte implica saber que outra pessoa tentou expressar algo a partir de sua própria vida e que nós podemos reconhecer nisso uma parte de nós mesmos.

A tecnologia continuará transformando nossa maneira de trabalhar e o que consideramos possível. Estou aberta a explorar novas ferramentas, da mesma forma que estou aberta a novos meios. Mas gostaria que o uso delas permanecesse vinculado a uma indagação artística. Para mim, a pergunta importante é o que tentamos compreender através da obra e por que sentimos a necessidade de trazê-la ao mundo.


Obrigado, querida Alesia, por seu tempo, seu espaço e sua atenção. Foi um verdadeiro prazer conhecer mais sobre sua polifacetada trajetória artística.

A partir desta plataforma, desejamos-lhe muito sucesso em cada um de seus projetos. Que sua paixão pela arte continue crescendo a cada dia e que suas obras continuem chegando a coleções privadas e públicas. É uma honra dar difusão ao seu maravilhoso trabalho artístico.

Carlos Javier Jarquín

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Pingos sujos a sujarem o oceano da humanidade

Diamantino Bártolo faz uma profunda reflexão filosófica sobre o papel da ciência e a urgência ética na defesa dos Direitos Humanos diante dos desafios da sociedade moderna

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Fotografia realista de uma praça à beira-mar durante o pôr do sol, onde pessoas de diferentes idades interagem ao redor de um monumento central com um grande livro aberto da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Descrição detalhada:
Imagem em plano geral de uma praça de calçada de pedra à beira do oceano, banhada pela luz suave do pôr do sol.
 * Centro: No centro da praça, sobre um pedestal de pedra com uma placa explicativa, destaca-se um grande livro aberto estilizado como monumento, com o título “Declaração Universal dos Direitos Humanos” visível em suas páginas. Ao lado da base, há uma placa informativa com a inscrição “Praça do Conhecimento Compartilhado - Ciência Aberta Para Todos”.
 * Lado Esquerdo: Uma mulher idosa sentada em um banco de madeira conversa com uma jovem garota. Ao lado delas, um grupo de jovens e um homem mais velho observam um notebook exibindo gráficos coloridos. Ao fundo, no muro, há um painel pintado.
 * Lado Direito: Dois homens, um idoso e um mais jovem, conversam perto de um painel de exposição com o título “Ciência Aberta e Sociedade”. Próximo a eles, outros jovens conversam.
 * Fundo: Ao fundo, vê-se a orla com uma mureta de proteção, pessoas caminhando, o oceano calmo com pequenas embarcações e um farol ao longe no horizonte sob um céu levemente nublado iluminado pelo sol nascente ou poente.
Se precisar de uma versão mais resumida para redes sociais ou campos com limite de caracteres, basta avisar!
https://gemini.google.com/share/bf074abb46a6?social_preview=false&skid=8eec3e1a-bc6e-45e5-8a21-252ae5c84110

Preocupar-se-á a ciência com as questões da cidadania, da solidariedade, dos Direitos Humanos e com outros valores universais? Ou pelo contrário, tais assuntos não interessam à ciência em geral e aos cientistas em particular? Nesta perspectiva parece-me que a questão é pertinente porque vivemos numa sociedade difícil, complexa, em busca da satisfação pessoal, a multiplicação de experiências, a exploração do negativo, do espetacular, do sensacional, do escandaloso, o que estará a conduzir para uma desmoralização da vida pública, com reflexos na vida política, principalmente nos mais jovens, que se relaciona com a tentativa, sistematicamente organizada de, se não eliminar, pelo menos substituir os conteúdos morais e éticos, substantivos, valores orientadores, devidamente ajustados à prática.

Ao decidir realizar esta breve, insuficiente e deficiente investigação sobre a necessidade imperiosa de desencadear os mecanismos legais/académicos de sensibilização das consciências para o cumprimento dos Direitos Humanos, precisamente no âmbito da Epistemologia, tinha a indicação das dificuldades que iria encontrar, contudo: enquanto cidadão, no pleno exercício dos seus deveres e direitos; como eterno aprendiz de filósofo, tenho, igualmente, o dever de refletir sobre estes temas.

Podemos abordar a problemática dos Direitos do Homem, a partir de várias possibilidades: estratégicas, metodológicas ou mesmo teleológicas, contudo, numa forma simples e clara, parece-me pertinente invocar a máxima: «Todos os Seres Humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.» (ONU: Declaração Universal dos Direitos do Homem, Artº 1º) e: «Não se deve perder a fé na humanidade: a humanidade é um oceano limpo e um par de pingos sujos não sujam o oceano.» (GANDHI).

A próxima comemoração do 78º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (10 Dezembro 1948) infelizmente com o recrudescimento de conflitos e fundamentalismos éticos e religiosos, deve constituir real incentivo e preocupação para que as problemáticas dos Direitos (e Deveres) Humanos, comecem a ser tratados com o devido e merecido discernimento e seriedade que merecem; estando sabido que hoje, ainda que, possivelmente, menos que ontem, os Direitos Humanos que abarcam um conjunto muito vasto das dimensões da vida humana, continuam a ser tratados como “boas intenções”, concretamente: por interesses económicos ou burocracias instaladas; por ditaduras e repressões políticas e religiosas.

A manifesta irrelevância com que os Direitos Humanos são invocados é, cada vez mais, alvo de denúncia por parte das Organizações Não Governamentais, do olhar indiscreto dos Média, dos biliões de pessoas que sentem a miséria, o analfabetismo, a intolerância, a discriminação, a violência e a guerra. Neste aniversário, quantos milhões de crianças, idosos e marginalizados estão a passar fome, sabendo-se que algumas Organizações pagam para não se produzir alimentos, para se controlar as matérias-primas, com o objetivo de se criarem condições para que a especulação tenha o caminho mais livre?

Por outro lado, novos desafios apareceram: eutanásia, tráfico de órgãos, clonagem, degradação e delapidação do meio ambiente, até mesmo o processo de globalização das economias. A subordinação dos cidadãos ao poder da força bélica dos que “querem, podem e mandam”, pode verificar-se em todos os cantos do mundo. Os Relatórios da Amnistia Internacional, das Organizações Não Governamentais e denúncias dramáticas da própria Igreja Católica, são a prova insofismável de que ainda “há muitos pingos sujos a sujarem o oceano da humanidade” que se pretende livre, justa, digna e pacífica!

BIBLIOGRAFIA.

GANDHI MAHATMA, (1869-1948) líder pacifista indiano. Principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica, ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não-violência. (Grande defensor dos Direitos Humanos

ONU-ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (1948) Declaração Universal dos Direitos do Homem, Lisboa: Amnistia Internacional, Secção Portuguesa, 1998;

Bibliografia geral

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Emenda

Entre adagas arremessadas e raras flores de bondade: a sabedoria poética de ignorar os atormentadores para alcançar a paz profunda na obra de Surendra Nagaraju

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
Esta ilustração em estilo de desenho animado, no estilo de um livro ilustrado, retrata uma cena alegórica de um homem em pé no meio, em um caminho que se bifurca. À sua esquerda, uma multidão de homens enfurecidos lança pedras e punhais contra ele, que está ligeiramente curvado e com a cabeça baixa, parecendo abatido. À sua direita, outro grupo de pessoas está em pé pacificamente, segurando e oferecendo-lhe flores e outras plantas. O lado da multidão enfurecida é escuro e nublado, enquanto o lado das pessoas amigáveis é claro e ensolarado. A ilustração sugere a escolha entre focar na negatividade e no conflito ou na positividade e na bondade.
https://gemini.google.com/app/529d4bc61d5a50c1?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Não há escassez de sujeitos
lançando adagas contra nós –
aqueles que nos oferecem flores
de bonomia, porém, são raros.

Preste atenção apenas nos raros,
para que você possua uma profunda felicidade.
Somente quando ignoramos os atormentadores
é que a vida nos inunda de paz.

Elanaaga

Amendment

There is no dearth of blokes

flinging daggers at us –

those presenting blooms

of bonhomie to us are scarce though.

Pay attention only to the rare ones,

so that you own profound happiness.

Only when we ignore the tormentors

does life shower peace on us.

The same is true when

thankless people abound around:

dwell more upon the words

of those who are thankful.

Elanaaga

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