Arwa traz da alma ao ROL os versos nascidos das praias douradas da Tunísia, banhadas pelo Mar Mediterrâneo!
Arwa Ben Dhia
Arwa Bem Dhia, natural de Túnis, Tunísia, e atualmente residindo em Paris, França, é doutora em eletrônica e engenheira de patentes.
Na área literária, é poeta multilíngue, tradutora, autora e escritora de prefácios para diversas coletâneas de poesia.
Sua coletânea ‘Silence Orange’, publicada em março de 2023 pela editora Mindset, foi agraciada com o Prêmio Internacional de Poesia e Arte de 2024 pela associação SIÉFÉGP.
Sua coletânea ‘Les quatre et une saisons, publicada em 2024 em parceria pelas editoras Éditions du Cygne, na França, e Éditions Arabesques, na Tunísia, recebeu o Diploma de Honra de 2024 da Société des Poètes Français (SPF), bem como o Prêmio Literário Dina Sahyouni de 2025. Ambas as coletâneas foram transcritas para o Braille.
Arwa participa regularmente de festivais e eventos literários e tem seus trabalhos publicados em diversas revistas e antologias de poesia. Ela editou a antologia ‘Nos muses les murs’ (Nossas Musas, as Paredes), publicada em 2025 pela Mindset (também disponível em Braille).
Em 2025, foi homenageada com o título de Embaixadora da Paz pelo Círculo Universal de Embaixadores da Paz (CUAP) e recebeu o Prêmio Francofonia da Sociedade de Autores e Poetas da Francofonia (SAPF).
Arwa é membro de diversas associações culturais, incluindo a Société des Gens de Lettres (SGDL), Apulivre e Coup De Soleil.
Arwa apresenta aos leitores do ROL o poema Noah’s Ark (A Arca de Noé), versos contundentes sobre os horrores das guerras.
Jane Nash traz ao ROL as letras poéticas de Albion – falésias brancas de Dover -, Inglaterra!
Jane Nash
Jane Nash, natural de Stocton-On-Tees, Inglaterra, e residindo atualmente em Yorkeys Knob, Austrália, é escritora e poetisa.
Profissionalmente, foi professora, hipnoterapeuta e psicoterapeuta. Na seara literária, é comprometida com o processo criativo, tendo enriquecido a carreira como colunista do Opinion Syndicate (EUA); Richmond Review (EUA) e Marshall Islands Literary Review, e como editora de conteúdo no The Pandorian Arts Magazine.
Atualmente, escreve para The Issue e Mahjong Mania no Substack.
Publicações previstas para 2026: a antologia de poesia The Peace Collective e Face is Serious – uma coleção de microficção.
Jane já apresentou poesia duas vezes no Dia Mundial da Poesia e contos no Dia Mundial do Escritor, realizado na Colômbia. Seus projetos atuais incluem as histórias do Inspetor de Polícia Paynes Grey, com prévias a serem divulgadas em breve.
Jane também estará presente no Festival Literário ‘Books In Paradise’ em Port Douglas, Austrália, em 9 de agosto de 2026.
Jane Nash inicia a colaboração no Jornal ROL com o poema Não afetado pela punição, ‘radiografia’ de uma relação a dois, do caos à liberdade.
Não afetado pela punição
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/g/g-59EzD5Ehz-gerador-de-imagens-ia-que-cria-imagens/c/699527dc-9ee4-8327-abda-af494457591c
Agora que você está morto
Achei que era hora de bater um papo.
Essa conversa
Sabe, aquela que termina com
Você assumindo a responsabilidade
Suas palavras de desculpas
Sonhei com isso ontem à noite ou em alguma outra semana.
São recusadas
É muito fácil dizê-las.
Você não está perdoado.
O trauma que você entregou como um carteiro
Superou em muito a vida que eu tinha.
Quando escapei do pior do seu tormento.
Era sublimemente pacífico.
Depois que você tivesse ido
Na Austrália, as cores são verde, vermelho e preto.
São os eucaliptos e os cucaburras.
Somente nativos
que florescem, que verdadeiramente pertencem
e viver bem aqui
Espero que o purgatório seja para canhotos.
Quem sai dos trilhos
Declarar-se ateu não conta.
Depois de ser batizado católico
Tomara que não haja escapatória.
Agora que você está morto
as palavras de desculpas e
o trauma que você entregou como um carteiro
me tirou de qualquer lugar.
Então mudei de cenário, encontrei uma nova paisagem.
Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda
Capa do livro Diário de um Inútil, de Bruno Marquês Areno
Diário de um Inútil (2ª edição), da Colecção Ondulações/02, do jovem escritor e poeta moçambicano Bruno Marquês Areno, lançado pela Editora Cais, está em pré-venda.
O livro, segundo a prefaciadora Michelle C. Buss, “é uma seleta de textos poéticos, com um toque de ficção cuja tessitura é formada por fios filosóficos e reflexivos. O autor moçambicano retoma de seu cosmo interno temas existencialistas como ‘a procura de si’, ‘a pertença’, ‘autoaceitação’, ‘a morte'”.
Serviço
Título: Diário de um Inútil (2ª edição)
Gênero: Poesia
Autor: Bruno Marquês Areno
Editora: Cais
ISBN: 978-989-9301-04-7
Número de páginas: 70.
Pré-venda: pelo WhatsApp +258 866 143 108 MT, com um desconto de 15% durante o mês de fevereiro e março.
Sobre o autor
Bruno Marques Areno
BrunoMarquês Areno, 25, natural de Nampula, Moçambique, cresceu entre Namapa e Pemba, experiências que moldaram o seu olhar crítico sobre a diversidade cultural do norte do país.
Estreou na literatura em 2022 com fotografias feitas à Letras, tornando-se o primeiro estudante da Universidade Rovuma a publicar um livro.
É autor de ‘Diário de um Inútil’ e coautor de diversas antologias nacionais e internacionais.
Publica artigos, resenhas e textos literários em revistas e jornais culturais, com destaque para o Clube de Leitura Olhar Literário. Atua também como tradutor literário para a língua emakhuwa.
Fundador do Clube de Leitura Olhar Literário e co-fundador do Grupo de Escritores de Nampula, desenvolve trabalho ativo de promoção da leitura.
Recebeu o título de Doutor Honoris Causa e é Embaixador Cultural Brasil–África pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA.
Jorge FacuryImagem criada por IA do chatGPT – https://jornalrol.com.br/wp-admin/post.php?post=78557&action=edit
Vila Hortência, bairro tradicional da interiorana Sorocaba, Estado de São Paulo, anos 80. Dos tantos moradores do bairro conhecido como ‘cebolância’, por predominância dos agricultores de origem espanhola, um homem comum chamava-se Júlio e, como tantos nessa vida terrena de Nosso Senhor, optou por viver só. Não procurou namoradas, quer dizer, até tentou, mas, no primeiro desengano, desistiu e preferiu a solidão.
Seu labor era árduo. Operário nas linhas de trem da Fepasa, cuidava das obstruções da ferrovia, removendo qualquer coisa que pudesse causar risco ao tráfego das locomotivas. Além de tudo, acertava diligentemente os calçamentos feitos de concreto com ferramentas pesadas que lhe exigiam força física e olhar observador.
Ganhar um apelido é coisa das mais fáceis deste mundo, pode acontecer com qualquer um. Júlio não escapou dessa. Chamavam-no ‘mudinho’, mas, isso tinha uma razão factível. Como todo bom cristão, frequentava igreja, mas, seu modo de ser chamava a atenção: sempre chegava no momento em que o culto estava se iniciando e sentava-se no último banco. Terminado o rito, se ausentava sem falar com ninguém, entrava mudo e saía calado. Assim ganhou o apelido.
No ambiente de trabalho não era diferente. Em 2014, aos 62 anos, passou mal em casa e foi levado de ambulância ao hospital. Ficou internado um bom tempo. Nem todos os dias os parentes podiam estar presentes, já que não arrumou mulher, nem filhos, isso rareava. Curiosamente, nos dias em que ninguém da família o assistia, e isso era quase sempre, um homem apresentável, de terno e gravata, entrava no quarto e se achegava ao seu leito, sem que ninguém da enfermagem o tivesse apresentado.
Ali, o visitante ficava em silêncio e Júlio, no mais das vezes, fechava os olhos. O visitante parecia tranquilo, sentado ali ao lado, mudo, sem nem ao menos dizer a que veio. Mudinho só observava e nada dizia, nem o visitante. Talvez fosse um religioso visitando enfermos, mas, mantinha um silêncio completo… E assim foi, por vários dias. Era um mutismo compartilhado, sem acordo conhecido. Após complicações clínicas, o acamado veio a óbito. Silenciou para sempre. E do ilustre visitante acompanhante, tão presente, elegante e silente, ninguém perguntou, nem veio a ser conhecido…