O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura foi uma data criada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em 2009, em reunião do seu Conselho de Ministros, sendo que, em 2019, a UNESCO referendou-a como Dia Mundial da Língua Portuguesa.
Para uma professora graduada em Letras – é bem verdade que desde o século passado, tematizar a língua portuguesa é abordar a própria vida, porque, a maioria de nós, nascidos no Brasil, aprendemos a falar, expressar sentimentos, emoções em língua portuguesa – claro, que uma língua portuguesa que sofreu influências do indígena, do negro, dos europeus.
Gosto tanto dela, dessa sonoridade, desses sons abertos, que são feitos por vogais tônicas e de algumas palavras como mãe, como saudade (dizem que não existe palavra igual em qualquer lugar do mundo que expresse saudade com a mesma carga semântica como saudade o faz em português).
Como professora de Literatura – lecionei Literatura produzida no Rio Grande do Sul, com suas características particulares; Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Literatura de expressão africana, sou apaixonada por essa ideia que diferentes países, em distintos continentes manifestam a sua percepção do mundo em língua portuguesa.
Agrada-me saber que, por exemplo, em Moçambique e no Timor Leste, dois países tão distantes do Brasil, há uma língua portuguesa, muito irmã, cujos falantes olham para o céu, para as estrelas, para as árvores, para os pássaros e, provavelmente, nomeiam-nos de forma compreensível. Dizer amor lá e cá é dizer amor.
Quando refiro Moçambique, faço alusão a um país na costa oriental da África , banhado pelo Oceano Índico, com uma população marcadamente de origem banto. Há cerca de 3% de brancos em Moçambique e foi essa generosa terra que ofertou o poeta Mia Couto e toda a sua sensibilidade. Dele, repito, com certa frequência: “E a loucura nem sempre é uma doença. Por muitas vezes, é um ato de coragem.” Uma expressão que faz tanto sentido, tanto sentido!
Quando refiro o Timor Leste, um tanto mais adiante, localizado em uma porção da ilha do Timor, no sudeste asiático, que foi possessão portuguesa, possessão indonésia e, posteriormente, um país livre, desde 20 de maio de 2002, ufana-me certo bairrismo, orgulho de ser brasileira.
Durante a ocupação da Indonésia, mais especificamente, em 1991, houve um massacre que ultrapassou o número de 200 mortes, tendo sido realizado por tropas militares indonésias. Naquela época, começava um ponto de virada, sob influência internacional, em que se postulava a independência do país. Em 1999, o governo da Indonésia permitiu a presença de uma força multinacional de paz para reorganizar o país e, em 2000, o comando militar tornou-se responsabilidade da ONU (Organização das Nações Unidas).
Aqui, entra em cena o meu orgulho de ser brasileira, desse Brasil que legou ao mundo um diplomata como Sergio Vieira de Mello – ainda que grande parte da sua formação não tenha sido em nosso país, ele era um falante de língua portuguesa.
Sérgio Vieira de Mello foi fundamental para a independência do Timor Leste – não sei os métodos adotados, mas suponho que todos tenham sido pautados pela diplomacia e pela ordem legal que a ONU determina.
O diplomata brasileiro esteve no Timor Leste entre 1999 e 2002, ou seja, desde que a Indonésia liberou a entrada de uma força multinacional de paz até a independência do país. Ele esteve à frente da reconstrução do Timor-Leste, um país destruído e desestruturado pela violenta ocupação da Indonésia, e liderou a criação das bases que conformariam o país, que se tornaria independente em 2002.
Vieira de Mello lidou com a questão da soberania, com o retorno de milhares de refugiados, foi necessário fundar instituições essenciais para o funcionamento de um país, expedir normas legais, nomear funcionários para cargos chefes, tudo em busca da estabilidade social e política do Timor Leste. É bem verdade que não descuidou das questões econômicas, assistenciais etc.
Assim posto, o propósito deste texto é, de fato, reverenciar a língua de Camões , Machado de Assis e tantos outros autores que se expressaram e expressam nela, mas também nos lembrar que somos uma comunidade, a comunidade dos falantes da língua portuguesa, vivendo em latitudes e longitudes diferenciadas, certamente, com costumes, com crenças diversas, mas conservamos uma tradição que nos aproxima em qualquer parte do mundo, uma identidade que nos ‘aconchega’ entre os povos. Isso muito me agrada, repito!
Clayton A. Zocaratomagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a0753dd-3650-83e9-ae4d-c1d0520e9ddb
Quando recebeu a carta, pensou primeiro no erro burocrático. O envelope era cinza, sem remetente, e carregava apenas seu nome escrito numa caligrafia excessivamente precisa, como se cada letra tivesse sido desenhada por alguém que jamais escrevera à mão antes.
Dentro havia um contrato.
As páginas eram amareladas, embora o papel cheirasse a novo. No topo, em letras pequenas:
“CLÁUSULAS PARA UM ESPAÇO QUE NÃO EXISTE.”
Ele riu sozinho no apartamento vazio. A pia estava cheia de pratos, a geladeira emitia um zumbido contínuo, e a chuva escorria pela janela como um pensamento cansado.
Passou os olhos pelas cláusulas.
Cláusula I
Todo indivíduo ocupa um espaço simbólico na realidade, ainda que tal espaço não exista materialmente.
Cláusula II
O ocupante será responsabilizado pela manutenção emocional desse espaço.
Cláusula III
Não haverá compensação ao final do processo.
Releu aquilo três vezes.
Não porque estivesse confuso, mas porque sentiu algo pior: reconhecimento.
Dobrou as folhas e as colocou sobre a mesa.
Tentou voltar ao trabalho, mas o cursor piscando na tela parecia zombar dele.
Fazia semanas que escrevia relatórios para uma empresa que vendia softwares administrativos para outras empresas que também pareciam não produzir nada além de relatórios.
Às vezes imaginava o mundo inteiro como uma engrenagem girando no vazio, sustentada apenas pelo medo coletivo de admitir que não havia máquina alguma.
À noite, sonhou com corredores infinitos.
Portas alinhadas em ambos os lados. Em cada uma delas havia uma placa com nomes de pessoas. Amigos mortos. Antigas amantes. Colegas esquecidos da escola. Seus pais.
Quando abriu uma das portas, encontrou apenas um cômodo branco e sem móveis.
Nada.
Abriu outra.
Nada.
Outra.
Nada novamente.
Ao fim do corredor havia um espelho. Quando se aproximou, percebeu que seu reflexo não o imitava exatamente.
O homem do outro lado parecia mais velho, mais cansado.
O reflexo falou primeiro:
— Você ainda acredita que existe um centro para tudo isso?
Acabou suando.
Nos dias seguintes, começou a notar pequenas falhas na realidade.
Uma mulher no metrô repetia exatamente o mesmo movimento de ajeitar o cabelo a cada dois minutos.
Um cachorro ficou parado na esquina por horas olhando para uma parede.
O jornaleiro perto de seu prédio disse “bom dia” com a mesma entonação perfeita durante três manhãs seguidas, como uma gravação.
Começou a suspeitar que o mundo não estava vivo.
Talvez nunca tivesse estado.
Passou então a reler o contrato obsessivamente.
Havia cláusulas escondidas que antes não estavam ali.
Cláusula IX
O vazio percebido pelo ocupante não constitui defeito estrutural.
Cláusula XII
A consciência é um mecanismo temporário destinado a suportar a ausência de significado.
Cláusula XVII
Perguntas sem resposta deverão continuar sendo formuladas até a extinção do ocupante.
Ele tentou rasgar as páginas.
Na manhã seguinte, elas estavam intactas sobre a mesa.
Tentou queimá-las.
As folhas não pegavam fogo.
Tentou jogá-las fora.
À noite, encontrou o contrato novamente ao lado da cama.
Como um animal paciente.
A partir daí, começou a evitar pessoas.
Descobriu que toda conversa humana funcionava da mesma forma: duas solidões trocando ruídos para esquecer o abismo.
No trabalho, ouviu colegas discutindo metas trimestrais com uma seriedade religiosa.
Num bar, viu um casal brigando porque um deles não respondera mensagens. Na televisão, políticos prometiam futuros que sabiam impossíveis.
Tudo lhe pareceu grotesco.
A humanidade inteira atuando numa peça sem plateia.
Passou então a caminhar pela cidade durante a madrugada.
As luzes dos prédios acesas pareciam olhos insônes.
Pensava nas milhares de pessoas acordadas naquele instante: algumas chorando, outras desejando morrer, outras tentando desesperadamente encontrar sentido em rotinas repetidas.
Mas sentido era apenas uma superstição sofisticada.
A razão humana havia construído ciência, leis, máquinas, religiões e sistemas filosóficos para evitar uma conclusão simples:
O universo não precisava de nós.
Nunca precisou.
A consciência talvez fosse apenas o acidente mais cruel da matéria: o instante em que o vazio ganhou olhos para contemplar a si mesmo.
Certa madrugada, encontrou uma porta no fim de um beco.
Nunca estivera ali antes.
Branca.
Sem maçaneta.
No centro, havia uma pequena placa metálica:
“ESPAÇO DESIGNADO AO OCUPANTE.”
Não sentiu medo.
Sentiu alívio.
Encostou a mão na porta e ela se abriu lentamente.
Do outro lado não havia escuridão.
Nem luz.
Havia ausência.
Um espaço impossível de descrever porque não continha forma, profundidade ou tempo.
Era como olhar para algo anterior à própria ideia de existência.
Então compreendeu.
Toda vida humana era uma tentativa desesperada de mobiliar aquele vazio.
Amor, trabalho, fé, arte, memória — móveis frágeis colocados dentro de um cômodo inexistente.
Nada permanecia.
Nada sustentava.
Nada respondia.
O universo não odiava os homens.
Isso exigiria interesse.
O universo apenas continuava.
Indiferente.
Elias deu um passo adiante.
O chão desapareceu imediatamente sob seus pés, mas não houve queda.
Seu corpo parecia dissolver-se em silêncio, como fumaça dentro de um espaço sem ar.
Antes de desaparecer completamente, ouviu uma última frase, vinda de lugar nenhum:
Cláusula Final
O ocupante esteve sozinho durante todo o processo.
Então até a consciência terminou. E o vazio, finalmente, deixou de ser observado
A Literatura de Superação e o Impacto Social de Satar Henriques
Satar Henriques
A literatura, muitas vezes, nasce do desejo de dar voz ao que está guardado no silêncio.
Para o jovem escritor, poeta e empreendedor Satar Henriques, escrever é mais do que uma arte; é uma ferramenta de transformação social e cura emocional.
Nascido na província de Manica, em Moçambique, e residente em Almada, Portugal, Satar traz na bagagem uma visão de mundo pautada na empatia e na resiliência.
Aos 23 anos, o autor já acumula experiências que vão muito além da escrita.
Formado pelo Instituto de Formação de Professores da Beira, com especialização em Necessidades Educativas Especiais, Satar dedica-se também à liderança juvenil como Diretor da FEPJ (Fundo de Experiência Profissional Jovem), onde trabalha para abrir portas meritocráticas para as novas gerações.
O Aroma das Lições de Vida
Sua obra recente, “Amor com Aroma Amargo”, é o resultado de uma partilha profunda de vivências.
Nascido de um desabafo entre amigos que enfrentavam as dores de relacionamentos passados, o livro foi construído a quatro mãos com a narradora Domingas Thomais.
A obra explora o conceito de que o amor, mesmo quando doce, pode deixar um travo agridoce.
“É para nos lembrar que nem tudo são flores”, reflete o autor.
Mas, para além da dor, a mensagem central é a redenção: o poder do perdão, independentemente de quão amargo tenha sido o aroma da experiência vivida.
Uma Literatura Comprometida com o Próximo
O processo criativo de Satar Henriques é guiado pela escuta.
Ao ouvir histórias alheias, ele mentaliza capas e conteúdos, lapidando páginas até que se tornem “obras de arte” que ressoam com o público.
Atualmente, o autor busca apoio para um projeto ainda mais denso e necessário: “A menina que sobreviveu além da dor”.
A obra trata da superação de traumas profundos relacionados ao abuso infantil, trazendo à luz o conflito interno entre o medo e a busca pelos próprios sonhos.
É uma literatura que não foge dos temas difíceis, mas que procura, em cada página, oferecer uma nova perspectiva sobre o mundo.
Empreendedorismo e Cultura
Além das letras, Satar manifesta sua criatividade através da moda com a marca BGA, reafirmando sua crença de que a juventude é o motor fundamental da transformação.
Seja através de um verso, de uma peça de vestuário ou de uma oportunidade de trabalho, Satar Henriques mostra que a sensibilidade literária pode, sim, andar de mãos dadas com a liderança ativa.
Após meses de um amor intenso, Rita descobre uma mensagem de “Leny” no celular de Marcos, seu namorado.
Palavras que queimam como brasas que revelam um segredo capaz de acabar com tudo.
Dividida entre perdoar ou partir, Rita enfrenta uma jornada de autodescoberta, confrontando a traição e o poder do perdão.
Amor com Aroma Amargo explora os labirintos do amor, onde a confiança pode ser destruída num instante, desafiando-nos a refletir sobre o que realmente significa amar.
Neste livro Vc Daud apresenta as nuances do pensamento libertário
Carta para um anarquista
O que acontece quando o rigor da Engenharia Civil encontra a fluidez da comunicação?
Para o paulistano Vc Daud essa união resultou em uma trajetória literária marcada pela busca por clareza e pelo desejo de desmistificar ideologias complexas.
Nascido em 1987, Daud trilhou um caminho diversificado antes de se dedicar integralmente à escrita e ao ensino.
Vc Daud
Com passagens pelo Jornalismo e uma sólida formação em Engenharia pela UNESP Bauru, além de especialização em finanças, o autor traz para sua obra uma bagagem que mistura a lógica matemática com a paixão pela comunicação.
O Nascimento de uma Obra Introdutória
A obra “Carta de um Anarquista” não surgiu por acaso.
É o fruto de quase uma década de estudos iniciados em 2017.
O que começou como uma curiosidade despertada pelo ambiente digital transformou-se em uma pesquisa profunda em obras clássicas e contemporâneas sobre o libertarianismo e o anarquismo.
Segundo o autor, o livro é uma síntese de suas próprias reflexões lapidadas para o público geral.
“A combinação dessas leituras com minhas próprias reflexões geraram o conteúdo que compõe a obra”
Vc Daud
Fluidez e Diálogo
O grande diferencial de “Carta de um Anarquista” reside em sua forma.
Ao escolher o formato de epístola (carta), Victor Daud foge do tecnicismo acadêmico que muitas vezes afasta o leitor leigo desses temas.
O objetivo é claro: ser uma obra introdutória, fluida e atrativa, sem perder a profundidade intelectual que o assunto exige.
Para Victor, que hoje divide seu tempo entre as artes, a escrita e as aulas de matemática, a literatura é uma ferramenta de ensino e de provocação.
Ao publicar este texto, ele convida o leitor a olhar para além dos rótulos, explorando as bases de uma filosofia que preza pela liberdade individual.
Neste livro em forma de carta, um anarcocapitalista conversa com o leitor, tanto do ponto de vista filosófico como do ponto de vista prático, sobre questões que atravessam a vida de qualquer cidadão.
A proposta é clara: tirar a poeira das ideias prontas que nos ensinaram desde sempre e repensar conceitos como Estado, democracia, propriedade, valor, mercado e liberdade.
Sem jargões complicados nem pretensão de ser um tratado acadêmico, o autor propõe uma jornada crítica e instigante pelos fundamentos do anarcocapitalismo, uma teoria que pode chocar à primeira vista, mas que se sustenta sobre princípios éticos e econômicos sólidos.
Concordando ou discordando, uma coisa é certa: você não sairá o mesmo desta leitura.
Loid PortugalImagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a071cba-9614-83e9-861d-129256096bf7
Dançando com a areia, as ondas O mar e o corpo soam, os corvos voam Entre os cantos das sereias, os espíritos ecoam, mostram que a força vem, do nosso guia, Nossos corações resilientes, continuam olhando na frente, e gritando sem voz: sim, somos terra firme, avante África Temos coragem no peito, carregamos luta, e o amor da nossa mãe, rainha.
Osiris Valdés Lopez traz ao ROL a vibrante literatura de Cuba, a Ilha da Juventude, Coração do Caribe, um caleidoscópio vibrante de cores e história!
Osiris Valdés López
Osiris Valdés López, natural de Havana, Cuba, é uma figura proeminente no mundo artístico e literário, enriquecida por sua dupla nacionalidade, cubana e espanhola. Filha de pai cubano e mãe espanhola, sua vida tem sido um entrelaçamento de culturas que moldou sua visão artística e literária.
Desde jovem, Osiris mergulhou no mundo das artes, combinando sua formação em Economia com uma profunda paixão pela literatura e pelas artes plásticas. Frequentou aulas de dança e estudou teatro no Instituto Cubano de Rádio e Televisão cubana, com a renomada atriz de cinema e televisão, Eslinda Núñez.
Sua carreira literária reflete a criatividade e dedicação, abrangendo poesia lírica, prosa, sonetos, romances e peças teatrais. Seus trabalhos foram traduzidos para o inglês, hebraico e italiano, destacando-se pela capacidade de abordar temas universais com sensibilidade singular.
Da sua produção literária, destacam-se: De Cores no arco-íris; O arco-íris de meus desejos insaciáveis; Me acontece em Cuba, levando-a ser contemplada com o Prêmio Golden Eagle World 2024, concedido pela União Mundial Hispânica de Escritores (UHE)
Prêmio Mundial César Vallejo e o Prêmio União Mundial Hispânica de Escritores, 2024.
Na área jornalística desde 2019, Osíris colabora com colunas em diversos veículos digitais, onde aborda temas culturais e realiza entrevistas com artistas de destaque da música e da literatura.
Osiris se apresenta aos leitores do ROL com a crônica Cartografía de lo que nos hace humanos (Mapeando o que nos torna humanos), que reflete sobre a empatia como a essência da humanidade, destacando a capacidade de enxergar e compreender o outro em um mundo agitado e anônimo, impessoal.
Mapeando o que nos torna humano
Imagem criada pela IA da Meta
En medio del ruido del mundo moderno, todavía existen personas capaces de mirar a los demás con ternura. Seres que escuchan con eEn medio del ruido del mundo moderno, todavía existen personas capaces de mirar a los demás con ternura. Seres que escuchan con el corazón abierto, que abrazan incluso sin tocar, y que poseen la extraña habilidad de hacer que alguien se sienta visto después de años de invisibilidad. Tal vez ahí habite una de las formas más puras de la empatía: la capacidad de volver significativa la existencia del otro.
Vivimos tiempos acelerados. Todo parece correr demasiado deprisa: las ciudades, las noticias, los pensamientos, los días. Muchas personas sonríen mientras por dentro sostienen silencios que nadie ve. Otras han aprendido a ocultar el cansancio detrás de la costumbre, como si la fragilidad fuera una condición inevitable de la vida adulta. Y aun así, entre tanta velocidad, todavía aparece —casi en secreto— esa forma de luz que no hace ruido: la comprensión.
Porque la empatía no es debilidad. Es una de las expresiones más altas de la inteligencia humana.
Es la capacidad de detenerse frente al dolor ajeno sin desviar la mirada. Es comprender que cada persona carga una historia invisible, y que a veces una sola palabra puede convertirse en refugio. Recuerdo una escena sencilla: una persona sentada en el transporte público, con la mirada perdida en el vidrio, intentando sostenerse en silencio. A su lado, alguien sin conocer su historia le pregunta con una voz mínima: “¿Estás bien?”. No había solución, no había consejo, no había respuesta perfecta. Solo esa pregunta. Y, sin embargo, en ese instante algo se iluminó dentro de ella. Como si el mundo, por un momento, dejara de ser hostil.
A veces la vida entera se sostiene en gestos que parecen insignificantes.
Una conversación honesta. Una mano ofrecida sin condiciones. Un “estoy aquí” dicho en el momento justo. Pequeños actos que no cambian el mundo en apariencia, pero que pueden cambiar el modo en que alguien decide permanecer en él.
La empatía tiene una cualidad profundamente luminosa: transforma lo humano en hogar.
Convierte la distancia en cercanía, el miedo en reconocimiento, la soledad en compañía. Nos recuerda que no estamos hechos únicamente para sobrevivir, sino para reconocernos unos a otros mientras atravesamos esta compleja experiencia de estar vivos.
Y aunque el mundo a veces parezca inclinarse hacia la dureza o la prisa, también está habitado por una multitud silenciosa de personas que aún practican la bondad sin nombre. Seres que ayudan sin testigos, que consuelan sin discursos, que sostienen al otro sin pedir nada a cambio. Presencias que, sin saberlo, mantienen encendida una forma de humanidad que no siempre aparece en los titulares.
Porque cuando alguien se siente verdaderamente comprendido, algo dentro de él se tranquiliza. Algo vuelve a su lugar.
Y quizá esa sea la verdad más simple y más olvidada: que seguimos siendo humanos mientras aún podamos reconocernos unos a otros sin prisa, sin juicio y con una ternura que no necesita explicación.
Mientras exista alguien capaz de mirar así, el mundo no habrá perdido su centro ni la vida su esencia.l corazón abierto, que abrazan incluso sin tocar, y que poseen la extraña habilidad de hacer que alguien se sienta visto después de años de invisibilidad. Tal vez ahí habite una de las formas más puras de la empatía: la capacidad de volver significativa la existencia del otro.
Vivimos tiempos acelerados. Todo parece correr demasiado deprisa: las ciudades, las noticias, los pensamientos, los días. Muchas personas sonríen mientras por dentro sostienen silencios que nadie ve. Otras han aprendido a ocultar el cansancio detrás de la costumbre, como si la fragilidad fuera una condición inevitable de la vida adulta. Y aun así, entre tanta velocidad, todavía aparece —casi en secreto— esa forma de luz que no hace ruido: la comprensión.
Porque la empatía no es debilidad. Es una de las expresiones más altas de la inteligencia humana.
Es la capacidad de detenerse frente al dolor ajeno sin desviar la mirada. Es comprender que cada persona carga una historia invisible, y que a veces una sola palabra puede convertirse en refugio. Recuerdo una escena sencilla: una persona sentada en el transporte público, con la mirada perdida en el vidrio, intentando sostenerse en silencio. A su lado, alguien sin conocer su historia le pregunta con una voz mínima: “¿Estás bien?”. No había solución, no había consejo, no había respuesta perfecta. Solo esa pregunta. Y, sin embargo, en ese instante algo se iluminó dentro de ella. Como si el mundo, por un momento, dejara de ser hostil.
A veces la vida entera se sostiene en gestos que parecen insignificantes.
Una conversación honesta. Una mano ofrecida sin condiciones. Un “estoy aquí” dicho en el momento justo. Pequeños actos que no cambian el mundo en apariencia, pero que pueden cambiar el modo en que alguien decide permanecer en él.
La empatía tiene una cualidad profundamente luminosa: transforma lo humano en hogar.
Convierte la distancia en cercanía, el miedo en reconocimiento, la soledad en compañía. Nos recuerda que no estamos hechos únicamente para sobrevivir, sino para reconocernos unos a otros mientras atravesamos esta compleja experiencia de estar vivos.
Y aunque el mundo a veces parezca inclinarse hacia la dureza o la prisa, también está habitado por una multitud silenciosa de personas que aún practican la bondad sin nombre. Seres que ayudan sin testigos, que consuelan sin discursos, que sostienen al otro sin pedir nada a cambio. Presencias que, sin saberlo, mantienen encendida una forma de humanidad que no siempre aparece en los titulares.
Porque cuando alguien se siente verdaderamente comprendido, algo dentro de él se tranquiliza. Algo vuelve a su lugar.
Y quizá esa sea la verdad más simple y más olvidada: que seguimos siendo humanos mientras aún podamos reconocernos unos a otros sin prisa, sin juicio y con una ternura que no necesita explicación.
Mientras exista alguien capaz de mirar así, el mundo no habrá perdido su centro ni la vida su esencia.