Prenúncio

Evani Rocha: Poema ‘Prenúncio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Paisagem outonal, com folhas ao vento
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a5e54f2-a010-83e9-bfc6-53d75f5cd919

O vento passou trazendo o adeus.

Havia apenas um perfume no ar

E um burburinho nos arvoredos…

Era o prenúncio do fim!

Não houve pranto,

Nem estardalhaço.

Apenas uma palavra contida,

Que não havia mais sentido…

Somente os olhos tristes,

Perdidos num tempo distante…

Onde hoje é morada da saudade.

Daquelas crianças correndo no terreiro,

Da inocência refletindo nos sorrisos…

O vento passou e trouxe as últimas folhas do outono,

Frágeis e quebradiças…

Como as lembranças.

Como a solidão desta despedida.

Vestida de branco e cabelos em trança…

Acabou, como acabam todas as coisas

Estáveis ou fugidias…

Como acaba tudo que um dia foi real

E hoje é somente ausência.

Evani Rocha

Voltar




A arte de mover abismos

Pietro Costa: Poema ‘A arte de mover abismos’

Pietro Costa
Pietro Costa
A arte de mover abismos – Pietro Costa

Pietro Costa

Voltar




The sole hymn of the world

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

Poem ‘The Sole Hymn of the World’

Mustafa Al-Sumaidi
Mustafa Al-Sumaidi
Ilustração artística e surreal de uma mão segurando uma caneta de luz estelar, escrevendo com tinta cósmica brilhante que forma pequenas galáxias e constelações em um fundo de espaço sideral.
https://gemini.google.com/app/303a7041ea370678?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

This night unfolds a page
primed for a cosmic thought.
A pen I wanted,
and I asked myself:
what kind of pen
would glint with rare sparks
upon the brow of the dark?

At the furthest reaches of space,
the unseen unveiled a star
in full radiance
I lulled it there—
in that high realm,
until it drew near and hung suspended.

I melted it into an inkwell,
arrayed with the crescents
of years gone by,
and seemed as if I hold a galaxy—
a celestial orbit to which I belong.

Something now glimmers
upon the nib of the pen,
as if dribbling from the vein of nebula
a new-born alphabet,
unimagined by any language,
weaving itself into boundless metaphors
for a text inscribed with heaven’s adornments.

As dawn I emerged.
The gloom of night lifted,
destined to fade away.

I folded the star’s orbit
after I contained the infinite expanse
within the sole hymn of the world,
leaving to the yet-to-come nights
the imprint of my fingers,
charred by the will of light.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

O Hino Único do Mundo

Esta noite desdobra uma página
pronta para um pensamento cósmico.
Eu queria uma pena,
e perguntei a mim mesmo:
que tipo de pena
brilharia com faíscas raras
sobre a fronte da escuridão?

Nos confins do espaço,
o invisível revelou uma estrela
em pleno esplendor;
eu a ninintei ali —
naquele reino elevado,
até que ela se aproximasse e ficasse suspensa.

Eu a fundi num tinteiro,
ornamentado com as luas crescentes
de anos passados,
e senti como se segurasse uma galáxia —
uma órbita celestial à qual pertenço.

Algo agora cintila
na ponta da pena,
como se escorresse da veia de uma nebulosa
um alfabeto recém-nascido,
não imaginado por língua alguma,
tecendo-se em metáforas sem fim
para um texto inscrito com os adornos do céu.

Como a aurora, eu emergi.
A penumbra da noite se dissipou,
destinada a desaparecer.

Dobrei a órbita da estrela
após conter a extensão infinita
no hino único do mundo,
deixando para as noites por vir
a marca dos meus dedos,
abrasados ​​pela vontade da luz.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

Voltar

Facebook




Simvol

Bahtiyar Hidayet: Poem ‘Simvol’

Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet
(Bakhtiyar Hasanov)
https://gemini.google.com/app/663811a8791b7ea6?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

In the city park,
a little girl, dressed like a white dove,
is giving sunflower seeds
to wild pigeons.

Do you know what I remembered?
In our land the war began like this:
A bride,
dressed like a white dove in a wedding dress,
was shot by the enemy.

Her white wedding dress
turned into the symbol of red war.
While the white dove was a symbol of peace,
it became a symbol of war.
It seems that
that little girl in a white dress tamed the wild pigeons.
But politicians, whose eyes are the color of blood,
turned even domestic pigeons
into a symbol of war.

The big ones turned the symbol of peace into the symbol of war.

The rule of the world must be given to children,
let children tame the wild big ones,
so that white doves are not painted in red.

Bakhtiyar Hasanov

Voltar

Facebook




Entre confissões e convites

Guilherme Machado: ‘Entre confissões e convites’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
https://gemini.google.com/app/7a634fc8a985ab2a?utm_source=app_launcher&utm_medium
=owned&utm_campaign=base_all

Nicole,

Eu quero que você entenda uma coisa: eu não desisti. Só decidi lutar essa batalha de outra maneira.

Durante muito tempo tentei fazer você deixar de ocupar meus pensamentos. Procurei me distrair, ocupar a mente, seguir a vida… tentei de todas as formas possíveis e imagináveis.

Fracassei em todas.

E, curiosamente, isso me trouxe paz. Descobri que algumas coisas simplesmente não obedecem à nossa vontade.

Não é obsessão.

É carinho.

É admiração.

Ou suponho talvez que seja…

Também quero que você saiba de outra coisa: eu soube que você está saindo com alguém. Se isso te faz feliz, sinceramente, fico feliz por você. Sua amiga chegou a me contar no ano passado, mas acho que, no fundo, eu não quis acreditar. Talvez por isso tenha continuado insistindo em algumas mensagens.

Hoje eu respeito completamente o seu tempo e as suas escolhas.

O que talvez você ainda não saiba é o motivo de eu continuar enxergando você de um jeito tão bonito.

Eu nunca procurei apenas beleza. Para mim, beleza sempre foi um acordo entre forma e conteúdo. E é exatamente isso que vejo quando penso em você.

Você provavelmente já ouviu algumas histórias sobre mim. Tudo bem. Nunca gostei muito de formar opinião a partir do que dizem. Como já ouvi certa vez, o diabo tem três auxiliares: “me disseram”, “me contaram” e “me falaram”. Prefiro acreditar que pessoas inteligentes observam antes de concluir.

Aliás, foi justamente por acreditar que você é inteligente que me interessei por você.

Tem outra confissão que talvez te faça rir.

Quando você estava fazendo as aulas da Psi do Futuro. Eu pensei: “Pronto, agora tenho um assunto para conversar com ela.” Fui lá e fiz as aulas também. A ideia era conseguir conversar com você sobre aquilo com alguma propriedade.

O plano era excelente.

A execução foi um desastre.

Porque, quando chegava a hora de conversar com você, meu coração resolvia trabalhar mais do que meu cérebro. Eu travava completamente.

É curioso. Em praticamente todas as áreas da minha vida consigo controlar bem minhas emoções.

Com você, nunca consegui.

E antes que você ache que estou romantizando isso, faço uma ressalva: essa última frase é quase um recurso literário. Porque, se eu fosse explicar racionalmente, também saberia. Algumas pessoas simplesmente despertam em nós uma vontade enorme de acertar e, justamente por isso, a gente acaba errando.

Já que estamos nas confissões, tem mais uma: quando eu era criança, gostava de novelas. Foi ali que nasceu parte do meu gosto pela escrita e pela literatura.

Ultimamente, ando achando que essa história está lembrando um pouco a do Lucas e da Jade, em O Clone. Se o Autor resolver manter o mesmo final, eu assino embaixo.

O Victor vive fazendo piada comigo. Sempre que me chama para algum rolê, diz que você provavelmente vai estar lá. Acho que ele já transformou isso numa missão pessoal.

Você ainda precisa conhecer o Victor e a Nayara. São daqueles amigos que a gente escolhe como família. Acabei pegando carinho até pelos filhos deles, o Daniel e o Gabriel.

Na verdade, aceitar esses convites nunca é tão simples para mim. Tenho um labrador com diabetes e, dependendo do horário, preciso organizar toda a rotina para voltar e aplicar a insulina. Às vezes parece uma operação logística.

Talvez por isso o Victor insista tanto.

Ele sabe que, se eu aceitar um convite mesmo com toda essa engenharia, existe uma boa chance de ser porque havia uma possibilidade de encontrar você.

Então deixo aqui um convite muito mais simples.

Vamos jantar qualquer dia.

Sem obrigação.

Sem pressão.

Sem expectativas irreais.

Só duas pessoas conversando.

Talvez você descubra que tudo aquilo que ouviu sobre mim estava certo.

Talvez descubra que estava tudo errado.

Mas, pelo menos, terá chegado à própria conclusão.

Eu já espero desde 2019. E olha que esperar nunca foi exatamente uma das minhas maiores virtudes.

Se demorar mais um ano, você encontrará minha melhor versão.

Se for agora, encontrará alguém em transformação.

E, sinceramente, eu gostaria mais que você conhecesse essa transformação do que apenas o resultado final.

Bom… já escrevi muito e continuo com a impressão de que falei menos do que realmente gostaria.

Talvez o restante fique para outro texto.

Ou, quem sabe, para uma conversa.

Porque tenho quase certeza de que, se esse dia chegar, eu ainda vou travar um pouco.

Mas prometo que bem menos do que da última vez.

E, se nada disso funcionar, pelo menos o Sergio ganhou material novo para a minha coluna.

Gilherme Machado

Voltar

Facebook




Criação

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Criação’

Sergio Diniz da Costa
Sergio Diniz da Costa
https://gemini.google.com/app/cb3fe0197a7755c2?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Meus versos, minha poesia
Não me pertencem:
Faço-me instrumento
De vidas alheias
De alheios sentimentos.
Sento-me no Banco da Vida
E transcrevo o grande poema
Dos homens
E dos deuses!
Minhas linhas são minha efígie
No anverso e reverso
Da moeda do tempo;
Crio vidas já nascidas
Sou senhor de alforriados
Pastor sem rebanho.

Meus versos, minha poesia
Não me pertencem:
Sendo a vida luz
Sou iluminado
E ilumino
Por minha vez!

Sergio Diniz da Costa

Voltar

Facebook




Ó meu coração, seja livre

Mohamed Rahal: ‘Ó meu coração, seja livre’

Mohamed Rahal
Mohamed Rahal
https://gemini.google.com/app/c61d24ae61e66ee6?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Uma das canções folclóricas mais famosas da música Rai argelina contemporânea, sua letra é do popular letrista Sheikh Mohamed Belkhayati, cujo nome verdadeiro é Mohamed Beladassi. Ele é uma das figuras mais proeminentes da arte beduína e do Rai tradicional na Argélia.

Ele é um distinto poeta folclórico, cantor e compositor do oeste da Argélia, especificamente da província de Chlef. Nascido em 1939, era conhecido no cenário artístico como “Mohamed Belkhayati”, e seus fãs o apelidaram de “O Farid al-Atrash argelino” devido à sua imensa popularidade e talento para cantar e compor. Ele ascendeu à proeminência na década de 1960, atingindo o auge de sua fama e quebrando recordes de apresentações e popularidade em 1968. Seu arquivo musical inclui aproximadamente 2.500 canções, todas escritas, compostas e musicadas por ele. Seus poemas são caracterizados pela profundidade social e pela diversidade de temas, abordando o exílio, a Guerra da Independência da Argélia e tragédias emocionais e sociais.

Entre suas canções mais famosas está “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta), que narra sua experiência na prisão na cidade de Blida. “Como Eram os Dias” é um poema que relembra os bons tempos. Belkhayati é considerado uma escola à parte na poesia popular e na autêntica canção beduína, tendo preservado a identidade cultural argelina por décadas. Muitos artistas revitalizaram seus poemas folclóricos, e sua obra foi popularizada por diversos artistas em diferentes estilos, incluindo o rai argelino e a música beduína. Entre eles, Cheb Khaled, Cheb Azzedine, Cheb Mami e o falecido Cheb Hasni.

A fama do poema: O poema “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta) foi adaptado e revitalizado na música rai em 2004, imbuído de profunda emoção e saudade. A canção, que carrega um forte sentimento de aprisionamento e emoção social, foi oficialmente gravada com o título “Ya Galbi”. No estilo tradicional Oran Rai, mesclado com melodias beduínas de forma emotiva e popular, a música alcançou grande sucesso em shows ao vivo, especialmente durante a turnê de 2005 na Argélia.

Letra:

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, ó meu coração, ó meu coração

Chega, ó meu coração, ó meu coração

Ó meu coração, chega

Você seguiu um momento após o outro, os dias de Deus são longos

Não é só que eu a conhecia, suas poucas feridas

A letra continua a retratar a reprovação do coração por seguir o desejo apesar de sua crueldade, e relembra a traição e o engano. Você substituiu um momento por outro, com boas intenções, pedindo paciência e esquecimento.Ó Meu Coração, Seja Livre / Mohamed Rahal, Crítico Argelino

Uma das canções folclóricas mais famosas da música Rai argelina contemporânea, sua letra é do popular letrista Sheikh Mohamed Belkhayati, cujo nome verdadeiro é Mohamed Beladassi. Ele é uma das figuras mais proeminentes da arte beduína e do Rai tradicional na Argélia.

Ele é um distinto poeta folclórico, cantor e compositor do oeste da Argélia, especificamente da província de Chlef. Nascido em 1939, era conhecido no cenário artístico como “Mohamed Belkhayati”, e seus fãs o apelidaram de “O Farid al-Atrash argelino” devido à sua imensa popularidade e talento para cantar e compor. Ele ascendeu à proeminência na década de 1960, atingindo o auge de sua fama e quebrando recordes de apresentações e popularidade em 1968. Seu arquivo musical inclui aproximadamente 2.500 canções, todas escritas, compostas e musicadas por ele. Seus poemas são caracterizados pela profundidade social e pela diversidade de temas, abordando o exílio, a Guerra da Independência da Argélia e tragédias emocionais e sociais.

Entre suas canções mais famosas está “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta), que narra sua experiência na prisão na cidade de Blida. “Como Eram os Dias” é um poema que relembra os bons tempos. Belkhayati é considerado uma escola à parte na poesia popular e na autêntica canção beduína, tendo preservado a identidade cultural argelina por décadas. Muitos artistas revitalizaram seus poemas folclóricos, e sua obra foi popularizada por diversos artistas em diferentes estilos, incluindo o rai argelino e a música beduína. Entre eles, Cheb Khaled, Cheb Azzedine, Cheb Mami e o falecido Cheb Hasni.

A fama do poema: O poema “Ya Galbi Barkak” (Ó Meu Coração, Basta) foi adaptado e revitalizado na música rai em 2004, imbuído de profunda emoção e saudade. A canção, que carrega um forte sentimento de aprisionamento e emoção social, foi oficialmente gravada com o título “Ya Galbi”. No estilo tradicional Oran Rai, mesclado com melodias beduínas de forma emotiva e popular, a música alcançou grande sucesso em shows ao vivo, especialmente durante a turnê de 2005 na Argélia.

Letra:

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, chega de amargura e doçura

Você abandonou quem te amava e seguiu o inimigo

Ó meu coração, ó meu coração, ó meu coração

Chega, ó meu coração, ó meu coração

Ó meu coração, chega

Você seguiu um momento após o outro, os dias de Deus são longos

Não é só que eu a conhecia, suas poucas feridas

A letra continua a retratar a reprovação do coração por seguir o desejo apesar de sua crueldade, e relembra a traição e o engano. Você substituiu um momento por outro, com boas intenções, pedindo paciência e esquecimento.

Mohamed Rahal

Voltar

Facebook