CineCafé de maio no Sesc Sorocaba

CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: olhares plurais sobre identidade, desejo e imaginação 

CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: Tudo Sobre Minha Mãe
CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: Tudo Sobre Minha Mãe

O CineCafé de maio do Sesc Sorocaba, idealizado em parceria com o coletivo Nós Diversos, propõe um olhar sensível e plural sobre a diversidade em suas múltiplas formas. A mostra reúne dramas que atravessam maternidade e identidade, animações de ficção científica e narrativas que exploram o desejo, convidando o público a diferentes experiências e perspectivas. 

As sessões acontecem às terças-feiras, às 19h, com entrada gratuita e retirada de ingressos com uma hora de antecedência na Central de Atendimento.  

Após cada exibição, o público é convidado a participar do Cinema em Reflexão. Neste mês, a atividade é conduzida por convidados do coletivo Nós Diversos, que ampliam a experiência cinematográfica por meio de análises técnicas e teóricas das obras exibidas. 

Confira os filmes, para não perder nenhuma sessão: 

5/5 | Tudo sobre minha mãe 

Direção: Pedro Almodóvar | Drama | Espanha | 85 min. | 2025 | Leg. 

Esteban é um jovem de 17 anos que está escrevendo uma história chamada “Tudo sobre minha mãe”. No dia do seu aniversário, a mãe ia lhe contar tudo sobre seu pai, desconhecido para o menino. Mas um acidente impede que isso aconteça, e a mãe de Esteban decide partir atrás do pai de seu filho. Classificação 14 anos. 

12/5 | Morte e vida Madalena  

CineCafé de maio no Sesc Sorocaba:  Morte e vida Madalena 
CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: Morte e vida Madalena 

Direção: Guto Parente | Dramédia | Brasil | 85 min. | 2025. 

Madalena é uma produtora de cinema tendo que lidar ao mesmo tempo com a morte recente do pai, sua gravidez de 8 meses e a produção de uma ficção científica B onde tudo parece dar errado. Classificação 14 anos. 

19/5 | A sapatona galática 

CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: : A sapatona galática 
CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: A sapatona galática 

Direção: Emma Hough Hobbs | Animação Adulta/Ficção Científica | Austrália | 87min. | 2024 | Leg.   

Uma princesa espacial é expulsa de sua vida protegida, para uma missão galáctica para salvar sua ex-namorada caçadora de recompensas dos Straight White Maliens. Classificação 16 anos. 

26/5 | Joyland  

CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: Joyland
CineCafé de maio no Sesc Sorocaba: Joyland

Direção: Saim Sadiq | Drama | Paquistão | 126 min. | 2022 | Leg. 

Uma família patriarcal anseia pelo nascimento de um menino para continuar a linhagem familiar, enquanto seu filho mais novo se junta secretamente a um teatro de dança erótico e se apaixona por uma ambiciosa estrela trans. Sua história de amor impossível começa a iluminar o desejo de toda a família por uma rebelião sexual. Classificação 16 anos. 

Confira mais sobre essas e outras atividades da programação do Sesc Sorocaba em sescsp.org.br/sorocaba. 

SERVIÇO 

Sesc Sorocaba       

Rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade.  

Horário: De terça a sexta, das 9h às 22h. Sábados, das 10h às 19h.         

Prefira o transporte público 

Terminal São Paulo 

Linha 13: Santa Izabel/ Jd. Europa 

Linha 71: Campolim via Raposo Tavares 

Terminal Santo Antônio 

Linha 65: Campolim 

BRT 

Linha D200: Terminal Vitória Régia/ Campolim 

+ informações  

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Poetic epistle

Kali Baral: Letter of devotion ‘Poetic epistle’

Kali Baral
Kali Baral
Imagem criada pelo ChatGPT
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My Nath,

Many words are accumulated in my mind’s ledger everytime. Twenty four hours will be increased by several times if the calculation is done strictly. You have built a house in my brain in the structure of my mind.

I did not understand when and on what occasion such work was done. And when I look for that reason, I have not find the edge. I made the deed in your name under compulsion. So that you can dominate with confidence.

You know that I surrendered to you all my wealth, prosperity and the love which had for living. I have no regrets, as if I do not mind being a resident of heaven to the satisfaction of surrendered.

No one but a devotee like me can understand with the ability to realize the happiness that you have showered on me like a sudden gale resonance of feelings.

I am very poor and don’t have the rhetoric of abundance of knowledge at all. With pure affection of the heart, I am sitting with offering for you.I have no need for hundreds of thousands of desires. But I tell you will great courage that I want you.

Honorable nath, people are benifited by the light that is constantly diffused by your eyes of knowledge. This is my pride, dignity and victory.

Oh my Bholanath! may thousands of ages will be passed with your creation, but only you are mine. I want that creator. I want to keep the man like his wonderful collection of creations.

One evening you stood in the courtyard of the Temple and said that Radhakrishna is the same entity. one cannot exist without another. First of all, importance should be given here. My love, when I think of you as Krishna, I am frightened about losing you. Keeping Radha in his heart, Krishna goes a way playing the flute. You are my Bholanath whom I found on a Shiv Chatrurdashi night.

I can sacrifice my surrounding, life, society if I know Bholanath loves me. I have no great strength and no great weakness without love. The cup of love is not filled by pity, dear. I am very greedy and want that rare pure love. Without it, there is no attraction for anything earthly.

This is the only weapon against me. I will not tolerate to insulting precious love. The day I saw the jewel of love in your eyes, the sky of my heart exploded like lightning. As long as my body is in the world, let it will be touched by you. We have met during the evening of life after a hundred duties. I want to hear your heart beat in the rest of the dark night.

Oh the treasure of my heart, the priceless jewel, I have found you so close that I do not want to lose you. My soul is afraid of whether you will leave me. A burnt child dreads the fire. I am weak in the world, there is no other way to rely on you.

I want to spend the rest of my life in this passion. Today you are the victorious king after enduring the long distance, the fatigue of the road. If you want relief from the elegance clothes, I am waiting to remove all your exhaustion. No one in the world will know.

Oh venerable deity, be the assassin in love but not in pretense. I am tired of stumbling. Burnt trees grew leaves to the sound of your flute, Don’t let them perish.

Oh Shyam, you are fine without me. Though we are the same city but can not see you because we have a barrier between us. I have brought love from the source of creation. don’t leave me, I will wait. Waiting is my meditation. The happiness of love is not permanent because of my bad luck. I don’t blame anyone. Animosity takes away everything.

I believe that no one but you have the ability to value the treasure of my heart. I don’t want to be your Radha. Bholanath never left Parvati. You have weeped for many Radha’s so long. May Parvati be permanent in your life.

Your Awaited Parvati

Kali Baral

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Relações entre empresas

Relações entre empresas, trabalhadores e governo exigem equilíbrio e visão coletiva

Augusto Damas
Augusto Damas
Imagem criada pela IA do Gemini - https://gemini.
Imagem criada pela IA do Gemini

As relações entre empresas, trabalhadores da iniciativa privada e governos constituem um dos alicerces da economia de mercado. Entretanto, compreender essa engrenagem exige mais do que uma leitura superficial dos fatos: é necessário considerar a dimensão subjetiva dessas interações — a forma como cada agente percebe, reage e influencia o outro dentro do sistema produtivo.

Nesse contexto, destaca-se um dos principais entraves ao desenvolvimento nacional: o chamado “custo Brasil”. Trata-se de um conjunto de fatores estruturais que encarecem a produção, reduzem a competitividade e, não raro, alimentam tensões entre empregadores, empregados e o poder público. Muitas dessas divergências têm origem em diagnósticos imprecisos ou na ausência de uma visão integrada dos problemas.

Empresas, trabalhadores e governo operam, na prática, dentro de uma mesma engrenagem econômica, embora com atribuições distintas. Ao Estado cabe a responsabilidade de formular políticas públicas, estabelecer regulamentações e garantir um ambiente institucional favorável ao crescimento. Já o parlamento exerce papel determinante na criação de leis que impactam diretamente o mercado de trabalho e o ambiente empresarial, exigindo compromisso com o interesse coletivo.

Para as empresas, a sobrevivência e a expansão estão diretamente ligadas à eficiência da gestão, ao acesso ao crédito, ao capital de giro e à capacidade de competir em um cenário cada vez mais exigente. Investir em planejamento, controle financeiro e estratégias de mercado deixou de ser opção e tornou-se condição de permanência.

Do lado do trabalhador, os desafios também se intensificam. A qualificação profissional é hoje requisito indispensável para inserção e progressão no mercado. Em muitos casos, o próprio indivíduo precisa investir continuamente em sua formação, ao mesmo tempo em que depende da estabilidade econômica da empresa para garantir sua subsistência.

Diante desse cenário, o equilíbrio nas relações de trabalho não pode ser visto como responsabilidade isolada de um único agente. Trata-se de uma construção coletiva. Empresas e trabalhadores precisam atuar com senso de responsabilidade social, ética e cooperação, alinhando interesses em torno de objetivos comuns.

Ainda assim, a atuação do governo permanece como fator decisivo. Políticas públicas eficientes, aliadas a uma gestão responsável, têm o potencial de criar um ambiente mais favorável à geração de empregos, ao investimento e ao crescimento sustentável. Experiências internacionais demonstram que instituições sólidas e bem estruturadas são capazes de promover prosperidade de forma ampla.

Por fim, é imprescindível reconhecer o papel do cidadão enquanto eleitor. Empregadores e trabalhadores compartilham essa condição e, por meio de suas escolhas, influenciam diretamente os rumos da economia e das relações de trabalho. O voto consciente, portanto, não é apenas um direito — é um instrumento de transformação social.

O verdadeiro desafio não reside apenas nos indicadores econômicos, mas na capacidade coletiva de harmonizar interesses, construir consensos e promover um modelo de desenvolvimento que beneficie, de forma equilibrada, toda a sociedade.

Augusto Damas

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Concierto de Aranjuez

Humberto Napoleón Varela Robalino

Poema ‘Concierto de Aranjuez’

Humberto Napoleón Varela Robalino
Humberto Napoleón Varela Robalino
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Los murmullos de Dios
y la levedad de sus pasos
no son nada extraños
en los Jardines de Aranjuez
así como también no son nada extraños
los susurros de ternura
y la lluvia de sonidos libres, libres, libres…
del ‘CONCIERTO DE ARANJUEZ’

Hombre que estas diseminado
en la faz de la Tierra
escucha el ‘CONCIERTO DE ARANJUEZ’
para que jamas lo olvides:
bien aventurados los oídos que lo escuchan
bendecida la memoria
que recuerda a Joaquín Rodrigo
que levantó esta catedral de sonoridad eterna
con el barro oscuro de sus ojos…

Los pájaros de fuego que emigraron
retornan al cielo que un día les arrebató el llanto
y los metales dulces
vibran a imagen y semejanza de los besos
el agua de la lluvia entona nuevos cantos a la vida.

Con los pies descalzos de la distancia
camino por los andenes de los Jardines de Aranjuez
sintiendo las raíces de los rosales
apretar mis ojos hasta ver las lágrimas
mi soledad palpita en el agua de las fuentes
el sudor del hombre
crece ante los misterios de la muerte
palpo la tristeza que los rostros transfigura
oigo al dolor gritar, gritar, gritar…

Mientras escucho el ‘CONCIERTO DE ARANJUEZ’
mi soledad rompe la piedra
de los ojos misteriosos de la esfinge
mis manos palpan las diminutas cosas
con el calor de mi cuerpo
para que en la primavera
no falten mariposas.

En la sequedad de mis ojos
los caracoles sin tiempo
repiten los murmullos
y la levedad de los pasos de Dios
repiten los susurros de ternura
y l los sonidos libres, libres,, libres …
del ‘CONCIERTO DE ARANJUEZ ‘.

Humberto Napoleón Varela Robalino

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Trabalhador certo no local certo

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Trabalhador certo no local certo’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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As instituições empresariais, públicas, privadas, quaisquer que sejam os seus objetivos, estrutura, procedimentos e composição humana, terão tudo, e tanto mais a ganhar, quanto investirem na valorização e dignificação dos seus colaboradores, na medida em que as pessoas ficarão mais sensibilizadas para defender e praticarem os valores institucionais, que incorporam toda uma cultura emblemática. 

Por outro lado, igualmente, importante é cada trabalhador estar colocado no local certo, nas funções que melhor sabe executar, e que as realiza com prazer, sem pressões nem perseguições, com a maior liberdade possível, sabendo, previamente, que quanto mais independência tiver, mais responsabilidades lhe serão exigidas. 

O grau de satisfação dos funcionários também passa por eles poderem fazer o que gostam, aliás: «Todo o mundo sabe que é preciso gostar do que se faz. Isso é fundamental, importantíssimo, mas as vitórias são construídas sobre coisas que gostamos e também sobre outras que não gostamos de fazer. (…) Precisamos colocar o máximo prazer em nosso trabalho, mas temos também de fazê-lo com a máxima qualidade, mesmo que isso implique horas e horas de desprazer.» (SHINYASHIKI, 2000:162-63).

O exercício de funções executivas, numa determinada instituição, envolve requisitos de exigência, rigor e maturidade que, noutras atividades não serão decisivos, embora, analogamente, importantes para o sucesso da organização e dos seus colaboradores. 

Com efeito, a vida profissional de um cidadão, titular de um cargo executivo, implica, desde logo, um forte domínio da componente emocional, para que nele se possam encontrar a segurança, a credibilidade, a maturidade e a competência, que conduzem à tomada de boas, eficazes e justas decisões. 

O grau de exigência que se lhe impõe deve ser compatível, não só com um estatuto proporcional ao nível social, mas também remuneratório, obviamente, partindo do princípio, segundo o qual, os resultados justificam a diferenciação entre o executivo e os demais trabalhadores da mesma organização.

Naturalmente que, individualmente considerado, o executivo não resolverá, apenas por si só, todos os problemas da instituição, dos colaboradores, utentes, acionistas e outra população, a ela ligada por qualquer vínculo. O executivo carece do apoio e cooperação de toda uma equipa, dos diversos departamentos da instituição, embora ele se deva assumir como o garante dos sucessos e o responsável pelas diversas situações que se vão originando ao longo do exercício.

Aceite-se que: «A vida executiva, particularmente nas grandes empresas ou nas organizações governamentais, constitui um rigoroso teste de maturidade emocional. Poucos dos que ingressam nessa vida sabem, exatamente, quão perto eles chegarão de se afastarem de seus ancoradouros emocionais. A tensão e a pressão do papel executivo se refletem na procura quase universal de um ideal para o desempenho executivo e eficaz.» (JENNINGS, 1972:17).

BIBLIOGRAFIA

JENNINGS, E. E. (1972). O Executivo, Autocrata-Burocrata-Democrata. Tradução, Oswaldo Chiquetto. S. Paulo: Livraria Pioneira Editora

SHINYASHIKI, Roberto T., (2000). Os Donos do Futuro. 31ª Edição. S. Paulo: Editora Infinito.

Venade/Caminha – Portugal, 25 de abril deE 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Corpo lume em terra

Ella Dominici: Poema ‘Corpo Lume em Terra’

Ella Dominici
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Nasci da argila e da espera.
Sou parte do barro que sonhou ser rosto e permaneceu espelho.
Carrego comigo as veias abertas do que sente demais,
e o pulso secreto das coisas que não sabem morrer.

Há em mim a casa e o exílio.
A casa é onde o olhar repousa,
o exílio é quando o olhar não se reconhece.
E sigo, em cada rua, plantando pequenas eternidades:
palavras, gestos, silêncios,
pedras transparentes que a vida deixa como migalhas do invisível.

O amor, esse desassossego manso,
anda comigo, calçado de areia e espanto.
Não pede posse — pede presença.
Ele chega como um sol que se desculpa por nascer tarde,
mas ainda aquece o corpo todo

Direi:
sou o que restou da travessia — e o que começa depois do naufrágio.
Sou mulher de sal e aurora,
carrego oceanos no peito e um punhado de luz no escuro.
Sigo, mesmo cega, coração conhece atalhos que a razão ignora.

E quando a noite cai, volto a ser
palavra de cura,de memória, de fogo.
Que sopra nas feridas e acende o invisível.
E ainda que o mundo me esqueça,
sei que a vida — essa antiga amante — sempre volta,
com o perfume do impossível.

Ella Dominici

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Labor no universo literário

Renata Barcellos: ‘Labor no universo literário’

Renata Barcellos
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A tematização da importância do trabalho na vida humana é milenar desde os escritos gregos. Exemplos: nas obras de Hesíodo: O Trabalho e os dias e nos livros que constituem a Bíblia até nossos dias. Ao longo do tempo, o homem tem se dedicando ao universo laboral e o questiona, conceitua, problematiza, nomeando-o sob diversos prismas, ora dignificando-o, ora o depreciando.

No século XIX, Marx (1986) e Engels (1990) emitiram importantes enunciações sobre o trabalho. Neste período, foram publicadas as obras “O Escrivão e A Metamorfose” que apresentam o trabalho como tema recorrente na ficção. “O Escrivão”, publicado em 1853, de Herman Melville, traz uma das personagens mais emblemáticas de todas as literaturas: um escrivão que, de repente, passa a se negar a fazer qualquer tarefa, em uma postura que transita entre a rebeldia e o niilismo. E “A Metamorfose”, de Franz Kafka, de 1915, a personagem Gregor Samsa acorda metamorfoseado num inseto monstruoso e, ainda assim, seu principal medo é perder o emprego.   

Na contemporaneidade, o labor ainda é atividade a ser legalizada, questionada, alterada. Isso porque, para boa parte da humanidade, constitui-se em fonte de sofrimento físico e psicológico. Nas Literaturas Brasileiras, há inúmeras personagens ilustrativas disso. Existem pesquisas cujo objetivo é verificar nas literaturas dos séculos XIX, XX e XXI, como os escritores formalizam as articulações entre trabalho e discurso literário.

Principais aspectos desta transformação:

1. Temáticas Centrais na Literatura Contemporânea

  • capitalismo de Plataforma e Precarização: obras recentes, como as discutidas no livro “Icebergs à Deriva”, analisam o descontrole das grandes plataformas digitais (Uber, Amazon) e a falta de vínculo formal.
  • explorações Cotidianas: livros como “Afetos postiços”, de Gabriele Rosa e “Os dias trabalhados”, de Marcelo da Silva Antunes, retratam a precarização, a terceirização e a desregulamentação como a nova regra.
  • trabalho no Centro: as Literatura Brasileiras têm, cada vez mais, inserido o trabalho como tema central da construção de personagens e enredos. Assim, evidenciando desigualdades sociais e o cotidiano da classe trabalhadora. 

  • 2. Novas Formas de Produção e Organização

  • teletrabalho e Anywhere Office: o trabalho remoto e o modelo híbrido, intensificados pela pandemia, transformaram a rotina de escritores, editores e tradutores.
  • trabalho “Gig” (Eventual): muitos profissionais do livro estão inseridos no modelo de gig economy, baseada em tarefas pontuais e autonomia, mas frequentemente sem proteção legal. 

3. Novas Relações Jurídicas e Proteção

  • confronto e Resistência: o debate literário jurídico busca formas de enfrentar a nova conformação econômica, discutindo proteção para o trabalhador em um cenário de terceirização.
  • livros Educativos: lançamentos como “Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção” (Editora Amanuense) abordam como o Direito deve responder a esses novos cenários. 

4.Obras Relevantes sobre a temática

  • Icebergs à Deriva (Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho – MPT)
  • Afetos postiços, de Gabriele Rosa
  • Os dias trabalhados, de Marcelo da Silva Antunes
  • No chão da fábrica, de Roniwalter Jatobá
  • De mim já nem se lembra, de Luiz Ruffato
  • Novas Relações de Trabalho e Novos Modelos de Proteção (Nelson Mannrich e Alessandra Boskovic)

5. Novas Dinâmicas de Produção Literária

  • coautoria e Assistência: a IA atua como uma ferramenta colaborativa, capaz de propor enredos, estruturar narrativas, imitar estilos literários e revisar textos. Escritores podem utilizar IAs para superar bloqueios criativos e acelerar etapas técnicas da escrita. Como fonte de inspiração, não produto final.
  • engenharia de Prompt e Treinamento: autores podem desenvolver “assistentes personalizados” (como GPTs ou Gems).
  • Desafios e Questões Éticas

  • autenticidade e Essência: debates sobre a perda da essência da literatura e a capacidade da IA de replicar a subjetividade e a experiência humana.
  • autoria e Propriedade Intelectual: questionamentos sobre quem é o “autor” de uma obra gerada com auxílio significativo de IA, impulsionando discussões jurídicas.
  • valorização da Escrita Humana: a escrita humana tende a ser valorizada como um “artigo de luxo” ou um ato de resistência, carregado de subjetividade, falibilidade e criatividade. 

O uso de Inteligência Artificial (IA) no universo literário em 2026 é regido por um misto de leis de direitos autorais tradicionais, novas regulamentações éticas e precedentes judiciais em evolução. A premissa central a seguinte: IA é uma ferramenta de auxílio, não um autor legal. A seguir, as principais “leis” e normas atuais:

1. Autoria e Direitos Autorais (O Fator Humano)

  • humanos como Únicos Autores: Lei de Direitos Autorais (como a brasileira nº 9.610/1998) estabelece que somente pessoas naturais podem ser autores de obras literárias. Obras criadas 100% por IA não recebem proteção de direito autoral, pois a lei não reconhece máquinas como autoras.
  • responsabilidade Legal: o humano que utiliza a IA para gerar texto é o único responsável público pelo conteúdo, incluindo erros ou casos de plágio.
  • obras de Domínio Público: treinar modelos de IA com livros protegidos por direitos autorais tem sido considerado por alguns juízes como “uso justo” (fair use) para desenvolvimento de tecnologia, embora isso continue sendo debatido. 

2. Ética e Transparência

  • declaração de Uso: a Authors Guild (união de autores norte-americanos) e diversas editoras exigem que o uso de IA na geração de textos seja informado aos leitores.
  • transparência Editorial: editores e plataformas de publicação estão adotando políticas para identificar conteúdos gerados por IA, muitas vezes exigindo a documentação do uso da ferramenta.
  • risco de “Fake” Literário: textos inteiramente gerados por IA são vistos por muitos no mercado editorial como “falsos” ou inautênticos, carecendo da profundidade emocional humana. 

3. Ética no Treinamento e Direitos de Estilo

  • proteção de Estilo: a IA pode emular o estilo de autores consagrados, mas a emulação excessiva que resulta em reprodução de trechos (plágio) é ilegal.
  • “Engenharia de Referência”: o uso de IA para analisar sintaxe e estilo (com “GPTs” personalizados) é aceito como auxílio criativo, desde que o resultado final seja editado e assinado por um humano. 

4. Novas Regulações (Tendências 2025-2026)

  • Projeto de Lei 2338/23 (Brasil): analisa a regulamentação da IA com foco nos níveis de risco para os direitos fundamentais.
  • concursos e editoras: algumas editoras e concursos literários têm cancelado ou alterado regras para evitar a enxurrada de textos gerados automaticamente, dada a dificuldade de distinguir a autoria. 

Em resumo, a regra de ouro é: A IA pode ajudar a escrever (assistência). Entretanto, o autor humano deve assumir a autoria (responsabilidade). Sejamos responsáveis pelos nossos atos!!! E produzamos produções literárias de qualidade. Com base nisso, de acordo com Noam Chomsky: “Este é o ataque mais radical ao pensamento crítico, à inteligência crítica e particularmente à ciência que eu jamais vi”.

Renata Barcellos

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