ALÉM DO ERRO

Quando a falha deixa de ser peso e passa a ser caminho

Além do erro, Júlio César Brasil
Além do erro

Em um mundo cada vez mais intolerante à imperfeição, onde errar parece sinônimo de fracasso definitivo, o livro Além do Erro, de Júlio César Brasil, surge como um verdadeiro respiro.

Uma obra que acolhe, provoca reflexão e convida o leitor a enxergar a própria humanidade com mais coragem, maturidade e compaixão.

Nascido em Porto Alegre (RS), em 2 de julho de 1973, Júlio César Brasil é pai do Júnior e do Lucas, escritor, pensador e criador de conteúdo.

Sua trajetória profissional foi moldada em ambientes de alta responsabilidade, liderança e tomada de decisões, especialmente no Exército Brasileiro, onde desenvolveu uma visão estratégica, ética e um profundo senso de missão pública.

Essa vivência transborda para sua escrita, que carrega firmeza, clareza e, ao mesmo tempo, sensibilidade humana.

A semente de Além do Erro nasceu em 2015, em uma cena aparentemente simples, mas profundamente impactante: no aeroporto de Brasília, Júlio presenciou um pai repreendendo duramente o filho por ter errado 10 questões em um concurso no qual havia acertado 90.

Em vez de comemoração, houve desvalorização.

Ali, algo se revelou: por que damos tanto poder ao erro, como se ele anulasse tudo o que foi construído?

Por que o erro precisa ser protagonista, quando poderia ser apenas um auxiliar no processo de crescimento?

Dez anos depois, essa inquietação se transformou em livro. E não em um livro comum, mas em um convite à reconstrução interna.

Além do Erro propõe uma mudança profunda de perspectiva: errar não é uma sentença, é uma passagem.

Não é um rótulo, é um espelho. Não é o fim, é o início de algo mais consciente.

Com linguagem acolhedora, espiritualidade suave e profundidade psicológica, o autor conduz o leitor por uma jornada de maturidade emocional, onde o erro deixa de ser motivo de vergonha e passa a ser ferramenta de evolução.

Ao longo da obra, Júlio confronta a cultura do cancelamento, da vitimização e da terceirização de responsabilidades.

Ele mostra que crescer exige coragem. Coragem para:

• reconhecer os próprios erros sem máscaras,
• assumir consequências sem autopunição,
• aprender com a experiência,
• e seguir adiante com mais consciência e solidez emocional.

O livro dialoga com temas fundamentais como liderança, ética prática, caráter, relações humanas, tolerância racional e reconstrução pessoal.

Não há moralismo, tampouco discursos indulgentes. O que há é verdade. Uma verdade que não machuca, mas liberta.

Hoje, além de escritor, Júlio César Brasil desenvolve a chamada Filosofia Evolucionista, uma abordagem racional, humanista e contemporânea voltada à liderança, à ética e à reconstrução do diálogo social.

Ele mantém canais digitais dedicados à reflexão crítica e à formação intelectual, abordando temas como comportamento humano, política, educação, liderança emocional e racionalidade aplicada à vida real.

Ele se define como alguém em constante construção, guiado mais pela busca de sentido e coerência do que por rótulos.

E talvez essa seja a essência de Além do Erro: lembrar que ninguém está pronto, ninguém está acabado, e todos estamos em processo.

Esta não é uma obra sobre perfeição. É uma obra sobre humanidade.

Não é um livro para quem nunca errou.

É para quem errou, erra e continuará errando… mas escolhe crescer.

Porque, no fim, não é o erro que define uma pessoa.

É o que ela faz depois de reconhecê-lo.

REDES SOCIAIS DO AUTOR

ALÉM DO ERRO

SINOPSE

Além do Erro é um convite para esta transformação.

Com linguagem acolhedora, espiritualidade suave e profundidade psicológica, Júlio César Brasil conduz o leitor por uma jornada íntima: compreender que as falhas não nos ferem, nos revelam.

Que a imperfeição não nos limita, nos liberta. E que cada desvio carrega em silêncio uma semente de renovação.

Entre vivências pessoais, reflexões de grandes pensadores e lições colhidas ao longo da trajetória marcada por desafios, quedas e reconstruções, o autor mostra que errar é humano, mas aprender a partir do erro é divino, consciente e extraordinário.

Se você já carregou culpas, medos ou pressões por ser “perfeito”, este livro é o caminho de retorno para si mesmo, um caminho possível, honesto e profundamente transformador.

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DO AUTOR

Além do erro, Júlio César Brasil
Além do erro

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Página Inicial

Resenhas da colunista Lee Oliveira




O mapa que chorava

Márcio José Zacarias: Conto ‘O mapa que chorava’

Márcio José Zacarias
Márcio José Zacarias
Imagemcriada por IA doChatGPT – 28 de janeiro de 2026, às 09h05

Numa noite silenciosa, quando a escola já dormia e o pó do giz repousava sobre as mesas, a sala de aula despertou para um diálogo inesperado.

O Mapa do Brasil, pendurado torto na parede, começou a soluçar. Suas cores estavam opacas, e pequenas gotas escorriam de seus pequenos olhinhos.

— Por que choras, Mapa? — perguntou a Lousa, cansada de carregar tantas palavras que ninguém mais lia até o fim.

O Mapa respirou fundo, como quem carrega séculos nas costas.

— Choro porque já fui orgulho — respondeu, deixando cair mais uma lágrima —, mas hoje sou esquecimento. Já fui verde, hoje sou cinza. Já fui esperança, hoje sou estatística.

A Carteira Escolar, marcada por nomes riscados, rangeu suas pernas enferrujadas.

— Estranho… todos sentam sobre mim todos os dias, contudo poucos se levantam para defender o que aprendem.

O Livro Didático, esquecido aberto na página do Hino Nacional, folheou-se com um vento leve e disse:

— Está tudo escrito aqui. Sempre esteve. Contudo letras sem ação são só tinta cansada.

O Globo Terrestre, rodando devagar sobre a mesa do professor, suspirou:

— Não é só contigo, Mapa. Muitos países giram sem saber para onde vão. Entretanto dói mais quando quem te gira são teus próprios filhos.

O Apontador, cheio de lascas de lápis ao redor, murmurou:

— Todo dia afiam ideias… mas quase ninguém as usa.

O Lápis, pequeno e gasto, levantou a voz:

— Eu ainda tento. Escrevo sonhos, protestos e poemas. Porém sou quebrado com facilidade.

O Apagador, coberto de pó branco, completou:

— E eu apago tudo no fim da aula. Ideias, promessas e indignações. O problema não é apagar… é não reescrever melhor depois.

O Mapa, pensativo, falou mais baixo:

— Já tive filhos que lutavam. Hoje tenho filhos que passam por mim sem me enxergar. Pergunto-me se ainda sou pátria ou apenas paisagem.

Nesse instante, o Relógio da Parede bateu uma hora lenta e solene, e disse:

— O tempo passa, Mapa. E deveras ele cobra. Sempre cobra.

O silêncio voltou à sala.
O Mapa aquietou-se, como uma criança adormecida.
A escola voltou a dormir.

Na manhã seguinte, alunos entraram, sentaram, copiaram e saíram.

No entanto um deles, antes de ir embora, olhou para o Mapa por alguns segundos a mais.

E isso, talvez, tenha sido o começo.

Moral: Um país não adoece por falta de palavras, e sim por excesso de silêncio diante delas.

Márcio José Zacarias

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Minas Gerais

Marli Freitas: ‘Minas Gerais’

Marli Freitas
Marli Freitas
Vista da cidade histórica de Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Imagem Freepik – https://share.google/JTEens35cblYZ7Van

Minas Gerais é um estado localizado na região Sudeste do Brasil, fazendo fronteira com São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Goiás. Possui 853 cidades, representando 15,32% do total de municípios do país. Se destaca pelas suas belezas naturais e pelo patrimônio histórico. É o quarto estado com maior área territorial e o segundo maior em quantidade de habitantes. Disposto sobre uma área planáltica, com temperaturas amenas ao longo do ano. Sua vegetação predominante é o cerrado e o animal que o simboliza é a seriema. Possui uma extensa rede hidrográfica, com cinco grandes bacias que cobrem 90% do estado: São Francisco, Grande, Paranaíba, Doce e Jequitinhonha.

Sua bandeira é composta por um triângulo vermelho sobre um fundo branco, com a inscrição “Libertas quae sera tamen” (Liberdade ainda que tardia). Representando o ideal revolucionário da Inconfidência Mineira, um movimento de resistência contra a Coroa Portuguesa.

Sua cultura é rica e diversa, fruto da miscigenação de influências indígenas, africanas, portuguesas e outros grupos que se estabeleceram na região e se manifesta em diversos aspectos, como culinária, festas populares, manifestações religiosas e artesanato.

A sua culinária é um dos principais símbolos da identidade do estado, com pratos como queijo, pão de queijo, feijão tropeiro, frango com quiabo, galinhada, arroz com suã, tutu de feijão, leitão à pururuca, vaca atolada, caldos diversos e doces caseiros, além disso, um forte símbolo é o fogão a lenha. Possui diversas festas tradicionais, como Folia de Reis, juninas, folclóricas, do peão, cavalgadas, devoção à Nossa Senhora, do Divino, Círio de Nazaré e muitas outras de acordo com a história local.

O artesanato mineiro é conhecido pela variedade de técnicas e materiais, como o trabalho em madeira, pedra sabão, couro, cerâmica, com destaque para peças utilitárias e decorativas. Na música, a sua expressão autêntica é a moda de viola e ritmos regionais. Seu patrimônio histórico é marcado por uma arquitetura colonial, com suas igrejas, casarões, cidades históricas como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e Diamantina, que dão testemunho de sua riqueza histórica e cultural.

Algumas gírias mais comuns incluem “uai”, “trem”, “sô”, “nó” e “bão”. Essas expressões podem ser usadas para demonstrar surpresa, dúvida, espanto ou simplesmente para iniciar uma conversa ou dar ênfase a algo. Além disso tem o costume de abreviar as palavras e omitir letras e sílabas, como “ocê” (você), “procê” (para você). A “mineiridade” é um conceito que engloba todos esses elementos, representando a identidade e o jeito acolhedor, construído ao longo de sua história.

Sua economia é impulsionada pelo crescimento em todas as atividades econômicas, como a indústria extrativa mineral, turismo e agronegócio. Na indústria: a metalurgia, a construção e a extração de minerais metálicos são relevantes. É conhecido pela produção de minério de ferro e ouro, além de possuir grande potencial em outros minerais. Ocupa posição de destaque no agronegócio brasileiro, sendo um dos principais estados produtores e exportadores do país. Grande produtor de leite, café e carnes, além de ser importante produtor de outros alimentos.

Como ponto turístico mais visitado de Minas Gerais temos o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte e a cidade de Ouro Preto, com seu centro histórico preservado; Capitólio e Serra do Cipó, famosos por suas paisagens naturais e atividades de ecoturismo.

A literatura mineira forma um mosaico diverso, que reúne desde romances grandiosos e contos poéticos até crônicas humorísticas e obras infantis encantadoras. Como destaque temos Adélia Prado, Ailton Krenak (liderança indígena que tomou posse recentemente na Academia Brasileira de Letras), Carlos Drummond de Andrade, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Fernando Sabino, Henriqueta Lisboa, João Guimarães Rosa, Rubem Fonseca, Ziraldo, Rubem Alves entre outros.

Minas Gerais possui uma rica história marcada por figuras importantes em diversas áreas que incluem: Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira; Aleijadinho, escultor barroco; Santos Dumont, pioneiro da aviação; Carlos Drummond de Andrade, poeta; Guimarães Rosa, escritor; Chico Xavier, médium; Chica da Silva, mulher negra que desafiou a sociedade da época; Carlos Chagas, cientista que descobriu a doença de chagas; Juscelino Kubitschek, político responsável pela fundação de Brasília.

Concluo com o veredito de Carlos Drummond de Andrade: “Ser mineiro é ser religioso e conservador, é cultivar as letras e as artes, é ser poeta e literato. É gostar de política e amar a liberdade. É viver nas montanhas, é ter vida interior. É ser gente.”

Marli Freitas

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Da Terra dos Cedros, Líbano, para o ROL, Taghrid Bou Merhi!

Taghrid traz ao ROL o aroma poético da floresta dos ‘Cedros de Deus’ (Arz el-Rab), nas encostas do Monte Makmel!

Taghrid Bou Merhi
Taghrid Bou Merhi

Taghrid Bou Merhi, natural de Qabb Ilyas, Líbano, é uma poeta, escritora, ensaísta, tradutora, editora e profissional de mídia libanesa-brasileira, cujo trabalho constrói pontes entre culturas, línguas e tradições literárias. Residente no Brasil (Foz do Iguaçu/PR), é amplamente reconhecida por suas contribuições à literatura árabe contemporânea e ao intercâmbio cultural internacional.

É autora de 23 livros que abrangem poesia, contos, ensaios, estudos críticos e literatura infantil, publicados em formatos impresso e digital. Além disso, traduziu mais de 49 livros e mais de 2.000 poemas, contos, resenhas e artigos entre o árabe, o inglês, o espanhol, o italiano e outros idiomas. Suas obras literárias e traduções foram vertidas para 49 línguas e participou em mais de 540 antologias nacionais e internacionais.

Taghirid desempenha um papel significativo na mídia cultural, atuando em cargos editoriais de alto nível e como chefe de departamentos de tradução em diversas revistas árabes e internacionais. É também Presidente da CIESART Líbano e chefe da Câmara Internacional de Livros e Artistas – filial do Líbano, além de oficial de relações culturais internacionais em várias organizações globais.

Taghrid ingressa na Família ROLiana oferecendo aos leitores do Jornal ROL o sensibilíssimo poema Pedra: a primeira memória, um tributo à natureza!

Pedra: a primeira memória

Imagem criada por IA da Mata – 27 de janeirode 2026, às 16h49

A pedra
nunca foi silenciosa;
foi a primeira testemunha
do tremor da mão humana.

Ensinou o fogo a obedecer,
fazendo-se calor, alimento e lugar de encontro.

Na sua pele
o grão amadureceu,
a fome endireitou as costas
e o abrigo encontrou sentido.

Foi arma
quando a vida se viu obrigada a defender-se.

Não matou por sangue,
mas por sobrevivência,
porque a pedra compreende a ética da necessidade.

Com ela ergueram-se muros,
a noite sentiu-se segura
e o vento aprendeu os seus limites.

A pedra
é a origem da história
e ainda
carrega a forma da humanidade.

Taghrid Bou Merhi

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Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Correios - Imagem criada por Dom alexandre Rurikovich Carvalho
Correios – Imagem criada por Dom alexandre Rurikovich Carvalho

Durante décadas, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos foi motivo de orgulho para todos os brasileiros. Símbolo de integração nacional, os Correios estiveram presentes nos lugares mais distantes do país, conectando pessoas, histórias e afetos.

Recordo-me com carinho do tempo em que escrevia cartas para minha avó e para meus primos. A expectativa era sempre grande. Havia algo quase mágico em receber aquelas correspondências envoltas no tradicional envelope de bordas verdes e amarelas. O simples som do portão anunciava alegria: o carteiro chegava trazendo notícias, saudades e emoção. Ele não entregava apenas cartas – entregava vínculos humanos.

Naquele período, os Correios representavam eficiência, confiança e presença do Estado a serviço da população. A instituição cumpria sua missão social com dignidade e respeito, sendo reconhecida como uma das mais importantes empresas públicas do país.

Hoje, infelizmente, a realidade é outra. A empresa encontra-se mergulhada em dívidas, enfrentando sucessivas crises administrativas e operacionais. O que antes era sinônimo de credibilidade tornou-se motivo de frustração. Os atrasos são constantes, as encomendas não chegam dentro dos prazos e milhares de brasileiros convivem diariamente com a insegurança e a decepção.

Essa situação é profundamente lamentável. Não apenas pelos prejuízos econômicos, mas sobretudo pela perda simbólica de uma instituição que fez parte da memória afetiva de gerações. Quando os Correios falham, não se trata apenas de logística – trata-se da quebra de confiança entre o cidadão e um serviço que deveria ser essencial.

Ainda assim, resta-nos a esperança. Torcemos para que soluções responsáveis e eficazes sejam adotadas, que a empresa seja reestruturada com seriedade e que volte a cumprir o papel histórico que sempre desempenhou: o de unir o Brasil por meio da comunicação, do respeito e da eficiência.

Que os Correios possam, um dia, voltar a ser motivo de orgulho – não apenas nas lembranças do passado, mas também na realidade do presente e nas promessas do futuro.

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho

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O cálice da prostituta

Ramos António Amine: Conto ‘O cálice da prostituta’

Ramos António Amine
Ramos António Amine
Imagen criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta – 27 de janeiro de 2026, às 20h04

A sociedade oferece à prostituta um cálice amargo e exige que ela o beba em surdina. Não se interessa em saber se ela tem sede, nem se é o vinho que ela prefere. Apenas a observa, de longe, e moraliza o acto. O cálice é pesado, mas a sentença é suave demais para quem nunca escolheu tocá-lo.

Esse cálice não ostenta prazer, como gostam de insinuar os hipócritas que a condenam. Contém medo, fome, dívidas, violência, abandono e um futuro hipotecado antes mesmo de ser sonhado. É o cálice da sobrevivência num mundo que transforma aflições em crimes e vítimas em estúpidas.

Quando a prostituta bebe o cálice, a sociedade lava as mãos. Afirma-se pura, intacta, moralmente superior. Mas esquece que foi ela quem preparou o vinho, quem forjou o copo, quem empurrou a mão trêmula que o ergueu. O cálice nunca foi escolha individual; foi imposição histórica.

Há uma feia liturgia nesse ritual. A prostituta é sacrificada diariamente para que a ordem social continue ostentando pureza. O cliente chupa das tetas de quem a sociedade finge desprezar; a autoridade sobrevive de impostos, fecha os olhos e prega bons costumes; a retórica pública condena aquilo que o desejo privado sustenta.

O cálice da prostituta denuncia, assim, uma verdade incômoda: a moral dominante não é ética, é opulência. Julga o corpo exposto, mas protege as estruturas que o expõem. Escandaliza-se com a carne da prostituta estendida no altar da hipocrisia, mas normaliza a dignidade roubada.

Beber esse cálice não inocenta ninguém. Apenas evidencia a brutalidade de um sistema que exige sacrifícios humanos para manter intacta a sua opulenta civilizada. A prostituta não é vítima por vocação divina, mas por abandono social. Não é pecadora por escolha, mas por coerção social.

E, ainda assim, ela resiste. Cada vez que a prostituta recusa a culpa que lhe foi imposta, o cálice treme. Cada vez que transforma dor em voz, sobrevivência em denúncia, o vinho derrama-se. O ritual falha. A hipocrisia expõe-se.

O cálice da prostituta não precisa ser bebido para sempre. Ele pode ser quebrado. Mas isso exigiria que a sociedade olhasse para si mesma sem perucas, admitisse a própria participação no sacrifício e aceitasse que a salvação, caso exista, não virá da condenação dos corpos vulneráveis, mas da transformação das estruturas que os tornam repulsivas.

No fim, o cálice permanece sobre o altar da hipocrisia, não como símbolo de culpa da prostituta, mas como prova da decadência moral de quem o colocou ali.

Ramos António Amine

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Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Renata Barcellos: ‘Instituto Histórico e Geográfico brasileiro’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil
Foto por Renata Barcellos

No Brasil, a história dos Institutos Históricos e Geográficos (IHGs) começa com a criação desta instituição em 1838. Esta ocorre por iniciativa de membros da elite intelectual e política, incluindo figuras imperiais, a fim de construir uma identidade nacional, preservar a memória e consolidar a identidade brasileira pós-independência. Teve como modelo uma instituição francesa muito semelhante, criada em 1834. D. Pedro II foi um grande incentivador, cujo resultado foi a formação de uma rede de institutos estaduais e municipais. Hoje, estes atuam na preservação da cultura e história locais. O mais antigo é o fundado no Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1838, por iniciativa dos maçons: marechal Raimundo José da Cunha Matos e cônego Januário da Cunha Barbosa. Estes redigiram a proposta de criação desta instituição. A justificativa da criação foi seu caráter pedagógico que beneficiaria a administração pública e traria “esclarecimento” a todos os brasileiros. Destacaram ainda as dificuldades as quais estavam sujeitas as investigações acerca da história da pátria devido à carência desta instituição, a fim de centralizar os documentos que se encontravam espalhados pelas províncias do Império.

  • Objetivo Principal: reunir, organizar e preservar documentos para escrever uma “história nacional”, a fim de pensar o Brasil como nação, consolidar a identidade nacional e fomentar pesquisas históricas e geográficas.

2. O IHGB e a Construção da Nação:

  • Atividades Iniciais: criação de Arquivo, Biblioteca e Museu; financiamento de pesquisas; publicação da Revista do IHGB; correspondência com instituições estrangeiras.
  • Monopólio Histórico: por décadas, o IHGB deteve o monopólio da produção de conhecimento histórico no país. 

3. A Rede de Institutos:

  • Expansão: o IHGB estimulou a criação de entidades congêneres nas províncias (hoje estados), como o Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano (1862) e o de Minas Gerais (1907). 
  • Descentralização: no século XX, universidades e outros centros surgiram, mas os IHGs mantiveram sua importância, focando na memória local e regional. 

4. Legado e Função Atual:

  • São pilares na preservação de bibliotecas, arquivos e museus.
  • Coordenam uma rede nacional (Sistema Nacional de Institutos Históricos) e mantêm intercâmbio com instituições globais.
  • Continuam sendo referências na pesquisa e valorização do patrimônio cultural brasileiro, atualizando sua missão de pensar o Brasil. 

Curiosidades 

  • Instalações do primeiro IHGB: Em 1839, aos cuidados de D. Pedro II, o Convento do Carmo abrigou o IHGB. E a inauguração das novas instalações ocorreu em 15 de dezembro de1849, na rua Teixeira de Freitas, região da Glória, Rio de Janeiro.
  • Influência de Von Martius: o concurso de 1846 para escrever a história do Brasil foi vencido pelo alemão Karl Friedrich Von Martius com a proposta intitulada Como se deve escrever a história do Brasil. Nesta, propôs um modelo focado na harmonia entre as três raças (indígenas, brancos, negros) e o território, influenciando gerações. Escrito em 1843, ele propõe que a história indígena merece atenção, pois integra a história do Brasil. De acordo com ele, uma sugestão seria a elaboração de um dicionário da língua indígena principalmente o Tupi, por parte de linguistas integrantes do Instituto, tratando o idioma enquanto documento a ser conhecido e pesquisado.
  • Conexões Internacionais: mantêm intercâmbio com instituições estrangeiras, como a Academia Portuguesa de História e a Real Academia de la Historia da Espanha.
  • Alguns dos atuais gestores:

Artur Cláudio da Costa Moreira (educação: Artes Cênicas, Expressão Corporal, Técnicas Comerciais, Administração, Economia e Matemática. Formação: Ciências Econômicas, especialização em Recursos Humanos e Matemática. Liderança e Gestão: Direção de entidades culturais e atuação estratégica no IHG São João del-Rei, coordenando projetos editoriais, documentais e de preservação histórica. Artes e Comunicação: Experiência em direção teatral e locução radiofônica, unindo técnica cênica à divulgação doutrinária espírita com foco em impacto social e cultural. Pesquisa e Formação: Especialista dedicado ao resgate histórico e acadêmico, com sólida competência em redação oficial, administrativa e análise crítica de acervos): “O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) consolida-se como uma das mais prestigiadas instituições culturais de Minas Gerais. Atuando como o legítimo “guardião da memória” de uma cidade central para o ciclo do ouro e para a identidade mineira, o Instituto é o elo entre o passado colonial e o compromisso com as futuras gerações.

Fundação e Contexto Histórico

Fundado em 1º de março de 1970, o IHG-SJDR nasceu da mobilização de intelectuais, historiadores e cidadãos são-joanenses. Um dos catalisadores de sua criação foi a tentativa desesperada (embora sem sucesso) de impedir a demolição da Secular Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, à época pretendida pelo Padre Jacinto Lovatto. Apesar da perda do templo, o episódio reforçou a necessidade urgente de um órgão dedicado ao estudo e à salvaguarda sistemática do patrimônio barroco e das tradições centenárias da região.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários”.

Dilercy Aragão Adler (psicóloga, doutora em Ciências Pedagógicas, mestre em Educação e Associada Efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), tendo exercido a Presidência da instituição no quadriênio 2021–2025): “O IHGM, Casa de Antônio Lopes, foi fundado em 20 de novembro de 1925, nos moldes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Seu diferencial reside no fato de ter sido criado intencionalmente por iniciativa de Antônio Lopes, no ano do centenário de nascimento de Dom Pedro II, grande mecenas da cultura, da ciência e das artes no Brasil.

Treze anos e cinco meses após a fundação do IHGB, Dom Pedro II recebeu oficialmente o patronato da instituição, sendo reconhecido como seu Patrono e Protetor. Em 2025, iniciaram-se as comemorações do Centenário do IHGM e do Bicentenário de nascimento de Dom Pedro II.Em 2007, Dilercy Aragão Adler recebeu o honroso convite da então presidente, Profa. Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, para ingressar no IHGM, ocupando a Cadeira nº 1, patronada por Claude d’Abbeville. Trata-se de um frade capuchinho autor da obra Histoire de la mission des Pères Capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614), reconhecida como o primeiro livro a descrever detalhadamente a região do Maranhão.

Em 2012, apresentou o projeto “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, desenvolvido em São Luís, Caxias e Guimarães, com ampla participação de escritores do Brasil e do exterior. O projeto compreendeu duas antologias, uma de poemas e outra de estudos e pesquisas sobre Gonçalves Dias, além de extensa programação nas três cidades. Na programação de São Luís, teve como marco a fundação da Academia Ludovicense de Letras, a Academia da cidade de São Luís, fato considerado histórico diante do intervalo de 401 anos entre a fundação da cidade e a criação de sua Academia de Letras”.

Paulo Roberto de Sousa Lima (sociólogo, pela FAFICH/UFMG (1968); Professor universitário (Faculdade de Educação – UFMG: 1969 a 1988); Professor/Pesquisador e Consultor em Gestão Pública (FJP – 1981-1985); Professor em Gestão em Saúde Pública (ESMIG/FUNED: 1986/2004); Militante social em gestão comunitária (Instituto Macunaíma – Casa de Cultura/Escola de Cidadania – Belo Horizonte e Biblioteca da Comunidade – Tiradentes-MG: 2004-2015); Historiador, membro do IHG-SJDR (desde 2015, titular da Cadeira Perpétua nº 02, cujo patrono é o emboaba José Mattol); Presidente do IHG-SJDR (2018-2023); Membro da Academia de Ciências e Letras da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira e da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PM-MG): “Um olhar sobre o estado da arte dos atuais Institutos Históricos e Geográficos brasileiros, com os quais tenho interagido, nos permite reconhecê-los como legítimos herdeiros, desde o século XIX, da tradição europeia de estudos, via pesquisa em campos específicos de conhecimentos, já que antecederam a criação, no início do século XX, de Universidades no Brasil. Isto os torna credores do reconhecimento como entidades cuidadoras e geradoras de conhecimentos históricos, socioeconômicos e ambientais que foram significativos para a cultura nacional”. 

Tereza Cristina Cerqueira da Graça (doutora em educação, vice-presidente do Instituto e editora-gerente da sua revista): “O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, é a instituição de guarda da memória mais antiga do Estado. Desde então, tem reunido os mais expressivos intelectuais de Sergipe e estimulado a produção de estudos sobre nossa terra. Inclusive publicando trabalhos de pesquisa sobre a história, a geografia e a cultura sergipana na sua revista também centenária, uma vez que teve sua 1a edição em 1913 e até hoje está ainda em circulação. Publicou a última edição agora em dezembro de 2025 e, recentemente,  recebeu a classificação A na avaliação da Capes/Qualis. Também abrigamos um dos maiores acervos de documentos, jornais e livros antigos do Estado, servindo aos pesquisadores e á comunidade em geral”.

Renata Barcellos

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