Querer não é poder

Loide Afonso: ‘Querer não é poder’

Loid Portugal
Loid Portugal
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Eu não quero muito
Só um pouco de paz
Nesta minha vida caótica

Passam ventos
Chuvas
E mesmo assim
Eu não vou

Não saio
Nem caio
Às vezes
Rola um pequeno desmaio

Quando me jogo na
Piscina
Tudo vai
Cai
Me sinto limpa
E leve

Não quero ser nadadora
Às vezes o peso
A sujeira
É boa

Gosto de mergulhar
Em mim
No que penso
E sinto

Gosto de ouvir que me amam
Quero que me venerem

Ah, eu quero tanta coisa!

Loid Portugal

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Entre a chuva e a luz

Irene da Rocha: Poema ‘Entre a chuva e a luz’

Irene da Rocha
Irene da rocha
A autora, com 7 meses de idade

Minha história começa em Passa Quatro,
onde o amor tinha cheiro de terra molhada
e o riso das crianças misturava-se
ao canto das panelas na cozinha.

Havia colo, havia tempo,
e o mundo cabia inteiro
na palma quente das mãos da minha mãe.
Nada doía,
porque tudo era abraço.

Mas o céu, ah, o céu,
um dia escureceu de repente.
E a chuva, que antes lavava as ruas,
veio forte demais,
levando não só as casas,
mas o chão dos meus passos.

Perdi o lar,
perdi o cheiro de casa,
perdi o rastro da infância.
Minha mãe partiu, ano seguinte da enchente,
meu pai seguiu outro caminho,
e eu fiquei,
como quem fica num porto vazio,
esperando um barco que não volta.

No orfanato, aprendi o silêncio.
Aprendi que há dores que só Deus escuta,
mesmo quando o coração grita.
E, todas as noites,
eu perguntava baixinho,
Senhor, onde o Senhor se esconde
quando chove dentro da gente?

O tempo passou
e, um dia,
um gesto acendeu de novo a esperança.
Um padre, com olhos de ternura,
me estendeu a mão e disse:
Vens comigo.

Cruzeiro me acolheu
como quem acende uma vela
num quarto escuro.
Ali, a vida foi voltando devagar,
com o mesmo cuidado
de quem costura um pano rasgado.

Aprendi que a coragem
não é ausência de medo,
é a insistência em continuar,
mesmo tremendo.

Que as cicatrizes não são feridas,
mas mapas,
testemunhos de quem sobreviveu à travessia.

Hoje, quando olho para trás,
não vejo tragédias,
vejo caminhos.
A dor me ensinou a fé,
e o abandono me fez entender
que o amor de Deus
é o único abrigo que não desaba.

E se um dia a chuva te encontrar,
deixa que ela caia.
Ela não vem para te afogar
vem para lavar o que precisa ser renascido.

Quando ela passar,
a luz será mais clara.
E o que hoje parece fim,
é apenas o começo
de um novo amanhecer em ti.

Irene da Rocha

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O Bandido do Lampião Vermelho

Eduardo Cesario-Martínez

Conto ‘O Bandido do Lampião Vermelho’

Logo da seção O Leitor Participa
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Imagem criada pela IA da Meta em 05 de novembro de 2025, às 12:39 PM
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O ano exato não se sabe, mas a maior parte das pessoas diz que aconteceu na década de 1920, em uma cidade do agreste nordestino. E, naquele tempo, era comum a população andar armada, o que transformava o lugar em um negócio rentável para o dono da única funerária por aquelas bandas. 

          Outra informação que se faz necessária é que, assim como na maior parte do país, a luz elétrica ainda não havia chegado ali, e os moradores precisavam recorrer a fogueiras, lamparinas e lampiões a querosene. Por causa da precária iluminação, o povo jantava antes do sol se pôr e, às 20h, tirando os casais mais empolgados, a cidade adormecia.

          Pois bem, muito antes daquele criminoso que assombrou a capital paulista no final dos anos 1960, um outro bandido andava levando pânico àquele pequeno povoado. O tal delinquente, por conta da falta de luz, fazia uso de um lampião de vidro vermelho, o que provocava um contraste macabro durante as noites escuras. Os moradores o apelidaram de Bandido do Lampião Vermelho.

          O facínora, além de roubar o pouco que aquela gente possuía, ainda molestava as donzelas, que, por costumes da época, precisavam ser mandadas para um convento, onde passavam a vida inteira rezando para se redimirem do pecado de terem sido violadas. Algumas não suportavam tal martírio e tiravam a própria vida, mas também há casos das que passaram a viver a vida das mulheres malfaladas. Duas ou três, todavia, conseguiram manter segredo da violação e contraíram matrimônio. Adestradas pela mãe, souberam ludibriar o noivo na noite de núpcias. 

          A despeito do terror que se abateu sobre a população, havia por ali um homem destemido, cujo nome ainda hoje ecoa nas histórias contadas. Genaro Cavalcante, charuto no canto da boca, garrucha na mão, cuspia bala para qualquer desaforado. O cabra andava arretado com esse marginal e prometeu dar fim ao sujeito assim que o encontrasse.

          Enquanto a promessa não era cumprida, o Bandido do Lampião Vermelho agiu novamente. O malfeitor, sorrateiramente, invadiu a casa da dona Francisca, esposa do Timóteo. Entretanto, pelo menos nesse caso, a coisa aconteceu em conluio com a mulher. É que, sem o conhecimento do marido, Francisca andava de namorico com o Bandido do Lampião Vermelho e, durante as noites que Timóteo saía para caçar, ela acolhia o amante debaixo dos lençóis.

          O esposo traído, talvez por conta da falta de caça ou, então, por desconfiança, acabou retornando mais cedo para casa. Assim que abriu a porta, ouviu alguns gemidos vindos do quarto. Arma em riste, correu para salvar a mulher das garras do salafrário. No entanto, antes que conseguisse chegar, o Bandido do Lampião Vermelho já havia fugido pela janela, mas deixou o lampião ao lado da cama.

          Francisca, amedrontada pela chegada de Timóteo, ajoelhou aos pés do marido e suplicou perdão. O esposo, imaginando que a mulher fosse mais uma vítima do marginal, acolheu-a nos braços. Em seguida, pegou o lampião no chão e prometeu vingar a honra da amada. 

          A esposa viu o marido sair, quando, não tardou, ouviu um tiro. Correu para fora e viu Timóteo caído a poucos metros da casa. Curiosos correram ao local, onde encontraram Genaro Cavalcante se vangloriando.

          — Prometi que ia matar o gatuno e matei. 

       Os moradores enalteceram a bravura do matador. Em terreiro de Genaro Cavalcante, ninguém se cria. Quanto ao verdadeiro Bandido do Lampião Vermelho, ninguém mais ouviu falar. A viúva de Timóteo, não tardou, também sumiu e, até onde se sabe, nunca se preocupou em dar notícias. 

Eduardo Cesar-Martínez

Eduardo Cesario-Martínez -  Foto por Irene Araújo
Eduardo Cesario-Martínez
Foto por Irene Araújo

Eduardo Cesar-Martínez é um premiado escritor carioca, que há mais de três anos mora em Porto Alegre, cidade pela qual é apaixonado. Vencedor do Prêmio Literário Clarice Lispector – 2025 na categoria livro de contos com ’57 contos e crônicas por um autor muito velho’, que saiu pela Joanin Editora.

Seu primeiro livro, o romance ‘Despido de ilusões’, 2004, figurou entre os mais lidos do Centro Cultural Banco do Brasil. 

Seus contos e crônicas, que já ultrapassaram a incrível marca de 1.000 publicações, são utilizados por escolas no Rio de Janeiro, em Brasília e em Brodowski-SP.

É cronista/contista do jornal Notibras (https://www.notibras.com/site/) e do Blog do menino Dudu (https://blogdomeninodudu.blogspot.com/).

Divide a editoria Café Literário do Notibras com o poeta e escritor Daniel Marchi e a jornalista e poeta Cecília Baumann.

Instagram: @escritoreduardomartinez




Dicas ENEM 2026: Linguagem

Renata Barcellos: ‘Dicas ENEM 2026: Linguagem’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Imagem criada por IA do Grok
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Mais um ano findando e já estamos na semana do Exame nacional de acesso ao Ensino Médio (ENEM)/ 2026. Pontuaremos algumas dicas. Depois de anos de formação acadêmica, uma prova na qual mobilizará conhecimentos construídos ao longo da Educação Básica. O principal é ter em mente o seguinte: necessidade de raciocinar – utilizar a lógica.

Muitas questões propostas não são necessárias ler o texto. Vá direto ao enunciado da questão. Se for extenso, primeiro, leia o último período. Atenção ao solicitado. Marque o foco: correta – errada… Sempre atenção à referência bibliográfica. Às vezes, está lá a dica para a resposta. Em caso de dúvida em 2 ou 3 alternativas, utilize a técnica da balança: qual alternativa parece ser a MAIS certa ou errada? 

Sempre são propostas questão de figuras e funções de linguagem. Eufemismo, metonímia… Quanto a esta, atenção à metalinguagem. Esta é uso da linguagem para falar sobre a própria linguagem, concentrando-se no código (as palavras, os sinais, as regras) em vez da mensagem ou do contexto. Exemplos incluem um dicionário que define uma palavra, um poema que discute a poesia, um filme que retrata a produção de outro filme, ou uma conversa onde se explica o significado de um termo. Já, no que se refere àquela, destaque para ironia, eufemismo, metonímia…

Também são propostas questões sobre a finalidade de um determinado gênero textual. É fundamental dominá-los. Saber identificar TESE e classificar ARGUMENTOS utilizados….  E atenção a este recurso expressivo: INTERTEXTUALIDADE cuja definição é a relação que um texto estabelece com outros preexistentes. Essa relação pode ocorrer entre diferentes tipos de obras, como literaturas, filmes, músicas, charges, pinturas, publicidade…

Quanto à temida PRODUÇÃO TEXTUAL, treinar é preciso! No caso, ao longo dos anos ou deste ano. Se fará primeiro ou por último, você lá decide qual o melhor momento. Lembre-se do modo textual: ARGUMENTAÇÃO. Sua TESE deve estar na introdução. No desenvolvimento, ARGUMENTOS diversos (dado estatístico, histórico, comparação, citação, exemplos…) e, na conclusão, soluções para o problema apresentado.                                                                                                                               

Cada parágrafo deve ser estruturado com 3 frases no mínimo (apresentar o tópico frasal: início, meio e fim). Lembrar: uso da NORMA CULTA (nada de “Então”, “por conta”…). Cuidado com o uso das adversativas (mas, porém….). Colocação dos conectivos (portanto, logo, também….). Não separar o SUJEITO do PREDICADO, o VERBO do COMPLEMENTO… Não utilize o pronome “nós”, nos” e “você”. O texto é IMPESSOAL.  

Para obter 1000, é preciso atingir 200 nestas 5 competências:

C1. Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;

C2. Compreensão da proposta e aplicação de conceitos de diferentes áreas do conhecimento; 

C3. Seleção, organização e interpretação de informações para defender um ponto de vista;                                                                                                                                             

C4. Conhecimento dos mecanismos linguísticos para construir argumentação consistente;                                                                                                                                                  

C5. Elaboração de proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Alguns possíveis temas para o ENEM 2026 incluem questões ambientais (como desmatamento e sustentabilidade), tecnologia (impacto da IA, privacidade digital e o papel das redes sociais), saúde pública (doenças, acesso à saúde e sedentarismo) e inclusão social (direitos de minorias, acesso à educação e acessibilidade para pessoas com deficiência). Também são relevantes temas como o futuro do trabalho, desigualdade social, violência e desafios da educação no Brasil.

Sobre o meio ambiente, cabe mencionar a AGENDA 2030 (https://brasil.un.org/pt-br/sdgs). A ONU e seus parceiros no Brasil estão trabalhando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. São 17 objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimento.

-O aumento de eventos climáticos extremos e a necessidade de políticas de preservação.

-Gestão de resíduos sólidos no Brasil.

-A busca por modelos de sustentabilidade e bioeconomia.

Tecnologia e internet

-Impactos da inteligência artificial e a necessidade de regulamentação.

-Privacidade digital e o papel das redes sociais.

-Educação midiática no Brasil atual.

-Ameaças da internet sem riscos.

Saúde

-Desafios na saúde pública para lidar com epidemias e doenças.

-Aumento de casos de Burnout, especialmente no trabalho remoto.

-A importância da conscientização sobre os males do cigarro e outras drogas.

-Combate ao sedentarismo infantil no Brasil.

-Saúde mental e a ligação com a crise climática.

Inclusão e direitos humanos

-Violência e preconceito contra pessoas LGBTQIA+.

-Direitos de pessoas imigrantes e refugiadas.

-Acessibilidade em ambientes físicos e virtuais.

-Desafios para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem.

-Persistência da desigualdade de gênero e violência contra a mulher.

Trabalho e economia

-O futuro do trabalho, incluindo a questão do trabalho remoto.

-A relevância das condições de trabalho contemporâneas (como a escala 6×1).

-A fuga de cérebros e o empreendedorismo digital.

-A questão da fome no Brasil e como combatê-la.

Educação

-Desafios da educação básica, como o analfabetismo funcional.

-Acesso e desigualdade na educação.

-A importância de promover a educação política nas escolas.

-A relevância do esporte como meio de inclusão social na educação.

Vale destacar que, dependendo tema, mobilizamos alguns argumentos. Estes são esperados pelo corretor. Como em violência contra a mulher, mencionar a lei Maria da Penha; idoso, estatuto do idoso, criança e jovens, ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)…  E as literaturas podem e devem ser abordadas. Todos os temas são tratados de forma literária: poesia, crônica, conto, romance…

Navegue nas diversas áreas do conhecimento! Demostre dominar o tema. Sempre nomeie seu texto por mais que seja opcional! No último caso, tema será título. Letra legível! Evite rasura! Se puder elabore o recurso expressivo da INTERTEXTUALIDADE.

Do mais, mantenha a calma. Respire findo que a hora é esta! Não perca tempo!!! Otimize-o!!! JAMAIS desista de seus sonhos!!!  PERSISTA!!!

Renata Barcellos

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O voyeur

José Antonio Torres: ‘O voyeur’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
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Embora muitos casos tenham acontecido naquela casa de cômodos, a que já me referi em crônicas anteriores, finalizo essa sequência com este caso. Ressaltando que todos os casos são verídicos.

Naquela casa de cômodos moravam cerca de vinte inquilinos. Alguns quartos possuíam duas camas, outros três e havia um bem espaçoso, que possuía quatro camas. Era um tempo em que a violência não era como a de hoje em dia. Não havia roubo de pertences de um morador por outro.

A casa era antiga e na parte externa ao corpo principal da casa, na parte dos fundos do quintal, havia um banheiro com uma parede que dividia as partes do vaso sanitário e a do chuveiro. Havia portas individuais com fecho por dentro e por fora de cada ambiente. Eles eram independentes. Além disso, havia um grande tanque feito de pedra, ao lado dos banheiros. Nunca houve qualquer problema ou confusão. O fato de os inquilinos serem apenas homens certamente contribuía para isso.

Ocorre que certa vez deu um problema no chuveiro interno da casa, que era utilizado apenas pela dona da casa de cômodos e seu filho, que estava ainda iniciando a adolescência. Devido ao problema no chuveiro interno, a senhora foi tomar banho no chuveiro comunitário citado anteriormente. Aproveitou o meio da tarde pois a maioria dos inquilinos estaria trabalhando.

Após terminar o seu banho, um inquilino que estava em casa pediu para falar com ela. Contou-lhe que se dirigia ao banheiro, quando percebeu um outro inquilino agachado, tentando olhar por baixo da porta do banheiro onde ela estava tomando banho. O outro assustou-se e saiu, dirigindo-se ao seu quarto. O inquilino que presenciou aquela cena disse-lhe que ficou ali no tanque fazendo a barba e esperando para ver quem sairia do banho e comentar o que havia presenciado. Quando viu que era a senhora que havia tomado banho, se revoltou ainda mais com a atitude do tarado. O que chama a atenção é que o voyeur não tinha como saber quem estava tomando banho. Ela perguntou qual foi o inquilino que fez aquilo, e ele falou. Ela esperou um outro inquilino, que era o mais antigo do lugar, chegar do trabalho. Contou-lhe o ocorrido e pediu ajuda para dar uma lição no voyeur.

Ela possuía um tipo de cassetete que era constituído de um cabo telefônico grosso e emborrachado, com uma das extremidades dobradas para que se encaixasse no pulso. Ela estava espumando de raiva pelo acontecido e, com o outro morador, dirigiu-se ao quarto do voyeur e bateu à porta. Quando ele abriu, ela e o outro inquilino entraram. O outro imobilizou o voyeur, e a senhora, com os olhos faiscando de raiva, ia dando-lhe vigorosas lambadas e perguntando se ele gostava de ver mulher tomando banho. Mesmo não dando para ver nada, a intenção dele o incriminava. Ela bateu com vontade.

Após cansar de ‘descer-lhe a ripa’, determinou que ele fosse embora da casa.

Quando, ao final da tarde, o filho dela chegou do colégio, ficaram sentados no degrau da porta da sala que dava para o quintal, como sempre faziam, tomando o fresquinho do final de tarde. Nisso, passa o voyeur vindo do chuveiro com uma toalha aberta sobre as costas. Quando ele passou, o menino viu, mesmo com a toalha, lanhos vermelhos que se estendiam para onde a toalha não cobria. Ele mancava também.

Espantado, o menino perguntou à mãe se ela tinha visto. Ela então contou-lhe o que havia acontecido e que havia sido ela quem dera aquelas lambadas nele. Disse, também, que ordenou que ele fosse imediatamente embora da casa.

José Antonio Torres

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Renovação

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora:

‘Renovação. O poder dos recomeços para a saúde integral’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IAdo Bing em 04 de novembro de 2025, às 9:30 PM
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Há momentos em que o corpo pede pausa, a mente clama por silêncio e o coração sussurra que é hora de recomeçar. Não se trata de fraqueza, desistência ou fuga — mas de um convite à renovação. Assim como as estações da natureza se alternam para que a vida floresça, nós também precisamos aprender a respeitar nossos ciclos de transformação.

A saúde integral nasce desse equilíbrio: compreender que o bem-estar não é um estado fixo, e sim um movimento constante entre descanso e ação, inspiração e expiração, introspecção e expressão. Recomeçar é permitir que o corpo e a alma respirem novos ares.

Cientificamente, sabe-se que o cérebro humano é adaptável — capaz de criar novas conexões neuronais sempre que nos abrimos ao novo. Mudar hábitos, experimentar novas rotinas, rever prioridades ou simplesmente olhar o mundo com outro ângulo estimula a produção de neurotransmissores ligados à felicidade e à vitalidade, como a dopamina e a serotonina.

No campo emocional, recomeçar é libertar-se de padrões que nos aprisionam. É reconhecer que a dor também ensina, que as pausas são férteis, e que o autoconhecimento é a ponte para um viver mais leve e consciente.

Cada escolha saudável — caminhar ao ar livre, alimentar-se com atenção, dormir com qualidade, respirar profundamente — é uma forma de reiniciar o sistema interno e restabelecer a harmonia entre corpo, mente e espírito.

Na rotina moderna, aprendemos a valorizar conquistas, mas esquecemos o valor da reconstrução. Recomeçar é tão nobre quanto chegar. É a arte de transformar o que foi em aprendizado e o que virá em oportunidade.

Quando entendemos isso, o medo dá lugar à fé, a ansiedade cede espaço à presença, e o corpo se torna o espelho de uma alma em paz.

Renovar-se é mais do que mudar — é alinhar-se com o fluxo da vida. E nesse fluxo, encontramos a verdadeira essência da saúde integral: o equilíbrio dinâmico entre o que fomos, o que somos e o que escolhemos ser a partir de agora.

Joelson Mora

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Vaticínio

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Vaticínio’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
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Enquanto o belo

For estandarte;

O ideal

Profissão,

O canto do poeta

Será semente

Fecundando

A escuridão!

Sergio Diniz da Costa

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