Pietro Costa: ‘Atenção, verbonautas e barcófilos!!!
Pietro CostaCard sobre o Dia Mundial do Livro
Hoje, 23 DE ABRIL — DIA MUNDIAL DO LIVRO, data na qual redijo este texto para minha coluna no apreciado Jornal ROL, quero enaltecer não apenas o livro enquanto objeto, mas como experiência viva, ou seja, enquanto porto, bússola e travessia.
Em cada página aberta, uma possibilidade de sentir mais, pensar melhor, existir com mais densidade.
E é nesse horizonte que nasce O Barco e o Verbo: 10 Anos de Travessia Literária: uma obra que não se limita à leitura, mas convida ao mergulho.
⛵ São 10 anos navegando entre palavras e sentidos.
⛵ 10 anos transformando linguagem em presença.
⛵ 10 anos provando que o verbo, quando vivido, move destinos.
O poema “Livro Aberto”, que integra essa travessia, nos lembra: um livro não é apenas papel. Muito mais palpável que isso! É também pulsação, vento, sinapse, ruptura!!!
E talvez o maior risco… seja deixá-lo fechado.
📖 Hoje, abra um livro. Mas, sobretudo, permita que ele abra você.
💬 E me diga: qual livro já mudou o rumo da sua história?
🔁 Compartilhe com quem também navega pelas palavras.
Entre risos e verdades, Koringa transforma o cotidiano em arte e reflexão
Diário de um bobo
Radialista, artista e eterno bobo da corte, Hilton Rufino reúne em livro um olhar bem-humorado e sensível sobre o dia a dia.
Há quem transforme histórias da vida em espetáculo.
Hilton Luiz Rufino, conhecido pelo público como Koringa, o Bobo da Corte, é desses artistas que fazem do riso uma ponte… e do humor, uma forma de dizer verdades.
Hilton Ruffino, o Koringa
Com uma trajetória que atravessa décadas, Hilton Rufino construiu sua carreira levando alegria por onde passa.
Radialista formado em Comunicação Social, palhaço, mágico e animador de palco, ele atua desde 1989 encantando públicos de todas as idades com apresentações que misturam música, brincadeira, interação e, claro, muito humor.
Radicado em Indaiatuba desde 1997, Koringa se tornou uma figura conhecida e querida na cidade e região, participando de eventos, projetos culturais e ações sociais que marcaram gerações.
De festas infantis a eventos corporativos, de programas de rádio e televisão a festivais internacionais, como sua participação em Cuba, em 2023, sua arte sempre esteve presente, levando leveza e conexão.
Mas, para além dos palcos, existe também o olhar observador.
A ideia do livro nasce justamente desse outro espaço: das palavras.
A partir de colunas semanais escritas para jornais da região, Hilton reuniu textos que, juntos, formam uma obra que reflete o cotidiano com humor e sensibilidade.
Inspirado na figura medieval do bobo da corte, aquele que, por meio da leveza, conseguia dizer verdades desafiadoras, o autor constrói uma narrativa que diverte, mas também faz pensar.
É um humor que não é vazio.
É um humor que observa, traduz e, muitas vezes, revela.
Com linguagem acessível e um olhar atento aos detalhes do dia a dia, o livro se torna um convite para enxergar a vida por outra perspectiva mais leve, mais humana e, quem sabe, até mais verdadeira.
Entre risadas e reflexões, Koringa nos lembra de algo essencial: Às vezes, é no riso que encontramos as verdades mais profundas.
E talvez seja justamente essa a maior arte, transformar o cotidiano em algo que toca, diverte… e permanece.
Mais do que um registro de época, a obra é um mosaico de instantes vividos entre 2019 e 2021, onde humor e crítica caminham juntos, revelando que, às vezes, rir é a forma mais lúcida de compreender a realidade.
Um livro leve, humano e provocador, que mostra que o bom humor pode ser também uma forma de sabedoria.
Entre incomodos e reflexões, um mergulho nas contradições humanas
Mediocridade e outros contos reflexivos
Em sua coletânea de contos, Victor de Almeida Daud, ou somente Vc Daud, propõe uma leitura intensa, marcada por um olhar profundo sobre o comportamento e as relações humanas.
Nem toda leitura chega para confortar.
Algumas vêm para provocar, questionar… e até causar um certo desconcerto.
Mediocridade, de Vc Daud, pela Editora Coerência, habita exatamente esse lugar.
Nascido em São Paulo, o autor construiu uma trajetória diversa, passando pela comunicação, pela engenharia civil e pela área financeira, até se dedicar à escrita, às artes e ao ensino.
E talvez seja justamente essa vivência múltipla que dê à sua escrita esse olhar atento, quase inquieto, sobre as pessoas e suas relações.
Vc Daud
Nascido em São Paulo, o autor construiu uma trajetória diversa, passando pela comunicação, pela engenharia civil e pela área financeira, até se dedicar à escrita, às artes e ao ensino.
E talvez seja justamente essa vivência múltipla que dê à sua escrita esse olhar atento, quase inquieto, sobre as pessoas e suas relações.
A construção da obra também chama atenção.
O primeiro conto, mais longo, nasce de experiências do autor em viagens.
Os textos seguintes vêm de uma tentativa de romance que acabou se transformando em histórias independentes.
Já o último conto surge como um experimento, com uma estrutura mais fragmentada e reflexões curtas.
Essa mistura dá ao livro um ritmo próprio, quase como se cada parte revelasse uma faceta diferente do mesmo olhar.
Mais do que contar histórias, Vc Daud parece interessado em olhar para dentro de seus personagens, entender suas motivações, seus medos, suas fragilidades.
Em muitos momentos, o que importa não é o que acontece, mas o que se sente.
E é justamente aí que a leitura pode causar estranhamento.
Porque Mediocridade não suaviza.
Não busca agradar.
E não tem receio de expor aquilo que, muitas vezes, preferimos não encarar.
Mas talvez seja exatamente essa a sua proposta.
Ao fugir do óbvio e abraçar o desconforto, o livro convida o leitor à reflexão, mesmo que isso venha acompanhado de incômodo.
Mediocridade é o tipo de obra que não passa despercebida.
Que provoca reações diferentes em cada leitor.
E que, de alguma forma, permanece.
Uma leitura para quem se permite ir além do conforto, e se abrir para aquilo que provoca, questiona e faz pensar.
Sete histórias, o mesmo narrador: um homem que insiste em enxergar o mundo pelas frestas, misturando desejo e frustração até que cada episódio banal se transforme numa autópsia emocional.
É aí que um supermercado vira palco de pequenos desastres íntimos, uma balconista desperta um entusiasmo tão improvável quanto breve, um cruzeiro revela tudo aquilo que ele fingiu não notar sobre si mesmo e sobre quem escolheu amar…
Com ironia ferina, autoconsciência incômoda e zero paciência para os jogos afetivos da vida adulta, esse narrador-personagem revisita momentos que não deveria ter vivido, mas viveu, assim como sentimentos que tentou ignorar, mas o perseguem.
Ao expor suas contradições com brutal honestidade, ele acaba revelando algo inquietante: talvez seja impossível rir das próprias misérias sem, no fundo, reconhecer o quanto elas nos moldam.
“No somos políticos, somos poetas”. Con esta declaración de intenciones arranca la charla que tuve el placer de realizar a Gabriel Moreno y Rafael Peñas Cruz. Una charla sobre la memoria, identidad y esa “igualdad en la diferencia” que solo la poesía sabe explicar.
Gabriel — músico, poeta y filósofo gibraltareño, con una formación que abarca desde Hull hasta Chile — regresa a sus raíces con su nuevo poemario titulado “Gibraltar”. Y lo hace tras un hito excepcional: haber puesto música y voz a “Never Loved Before”, una letra inédita del poeta y cantautor canadiense Leonard Cohen, escrita en los años 90. Este contenido, recuperado del patrimonio de la cantautora americana y pianista Anjani Thomas por el artista Robert Montgomery fue otorgado a Gabriel mediante una serie de vínculos artísticos y una comisión específica para su musicalización, además de su habilidad para capturar la esencia del bardo canadiense.
Este poemario escrito en tres lenguas, inglés, español y llanito, editado por Peñas Cruz bajo el sello Goat Star Books, quien a la vez es el autor del prólogo; marca un punto de inflexión: eleva el llanito a la dignidad del soneto shakespeariano y rompe los clichés del conflicto para hablar de lo que realmente importa: la memoria de una infancia en Varyl Begg, la familia, su entorno y el orgullo de clase.
En la actualidad, ambos están llevando a cabo una gira exitosa por España e Inglaterra, liberando a la Roca de prejuicios con el fin de restituirle su verdad literaria.
TM: Gabriel, ¿cuándo pasa Gibraltar de ser paisaje a ser literatura?
GM: Hubo momentos donde yo renegaba un poco de Gibraltar. Lo veía como un sitio que limitaba mis aspiraciones de conocer más mundo, a más personas.
Pero llega un punto donde te das cuenta de que es algo único, tan singular, tan extraño, que podría ser un referente como un paradigma esta unión de culturas, de lenguajes.
TM: Este libro abraza tres lenguas. ¿Buscabas un territorio donde tus versos conviviesen en libertad sin sentirse extranjeros?
GM: Exactamente, es un refugio para que todas las partes de la identidad llanita se puedan compenetrar y crear algo nuevo e interesante; un espacio para que esta fusión de culturas y lenguas pueda integrarse y existir sin tener que pedir permiso.
Este libro no es solo un proyecto para Gibraltar, sino para cualquier persona de cualquier parte del mundo.
Cuando volví a Londres después de vivir en Barcelona, escribí mucho en castellano, y me di cuenta de que me expresaba más auténticamente si fusionaba la métrica española con el lenguaje inglés y el acento español con la lengua inglesa. En esa mezcla empecé a concebir el Gibraltar literario de este libro.
TM: Al elevar el llanito a poesía, ¿es este libro un acto de rescate para que las futuras generaciones en Gibraltar no pierdan su voz?
GM: En principio, no lo hice por una razón externa, sino por algo casi egoísta: rescatar mis raíces y mi historia. Sin embargo, sí, este libro busca también que los jóvenes vean el llanito como una lengua válida para el arte. Es un acto de amor y de rescate; si no se escribe, la gente piensa que es una lengua inferior que solo sirve para la calle. Al ponerlo en un libro junto a influencias de Lorca, Keats o Cohen, le das la dignidad necesaria para que no muera.
TM: Rafael, ¿qué imagen de este “Gibraltar literario” te resultó más compleja de traducir sin romper su magia original?
RP: Al leer el manuscrito, lo vi de inmediato en castellano. Por mi trayectoria en el Reino Unido, y ser nativo de España, no hubo barreras lingüísticas, salvo términos específicos en llanito que consulté con Gabriel. El mayor reto fue el léxico, como “The Reclamation”, que traduje como “terreno ganado al mar”. Esta imagen me resultó muy familiar: de niño en Barcelona viví algo similar con el soterramiento del tren. Me identifiqué con su vivencia y encontré esos puntos de contacto. Al final, lo difícil fue ajustar el léxico para no romper la música del poema.
TM: ¿Cómo trabajaste la métrica para que el lector español sintiera la misma vibración que en inglés?
RP: Decidí eliminar la métrica y la rima para concentrarme en la música y el ritmo; la poesía moderna trata más sobre la música interna. En los sonetos de Gabriel, la rima funciona porque son poemas subversivos: usar el llanito en una estructura shakespeariana evita que suene pesado.
A veces la rima queda un poco encorsetada y va en contra de cómo fluye la poesía hoy. Hacer una décima al estilo del Siglo de Oro es un buen ejercicio, pero no resulta natural; se percibe algo artificial y eso se nota en la manera en que la gente recibe el poema. Mi prioridad fue que el lector sintiera esa vibración interna.
TM:¿Cómo ha sido el diálogo y la complicidad entre ambos durante este proceso?
RP: La complicidad venía de fabrica no hubo que descubrirla. La experiencia de Gabriel con el Reclamation —ese niño jugando en mundos nuevos ganados al mar—la viví de forma muy similar.
Somos hermanos espirituales, literarios y alcohólicos. Esa unión hace que la traducción fluya y que, al leer juntos, la gente note cómo nos compenetramos. Todas las traducciones son especiales, pero esta lo es más por tener a este hermano; más que humano. Vemos la vida desde un lugar similar y traducir solo ha reforzado algo que ya existía.
TM: Gabriel, recibir un texto inédito de Cohen es un hito. ¿Cómo fue ese primer instante a solas con sus palabras?
GM: Fue un momento impresionante. Cuando recibí la letra estaba acojonado; era el texto de un genio y sentía la responsabilidad de no estropearlo. Y ese primer momento fue de miedo; después asombro. Pero ocurrió algo asombroso: los acordes salieron solos, con una naturalidad casi mística.
Para mí fue un acto de amor múltiple. Fue un regalo del pintor Robert Montgomery a su esposa, pero también los sentí como un regalo del cosmos y de mi padre. Él y yo no teníamos una buena relación; si embargo, Leonard Cohen era lo único que nos unía; lo sentí como un mensaje suyo desde la muerte.
Recibir este encargo me obligó a confiar en mi propia música y a caminar con la cabeza alta, porque a veces uno se vuelve un poco inseguro pensando en las grandes estrellas de la música y piensa: ¿qué pinto en toda esta película?
TM:¿Cómo lograste hacer tuya una letra tan icónica, respetando el alma de quien la escribió?
GM: Siento que esta letra vino a reforzar una idea que yo ya tenía: a veces no hemos sabido amar. En el texto, Cohen menciona sus obsesiones con la música, el rock and roll o los lugares donde vivió, pero confiesa que nunca supo amar. Al leerlo, me pregunté si nos pasa lo mismo a nosotros; si nos obsesionamos tanto con la fama o con el éxito del libro que se nos sube a la cabeza.
Sentí que necesitaba esta letra en mi vida, y si me servía a mí, le serviría a otros. Mi intención fue hacerla mía desde esa vulnerabilidad. Al final mi sueño era “quitarme de en medio” para que la esencia de Leonard siguiera adelante. Ver que la gente la recibe con tanta emoción y lágrimas me confirma que esa conexión está funcionando.
Esta canción tendrá su lanzamiento posiblemente en junio.
TM: La gira es todo un éxito, ¿qué supone mostrar ese Gibraltar íntimo que va más allá de la política?
GM: Hemos creado nuestro sueño: distanciarnos de la política, de las divisiones, y de las fronteras para usar este libro como un puente entre pueblos. En esta gira hemos encontrado un respeto y una apertura inmensa hacia la diferencia gibraltareña, incluso en sitios donde pensaba que no habría interés.
RP: Ese “ tic” del “Gibraltar español” no representa la realidad de la calle. En Andalucía hemos sentido un orgullo compartido; ven a Gibraltar como un lugar donde se habla como en Cádiz, pero con identidad propia. No hallamos animadversión, solo curiosidad. Al ir con respeto, la gente responde igual. Hemos logrado situar la relación en la normalidad, quitando esa “espina clavada”. Gibraltar hoy es parte de una visión compresiva que respeta la diferencia; un entendimiento vital ahora que se ha firmado un acuerdo entre Gibraltar y España.
TM: ¿Y cómo ha recibido el pueblo llanito esta obra literaria?
GM: No me hago ilusiones con la poesía; es algo marginal y la gente la mira todavía con cautela. Pero nos han recibido magníficamente. Vendimos muchos libros e incluso convencimos del poder de los versos a personas que no suelen leer poesía. Recibimos una beca del Gibraltar Cultural Services, y el apoyo de Davina Bárbara fue clave. Mi intención es llevar la poesía a quien normalmente no la lee; mostrar que es una necesidad de expresión, como la música, para resistir la atrocidad del mundo actual.
RP: Como editor, estoy convencido de que este libro marca un hito en Gibraltar. Ha logrado que la poesía se respete como la música, porque el llanito siente que esta obra habla de su realidad, del contrabando o de la frontera y no de abstracciones. Al vernos en el escenario, la gente se reconoce; entienden que la poesía es un puente hacia lo cotidiano. Ver a Gabriel, que viene de las viviendas municipales de Varyl Begg, elevar el llanito a estructura literaria, ha despertado un orgullo muy profundo.
TM: ¿Qué poema os ha regalado la reacción más profunda e inesperada del público?
GM: Sin duda, “Carta a Wilfred”. Es un poema que escribí a mi hijo comparando su inocencia con el horror de la guerra, basado en la obra de Wilfred Owen. Pensé que sería demasiado largo para los recitales, y es el que más resonancia ha tenido. He visto cómo la gente se emocionaba al escuchar ese sentimiento de culpa de un padre que siente que no puede proteger a su hijo de lo que sucede en el mundo. Esa unión con el poema de Lord Byron, que es un canto a la libertad, crea un momento muy potente.
RP: A mí me ha sorprendido Pablo. Nos daba miedo leerlo entero por ser largo y filosófico, pero el impacto ha sido impresionante. Habla de la pulsión y la esencia del poeta. Es curioso: solemos creer que quien no lee poesía solo conecta con lo ligero, pero esta pieza, la más “extraña” y profunda, es la que más le llega. Equilibramos el show entre sonetos cotidianos y estas piezas de calado, pero la respuesta demuestra que la gente tiene hambre de contenido real.
TM:¿Cuál es el mayor puente emocional que habéis logrado tender entre culturas?
RP: El mayor puente ha sido la normalización. Hemos logrado que en España se hable de Gibraltar sin la acritud o el resquemor de antaño. Que en las presentaciones nadie haya sacado el discurso del conflicto es un éxito enorme; sustituimos la disputa por el entendimiento. Ese es el puente: lograr que se acepte la diferencia gibraltareña con naturalidad y respeto.
GM: Este puente demuestra que la gente desea conectar a través de la cultura. Si vas con respeto y positividad, el público responde igual. Hemos logrado que el libro no se vea como una provocación, sino como un acto de amor que une a pueblos divididos por la política, pero no por la realidad.
TM: ¿Qué verdad sobre la identidad habéis descubierto en este libro que no cabe en un pasaporte ni en un discurso político?
GM: Al final, “We are not such a different kind”. Como dice mi soneto, a nivel humano no somos especies distintas. La política se empeña en ponernos etiquetas, pero hemos descubierto la identidad de la igualdad en la diferencia. El respeto nace de entender que, por encima de los pasaportes, nuestras raíces y sentimientos son los mismos. Esa es la cicatriz que la poesía sí ayuda a cerrar.
RP: La frontera mental es mucho más fuerte que la real, y la hemos roto. Nuestra unión como llanito y español, prueba que esa barrera humana puede diluirse. La verdad que no cabe en un pasaporte es la conexión espiritual que nos permite vernos como iguales. Hemos logrado que mucha gente rompa esas fronteras mentales para mirar a Gibraltar de otra manera.
TM: Y para finalizar, ¿Qué otros proyectos hay para un futuro próximo?
GM: Seguimos en campaña; este proyecto acaba de empezar y sentimos que la gente lo necesita. Queremos crear encuentros de “Poesía sin fronteras” con Juanjo Téllez y Alejandro Luque, uniendo poetas de Gibraltar, La Línea y Algeciras. La cultura es el territorio donde mejor nos entendemos. Queremos que se conozca Gibraltar por su propia voz y su dignidad literaria, rompiendo de una vez con los clichés de siempre.
RP: El plan inmediato es seguir dando vida al libro; queda mucho por hacer en España e Inglaterra. Como editor, mi gran reto es que el Reino Unido nos oiga. Allí ignoran la realidad cultural de Gibraltar: les hablan de nacionalismo, pero desconocen cómo se sienten los llanitos. Me encantaría que los grandes periódicos nos dieran voz para poder poner la identidad llanita en el mapa.
Porque donde termina una frontera, comienza la poesía. Y ahí, por fin somos libres. Muchísimas gracias, Gabriel y Rafael, por concederme esta entrevista.
Eduardo Martínez – Foto por Irene Oliveiraimagem gerada por IA do Gemini
Hoje acordei como sempre. O costumeiro mau-humor, certamente herança de um antepassado calabrês, continua firme nos meus olhos profundos e na minha boca retorcida. Lavei o rosto na água gelada, que levou o último resquício de esperança de retornar para cama e esperar pela Senhora da Foice.
Minha esposa, que casou por imposição dos pais, miseráveis que eram, não suportaria tamanho martírio de se deitar ao meu lado, nem sequer uma vez mais. Por sorte, foi acometida por um câncer, que a tomou por completo. Recebi a notícia por uma enfermeira, que se deu ao trabalho de me ligar àquela hora da madrugada.
Foi sepultada num dia de sol, como se libertada da minha insuportável companhia. Lembro-me exatamente da feição de alento em seu rosto no dia de sua partida, dentro daquele caixão, que me custou os olhos da cara. Pálida, é verdade, mas serena. Quanto às maçãs, nada que um pouco de maquiagem não a fizesse mais corada na hora da despedida.
Eis que aqui estou, ainda cumprindo a minha sina, sem coragem de cortar os pulsos ou me atirar da janela. Segundo andar. Na certa, daria com a fuça naquele jardim repleto de rosas. Se pararia de respirar ou não, é mais uma dúvida que me corrói.
Ouço o barulho de crianças gritando lá embaixo naquele maldito parquinho. Aquele lugar deveria ser demolido. Que construam algo mais útil ali. Que seja uma repartição pública, mas que acabem logo com esse martírio. Não suporto gente miúda se esgoelando, como se vivesse uma felicidade que não existe.
Sinto o aroma do lixo apodrecido vindo da cozinha. Isso mesmo! Não o jogo fora há quase duas semanas. Por que faço isso? Hum! Bem, vou matar a sua curiosidade, antes que você me mate de tédio. Deixo que os vermes, a maioria depositada por moscas, se deliciem com os restos de comida deixada de lado de propósito. Vermes precisam de alguém que lhe dê algo para comer.
Portanto, não me julgue por isso! Se a minha vizinha possui gatos, que mal tem se eu crio vermes? Certamente, você também tem lá as suas manias. Ou vai querer me enganar que a sua vida é recheada de pôneis coloridos?
Não pense você que sou um imundo. Pois não sou! Tomo banhos regulares, mas nada de exageros. Isso, por sinal, me faz lembrar de um momento da minha infância. Quer sabê-lo? Vou lhe contar, mas guarde segredo ou, então, seja mais um a falar mal de mim. Não me importo, assim como nunca liguei para todos os outros que me conheceram nesses meus quase 100 anos. Completo-os depois de amanhã.
Antes de entrar nos pormenores, devo lembrá-lo de que sou de uma enorme família, cheia de irmãos. Sou o segundo, logo abaixo de Judith, de uma prole de quase 15. Quase porque três não tiveram o desgosto de enxergar as trevas deste mundo. Que sejam 12, tanto faz. Uma longa escada de ano em ano, às vezes falhando um ou outro, dependendo do tempo das viagens do meu falecido pai ou, então, por conta de algum natimorto.
Tudo começou quando contava com três ou quatro anos. Não estou certo, talvez tivesse sido pouco antes, pouco depois. Detalhes sem qualquer relevância. Minha mãe, com uma barriga gigantesca, carregava um dos meus irmãos. As pernas inchadas, os pés parecendo patas de elefantes, mamãe se arrastava pelo quintal pendurando trapos, a maior parte encardida, no longo varal. Judith e eu aos seus pés, como dois carrapatos tentando sugar o máximo de sangue daquela força bruta de total ignorância.
— Judith, minha filha, quer ver o seu irmãozinho aqui na barriga da mamãe?
Minha mãe levantava um pouco a blusa e falava para Judith encostar um dos olhos no seu umbigo. Minha irmã obedecia e abria aquele sorriso, como se descobrisse algo que jamais vislumbrei. Em seguida, mamãe me puxava pelo braço e me mandava fazer o mesmo. E, por mais que eu abrisse e fechasse meus olhos, nunca consegui enxergar além da sujeira depositada no umbigo da minha mãe.
Esse costume foi passado para os filhos subsequentes, que foram jogados neste mundo. Meus irmãos, talvez cúmplices de mamãe, sempre responderam com aquele sorriso de felicidade em seus rostos. Fui tomado por sentimentos, ora de incapacidade, ora de inveja, ora de profundo ódio, até que, pouco antes dos 18, deixei-me cair no mundo. Nunca mais os vi.
Dos 18 aos quase 100, eis que estou aqui. Não me arrependo de nada que fiz ou deixei de fazer. No entanto, também não sinto orgulho da minha jornada de vida. Bem sei que, não tarda, serei eu o devorado pelos vermes que cultivo.
‘A Ditadura portuguesa do séc. XX, obcecada pelo domínio colonial’
Diamantino BártoloImagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69e92886-0944-83e9-b73a-1db18add08b9
Quem passou pela experiência de viver num período difícil da História de Portugal, como foi o da ditadura do século XX, que se prolongou por quase cinquenta anos, certamente que tem uma perspetiva muito singular do regime político que então vigorou, e que, decorridos CINQUENTA E DOIS ANOS, após o vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro, estará em condições de fazer uma reflexão pessoal, e realista, sobre este acontecimento extraordinário.
A ditadura política, que vigorou durante quase meio século em Portugal, constitui um período negro da nossa História, do qual não nos devemos afastar e, muito menos, branquear, porque conforme nos podemos orgulhar de um outro passado de glória, através da epopeia dos Descobrimentos, da Evangelização, da Cultura e dos valores do humanismo, levados aos quatro cantos do mundo, ainda que tal passado “glorioso”, também tenha os seus pingos de manchas censuráveis, como a prática da escravatura, a inquisição e outros flagelos, o saldo, apesar de tudo, será positivo, porque também é verdade que muito foi investido nos povos autóctones, que ao longo dos séculos fomos contactando, bem como nos seus territórios.
A História, não sendo uma ciência exata, ela tem um objeto de estudo, que são os factos do passado, como, igualmente, utiliza uma metodologia específica, com recurso à investigação, análise documental, testemunhos e todo um conjunto de bens materiais e imateriais, que fundamenta as suas conclusões. Ela, a História, é, também, uma ciência dinâmica, sempre em busca da verdade.
A narrativa do período ditatorial, em Portugal, ainda não está encerrada, e dificilmente, algum dia se chegará a um epílogo definitivo, porque cada instituição, cada governante, cada individualidade, cada investigador, terá a sua versão dos factos, o conhecimento direto, ou não, a circunstância em que os viveu, mas haverá alguma unanimidade quanto às atrocidades que se terão cometido, com o recurso a meios de investigação, repressão e punição, contra aqueles que ousavam manifestar-se contrários ao regime, imposto pelos ditadores.
Qualquer que seja o Poder: político, militar, religioso, empresarial, desportivo, cultural ou outro, ele, o Poder, nunca será bem-recebido e acatado, quando exercido com violência, despotismo, no desrespeito pelos mais elementares direitos e valores humanos, atentando contra a dignidade, a liberdade, a compreensão, a tolerância e a benevolência, em relação aos governados.
O período ditatorial, em Portugal, conduziu o país a guerras fratricidas com os povos africanos, porque no Brasil o processo de emancipação, foi bem diferente e, a independência desta ex-colónia, foi relativamente pacífica. Os governantes Portugueses, desse período negro da História de Portugal, obcecados pelo domínio colonial, não quiseram aprender com os bons exemplos dados por outros países colonizadores que, rapidamente, compreenderam a justeza das reivindicações dos povos colonizados, materializadas no seu direito à autonomia.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portuga