Aos 40 e poucos comecei

Lélia Alves Corrêa: quando recomeçar é o melhor passo da corrida da vida

Lelia Alves
Lélia Alves

A mineira Lélia Alves Corrêa, de Contagem (MG), é daquelas pessoas que transformam qualquer conversa em um sopro de leveza e motivação.

Formada em Gestão, mãe, empreendedora e escritora, ela é também apaixonada por movimento — no corpo, na mente e na vida.

Aos 40 e poucos anos, descobriu no triatlo e na corrida não apenas um esporte, mas uma nova forma de viver.

Tudo começou com um susto.

Um dia, ao ser questionada pelo pai se estava grávida novamente, Lélia percebeu que havia se afastado de si mesma, deixando de cuidar do corpo e da saúde.

O espanto virou reflexão — e a reflexão virou impulso. Foi então que decidiu mudar a rota, calçar os tênis e reencontrar o prazer de se movimentar.

Dessa virada nasceu seu primeiro livro, “Aos 40 e poucos comecei”, uma obra que mistura memórias, aprendizados e coragem em uma narrativa sincera e envolvente.

Mais do que uma autobiografia, o livro é um convite à ação, mostrando que nunca é tarde para começar algo novo, e que cada mulher traz dentro de si uma força capaz de transformar qualquer rotina em recomeço.

Entre corridas, treinos e reflexões, Lélia compartilha histórias reais de superação, fé e propósito.

Inspirada por mulheres comuns mães, trabalhadoras e sonhadoras , ela escreve com a leveza de quem aprendeu que cuidar do corpo é também cuidar da alma.

Sua escrita é próxima, humana e acolhedora, como uma conversa entre amigas que celebram juntas a coragem de recomeçar.

Além da estreia literária, a autora já desenvolve novos projetos que seguem a mesma trilha de inspiração: o romance “Do Avesso ao Espelho”, com toques de autoajuda, e “Mães Offline, Filhos Online”, que fala sobre os desafios da parentalidade na era digital.

Com sua trajetória vibrante, Lélia Alves Corrêa mostra que a vida pode, e deve, ser reinventada quantas vezes forem necessárias.

Porque recomeçar, afinal, é também uma forma de vencer.

REDE SOCIAL DA AUTORA

AOS 40 E POUCOS COMECEI

SINOPSE

Aos 40 e poucos, quando muitos acreditam que é hora de desacelerar, eu decidi apertar o botão de “começar”.

Comecei a correr, a pedalar, a nadar.

Entrei no balé.

Caí, suei, chorei e ri de mim mesma.

Enfrentei medos, encarei cirurgias, ganhei uns quilos, perdi outros.

Mais do que tudo, reencontrei a mim.

Este não é um livro sobre performance.

É sobre coragem.

Sobre recomeçar com medo mesmo.

Sobre escolher a vida em movimento, mesmo quando tudo parece pedir pausa.

É um convite pra você que sente que tem um chamado aí dentro mesmo sem saber por onde começar.

Porque, sim: nunca é tarde.

Às vezes, é justamente a hora certa.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRAS DA AUTORA

Aos 40 e poucos comecei.
Aos 40 e poucos comecei

Do avesso do espelho
Do avesso do espelho

Mães off-line, filhos on-line
Mães off-line, filhos on-line

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Onde moram os inícios

Ella Dominici: Poema ‘Onde moram os inícios’

Ella Dominici
Ella Dominici
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I
O princípio escapa à compreensão.
antes de nós, já se movia; depois de nós, seguirá.
não há fronteiras de tempo. Há apenas o instante,
que nos atravessa como flecha.
nós o pressentimos, como quem escuta de longe o mar
sem jamais tocá-lo, tentando capturar a dimensão que nos escapa.

II
Existimos tentando prender a centelha desse sopro.
o instante se faz passado antes que o nomeemos.
Tudo o que guardamos é fragmento
insuficiente
mas na insuficiência há aprendizado.
na incompletude mora a sabedoria
que nos afina para o mistério do existir.

III
Do alfa ao ômega divino caminhamos,
Sim, o caminho é sensor do amar
não há começo nem fim
somos discípulos da travessia,
aprendendo a nascer a cada aurora
e a morrer em cada ocaso.

IV
O existir nos convida a essa valsa infinita,
em que ser é repetir sem
cessar o primeiro gesto da vida.
quando perguntamos onde moram os inícios
a resposta não se veste de palavra.
a resposta é silêncio. Pois:

“Todas as coisas principiam em silêncio,
e o silêncio é a casa do princípio.”

Ella Dominici

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A mania de sermos todos doutores!

José Ngola Carlos: ‘A mania de sermos todos doutores!

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
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“A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato,”

Em Angola, a realidade acadêmica que vivo, conheço e que, portanto, tenho direito de dizer uma palavra, o título Doutor ganhou uma tal proliferação que, não tarda, a sua utilização se tornará prolixa, enfadonha e/ou fastidiosa. Em meio a ter que chamar a todo mundo de Doutor, uns, nem mesmo medem as palavras e, saem a dizer: ´Dotor´ e ´Doctor´ como se de Português também se tratasse.

Este artigo, como é possível inferir, é uma crítica à esta mania de quem quer a todos agradar, deixando de reconhecer a real condição da pessoa com quem fala, atribuindo-a nomes que lisonjeiam e inflamam o ego de quem nada fez para merecer a honra que se deve ao título.

Na academia existem graduações, e estas graduações ou níveis, encontram-se dispostos de forma hierárquica. A nossa legislação, a angolana, prevê, dentre outros, os seguintes níveis:

  1. Técnico Médio
  2. Licenciado/a
  3. Mestre e
  4. Doutor/a

Como é possível ver, todos eles não são doutores. O título de Doutor é a mais alta consagração atribuída àqueles e àquelas que, com muito esforço, dedicação, comprometimento e amor ao saber, terminam com êxito o programa de doutoramento por uma universidade. Ser doutor não é um título gratuito, requer competências e responsabilidades.

Este artigo, além de ser uma crítica à iniciativa de chamar gratuitamente a todo mundo de Doutor, o que tende a banalizar o próprio título e, consequentemente, desmerecer quem o conseguiu com muitos sacrifícios que envolvem tempo, esforço, dinheiro, desgaste emocional, etc., aproveita-se aqui fazer uma homenagem calorosa a todos que de fato o são, seja por se ter cursado um programa de doutoramento ou mediante a atribuição por causas honoríficas. Está de parabéns, Doutor! Está de parabéns, Doutora!

Já agora, você que é Técnico Médio, saiba que você não é Doutor. O Licenciado e a Licenciada não são doutores. O Mestre não é Doutor e não há desonra nisto. Podemos ser técnicos médios assumidos com honra porque dominamos a especialidade na qual nos formamos. Podemos ser licenciados e mestres com orgulho de sê-lo porque adquirimos as competências durante a formação que nos identificam como tais. Não há vergonha em não sermos doutores. Vergonhoso é chamar a quem não é doutor, doutor, só para inflá-lo o ego. Vergonhoso é aceitar ser chamado doutor sem sê-lo!

A mania de nos chamarmos doutores e doutoras sem o sermos é um luxo barato que, apenas inflama de forma muito barata o ego de quem não o é e, aos poucos, vai banalizando o título e as pessoas que com muita honra o conseguiram e o merecem!

José Ngola Carlos

Malanje, 24 de Outubro de 2025

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2025:10). A Mania de Sermos Todos Doutores! Brasil: Jornal Cultural – ROL.




O silêncio do café e o último cortejo

Clayton Alexandre Zocarato

‘O silêncio do café e o último cortejo’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Gencraft
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Naquela manhã, o cheiro de terra molhada se misturava ao perfume doce das flores do cafezal.

O sol ainda nem havia rompido por inteiro o nevoeiro quando o sino da igrejinha tocou três vezes, pausado, grave, anunciando o que todos já sabiam desde a madrugada: o nonno se fora.

Na casa grande, de paredes caiadas e janelas azuis, o silêncio se estendia como uma colcha pesada. 

As mulheres da família — todas de luto antecipado — sussurravam em dialeto italiano, entre orações e prantos contidos. 

A morte, naquele tempo, não era espetáculo; era trabalho. 

E como todo trabalho no interior, pedia mãos firmes, gestos práticos e respeito profundo.

O corpo do velho Giuseppe foi lavado no tanque do quintal, com água tirada do poço, ainda fria. 

Duas mulheres da comunidade, acostumadas a lidar com o “passamento”, vinham sempre ajudar nessas horas.

Uma delas preparava a bacia com folhas de manjericão e alecrim, “pra afastar os maus espíritos, dizia. 

A outra penteava o cabelo branco, alisando-o com um pano úmido, como se quisesse devolver ao rosto enrugado um pouco da dignidade dos tempos de lavoura.

Não havia velório em salão, nem caixão comprado às pressas na cidade. O filho mais velho, o tio Ângelo, cortara a madeira do próprio pai há anos, quando a saúde dele começara a fraquejar.

“Um homem deve estar preparado até pra sua partida, dizia o nonno, rindo com os dentes manchados de fumo. O caixão fora guardado no paiol, coberto com um lençol e cheiro de milho.

Agora, era trazido para dentro, posto sobre duas cadeiras, enquanto se ajeitava o corpo com o mesmo cuidado que se tem ao preparar o pão antes do forno.

O velório durou a noite toda. 

As lamparinas tremeluziam, e o café era passado sem descanso. 

Ninguém chorava alto; havia um pudor na dor, um respeito que impedia o desespero. 

As pessoas falavam baixo, lembrando histórias de colheitas fartas, de domingos de missa e das longas conversas na varanda. 

De tempos em tempos, alguém fazia o sinal da cruz e murmurava: Que Deus o receba na terra boa”.

As crianças, que não compreendiam bem a morte, espiavam curiosas o corpo imóvel e os gestos das mulheres. 

A mãe, com voz firme, dizia: Não se tem medo, se tem respeito. E essa frase, dita tantas vezes naqueles dias, se gravava como lição de vida — e de morte.

O cortejo, no dia seguinte, saiu logo após o toque das seis. 

O caixão foi colocado sobre a carroça, coberto por um pano branco e enfeitado com ramos de café e flores do quintal. 

Não havia banda, nem padre acompanhando. 

O padre ficaria à espera no cemitério, onde a terra já estava aberta. 

Os homens tiravam o chapéu ao passar e as mulheres juntavam as mãos. 

O som das rodas no chão de terra batida parecia um rosário, repetido no compasso das passadas lentas.

O caminho até o cemitério atravessava os cafezais, e o cheiro das folhas, misturado ao orvalho, dava àquela despedida um ar de colheita tardia.

Era como se a terra, que tanto recebera o suor do nonno, agora se preparasse para recebê-lo inteiro, como paga justa de uma vida de trabalho.

No cemitério, as cruzes de madeira se inclinavam ao vento. O padre, de batina gasta, disse as palavras breves, e cada familiar jogou um punhado de terra. 

O som surdo dos torrões batendo no caixão parecia o fecho de um ciclo, o último eco de uma vida simples.

Depois, todos voltaram à casa. O café fumegava no fogão a lenha, e o cheiro de pão fresco preenchia o vazio. 

Alguém comentou que o céu estava bonito, cor de café com leite”. 

E assim, entre um gole e outro, a vida foi retomando seu curso lento, como o rio que contorna as margens, sem nunca deixar de correr.

Nos dias seguintes, o canto dos galos voltou, os bois foram levados à lavoura, e a rotina retomou seu ritmo.

Mas, ao entardecer, quando o sol se escondia por trás dos cafezais, alguém sempre olhava para o horizonte e dizia baixinho: Lá vai o nonno, cuidando das plantações do outro lado.”

A morte, ali, não era um fim brusco, mas uma continuidade muda — uma semente enterrada que renascia em memória, em cheiro de café torrado, em reza sussurrada. 

E talvez fosse esse o segredo dos tempos antigos: entender que, na simplicidade do rito, havia mais do que despedida.

Havia o reconhecimento de que toda vida, como o café, precisa ser colhida no tempo certo — e devolvida à terra com gratidão.

Clayton Alexandre Zocarato

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Desafios de um professor de Língua Portuguesa

Desafios de um professor de Língua Portuguesa: perspectivas globais e o contexto angolano e o ‘impossível duplo acento’ nas palavras da Língua Portuguesa

Renata Barcellos
Renata Barcellos

De acordo com Fernando Chilumbo, a docência de Língua Portuguesa traduz “desafios complexos no mundo de hoje, que vão além da mera gramática ou literatura. Estes envolvem aspectos pedagógicos, tecnológicos e, essencialmente, socioculturais. Em Angola, país plurilíngue com o Português como língua oficial, o ensino desta língua assume um papel central não só como meio de comunicação, mas como instrumento de inclusão social, preservação cultural e mobilidade educativa.

Em escala global, professores de Português enfrentam transformações educacionais aceleradas. A digitalização, a literacia multimodal, as exigências de competências comunicativas, e os sistemas educativos que procuram conciliar tradição e inovação pedagógica são realidades comuns. Há também uma preocupação crescente com o crescimento demográfico nos países lusófonos, o que colocará pressão adicional sobre os sistemas de educação nas próximas décadas. Por exemplo, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) reporta que, segundo projecções da ONU, o português poderá vir a ser língua materna de cerca de 400 milhões de pessoas em 2050, especialmente pelo crescimento populacional em Angola e Moçambique.

Angola possui várias línguas nacionais que coexistem com o Português. As línguas mais faladas além do português incluem o kikongo, kimbundu, cokwe, ngangela, oshikwanyama, entre outras.

Em 2025, há um projecto experimental para introduzir o ensino formal de seis línguas nacionais (umbundu, kimbundu, cokwe, kikongo, nganguela, ocikwahama) na primeira classe, com professores, coordenadores e material pedagógico dedicado.

O Instituto de Línguas Nacionais (ILN) tem como missão institucional estudar línguas nacionais, suas variantes, promover sua preservação e valorização, conforme Decreto Presidencial n.º 159/21.

O governo angolano implementa iniciativas como o Plano Nacional de Formação de Quadros’, que inclui formação de professores em metodologias de ensino de línguas, educação infantil, etc. Por exemplo, uma edição do plano resultou na formação de mestres em educação infantil e ensino primário, com especialidades em Metodologia de Ensino de Línguas.

Um estudo recente (‘Análise dos conteúdos de Língua (Gramática) nos programas e manuais de Língua Portuguesa do Ensino Primário angolano’) mostra que os programas e manuais de Língua Portuguesa nem sempre reflectem as necessidades reais sociolinguísticas dos alunos, pois há grandes interferências das línguas nacionais (L1) e uma discrepância entre os conteúdos gramaticais previstos e a actual prática de comunicação linguística dos estudantes.

Falta de professores qualificados para ensinar algumas das línguas nacionais e para aplicar metodologias que reconheçam variações linguísticas locais é um problema real.     

    O projecto para ensino de línguas nacionais prevê a formação de docentes para essas línguas, o que indica actualmente a escassez de pessoal treinado.

Há necessidade de revisão dos manuais e programas de Português para que estes considerem as variedades linguísticas angolanas e as práticas comunicativas reais dos alunos (oralidade, fala, influência de línguas maternas).

A valorização das línguas nacionais (na prática, no estatuto escolar, nos currículos, no material pedagógico) é um tema presente nas discussões públicas em Angola.

Iniciativas recentes procuram formar professores para melhorar a qualidade do ensino primário, mas os desafios institucionais (infraestrutura, acesso ao material pedagógico, coerência curricular) persistem. A notícia “Angola ganha mestres de educação de infância e ensino primário” indica que, embora haja progresso, ainda há muito caminho a percorrer.

    Com base nos dados verificados, podemos afirmar que os professores de Língua Portuguesa em Angola enfrentam desafios concretos e múltiplos:

1. Diversidade linguística: trabalhar num país plurilíngue exige reconhecimento das línguas nacionais, adaptação metodológica e materiais adequados.

2. Formação docente: há progresso, mas ainda há lacunas — necessidade de formação em metodologias específicas, adaptadas ao contexto lingüístico real dos alunos.

3. Recursos didácticos e curriculares: muitos manuais e programas estão desfasados da realidade sociolinguística; é necessário reconhecimento das variedades do português angolano nos materiais didáticos.

4. Políticas de valorização: para que as línguas nacionais sejam efectivamente integradas, o estatuto legal, financiamento, políticas curriculares, material didáctico e formação docente precisam estar alinhados.

5. Motivação dos professores e alunos: identidade linguística, reconhecimento, pertinência cultural do ensino, tudo isso contribui para melhorar a motivação, tanto do docente como do aluno”.

Quanto ao Impossível Duplo Acento nas Palavras da Língua Portuguesa: uma análise fonológica e ortográfica, conforme Fernando, o presente texto tem “como objectivo esclarecer um equívoco recorrente relativo à acentuação gráfica em português, nomeadamente a ideia de que determinadas palavras, como bênção, Estêvão, acórdão, órfão e órgão, conteriam dois acentos. Demonstra-se, com base na fonologia e na ortografia normativa, que cada palavra da língua portuguesa pode possuir apenas um acento gráfico e, consequentemente, uma única sílaba tónica.

A acentuação gráfica em português constitui um dos aspectos mais sensíveis da ortografia, uma vez que reflecte directamente a tonicidade e o timbre das vogais. A confusão frequente entre acento gráfico e nasalização, bem como entre acento e til, leva alguns falantes a supor que certas palavras apresentam ‘dois acentos’.

O presente estudo procura esclarecer, à luz da gramática normativa e da linguística fonológica, que tal fenómeno não ocorre em língua portuguesa. Para tal, são analisadas as palavras bênção, Estêvão, acórdão, órfão e órgão, demonstrando-se que cada uma contém apenas um acento gráfico, o qual indica a sílaba tónica.

Acento gráfico e acento tónico: distinção fundamental

Na língua portuguesa, o acento tónico é a força prosódica que incide sobre uma sílaba, tornando-a mais saliente do que as restantes. Já o acento gráfico é o sinal escrito (´, `, ^) que representa, quando necessário, essa tonicidade, segundo regras ortográficas específicas. O til (~), embora frequentemente confundido com acento, não é um acento gráfico. Trata-se de um sinal diacrítico de nasalização que altera o som da vogal, mas não indica tonicidade. Assim, em palavras como órgão ou bênção, há apenas um acento gráfico (agudo ou circunflexo) e um til, que não deve ser considerado como segundo acento.

Análise das palavras mencionadas:

a) Bênção:  palavra bênção apresenta o acento circunflexo na sílaba bên, indicando que a vogal é fechada e tónica. O ão final contém apenas o til, que assinala nasalização. Portanto, existe um único acento gráfico.

b) Estêvão, o acento circunflexo recai sobre a sílaba tê, marcando-a como tónica. O ão final apenas indica nasalização. Logo, há um só acento gráfico.

c) Acórdão, o acento agudo incide sobre a sílaba cór, assinalando a tonicidade. O ão é nasal, mas átono. Assim, ocorre apenas um acento gráfico, coincidente com a sílaba tónica.

d) Órfão contém acento agudo na sílaba ór, indicando a sua tonicidade. O ão é nasalizado e final, não possuindo acento gráfico. Portanto, há um único acento gráfico.

e) Órgão, o acento agudo incide sobre ór, identificando a sílaba tónica. O ão apenas expressa nasalização. Assim, verifica-se um só acento gráfico.

A estrutura prosódica da língua portuguesa estabelece que cada palavra apresenta apenas uma sílaba tónica. A existência de mais de um acento gráfico seria, portanto, incompatível com a natureza da acentuação do português.

Conclui-se, assim, que é incorrecta a ideia de que palavras como bênção, Estêvão, acórdão, órfão e órgão apresentam dois acentos. Em todas elas, observa-se apenas um acento gráfico, correspondente à única sílaba tónica. O til que nelas aparece serve unicamente para indicar nasalização e não constitui um segundo acento. O rigor ortográfico e fonológico da língua portuguesa impede a duplicação de acentos gráficos ou de sílabas tónicas numa mesma palavra. A distinção entre acento gráfico e sinal de nasalização é essencial para a correcta escrita e pronúncia das palavras, assegurando a clareza e a coerência do sistema ortográfico português”.

Minibiografia de Fernando Chilumbo: estudante dedicado e multifacetado, com formação em andamento em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa na Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto. Sua jornada académica inclui o curso de Jornalismo Profissional no Cefojor (Centro de Formação de Jornalistas), onde aprimora habilidades práticas essenciais para a comunicação. Paralelamente, actua como professor do Ensino Primário, demonstrando compromisso com a educação e a transmissão de conhecimento desde cedo.                                                                                                                    

Participou de cursos complementares que enriqueceram sua formação: Língua Russa, cursada no ISCED-Luanda, promovida pelos russos, o que ampliou sua perspectiva linguística e cultural; Teoria e Prática do Comentário Literário, realizado na União dos Escritores Angolanos, sob a promoção do Círculo de Estudos Linguísticos Literários e Litteragris, aprofundando seu conhecimento em crítica literária e Editores, Diagramadores e Capistas, promovido pelo Jornal O Estandarte e o curso de Língua Portuguesa e Comunicação da Universidade Metodista de Angola.

Rede social: Facebook: https://www.facebook.com/o.nin.guem.2025

Renata Barcellos

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Safáris

Eliana Hoenhe Pereira: Poema ‘Safaris’

Eliana Hoenhe Pereira
Eliana Hoenhe Pereira
Imagem criada por IA do Grok

Nas gramas secas e douradas,

O beijo do sol amarelado

e uma jornada à frente 

cheia de significados

animais selvagens

livres como o vento,

peregrinam em bandos

pelos infinitos campos.

Vê-los de perto, em carro aberto,

faz-me refletir:

“A vontade em cheiro e cor é libertador”,

Conto com meu espirito aventureiro

ele é desbravador.

e torna o percurso ainda mais encantador.

“A vida em cheiro e cor é libertadora.”

Foi muito mais que uma viagem!

É na bagagem que vemos as vantagens.

São os momentos, as vivências e as experiências.

Eliana Hoenhe Pereira

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Meu filho fora do quarto

Eder Cachoeira e o guia que aproxima pais e filhos na era digital

Meu filho fora do quarto
Meu filho fora do quarto

Com mais de 28 anos de experiência em tecnologia, educação e empreendedorismo, Eder Cachoeira transforma sua vivência como professor, empresário e palestrante em um guia prático e inspirador para pais de adolescentes.

Eder Cachoeira
Eder Cachoeira

Criador do projeto “Meu Filho Fora do Quarto”, ele compartilha reflexões, histórias e dicas que ajudam famílias a reconectarem vínculos e construírem relações mais saudáveis.

A ideia do livro nasceu da experiência pessoal de Eder como pai e da percepção de que muitos pais têm perdido contato verdadeiro com seus filhos na era digital.

Inspirado por conversas reais, situações familiares e sua atuação em projetos educacionais, ele reuniu estratégias que realmente funcionam para transformar os desafios da adolescência em oportunidades de conexão, crescimento e preparo para a vida adulta.

O livro oferece reflexões, exercícios e ferramentas acessíveis, sempre com uma linguagem leve, acolhedora e direta.

Com ele, pais podem melhorar o diálogo em casa, fortalecer relacionamentos familiares e orientar os jovens de forma mais confiante e empática.

Entre os temas tratados estão o distanciamento emocional, o uso excessivo de telas, a ansiedade dos filhos e a insegurança diante do futuro.

Mais do que um manual, “Meu Filho Fora do Quarto” é um convite à ação, mostrando que cada desafio da adolescência pode se tornar uma oportunidade de crescimento familiar.

O livro vem sendo bem recebido por famílias que buscam soluções reais para os conflitos do dia a dia, com estratégias práticas que realmente fazem a diferença.

Eder Cachoeira prova que, com atenção, diálogo e orientação adequada, é possível transformar a convivência com os filhos em momentos de aprendizado, afeto e descoberta mútua.

REDES SOCIAIS DO AUTOR

MEU FILHO FORA DO QUARTO

SINOPSE

O livro Meu Filho Fora do Quarto é o guia essencial para pais que desejam transformar o relacionamento com seus filhos adolescentes, ajudando-os a se tornarem mais responsáveis, autônomos e felizes.

Este material oferece estratégias comprovadas e dicas práticas que equilibram a liberdade necessária para o crescimento do jovem com a responsabilidade e o comprometimento que moldam o futuro.

Ao longo das páginas, você descobrirá como implementar mudanças graduais e consistentes na rotina familiar, estabelecer limites saudáveis e promover um ambiente de diálogo e confiança.

Repleto de exemplos reais, atividades práticas e soluções eficazes, Meu Filho Fora do Quarto é uma leitura indispensável para pais que enfrentam os desafios da adolescência e desejam preparar seus filhos para o mercado de trabalho e para a vida adulta com segurança e maturidade.

Prepare-se para construir um futuro mais harmonioso e inspirador para toda a família!

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DO AUTOR

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