O profissional de Educação Física

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

‘O profissional de Educação Física e a sociedade que desaprendeu a se movimentar’

Joelson Mora
Joelson Mora
Fotografia em preto e branco do colunista Joelson Mora fazendo exercício com um halter, ao lado de um texto comemorativo em verde e branco que diz: 01 de Setembro, Dia do Profissional de Educação Física. Mais que movimento. Transformação de vidas.
https://canva.link/s0o278s3t1wy0ds

No dia 1º de setembro celebramos o Dia do Profissional de Educação Física. A data marca a regulamentação da profissão no Brasil, por meio da Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998. Mas, mais do que uma data comemorativa, este deveria ser um momento de reflexão sobre uma questão cada vez mais urgente: qual é o papel do profissional de Educação Física em uma sociedade que, paradoxalmente, possui cada vez mais informação sobre saúde e, ao mesmo tempo, se movimenta cada vez menos? 

Vivemos uma época de grandes avanços tecnológicos. Trabalhamos diante de telas, conversamos por telas, compramos sem sair de casa e, muitas vezes, nos divertimos sem precisar levantar do sofá.

A tecnologia facilitou a vida. Mas também eliminou grande parte do movimento que antes fazia parte naturalmente dela.

Talvez este seja um dos maiores paradoxos da sociedade contemporânea: nunca tivemos tantos recursos para cuidar da saúde e, ao mesmo tempo, nunca tivemos tantos estímulos para permanecer imóveis.

Os números ajudam a demonstrar a dimensão do problema.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde apontam que aproximadamente 1,8 bilhão de adultos no mundo não atingiam os níveis recomendados de atividade física em 2022. Isso representa cerca de 31% da população adulta mundial. Se essa tendência continuar, a estimativa é de que esse percentual alcance 35% até 2030. 

Entre os adolescentes, o cenário é ainda mais preocupante: cerca de 80% não atingem os níveis recomendados de atividade física

Estamos, portanto, formando uma geração extremamente conectada digitalmente, mas progressivamente desconectada do próprio corpo.

E é exatamente nesse cenário que o papel do profissional de Educação Física se torna ainda mais relevante.

Durante muito tempo, a imagem social do profissional de Educação Física esteve associada quase exclusivamente à academia, ao esporte ou à busca por um corpo esteticamente valorizado.

Mas essa visão é limitada.

O profissional de Educação Física contemporâneo atua  ou deveria atuar em um território muito mais amplo.

Ele está nas escolas, contribuindo para o desenvolvimento motor, cognitivo e social de crianças e adolescentes.

Está nos projetos esportivos, utilizando o esporte como ferramenta de inclusão, disciplina e cidadania.

Está nas academias, orientando pessoas com os mais diferentes objetivos e necessidades.

Está nos programas de saúde pública, ajudando a combater doenças crônicas.

Está nas empresas, enfrentando um dos grandes desafios do nosso tempo: o impacto do trabalho sedentário sobre a saúde física e mental das pessoas.

Está no envelhecimento, ajudando idosos a preservarem algo que deveria ser considerado um dos maiores indicadores de saúde: a autonomia.

Porque, no final das contas, não existe exercício físico sem um objetivo humano.

Uma pessoa pode treinar para correr uma maratona.

Mas também pode treinar para conseguir subir as escadas de casa.

Pode querer ganhar massa muscular.

Ou simplesmente recuperar a força necessária para brincar com os filhos.

Pode buscar performance.

Ou apenas não perder a independência.

É por isso que reduzir o profissional de Educação Física à imagem de alguém que “passa treino” é não compreender a profundidade da profissão.

Nós não trabalhamos apenas com músculos. Trabalhamos com possibilidades humanas.

A ciência já não permite tratar a atividade física como um simples complemento de uma vida saudável.

Ela é parte fundamental dela.

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, considerando que o movimento regular contribui para a prevenção e o manejo de doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e também para a saúde mental e cerebral. 

Mas existe um detalhe importante: saber que precisamos nos movimentar não significa, necessariamente, conseguir transformar esse conhecimento em comportamento.

E talvez seja justamente nesse ponto que reside uma das maiores contribuições do profissional de Educação Física.

A internet está cheia de treinos.

As redes sociais estão repletas de influenciadores fitness.

Aplicativos contam passos, calorias e horas de sono.

Inteligências artificiais podem criar planilhas de treinamento em segundos.

Mas nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente a capacidade humana de observar contexto, compreender limitações, identificar comportamentos e adaptar estratégias à realidade de cada indivíduo.

Uma pessoa não deixa de praticar exercícios simplesmente porque não conhece os benefícios.

Muitas vezes, ela deixa porque está cansada.

Porque não encontra tempo.

Porque sente dor.

Porque tem medo de se machucar.

Porque já tentou várias vezes e desistiu.

Porque se sente constrangida em determinados ambientes.

Porque acredita que exercício é sinônimo de sofrimento.

Ou, simplesmente, porque ainda não encontrou uma forma de movimento que faça sentido para sua vida.

Prescrever um exercício é relativamente simples. Construir aderência é muito mais complexo.

E essa é uma das competências mais importantes do bom profissional.

Os dados brasileiros mostram avanços, mas também revelam que ainda estamos distantes de uma sociedade verdadeiramente ativa.

A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostrou que 30,1% dos adultos brasileiros atingiam o nível recomendado de atividade física no lazer. Na mesma pesquisa, 40,3% dos adultos foram classificados como insuficientemente ativos quando considerados os diferentes domínios da vida. 

Esses números precisam ser interpretados com inteligência.

Não estamos falando apenas de pessoas que “não gostam de academia”.

Estamos falando de um problema que envolve urbanização, segurança pública, desigualdade social, longas jornadas de trabalho, acesso a espaços adequados e cultura.

É fácil dizer para alguém: “Você precisa se exercitar.”

Mais difícil é perguntar:

Onde?

Quando?

Com que recursos?

Em quais condições?

Por isso, promover saúde por meio do movimento exige mais do que impulso individual.

Exige ambientes que favoreçam escolhas saudáveis.

Cidades mais caminháveis.

Parques e espaços públicos seguros.

Escolas que valorizem a Educação Física.

Empresas que compreendam que saúde não pode ser discutida apenas quando o afastamento acontece.

E políticas públicas que reconheçam o movimento como uma ferramenta de prevenção.

A própria Organização Mundial da Saúde destaca que o enfrentamento da inatividade física exige uma abordagem de toda a sociedade, tornando a prática acessível, segura e possível para diferentes grupos da população. 

Existe ainda uma dimensão pouco discutida da nossa profissão: a educação.

Um bom profissional não deveria criar dependência.

Deveria ensinar autonomia.

Não deveria fazer com que o aluno acreditasse que só consegue se exercitar quando alguém está ao seu lado.

Deveria ajudá-lo a compreender o próprio corpo.

A reconhecer seus limites.

A perceber sua evolução.

A entender que saúde não é construída em desafios de trinta dias, mas nas escolhas repetidas ao longo dos anos.

A palavra “educação” presente no nome da profissão não está ali por acaso.

Nosso papel não é apenas ensinar alguém a executar um movimento corretamente.

É ajudar a pessoa a construir uma nova relação com o movimento.

Porque um corpo saudável não é necessariamente o corpo mais forte, mais magro ou mais esteticamente admirado.

Um corpo saudável é, antes de tudo, um corpo funcional para a vida que aquela pessoa deseja viver.

O futuro provavelmente será ainda mais tecnológico.

Teremos mais automação.

Mais inteligência artificial.

Mais trabalho remoto.

Mais serviços digitais.

E, paradoxalmente, talvez precisemos nos esforçar cada vez mais para realizar aquilo que nossos antepassados faziam naturalmente: movimentar-se.

É por isso que acredito que o profissional de Educação Física será cada vez menos um simples “instrutor de exercícios” e cada vez mais um especialista em comportamento, prevenção, movimento humano e qualidade de vida.

Nossa responsabilidade não é pequena.

Vivemos em uma sociedade que medicaliza sintomas, mas muitas vezes ignora comportamentos.

Que busca soluções rápidas para problemas construídos durante décadas.

Que deseja saúde, mas frequentemente organiza a própria rotina de maneira incompatível com ela.

O profissional de Educação Física ocupa um espaço estratégico nesse cenário.

Porque o movimento não cura todos os problemas da humanidade.

Mas sua ausência contribui para muitos deles.

Neste Dia do Profissional de Educação Física, talvez a maior homenagem que possamos receber seja o reconhecimento de que nossa profissão não trabalha apenas para transformar corpos.

Trabalhamos para preservar autonomia.

Para prevenir doenças.

Para melhorar relações com o próprio corpo.

Para devolver confiança.

Para ensinar disciplina.

Para promover encontros.

Para transformar tempo em qualidade de vida.

Em uma sociedade cada vez mais acelerada, automatizada e sedentária, talvez o profissional de Educação Física tenha uma das missões mais modernas e, ao mesmo tempo, mais antigas da humanidade:

lembrar as pessoas de algo essencial: fomos feitos para nos mover.

E, talvez, cuidar do movimento seja uma das formas mais inteligentes de cuidar da vida.

Feliz Dia do Profissional de Educação Física a todos aqueles que compreenderam que ensinar alguém a se movimentar pode ser muito mais do que ensinar um exercício. Pode ser ajudá-lo a viver melhor.

Joelson Mora

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Se der

Um manifesto poético de Jacob Kapingala sobre a beleza de aceitar nossas fraquezas, recolher os pedaços do coração e ter a coragem de continuar caminhando

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Se der pra segurar a lágrima, segure.
Mas se não der, então chore.
Se der pra fugir de ti, então fuja.
Mas se não der, se proteja.

Se der pra remendar teu coração, remende.
Mas se não der, se reinvente e ande.
Se der pra cortar um pouco de ti, corte.
Mas se não der, não se importe.

Se der pra agarrar na tristeza e jogá-la fora, agarre.
Mas se não der, não tem problema. Viver é como escalar uma torre.
Se der pra sorrir, então sorria.
Mas se não der, não force a alegria.

Se der pra seres tu, seja.
Mas se não der, então finja.
Se der pra abraçar a vida, abrace.
Mas se não der, não se estresse.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos

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Poema celebra o fim de agosto com gratidão

Denise Canova colhe ‘margaridas poéticas’ em seus novo poema ‘Fechando agosto’

Denise Canova
Denise Canova
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Fechando agosto

Com alegria e gratidão

Um mês com margaridas poéticas

Que eu colhi

Fecho meu agosto assim

Dama da Poesia

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Mãe de todas as mães

Uma tocante prece de Marli F. Freitas em versos que clama pelo despertar da consciência humana e pela preservação da vida

Marli Freitas
Marli Freitas
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Ó, mãe de todas as mães
(Natureza bendita e santa),
Clame aos ouvidos surdos
Que ferem sem piedade, que
Façam jus às leis da integridade!

Ó, estrela majestosa
(Que ilumina e aquece).
Clame aos olhos cegos
Que abraçam a escuridão,
Que se abram à luz da gratidão!

Ó, movimento que semeia
(Sabiamente em cada estação),
Clame às mãos que agridem
E provocam o medo, que
Recobrem a memória da missão!

Ó, beleza mensageira
(Que flui imanente regando o tempo),
Clame ao exalar inconsequente
De ações contrárias, que faça
Inquestionável a preservação da vida!

Ó, prazer inigualável
(Que abençoa o fruto),
Clame à proliferação do egoísmo
Que acumula sem piedade, que
Faça justiça ao olhar necessitado!

Ó, bendita intuição
(Que consola os aflitos),
Clame à falta de atenção
Que negligencia a dor, que
Faça ser ouvida a voz do coração!

Marli F Freitas

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Cada vez

Uma profunda e tocante obra de Ismaél Wandalika em versos sobre a crueza do sofrimento, a força da resiliência e a poesia como refúgio da alma

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

Cada vez
que entra a dor acelera o aperto dentro
Dor desconfortável incessante
Parece anunciar a morte
Franqueza paira no peito enfraquece o ânimo
Não há refugio para essa dor forte
Quase tudo que entra lhe desperta de novo
Sinto tudo do começo me esforço para obter resultado…
Não há como fugi-la é picante
Baixa até o autoestima da gente
O rosto muda de formato e a gente emagrece

Cada vez
mais picante
Dói com mais pressão
Dor que parece sentir ilusão
Cada Vez leva força, dói com muita força
São dores físicas que a gente sente
Viver é um ato de coragem entende

Cada vez
penso distante
Me elevo para longe
Me antecipo para frente
Sou forte que nem ndange
Homem/mulher de coragem
Consciente que também morre.

Cada vez
É sempre mais sofrida mais intensa
Fere e estressa, quebra a cabeça, perde na peça, corta o fôlego e interdita a inspiração do poeta, fomenta a criação das letras nas histórias.
Essa dor, lembra aquela dor nascida na dor…

CADA VEZ
Páro por aqui
Páro para sentir
Escrevo para ouvir
Dói lhe sentir.

Cada vez!

Soldado Wandalika

Poeta e escritor angolano

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Descaminhar é preciso

Uma sensível e melancólica reflexão em versos sobre perdas, memórias e o renascer através da poesia

Pietro Costa
Pietro Costa
Image-texto do poema Descaminhar é preciso

Pietro Costa

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Três telefones em pensão para senhoras

Em um corredor silencioso, três telefones são o único elo com o mundo e com a esperança do reencontro

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
Imagem colorida mostra seis mulheres idosas num pátio de pedra. No centro, uma mulher de cabelo cacheado e casaco azul caminha. À esquerda, três mulheres sentadas, uma com andador. À direita, uma mulher numa cadeira de rodas e duas numa banca. O fundo tem paredes de tijolo e telefones pretos vintage.
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Três telefones presos à mesma parede do corredor daquela pensão para senhoras. Enquanto aqueles três objetos permaneciam grudados, sempre no mesmo lugar, as hóspedes, ansiosas, olhavam para o vazio na esperança de que a próxima chamada fosse para elas. Nesse silêncio, até o zumbido de uma mosca poderia ser confundido com o toque do telefone.         

          Alice, uma das hóspedes mais antigas, imaginava estar em um hospício. Já Ruth, que há dois dias havia sido levada para lá, não tinha a menor dúvida. Mas outras opiniões saíam da boca daquelas mulheres, a maioria já passada dos 70, cinco ou seis beirando os 90, sem contar Clara, que insistia em permanecer sobre a terra, apesar dos 104 completados em janeiro. 

          Não eram maltratadas fisicamente, pois o tempo já se encarregara desse papel. Todavia, dor maior era aquela que todas sentiam: o abandono. É verdade que algumas recebiam visitas de parentes, que, aos poucos ou de modo mais ligeiro, iam escasseando até que restassem apenas datas especiais, quando muito. 

          — Isto é uma prisão!

          — Dona Laura, aqui estão os seus remédios. A senhora precisa tomá-los.

          A velha, olhos arregalados, torceu os lábios e, contrariada, obedeceu. Bebeu meio copo d’água e, em seguida, abriu bem a boca para mostrar que havia engolido tudo. A funcionária, assim que deu as costas para levar medicamentos para outras hóspedes, esboçou um sorriso com as palavras de Laura para a hóspede ao lado, Solange.

          — Essa aí é uma peste!

          Solange, que há tempos não falava e mal se movia, se esforçou ao máximo para concordar. Maldito AVC, que a limitou ao quase imperceptível movimento do indicador da mão esquerda. Por conta de toda essa limitação, era comum colocá-la em frente à televisão, onde era obrigada a assistir à mesma programação todos os dias. Ela sonhava em ter o controle do aparelho em suas mãos para poder trocar de canal. Melhor, desligaria aquela caixa falante e cheia de imagens distorcidas. Pobre mulher, sonhava com os dias em que possuía controle sobre suas próprias ações. 

          Hora para isso, hora para aquilo, hora que não era hora. Ora, vê se pode? Onde já se viu ter hora para tudo e para nada? Isso lá é vida? Até planta tem hora de abrir e fechar as flores. Ali, naquele lugar, não havia botões. Todas as pétalas já teriam caído há tempos. Há tempos! Quiçá não foram arrancadas por mãos truculentas. 

          Hora do pátio. A osteoporose comia solta naquele ambiente. Melhor tomar um solzinho. Era hora de relembrar tempos de praia, idas ao clube ou banhos de cachoeira. Por ali, no entanto, quando muito, um borrifador. 

          Aquelas velhas, algumas sentadas, outras em pé, praticamente todas com a face virada para cima tentando sentir os raios solares invadirem a alma. Momento em que se simulavam vivas. Eis que o telefone tocou. Todas se olharam, sorrisos estampados em lábios murchos. 

          Elizabeth, no auge dos 73, simulou uma corrida até o corredor. Não demorou, voltou para o pátio, onde ouviu várias vozes perguntando para quem era a ligação. A mulher, olhos tristonhos, voz quase muda, finalmente respondeu.

          — Era engano.

Eduardo Cesario-Martínez

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