A saga do Aedo de Copas

Entre versos e intensidade, a poesia sensível de Léo Abreu

A saga do Aedo de Copas
A saga do Aedo de Copas

Após a estreia com o envolvente “Ouro, Prata e Silêncio”, em que misturou aventura, mistério e relações humanas, o autor baiano Leonardo Abreu Amorim Neves apresenta agora um novo lado de sua escrita: mais íntimo, mais denso e profundamente poético.

Léo Abreu
Léo Abreu

Formado em Comunicação Social, músico, compositor e poeta, Léo Abreu carrega em sua trajetória uma forte ligação com a arte em suas diversas formas.

Natural de Paramirim, no interior da Bahia, construiu um caminho marcado pela música, pela literatura e pela participação em coletivos artísticos, experiências que ecoam diretamente em sua escrita.

Em A Saga do Aedo de Copas, essa multiplicidade se revela de forma ainda mais intensa.

O livro é um mergulho na poesia, ora mais rebuscada, exigindo atenção e contemplação do leitor, ora mais contemporânea, direta e pulsante.

Os poemas se organizam por temas, formando capítulos que conduzem o leitor por diferentes estados emocionais, quase como uma travessia interna.

É uma leitura que desafia e acolhe ao mesmo tempo.

Se, por um lado, a linguagem mais elaborada convida a uma leitura cuidadosa, por outro, o conteúdo é profundamente humano, sensível e bem definido, tocando em sentimentos universais e experiências que ecoam em quem lê.

O prefácio, por si só, já prepara o leitor para essa jornada, com uma força e uma beleza que antecipam o que está por vir.

Mais do que uma coletânea de poemas, a obra se apresenta como uma construção artística consistente, em que cada palavra parece escolhida com intenção, ritmo e emoção.

A Saga do Aedo de Copas é um convite.

Um convite a sentir, a refletir e a se permitir mergulhar em uma escrita que não tem pressa, mas tem profundidade.

Um livro para ser lido com o coração aberto, em que a poesia não apenas se apresenta…
Mas permanece.

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OBRAS DO AUTOR

Ouro, Prata e silencio
Ouro, Prata e Silêncio

A saga do Aedo de Copas
A saga do Aedo de Copas

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Bibliotecas, livros e literaturas infantojuvenis

Renata Barcellos

‘Bibliotecas, livros e literaturas infantojuvenis’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Card do lançamento do livro 'Sou seu amigo, o coração'
Card do lançamento do livro ‘Sou seu amigo, o coração’

9 de abril é o DIA NACIONAL DA BIBLIOTECA. A data, instituída pelo decreto nº 84.631 de 1980. Este destaca a importância das bibliotecas como centros de educação, cultura, acesso democrático ao conhecimento e incentivo à leitura, além de celebrar o papel estratégico dessas instituições na formação cidadã e na sociedade.

Para Valter Hugo Mãe, “Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir”. Este compara bibliotecas a aeroportos, por serem locais de “partir e chegar”, simbolizando viagens mentais. Urge a conscientização quanto à lei de educação literária, especificamente a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE): lei nº 13.696/2018. Esta visa promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil.

Também estabelece diretrizes para fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e promover o estímulo à leitura e ao conhecimento. E a lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010, conhecida como Lei da Universalização das Bibliotecas Escolares, estabelece que todas as instituições de ensino do país (públicas e privadas) devem desenvolver esforços progressivos para ter bibliotecas com um acervo mínimo de um título por aluno. Esta também estabelece a necessidade de um profissional bibliotecário para cada biblioteca.                                                                                                                      

Um exemplo é o Projeto Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto. Com um trabalho intenso e uma visão inspiradora, de acordo com Estella Cruzmel, a importância do Santa Leitura é “gigantesco, é um período que a criança está se dedicando ao livro e à arte além disso afasta a criança do celular e mundo das drogas. Desde junho de 2010, o projeto Santa Leitura tem se dedicado a cultivar o hábito da leitura entre crianças e adolescentes, ajudando a diminuir a crescente distância social.

O projeto começa ou no bairro Ipiranga, em Belo Horizonte e, após dois anos, se expandiu para Castanheiras, Sabará, MG e Taquaril, Belo Horizonte, onde mantém uma parceria com o padre João Stasz, da Obra Social São Gabriel. No Castanheiras, uma biblioteca comunitária infantojuvenil foi estabelecida, proporcionando um espaço seguro e estimulante para a prática da leitura. A sede do projeto está localizada no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, onde são realizados encontros mensais”.

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é celebrado em 23 de abril, instituído pela UNESCO, em 1995, para promover a leitura, a publicação e a propriedade intelectual. A data foi escolhida por ser a de falecimento de grandes escritores como Shakespeare e Cervantes. O objetivo é celebrar as literaturas, incentivar o hábito da leitura, valorizar os direitos autorais, estimular a reflexão sobre o poder transformador das literaturas e o acesso ao conhecimento.                     

De acordo com o Panorama do Consumo de Livros da CBL (Câmara Brasileira do Livro), houve aumento de 2% na compra de livros no país em 2025. Foram 3 milhões de compradores a mais que em 2024.  Os dados mostram que 18% da população acima de 18 anos comprou ao menos um livro, impresso ou digital, no ano passado. Se estiverem adquirindo, lendo e refletindo sobre os temas tratados, notícia EXCELENTE!!!

Quanto à Literatura Infantojuvenil, trata-se de um gênero literário voltado para crianças e jovens, abrangendo desde os primeiros anos de vida até a adolescência. Ela engloba uma variedade de formas textuais, como histórias fictícias, biografias, poemas, obras folclóricas e culturais, adaptadas para a faixa etária específica. Seu objetivo principal é apresentar temas relevantes e acessíveis, estimulando a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento emocional e cognitivo dos leitores.

A Literatura Infantojuvenil desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e jovens, promovendo a imaginação, a empatia e o amor pela leitura. Através de histórias envolventes, a literatura infantojuvenil apresenta aos jovens leitores a riqueza da linguagem e os ajuda a compreender diferentes visões de mundo. Conforme Nilma Boechat  (professora e escritora), é: “uma porta que se abre ao imaginário da criança. Ali nesse momento entre cavalos, cavaleiros, piratas, príncipes, princesas, e tantos outros personagens, ela viaja, imagina, cria, vê e enxerga além do que se passa no seu dia-a-dia.

A criança que tem acesso a toda essa vivência literária, torna-se um adulto melhor, mais criativo, com linguagem rica, lê com boa dicção, escreve com vocabulário amplo, diversificado e terá facilidade de relacionar-se melhor com o mundo. É capaz de ensinar a outrem as lições aprendidas nos livros”.  

Vale destacar e esclarecer quais são os precursores da Literatura Infantojuvenil no Brasil são Julia Lopes de Almeida com ‘Contos Infantis’, de 1886, e ‘Era Uma Vez’, de 1917 e Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), romancista, cronista, jornalista, poeta e um dos primeiros autores a adaptar os contos europeus para circulação no Brasil: de Charles Perrault, dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen Em 1894, publica Contos da Carochinha, o primeiro livro infantil publicado no Brasil. Também foi o primeiro a publicar um livro infantil no Brasil, tendo traduzido e adaptado clássicos para a juventude como As mil e uma noites, Dom Quixote e Robinson Crusoé, além de vários contos dos Irmãos Grimm.

Carl Jansen (educador, militar, escritor e jornalista teuto-brasileiro) por traduzir clássicos como Robinson Crusoé, Viagens de Gulliver, As Aventuras do Celebérrimo Barão de Münchhausen e D. Quixote de La Mancha. Foi pioneiro ao traduzir, em português brasileiro, obras para a juventude, entre as quais romances de Swift, Defoe e Cervantes.

Em 1904, “Poesias Infantis”, de Olavo Bilac (1865 a 1918 ) e  “Através do Brasil”, editado em 1910, de autoria de Olavo Bilac e Manuel Bonfim. Thales Castanho de Andrade (1890-1977) redigiu A Filha da Floresta’ (1918) e ‘Saudade’ (1919).

Em 1920, “A menina do narizinho arrebitado”, de Monteiro Lobato (1882 a 1948). A obra é constituída por personagens e cenários brasileiros. Além de abordar temas relevantes para a cultura nacional, como a valorização do campo e a crítica social.  Para Zilberman foi reconhecido por ter modernizado a Literatura Infantil Brasileira. Lobato declarava que “gostaria de criar livros nos quais as crianças pudessem morar como ele havia morado no Robinson Crusoé e nos Filhos do Capitão Grant na sua infância”.

Em 1923, Cecília Meirelles editou o seu primeiro livro para crianças: Criança Meu Amor.

Para divulgação da leitura e do livro infantil, Cecília Meirelles esteve à frente da primeira biblioteca pública infantil brasileira, localizada no Pavilhão ou Espaço Mourisco, inaugurada em 1934, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro. Em 1964, iniciou uma nova fase na literatura infantil brasileira ao lançar uma coletânea de poemas para crianças, chamada de Ou Isto Ou Aquilo. Fica a dica de leitura!!!

Em 1938, é publicado Cazuza, do maranhense Viriato Corrêa. Trata-se de um dos maiores sucessos da Literatura Infanto-Juvenil Brasileira. Esta relata vivências do próprio autor. É a história de um menino cujo nome é Cazuza que, depois de adulto, resolve escrever suas memorias de infância. Este vive em um lugarejo do Maranhão, no final do século XIX, e realiza seu grande desejo de entrar na escola.

Mas o primeiro dia de aula é uma grande decepção: depara-se com um ensino rígido, pois se usava a punição como principal ferramenta de controle dos alunos. A obra questiona o ensino da época, os preconceitos e, com descrições leves e bem-humoradas, traz informações do Brasil e da sua história para o público infantojuvenil.

No Brasil, a Lei nº 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o principal marco legal que trata da proteção integral à criança e ao adolescente. Esta incluiu o acesso à Literatura Infanto-Juvenil como um direito fundamental. Além do ECA, outras leis como a nº 10.639/2003 e a nº 11.645/2008 abordam a importância da inclusão de histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação e, nas literaturas, incluindo a Infantojuvenil.

De acordo com Zuleika Crespo (acadêmica da ACL -Academia Cabofriense de Letras, diretora da Biblioteca P.M.P.Walter Nogueira de Cabo Frio e escritora), as Literaturas Infantojuvenis “ajudam a despertar a imaginação, além de aprender o que gira ao seu redor, mostrando que são capazes de conseguir e realizar seus desejos, aprendem valores que serão necessários ao longo de sua vida ajudando também em problemas emocionais!”.

Já as literaturas infantojuvenis indígena brasileira, representadas por autores como Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Cristino Wapichana, oferecem narrativas ricas sobre cosmovisões, mitos e o cotidiano nas aldeias. Essas são fundamentais para combater estereótipos e promover o conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira. Abaixo algumas obras das literaturas indígenas infantil e juvenil:

Kabá Darebu, de Daniel Munduruku: mostra o cotidiano de um menino Munduruku, abordando costumes, brincadeiras e a relação com o meio ambiente.

Contos da Floresta, de Yaguarê Yamã: narrativas do povo Maraguá sobre seres da floresta, focadas na tradição oral.

A Boca da Noite, de Cristino Wapichana: vencedor do Prêmio Jabuti, narra a relação entre um pai e seu filho ao ouvirem o som da noite.

Falando Tupi, de Yaguarê Yamã: introduz crianças ao universo da língua tupi, explorando palavras do dia a dia.

O Sabiá e a Menina, de Daniel Munduruku: uma história sobre a vida e a morte, recheada de lirismo e sabedoria ancestral.

O povo Kambeba e a gota d’água, Márcia Kambeba: narra o início do “povo das águas”, os

Omágua/Kambeba, destacando as tradições seculares relacionadas aos rios que atravessam seus territórios. “Ser o povo das águas é motivo de alegria e honra para os que vivem na aldeia e na cidade”.

Dica de lançamento de livro infantil:

Mario Bernardo Filho (professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, biomédico, fisioterapeuta, acupunturista, escritor e diretor do Instituto Saúde.com ltda, @mariobernardofilho e @institutosaude.com.ltda) lançará seu primeiro livro infantil neste fim de semana, no Rio de Janeiro. A seguir, palavras do autor acerca do que lhe impulsionou a escrita para o público infantil:

“Uma satisfação muito grande invade meu corpo pelo fato de entrar no universo de escrever um livro infantil. Um grande desafio depois de passar muitos anos publicando inúmeros artigos científicos em nível de competição internacional relacionados aos projetos de pesquisa na área da saúde que orientei sobre terapia envolvendo atividade física. A definição do tema principal para os livros infantis foi motivo de muitas reflexões até chegar no autocuidado. Essa escolha surgiu pelas pelo fato da apresentação de palestras para alunos do ensino fundamental e médio para justificar os valores recebidos pelo órgão de fomento para as minhas pesquisas. Falar e pesquisar sobre atividade física sempre gerou em mim uma grande vibração.”

A atividade física é um dos pilares do autocuidado visando a promoção da saúde ao longo da vida de uma pessoa. Mas como conversar de atividade física no mundo infantil? Que tal deixar um órgão que é favorecido pela atividade física conversar com a criança, e talvez até com um adulto? Que tal deixar um órgão conversar sobre outros pilares do autocuidado, como a alimentação saudável, o convívio social, a interação familiar, o sono reparador?                                            

A coleção nasce com a missão de transformar a educação em saúde em uma jornada de descoberta para todos os leitores, e em particular para as crianças. Todo o planejamento da coleção envolve um material estruturado para facilitar o processo de ensino-aprendizagem, combinando fundamentação teórica (pedagogia), procedimentos práticos (técnica) e estratégias de ensino (didática).

Visa não apenas transmitir conhecimento, mas garantir que ele seja compreendido e aplicado diariamente. Visa promover também a disciplina.  A pretensão da coleção é sensibilizar a todos para praticar hábitos saudáveis por toda a vida, e não tem idade para começar a pensar no autocuidado.

No primeiro volume, o protagonista é o Coração: ‘Sou seu amigo, o coração, que apresenta às crianças e aos seus responsáveis a importância do autocuidado e de hábitos que promovem o bem-estar desde a infância’. Noções de anatomia, da fisiologia, da afetividade, do comportamento humano são mostradas de forma lúdica nesse livro.

Também surgiu a ideia de se ter uma mascote representativa do autocuidado, e aparece a gata “Care”, e noções de inglês são introduzidas, autocuidado em inglês é self-care. Diferentemente de outros livros, a proposta da obra é humanizar os órgãos do corpo, deixando cada órgão, mostrar para as crianças e até para adultos, como seus hábitos do dia a dia podem deixar o corpo com saúde. E, você, já parou para pensar na importância do autocuidado visando a promoção da saúde”.

Cabe incentivarmos a leitura desde as séries iniciais. Em tempos de Inteligência Artificial, é um enorme desafio levar o público das diversas idades e principalmente o infantojuvenil ao universo das letras. Concluímos com o pensamento de Cícero “Se temos uma biblioteca e um jardim, temos tudo”.

Renata Barcellos

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Mulheres que sonham mudar o mundo

Sesc Sorocaba destaca o espetáculo ‘Mulheres que sonham mudar o mundo’ e show do ‘Coletivo Mulheres do Choro’
 no final de semana 

Cena do espetáculo 'Mulheres que sonham mudar o mundo' - Foto de Ricardo Oba
Cena do espetáculo ‘Mulheres que sonham mudar o mundo’ – Foto de Ricardo Oba

Link de fotos 
Vídeo A menina pássara 

A programação do final de semana no Sesc Sorocaba reúne atividades para diferentes públicos, com destaque para as ações do Festival da Cultura Surda, o espetáculo Mulheres que sonham mudar o mundo e o show do Coletivo Mulheres do Choro de São Paulo, dentro do projeto Chorandinho. As atividades valorizam a diversidade de linguagens artísticas, promovendo encontros que ampliam a acessibilidade, o protagonismo da comunidade surda e a riqueza da música brasileira. 

O Festival da Cultura Surda propõe uma imersão em experiências que articulam espetáculos, vivências e ações formativas, em parceria com instituições de Sorocaba ligadas à comunidade surda. Já o projeto Chorandinho celebra um dos gêneros mais tradicionais do país, apresentando o choro em diferentes abordagens, do repertório clássico a releituras contemporâneas. 

Em paralelo à programação realizada na unidade, o Sesc Sorocaba também estará presente nas cidades de Itapetininga (sábado, 11/4) e Capão Bonito (domingo, 12/4) com o Circuito Sesc de Artes 2026. 

No sábado, das 10h às 15h, a área de convivência recebe a Feira de Alimentos Agroecológicos e Artesanato, comprodutos cultivados e produzidos por trabalhadores da região de Sorocaba. A iniciativa valoriza práticas sustentáveis, sem o uso de agrotóxicos, e incentiva o consumo consciente. Gratuita e aberta a todas as idades. Neste mês, a feira integra a programação do Festival da Cultura Surda e contará com a presença de tradutor-intérprete de Libras. Não se esqueça de trazer sua sacola retornável. 

Ainda no sábado, às 16h, acontece a contação de histórias Contos pá-pum, com o Grupo ÊBA!. A atividade reúne narrativas curtas, dinâmicas e bem-humoradas, com personagens inusitados e finais surpreendentes, estimulando a imaginação das crianças e a participação do público. A atividade é gratuita e tem classificação livre. Para assistir, é só chegar. 

Encerrando o sábado, às 20h, o teatro recebe o espetáculo Mulheres que sonham mudar o mundo, com o Núcleo de Teatro IGESC, como parte da programação do Festival da Cultura Surda. 

A montagem aborda questões como assédio, patriarcado e sororidade, propondo uma reflexão crítica sobre as violências estruturais e seus impactos sociais. Por meio de cenas que dialogam com o cotidiano e com experiências coletivas, o espetáculo aponta caminhos de transformação baseados na união entre mulheres. 

Com Libras integrada à encenação, a obra amplia o acesso e potencializa o discurso em cena.  

Com classificação de 18 anos, a atividade é gratuita, com lugares limitados. Os ingressos devem ser retirados com 1 hora de antecedência. 

No domingo, às 16h, o público confere o espetáculo A menina pássara, com o Grupo ÊBA!, como parte da programação do Festival da Cultura Surda. 

A montagem acompanha a trajetória de uma personagem que, em busca de identidade e pertencimento, percorre caminhos poéticos e simbólicos, encontrando diferentes formas de existir e se expressar. Nascida menina-pássara, sem asas, sem bico, sem penas, ela não canta nem voa e permanece em silêncio em seu canto. Diferente de todos, parte em busca de um lugar que seja seu, de um nome que lhe pertença e de uma identidade para sua língua. 

Com classificação livre e lugares limitados. Vendas disponíveis em centralrelacionamento.sescsp.org.br ou aplicativo Credencial Sesc SP. E presencialmente na Central de Atendimento. 

Os valores dos ingressos são R$ 12,00 (credencial plena), R$ 20,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, estudante, servidor de escola pública com comprovante, pessoas com deficiências e seu acompanhante) e R$ 40,00 (inteira). Grátis para crianças até 12 anos (necessário apresentar ingresso). 

Logo depois, às 17h, a convivência recebe o show do Coletivo Mulheres do Choro de São Paulo, dentro do projeto Chorandinho. Formado por instrumentistas de diferentes trajetórias, o grupo apresenta choros clássicos e autorais, reafirmando a força e a presença feminina na música instrumental brasileira. A apresentação é gratuita e tem classificação livre. Para assistir, é só chegar. 

O Sesc Sorocaba também conta, até o dia 16/8, com a exposição Frestas – Trienal de Artes: do caminho um rezo, com curadoria de Khadyg Fares, Luciara Ribeiro e Naine Terena. 

O projeto é apresentado ao público a partir de exposição, intervenções, performances, ocupações artísticas em espaços internos e externos à unidade do Sesc, programas públicos, ações educativas e outras atividades de diversos formatos. A 4ª edição dá continuidade às pesquisas iniciadas nas edições anteriores, reconhecendo a região de Sorocaba, bem como os interiores, como um território em que confluem as relações artísticas e comunitárias. 

Terças a sextas, das 9h às 21h30; sábados, das 10h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 18h30. Classificação 12 anos. Grátis.  

Em paralelo com as atividades que acontecem na unidade, o Sesc Sorocaba também estará presente nas cidades de Itapetininga (sábado, dia 11/4) e Capão Bonito (domingo, 12/4), com o Circuito Sesc de Artes 2026.  

Com atividades nas áreas de música, dança, circo, teatro, cinema, literatura, artes visuais e tecnologias, levando uma programação gratuita com espetáculos, intervenções, mediações de leitura e oficinas. Confira em sescsp.org.br/circuitosescdeartes 

Confira mais sobre essas e outras atividades da programação do Sesc Sorocaba em sescsp.org.br/sorocaba.     

SERVIÇO 

FEIRA – FESTIVAL DA CULTURA SURDA 

Feira de alimentos agroecológicos e artesanatos 

Sábado, dia 11/4, das 10h às 15h. 

Classificação livre.  Com intérprete de Libras. 

Trazer sacolas reutilizáveis 

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS – FESTIVAL DA CULTURA SURDA 

Contos pá-pum 

Sábado, dia 11/4, às 16h. 

Classificação livre. Grátis. 

Para assistir é só chegar. 

TEATRO – FESTIVAL DA CULTURA SURDA 

Mulheres que sonham mudar o mundo 

Sábado, dia 11/4, às 20h. 

Vagas limitadas. Classificação 18 anos. 

Retirada de ingressos com 1 hora de antecedência. 

TEATRO – FESTIVAL DA CULTURA SURDA 

A menina pássara 

Domingo, dia 12/4, às 16h. 

Lugares limitados. Classificação livre.  

R$ 40,00 | R$ 20,00 | R$ 12,00 | Grátis para crianças até 12 anos. 

MÚSICA – CHORANDINHO 

Coletivo Mulheres do Choro de São Paulo 

Domingo, dia 12/4, às 17h. 

Classificação livre. Grátis. 

Para assistir é só chegar. 

ARTES VISUAIS 

Frestas – Trienal de Artes: do caminho um rezo 
Até dia 16/8, terças a sextas, das 9h às 21h30; sábados, das 10h às 20h. Domingos e feriados, das 10h às 18h30. 

Classificação 12 anos. Grátis. 

Sesc Sorocaba       

Rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade.       

Fone: (15) 3332-9933.     

Prefira o transporte público 

Terminal São Paulo 

Linha 13: Santa Izabel/ Jd. Europa 

Linha 71: Campolim via Raposo Tavares 

Terminal Santo Antônio 

Linha 65: Campolim 

BRT 

Linha D200: Terminal Vitória Régia/ Campolim 

+ informações  

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sescsp.org.br/sorocaba 

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Entre a água e o amor

Clayton alexandre Zocarato: ‘Entre a água e o amor’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69d8953d-3604-83e9-bdb8-63fbf58df8ee

Há algo na água que nunca se explica por completo, mesmo quando a vemos escorrer entre os dedos como se fosse apenas matéria obediente à gravidade.

            A água parece simples, mas guarda em si um silêncio antigo, uma memória de tudo o que já tocou. Assim também é o amor: pensamos compreendê-lo quando ele nos atravessa, quando ocupa o corpo com sua presença leve e inevitável, mas basta um instante para que ele mude de forma, escorra, evapore, desapareça sem aviso, deixando apenas um vestígio úmido na pele da lembrança.

            E é nesse desaparecer que ele mais se revela.

            O amor nasce como a água brota: inesperado, subterrâneo, vindo de um lugar que não sabíamos existir. Primeiro é um fio tímido, quase imperceptível, um rumor que se anuncia antes de se mostrar.

            Depois cresce, se alarga, toma espaço, contorna pedras, insiste. A água nunca pede licença; o amor também não. Ambos chegam como quem sempre esteve ali, como se fossem uma continuação natural daquilo que somos.

             E, de repente, já não sabemos mais viver sem o seu fluxo constante, sem o seu som repetido, quase musical, preenchendo os vazios que antes eram apenas silêncio.

            Mas o que mais assombra não é o nascimento, é a transformação. A água, quando aquecida, se torna invisível. Sobe, desaparece, se desfaz no ar como um suspiro que ninguém consegue segurar.

             O amor também conhece esse movimento. Ele se eleva sem aviso, deixa de ser presença para virar ausência, e quando percebemos, já não há corpo, já não há toque — apenas um vapor difuso, um eco que insiste em permanecer, embora não se possa mais tocar.

            Como compreender algo que existiu com tanta intensidade e que, ainda assim, se dissolve como se nunca tivesse sido?

            Há uma melancolia própria nesse ciclo, como uma canção tocada em tom menor, repetindo acordes que parecem familiares, mas nunca idênticos.

            A água que escorre hoje não é a mesma de ontem, e o amor que sentimos agora não é o mesmo que nos habitou antes. Ainda assim, carregam algo em comum: uma essência que se recusa a ser fixa.

            São feitos de passagem. São feitos de tempo.

            E o tempo, esse grande regente silencioso, conduz tanto a água quanto o amor em ritmos que não controlamos.

            Há dias em que o amor é chuva intensa, quase tempestade, invadindo tudo, transbordando, ocupando cada espaço disponível. Nesses dias, não há como fugir: somos inundados, tomados por uma sensação que mistura beleza e excesso, como se viver fosse demais.

            Mas há também os períodos de seca, quando o amor se retrai, se esconde, e tudo o que resta é um solo rachado, esperando por algo que talvez não volte.

            A água, nesses momentos, parece uma lembrança distante — e o amor, uma hipótese.

            E ainda assim, mesmo quando desaparecem, ambos deixam marcas. A água molda a pedra com sua insistência suave; o amor molda o coração com sua passagem silenciosa.

            Nenhum dos dois precisa de força para transformar — basta tempo. Basta permanecer, mesmo que em outra forma, mesmo que invisível.

            Porque a água que evapora retorna como chuva, e o amor que se desfaz talvez encontre outro caminho para existir, ainda que não seja mais reconhecível.

            Há uma música escondida nesse processo, algo que não se ouve com os ouvidos, mas com aquilo que resta quando o som termina.

            É um ritmo feito de idas e vindas, de presenças e ausências, de começos que já carregam em si o germe do fim. A água canta quando corre, quando cai, quando evapora — e o amor, de alguma forma, acompanha essa melodia, como se ambos fossem parte da mesma composição, executada em diferentes instrumentos.

            Talvez seja por isso que nos sentimos tão perdidos quando o amor se vai. Não é apenas a perda de algo que estava ali, mas a ruptura de um fluxo, a interrupção de uma música que parecia contínua.

            Ficamos como quem observa um leito seco, tentando lembrar o som da água que já passou por ali.

            E quanto mais tentamos segurar, mais escapa. Porque nem a água nem o amor pertencem a quem tenta possuí-los.

            Eles existem na liberdade de se mover, de mudar, de desaparecer.

            E há beleza nisso, embora doa.

             Há beleza na impermanência, na ideia de que algo pode ser intenso sem ser eterno. A água não precisa permanecer para justificar sua existência; o amor também não. Ambos cumprem seu papel no instante em que são, no toque que deixam, na transformação que provocam.

             O resto é memória — e a memória, assim como o vapor, é uma forma sutil de permanência.

            No fim, talvez amar seja aceitar essa natureza líquida, essa incapacidade de fixar o que por essência é movimento.

             Talvez seja compreender que o desaparecimento não anula o que foi vivido, assim como a água que evapora não deixa de ter existido.

            Ela apenas muda de estado, encontra outro lugar, outro tempo, outro modo de ser.

            E nós ficamos aqui, entre o que escorre e o que evapora, tentando dar nome ao indizível, tentando transformar em palavras aquilo que, como a água e o amor, insiste em escapar.

Clayton Alexandre Zocarato

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GURI lança temporada 2026

GURI lança temporada 2026 com a estreia de três novos grupos. Os 32 Grupos Musicais farão 183 concertos em 50 municípios paulistas, todos com entrada gratuita

GURI lança temporada 2026 com a estreia de três novos grupos
Estudantes de música do GURI. Foto de Robs Borges.

Fotos de divulgação, baixe aqui

Serão mais de 300 obras, incluindo inéditas, de autores brasileiros e mais 25 países, com destaque para a forte presença feminina

Arte, cultura, cidadania e desenvolvimento humano. O GURI é o programa de educação musical da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, que engloba tudo isso. Em 30 anos de história, já transformou a vida de mais de 1 milhão de crianças, adolescentes e jovens em todo o estado. Muitas famílias e comunidades também foram beneficiadas.

E quem estuda música no GURI, tem a oportunidade de fazer parte dos grupos musicais. Do instrumento ao canto, as formações são as mais diversas. Há orquestras e bandas sinfônicas, orquestras e cameratas de cordas, de violões, os corais, as big bands, e os grupos de choro, percussão e música instrumental brasileira.

A Temporada 2026 de Concertos começa em abril e vai até dezembro. Este ano, com uma grande novidade: agora são 32 Grupos Musicais em todo o Estado – três novos grupos estreiam no segundo semestre. Os mais de mil alunas e alunos bolsistas de até 18 anos de idade, farão 183 apresentações em 50 municípios do estado de São Paulo, entre capital, interior e litoral. Todos com entrada gratuita. A programação completa está no site, e parte dos concertos terão transmissão ao vivo no canal SouGURI do YouTube.

Estreias

As regiões de Itapeva, Presidente Prudente e Vale do Ribeira ganham mais três grupos. A Banda Sinfônica do GURI Ouro Verde, a Camerata de Violões do GURI Itapeva e o Coral do GURI Registro estreiam no segundo semestre com três concertos cada. A partir do ano que vem, junta-se aos demais com a realização de seis concertos ao ano.

Capital

Os 10 Grupos Musicais da capital, sendo três Corais, duas Bandas Sinfônicas, uma Orquestra Sinfônica, uma Orquestra de Cordas, uma Camerata de Violões, uma Big Band e um grupo de Choro, fazem 60 apresentações em espaços culturais e educacionais espalhados pela cidade.

Os concertos ocorrem no Theatro São Pedro, Auditório do MASP, Instituto Tomie Ohtake, Fábrica de Cultura, Biblioteca de São Paulo (Parque da Juventude), Casa Museu Ema Klabin, UNIBES Cultural, no Teatro Sergio Cardoso e em várias unidades do CEU (Centro Educacional Unificado) e da ETEC de Artes, ampliando o acesso do público de diferentes regiões da capital.

Serão 10 regentes convidados – a maioria mulheres na condução artística dos grupos, com seis representantes: Mônica Giardini, Cris Fayão, Isabela Siscari, Gabriela Antunes, Yara Campos e Erica Hindrikson. Completam a lista, os maestros Sadao Shirakawa, Daniel Filho, Fábio Bartoloni e Dario Sotelo.

Interior e Litoral

Serão 123 concertos em cerca de 50 municípios paulistas abrangendo todas as regiões do estado, como Araçatuba, Bauru, Botucatu, Franca, Indaiatuba, Itaberá, Jundiaí, Lorena, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Carlos, São Luiz do Paraitinga, Santos, São Vicente, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba, e cidades vizinhas.

Os 22 Grupos Musicais serão regidos por Carol Panesi, Devanildo Balmant, Denise Yamaoka, Douglas Willians, Franklin Ramos, Gesiel Vilarubia, Helinton Costa, José Corulli e Luís Anselmi. Também assumem a batuta Márcio Rodrigues, Marlon Camatari, Patrícia Teixeira, Paulo de Tarso, Paulo Galvão, Paulo Renato, Rodrigo de Jesus, Rodrigo Murer, Rossini Xavier, Thales Maestre, Tiago Fagundes, Tico Proença, entre outros.

Repertório

A música brasileira está em todos os programas, seja concerto sinfônico, instrumental ou canto coral. Obras de Adoniran Barbosa, Ary Barroso, Chiquinha Gonzaga, Dorival Caymmi, Djavan, Milton Nascimento, Tom Jobim, Heitor Villa-Lobos, Cartola, Hermeto Pascoal e Pixinguinha são alguns exemplos. Artistas contemporâneos como Joyce Moreno, Léa Freire, Carol Panesi, Luísa Mitre e Juliana Ripke, também estão na temporada, incluindo obras inéditas encomendadas especialmente para os grupos do GURI.

De internacional, nomes como Johann Pachelbel, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Piotr Ilitch Tchaikovsky, Claude Debussy, Maurice Ravel, Gustav Holst, Philip Sparke, Julie Giroux, Jacob de Haan e Astor Piazzolla reforçam a diversidade de estilos, culturas e períodos que marcam a programação.

Números da Temporada

  • 32 Grupos Musicais
  • 1.000+ bolsistas
  • 183 concertos gratuitos
  • 300+ composições, incluindo obras inéditas
  • 50+ municípios paulistas
  • 34 regentes convidados
  • 22 encomendas de composições e arranjos inéditos

Patrocinadores da Santa Marcelina Cultura – O GURI conta com os patrocínios Master: CTG Brasil; Bank of America; Tauste Supermercados; SABESP; Instituto Motiva; Instituto Ultra; Ultracargo; Ultragaz; Ipiranga; Verzani & Sandrini; Ouro: Vitafor; Via Appia; Arteris; WEG; BASF; Chiesi Farmacêutica; Prata: Novelis; Caterpillar; MAHLE; Usina Santa Maria; DM; Sicoob; Citrosuco; Capuani; Grupo Maringá; Valgroup; Santos Brasil; Instituto Center Norte; Instituto athié | wohnrath; Bronze: Cipatex; Maza; Mercedes-Benz; ACIF-Franca; Apoio Cultural: Ipiranga Agroindustrial; Yamaha; Distribuidora Ikeda; Castelo Alimentos; Pirelli; Frisokar; Tegma; Paulispell; e Ibiuna Investimentos, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Realização: Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura; Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e Santa Marcelina Cultura. 

Para saber mais sobre o GURI, acesse o site oficial.

Para mais informações sobre a Santa Marcelina Cultura, acesse aqui

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Dona Dolores e as minhas bochechas

Eduardo Cesario-Martínez

‘Dona Dolores e as minhas bochechas’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
Imagem gerada por IA do Gemini
Imagem gerada por IA do Gemini

As pessoas reunidas naquela sala, poucas próximas ao féretro, a maioria encostada nas paredes, talvez enojadas pela aparência decrépita da finada ou, ainda, pelo odor desagradável que escapava daquelas carnes em processo de decomposição. No meu canto, apenas observava as duas mãos da velha Dolores, agora repousadas sobre o busto, como se detentoras apenas de ações bondosas enquanto quentes. Que nada! Como sofri com beliscões nas bochechas proeminentes desde menino.

Minha mãe, que ali se encontrava entre as mais despojadas do recinto, acabara de depositar uma coroa de margaridas sobre a defunta. Até eu, um completo néscio em jardinagem, bem sei o que são margaridas. No entanto, caso não fosse pelo comentário lisonjeiro que ouvi do grupo ao lado, jamais saberia que tais flores representam as boas lembranças vividas. Minhas bochechas que o digam!

Mendonça, eis o dono do infeliz comentário. Certamente é um dos próximos da fila, haja vista o avançar da idade. É verdade que posso eu ser o seguinte, pois saúde e meus 28 anos não garantem que o próximo carro desgovernado não me encontrará em alguma esquina. Saravá! Oxalá! Aproximei-me da sucumbida e, discretamente, dei três batidas no caixão. Vai quê!

Olhei ao redor para ver se ninguém me flagrou. A princípio, me senti aliviado, até que percebi o olhar risonho da Sônia, a bela e jovem esposa do Armando. Deve ter no máximo 35. E que carnes! Ela continuou me encarando com aqueles olhos amendoados, como se fosse se entregar para mim. Não consigo encará-la e meu olhar foi direto naquelas pernas torneadas.

A mulher deve ter percebido meu desejo, pois se virou. Fiquei na dúvida se ela se sentiu ofendida ou, então, apenas quis me mostrar a retaguarda. Alcei os olhos para observá-la melhor, mas, antes de chegar ao meu intento, fui despertado do devaneio pelas mãos de minha mãe.

— Maciel, vá ajudar a levar o caixão da Dolores.

Contrariado, peguei numa das alças e, com mais cinco homens, levei o ataúde da velha até o destino final. Destino final do corpo, é verdade, pois a alma, se é que aquela desalmada possuía uma, iria direto lá para baixo fazer companhia ao Jurupari. Imagino até a cena de espanto quando o Tinhoso der de cara com aquela bruxa. Na certa que ele não iria gostar. Capaz até de mandar a velha ressuscitar só pra se ver livre. Deus me livre!

O enterro demorou mais do que o esperado. Tudo por culpa do velho Silas, que veio com um discurso maior do que o do padre. Aliás, esse tagarela bem que deve beirar em idade com o Mendonça. Enquanto ele falava, fiquei imaginando que o defunto era ele. Quem sabe em breve não será esse caduco? Que vão ele e o Mendonça juntos de uma vez. Assim, economiza no velório.

Não sei se sorri sonhando acordado. Talvez tenha até feito cara de quem ganhou beijo de mulher de lábios carnudos. Seja como for, quando pensei em me recompor, eis que a minha mãe me puxou para o canto e me cochichou nos ouvidos.

— Maciel, preciso te contar uma coisa!

Fui arrastado pelo braço até mais adiante. Finalmente, minha mãe me disse que a senhora Dolores havia doado, há quase dois anos, todos os seus bens para mim. Isso mesmo! Aquela boa alma, como não possuía parentes, desejou me fazer o seu único herdeiro.

Não fiquei rico, mas agora tenho uma bela casa para morar, além de uma substancial quantia no banco, o que me dará, por baixo, dois ou três anos de pura esbórnia. Que Deus seja misericordioso!

Eduardo Cesario-Martínez

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PROMPT: como dominar a IA no dia a dia

Capa do Livro Prompt

PROMPT — A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial: o livro que ensina a conversar com o futuro

Por muito tempo, dominar uma ferramenta significou aprender botões, comandos e menus. Hoje, em plena era da inteligência artificial, a habilidade mais valiosa mudou de forma e talvez de essência. Não se trata mais apenas de saber usar tecnologia, mas de saber pensar com ela.

É nesse contexto que surge o 12º livro do escritor J. H. Martins: PROMPT — A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial, uma obra que não apenas acompanha a revolução tecnológica, mas a traduz em algo profundamente humano: linguagem, intenção e clareza de pensamento.

Do despertar à consciência digital

A trajetória de J. H. Martins é, por si só, um reflexo da transformação que vivemos. Desde o lançamento de Nath: A Jornada do Despertar, em 2022, o autor vem construindo uma obra marcada por evolução constante, não apenas literária, mas também conceitual.

Se antes o despertar era interno, agora ele é também tecnológico.

Neste novo livro, Martins não ensina apenas a usar inteligência artificial. Ele propõe algo maior: ensina a pensar melhor para obter melhores respostas.

O poder escondido nas perguntas

Vivemos cercados por ferramentas poderosas como ChatGPT, Copilot, Gemini e tantas outras. Mas poucos percebem que o verdadeiro diferencial não está na tecnologia em si, e sim na forma como nos comunicamos com ela.

O conceito central do livro gira em torno de uma ideia simples, porém transformadora:

A qualidade da resposta depende da qualidade da pergunta.

E é justamente aqui que PROMPT — A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial se torna essencial.

A obra revela, com linguagem acessível e ao mesmo tempo profunda, que escrever um prompt eficiente não é um ato técnico; é um exercício de raciocínio, organização mental e intenção estratégica.

Um livro para o agora e para o que vem depois.

Mais do que um manual, o livro funciona como um guia prático para diferentes perfis:

  • Profissionais que desejam aumentar a produtividade;
  • Empreendedores que querem escalar resultados;
  • Estudantes que buscam aprender mais rápido;
  • Escritores, criadores e pensadores que querem expandir ideias;

Mas talvez o maior mérito da obra seja outro: ela democratiza o uso da inteligência artificial.

Não importa se o leitor é iniciante ou avançado, Martins constrói pontes entre o conhecimento técnico e a aplicação cotidiana.

A inteligência artificial não substitui você; ela amplifica você.

Em um momento em que muitos ainda temem a IA, o livro traz uma visão equilibrada e inspiradora:

A inteligência artificial não veio para substituir o ser humano, mas para expandir sua capacidade de pensar, criar e decidir.

E, nesse cenário, saber escrever prompts se torna uma nova alfabetização.

Por que este livro importa?

Porque ele responde a uma pergunta silenciosa que todos já começaram a fazer:

“Como eu uso a inteligência artificial de verdade?”

A resposta está nas páginas desta obra, não como fórmulas prontas, mas como um convite à evolução pessoal e intelectual.

Onde encontrar

O livro já está disponível para quem deseja dar esse próximo passo:

Uma leitura que muda mais do que resultados, muda mentalidades!

Há livros que informam. Outros ensinam. Alguns poucos transformam.

PROMPT — A Arte de Pensar para a Inteligência Artificial pertence a essa última categoria.

Porque, no fim, dominar a inteligência artificial não é sobre tecnologia.

É sobre aprender a pensar melhor.

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