Exposição Ecos da Casa Interior

A psicanalista Delia Maria De Césaris estreia como artista, com a exposição ‘Ecos da Casa Interior’

Card da exposição 'Ecos da Casa Interior'
Card da exposição ‘Ecos da Casa Interior’
Delia Maria De Césaris - Foto divulgação

A artista plástica e curadora Maria Vieira e Nanaia de Simas, atriz e também curadora, apresentam para a sociedade Sorocabana, em primeiríssima mão, a psicanalista Delia Maria De Césaris, que está se lançando nas artes plásticas.  É a sua estreia como artista e todos estão convidados a ver de perto  a Exposição: ECOS DA CASA INTERIOR,  de 23/10 a 23/12/2025, das 8 às 21h de segunda-feira à sexta-feira  e aos sábados das 08h às 13h, no Centro Cultural JF Estúdio,  Largo São Bento,  91, centro da cidade.

Delia Maria De Césaris pinta Arte Naif.

Segundo a curadora Maria Vieira, a Arte Naif é o sonho acordado das coisas simples: casas pequenas de janelas abertas, flores que jamais murcham, ruas que se curvam como lembranças, tudo nela parece brotar de um território onde o tempo brinca com a infância e o olhar se torna refúgio.

Cada pincelada é uma confissão silenciosa do inconsciente. Freud talvez diria que o artista Naif dá forma àquilo que a mente adulta esqueceu, mas o desejo insiste em recordar: o abrigo, a fantasia, o mundo em que tudo pode ser belo e possível.

Exposição 'Ecos da Casa Interior'
Exposição ‘Ecos da Casa Interior‘ – Foto divulgação

Os casarios coloridos não são apenas casas, são símbolos do Eu: abrigo, corpo, memória. 

As cores, intensas, vibrantes, às vezes quase inocentes, são o grito e o sussurro do desejo de permanência, de afetos não resolvidos, de lembranças que florescem mesmo nas paredes da saudade.

A simplicidade, longe de ser ingenuidade, é profundidade velada: é o inconsciente que pinta com as mãos de uma criança e o coração de um adulto que recorda.

Nesta exposição, de estreia da Delia, cada tela é um espelho disfarçado: olhar para um casario Naif é, de algum modo, visitar a própria casa interior.

É ouvir o eco do inconsciente dizendo, em silêncio colorido, que ainda é possível habitar o mundo com delicadeza.

Nanaia de Simas também ficou encantada com o colorido, os detalhes e a delicadeza presente nas obras da artista Delia Maria De Césaris. 

Curadoria: Maria Vieira e Nanaia de Simas

PROJETO CORES QUE CURAM

A violência contra a mulher demonstra uma situação em que a desigualdade da relação de poder entre os gêneros mostra-se de forma agressiva, trazendo consequências negativas para as mulheres. A violência é uma expressão do desejo de uma pessoa controlar e dominar a outra. E muitas mulheres submetem-se a esse controle e domínio, por medo de perder o companheiro e por não reconhecerem que elas próprias podem por fim ao ciclo de violência. 

Quando essa situação alcança um patamar de grande sofrimento e risco de vida, a mulher procura apoio nas instituições de acolhimento que estão inseridas nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Unir a experiência de mulheres que sofreram agressão com a Arteterapia foi a possibilidade de dar vazão ao grito de liberdade entalado na garganta de todas nós, mulheres, que lutamos para diminuir a cultural e ancestral relação de poder desigual entre os gêneros.  

E trabalhar a arteterapia com mulheres vítimas de violência, é fundamental criar um espaço seguro e acolhedor, utilizando atividades expressivas como pintura, desenho e colagem para que elas possam expressar emoções difíceis de verbalizar, como raiva, medo, frustação e mágoa, podendo auxiliar as mulheres a lidarem com seus sentimentos, possibilitando-as ressignificar a si mesmas. 

Ela ajuda na redução de ansiedade e estresse, melhora a autoestima e o autoconhecimento e fortalece a ressignificação do trauma. O uso da arte como linguagem não verbal facilita a comunicação de experiências difíceis e a criação de um apoio mútuo entre as participantes. 

Esta ajuda foca a arte como forma de comunicação, deste modo, ajuda a expressar e comunicar sentimentos, facilitando a reflexão, a comunicação, e permitindo as mudanças necessárias no comportamento. A criação artística, tomada como ação, coloca em marcha um processo: intervém no espaço terapêutico e invade a realidade, reavaliando-a.

As atividades serão desenvolvidas em oficinas (colocar se será semanal, quinzenal ou mensal). As atividades serão flexíveis, adaptando-se às necessidades do grupo, e focadas em resgatar a subjetividade, autoestima e criatividade, promovendo o autoconhecimento e a reintegração social.  Além disso, acreditamos que a independência econômica é fundamental. Também vamos trabalhar em nossas oficinas, atividades que podem se transformar em fonte de renda, abrindo portas para um futuro com liberdade e novas perspectivas.

Através do processo criativo, as mulheres podem aprofundar o conhecimento sobre si mesmas, fortalecendo o rompimento de padrões de violência e o ciclo de abuso. 

A arteterapia é um recurso acolhedor e curativo para as mulheres vítimas de violência doméstica.

Estratégias e atividades

  • Criar um espaço seguro: 

O ambiente deve ser acolhedor, permitindo que a mulher se sinta segura para expressar seus sentimentos sem julgamentos, o que é crucial para que ela se abra. 

  • Utilizar ferramentas expressivas: 

Pintura, desenho, colagem, modelagem com barro, música e dança são ótimas ferramentas para acessar e processar emoções. A escolha dos materiais pode ser adaptada ao ambiente e às necessidades do grupo, como o uso de lápis de cor, giz de cera, giz pastel, papel 180mg branco e de cores diferentes, cartolina de várias cores, sucata, tinta guache de várias cores, tinta para tecido de várias cores, pincéis de diversos tamanhos, lã de diversas cores e outros materiais. 

  • Focar no autoconhecimento e autoestima: 

Atividades como a criação de mandalas, que simbolizam equilíbrio e reconstrução, ou a “caixa de espelho”, que ajuda no reconhecimento da própria imagem e identidade, são eficazes para resgatar a subjetividade. A escrita terapêutica e atividades que destacam qualidades positivas também fortalecem a autoestima. 

  • Promover a interação e o compartilhamento entre elas no grupo para criar rede apoio e solidariedade, pois é na troca que elas perceberão que cada história é igual a de outras mulheres e nesta troca de experiências, elas podem contar umas com as outras e perceber a importância disso no dia a dia. 

Isso fortalece vínculos interpessoais entre mulheres de diferentes faixas etárias; contribui para o empoderamento e resiliência das participantes; e a possibilidade de integrar uma rede de apoio ampliada, com acesso a recursos terapêuticos e comunitários. 

  • Incentivar a criatividade e a alegria, a arte também pode ser uma ferramenta para trazer alegria e vitalidade. Trazer leveza para a vida das mulheres 

O papel do mediado

Isenção de julgamento, não projetar suas próprias emoções.

É fundamental não minimizar ou justificar a violência vivenciada pela mulher, evitando julgamentos e desqualificações. 

Estar atenta às manifestações de emoção, acolher o máximo possível e desenvolver habilidades de atenção plena para lidar com situações de alto conflito.

Promover reflexão através de atividades, sem direcionar a resposta, e promover a autonomia da mulher, ajudando-a a sair do ciclo de violência. 

Importante. 

A arteterapia é uma ferramenta complementar a outros suportes, como acompanhamento psicológico individual ou em grupo, e assistência jurídica. Em muitos casos, o acompanhamento é realizado em conjunto com outras abordagens dentro de uma rede de apoio multidisciplinar. Para isso, teremos a rede de atendimento e acolhimento de Sorocaba como suporte para este trabalho.

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Katana: A extinção da existência

Douglas R. Veit e o poder de refletir sobre a existência

Katana: A extinção da existência
Katana: A extinção da existência

Natural de Novo Hamburgo (RS), o médico e escritor Douglas R. Veit, de 42 anos, dedica-se há 17 à Medicina de Família e Comunidade, profissão que o aproximou de histórias reais, cheias de humanidade, dúvidas e descobertas.

Douglas Veit
Douglas Veit

É desse olhar sensível e questionador sobre a vida que nasce sua literatura: uma busca por compreender o ser humano em meio aos desafios do mundo contemporâneo.

Seu mais recente livro, “Katana: A Extinção da Existência”, publicado pela Editora Estudos Nacionais, mergulha nas profundezas da mente e da alma, explorando mistérios, dilemas e a essência do existir.

A obra, marcada por camadas simbólicas e um enredo envolvente, traz um mistério que arrepia e provoca reflexões sobre o que realmente move o ser humano.

Douglas acredita que a realidade é moldada pela cultura e que essa, por sua vez, nasce do pensamento, que se transforma em palavra, ação, hábito e, finalmente, sociedade.

Para ele, compreender esse ciclo é essencial para despertar uma consciência crítica em jovens e adultos.

Além de Katana, o autor também escreveu “Pedras no Caminho: Experimento Covid e o Impacto nas Famílias”, uma reflexão médica e humana sobre a pandemia, os medos e a necessidade de diálogo.

Com linguagem acessível e alma filosófica, Douglas R. Veit transforma a escrita em ponte entre ciência, emoção e espiritualidade, um convite para que o leitor reflita sobre o que é, afinal, existir.

REDE SOCIAL DO AUTOR

KATANA: A EXTINÇÃO DA EXISTÊNCIA

SINOPSE

Paulo Andrade é um psiquiatra e professor de filosofia.

Ele tem o desejo de fazer emergir nos jovens a busca de suas essências, de querer ser mais.

No entanto, sentia-se em aflição com a observação de um coletivismo autoritário inibindo a consciência individual, gerando a possibilidade de involução e de uma sociedade sem valores.

Ao descobrir a gravidez de um segundo filho, questiona-se em que mundo eles viveriam, e o que poderia fazer para evitar que o pior acontecesse.

Nesta obra, o leitor terá a oportunidade de retomar as virtudes na sociedade, através dos diálogos e da força do metafísico que se manifestou nessa história em uma cidade do sul do país, cooptando jovens que desapareciam deixando somente um rastro de mistério e medo.

Será que Paulo daria conta desse desafio? Será que os antigos valores de heroísmo e de arriscar à própria pele pelos outros seriam valorizados?

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DO AUTOR

Pedras no caminho
Pedras no caminho

Katana. A extinção da existência
Katana: A extinção da existência

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




A Verdadeira Dor

Bianca Agnelli
‘Entre primos e memórias: O caos irresistível de
A Verdadeira Dor’

Card da matéria sobre o filme ' 'Entre primos e memórias: O caos irresistível de A Verdadeira Dor'
Card da matéria sobre o filme ‘ ‘Entre primos e memórias: O caos irresistível de A Verdadeira Dor’

Gosto quando o cinema fala de solidão, de vidas errantes, de personagens complicados e de coisas difíceis. E quando consegue falar disso com leveza, para mim, é sempre um sim.

A Real Pain (A Verdadeira Dor) aborda exatamente esses temas existenciais – e o faz com aquela elegância imperfeita das pessoas que falam de sentimentos importantes fingindo que não estão falando de nada sério. Dirigido e escrito por Jesse Eisenberg, que também interpreta um dos protagonistas, o filme nos leva a refletir sobre algumas questões emocionalmente complexas. A genealogia, por exemplo: quem disse que é sempre algo feliz? Spoiler: quase nunca é.

Descobrir onde sua avó viveu pode ser menos épico do que você imaginava – e mais… decepcionante. Ou pelo menos é assim para Benji (Kieran Culkin) e David (Jesse Eisenberg), dois primos opostos que embarcam em uma viagem à Polônia para homenagear a avó falecida. A missão parece simples: honrar as raízes familiares. A realidade, como tantas vezes acontece, é bem mais contorcida.

Benji é um vulcão que ainda não decidiu se vai explodir ou não; David é aquele que organiza tudo, inclusive as emoções, como se fossem e-mails a arquivar. Observá-los interagir é como ver um elástico se esticando: dois extremos que se atraem e se repelem, oscilando entre sarcasmo e afeto, irritação e cumplicidade. Ao acompanhar essa peregrinação emocional, você inevitavelmente reconhece uma parte dessa dinâmica em algum relacionamento seu: o caos contra a compostura, a risada que mascara o desconforto e a paciência sendo levada ao limite.

Entre um tour guiado, um hotel que parece gritar “tapetes tristes e luzes brancas demais”, e uma série de momentos de convivência estranhamente ternos e disfuncionais, o filme constrói um diálogo invisível entre os protagonistas e revela um vínculo mais profundo do que ambos gostariam de admitir – narrado através de gestos, silêncios e frases cortadas. Porque certos afetos nunca são ditos de verdade: apenas escapam, como fumaça por uma janela mal fechada.

E então chegamos ao cerne da questão – àquela pergunta que talvez fosse melhor não fazer: qual é o seu direito à felicidade? E se, mesmo tendo todo direito e toda oportunidade, você simplesmente não conseguisse ser feliz?

David é o homem “estabilizado”, com esposa e filhos, que seguiu todas as instruções do manual. Benji é a faísca – o homem imaturo que tropeçou em vícios, depressão e dor, e ainda por cima ri disso.

A felicidade, neste filme e na vida real, é caprichosa, às vezes ausente, e quase sempre difícil de segurar. Sabemos que ela não se distribui com base em méritos ou currículos emocionais, e o filme nos leva a refletir sobre quanto a memória transgeracional pesa nisso: o que significa ser neto de sobreviventes, e como as gerações seguintes herdam (e muitas vezes rejeitam) esse passado.

A interpretação extraordinária e genuína de Kieran Culkin, com seu Benji adorável e igualmente problemático, lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Protagonista na 97th Academy Awards deste ano.

Para escrever o filme, Eisenberg declarou ter se inspirado em experiências familiares e pessoais, especialmente no tema da memória judaica e nos laços entre irmãos. Um experimento cuidadosamente conduzido – e premiado no Sundance Film Festival 2024, onde recebeu o Waldo Salt Screenwriting Award na seção U.S. Dramatic.

O filme também levou dois prêmios no British Academy of Film and Television Arts (BAFTA): Melhor Ator Coadjuvante para Kieran Culkin e Melhor Roteiro Original para Jesse Eisenberg.

Na direção, Eisenberg escolhe uma leveza que não suaviza, mas aprofunda. Ele usa a Polônia não como cartão-postal, mas como um lugar de memória viva – cheio de arestas, silêncios e uma história que resiste à ordem. A visita ao campo de concentração não é um clímax retórico: é uma pausa em que a realidade se impõe em toda a sua gravidade, sem música nem palavras, em uma sequência inesquecível que nos mantém presos à tela em silêncio.

Eisenberg assina um filme compacto – 90 minutos de precisão cirúrgica – mas cheio de fissuras emocionais, ritmos desalinhados e ironia cuidadosamente medida. Ele não busca a catarse: a evita com elegância. Assim, em vez de um final feliz, nos entrega um aftertaste: uma sensação agridoce que permanece na boca como uma lembrança teimosa, daquelas que não desaparecem depois dos créditos finais.

A Real Pain não pretende curar ninguém. Convida-nos, sobretudo, a permanecer nesse ponto desconfortável onde a memória encontra a ironia, onde o riso não apaga a dor – apenas a torna suportável. Porque existir não é fácil, e certos dramas existenciais são, sim, um privilégio dos afortunados. E porque – sejamos honestos – nem toda viagem tem um destino. Algumas terminam exatamente onde começaram: dentro de nós, com aquela sensação precisa de que a vida, com todas as suas complicações, é mesmo… uma verdadeira dor.

Bianca Agnelli

Tra cugini, fermate perse e memoria transgenerazionale: L’irresistibile caos di A Real Pain

A Real Pain affronta proprio questi temi esistenziali, e lo fa con quella grazia sghemba delle persone che parlano di sentimenti importanti fingendo di non farlo davvero. Diretto e scritto da Jesse Eisenberg, che interpreta anche uno dei protagonisti, il film ci fa riflettere su giusto un paio di questioni emotivamente complesse. La genealogia, per esempio: chi l’ha detto che è sempre una cosa felice? Spoiler: non lo è quasi mai.

Scoprire dove viveva tua nonna può rivelarsi meno epico di quanto potessi immaginare e più… deludente. O almeno lo è per Benji (Kieran Culkin) e David (Jesse Eisenberg), due cugini agli antipodi che intraprendono un tour in Polonia per rendere omaggio alla loro nonna defunta. La missione è semplice: onorare le radici familiari. La realtà, come spesso accade, è più contorta.

Benji è un vulcano che non ha ancora deciso se esplodere o no; David è quello che mette ordine e controlla le emozioni come fossero email da archiviare. Guardarli interagire è come osservare un elastico che si tende: due estremi che si attraggono e si respingono, oscillando tra sarcasmo e affetto, irritazione e complicità. Osservandoli in questo pellegrinaggio emotivo, ti ritrovi a riconoscere almeno un pezzetto di quella dinamica in qualche tua relazione passata; il caos contro la compostezza, la risata che nasconde il malessere e la pazienza messa a dura prova.

Tra un tour guidato, un hotel che sembra urlare «tappeti tristi e luci troppo bianche», una serie di momenti di convivenza bizzarra e teneramente disfunzionale, il film costruisce un dialogo invisibile tra i due protagonisti e mostra un legame più profondo di quanto entrambi vorrebbero ammettere, raccontato attraverso gesti, silenzi e battute smozzicate… perché certi affetti non si dicono mai davvero: si lasciano trapelare, come fumo da una finestra chiusa male.

E poi arriviamo dritti al punto, alla domanda che forse sarebbe meglio non porsi: quanto diritto hai di essere felice? E se, pur avendone ogni diritto e possibilità, semplicemente non ci riuscissi

David è l’uomo sistemato, con moglie e figli, quello che ha seguito le istruzioni alla lettera. Benji è la scheggia, l’uomo immaturo che nella vita è inciampato nelle dipendenze, nella depressione e nel dolore, e ci ride pure. 

La felicità, in questo film e nella vita reale, è capricciosa, a volte assente, e in ogni caso difficile da tenersi stretta. Sappiamo che non si concede in base a meriti o curriculum emotivi, e siamo spinti a chiederci quanto la memoria transgenerazionale incida su essa: interrogarci su cosa significhi essere nipoti di sopravvissuti, e su come le vite successive ereditino (e spesso rifiutino) quel passato. L’interpretazione straordinaria e sincera che Kieran Culkin ci ha servito con il suo adorabile ed altrettanto problematico Benji, gli è valsa l’Oscar come migliore attore protagonista ai 97th Academy Awards di quest’anno.

Eisenberg, per la scrittura del film, ha dichiarato di essersi ispirato a esperienze familiari e personali, in particolare al tema della memoria ebraica e dei legami tra fratelli. Un esperimento sapientemente condotto, direi, che è stato premiato al Sundance Film Festival 2024, ottenendo il Waldo Salt Screenwriting Award nella sezione U.S. Dramatic.  

Anche ai British Academy of Film and Television Arts (BAFTA) il film ha ricevuto due premi: quello per il Miglior Attore Non Protagonista a Kieran Culkin e per la Migliore Sceneggiatura Originale a Jesse Eisenberg.  

Eisenberg, alla regia, sceglie una leggerezza che non alleggerisce ma approfondisce. Usa la Polonia non come cartolina ma come luogo di memoria viva – pieno di spigoli, silenzi, e storia che non si lascia mettere in ordine. La visita al campo di concentramento non è un climax retorico: è una pausa di realtà che si impone in tutta la sua gravità, senza musica né parole, in una sequenza memorabile di scene che ci tiene silenziosamente incollati allo schermo.

Eisenberg firma un film compatto – 90 minuti di misura chirurgica – ma denso di crepe emotive, ritmi sbilanciati e ironia ben dosata. Non cerca la catarsi: la evita con eleganza. E così, invece di un lieto fine, ci regala un aftertaste: una sensazione agrodolce che rimane in bocca come un ricordo ostinato, di quelli che non svaniscono dopo i titoli di coda.

A Real Pain non vuole guarire nessuno. Ci invita piuttosto a stare in quel punto scomodo dove la memoria incontra l’ironia, dove le risate non cancellano il dolore ma lo rendono sopportabile. Perché esistere non è facile, e certe seghe mentali restano privilegio dei fortunati. E perché – diciamolo – non ogni viaggio ha una destinazione. Alcuni finiscono dove cominciano: dentro di noi, con quella sensazione puntuale che la vita con tutte le sue complicazioni sia, sì, una vera seccatura. 

Bianca Agnelli

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A ostra e a pérola

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘A ostra e a pérola’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing, em 20 de outubro de 2025, às 7:30 PM
Imagem criada por IA do Bing, em 20 de outubro de 2025, às 7:30 PM

Era uma vez uma ostra que vivia tranquila nas profundezas do oceano.

Todos os dias, ela se abria suavemente para sentir o movimento das águas, filtrando nutrientes e respirando a vida do mar.

Mas, num certo dia, uma pequena partícula de areia penetrou em seu interior.

Era algo minúsculo, quase imperceptível — mas que causava dor.

Aquela ferida constante começou a incomodar, irritar e mudar o seu estado.

A ostra não tinha como fugir. Não podia expulsar o grão.

Então, em silêncio, decidiu transformar a dor.

Começou a envolver aquele corpo estranho com uma substância especial, brilhante e delicada — chamada nácar.

Camada por camada, a ostra cobriu a ferida, e o que antes era dor passou a se tornar algo belo.

O tempo foi seu aliado.

E quando o mar, com sua paciência infinita, completou o ciclo,

a ostra já não carregava mais uma ferida — mas sim uma pérola:

a joia mais rara e preciosa, nascida do sofrimento transformado em arte.

Assim também somos nós, seres humanos.

Cada dor, cada decepção, cada ferida invisível é um grão de areia que a vida permite entrar em nosso interior.

Não para nos punir — mas para nos ensinar o poder da transformação.

Enquanto muitos se revoltam com a dor, a ostra nos mostra outro caminho: o do trabalhar interno.

Ela não reclama, não se fecha para sempre, não busca culpados.

Ela age em silêncio, transforma com paciência, e se regenera pela beleza da criação.

No tempo certo — nem antes, nem depois — aquilo que doeu se torna luz.

O sofrimento, quando acolhido com amor e consciência, deixa de ser ferida e passa a ser sabedoria.

É assim que a alma amadurece, é assim que o espírito se fortalece, é assim que nascem as pérolas humanas.

E a natureza, sábia como é, nos ensina:

a cura não vem da fuga, mas da transformação.

O processo pode ser demorado, mas é perfeito.

Assim como a ostra, cada um de nós carrega o dom divino de regenerar, ressignificar e revelar a joia que habita dentro.

A verdadeira Saúde Integral nasce quando aprendemos a acolher a dor, compreender o tempo e permitir que a luz que está em nós brilhe através daquilo que um dia nos feriu.

Porque, no fim, as pérolas da vida são o testemunho de que a dor, quando bem cuidada, se transforma em beleza eterna.

“Os que semeiam com lágrimas colherão com alegria.

Aqueles que choram enquanto plantam

voltarão cantando de alegria,

trazendo os seus feixes de colheita.”

O salmista nos lembra que toda dor é também uma semente.

E que, mesmo regada por lágrimas, ela germina quando há fé, paciência e esperança.

Assim como a ostra transforma sua ferida em joia, o ser humano que cultiva o bem no meio da dor colhe, no tempo certo, a beleza da cura e o brilho da superação.

Joelson Mora

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Excesso de paixão

 Jacob Kapingala: Poema ‘Excesso de paixão’

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Imagem criada por IA do Grok
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Beleza indescritível,
Que nem Cleópatra.
Personalidade desejável,
Em ti qualquer um encontra.

Mexes com todos os meus sentidos!
Quero-te aqui comigo, mesmo que não faça sentido.
Mas pouco importa o sentido…
Pois contigo perco os sentidos.

Por ti, a lei eu infrinjo,
Não sou um anjo,
Mas por ti, eu me finjo,
Pra te ter faço qualquer arranjo.

Faço e desfaço.
Meu amor por ti é de aço!
Eu até tento e me faço,
Mas meu coração é teu espaço.

Meu amor por ti é crônico,
Até eu estou atónito.
Eu sei… Parece irônico,
Mas é o que ocorre de facto.

Meu amor por ti é um lindo verso,
É um amor do tamanho do universo,
É um mundo genial no qual pertenço,
É tão puro como uma criança no berço.

 
Jacob Kapingala

 Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

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Oceano profundo meu

Ella Dominici: Poema ‘Oceano profundo meu’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Grok

às vezes vejo verde azulado
intenso como turquesa
tom denso petróleo cobiçado
do que se trata o profundo
tal abismo esverdeado
riquíssimo em diversas belezas?

quiçá outro mundo
morada de homens esquecidos
casa eterna e leviana
de aquáticos anfíbios
simples descanso de envaidecido
resquício de flores diluvianas

pareço mergulhar na diluída
manta anil intensa e imensa
líquida descida em que fluo
penso e divago que sumo
vistas de agrestes ramagens
ou celestes folhagens
terra molhada de iodo
céu de sal perfumado

recorro ao ar que concentro
no centro de meu espírito
conscientizo o atemporal
e ilimito o fôlego
no pensamento

neste oceano infinito
gritei por dentro
acorrentei leviatã
passei leve por tormentos
mais limpa que escumas

vislumbro meio atônita
as ondas do amado mar
no passável livre passo
passível apalpar o impossível
acaricio nítido invisível
tal pomba folha-oliva ao bico

sou água viva transparente
queimando tristezas ardentes
anseios boiam nas vagas
cismas mais nenhumas
alcanço o céu sem brumas

Ella Dominici

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Irritado

Clayton Alexandre Zocarato: Poema ‘Irritado’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA da Meta

tô irritado.
não com o mundo —
mas com o jeito que ele me olha,
como se minha cara
tivesse que sorrir o tempo todo.

tô irritado,
com essa paz fake de feed,
com frase feita de gente que nunca sentiu
a própria raiva rasgar por dentro.

tô irritado,
porque amar virou aplauso,
e pensar virou ameaça.
porque todo silêncio agora parece culpa
e toda dúvida, crime.

tô irritado.
mas não vou gritar.
prefiro cuspir poesia
que fede a verdade
e queima na língua de quem lê esperando flores.

tô irritado —
mas não triste.
meu incômodo é semente
que cresce no concreto
pra empurrar o chão de volta pro céu.

Clayton Alexandre Zocarato

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