Doce escritora

Denise Canova: Poema ‘Doce escritora’

Denise Canova
Denise Canova
Denise Canova - Arquivo pessoal
Denise Canova – Arquivo pessoal

Doce escritora

É assim que me refiro

O poder feminino literário

Eu amo esse poder

Com ele, eu sou uma heroína.

Dama da Poesia

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Prêmio Cultivista de Sorocaba – Vozes que Inspiram

O professor, historiador e escritor Carlos Carvalho Cavalheiro, um dos nomes mais atuantes da cultura sorocabana, foi agraciado com o Prêmio Cultivista de Sorocaba – Vozes que Inspiram

Logo do Premio Cultivista de Sorocaba – Vozes que Inspiram
Logo do Premio Cultivista de Sorocaba – Vozes que Inspiram
Carlos Carvalho Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro

O professor, historiador e escritor Carlos Carvalho Cavalheiro, um dos nomes mais atuantes da cultura sorocabana, foi agraciado com o Prêmio Cultivista de Sorocaba – Vozes que Inspiram, concedido pelo Movimento Cultivista Café com Poemas, entidade que há 12 anos promove a arte, a literatura e a cultura local.

Com uma produção intelectual que ultrapassa 30 publicações, Cavalheiro se destaca por dar voz às histórias invisibilizadas: biografias de mulheres do passado, memórias do operariado, histórias dos negros em Porto Feliz, folclore, e o registro de comunidades pouco retratadas na historiografia tradicional. Reside em Sorocaba, onde além de pesquisar, também leciona História na rede pública de Porto Feliz.

Entre suas obras mais lembradas estão ‘A Greve de 1917 e as eleições municipais de 1947 em Sorocaba’, ‘Salvadora!’, ‘Memória Operária’, ‘Sorocaba Lusitana’, ‘Entre o Sereno e os Teares’, e ‘O Legado de Pandora’. Já foi premiado diversas vezes no Prêmio Anual Sorocaba de Literatura, sendo um dos autores mais reconhecidos nesse certame.

O Movimento Cultivista, coordenado localmente por Priscila Mancussi, busca unir escritores, poesias, pesquisa e difusão cultural, oferecendo prêmios, coletâneas literárias e espaço de expressão para autores independentes. O Prêmio Cultivista – Vozes que Inspiram valoriza aqueles cujas trajetórias deixam marca expressiva na sociedade por meio da arte, da história ou da cultura comunitária.

A cerimônia de entrega do prêmio incluirá homenagem formal, publicação de trecho biográfico e bibliografia em edição especial do Revista Café com Poemas, como forma de divulgar ainda mais o trabalho de Carlos Cavalheiro à comunidade.

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Fim de tarde

Evani Rocha: Conto ‘Fim de tarde’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft
Imagem criada por IA do Gencraft

A tarde caiu em seu olhos anuviados e perdidos no horizonte!

O que se passa nos seus últimos anos de vida?

Será que ela já perdoou seus opressores, seus algozes, seus traidores?

Talvez, nessas noites escuras, ela ainda revisita seus cativeiros interiores…

E na face descaída escorre uma cachoeira silenciosa.

Ela está sempre calada e distante: de uma mulher prosa, a uma sombra lenta a vagar em sua própria memória…

Esgotou-se finalmente seu repertório, suas retóricas sobre as coisas da vida…

Teve tudo o que um dia pensou ser necessário, e nada do que, talvez, sua meninice lhe prometia.

Lá, bem no fundo do seu ser, ela ainda é uma criança, correndo pelos corredores da casa…imaginando desenhos de nuvens… rabiscando seu diário.

Este rosto sisudo, deveras, sofre por não poder retornar, por não poder revidar, por não poder perdoar-se!

O tempo é cruelmente fugaz! E a matéria humana manipulável, volátil, cruelmente sensível…

O corpo não suporta o rigor do tempo. Vai-se com ele o brilho, o viço, a vivacidade…Menos a história registrada na memória – Essa vai, volta, fica, Muda de forma…massacra!

Ela não cede, por rebeldia, por acreditar num retorno, numa viagem sideral…

Pois ainda há força pra contemplar os girassóis às margens do caminho, os desenhos geométricos que vão se revelando entre as escarpas.

Finalmente, o corpo denuncia a chegada.  Os vagões se esvaziam –  A boca está cerrada e as mãos em prece…

Não há pressa em desembarcar. Mas em seus labirintos interiores há uma efervescência, um fulgor na alma…

E incrivelmente, no fundo dos olhos um sol gigante em ebulição!

Evani Rocha

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Uma expressão existe que não chega a ser arte

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Uma expressão existe que não chega a ser arte’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

Toda a Arte é expressão, mas nem toda a expressão é Arte, porque, efetivamente, não há Arte no deficiente que é mudo, como não há Arte naquele que, emotivamente, se exprime de forma inarticulada. A Retórica no sentido depreciativo, deturpando a palavra, simulando expressão, também não é arte.

A expressão artística não pode ser deficiente, nem transcendente, nem insuficiente, nem excessiva, mas pode haver arte na introdução intencional do teatro, da pintura, da escultura, da arquitetura. No estudo sobre a arte, o autor destas três situações, José RÉGIO, destaca igual número de aspetos eliminatórios de arte.

Uma expressão existe que não chega a ser Arte, pela qual se pode imaginar uma pessoa que, visivelmente emocionada, não consegue exprimir-se com clareza e rigor, por mais compreensível que seja a mímica, por mais profunda que seja a sua dor, no entanto, tais manifestações são uma forma de expressão.

Toda e qualquer expressão vital: desde o silêncio ao grito angustiado; da tristeza à alegria; da alteração da fisionomia à descompostura do corpo; exprime, a cada instante, a infinita complexidade da vida psíquica do ser humano, mas tais expressões vitais não são expressão artística, porque lhes faltam a intencionalidade, porque revelam sinceridade, porque denotam espontaneidade, porque não há o compromisso de suscitar a admiração, nem a preocupação do receio da crítica.

A expressão artística é uma representação mediata, indireta, em relação à expressão vital, tendo, apesar disso, de comum o ser humano, daí que a reciprocidade entre as duas expressões seja uma realidade, na medida em que o artista precisa de ser uma pessoa superiormente dotada, em experiência humana, isto é, rica em sentimentos, emoções e ideias.

A arte vai beber à expressão vital, quando um simples gesto humano é captado, descrito ou interpretado por um pintor, romancista ou ator, ela até complementa a expressão vital, tornando-se, por vezes, uma substituta da vida.

Com efeito: «muitas vezes a expressão artística se afirma suplente duma expressão vital frustrada ou incompleta (…) ganhando mais força e realidade, atingirem superior profundeza e superior subtileza (…) aqueles instintos, tendências, impressões, emoções, sentimentos, ideias a que o artista não soube, não pôde ou não quis dar expressão vital.» (RÉGIO, 1980:25). Apesar de tudo, a expressão artística não substitui a expressão vital, nem tão pouco uma se reduz à outra.

A expressão artística é interessada, intencional, dirigida, ao contrário da expressão vital, que é espontânea, reflexiva e imprevidente, todavia, certas atitudes da expressão vital, como o rir, o chorar e o gritar, podem transformar-se em expressão artística, se a intenção é, efetivamente, fixar e comunicar, dentro dos mais amplos limites, no espaço e no tempo, porém, a pura expressão vital, no seu aspeto mais rudimentar, espontâneo, não chega a ser expressão artística, precisamente por lhe faltar intencionalidade, premeditação, fixação e comunicação. 

Naturalmente que tais limites definidores, são-no dentro de um relativismo mais ou menos dilatado e subjetivista.

BIBLIOGRAFIA

RÉGIO, José, (1980). Três Ensaios sobre a Arte. Em Torno da Expressão Artística. 2ª Ed. Porto: Brasília Editora.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Panorama International Arts Festival 2025

Este festival reúne escritores, poetas, dançarinos, artistas visuais, cantores e atores, oferecendo um espaço único para o intercâmbio artístico e cultural

Card do Panorama International Arts Festival 2025
Card do Panorama International Arts Festival 2025

A era digital revolucionou a forma como nos conectamos com a arte, expandindo seu alcance globalmente e permitindo que artistas alcancem públicos internacionais como nunca antes. Esse fenômeno abre um mundo de possibilidades para criadores de todas as disciplinas, transformando a experiência artística em uma celebração multicultural acessível de qualquer canto do globo.

Nesse contexto, surge o PANORAMA INTERNATIONAL ARTS FESTIVAL 2025, um evento digital de alta relevância com sedes na Índia, Grécia e Itália, e apresentações em diferentes países e regiões do mundo. Este festival reúne escritores, poetas, dançarinos, artistas visuais, cantores e atores, oferecendo um espaço único para o intercâmbio artístico e cultural.

A professora, poetisa e diretora do festival Irene Doura-Kavadia nos convida a fazer parte desta iniciativa, cujo tema central é “Jalam: A Gota da Vida“, inspirado no elemento clássico da água. De acordo com Irene, “O Panorama International Arts Festival 2025 é uma celebração global onde artistas de todos os cantos do mundo compartilham sua visão, paixão e legado. Aqui, a arte se torna a voz da humanidade, um chamado à unidade e uma poderosa força de transformação”.

O lema deste encontro é: “Deixe seu nome brilhar no cenário global”. O professor Preeth Nambiar, fundador e presidente da Writers Capital International Foundation, afirma que “sua arte nunca foi feita para ficar confinada: ela nasceu para viajar, para ressoar, para inspirar.

Neste festival, sua criatividade encontra seu devido lugar entre as vozes mais brilhantes do mundo. Aqui, fronteiras se dissolvem, culturas se unem e cada obra-prima encontra seu público eterno.”

O festival oferece múltiplos benefícios para aqueles que decidem participar desta experiência única:

  • Participe de um evento artístico que busca estabelecer um recorde mundial.

  • Conecte-se com artistas e profissionais de renome internacional.

  • Crie um legado duradouro na comunidade artística global.

  • Contribua para a mudança social por meio da arte e de temas significativos.

  • Exiba trabalhos em plataformas internacionais e mídias sociais.

  • Aumente a visibilidade online com conteúdo otimizado para SEO.

  • Alcance exposição internacional e atraia um público amplo.

  • Enriqueça o portfólio artístico com reconhecimento global.

  • Concorra a prêmios que celebram a excelência artística.

Irene enfatiza que “cada artista não é apenas um participante, mas um portador de cultura e humanidade”. O festival segue um processo organizado que garante visibilidade e reconhecimento a cada participante:

  • Apresentação oficial e pôsteres de boas-vindas.

  • Publicação de biografias e artigos detalhados na Writers Edition.

  • Exibição de pôsteres com os trabalhos dos participantes.

  • Compartilhamento de vídeos com apresentações artísticas (quando recebidos).

  • Introdução ao Quill Compendium com perfis em destaque.

  • Avaliação crítica dos trabalhos inscritos.

  • Entrega de Certificados de Excelência a todos os participantes.

  • Anúncio do prestigiado Panorama International Arts Awards.
    Este processo garante que cada artista tenha seu momento de destaque no evento.

Convidamos cordialmente artistas de todas as disciplinas mencionadas, bem como escritores, poetas e criadores em geral, a participar deste grande encontro artístico global.

Se você conhece alguém interessado, sinta-se à vontade para recomendar este festival e entrar em contato conosco pelo e-meio wcifcentral@gmail.com.
Fundação Writers Capital e Festival Internacional de Artes e Literatura Panorama.

Descubra o universo artístico e humanístico da Fundação Writers Capital e do Festival Internacional de Artes e Literatura Panorama, onde palavras, criatividade e cultura se unem para construir pontes de entendimento entre os povos do mundo.

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Revista online: https://www.writersedition.com/, um espaço onde publicamos artigos, entrevistas e homenagens dedicadas aos participantes do festival e às vozes criativas que inspiram o mundo.

Junte-se à nossa comunidade global de artistas, escritores e sonhadores. Arte e literatura nos unem além das fronteiras!

Será uma honra compartilhar e celebrar juntos neste lindo festival internacional virtual.

Carlos Javier Jarquín

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Luz e trevas

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: Artigo ‘Luz e trevas’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing
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 “Para ti, a escuridão não é escura, e a noite é tão clara como o dia; para ti,
a escuridão e a luz são a mesma coisa.” (Salmo 139:12 – NTLH)

Desde o princípio, o ser humano aprendeu a separar — bem e mal, certo e errado, luz e trevas. Mas, à medida que a consciência se expande, compreendemos que o Criador nunca viu o mundo por metades.

Para Deus, segundo o salmista, a luz e as trevas são a mesma coisa. Ambas pertencem à mesma origem, à mesma energia, à mesma sabedoria.

Hermes Trismegisto, no Caibalion, já ensinava:

“Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau.”

A luz e a sombra são expressões de um mesmo princípio. Assim como o quente e o frio são variações de uma única substância — o calor —, a luz e as trevas são gradações de uma mesma realidade espiritual.

No livro de Isaías 45:7, encontramos:

“Eu crio a luz e também a escuridão; trago a paz e também as desgraças. Eu, o Senhor, faço todas essas coisas.”

Há uma sabedoria divina em tudo o que existe, inclusive naquilo que não compreendemos. As trevas não são o oposto da luz, mas o campo fértil onde a luz nasce e cresce.

Na jornada interior, chamamos de sombra aquilo que ainda não foi iluminado dentro de nós — memórias, dores, traumas, culpas e medos. Mas é nesse território sombrio que o autoconhecimento se torna cura.

Como ensinou Jung, “não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas tornando consciente a escuridão”.

A saúde integral, nesse sentido, não é ausência de trevas, mas a integração delas.

Jesus disse em João 1:5:

“A luz brilha na escuridão, e a escuridão não conseguiu apagá-la.”

A luz espiritual é a consciência desperta, aquela que permanece mesmo em meio às tempestades da vida.

E quando essa luz se acende dentro de nós, ela revela não apenas o que é belo, mas também o que precisa ser restaurado.

O apóstolo Paulo reforça essa visão em 2 Coríntios 4:6:

“O Deus que disse: ‘Que a luz brilhe no meio da escuridão’ foi quem fez a sua luz brilhar no nosso coração…”

Essa luz interior é a força da cura, o ponto de equilíbrio entre o físico, o mental e o espiritual — o verdadeiro sentido da Saúde Integral.

No corpo, esse equilíbrio se manifesta nos ciclos naturais: sono e vigília, inspiração e expiração, movimento e repouso.

Na alma, traduz-se em aceitação e perdão.

E no espírito, em reconciliação com o todo — com a unidade de onde viemos.

Em Efésios 5:8-9, lemos:

“Antigamente vocês viviam na escuridão; mas agora que pertencem ao Senhor, vocês vivem na luz. Por isso, ajam como pessoas que vivem na luz.”

Viver na luz é viver com consciência, sem negar a sombra — é acolher o que dói e permitir que a dor se transforme em sabedoria.

Na criação, está escrito em Gênesis 1:3-4:

“Então Deus disse: ‘Que haja luz!’ — e a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa e a separou da escuridão.”

A separação não é exclusão, mas harmonia. O dia precisa da noite. O descanso dá sentido ao trabalho. O silêncio sustenta o som.

Assim também é em nós: a verdadeira luz não destrói as trevas — ela as acolhe e as transforma.

Quando compreendemos isso, entramos em um estado de unidade, onde corpo, mente e espírito se alinham à frequência da vida.

A Saúde Integral começa quando deixamos de lutar contra o que somos e passamos a integrar tudo o que somos — luz, sombra, dor e amor.

Nesse ponto de encontro entre Hermes e o Salmista, entre o humano e o divino, está o segredo do equilíbrio, da cura e da paz.

“A verdadeira luz não teme a escuridão, porque ela sabe que é de lá que veio.”

Joelson Mora

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A vida não é tão simples assim

Eduardo Cesario-Martínez

Conto ‘A vida não é tão simples assim’

Logo da seção O Leitor Participa
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Imagem criada por IA da Meta em 10 de outubro de 2025, às 11:15 PM
Imagem criada por IA da Meta em 10 de outubro de 2025, às 11:15 PM

Ludmila, mas pode me chamar de Lud. Nem precisa de senhora, pois sei que sou velha, não preciso de ninguém para me lembrar disso a todo instante. Então, Lud ou, caso não se sinta à vontade, que seja Ludmila, como as nossas idades fossem quase um abismo intransponível para alguém tão cheio de regras que nem… Bem, que nem você!

Tudo aconteceu nos idos de 1963, quase início de 1964. Festa de Natal na casa de Dalva, tia do Jaime, com quem me casei tão novinha. Gente, como é que fui permitir que mamãe fizesse tamanho descalabro comigo? Tempos outros, quando as mocinhas, mal largavam as bonecas, já eram preparadas para o casório. E comigo não foi diferente. 

Jaime Gonçalves do Amaral, um jovem advogado, provavelmente alvo de algumas garotas, haja vista o futuro promissor. Nem o conhecia direito. Quer dizer, sabia quem era, pois frequentava a casa dos meus pais há quase dois anos. Na época, imaginava se tratar de negócios imobiliários ou coisa do tipo, até perceber, já perto do final da minha festa de debutante, que o negócio, na verdade, era eu. 

— Ludmila, minha filha, este é o Jaime, seu futuro marido.

Boquiaberta, olhei para minha mãe, que fora incumbida por papai a me dar a notícia logo após a valsa. Desesperançada, busquei os olhos do meu pai em busca de conforto, mas só senti náuseas quando ele me sorriu.

— Feliz?

Feliz? Como é que o meu pai, justamente quem deveria me proteger, poderia me fazer tamanha pergunta? Gente, eu era apenas uma pobre e indefesa garotinha de 15 anos. Já imaginou a cena?

Sem ter a quem recorrer, abaixei os olhos e respondi que sim. O que eu poderia ter feito? Fugido ao som de rock and roll, tão em voga naquela época? Apesar de muito nova, não era ingênua a ponto de imaginar que o Elvis ou o Marlon Brando fosse me salvar, ainda mais porque sempre tive uma queda pelo Montgomery Clift. 

Mamãe me preparou, mas sem entrar em detalhes. Disse-me o básico do básico, como se aquilo fosse resolver todos os meus problemas. Pelo contrário, pois me trouxe outros após me deparar com a realidade.

Casei-me no ano seguinte sem nem mesmo conhecer direito o homem que, a partir daquele momento, se tornou meu marido pelos próximos 43 anos, até ele sucumbir. Confesso que os últimos anos ao seu lado foram de profunda cumplicidade, pois desenvolvemos fortes laços de amizade, mas nunca de amor. Amor, creio que você bem sabe, é coisa mais complicada.

Tornamo-nos amigos, mesmo que o início não tenha sido um mar de rosas, quando meu marido, talvez querendo mostrar ao mundo algo que não era, tentou, a todo custo, me engravidar. Conseguiu seu intento e, nove meses após, nasceu Augusto, nosso único filho. A partir de então, enquanto cuidava da criança, vi meu marido se entreter com meu primo Carlos, solteirão convicto, em viagens de última hora, como se os dois fossem salvar o planeta da então quase certa Terceira Guerra Mundial, cada vez mais temida por todas as nações logo após a invasão da Baía dos Porcos orquestrada pelos Estados Unidos em 1961.

Não sei exatamente se foi o medo de que a população mundial fosse dizimada ou o alívio pelo nascimento do filho que empurrou Jaime para se aventurar com Carlos. Confesso que senti certo alívio pela situação, mesmo porque andava exausta, apesar da presença constante de Felícia e Maria Aparecida, nossas empregadas.

Quando Augusto já estava em idade que não necessitava mais de tantos cuidados maternos, eis que comecei a olhar ao redor. E foi justamente naquele Natal de 1963, que meus olhos se cruzaram pela primeira vez com os do Renato, sócio do meu esposo no escritório. Ainda tentei disfarçar meu interesse pegando uma castanha na ampla mesa. Entretanto, péssima atriz que sempre fui desde a noite de núpcias, não consegui convencer aquele homem tão… Bem, não estou aqui buscando redenção. Admito, Renato foi meu maior desvio de caráter. 

Nosso primeiro encontro aconteceu em uma biblioteca pública. Estava eu folheando um exemplar de Dom Casmurro quando Renato, sorrateiro, se aproximou por trás e pousou a mão esquerda sobre meu ombro. Quase gritei, mas me contive, ainda mais porque não queria ser descoberta, mesmo em local tão discreto. 

Conversamos trivialidades, até que fui convencida (ou será que fui eu a fazê-lo?) a irmos para um ambiente mais apropriado. Confesso que não gostei do hotel escolhido, mas não estava em condição de protestar. Seja como for, Renato me fez atingir notas que, até então, desconhecia. 

Apesar de amedrontada pela situação, afinal, era uma mulher casada e com filho, o desejo falou mais alto e, não sei de onde, arranquei coragem que até então desconhecia possuir. É óbvio que morria de medo de ser descoberta, e acabei sendo por alguém que eu nem desconfiava que iria aceitar aquilo.

— Lud, discrição é tudo. Não estou aqui para censurá-la, pois cada um possui seus desejos. E vontades, quando pega, não tem quem segura.

Incrédula, olhei para o meu marido, que me abraçou. A partir daquele dia, a nossa relação melhorou tanto, que passamos a ser confidentes. Ele me apoiava e, quando necessário, acobertava as minhas escapadas para os encontros furtivos e cada vez mais frequentes. E foi assim até que o meu Renato, que também era da Maria Cristina, faleceu em um acidente de carro. 

Jaime e eu, como casal, comparecemos ao enterro e cumprimentamos a viúva, que chorava copiosamente. Não sei se ela sabia do nosso caso, talvez até desconfiasse, mas jamais me tratou mal ou com indiferença. Pelo contrário, Maria Cristina sempre me considerou como uma fiel amiga, inclusive insistindo para que eu e meu marido fôssemos padrinhos do seu caçula, Leonardo. 

A amizade era tanta, que a esposa do meu amante, certa vez, me procurou para desabafar. Seus olhos azuis, marejados que estavam, eram de dar dor. Ela fitou-me e, em seguida, desabou em choro. Procurei confortá-la.

— Lud, tenho certeza de que o Renato tem outra.

          O medo tomou conta do meu corpo, mas tentei controlar aquele turbilhão de emoções. 

— O Renato? Tem certeza?

— Olhe o que encontrei caído no banco do carro.

Maria Cristina esticou o braço e abriu a mão. Lá estava um brinco. Não um brinco qualquer, mas com a letra “L”. Gelei! E quando tudo parecia perdido, eis que surgiu o Jaime de armadura montado em um belo cavalo branco. Bem, não foi exatamente assim, apesar que, devido às circunstâncias, parecia estar. 

Delicadamente, ele tomou o brinco das mãos da Maria Cristina e sorriu.

— Olha só, meu amor, o seu brinco! Que cabeça a minha!

                 Estarrecida, voltei os olhos para Jaime, que continuou com seu teatro. Aliás, devo confessar que ele sempre foi o Paulo Autran da família. 

— Maria Cristina, aposto que deixei cair no carro do Renato. Não foi lá que você o encontrou?

— Sim. Como você sabe disso?

— A Lud me pediu para pegar esse brinco no ourives, que ela havia deixado para arrumar esse ganchinho. Como é mesmo o nome, amor?

— Fecho.

— Sim! Fecho! Você me disse esse nome tantas vezes, que não sei como é que fui me esquecer. Aqui está o seu brinco de volta, meu amor. Você me perdoa? Por favor, diz que me perdoa.

Maria Cristina e eu nos olhamos e, então, sorrimos do meu apaixonado marido que, apesar de atrapalhado, era um amor.

— Claro que perdoo, seu bobo! 

Para não restar dúvida, Jaime e eu encenamos um beijo quase cinematográfico diante da agora aliviada Maria Cristina. A minha amiga me abraçou e, logo após aceitar tomar chá com torradas, retornou para os braços do seu marido fiel, ao menos aos seus olhos azuis ingênuos. 

Após a morte do Renato, pensei que nunca mais me envolveria com qualquer homem. Já estava beirando os 60 anos e me sentia deveras isolada desse jogo de sedução. Todavia, há coisas que, mesmo não sejam provenientes do coração, o corpo necessita. E foi assim que conheci o Álvaro, viúvo que havia se mudado para o prédio. Chegamos a trocar algumas figurinhas, mas logo percebi que ele só possuía repetidas, enquanto as que eu carregava na bolsa eram todas premiadas. 

Do Álvaro para o Marcelo, pouco mais jovem, cuja disposição me encantou por um mês, até que desisti antes que ele enjoasse de mim. Mas não pense você que saí do jogo, e fui à luta. Tive outros casos, inclusive alguns com maridos de amigas, até que fui surpreendida por um telefonema do Carlos. Ele estava em pânico e não sabia como proceder.

Jaime e meu primo haviam viajado em um final de semana, como há décadas faziam. Meu esposo, enquanto dormia, teve um enfarte e não mais despertou. Nem sei como arrumei forças, mas precisava honrar a história do meu querido marido e, então, peguei um voo e, poucas horas depois, lá estava eu no quarto da pousada em Salvador. 

Após os trâmites legais, consegui que o corpo do Jaime fosse trasladado para Brasília. E lá estava eu, a viúva, sem chão. Carlos e eu, desolados, dividíamos lágrimas sobre o caixão do homem de nossas vidas.

Eduardo Cesario-Martínez

Eduardo Martínez - Foto por Irene Araújo
Eduardo Martínez
Foto por Irene Araújo

Eduardo Cesario-Martínez é um premiado escritor carioca, que há mais de três anos mora em Porto Alegre, cidade pela qual é apaixonado. Vencedor do Prêmio Literário Clarice Lispector – 2025 na categoria livro de contos com ’57 contos e crônicas por um autor muito velho’, que saiu pela Joanin Editora.

Seu primeiro livro, o romance ‘Despido de ilusões’, 2004, figurou entre os mais lidos do Centro Cultural Banco do Brasil. 

Seus contos e crônicas, que já ultrapassaram a incrível marca de 1.000 publicações, são utilizados por escolas no Rio de Janeiro, em Brasília e em Brodowski-SP. É cronista/contista do jornal Notibras (https://www.notibras.com/site/) e do Blog do menino Dudu (https://blogdomeninodudu.blogspot.com/).

Divide a editoria Café Literário do Notibras com o poeta e escritor Daniel Marchi e a jornalista e poeta Cecília Baumann.

Instagram: @escritoreduardomartinez