Melancolitonia

Ella Dominici: Poema ‘Melancolitonia’

Ella Dominici
Ella Dominici
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é tão monótona a tardezinha que não me aplaca
e ingentil o sol que minha natureza despedaça
quando parte dando aleivosamente sinais de fim

é melancólica a onda rasteira e larga que recua
deixando areia molhada e meio nua
nauseada do dourado, sal-choro me flagra

chegando lua indo o másculo sol sem pena
contrita venho alada engatinhando agachada
joelhos arranhados de grãos-passado ainda

a tarde é longa como o piscar lânguido
as energias ficaram na travessia trêmula
na boca o gosto-nostalgia da língua sôfrega

tarde do domingo domina alma do desejo
beija-me na praia de suaves grãos finos prateados
até que chumbo-noite faça-nos marejados
de mar enfim

Ella Dominici

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Quando a cidade fala mais alto que a sirene

Paulo Siuves

‘Quando a cidade fala mais alto que a sirene’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada pela IA do ChatGPT
Imagem criada pela IA do ChatGPT

Belo Horizonte, outubro de 2025. Há noites em que Belo Horizonte não descansa. Alguns bairros parecem atravessar a madrugada em estado de vigília: O som das motos cortando giros como motosserras cortando futuros, carros de som estremecendo janelas, grupos que se reúnem em esquinas e praças. Para quem observa de fora, é barulho. Para quem vive de dentro, é sobrevivência.

Sou guarda civil municipal, e escuto esses sons não apenas com o ouvido treinado para detectar riscos, mas com a atenção de quem percebe sinais. Porque nem sempre a sirene responde a crimes — às vezes, responde a vazios sociais. Não é só barulho. É sintoma.

É um equívoco pensar que a juventude ocupa as ruas por falta de policiamento ou escassez de atividades culturais. Centros culturais existem, viaturas também. O que não existe, em muitos casos, é a sensação de pertencimento. O espaço público ainda não é, para todos, lugar de encontro e convivência; com frequência, torna-se arena de disputa. O lazer, quando não é tratado como direito, se converte em risco. A cultura, quando não chega como possibilidade, ressurge como ruído.

Vejo de perto a transição quase imperceptível: o instante em que a festa se transforma em tensão, a dança em provocação, o encontro em conflito. Entre manobras perigosas de motocicletas, uso de drogas ilícitas diante de crianças e adolescentes, disparos de arma de fogo em via pública, o que emerge não é apenas o retrato da violência — mas de uma juventude que insiste em existir, mesmo sob condições cada vez mais estreitas.

O que falta ao poder público talvez não seja aparato, mas escuta. O que esses corpos dizem quando se reúnem em ocupações noturnas? O que querem comunicar ao atravessar a cidade em rodas de moto ou em caixas de som improvisadas? Onde há ocupação, há demanda; onde há ruído, há um chamado que não encontra resposta.

Segurança pública não pode ser reduzida a rondas ou operações emergenciais. Precisa dialogar com políticas culturais, de lazer e de pertencimento urbano. Uma cidade só será segura quando oferecer, além da vigilância, horizontes de participação. É preciso transformar espaços de risco em espaços de criação.

Isso exige abandonar a lógica simplista que contrapõe ordem e cultura. Não se trata de escolher entre silêncio e expressão, mas de conciliar o direito ao descanso noturno com o direito à manifestação juvenil. Quando ignoramos essa equação, o resultado é uma ordem imposta pelo medo — e toda ordem baseada no medo já nasce condenada à revolta, porque nada mais é do que violência disfarçada de paz.

Belo Horizonte, como tantas metrópoles brasileiras, fala. Fala alto, muitas vezes mais alto que a sirene. O desafio é interpretar essa fala antes que ela se converta em tragédia.

O futuro da segurança urbana talvez comece por uma frase simples: ouvir é mais difícil que reprimir. Mas é também o único caminho capaz de transformar ruído em diálogo — e barulho em política pública. 

Paulo Siuves

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Exposição Batman Day

Edélcio Ipanema realiza a exposição Batman Day, na Câmara Municipal de Sorocaba, em comemoração aos 86 anos do lançamento do herói de sua infância

Card da exposição 'Batman Day', do ilustrador Edélcio Ipanema
Card da exposição ‘Batman Day’, do ilustrador Edélcio Ipanema

Do dia 13 a 31 de outubro de 2025, o saguão Salvadora Lopes, da Câmara Municipal de Sorocaba, estará aberto ao público para a exposição Batman Day, do artista plástico Edélcio Ipanema, que realiza a exposição em homenagem aos 86 anos do herói de sua infância e que tem atraído gerações de aficcionados pelos quadrinhos.

A exposição conta com 22 ilustrações, que demandaram quase dois meses de preparo, com jornadas em torno de 10 horas diárias.

O Homem-Morcego

Batman, por Edélcio Ipanema
Batman, por Edélcio Ipanema

A primeira aparição do herói Batman foi em maio de 1939, na revista Detective Comics nº 27O, criado pelo desenhista estadunidense Robert Kahn (1915-1998), mais conhecido por Bob Kane, nome adotado por ele aos 18 anos e tendo Bill Finger como roteirista.

Por muito tempo, Bill Finger foi deixado por Bob Kane como um colaborador fantasma, vindo a morrer em 1974, quebrado e sem o reconhecimento merecido por seu trabalho. 

Todavia, deve-se a Finger a transformação de Batman no personagem conhecido atualmente, ao dar-lhe um ar mais sombrio e adicionando ao personagem um traje cinza, a capa, as luvas e a identidade de Bruce Wayne.

Num trabalho ainda mais completo e criativo, Finger deu o nome da cidade de Gotham City, introduziu o Batmóvel, o Robin, a Batcaverna, o Comissário Gordon, o Pinguim e o Espantalho. Por essa contribuição, foi considerando, ainda que tardiamente, como o cocriador do icônico Homem-Morcego.

A partir da década de 2010, a DC Comics e a indústria de super-heróis começaram a reconhecer a contribuição de Finger, e ele é agora amplamente considerado o verdadeiro arquiteto do Batman. 

Serviço

Exposição Batman Day

Ilustrador: Edélcio Ipanema

Data: de 13 a 31 de outubro de 2025

Local: Saguão Salvadora Lopes, da Câmara Municipal de Sorocaba

Endereço: Av. Eng. Carlos Reinaldo Mendes, 2945 – Além Ponte.

O ilustrador

Edélcio Ipanema - Foto de sua conta no Facebook
Edélcio Ipanema – Foto de sua conta no Facebook

Um menino de imaginação transbordante, o sorocabano Edélcio Ipanema mergulhava nas páginas das histórias em quadrinhos da Marvel e da DC, e, dentro dele, o gérmen do desenho começava a brotar. Aos poucos, o desejo de ser um grande ilustrador o levava a horas diárias de treino, visando aperfeiçoar seu traço.

Disciplinado, a dedicação ao dom natural o levou a receber bolsas de estudo em escolas renomadas de arte e a expor os desenhos em Sorocaba (Palacete Scarpa, Biblioteca Municipal, Câmara de Vereadores, Uniso e, recentemente, no Pátio Cianê Shopping, com a exposição Super Comics, em homenagem ao Dia Nacional do Quadrinho.

Alcançando outras fronteiras, participou da FATCON, evento GEEK em São Roque (SP), promovido pela FACENS; foi um dos desenhistas especialmente convidados para a exposição no Memorial da América Latina (São Paulo, capital), realizada para homenagear o herói nipônico Jiraya, bem como marcou presença no HQ Fest.

Como freelancer, colabora com FanArt, faz pin-ups para colecionadores e ilustra livros.

Como não poderia deixar de ser, o talento coroou-o com o reconhecimento: Embaixador Del Arte de America; honrarias outorgadas pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA: Doutor Honoris Causa em Belas Artes, Comenda Rafael Sanzio, Comenda Pincel de Ouro 2024, Ativista Cultural, Honra ao Mérito Gonçalves Dias, Honra ao Mérito Nelson Mandela e Guardião da Paz e Justiça e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, da qual recebeu o título Destaque 2023.

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Concurso literário da FLAUS

Prorrogadas as inscrições do Concurso literário da FLAUS 5ª Edição: contos, microcontos, crônicas e poesias

Card do Concurso literário da FLAUS 5ª edição
Card do Concurso literário da FLAUS 5ª edição

Estão prorrogadas até 15-10-2025 as inscrições para Concurso Literário da FLAUS 5ª Edição, uma iniciativa literária organizada por FLAUS – Feira do livro e autores sorocabanos.

🌍 País do edital:

Brasil

📍 Podem participar:

Apenas residentes do país organizador

🚫 A participação é restrita a:

Voltado a residentes em Sorocaba e região.

👮 Responsável:

FLAUS – Feira do livro e autores sorocabanos

https://www.instagram.com/flaussorocaba

Proposta:

Chegamos à 5ª edição do Concurso Literário da FLAUS e convidamos você, escritor que reside ou é natural da Região Metropolitana de Sorocaba, para participar enviando seu texto de narrativa curta (conto, microconto, crônica etc.). Confira o edital aqui e inscreva-se!

💡 Tema:

Livre.

🎭 Categorias temáticas aceitas:

Gênero/Tema Livre

📝 Formas literárias aceitas:

Contos, Crônicas, Microcontos, Poesia

✋ Limites:

Candidatos podem submeter até 03 textos, sendo um para cada categoria. Contos e crônicas poderão conter no máximo 7.500 mil caracteres (aproximadamente 4 páginas); microcontos no máximo 600 caracteres; e poemas no máximo 1800 caracteres.

⏳ Prazo final para inscrição:

Até 15-10-2025

🚪 Taxa de inscrição:

Não há

🗞 Custo MÍNIMO para escritores selecionados:

Não há

🏆 Benefícios, ou prêmio MÁXIMO, para autores selecionados:

Um troféu para os três melhores textos, sendo para o 1o, 2o e 3o lugares que será entregue durante a FLAUS.

⚠ Instruções para participação encontram-se no edital oficial:

https://drive.google.com/file/d/1qyfZ_LEEgfAHhrpqVGetNdaBq_NuaSXx/view

IMPORTANTE: Se você for participar, imprima ou salve o edital oficial (link acima), para consultar sempre que precisar.

📣 O resultado será divulgado em:

https://www.instagram.com/flaussorocaba

❓ Dúvidas sobre esta seletiva?

Contate a entidade responsável: FLAUS – Feira do livro e autores sorocabanos




O bêbado caloteiro

José Antonio Torres: ‘O bêbado caloteiro’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada pela IA da Meta
Imagem criada pela IA da Meta

Na mesma casa de cômodos onde ocorreu o caso do Velhinho do Terno – já publicado aqui no ROL – muitos casos aconteceram. Este é apenas mais um. Quando aconteceu este caso, lá pelos idos da década de 1960, a dona da casa de cômodos, uma portuguesa viúva, com o filho ainda criança, administrava tudo com muita competência e determinação. Ela não permitia que os inquilinos levassem mulheres para os quartos. Todos os inquilinos eram homens.

Certa vez, um dos inquilinos, que possuía aproximadamente 1,90 m – tão forte que mais parecia um fisiculturista – e que trabalhava em uma transportadora próxima, deixou de pagar o aluguel do quarto. Criou caso, discutiu, mas a dona não se intimidou. Ela foi até a transportadora e pediu para falar com o responsável. Foi conduzida até a presença do dono da empresa e contou o que estava acontecendo. Disse que o funcionário não pagou o aluguel e estava criando confusão. O dono da empresa disse-lhe que pagaria o aluguel e descontaria no salário do funcionário. Disse mais, que se ele não pagasse regularmente o aluguel, que voltasse à empresa e falasse com ele. Ela não teria prejuízo.

Mais tranquila, voltou para casa e continuou com seus afazeres. Eram outros tempos. Hoje em dia, ela não teria recebido essa atenção. Seria completamente ignorada. No início do mês seguinte, quando o aluguel deveria ser pago, ela foi ao inquilino criador de caso para cobrar. Encontrou-o muito bêbado e alterado, dizendo que não pagaria o aluguel e que, se ela fosse à empresa reclamar, iria dar-lhe uma surra. A dona, então, chamou a Polícia Militar.

Uma viatura com dois policiais dirigiu-se à casa de cômodos. Ao chegarem, a dona explicou-lhes tudo que estava ocorrendo. O filhinho da dona, assustado com a agressividade do inquilino bêbado e encrenqueiro, disse aos policiais que ele queria bater na mãe dele. Os policiais dirigiram-se até o quarto do inquilino caloteiro e ordenaram que ele pagasse o que devia. Ele, muito bêbado, olhos tão avermelhados que parecia que tinha pingado groselha em lugar de colírio, se exaltou e os policiais disseram-lhe que iriam levá-lo para a Delegacia. Ele, então, pegou o dinheiro do aluguel no bolso e atirou as notas ao chão.

Os policiais subiram o tom e ordenaram que ele catasse nota por nota e entregasse o dinheiro nas mãos da senhora. Ele assim o fez. A dona, temerosa do que ele pudesse fazer posteriormente, já que a ameaçara de agressão, disse aos policiais que não se sentia segura e que não o queria mais morando ali. Os policiais, nesse momento, ordenaram que ele arrumasse os seus pertences e deixasse a casa. Ele, resmungando e tropeçando nas próprias pernas, obedeceu e foi embora.

Mais um sufoco passado pela dona da casa de cômodos.

José Antonio Torres

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Adeus à dor

Loide Afonso: Poema ‘Adeus à dor’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Grok

Eu tinha a certeza que estive lá
Nas horas que
Precisei

E mesmo assim
Não foi
Pelos vistos
A certeza não é certa

Meu anel está
A apertar o anelar
Eu queria tirar
Cortar
Pra me livrar

Queria limpar isto, mais como se descolar, me lavar?

Sim
Quero me lavar
Despir isto
Descalçar

Não sei, se ainda
Tem alguém pra me amar, beijar e sentar

Descansa em paz, minha alma negra pura
E nua.

Loid Portugal

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A amplitude do cuidar

Cláudia Lundgren: ‘A amplitude do cuidar’

Claudia Lundgren
Claudia Lundgren
Imagem criada por IA da Meta

‘Cuidar’, vocábulo de múltiplos sentidos. ‘Cuidado’, abrange muitas  interpretações. 

É uma palavra substantiva, que pode significar ‘ter zelo com alguma coisa’, como na expressão: “Cuidado para não quebrar o prato!” Já em “Cuidado para não levar um choque! Não ponha a mão no metal ao ligar o aparelho na tomada!”,  “Cuidado para não cair daí!”, ou ainda “Devo dirigir com cuidado!”, o vocábulo significa ‘agir com precaução, com cautela’, zelando aí, não mais por uma coisa, mas pela sua própria vida, ou pela vida de outrem.

Se eu disser que a condição de saúde de alguém gera ‘cuidados’, significa que devemos nos preocupar, pois é grave. Quando dissemos que o ladrão agiu ‘cuidadosamente’ (com cuidado) ao furtar uma casa, significa que foi algo pensado, premeditado, de forma silenciosa, a fim de não deixar vestígios. Cuidar de alguém pode ir desde a fazer um curativo numa ferida, preparar uma refeição, ajudar a fazer uma tarefa que o outro esteja impossibilitado ou dar apoio emocional. 

Cuidar, sentido tão amplo… acordar em uma madrugada fria a fim de pôr coberta nos filhos; amamentar, doar-se, ser alimento; dar banho nos pais que nem sequer lhe conhece mais ou oferecer a alguém uma escuta afetiva.

Ter cuidado com as palavras significa não ferir o outro; ter cuidado com alguém significa acautelar-se; cuidar de si mesmo significa fazer o que gosta sem ultrapassar o limite do outro: realizar exames periodicamente, praticar exercícios físicos, ter respeito consigo mesmo, enfim, tratar-se bem. 

É o patrão que preocupa-se com a saúde física e mental dos seus funcionários, oferecendo-lhes um bom plano de saúde e permitindo que eles durmam meia hora pós-almoço. Cuidar de uma empresa significa cuidar de pessoas: dar ordens sem ofender; agir sem preconceitos; não cometer, e nem permitir que se cometa, abusos com a funcionária bonitinha da recepção. Um bom líder demonstra sua autoridade sem pressionar ou amedrontar o liderado. 

Já em um hospital, ‘cuidar’ é agir integralmente . É olhar o paciente como uma pessoa, que tem uma história, uma identidade, vontades, princípios, fragilidades. Cuidar do paciente não é agir no automático ‘ver o soro – a medicação – aferir a pressão – a temperatura – ver a glicose – trocar fraldas’; é compreender que ali habita alguém que merece a sua atenção, seu bom dia, seu sorriso. É alguém que merece conforto: lençóis e fronhas limpas, um banho caprichado, a posição agradável no leito; alguém que se preocupe em virar o corpo de quem não já não pode mover-se.

Cuidar, em saúde, não é agir sozinho, é trabalhar em equipe: administração, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, acompanhantes terapêuticos, todos unidos em torno de um mesmo propósito; é um colega de profissão que procura entender a exaustão do outro, trocando com ele de plantão, com a permissão e compreensão da administração. Cuidar, em saúde, é também dar assistência aos familiares em momentos difíceis; é compreender a dor do parto, sem proferir palavras como “na hora de fazer foi bom”. 

Para trabalhar na saúde tem que ser vocacionado no cuidar; ter empatia, se colocar no lugar do paciente; realizar o seu trabalho, exclamando internamente: “Era assim que eu gostaria de ser tratado!”; é saber dar uma má notícia; é mostrar ao paciente terminal que pode não haver cura, mas que ainda há vida. E, se não há mais cura, com todo o respeito, não faz muito sentido submeter o paciente a tratamentos dolorosos e, de certa forma, inúteis, se podemos simplesmente aliviar suas dores, oferecer nossos ouvidos, ver com ele o pôr do sol, contar-lhe uma história, pegar um violão e cantar para ele uma canção, fazer aquele curativo bem feito, dar um abraço e um beijo, permitir que o quarto de hospital seja o seu lar. Tudo isso, e infinitamente mais, significa o ‘cuidar’; o cuidado.

Cláudia Lundgren

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