Vida partiu de mim

Ismaél Wandalika: Poema ‘Vida partiu de mim’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
magem criada por IA da Meta - 10 de dezembro de 2025, às 11:07 PM
Imagem criada por IA da Meta – 10 de dezembro de 2025, às 11:07 PM

Cantei meu verso recheado de vida
Olha, o meu poema espelhava vivências de minha terra
Lancei-me na trilha
A vida ensinou-me melodias que tocaram gerações
Deu-me suas letras profundas que mudaram direções
Corações uniram-se ao soar de minhas canções

Oh! Mãe!
Fui dor
Fui lamento
Fui paz
Hoje sou legado

Canta meu filho
Canta minha terra
Minha voz encarnada na voz de Florênço Handanga
Continuidade de um eterno legado
Oh! mãe teu filho te abraça
Meu filho canta o que a mamã me deixou

Deixei meus versos para o vosso ouvido
Lembrar da minha existência
Passei por vós
Vivi minha resiliência
Contei minhas histórias entre as minhas melodias
A vida partiu de mim
Humano limitado também fui e não resisti.

Talvez, o fim de um princípio metaforsico
Cantei pra vós
Deixei-vos meu som, a minha voz
Meus sentimentos em forma de versos e melodia
Agora ouçam o meu filho o pequeno Handanga.

Soldado Wandalika

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De Tupã (SP) para o Jornal ROL, Márcio José Zacarias!

Um educador-escritor, Márcio José Zacarias, com o giz e o teclado, ensina crianças e adultos a pensarem e sentirem!

Márcio José Zacarias
Márcio José Zacarias

Márcio José Zacarias, natural de Tupã (SP), conhecido no meio literário pelo pseudônimo Arthur Souto, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a arte e a palavra como instrumento de transformação social.

Possui formação multidisciplinar, sendo graduado em Pedagogia, Letras, Artes, Educação Física e História, além de especializações em Alfabetização e Letramento, Neuropsicopedagogia, Matemática, Educação Inclusiva e Produção Textual. Ao longo de sua carreira, atuou na Educação Infantil, no Ensino Superior e, atualmente, é professor efetivo do Ensino Fundamental I pelo Estado de São Paulo e pela Prefeitura Municipal de São Paulo.

Como escritor, Arthur Souto é autor de diversas obras que transitam entre a literatura infantil, a poesia e o romance, com destaque para Pé de Menina, A Fada do Pix — vencedora do Prêmio Ecos da Literatura 2024 como melhor livro original —, O Tumbeiro — eleito Melhor Romance de 2024 pelo Prêmio Book Brasil e finalista do Prêmio Pluma de Ouro—, Minha vida em versos e flores, Tonha, a Barraqueira, além de participações em diversas antologias.

Seu trabalho literário e educacional já lhe rendeu homenagens pela Câmara de Vereadores das cidades de Tupã e Sorocaba. É membro da Academia Independente de Letras e da NAISLA – Núcleo Accademia Italiano di Scienze, Lettere e Arti, além de colaborar como escritor da Revista Adupé.

Márcio José Zacarias acredita na palavra como ponte entre saberes, emoções e realidades. Em seus textos, transforma experiências humanas em sentimento, crítica e poesia, oferecendo ao leitor uma visão sensível, profunda e única do mundo. Para além do educador e escritor, é pai dedicado de Juninho e Arthur e avô orgulhoso da pequena Maria, suas maiores inspirações.

Márcio se apresenta aos leitores do ROL com poema regionalista ‘Cordel das Mulheres Brasileiras’

Cordel das Mulheres Brasileiras

Cordel das Mulheres Brasileiras
Cordel das Mulheres Brasileiras

No canto dessa viola
Eu venho aqui declamar,
A força das brasileiras
Que o mundo vive a admirar.
Mulheres que são coragem,
Raiz, futuro e luar.

Começo por Carmelita,
Mulher de fibra e valor,
Que faz da vida batalha
E vence seja onde for.
Seu passo firme ensina
Que o medo não vence o amor.

Ionete segue ao lado,
Com seu jeito decidido,
Feita de riso e de luta,
De afeto bem repartido.
É daquelas que, no tropeço,
Levanta e segue o caminho.

Isabel é luz acesa,
É mapa, é direção;
Tem palavra que aconchega
E firmeza no coração.
Onde ela pisa brota força,
Onde ela fala há razão.

Sheila é vento valente,
Tempestade que constrói.
Não se curva ao impossível,
Não aceita o “depois”.
Se o mundo fecha janelas,
Ela mesma as abre e repõe.

E Maria… ah, Maria,
Nome que o Brasil carrega,
Presente em cada esquina,
Em cada história que alegra.
Maria que é mãe, é filha,
É raiz que nunca nega.

Mas não paro por aqui,
Pois a lista é sem fim:
Tem Dandara guerreira,
Tem Chiquinha no bandolim,
Tem Zélia, Ruth e Carolina,
Escrevendo o país assim.

Tem Anita que foi soldado,
Tem Tarsila que fez cor,
Clarice que fez mistério,
Nise que plantou amor.
Cada uma abriu estradas
Pro Brasil ser o que for.

Mulheres da feira e da roça,
Da sala e do batente,
Mulheres que guiam a vida
Com mão firme e alma quente.
Mulheres que levantam outras
E seguem sempre em frente.

Por isso faço estes versos
Com honra e gratidão:
A todas que vieram antes
E às que ainda virão.
Se o Brasil tem esperança,
É no pulso de cada mulher,
É no brilho que elas carregam,
É no mundo que elas querem.

E que o cordel se espalhe
Em cada canto e lugar:
Mulher é força que move
O tempo, o sonho e o mar.
E quem aprende com elas
Jamais deixa de lutar.
Márcio José Zacarias

Márcio José Zacarias

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Beleza interior

Milton Gaspar Domingos: ‘Beleza interior’

Logo da seção O Leitor Participa
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Imagem criada por IA do Grok – 10 de dezembro de 2025, às 12:56 PM
https://grok.com/imagine/post/719be905-ba92-4063-949d-068c3acd8adf-0

Uma mulher extremamente linda é casada com um homem mecânico de motocicletas. Ela trabalha como enfermeira no Hospital Regional de Malanje e ele, na rua directa do antigo mercado do Chawandi. Um belo dia, repleto de vitamina D, ela prequetou-se de tal modo que parecia brilhar… Onde ela passava, a caminho do serviço, parecia que a luz do dia reluzia apenas para ela, pois os olhares de todos homens e até de mulheres iguais, davam para ela. Meninos e meninas soltavam comentários:

   – Essa moça bem bonita só eu!

Os jovens adultos assubiavam, dando evidências claras de que ela era o centro das atenções. As  mulheres, umas admiravam-se, outras invejavam o resplandecer da sua beleza.

Antes mesmo de começar a trabalhar, chegou um colega de porte físico elegante, com uma altura de um metro e oitenta e três centímetros, que exibia uma barba preta e bem aparada. O cheiro do seu perfume era exalado a uma distância de 50 metros. O senhor saudou-a, elogiando-a com palavras bonitas, delicadas e  tocantes.

   – Bom dia, flor do dia!

Ela, respeitosamente, respondeu:

– Muito obrigada!

– Poderia dar-me a honra de a conhecer?

Exitante, ela disse:

– Umblina.

Ele pediu o número do telefone dela na esperança de combinarem uma saída, para um almoço ou jantar…

Ela, bondosamente e com um sorriso no rosto, exibiu o seu dedo anelar da mão esquerda e respondeu:

– Já sou abençoada com o dedo dourado!

Ele respondeu, mostrando também a sua mão esquerda:

– Eu também tenho este defeito… viu só… assim vamo-nos entender!

Umblina, inspirando carinho e serenidade, fitou-o atentamente e disse:

   – O meu compromisso é de coração e mente, casei-me tanto com o meu Deus quanto com o meu querido Clemente. Não há coisa no mundo que me faria perder o que, com muito esforço, lutei para ter!

   – A mulher retirou-se da presença dele, e ele, envergonhado e cabisbaixo, olhou ao redor e entreolhou-se com uma empregada de limpeza, que acompahava discretamente as cantadas do médico cirurgião, abanou a cabeça com um ar de reprovação à medida que soltava um pingo de sorriso. O médico foi-se embora, intrigado.

Milton Gaspar Domingos

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Lá vai Eulália

Evani Rocha: Poema ‘La vai Eulália’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Canva - 9 de dezembro, às 21h40
Imagem criada por IA do Canva – 9 de dezembro, às 21h40

Lá vai Eulália

Como um raio sem trovão!

Como um facho de luz,

Pelo silêncio das ruas escuras,

Pelos becos decadentes,

Pelas latrinas…

Eulália é linda assim!

Como uma única flor que desabrochou no deserto!

Por certo, ela derrama suas dores pelas calçadas geladas, 

Pelas poucas taças vertidas, pela mudez das bocas…

Vai sozinha, como que flutuando, 

Seus pés mal tocam os ladrilhos e mármores por onde anda.

Vai espalhando no ar seu cheiro de lavanda, 

De roupa limpa…

Eulália é dona desse silêncio, dessas noites, 

Desse mundo interior que só ela conhece… 

É dela a Lua e as estrelas,

A tempestade que desmancha seus cabelos e mancha sua face…

É dela os rótulos e a marginalidade que chega todos os dias ao nascer do sol!

Evani Rocha

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Encantamento

José Antonio Torres: Poema ‘Encantamento’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 10 de dezembro de 2025, às 7:42 PM

A música suave…
O multiaroma de um jardim florido
onde desabrocha a mais linda flor.
O som das ondas quebrando na praia…
A brisa do mar fluindo pelo ar…
Você!

Nesse microcosmo, o mundo lá fora não existe.
Nada mais importa.
Nesse ambiente que transpira amor,
nada pode macular essa atmosfera.
Nada existe além disso.
Nem pessoas, nem problemas… nada!
O mundo resume-se a este momento de puro encantamento.

Você é a representação da mais perfeita flor;
Delicada, perfumada, sedosa e linda.
A entonação da tua voz é doce e melodiosa.
Lembra o som das ondas a me embalar.
O teu caminhar suave parece flutuar sem o chão tocar.
A brisa do mar, impregnando o ambiente,
me faz sentir a tua respiração.

Traduz a beleza e a força da Natureza.
Amar, ser amada e cultuada, preciosa flor.
Vieste para encantar e dar sentido à vida.
Esse é o teor da tua existência.

José Antonio Torres

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Fraternar é preciso

Renata Barcellos: ‘Fraternar é preciso’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Imagem criada por IA da Mea – 9 de dezembro de 2025,
às 9:03 PM

Neste primeiro fim de semana de dezembro, houve o encerramento do ano maçônico de 2025. No GOB (Grande Oriente do Brasil), em Brasília, reuniões para os cunhados e atividades para as cunhadas / fraternas. Sexta-feira (5-12), eu e meu esposo Campos Filho assistimos à premiação das FRAFEMs (Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul). Trata-se de uma Associação Civil Paramaçônica Feminina não iniciática, sem fins lucrativos, vinculada ao GOB e criada pela Constituição do GOB de 1967. Esta é constituída por esposas de Maçons, assim consideradas aquelas com eles civilmente casadas, ou que com eles mantenham união estável.

Também serão admitidas como fraternas, mães, viúvas, irmãs, filhas, e outras familiares de Maçons do GOB, tais como: enteadas, cunhadas, sogras, sobrinhas, tias, primas, avós e netas, todas maiores de 18 anos de idade, além de antigas integrantes da Ação Paramaçônica Juvenil (APJ), Filhas de Jó Internacional, Meninas Arco Iris que destas tenham se desligado em função da idade. A presença da mulher na Loja Maçônica fortalece a Fraternidade e conscientiza os Maçons do seu papel na educação, na união e na ambiência cristã.   

Antes da divulgação do resultado das FRAFEMs, foram apresentados os belos trabalhos realizados. Um mais encantador que o outro. Uma fonte de inspiração e de solidariedade. Pudemos ratificar como é possível (apesar de todas as mazelas), ser realizado um trabalho sério. Fraternar é preciso!!! Que venha 2026!!!

O resultado foi 1° Projeto de apoio a crianças em ambiente hospitalar (Paraná)                     

2° Projeto musical para crianças carentes do município de Mafra (Santa Catarina).

3°: Caminhos da Inclusão ( Bahia)

Minas Gerais ficou com o prêmio de Expansão, por fundar e reativar FRAFEMs.

E o prêmio de maior nota técnica dada pela comissão julgadora ficou com o Paraná também com o projeto: Humanizando e acolhendo. Todos os projetos estão disponíveis no site do GOB: https://www.gob.org.br/fraternidades-que-inspiram-2025/.

No sábado (6-12), foi programado um roteiro para nós cunhadas e fraternas. Podíamos optar por CITY TOUR (Memorial JK → Catedral → Congresso Nacional → Praça dos Três Poderes → Pontão), Feira dos Importados ou ida ao Centro de Convivência do Idoso (CCI) localizado no Varjão-DF para Ação Social. Como contribui para compra das cadeiras, fui à instituição. O local é longe do GOB.  Fica localizado na Quadra 5 / Conjunto A Lote 18*. Até chegarmos lá, ainda conhecemos outras regiões.

A ação social no CENTRO DE CONVIVÊNCIA DO IDOSO (CCI) foi realizada pelas cunhadas e/ou fraternas (cuja presidente nacional é a cunhada Virgínia Montagnana) e a cunhada Fátima Carvalho, (do Estado do Piauí – coordenadora das esposas dos Parlamentares, dos deputados federais da SAFL: Soberana Assembleia Federal Legislativa), com apoio do GOB. Segundo a coordenadora, a semente da ação social em Brasília, no CCI, foi lançada “por mim Maria de Fátima Silva Carvalho, da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul “Corrente da Fraternidade”, filiada a ARLS Cruzeiro do Sul V, Oriente de Teresina/Piauí, no grupo das esposas dos deputados federais, em julho deste ano.

A ideia foi recebida com grande entusiasmo por 88 Poderosas do grupo.  Até o dia 22/11, recebemos a contribuição destas 88 Poderosas, no valor de 40,00 reais, totalizando 3.420,00 reais. Vale ressaltar que tivemos ajuda da fraterna Elaine Albuquerque, que não é esposa de deputado federal, e sim Diretora Social da Frafem Nacional. Mas com muito carinho e atenção nos auxiliou, pesquisando o local para entrega da doação de 10 cadeiras de rodas, sendo 6 cadeiras de rodas, para pessoas com 100 e 80k, e 4 de banho, e a compra. Elaine, conseguiu com o Grão-Mestre Geral, Soberano Ademir Cândido, os 2 ônibus que nos transportou até o Abrigo, e junto a nós, outras fraternas que estavam no GOB para outros eventos, nos acompanharam, totalizando 112 fraternas. Além do transporte, o GOB ofereceu um café da manhã para todos os internos, como também as fraternas.

Aproveito esse momento, para ressaltar minha gratidão a todos e todas, que permitiram que esse sonho se transformasse em realidade. E a luta continua, faremos mais ações, nos meses de junho e dezembro”. Vale dizer que apoiamos esta iniciativa e a sua continuidade em 2026.                                                        

Lá, fomos recebidas pela presidente do CCI, Eunice, juntamente com os idosos atendidos diariamente (entre 60 e 80 idosos em situação de vulnerabilidade) pela instituição, mantida se exclusivamente por meio de doações. Lá, foi oferecido café da manhã para a confraternização e entrega das cadeiras. Foram doadas seis cadeiras de rodas e quatro cadeiras de banho. De acordo com a fraterna Andreia Costa Tostes (esposa do Deputado Federal: José Carlos Zanelli, da Loja Plenitude, em Florianópolis – SC – “fundadora” da *Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul Plenitude*.

Atualmente, faz parte da Fraternidade de nossa Loja, ajudando no que me é possível nas ações beneficentes. Coordenadora de Gestão de nossa Empresa, Instituto Zanelli – Treinamento, Desenvolvimento e Educação nas Organizações e no Trabalho LTDA.), “Compartilho com vocês que essa ação beneficente foi por demais rica para mim, ao conversar, com a D. Lindaura, uma idosa de 93 anos, doce e batalhadora que em breve conversa pude perceber sua força e vitalidade. Mãe de treze filhos e que mesmo com sua idade avançada ainda carpina, planta batata doce e milho, limpa toda a sua casa e também está cuidando de um “porquinho” de um vizinho para, segundo ela, “assa-lo” na virada do ano … por fim, pedi a ela uma oração, como uma benção a mim e ela prontamente me respondeu: você já está em minhas orações, minha filha.

Contudo, emocionada mesma fiquei quando ela me disse que o lencinho que enrolava seu pescoço foi doado por um rapaz de Florianópolis que a havia conhecido ali (Instituição de Longa Permanência). Detalhe, em nenhum momento comentei com ela de onde eu era. E, de súbito, lhe disse que eu também era de Florianópolis, pedi seu endereço e lhe prometi também enviar-lhe um presente. E, ela se abriu em um sorriso que guardarei para sempre em meu coração. D. Lindaura nem imagina que o maior presente fui eu que ganhei ao conhecê-la. Afetuosos abraços”.                                                                                                              

E, para encerrar 2025 de diversas ações sociais, houve o clássico Baile de Gala, no sábado, à noite. Neste, participam os maçons, as cunhadas, as fraternas, os amigos… Vale dizer que a maçonaria é composta essencialmente por idosos. Por mais que tenham maçons, cunhadas e fraternas mais novos, é preciso respeitar a idade predominante e a instituição. Por exemplo, as músicas escolhidas pela banda, a vestimenta das esposas, convidadas… A postura em geral. Ninguém deve se sentir constrangido diante de uma situação seja pelo conteúdo do que se ouve seja pela vestimenta.                                                  

Urge os mais jovens conhecerem a maçonaria. Se interessarem em fazer parte, a fim de contribuírem para um mundo mais solidário. E, por consequência, as esposas participarem e ou criarem de uma fraternidade e, assim, tornarem-se uma fraterna.   

Se você que está lendo esta matéria, se não conhece o trabalho da maçonaria, a importância na história do Brasil da atuação desta instituição e a FRAFEM, acesse o site https://www.gob.org.br,  assista ao vídeo Como posso me tornar maçom? https://www.youtube.com/watch?v=bev67MPk920&t=6s, inscreva-se no TV GOB: https://www.youtube.com/@TVGOB. Venha lutar por um mundo mais humano, solidário e justo!!!

Renata Barcellos

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Desejo de Natal

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Desejo de Natal’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Imagem criada por IA do Grok – 9 de dezembro de 2025, às 15:25 PM – https://grok.com/imagine/post/ff78fc4c-8a0f-402e-8a0d-9c7d958d89f8-1

Muito cedo, descobri que Papai Noel era só uma foto, ou algum senhor de barbas brancas, com roupas vermelhas, e ar bonachão. Literalmente, nunca acreditei em Papai Noel. Minha mãe adorava o Natal. Eu vi em seus lindos olhos verdes certa tristeza, ou descrença. Passamos muitos natais, com o mínimo humanamente possível.

Meu pai trabalhava muito, mas por vezes se perdia com jogos de azar. Minha mãe, para compensar, além do trabalho em casa e com os filhos, começou a trabalhar de faxineira, e era ela que, por muitas vezes, salvou o Natal.

Ela tinha a tradição de ir à missa do galo. Eu e meus irmãos sonolentos acompanhávamos. Íamos à missa, com nossas roupinhas novas, isto se ela tivesse conseguido comprar, ou escolher entre as roupas doadas à Igreja. Ou mesmo que ela tivesse comprado tecido e, com suas pequenas mãos, fizesse vestidos para as meninas, bermuda meu irmão.

Não sei como ela conseguia, nem quando tinha tempo para costurar, mas sempre estávamos com uma roupa especial para o Natal.

 Meu pai, ao ver o esforço de minha mãe, algumas vezes, saía com sua maletinha de ferramentas, batendo de porta em porta, oferecendo pequenos consertos, limpeza de fogões, telhados, o que fosse. Muitas vezes saía pela manhã, voltava só à noite, com algum dinheiro, e alguns doces, ou biscoitos, que nós devorávamos.

Foram muitos Natais, com meus pais e meus irmãos. Depois do falecimento de meu pai, nós, os filhos, tínhamos que estar de véspera na casa de nossa mãe. E se alguém faltasse, com certeza não teria explicação. A nossa mãe emburrava, levaria meses para perdoar a falta. Não dava muita trela para o início do novo ano, poderia ir aonde quisesse, mas o Natal era sagrado.

Eu, como policial, por muitos anos, trabalhei em sistema de rodízio. Escalas que sobravam para quem era solteiro ou casado sem filhos. Não era por minha vontade trabalhar no Natal ou Ano Novo. Mas era difícil explicar para minha mãe que tinha de cumprir escala de 12 horas ou iniciar um turno, das 22 às 6 da manhã, em pleno Natal. O jeito era sair do trabalho e correr para almoçar com ela, mesmo assim, o clima ficava tenso, aqueles olhos verdes me fulminaram diversas vezes.

Demorou, mas se acostumou, depois vieram os netos. Os de minhas irmãs, e por último os meus. Ela agora tinha motivos de sobra para que não faltasse ninguém, ai daquele que atrasasse. 

— Que desaforo é esse? Corri o dia todo, fazendo tudo o que vocês gostam, para atrasar e comer frio?

— Mas mãe, estamos todos aqui, não é isso que importa?

—Está bom! Vão se ajeitando aí.

Minha mãe era exagerada na cozinha, sempre sobrava um montão de comida. E ela separava em seus potinhos. Comida para cada um dos filhos, mais um pouco para cada neto. E ainda assim sobrava e levava para os vizinhos. Todos os anos, era a mesma coisa. Faz menos comida, vai estragar. Ela não respondia, só olhava de lado, o jeito era sair do caminho daqueles olhos, que diziam:

— Não te pedi opinião.

Confesso que, hoje em dia, a exagerada sou eu. Meu esposo ria e falava: — Você puxou à sua mãe. Mulher exagerada e ria, claro, saindo de perto, que com certeza, meus olhos não verdes como os de minha mãe, falavam a mesma coisa.

Os Natais foram escasseando, com uma única exceção: meu irmão era o único presente, já que morava com nossa mãe. Comecei a receber os parentes de meu marido em casa. Ia buscar minha mãe, uma ou outra vez ela veio. Mas se sentava em um canto e ali permanecia. Acredito que se sentia deslocada.

Nós a buscávamos, trazia meu irmão, e convidava as minhas irmãs, mas nenhuma vez elas vieram. Nem mesmo sabendo que nossa mãe fazia questão de reunir todos nós.

Outras vezes, ela não quis vir, e outras ainda adoentada, tirava nossa vontade de festejar. Fazíamos um jantar simples, entregávamos os presentes das crianças, e só; algo se perdeu no caminho. O Natal, que era sinônimo de idas à missa do galo, roupas novas, muita comida, risos e festa, ficou para trás. Minha mãe partiu há sete anos completos, nossos Natais encantados e cheios de riso, por causa da birra de mamãe, ficaram mais tristes.

 Eu me entristeço no Natal, sinto a falta de minha mãe, e até das broncas. Adorava provocá-la. Aqueles olhos verdes ainda me inspiram a fazer para meus filhos um Natal, que nunca será igual, aos de dona Margarida.

Sempre teremos a troca de presentes, um prato especial, posso até ir à Missa do Galo, ou acompanhar na TV. Mas, nossos Natais, com toda a certeza, empobreceram, deixaram de ser o dia mais importante do ano. Pois minha Margarida Rosa, a mulher mais natalina que conheci, não está mais aqui.

Ivete Rosa de Souza

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