Reencontro

Irene da Rocha: Poema ‘Reencontro’

Irene da Rocha
Irene da rocha
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Cruzamos tempo, espaços e caminhos,
Dormindo ao som dos ventos, distraídos,
Mas hoje, enfim, nos vemos reunidos,
Quebrando a solidão dos desalinhos.

O grito ao vento leva os carinhos,
Transforma os lamentos já sofridos,
E faz dos corações antes partidos
Um lar que aquece e afasta os espinhos.

Não é partida é o começo ardente,
No toque o lume, no olhar a verdade,
E a alma encontra a alma eternamente.

Vivemos juntos, mesmo em saudade,
Corpos distantes, mas o amor presente,
No cosmos somos pura eternidade.

Irene da Rocha

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Silêncios que falam alto

Paulo Siuves: Crônica ‘Silêncios que falam alto’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
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Os dias andam estranhos. Todo mundo repete isso, mas ninguém sabe exatamente o que anda fora do lugar. Talvez porque o fora de lugar tenha virado regra — ou porque estamos todos cansados demais para admitir. Outubro chegou com cheiro de chuva que não veio, calor em hora errada e uma sensação de que algo está prestes a acontecer… mas nunca acontece.

As notícias pipocam nas telas sem mais espanto. O mundo grita todos os dias, e nós… silenciamos. Rolamos, clicamos, curtimos, indignamos, esquecemos. O ciclo do absurdo já não é exceção — é algoritmo.

 Nas cidades, a pressa virou distração. Corremos menos por urgência, mais por hábito. Em casa, assistentes virtuais falam mais que vizinhos. A geladeira manda avisos, o carro quase se dirige sozinho — e ninguém sabe para onde.

 Não é paz o que sentimos, é cansaço. Um silêncio atravessado de ruídos: econômicos, sociais, políticos, climáticos, emocionais. Cada um com seus fones de ouvido, sua bolha digital, sua playlist de escapismo. Sua ansiedade medicada.

 Ainda assim, há resistências. Pequenas, quase invisíveis, mas teimosas: um café sem pressa, um livro esquecido relido, uma conversa sem motivo que termina em riso, uma planta crescendo no quintal. Há quem insista em plantar, mesmo quando o tempo já não sabe prever a si mesmo.

 Talvez outubro esteja nos lembrando que a vida não se resume a sistemas atualizados ou terabytes configurados. Há poesia no fora do padrão, no que não cabe em planilha, no que não dá lucro.

 Não lembramos de metade do que vivemos no primeiro semestre — consumimos, nos recompensamos, esquecemos. Mas talvez, só talvez, este outubro esteja nos oferecendo uma pausa. Não por esgotamento, mas por possibilidade.

Paulo Siuves

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Fórum Brasil de Turismo Cultural

Durante três dias, o Fórum reunirá especialistas, gestores públicos, empresários e representantes da sociedade civil em uma programação intensa com palestras, mesas-redondas, oficinas, vivências e apresentações culturais

Card do Fórum Brasil de Turismo Cultural - 3ª Edição Nacional
Card do Fórum Brasil de Turismo Cultural
3ª Edição Nacional

Entre os dias 15, 16 e 17 de outubro de 2025, o Museu Pelé, no Centro Histórico de Santos, será palco da 3ª Edição Nacional do Fórum Brasil de Turismo Cultural, um dos principais encontros do setor no país.

O evento se consolida como uma grande vitrine para cidades históricas, que terão a oportunidade de apresentar seus atrativos turísticos, culturais e históricos, promovendo o intercâmbio de experiências e a valorização da memória coletiva.

Durante três dias, o Fórum reunirá especialistas, gestores públicos, empresários e representantes da sociedade civil em uma programação intensa com palestras, mesas-redondas, oficinas, vivências e apresentações culturais.

O objetivo é fortalecer a profissionalização da gestão dos equipamentos históricoculturais e criar bases para a formação de um circuito histórico-cultural regional.

Entre os temas em destaque, estão:

  • Distritos Turísticos Culturais
  • Dinâmicas e Conexões de Mercado: Oportunidades para o Turismo Cultural
  • Investimento em Capital Humano
  • Financiamento do Turismo Cultural: desafios econômicos, leis de incentivo e modelos sustentáveis.

Além da programação técnica, o Fórum também será um espaço de vivência artística, com apresentações espalhadas pelo Centro Histórico. Um dos destaques é o projeto patrocinado pela APS, ‘Porto de Santos: Nosso berço, nossas histórias‘, que levará performances teatrais ao ar livre em locais emblemáticos como o Museu Pelé, o Museu do Café e o Outeiro de Santa Catarina.

Todas as encenações terão acesso gratuito, e estarão abertos para visitação aos participantes credenciados. Com a missão de estimular a cultura como entretenimento, educação e cidadania, o Fórum Brasil de Turismo Cultural reafirma Santos como referência na discussão sobre os rumos do setor e na construção de políticas públicas e iniciativas sustentáveis para o desenvolvimento do turismo
cultural no Brasil.

Serviço

Fórum Brasil de Turismo Cultural – 3ª Edição Nacional

Data: 15, 16 e 17 de outubro de 2025

Horário: a partir das 09h | Museu Pelé – Centro Histórico de Santos

Programação completa no site: https://forumbrasilturismocultural.com.br/

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Maçonaria feminina e mista

Renata Barcellos: Artigo ‘Maçonaria feminina e mista’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Renata Barcellos e Zara Paim

A Maçonaria Feminina é um ramo da Maçonaria que aceita apenas mulheres, com o objetivo de promover a igualdade e a fraternidade, seguindo princípios morais e filosóficos semelhantes à tradicional masculina. Existem diversas formas de Maçonaria feminina, incluindo a mista e outras que funcionam de forma independente.

Mulheres na Maçonaria não são um tema novo. Há registros históricos de mulheres como maçons operativas no Poema Regius (Séc. XIV) e no Manuscrito de York (Séc. XVII). Assim, somente a partir da Constituição de Anderson (1723), o veto a mulheres passa a existir.

Ainda, no Séc. XVIII, surgiu o Rito de Adoção e as Lojas de Adoção, específicas para mulheres, a partir do Grande Oriente da França. E entre os Séculos XVIII e XIX, há casos de mulheres iniciadas em lojas convencionais, como Elizabeth Aldworth, na Irlanda, em 1732; Helene Hadik-Barkóczy, na Hungria; Marie-Henriette Heiniken e Maria Deraismes, na França; Julia Apraxin, na Espanha; Salome Anderson, na Califórnia; Catherine Babington, na Carolina do Norte, dentre outras. A Ordem Maçônica Mista Internacional “O Direito Humano”, na França, em 1893. E, posteriormente, ordens exclusivamente femininas como a Ordem das Mulheres Maçons, no Reino Unido, em 1908.

Um breve histórico

  • Século XVIII

A irlandesa Elizabeth Aldworth (nascida St. Leger) é considerada a primeira mulher a ser iniciada na Maçonaria, em 1732, após ser flagrada espionando uma reunião de sua família. Embora a autenticidade de sua iniciação seja amplamente aceite, ela não se tornou um precedente formal. Foi expulsa e tornou-se um ícone para instituições independentes.

  • Século XIX – O Surgimento de Lojas Mistas:

Em 4 de Abril de 1893, Maria Deraismes e Georges Martin fundaram a primeira loja maçônica mista em Paris, França. Este ato deu origem à Ordem Maçónica Mista Internacional “O Direito Humano”, fundada em 1901.

  • Início do Século XX – Expansão e Organização:

Em 1902, Annie Besant introduziu a Co-Maçonaria na Inglaterra, que se separou do Direito Humano em 1908. Esta separação deu origem à Ordem das Mulheres Maçons e à Maçonaria para Mulheres, organizações que ainda hoje existem.

  • Meados do Século XX – Lojas Exclusivamente Femininas:

Em 1935, a Maçonaria de Adoção passou a se organizar como Co-Maçonaria, com três lojas fundadas na Inglaterra, que resultaram na criação da Grande Loja Mista da Inglaterra.

Entre o final do Séc. XIX e início do XX, começam a surgir as potências maçônicas mistas (com homens e mulheres), a partir da Ordem Internacional “Le Droit Humain” (1893); e as femininas, como a chamada “Ordem das Mulheres Maçons” (1908), que, apesar de ter sido criada mista, logo restringiu-se a mulheres.

No Brasil, o GOB fundou quatro lojas femininas, entre 1901 e 1902, que não emplacaram. E, em 1963, o Grão-Mestre Geral, Álvaro Palmeira, tentou instalar o Rito de Adoção no âmbito do GOB, tendo sido vetado pela Soberana Assembleia Federal Legislativa daquela potência.

Já, no final do Séc. XX, a Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI – e outras passaram a reconhecer a regularidade de prática da Maçonaria Feminina. Assim, permitindo que estas lojas utilizem seus templos, rituais e paramentos. Em seu site, a GLUI, declara ter “uma excelente relação de trabalho”com a Maçonaria Feminina.

Segundo Alberto Rangel (1928), no seu livro: Dom Pedro Primeiro e a Marquesa de Santos: “A maçonaria brasileira, nas primeiras décadas do século XIX, tinha um papel atuante nos movimentos políticos e de seus principais ideal, o do Liberalismo, e contava com a participação de parte dos integrantes do governo imperial em suas lojas, aproximando e constituindo redes de sociabilidade e de influência. Por outro lado, era concebida como uma sociedade cercada de mistérios, envolta a superstições e rituais condenados pela Igreja Católica. Já, no início da Independência, existiam ‘lojas maçônicas de adoção de senhoras’ no Brasil. Para mulheres da corte que pretendiam alcançar alguma influência política, era um lugar ideal de atuação”.

A mais influente Dama da Corte do Primeiro Reinado e amante do Imperador do Brasil, Dona Domitila, foi apresentada à maçonaria pelo próprio imperador em 1822, e permaneceu com essa prática, frequentando uma loja maçônica de adoção de senhoras.

Entre as mulheres da elite que entraram na maçonaria estavam a Marquesa de Santos, a Baronesa de Serro Azul, Sra. D. Francisca Carolina de Carvalho, Sra. Philadelpha Maria de Oliveira Paes, e Sra. Constantina Augusta de Oliveira Campos, Mariana do Carmo Andrade.

Escritoras brasileiras que aderiram aos princípios filosóficos maçônicos. Uma delas foi Nísia Floresta que identificou na herança cultural portuguesa a origem do “preconceito” no Brasil e ridiculariza a ideia dominante da superioridade masculina. De acordo com ela, homens e mulheres “são diferentes no corpo, mas isto não significa diferenças na alma”. Ou as desigualdades que resultam em inferioridade “vêm da educação e circunstâncias de vida”.

Seguindo o que acontecia na França, Espanha, Portugal e nos Estados Unidos, diversas lojas de senhoras foram fundadas no final do Brasil Império. As mais notáveis eram as lojas “7 de Setembro” (São Paulo), “Filhas da Acácia” (Curitiba), “Anita Bocaiúva” (Campos), “Júlia Valadares” (São João da Barra), “Teodora” (Itapemerim). “Filhas de Hiram”, em Juiz de Fora, Minas Gerais; “Filhas do Progresso”, no Rio de Janeiro; “Fraternidade”, em Bagé, Rio Grande do Sul e “Perseverança”, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Havia entre elas cinco graus: Aprendiz, Companheira, Mestra, Perfeita Maçon e Eleita Escocesa. Eram também iniciadas e, em cada grau, como na Maçonaria masculina, deviam fazer solenes juramento.

Entrevista à Zara Paim (Ordem Maçônica Mista Internacional “Le droit Humain”)

Minicurrículo: Profa adjunta 4, aposentada da Universidade Federal Fluminense, Titular do curso de pós-graduação no Instituto de Odontologia da Pontífica Universidade Católica do Rio de Janeiro (IORPUC). É membro da ABROL (Academia Rotária de Literatura da Cidade do Rio de Janeiro). Publicou livros: “Poesias e Crônicas” e “Prosas – Ensaios Literários,“A vida genial e misteriosa de Fernando Pessoa”. Tributo ao seu centenário de nascimento”… É membro titular de várias entidades: Academia Luso-Brasileira de Letras, União Brasileira de Escritores (UBE-RJ)…

É presidente da Academia Mundial pela Paz, Letras e Artes, do Instituto Brasileiro de Culturas internacionais. Foi presidente da associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenação do Rio de Janeiro. Faz parte da diretoria da UBE-RJ como 1ª Secretária e da Academia Luso-Brasileira como Diretora de Divulgação. Foi Conselheira do Conselho Estadual de Políticas do Idoso (2010 a 2012) no Rio de Janeiro (CEDEPI). Pertence à Ordem Maçônica Mista Internacional “Le droit Humain”.

1- Desde quando está na Maçonaria? 

Zara Paim: Ingressei na Maçonaria em 2004: na Maçonaria Mista Internacional “Le Droit Humain”, na Loja Amém- Ra, no Rio de Janeiro. 

2- Qual a importância da mulher nessa instituição?

Zara Paim: A mulher e o homem têm direitos iguais e desempenham as mesmas funções. 

3- Quando assumiu uma loja?

Zara Paim: Assumi a Loja Agnis 1600 no Oriente do Rio de Janeiro em 2019. A Loja estava em dificuldades e houve uma reestruturação que foi feliz. Hoje está  bem. Uma grande realização ocorreu quando foMmos a Castro, no Paraná. Fomos participar de uma cerimônia em um templo Maçônico a céu aberto no Parque do Canyon Guarte lá, um local de grande beleza natural, com muita espitualidade. Um templo aberto, diferente dos tradicionais.

Os visitantes desse Templo colocavam uma Placa com o nome da loja, o Oriente e o nome do Venerável. O local é emprestado para todas as Ordens Maçônicas e realiza- se no local além da Loja, cerimônias espiritualizadas. Ficamos hospedados em uma casa alugada e foi um belo retiro espiritual. Foi um ponto alto na minha Veneratura. Houve também além dos trabalhos maçônicos, apresentação de textos literários. A Loja funcionava à tarde e antes havia um ágape de confraternização.

4-Mensagem às Fraternas:

Zara Paim: Na verdade, a mensagem é para os fraternos. Homens e mulheres fazem parte da instituição que foi fundada na França em 14 de março de 1893, pela Venerável Irmã Maria Deraisme e pelo Ilustre Irmão Georges Martin, enfatizando princípios  étnicos, honestidade e a procura da verdade. Nessa Ordem homens e mulheres desenvolvem juntamente o humanismo, as preocupações políticas e sociais.

A Ordem foi criada no Brasil em 1918 no Rio de Janeiro. Existem em muitas cidades brasileiras e em vários países. O rito predominante e o Escocês Antigo e Aceito. Poucas Lojas trabalham com o rito Lauderdalle. Pertenço à família com muitos membros maçons, na Grande Loja, como pai irmão, tios e amigos em Salvador (BA). Desde muito jovem, admiro e respeito à Maçonaria. Aconselho a todos persistirem no polimento da sua Pedra, como faço há muito tempo, desenvolvendo as qualidades humanísticas com aprimoramento espiritual  e cultural, cultuando a liberdade, a justiça, a honestidade e cumprindo da melhor forma o nosso Dever.

Renata Barcellos

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Entre o corpo, a alma e a cultura

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘Entre o corpo, a alma e a cultura’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing a em 30 de setembro de 2025, às 12:00 PM
Imagem criada por IA do Bing em 30 de setembro de 2025, às 12:00 PM

A dor é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais complexas. Presente desde o nascimento até os últimos instantes da vida, ela não é apenas um sintoma físico, mas também um fenômeno que atravessa dimensões emocionais, sociais, espirituais e culturais. Compreendê-la é fundamental para promover saúde integral.

Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), dor é “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”. Essa definição amplia a visão biomédica, reconhecendo que dor não é apenas consequência de uma lesão, mas também da forma como o cérebro interpreta e dá sentido a determinados estímulos.

No senso comum, dor é frequentemente entendida como algo que se deve evitar ou suprimir. No entanto, culturas e tradições filosóficas diversas revelam que ela também pode ser um caminho de aprendizado, transformação e até espiritualidade.

A literatura científica classifica a dor em diferentes categorias:

Aguda: de curta duração, geralmente associada a uma causa identificável (como uma fratura).

Crônica: persiste por mais de três meses, mesmo após a cicatrização do tecido. Está ligada a processos complexos do sistema nervoso.

Nociceptiva: relacionada a danos nos tecidos.

Neuropática: originada em lesões ou disfunções no sistema nervoso.

Psicogênica: vinculada a fatores emocionais e mentais.

Estudos recentes apontam que a dor crônica atinge cerca de 30% da população mundial, impactando diretamente a produtividade, a qualidade de vida e os relacionamentos humanos.

Diversos pensadores refletiram sobre a dor:

“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.” – Haruki Murakami

“As cicatrizes nos lembram que o passado foi real.” – C.S. Lewis

“A dor é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.” – C.S. Lewis

Essas frases revelam a multiplicidade de olhares: da dor como inevitabilidade biológica à dor como experiência transformadora.

Japão: influenciado pelo budismo e pelo Seitai, a dor é vista como um sinal de desequilíbrio do corpo e da energia vital. O objetivo não é apenas eliminá-la, mas restaurar a harmonia.

Ocidente: tende a medicalizar e combater a dor de forma direta, por vezes esquecendo o aprendizado que ela pode trazer.

Povos indígenas: muitas vezes a dor é ritualizada, entendida como passagem de crescimento ou fortalecimento espiritual.

Cristianismo: a dor pode ser vista como parte da purificação, mas também como algo que encontra alívio no cuidado mútuo.

Na visão da Saúde Integral, não basta tratar apenas o sintoma. É preciso compreender a dor em sua totalidade — física, mental, emocional e espiritual. O Seitai, técnica japonesa de quiropraxia, vai além da manipulação corporal: ele busca reorganizar o corpo para que a energia vital circule de forma livre e natural.

A dor, nesse contexto, é um sinal de vida. Ela mostra que algo está em desalinho, mas também aponta o caminho para o equilíbrio. O Seitai convida à escuta do corpo, ao respeito pelo ritmo natural e à confiança no poder regenerativo do organismo.

A dor pode ser inimiga ou mestra. Depende da forma como nos relacionamos com ela. No campo da saúde integral, aprender a escutar a dor é fundamental para transformar sofrimento em consciência, desequilíbrio em movimento, e limites em caminhos de cura.

Talvez possamos ressignificar a dor não apenas como algo a ser combatido, mas como um convite ao autoconhecimento e à harmonia. Afinal, cuidar do corpo é cuidar também da alma — e é nesse encontro que a verdadeira saúde integral se manifesta.

Joelson Mora

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Irma Pignata

Sergio Diniz da Costa

Um tributo a minha mãe, Irma Pignata!

Logo da seção Ode à Competência
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Irma Pignata
Irma Pignata

Diz o ditado que “é de pequenino que se torce o pepino”. O provérbio se refere aos bons costumes e educação que se dá às crianças desde o mais cedo possível. E foi de pequenino que comecei a viajar pelo mundo afora por meio dos livros; a sentir o gosto, o prazer pela leitura, recebendo essa herança de ordem imaterial de minha mãe, Irma Pignata, hoje com 98 anos.

Tão logo aprendeu a ler, já se mostrava curiosa por tudo, e se tornou uma leitora voraz, lendo desde papéis encontrados pelo chão, bulas de remédios, passando pelos gibis, revistas populares e, em especial, livros. Ela tinha tudo para se tornar uma escritora, uma grande escritora.

Na juventude, sua voz de soprano-ligeiro a levou, nos idos da década de 1940, a cantar na Rádio PRD-9 de Itapetininga e, naquele momento, um convite por parte da rádio poderia – se aceito – tê-la projetado nacionalmente.

Entretanto, de nove irmãos, minha mãe era a segunda filha de meu avô, José Pignata, que, no fundo da residência, tinha uma pequena fábrica de linguiça. E a juventude dela, bem como da irmã mais velha, tia Diva – que também chegara a dividir o microfone da Rádio PRD-9 – as levou a ajudar meu avô, levantando-se ambas às 4h da manhã para, literalmente, ‘encher linguiça’ e, depois, sair para vender, ou entregar encomendas, com pesadas cestas sobre as cabeças.

Não bastasse o peso sobre a cabeça, aos 21 anos sobreveio o casamento e, aos poucos, os quatro filhos. Meu pai era contador de uma fábrica e durante um tempo minha mãe precisou costurar para fora, a fim de aumentar a renda familiar. E assim, os sonhos de voos literários e musicais foram desvanecendo, extintos pela realidade. Não obstante a impossibilidade de realizá-los, continuou viajando pelos livros. Mais do que isso, a também devorar as palavras cruzadas e, consequentemente, a angariar um conhecimento e a desenvolver um vocabulário muito acima da média, mesmo por parte de muitos acadêmicos de letras, como tenho constatado, na qualidade de escritor e revisor de livros.

Minha mãe, absorvida pela vida, pela devoção aos pais, ao marido e aos filhos, não se tornou uma grande escritora e nem uma Diva da música. Seus sonhos, contudo, seu amor aos conhecimentos gerais e aos livros, em particular, foram-me doados, num processo de observação e admiração diária.

Ser hoje o Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL; revisor de livros; jurado de concursos literários; membro de academias literárias; a cada livro que lanço e a cada honraria que recebo de entidades culturais de vulto nacional me faz agradecer a minha mãe, cujos sonhos de menina não pôde realizar, porém, projetou em mim o desejo de realizar um talento nato, num processo transcendente de amor e de doação!

Sergio Diniz da Costa

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Me pertencer

Loide Afonso: Poema ‘Me pertencer’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Grok
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Queria agora
Escrever sobre
Outras vivências
Imitar os outros

Correr sem meus pés
E gritar com a voz
Da luz
Sara
Mayra
Só gritar

Me doar para os outros
Mas como? se
Nem eu mesma me tenho?

Vivo correndo
Descendo
Como se
Quisesse ir
Pra um lugar

Outro
Mais escuro
Denso
Ou com luz
Sei lá

Esse lugar
Talvez eu já tivesse

Ou Estou
Queria saber

Quantos passos faltam pra chegar ao limite, afinal?

Loid Portugal

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