O poder da criação

Dorilda Almeida: Poema ‘O poder da criação’

Dorilda Almeida
Dorilda Almeida
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A alegria e o sofrimento
Mexem com o poder da criação
O processo criativo
Surge
Da sensibilidade
E da subjetividade
Do ser humano
Para sair deste mundo
Por uns instantes
E liberar uma nova visão
Ampliar os horizontes
Escrever, sonhar e criar
Com coragem e liberdade
Como fizeram Mário de Andrade,
Tarsila do Amaral e tantos outros não aceitos, mas permaneceram.
A arte ela nasce, cresce
E aparece para o mundo
O mundo das formas
Da escrita, da gramática
E da matemática
Ela é pura
É tão misturada, enrolada, agraciada
Não tem cor
Não tem sexo
Só tem forma de amor e de amar
É simplesmente arte!

Dorilda Almeida

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Volta às aulas!? Alegria ou desespero?

Renata Barcellos: ‘Volta às aulas!? Alegria ou desespero?’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Renata Barcellos - Foto do arquivo da autora
Renata Barcellos – Foto do arquivo da autora
Renata Barcellos - Foto do arquivo da autora
Renata Barcellos – Foto do arquivo da autora

Este período é de retorno às aulas. Adaptação dos pequenos, apresentação de alunos maiores, reunião com os responsáveis e com os professores. Estes às voltas com planejamentos. Muitas vezes, trabalhamos com colegas descompromissados, não se interessam em realizar um planejamento integrado ou (ao menos) que todas as turmas daquela disciplina tenham uma determinada ementa a ser cumprida a cada bimestre / semestre.

Pior ainda quando se lida com assédio moral e/ou sexual de gestores, colegas de trabalho ou alunos. Precisando ter aquele famoso ‘jogo de cintura’ para preparar o terreno (espírito) por todo o ano letivo. E isso só está começando!!! Disque 100 (direitos humanos/assédio geral), o Ligue 180 (específico para mulheres), ou o Ministério Público do Trabalho (MPT) de sua região.

Mais complicado é a sociedade pensar que voltamos de uma ‘longa’ férias desestressados… Na realidade, saímos um ‘caco’, temos nossos problemas particulares a lidar e resolver ao longo do ano letivo e dos dias de ‘descanso’. E, próximo ao retorno, para muitos (dependendo do ambiente de trabalho) já começam a passar mal. Entram em PÂNICO. Tomam medicação ou procuram um médico não para os exames de rotina mas para suportar a pressão do ano letivo. Triste realidade. O corpo docente agoniza de corpo e alma.

Após o período de planejamento, iniciamos com os alunos. Algumas turmas pela primeira vez, outras não…. Dependendo da relação professor x aluno, outro estresse se inicia. Entrarmos em uma sala de aula para construir conhecimento e não para ser ofendido, assistir a cenas de violência entre alunos ou deles para conosco. Sala de aula é para ser um ambiente harmônico, não um ringue, campo de batalha como parece em muitos casos.

Na maioria das vezes, trabalhamos em um espaço físico INADEQUADO. Sem recursos (quadro, ventilador…). Com este calor DESUMANO, como ministrar aulas sem ventilador, água…? E lembrando que, em média, são 45 alunos. Salas lotadas. Quando há disciplina que demanda uso de tecnologia, são diversos alunos por computador, notebook. Como lidar com isso e ainda ser uma aula produtiva?e início de ano letivo 2026, ao leitor (professor, aluno), reflitam sobre sua realidade. Comente aqui abaixo da matéria… E aos responsáveis, tenham paciência com professores e gestores despreparados para lidar com salas superlotadas e com alunos com diversas especificidades. Para cada um, uma abordagem, diversos formulários a serem preenchidos sobre seu desempenho… Quantas horas precisam ter o dia de cada um de nós???

Muitos professores têm uma carga horária de 40 horas ou (até mesmo de 60). Como aguenta? A garganta aguenta?… Sinceramente, não sei. Em qual momento prepara e ou corrige as atividades? Nosso salário é baixo. Por isso, muitos têm esta sobrecarga. E com isso, muitas vezes, não há tempo para a formação continuada. Mesmo com a oportunidade maior de oferta de ser online, estamos exauridos. Sem fôlego para leituras, elaboração das atividades propostas… Lamentável cada vez mais a situação da categoria!!!

Para os professores comprometidos, entrar em sala de aula e se deparar com turma apática, desinteressada é como uma ‘apunhalada’ mortal. Passamos o ano letivo destruídos por tentar diversos recursos e nada motivar determinados alunos e ou turmas. No caso do terceiro ano do Ensino Médio, pior ainda, porque procuramos incentivar a continuarem os estudos. Cada um na sua área de conhecimento, aborda os conteúdos mais cobrados nas avaliações externas.

No meu caso, como professora de Língua Portuguesa e de Literaturas, preparando para a tão temida produção textual (ao longo do ano, redigindo diversos possíveis temas) e orientando as leituras de obras sugeridas para realização das provas externas e, concomitante, a leitura de obras da escola literária a ser trabalhada. Urge que alunos (e também professores) leiam contos, poemas, romances… dos clássicos aos contemporâneos. Enquanto professora destas duas áreas do conhecimento, está muito difícil conscientizar os alunos da importância do domínio da Língua Portuguesa, de sermos poliglota no nosso idioma como bem disse Bechara.

E de convencê-los a ler textos literários ou não. Sobretudo, devido a tanto texto midiático, a tanta poluição visual como bem disse Italo Calvino (particularmente em sua obra ‘As Cidades Invisíveis’, 1972). Nesta, aborda não só como o excesso de placas ou outdoors, mas também uma degradação da experiência urbana, a perda da identidade dos lugares e a saturação de imagens que escondem a verdadeira essência da cidade. Ele explora a dualidade das metrópoles modernas: o lado visível, turístico e atraente versus o lado oculto, caótico e abandonado.

Caro leitor (alunos, gestores, professores, responsáveis…), sejamos solidários e resilientes. Que possamos ter um ano letivo produtivo!!! Diga sim à PAZ e NÃO à violência!!!

Renata Barcellos

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Peguei um punhado de amor

Jakob Kapingala: Poema ‘Peguei um punhado de amor’

Logo da seção O Leitor Participa
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Imagem criada por IA da Meta - 14 de dezembro de 2025, às 9:14 PA
Imagem criada por IA da Meta – 14 de dezembro de 2025,
às 9:14 PA

Peguei em cada gota das lágrimas que abraçavam meu rosto,
E pintei-as com as cores do arco-íris com muito gosto.
Transformei a ansiedade que cobria meu peito,
Numa paciência bonita e coberta de muito respeito.

Persegui sem tréguas o coração que me tinha abandonado,
Tocando levemente o pouco da alma que me tinha sobrado.
Corri atrás dos sorrisos que há muito se perderam,
Abraçando o vento melancólico dos tempos que já se foram.

Parei num tempo sem tempo observando a lua,
Com o coração ansioso em trilhar suavemente a rua,
Que dava passagem a um mundo só de alegria,
Enquanto fugia do meu ser mergulhado na fantasia.

Peguei um punhado de amor que encontrei por aí,
Coloquei-o na mochila da positividade e saí,
Correndo livremente igual a um pássaro,
Que traz nos lábios um sorriso raro.

Jakob Kapingala

Jakob Kapingala
Jakob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.




Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora

Paulo Siuves

‘Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
magem criada por IA da GEmini - 05 de dezembro de 2025, às 14:10 PM
Imagem criada por IA da GEmini – 05 de dezembro de 2025,
às 14:10 PM

No primeiro dia de dezembro, minha casa acorda com uma alegria que não precisa de aviso nem preparo. É o aniversário da minha esposa. Desde que Delaine chegou, essa data acende uma luz diferente no nosso cotidiano, como se o dia viesse embalado em delicadeza própria. Ela sempre desperta achando que algo bom vai acontecer; e eu, mesmo sem prometer nada, quase sempre deixo acontecer.

 No dia seguinte, é a vez do aniversário da minha filha. E essa coincidência, que o calendário poderia ter distribuído de forma banal, virou um laço bonito entre elas. Já improvisamos mesas às pressas, comemoramos em dobro, rimos misturado, acendemos velas de aniversário que pareciam iluminar o mesmo sopro de alegria. Não foi o tempo que construiu isso. Foi a convivência. Foi a escolha. Foram os gestos que se reconhecem.

 Delaine entrou na vida das minhas filhas como quem chega com a alma aberta. Nunca quis ocupar o lugar de ninguém, nunca desejou disputar sombra nem afeto. Disse, desde o início, que não seria a madrasta má das histórias, que seria uma presença honesta. Alguém que acompanha, que orienta, que partilha. E Kenya e Kelly a acolheram com amizade verdadeira. Ver esse vínculo crescer é um privilégio silencioso. Há beleza em testemunhar três mulheres que não precisavam, mas escolheram construir cuidado.

 Tenho meus modos próprios de celebrar. Não gosto de um amor que vire protocolo, nem de transformar afeto em checklist anual. Mas Delaine sempre espera o café da manhã na cama. Às vezes eu levo, às vezes surpreendo de outro jeito. E essa espera diz mais sobre nós do que qualquer gesto planejado. Entre filhos, netos e a ausência que 2019 me deixou quando perdi minha mãe, minha família é tudo o que eu tenho. Tudo o que eu sou.

 Talvez por isso os acontecimentos desta semana tenham me atravessado com tanta força.

 Como compreender que uma simples linha de anzol seja suficiente para um homem atirar a própria esposa aos tubarões? E pior: como entender que ele faça isso duas vezes? Como aceitar que alguém arraste uma mulher pela Marginal Tietê como se ela fosse objeto? Ou que um influenciador, conhecido por ensinar ‘postura’, seja preso por agredir justamente a mulher com quem divide a casa?

 O que me assusta não é apenas a violência em si, mas a banalidade que a antecede. A rapidez com que a frustração vira ódio. A facilidade com que um cotidiano se transforma em risco. O instante em que um parceiro se converte em algoz. O amor que prometeu cuidar é o mesmo que tenta destruir. Não há lógica que dê conta disso. Não consigo imaginar nenhuma das mulheres da minha vida passando por algo semelhante. Só de supor, o pensamento se torna insuportável, porque ele dói antes mesmo de existir.

 Enquanto celebramos aniversários aqui em casa, os números do país contam outra história. Crescem as perseguições, a violência psicológica, as ameaças que antecedem o feminicídio. São estatísticas que parecem frias, mas ali estão registradas as horas que antecedem o tapa, o silêncio que precede o grito e o medo que anuncia o fim.

 E talvez seja exatamente aqui que os dois mundos se cruzem: o íntimo e o social.

 Porque amar as mulheres da minha família me obriga a olhar também para as que não têm quem as ampare, para as que convivem com o perigo dentro de casa e para as que talvez nem alcancem o próximo aniversário. Ser homem, para mim, nunca foi sinônimo de força física; é sinônimo de responsabilidade. Responsabilidade de não tolerar machismo, de não normalizar insultos, de criar filhos decentes, de apoiar autonomia e independência feminina. Proteção não é posse. É permitir que cada mulher caminhe com liberdade.

 No próximo ano, quando eu preparar o café da manhã para Delaine, seja na cama ou não, vou saber que o gesto carrega outra intenção. Não apenas celebrar sua vida, mas reafirmar que cada vida feminina merece continuidade. Em um país onde tantas mulheres não chegam ao dia seguinte, cada aniversário que comemoramos é também um manifesto silencioso. Que nenhuma mulher precise sobreviver para merecer o próprio amanhã. Porque, no fim das contas, garantir que ela amanheça viva é o mínimo que um país decente deveria entregar.

Paulo Siuves

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O despertar

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘O despertar’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing em 25 de novembro de 2025, às 17:00 PM
Imagem criada por IA do Bing em 25 de novembro de 2025, às 17:00 PM

Alegria, felicidade, proteção divina, harmonia, plenitude, equilíbrio, sorte, fé, esperança, êxito e conquistas.

Palavras que parecem distantes umas das outras, mas que, na verdade, são fios do mesmo tecido: o tecido da vida integral.

Quando nos abrimos para a alegria, o corpo respira diferente.

Quando cultivamos a felicidade, a mente se organiza.

Quando confiamos na proteção divina, o espírito se fortalece.

Quando buscamos harmonia, plenitude e equilíbrio, começamos a nos alinhar por dentro, e isso transborda por fora.

E é nesse alinhamento que a sorte deixa de ser acaso e passa a ser consequência.

Que a fé ganha forma, a certeza de que vamos receber aquilo que tanto esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.E nessa dimensão invisível, a fé se torna escudo que nos protege, guardando nossos sentimentos, nossas decisões e nosso caminho.

Que a esperança encontra morada.

Que o êxito se transforma em jornada e não apenas em chegada.

Que as conquistas deixam de ser externas e passam a nascer primeiro no coração.

A vida integral nos chama para esse despertar.

Um despertar que não acontece de uma vez, mas em pequenos atos:

uma respiração consciente, um passo a mais na atividade física, um descanso intencional, um alimento que nutre de verdade, uma pausa que te reconecta, uma oração que te realinha, um gesto de gratidão que ilumina o caminho.

E assim,  pouco a pouco, dia após dia, você se torna templo, trilha e testemunho.

Se torna aquilo que ensina.

Se torna saúde em movimento.

Hoje, eu o convido: desperte o que já existe dentro de você.

A alegria que você busca.

A plenitude que você deseja.

A fé que o sustenta.

O equilíbrio que lhe devolve o rumo.

As conquistas que já estão sendo formadas no seu interior.

Comece agora. Comece com o que você tem.

A saúde integral não é um destino, é uma escolha, e você pode fazê-la hoje.

Joelson Mora

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Ao sol

Irene da Rocha: Poema ‘Ao sol’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

O sol desperta em manso tom de alegria,
Beija a terra em doce encanto que irradia;
O orvalho sobe, e a névoa, vaga, se esvazia,
Enquanto a vida abre as portas do seu dia.

Nasce o abraço em lume puro e verdadeiro,
Risos bordando o ar num brilho alvissareiro;
Corações pulsam juntos, num só candeeiro,
Sagrado o tempo de amar no mundo inteiro.

A luz derrama sua dança abençoada,
Folhas cintilam pela trilha iluminada,
E os pássaros cantam na manhã dourada.

O céu se abre num gesto amplo e divino,
Sopro de Deus embala o sonho peregrino;
E a alma floresce ao teu calor, destino.

Irene da Rocha

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A noite parece não ter fim…

Nilton da Rocha: ‘A noite parece não ter fim…’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
Umagem criada por IA do Grok

Há momentos na vida em que a noite parece não ter fim. O silêncio pesa, as lágrimas se tornam companheiras e a esperança parece distante, como uma estrela escondida pelas nuvens. Mas é exatamente nesse instante — quando o escuro se torna mais denso — que a promessa divina sussurra ao coração: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.”

Essa frase, tão antiga e ao mesmo tempo tão atual, fala da certeza de que nenhuma dor é eterna. O sofrimento tem hora marcada para ir embora, e a alegria sempre encontra o caminho de volta. A noite, por mais longa que pareça, é apenas um intervalo — uma pausa necessária para que o amanhecer brilhe ainda mais.

A vida é feita desses ciclos: o pranto que limpa, a esperança que renasce, o sol que retorna para aquecer o que antes parecia frio. Deus, em Sua sabedoria, nos concede o tempo da escuridão não como castigo, mas como aprendizado. É na noite que aprendemos a valorizar a luz.

E assim seguimos. Cada novo dia é uma chance de recomeçar, de enxugar as lágrimas e abrir as janelas da alma para o primeiro raio de sol. Porque, depois de toda noite — por mais triste que tenha sido — sempre haverá uma manhã esperando para sorrir com a gente.

Nilton da Rocha

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