Ora alívio, ora tortura

Lina Veira: Crônica ‘Ora alívio, ora tortura’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem por Lina Veira
Imagem por Lina Veira

Alívio – Um substantivo que facilita a vida, que traduz a remoção de uma dor, a liberdade de uma angústia ou opressão – as vezes através de lágrimas.  Ali, onde um poeta se descobriu sem máscara, sem vestimenta, sem loucura, impalpável a definições. Gestos automáticos.

Os  falsos anjos se corrompem com as descrenças, misérias e falta de asas. Carecem do êxtase, de tudo que é pecado e santo. 

Quisera uma caixa de chocolates finos e  o livro de Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados. O alívio, já me acaricia só de esperar essa obra pelo correio à tarde.

Mas vamos as últimas notícias: Café: alívio tarifário não reduz pressão sobre cotações

Estoques baixos sustentam preços do café no curto prazo

O mercado global de café passa por um período de ajuste após a suspensão das tarifas adicionais de 40% sobre os grãos brasileiros — exceto o café solúvel — anunciada em 20 de novembro.

Para a analista da Hedgepoint, Laleska Moda, “esse comportamento reforça a percepção de que, mesmo com o alívio tarifário, a oferta disponível para exportação continua limitada”.

Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 03/12/2025 às 13:37h.

E ainda:

Melhora nas chuvas darão alívio na conta de luz em dezembro

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)  4 dias atras   

A  noite calorenta arranca suores indevidos de uma vida cheia de artifícios e sonhos,  tem gente que parece incendio sem alívio. Como meu pai dizia: rapadura é doce, mas não é mole não.

O outono, já se foi, mas ainda é preciso se ver nu como as árvores sem folhas no inverno, primavera e verão.

A vida é uma confissão breve de crônicas, tenho escrito. Abrindo mão de  augúrios  ou previsões do futuro, como presságios ou vaticínios, que podem ser interpretados de diversas formas. A fragilidade dos argumentos se revela e o acaso pode ser um alívio desmembrando o talvez.

Já estava quase acostumada ao silêncio –  de dentro, quando o telefone tocou  e ouvi um “eu te amo” diferente. Chega estancou o barulho.

Nunca comeu rapadura para ser tão doce, nunca foi ao nordeste, nunca dançou forró.  

Tanta gente bonita aqui no Sul vivendo dentro de suas casas sem vidas. O quintal não tinha alegria, nem flores merecidas. A casa de alvenaria era uma prisão de depoimentos frustrados. Um homem distanciado do  universo feminino de sua mulher, sem alívios, gozos ou cheiros.

– O que fizemos para merecer isso?

– Escolhas.

Entenda: A paixão é um instante. E não precisamos torná-la compromisso ou construção.

O outro é um bom lugar para depositar  nossos desejos carnais  e solidão, completou se agachando no chão do quintal enquanto desenhava um girassol.

Algumas pessoas nem percebem que já morreram, outras tem sua existência inventada, algumas merecem conhecer a pessoa certa. Abandonei a linguagem sinuosa do amor. Escolhi o alívio do suicídio, dos fantasmas sem lucidez e do desanimo, às vezes. Sempre tive medo do amor, dos retratos antes das rugas, antes que o brio da vida se consuma. Depois esperança. A vida é uma contante escolha sem alívio de ser ou não ser,  entre a vida e a morte. Uma eternidade urgente  de duas horas no fim de tarde inquieta, na beira da praia apreciando o por do sol, ou de uma saudade dos lindos anos 80! 

Eu sonhava vestida do impossível, corria e via poema nas paredes da vida, nas metáforas,  e  no vento. O alívio era poder ser criança. Comer as frutas do pé de fruta de casa,  regar as folhas e flores do jardim, tomar banho de chuva nas bicas das calçadas, correr na rua sem medo de crimes ou guerras, ou desistências. 

Depois de um tempo, a paixão arrefece, diminuímos o olhar doce sobre a vida,  ora alívio , ora tortura. 

Ainda lembro do BUQUÊ de rosas vermelhas que segurei entrando na igreja. Que alívio feminino tiveram as mulheres da família!  Miseráveis  verdades são ditas por mulheres para convencer o instante. Miseráveis verdades são sempre ditas em todas as fases, apenas isso.

Ora alívio , ora  tortura , vive a vida.

Lina Veira

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Uma voz chorosa

Verônica Moreira: ‘Uma voz chorosa’

Verônica Moreira
"Como não sentir, se tudo em mim são emoções transcendentais, sentimentos que nem eu mesma sei decifrar..."
Como não sentir, se tudo em mim são emoções transcendentais, sentimentos que nem eu mesma sei decifrar…”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Dentro de mim, uma voz chorosa ecoa.

Sinto o coração queimar no peito, urge expor o que vai na alma!

Lá no íntimo, essa voz lacrimosa clama por alívio.

Permita-me entoar meus versos, dissimular minha angústia nas entrelinhas.

Mesmo que minha poesia pareça assombrosa…

É preciso escrever com rapidez, pois minha aflição corre como água de cachoeira e devo levá-la até a margem, onde certamente encontrarei refúgio.

Como não sentir, se tudo em mim são emoções transcendentais, sentimentos que nem eu mesma sei decifrar, um emaranhado de sensações!

Eruptivas explosões, terremotos poéticos, chama ardente no coração que me consome por inteira, deixando-me em cinzas, à beira de um rio plácido e sereno.

Afinal, afogar-me em amor é a única maneira de prolongar a existência por mais um instante?

Deixe-me afogar meus sentimentos. Talvez não seja amor.

Verônica Moreira.

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Diagnóstico de amor infindo

Verônica Moreira: poema ‘Diagnóstico de Amor Infindo’

Verônica Moreira
Verônica Moreira

Se pensas conhecer minha dor 
Dê-me o alívio que preciso 
Não me digas que sente muito 
Apenas me cura se te for possível.  

Minha dor parece pequena
Porque ninguém conhece a causa 
Se pensas que é tão minúscula
Não há razão para eu explicá-la. 

Não me perguntes onde doí
Pois nem eu mesma sei ao certo 
Às vezes parece ser na alma 
Às vezes tudo por completo. 

Dói os olhos e a boca 
As pernas, braços, coração 
Dói demais toda saudade 
Que traz de volta o que foi bom. 

Mas não poderei explicar 
O tamanho da dor que sinto 
Pré-diagnóstico de especialista 
Diz que se trata de um amor infindo. 

Verônica Moreira 

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